Anos 70 – a década de ouro da humanidade

Neste dia tão especial para a minha cidade, permitam-me mais um centavo de saudosismo…

Quando o ano novo bateu à minha porta na Rua São João, ainda não havia luz elétrica nem água encanada dentro de casa. Torneira havia apenas uma no tanque de cimento no quintal sem cobertura. O fogão era a gás, infelizmente! O de 70 foi o pior inverno da minha vida, pois o fogão a lenha com o banquinho liso, de madeira, para sentar e esquentar os pés, havia ficado lá na casa de pau-a-pique na Vargem do Coqueiro em Congonhal. Para esquentar a vida, só mesmo os jogos da Copa do Mundo. Assisti a todos os jogos da Seleção Canarinho pela televisão preto & branco na casa do vizinho Danielzinho Marcondes. Na minha casa a TV, mesmo a p&b só chegaria no final da década. O melhor dos jogos era a comemoração! Um dos meus dez cunhados era mecânico na Mavesa e, em dias de jogos do Brasil, ele pegava um caminhão emprestado na firma… Depois do jogo saíamos para comemorar pela cidade! Um velho caminhão Chevrolet sem toldo, lotado de garotos, adolescentes e adultos!

Ninguém nunca caiu do caminhão. Ele nunca foi parado pela polícia e nunca recebeu uma multa por isso…

Passada a euforia da Copa do Mundo, vinham as trocas de figurinhas de jogadores, o “bate bafo” nas calçadas… Era hora de voltar às brincadeiras habituais de rua. De dia, quando não estava no Grupo Escolar Presidente Bernardes da Rua Bom Jesus, ou vendendo picolé da sorveteria do “Sô” Ferreira, estávamos na poeira da Rua São Pedro jogando bolinhas de gude, queimadas ou disputando os campeonatos de pipas e papagaios. No final da tarde quando o vento soprava mais forte, a rua se enchia de garotos para assistir e torcer pelo ‘time’ da rua de cima contra os laçadores da Rua Dom Lafaiete. Cada pipa que a rua de cima ganhava no laço – e sempre ganhava – era comemorada como se fosse um gol da seleção. Era uma festa sem tamanho fazer o “jaú” mergulhar por cima da rede elétrica, das casas do quarteirão, no espaço do vizinho, laçar a presa e puxá-la para o nosso território fazendo-a descer na nossa rua. O laçador não se importava em ficar com o troféu… O mais gostoso era ver a molecada correndo olhando pra cima até pegar o ‘jaú’ de plástico ou de papel, mesmo que ele se partisse em vários pedaços em suas mãos. No bairro da Saúde nos anos seguintes ainda vi parte dessa peculiar competição. Mas igual aos torneios da Rua São Pedro versus Rua Dom Lafaiete, nunca mais!

À tardinha o programa favorito daquele início de anos 70 era pendurar na varanda ou na janela de casa para ver o canudo de fumaça preta, cinza ou branca da Maria Fumaça. Logo depois de ouvirmos o primeiro apito avisando que cruzaria a BR 459, corríamos para a varanda a tempo de ver o trem precedido pela fumaça surgir atrás da igrejinha N.S. de Fátima. A fumaça cruzava a cidade em meio aos apitos e o choc-choc-choc das manivelas. Já na Avenida Brasil o trem começava soltar os espirros do freio e ranger nos trilhos até parar na velha estação na esquina da Dr. Lisboa.

À noite, depois do jantar e do “dever de casa”, naturalmente, começavam as brincadeiras de rua. Soltar Pião, Pique-esconde, chicotinho queimado, queimada até a hora de sossegar em volta da fogueira para contar causos de assombração.

Como tinha causos de assombração naquela época! Foi numas dessas ocasiões que me familiarizei com a história do Corpo Seco! Sem saber que aquele esguio senhor de bota de cano alto, que toda tardinha, já no crepúsculo, descia do Santo Antônio, virava a esquina da São João e descia em direção à sua casa perto do Asilo, era irmão do Corpo Seco dos nossos arrepios e pavores!

Nosso dia encerrava já ‘altas horas’ da noite… Por volta de nove e meia, quando muito dez horas! E tínhamos pelo menos três bons motivos para nos recolher!

Primeiro que lenha para fazer fogueira custava dinheiro! Era comprada do João Brunhara que a vendia em metros na Rua João Basílio. Vendia também os frangos, já que no nosso quintal não podíamos criá-los.

O segundo motivo é que nossas mães, depois de chamar três vezes para lavar os pés e dormir, não chamavam mais… Mas poderiam aparecer a qualquer momento, de surpresa, com um ramo de guanxuma, com a cinta de couro cru do pai ou uma varinha qualquer na mão e descer-nos o borralho!

O terceiro motivo era tão tenebroso quanto. Toda noite a “carruagem do diabo” descia do Alto das Cruzes levando os restos mortais do cemitério velho desativado em 1917 para o cemitério novo das Taipas. Era um barulho infernal de carroça velha puxada por cavalos fazendo os cascos levantarem faíscas no contato com os pedregulhos da rua, seguida por uma matilha inteira latindo, uivando e gritando. A carruagem fantasma descia sempre por volta de quatro horas da madrugada. Mas, vai que o cocheiro erra o horário e acaba descendo pouco depois das dez da noite!… Éramos cada um mais corajoso que o outro ali na rodinha em volta da fogueira… Mas com coisa do outro mundo era melhor não abusar, né?

 

     Quem nasceu por volta de 1960 e chegou à idade adulta na década de 70, é um privilegiado… Teve a melhor infância e adolescência dos últimos séculos! Ninguém viveu tanta pureza, tanta diversão, tantas aventuras e foi tão feliz quanto essa ‘galerinha’ que descobriu a vida na década de 1970, os anos de ouro da humanidade!

    Você é sex… sagenário? Então você viveu essa história!

     As outras 12 páginas dessa história de saudade estão no livro “Quem matou o suicida”. Adquira o seu e viaje no tempo! Só essa história já paga o ingresso.

Aqui você encontra quem matou o suicida!

O livro está disponível nos seguintes lugares:


O novo livro de Crônicas Policiais de Airton Chips já está à venda. Além de crônicas, o livro trás lendas urbanas, personagens que marcaram época, e mostra a transformação sociocultural do Sul de Minas, especialmente de Pouso Alegre, a cidade que transformou fazendas e pastos em bairros ruas e avenidas e quadruplicou a população nos últimos 50 anos. Cinquenta anos acompanhados passo a passo pelo autor.

Em Pouso Alegre o livro está disponível nas livrarias:

– Livraria Intelecto, Rua Capitão Pedro Narciso, 85 centro (ao lado da antiga estação ferroviária), fone 3422-4097 e 9.8700.4097.

– Livraria “Quiosque do Saber”, no Serrasul Shopping, fone 3427-5559 e 9.9726-3279.

Nas bancas:

– Banca do Toninho, na avenida Duque de Caxias, 128, centro Fone 9.9915-6331.

– Banca Federal (Sergio), praça Garcia Coutinho, 11, centro, Fone 9.9253-0415.

– Banca Catedral (Ligia – Venicio), praça Garcia Coutinho, 01, Fone 9. 9989-3446.

– Banca Central (Ernani), praça Senador Jose Bento, 47, centro, Fone 3421-4610.

– Banca Cometa ( Júlio), praça Senador José Bento s/n, Fone 9.9996-6646.

– Banca do Chico, Avenida Dr. Lisboa (em frente o Bradesco), Fone 3412-1764.

– Banca Alternativa (Cristina), Hipermercado Baronesa, Fone 3449-1743.

Preços dos livros:

* Nas bancas e livrarias R$ 38,90.

* Através do site de vendas www.facebook.com/blogdoairtonchips/shop/ R$ 44,90 ( entregue sem custo em qualquer lugar do Brasil).

* No formato digital, no site Amazon (Kindle), R$ 24,90.  

Por que os cães não atacavam “Fernando da Gata”?

Quase três décadas mais tarde eu descobri o que deixava os esguios Dobermans… ‘tão dóceis’!

‘Bichinhos’ iguais a este nunca atacaram Fernando da Gata… Porque será?

Toda cidade tem uma história de bandido para contar. Algumas têm mais de uma. Pouso Alegre, a cidade que mais cresceu no Sul de Minas no último meio século – pulou de 40 mil em 1970 para 150 mil habitantes atualmente – também tem suas histórias. O mais ilustre bandido que pisou e deixou rastros indeléveis em terras manduanas, atendia pelo nome de “Fernando da Gata”…

O famoso – às avessas! – que passou sorrateiro pela cidade, deixando para trás um rastro de suspense, de medo, de fatos e de boatos, foi Fernando Soares Pereira, o “Fernando da Gata”. O baixinho cearense ficou menos de uma semana na cidade… mas fez estragos em algumas famílias e na população! Tão sorrateiro como agiu na calada da noite o bandido se foi levando quilos e toneladas de joias! Quilos de anéis, cordões e pulseiras de famílias abastadas da cidade… E toneladas de dignidade! Ele estuprou quatro recatadas senhoras, esposas de ricos empresários… na frente dos seus maridos! Vindo de Russas-CE, Fernando da Gata fez escala na capital paulista e, bem que tentou mudar de vida. Trabalhou alguns meses na construção civil, mas seu ‘talento’ criminoso era por demais valioso para ser desperdiçado debaixo de sacos de cimento, pilhas de tijolos e latas de concreto! O famigerado bandido nascera talhado para grandes empreitadas… ainda que fossem para o mal! Em poucos meses de atividade criminosa na capital paulista, o Eldorado dos nordestinos, o baixinho cearense se tornou celebridade… no álbum da polícia! E colocou toda a polícia civil paulistana nos seus calcanhares… E a imprensa, ávida por furos jornalísticos, também!

Foi assim que, para dar folga às madames paulistanas, o assaltante solitário foi parar em Pouso Alegre em meados de 1982. Fernando da Gata chegou à cidade no mês do ‘cachorro louco’! Não por acaso, de todos os predicados atribuídos a ele, o principal, era exatamente sua capacidade de acalmar e dominar ‘cachorros loucos’! Não eram exatamente loucos, mas eram ferozes cães de guarda, especialmente os esguios ‘Dobermanns’, os quais reinavam nos quintais das mansões naquele começo de década depois que a luzes se apagavam! Ninguém ousaria entrar nos quintais na calada da noite. Ninguém… menos Fernando da Gata! Os donos das casas até ouviam os latidos ferozes dos seus ‘dobermanns’ no meio da noite. Mas quando se arriscavam a abrir a porta ou espiar pela janela, lá estava o amigo fiel sentado num canto do quintal! Atento, mas silencioso. Como se tivesse visto apenas um gato em cima do muro e o intruso já tivesse ido embora. Minutos depois o gato, quero dizer, o “da Gata”, estava no seu quarto apontando um trabuco para o seu nariz!
Mas como o esguio Dobermann parou de latir e se aquietou no canto?
Esse foi o grande mistério que Fernando da Gata levou com ele no crepúsculo de um dia frio de inverno, no começo de setembro, nas margens do Rio Sapucaí, uma semana e meia depois de protagonizar a maior caçada policial da história e colocar Pouso Alegre no mapa nacional com suas façanhas. Fernando da Gata não matou os cães de guarda. Sequer tocou em algum cachorro! Ou talvez tenha tocado… para lhes fazer um cafuné!

– Como pode, um cachorro que quase pula muros para atacar quem passa na calçada do lado de fora, ficar quietinho no canto do quintal enquanto o bandido entra e arromba a porta da casa do dono? – Perguntavam as pessoas com os olhos saltando das órbitas.

– Ele tem parte com o demônio! – Respondiam umas, fazendo o sinal da cruz!

– Ele hipnotiza os cães! – Diziam outras, incrédulas.

Seu fascínio sobre os ferozes Dobermanns – ou o contrário! – virou mito. Vinte e sete anos depois da sua morte desvendei o mistério… E matei o mito!

O livro está à venda…

Para desvendar o mistério de “Por que os cães não atacavam Fernando da Gata”, acesse… https://www.facebook.com/blogdoairtonchips/shop/

A rotina do Rabo Verde

O louco mais querido da cidade…

“A rotina do Rabo Verde” e outras trinta cronicas policiais estão no livro “Quem matou o suicida”.

A figura carrancuda dentro de um conjunto cáqui encardido, debaixo de um chapéu amassado fazendo sombra para o par de olhos azuis, com um saco nas costas, sem saber ler ou escrever, sem lenço & sem documentos e sem um teto para chamar de seu, Rabo Verde figura entre as personagens mais ilustres de Pouso Alegre no Século XX…

Até a poucas décadas, antes do advento dos celulares e seus aplicativos, quando as pessoas tinham tempo para olhar e sentir a rotina à sua volta, era possível perceber alguns personagens do cotidiano se misturando à nossa história. Toda cidade, grande ou pequena, tinha seus personagens assim. Pouso Alegre teve vários no século passado. Chimango, Maria Coquinha, Ananias, Padre Mateus, Nego Artur e tantos outros. Quando, nas rodinhas de saudosistas, falamos dos personagens folclóricos que marcaram a cidade, o primeiro que nos vem à mente é o… “Rabo Verde”!

A expressão inquieta, o jeito soturno, o modo sacudido de emitir as palavras – muitas ininteligíveis – a mania de resmungar sozinho palavras desconexas sem uma sequência lógica de fala, a sujeira do traje, o saco de roupa que sempre carregava nas costas, a mania de catar comida no lixo – embora não lhe faltasse uma alma boa para encher sua marmita gratuitamente ou em troca de capina de quintal – faziam de ‘seu’ Antônio Barnabé um louco! Mas era um louco inofensivo. Jamais fazia mal a alguém. Desde que não lhe chamassem pelo apelido de Rabo Verde! Aí, além dos palavrões impublicáveis, pedras, tijolos, sabugos, ou qualquer objeto que estivesse ao seu alcance tornava-se uma arma! As crianças se divertiam com sua brabeza… Os pais arrancavam os cabelos de preocupação! Passada a raiva, ele fazia troça do próprio apelido!

-Quem tem o rabo verde, seu Antônio?

– Arara, papagaio… e eu!

Durante décadas, desde meados do século passado, essa figura simples fez parte da rotina das pessoas em Pouso Alegre…

– O Rabo Verde foi preso… Ele foi levado no ‘forninho’ pra delegacia, o filho do delegado foi pro hospital, muito sangue… Ele tá muito machucado… – disse estabanado o garoto entrando correndo no Empório Goulart, no final da tarde!

– Calma, menino! Conta essa história direito! Por que prenderiam o Rabo Verde? Ele não faz mal a ninguém. O que tem o filho do delegado com isso? – interrompeu o comerciante enquanto servia uma dose de Fernet a um freguês cativo…

– Dessa vez acho que ele fez, sim… Ele deu uma pedrada na cabeça do menino, o filho do delegado!

– Espera, espera, espera… Você está dizendo que o Rabo Verde acertou uma pedrada na cabeça de um garoto? E o garoto é filho daquele delegado novo que chegou à cidade?!

– … É isso mesmo. Nóis tava lá na beira da linha esperando pra ver a Maria Fumaça, aí o Rabo Verde tava passando… e a pedrada acertou bem na cabeça do Serginho…

– Peraí, vocês mexeram com o pobre coitado? Por que não correram?

– Nós corremos, mas o Serginho não sabia que tinha que correr…

– Caramba! Filho do delegado… e lerdo! – comentou um freguês do empório entrando na conversa.

– É. Mas é que ele é novo na cidade. Veio da capital. Ainda não conhece as molecagens do interior – interveio outro freguês assíduo do empório.

– E esse delegado novo também não conhece o Rabo Verde. Dizem que ele é um capeta! Vai querer arrancar o couro do pobre coitado! Precisamos fazer alguma coisa. Alguém precisa ir à delegacia explicar para o delegado que o ‘nosso’ Rabo Verde não bate bem da cabeça…

Um dos fregueses do Mario Goulart, que costumava chegar sempre no finalzinho da tarde para bebericar o suco de ‘gerereba’ e jogar conversa fora, se prontificou a ir  à delegacia. Primeiro para saber a gravidade da situação; segundo, para tentar livrar a barra do Rabo Verde.

… Tentou, mas não conseguiu. Afinal, lesão é lesão tanto na capital quanto na pacata Pouso Alegre de vinte mil habitantes!

E o “Rabo Verde” foi se hospedar no Velho Hotel da Silvestre Ferraz!

Para continuar lendo a “Rotina do Rabo Verde”, acesse… https://www.facebook.com/blogdoairtonchips/shop/

*Em Pouso Alegre, o livro está à disposição na Livraria Intelecto e em todas as bancas de jornais.

“Quem matou o suicida”

Este é o título do novo livro de Airton Chips.

“Quem matou o suicida”… o livro caçula de Airton Chips

      Seis anos depois de “Meninos que vi crescer”, o colunista policial e escritor Airton Chips lança agora seu segundo livro de crônicas policiais.

“Quem matou o suicida?” segue a mesma linha de “Meninos que vi crescer”, lançado em 2014. São crônicas policiais vivenciadas pelo policial e colunista ao longo da sua carreira, nos últimos quarenta anos. Algumas são tensas, tristes, macabras… Outras são hilárias, divertidas, comoventes, saudosistas…

No controverso título “Quem matou o suicida”, – a intrigante estória de um fazendeiro encontrado morto na ponta de uma corda no meio do mato, numa pequena cidade do interior de Minas – mais importante do que saber quem é o assassino, é perceber a fragilidade da investigação policial que, por isso mesmo, na maioria das vezes deixa o assassino impune. O tino policial, a argucia do velho detetive e o desfecho da história de “Quem matou o suicida”, no entanto, ‘pagam o ingresso’!

“Quem matou o suicida” é apenas uma das trinta e uma histórias deste denso livro que desnuda o heroísmo do policial; que o exibe como um mortal comum, sujeito a erros, medos, deslizes profissionais e… traições! “O último dia do policial”; “Porque os cães não atacavam Fernando da Gata”; “O batateiro do bigode falho”; “Os fantasmas do velho hotel da Silvestre Ferraz”; histórias macabras como “O esquartejador de Silvianópolis”; “O assassinato de Silvio Santos”; “Larissa de Extrema”; “Larissa de Pouso Alegre” são uma amostra disso.

“Paulinho & Mariana, os pais do nóia JC”, mostra o drama de uma família cujo filho aos dezesseis anos trocou o banco da escola pelo banco da esquina com os amigos de ‘baseados’ e nunca mais conseguiu deixar as drogas. A curta história passada em um plantão médico, com o título “Tragicomédia no Hospital Frei Caetano” mostra a precocidade com que os adolescentes iniciam perigosamente nas drogas. Além desta o livro traz outras histórias hilárias tais como “A múmia de Bueno Brandão e os Três ossos pequenos”; “O louco e a cascavel” e; “Um puta bandido e um porra policial”.

O bucolismo, o saudosismo e a transformação sociocultural de Pouso Alegre no último meio século estão presentes nas histórias “Ribeirões da minha infância”; “A lenda do Zorro da Zona Boêmia”; “Anos 70, a década de ouro da humanidade” e; “O mistério do Corpo Seco” – que misteriosamente ‘sumiu’ do primeiro livro do autor.

Além dos casos policiais, vivenciados ou investigados pelo autor ao longo da carreira, o livro traz comoventes histórias de vida, de superação, tais como: “Maria, 90 anos de solidão”, “Guermina e o Catre”, “O menino que dormia nas caixas de maçã” …

E para começar a leitura: “A rotina do Rabo Verde”! o louco mais querido de Pouso Alegre no século passado, com lugar cativo na galeria de pessoas ilustres do Museu Tuany Toledo. Enfim, uma obra para matar a saudade dos tempos idos, para desnudar a alma do ser humano e, constatar que ainda existem profissionais que amam o que fazem – profissionais capazes de levar uma “Mensagem à Garcia”! -, mas estão cada vez mais escassos!

Tudo isso narrado com bom humor, de um jeito gostoso de ler, por alguém que cresceu em contato com as pessoas, nas ruas, observando o comportamento humano. Alguém que viveu e há décadas conta casos policiais na imprensa de Pouso Alegre.

A ‘família’ está aumentando…

“Quem matou o suicida” pode ser encontrado e adquirido nas livrarias e bancas de jornais de Pouso Alegre e região, ou, através do site “www.facebook.com/blogdoairtonchips/shop” – entregue sem custo em qualquer lugar do Brasil.

Vá buscar ao seu!

 

Morreu Sargento Campos, o algoz de “Fernando da Gata”

Vinte e sete anos depois ele voltou ao local do sinistro para me contar como foi o duelo!

Sargento Campos em 2009, no local onde travou o duelo em 1982.

Morreu na manha deste sábado, 11, o policial aposentando e ex-vereador Jose Lucio Campos, 75. “Sargento” Campos, patente na qual exerceu a maior parte dos seus trinta anos na Polícia Militar de Minas Gerais, ganhou notoriedade por ter enfrentado sozinho e matado o famigerado bandido cearense conhecido nacionalmente pelo epíteto de Fernando da Gata. O duelo aconteceu no crepúsculo do dia 02 de setembro de 1982, em um matagal na margem direita do Rio Sapucaí, no bairro Pouso do Campo, em santa Rita do Sapucaí. Campos estava sozinho vasculhando a capoeira ribeirinha quando o bandido apareceu solitário e sorrateiro e desobedeceu a tradicional ordem de “mãos ao alto”.

Foram apenas dois tiros… um de cada trabuco. O tiro do Sargento Campos foi certeiro… E o bandido tombou com uma bala no lado direito do peito.

Apesar de mortalmente ferido, o temido ladrão de joias e estuprador conseguiu se levantar e tentou dobrou a serra do cajuru… Mas morreu de hemorragia a poucos metros do local onde foi baleado.

Foto feita na Inspetoria da Delegacia de Policia de Santa Rita do Sapucaí em novembro de 2009. Nesse dia, a meu convite, a fim de contar em detalhes e mostrar o desfecho da perseguição ao bandido, Campos levou-me ao local do duelo.
A história completa contando “Os últimos dias de Fernando da Gata” está no livro “Meninos que vi crescer”, publicado em 2014.

Sargento Campos foi eleito e exerceu com discrição e honradez dois mandatos de vereador por Pouso Alegre, de 1993 a 2000. Poderia ter sido eleito mais cedo, não fosse a ‘aberração’ do ‘quociente eleitoral’. Em 1988, na primeira eleição que disputou, obteve 408 votos, sendo o segundo mais votado naquele pleito no município.

Campos é um daqueles raros homens que por onde passam, sem fazer alarde, deixam sua marca. Foi assim na polícia militar onde atuou por trinta anos na defesa do cidadão, das instituições e do meio ambiente como policial florestal. Foi assim nos oito anos como vereador da rica e progressista Pouso Alegre, enobrecendo como poucos nossa casa de edis! – Um exemplo a ser seguido pelos atuais e pelos futuros representantes do povo. Foi assim ao longo de sua vida pessoal/familiar. Foi sempre assim no convívio com as pessoas no seu bairro, na sua comunidade… por onde passou.

Ter livrado Pouso Alegre e região do famigerado bandido “Fernando da Gata” foi só um detalhe na vida do denodado policial. Sargento Campos será lembrado pelos pouso alegrenses que tiveram a felicidade de conviver com ele, como um dos mais nobres cidadãos da nossa história recente.

Seu corpo está sendo velado na Funerária Santa Edwiges e será sepultado no cemitério Parque Jardim do Céu, neste domingo, 12, as 8h da manhã.

Descanse em paz, amigo!

 

* Breve nas livrarias… um novo livro de crônicas policiais de Airton Chips!

Minha mãezinha partiu …!

Que os anjos iluminados a recebam de braços abertos, mãezinha, e partilhem com a senhora a luz do entendimento, do crescimento… da evolução!

Foi uma viagem longa e lenta… Durou meses, anos. Ela começou esquecendo nossos nomes, sua casa, onde estava e logo não sabia mais quem era. Depois parou de andar, de falar, fechou os olhos, e mal respondia nossos carinhos.

Nos últimos dias não quis mais se alimentar! E hoje, domingo, início de inverno, parou de respirar… Seu espírito já estava longe, deu um último suspiro e… sumiu! Foi se juntar ao seu amado esposo com quem viveu em perfeita harmonia durante quarenta e seis anos.

Eva Teodora de Matos viveu nesse astral 89 anos. Viveu com muito pouco… Mas sempre grata ao que tinha! E partiu deixando um legado de dignidade, alegria e amor. Deixou também 11 filhos – inclusive eu -, 35 netos e 41 bisnetos… e uma saudade que será eterna!

Que os anjos iluminados a recebam de braços abertos, mãezinha, e partilhem com a senhora a luz do entendimento, do crescimento… da evolução!

171 motorizado!

Ele usa um capacete para pedir dinheiro para a gasolina da sua moto!

Será…!!!

Sua impoluta figura enfeita os postes e muros dos bairros Pousada dos Campos, Altaville e Santa Doroteia em Pouso Alegre. Segundo moradores e pessoas que trabalham por ali, o moço que ilustra a foto costuma circular pelas cercanias com o capacete pendurado na cabeça, batendo de porta em porta, pedindo dinheiro para comprar gasolina para sua motoca. Os moradores, no entanto, não sabem se ele de fato está interessado apenas em moedas… ou se pensa em ‘futuros investimentos’! Em épocas de vultosos assaltos à residência nas cercanias, os moradores resolveram se precaver e estamparam sua foto nos postes e muros dos bairros.

Talvez o moço do capacete não passe de um colecionador de moedinhas, mas certamente ele é muito precavido! Ele pede moedinhas para comprar gasolina mesmo antes de o combustível acabar! Outro dia, numa parada do semáforo da Vicente Simões, o 171 motorizado pediu ‘ajutório’ a uma bela jovem que esperava o sinal abrir!

Se ele é apenas um inofensivo 171 colecionador de moedinhas, ou se pretende alçar voos mais altos, fica o alerta!

Um gatuno roubou a gata…

… E deixou seu dono desconsolado!

O sinistro aconteceu no final da tarde desta sexta-feira,31, na rua Daria Bueno, na pequena Estiva, ‘capital do morango’. O objeto da cobiça alheia – ou res furtiva – trata-se de um filhote de gata da raça ‘azul russo’, com aproximadamente 6 meses de idade.

O dono do manhoso e exótico bichano acredita que o gatuno aproveitou um momento de descuido ou exibição do seu charme na calçada defronte a casa, para passar as unhas afiadas na gata.

Ele está desconsolado!

Se o sumiço da gata do Pedro Marcos foi ação de um gatuno, ou se ela simplesmente foi dar um rolê e perdeu o rumo de casa, o fato é que o Pedro Marcos está com o coração partido com a ausência da sua gata russa.

Anote aí o seu celular do Pedro Marcos: 9.9989-6031. Ele ficará muito feliz se você ajudar sua gatinha a voltar para os seus braços!

Cavucada 5.0

        Nosso mais querido menino está completando cinquenta anos!

        E saiu de casa cedo para comemorar a data festiva, do jeito que mais gosta… acenando e sorrindo para as pessoas que o estimam!

Hoje, no dia do seu quinquagésimo aniversario , não consegui encontrar meu amigo Cavucada… Por isso postei a foto do ano passado. O Cavú, no entanto, continua o menino de sempre!

Como tenho feito nos últimos anos no dia 28 de maio, hoje interrompi a história do “Esquartejador de Silvianópolis”, – que estou escrevendo para o segundo livro de crônicas policiais que pretendo publicar ainda este ano – e fui visitar meu amigo Alexandre Reis Assunção, mas… bati com o nariz na porta! Cavucada não estava em casa!

“Ele deve estar na casa da irmã dele no outro lado da avenida”, informou uma solícita vizinha.

Mas também não estava lá…

– Ele conseguiu dar o drible na gente hoje, Chips… ele está na rua desde cedo – informou o irmão Douglas, na porta da casa da irmã.

– Justo hoje que eu tinha marcado uma consulta médica para o Cavú, ele vazou … – emendou a irmã Alessandra.

É. Hoje não consegui abraçar meu amigo Cavucada  no dia do seu aniversário como tenho feito nos últimos anos. Não tem importância… O que importa é que ele está bem, fazendo uma das coisas que mais gosta: andar pela cidade livre, leve e solto que nem um passarinho! Distribuir acenos, sorrisos, empatia, alegria; falar de amizade, falar de politica, de policia e de futebol, sempre com um sorriso no rosto! Esse é o nosso velho Cavucada – velho sim, está completando 50 anos neste dia 28 – mas continua um menino de 10 anos, alegre, puro, inocente e de bem com a vida!

A foto dos 50 anos publicarei breve…

Parabéns Alexandre “Cavucada”! Parabéns eterno menino, patrimônio imaterial de Pouso Alegre! Deus te abençoe sempre garoto!

Leia: https://airtonchips.com/2012/07/28/cavucada-amigo-nosso-de-cada-dia/

E outras postagens sobre o “talismã” de Pouso Alegre, aqui no blog!