Ajude a Ivana a encontrar o ‘seu’ Papai Noel

Ele colocou um brilho especial nos seus olhos e manteve viva a magia do Natal…  11 anos atrás!

Foi você quem deu este cartão para a Ivana no Jardim Morumbi em Pouso Alegre, em 2006?

O Natal está chegando. Já podemos ver a longa barba branca – ainda que de mentirinha – dos papais noéis pelas ruas e Shoppings; Já ouvimos, ainda que discretamente, o meloso som da harpa anunciando a chegada do Natal; Já podemos sentir o cheirinho da leitoa ou do peru dourado sobre a mesa; o cheiro do vinho tinto suave… já podemos ver a mesa farta, rodeada de irmãos, sobrinhos, primos e o sorriso mateiro do velho pai na ponta da mesa, tentando esconder a felicidade de ver novamente a família reunida em sua casa; já podemos ver a impaciência das crianças empurrando o prato, loucas para rasgar o papel colorido daquele embrulho que está sobre a estante para ver se ganhou realmente o presente que pediu…!
É a magia do Natal que já bate à nossa porta…!
Mas nem todas as crianças poderão rasgar apreensivas o papel colorido e desembrulhar seu presente!
Muitos pais não poderão colocar esse brilho divino nos olhos dos seus filhos!
Mas você – que está lendo essa matéria – pode fazer uma criança feliz. Mesmo que por algumas horas… mesmo que seja só por ocasião deste Natal!
“Adote uma cartinha”! Aquela que uma criança deixou na agencia, ou aquela que a criança colocou pessoalmente na sua caixa de correio!
Foi através de uma pessoa sensível e bondosa, que queria fazer uma criança feliz, que os olhos da garotinha Iva Santos brilharam às vésperas do Natal de 2006. Ela tinha 11 anos e nunca esqueceu aquele gesto do “Papai Noel” do Jardim Jatobá, em Pouso Alegre. A generosidade daquela pessoa foi um incentivo para a Iva sonhar e correr atrás dos seus sonhos.
A Iva cresceu, se tornou uma bela mulher, universitária, que hoje busca sua realização pessoal e profissional, através dos estudos. E quer conhecer aquele Papai Noel que naquele dezembro de 2006 fizeram seus olhos brilharem, e mantiveram viva a magia do Natal.
Veja a mensagem que ela enviou ao Blog…
“Bom dia. Me chamo Ivana e atualmente moro em Mogi Mirim SP para cursar a faculdade. Na minha infância fui abençoada pela visita de pessoas especiais. E hoje desejo encontra-las para agradecer. Gostaria que se possível, você utilizasse da influência sobre a mídia para divulgar. Grata!
Iva
Bom dia!
É chegado a data das comemorações, Natal e festas de fim de ano.
Nesta época várias crianças são encantadas pela magia deste período e incentivadas a entrarem em contato com o Papai Noel para fazerem seus pedidos, já que se portaram bem pelo ano todo.
Em 2006, quando tinha 10 anos, eu passei por isso!
E hoje, 11 anos depois, quero, se possível conhecer os ajudantes que proporcionaram um momento tão especial à mim, sendo certamente um dos mais excepcionais da minha existência. Na época, inocente, eu agradeci, entretida com os presentes. Mas hoje, com maturidade e conhecimento, com o coração repleto de gratidão, gostaria de ficar face a face com as pessoas que proporcionaram isso a mim! Agradecer e dizer que isso foi um dos maiores incentivos para eu estar onde estou hoje, e moldar a minha personalidade. Dizer que hoje sou eu quem sigo o exemplo de solidariedade desta família.
Infelizmente se intitularam como Papai Noel para manter a tradição.
Mas me lembro bem de uma mulher acompanhada por um jovem se aproximarem de mim, na rua de casa no bairro Jatobá em Pouso Alegre, enquanto eu brincava. Em suas mãos carregavam um saco enorme transparente e dentro um conjunto completo de material escolar da moranguinho com muitas coisas! Mais perfeito do que uma criança imaginaria.
A única coisa que hoje restou e que guardo com carinho, talvez ajude na identificação é este cartão no qual anexo a história.
Portanto se você reconhece esta letra ou se recorda de um momento como esse, eu estou a sua procura. Reconheço que em 11 anos muita coisa pode mudar, mas o não já é nosso, não é verdade?!
Então ao pessoal, peço que me ajudem também!
A encontrar o Meu Anjo.
E espero que um depoimento como este incentive famílias a realizarem os sonhos dos mais carentes. Garanto que a maior gratidão fica para quem realiza . É surreal!
Agradeço desde já!”

Voce que presenteou a Ivana com este cartão há 11 anos, pode revê-la no seu perfil Iva Santos.

Agora a Ivana quer realizar outro sonho… Agradecer pessoalmente a pessoa que, sem saber, foi muito importante ma vida dela!

…Nós que já precisamos de binóculos para enxergar nossa infância, de tão distante que ela ficou, ainda podemos sentir aquela emoção doce, molhada, sem palavras, do Natal – como eu senti lendo a carta da Iva. Nós talvez não consigamos mais sentir a magia de ganhar um presente de Natal… Mas podemos sentir a emoção impagável de colocar um sorriso no rosto de uma criança!
Adote uma ‘cartinha’…

Anúncios

Seis de setembro: o ultimo dia de trabalho do policial

“…por uma fração de segundo ficamos ali cara-a-cara, quase sentindo o bafo amanhecido um do outro! Mais perto ainda da sua cara estava o cano frio do trezoitão niquelado… E apertei o gatilho!!!”

Cheguei com o motor do Palio já desligado, parei na frente da casa simples da Rua do Queima, fechei a porta sem bater, dei uma rápida espiadela pela greta do portão, subi no muro e saltei pra dentro do quintal. Tudo tinha que ser muito rápido. Além do trinta e oito especial niquelado, cabo de madeira que eu levava com o dedo no gatilho eu contava com a mais poderosa das armas: a surpresa. Era necessário surpreender o bandido ainda nos braços de Morfeu! Sem dar tempo de reação! Mesmo que ele dormisse com o trabuco debaixo do travesseiro! Quando bati os pés com as pernas flexionadas para amortecer a queda no chão, Mestiço deu um salto e um grito de susto. Para evitar que o segundo salto fosse sobre mim, só havia uma coisa que podia fazer… Apertar o gatilho do trezoitão! Com a flexão das pernas e o corpo ao nível dele, por uma fração de segundo ficamos ali cara-a-cara, quase sentindo o bafo amanhecido um do outro! Mais perto ainda da sua cara estava o cano frio do trezoitão niquelado… E apertei o gatilho!!!
O ultimo de trabalho de todo cidadão é esperado com ansiedade. Se ele for policial, multiplique por dois, por cinco por dez a expectativa, de acordo com seu dinamismo. Eu estava no auge. Promovido – ainda que informalmente – a Inspetor, havíamos derrubado a estatística de crimes na cidade quase ao nível do chão. Quase todos os meliantes conhecidos estavam hospedados no Hotel Recanto das Margaridas. As pessoas que viam o Palio e a velha Parati da PC rodando a qualquer hora do dia e muitas vezes antes do sol mostrar os bigodes, ou um carro estranho com três elementos exibindo os canos grossos e frios das “12”, comentavam:
– Tem uma equipe de fora trancando todos os bandidos na cidade!
A “equipe de fora” era apenas eu, o veterano Benicio, o jovem Kleber e eventualmente, nas madrugadas, o vistoriador Roni e o recepcionista Little John, que usávamos para cercar os muquifos cada um numa esquina ou num ponto estratégico empunhando uma 12… Sem balas naturalmente. – Eu não seria doido de colocar dois cartuchos na espingardona e deixa-la na mão de policiais ‘ad-hoc’, ainda que soubessem manusear melhor do que eu! Mas não eram policiais de verdade! – Mas os meliantes não sabiam que o trabuco estava desarmado. Bastava colocar a cabeça sobre o muro e ver a cara de mau do Joãozinho segurando a 12 que eles baixavam o topete! Foi assim que em pouco mais de um ano a ‘equipe de fora’ – formada por dois detetives veteranos prestes a se aposentar, um detetive cheirando à Acadepol e dois ‘bate-paus’ forçou a bandidada de Santa do Sapucaí a tirar férias no Hotel Recanto das Margaridas em 2007. A pressão nos bandidos era tanta que alguns desistiram de roubar. Teve um que, sentindo-se acuado, devolveu espontaneamente a res furtiva. Numa noite fresca de fim de semana dois meliantes entraram na fazenda do Waguinho Capistrano e passaram a mão leve em seis pesadas roçadeiras costais usadas para derriçar café. Um dos ratos de fazenda era um velho meliante do bairro Recanto das Margaridas egresso de um presidio do interior paulista. Apreendemos uma delas com um intrujão no Bairro Jose Gonçalves e apuramos o furto. Faltava encontrar os ladrões e recuperar as outras cinco. Apertamos o cerco. Levantamos de madrugada varias vezes. Detivemos meia dúzia de suspeitos e colocamos no piano do escrivão Erasmo. Chegar aos meliantes mãos leves e apresentar-lhes as pulseiras prata, era questão de tempo! Uma bela manhã recebi um telefonema…
– As roçadeiras que vocês estão procurando estão numa casa de colono abandonada na entrada da fazenda do Waguinho, pela estrada que vai para o Bom Retiro… Nós as devolvemos lá esta madrugada. Agora vê se me deixa em paz! – falou o meliante com voz de quem comeu jiló!
Nós deixamos ele em paz. E ele também! Nunca mais foi visto na cidade. Deve ter voltado para o interior de São Paulo onde cumprira vários anos de cadeia por furtos e roubos!
Não éramos nada especiais. Éramos apenas e tão somente policiais com disposição para trabalhar. Éramos pagos para isso e gostávamos do que fazíamos.
O ano de 2007, excetuando o trafico de drogas que não dávamos conta de combater com tão parcos recursos humanos e materiais – as grandes prisões subsequentes de quadrilhas inteiras de traficantes resultaram de investigações encetadas através de escutas telefônicas! – corria com certo marasmo. É que quase todos os meliantes que insistiam em ficar na cidade estavam hospedados no presidio “modelo” do Sul de Minas inaugurado em abril de 2009. Eu disse “quase”! Restavam dois ou três recalcitrantes que ainda não haviam perdido o habito de brincar de ‘pagar’ cadeia! Acostumados com a vida mansa de serrar grades ou furar tatu e dobrar a serra do cajuru, eles viviam fugindo do presidio. Fugiam e como não tinham para onde ir, passavam uns dois ou três dias mocosados em casa de parceiros do crime. Depois voltavam para o quintal de casa. Bastava esperar uns três ou quatro dias para visita-los e leva-los de volta. Eles nos acompanhavam numa boa. Estendiam os braços para receber as pulseiras de prata e nos seguiam alegres contando suas bravatas. Só tinha um detalhe: Tínhamos que visita-los enquanto dormiam… Se estivessem acordados e um trabuco à mão, poderiam “impor condições” para nos acompanhar! Ou então… “Me pegue se for capaz”! O céu era o limite. Muros, quintais, cafezais, mata ciliar do velho Rio Sapucaí…!

Corriam mais do que gazelas tentando fugir dos leopardos na savana! Por isso nossas visitas aos fujões tinham que ser sempre antes de o sol mostrar os bigodes, para pegá-los ainda nos braços de Morfeu!
Taylor, “Fidelio” e “Pinta” eram nossos anfitriões para o café daquela manhã de 06 de setembro de 2007…
Taylor era um baixinho de olhar doce e triste, cuja cara de anjo de asa quebrada escondia um sujeito mau, capaz de apertar o gatilho de um trabuco apontado para o peito do desafeto sem tirar o sorriso tímido do rosto. Ou de cravar uma lapiana no abdome do inimigo e girá-la no sentido horário até ver seu último suspiro. Aliás, fora mais ou menos assim que ele e outros quatro comparsas mataram “Peixeira” num cafezal no final de 2006 no Bairro Pouso do Campo.
Fabio Junior, o “Pinta”, morador do Chalé, tinha um perfil indecifrável! Às vezes parecia e agia como “João sem braço”! Às vezes como um cínico; e outras vezes como um psicopata. Costumava fugir do presidio e ir se mocosar no muquifo dos Sambeiros, dois quarteirões abaixo da cadeia. Ganhei até apelido de “Véio do Muro” de tanto prendê-lo tentando fugir de lá. Mas esta já é outra historia! A parte cínica de Pinta se juntou à parte psicopata no dia em que ele matou Gustavo, irmão do Foinha, no corredor da cadeia com 62 facadas…
– Eu matei ele para me defender, doutor… Senão ele ia me matar! – disse ele solenemente banhado em sangue do desafeto.

Fidelio, alto, magro, um pouco mais maduro, era menos violento. Não tinha muita pena para cumprir. Mas como vivia fugindo, nunca pagava seu debito com a lei. Aquela manhã de 06 de setembro era a quarta vez que me recebia para o café da manhã. – Que, por causa da pressa, era sempre servido no quarto! – A primeira vez ele chegou a abrir a janela para pular, mas vendo que cairia nos meus braços, preferiu ficar no cantinho da parede, atrás da janela. Na segunda vez foi pego com a calça – literalmente – na mão tentando vesti-la. Na terceira quem viveu alguns segundos de suspense e medo fui eu… Ao abrir a janelinha deparei com o quarto na penumbra, em silencio, arrumadinho. Sobre a cama havia dois vultos envoltos na coberta! Pensei com meus botões:
– Será que é “pegadinha”!?
Com o cano frio do trezoitão niquelado, coração batendo acelerado, em suspense, sem piscar, levantei lentamente o edredom e… Surpresa!!! Lá estava Fidélio! Encolhido, com cara de ressaca…! Sem abrir a boca – ele era mesmo de pouca prosa, ainda mais quando subjugado! – deve ter praguejado…
– PQP Chips, me dá sossego! Me deixa dormir em paz…!
Em silencio se levantou, colocou uma bermuda sobre a cueca, vestiu a camiseta do dia anterior, calçou um par de havaianas, estendeu os braços e saltou pela janela baixinha para nos acompanhar. Só quando pulou a janela o outro vulto descobriu a cabeça para lançar um olhar faiscante de ódio sobre nós! Como se nós fossemos o bandido, e não o seu marido!
Agora estava eu ali novamente para prender o fujão Fidélio. Pela quarta vez em pouco mais de um ano!
Das vezes anteriores, embora não tenha tido tempo de saltar a janela e vazar pelos fundos do quintal para dobrar a serra do cajuru e se enfurnar na mata ciliar do Rio Sapucaí, ele pelo menos teve tempo de acordar… Por causa do latido dos vira-latas! Eram três. Todos da sua sogra, naturalmente. Havia um pardo e um malhadinho, pequenos, que latiam ardido durante todo o tempo de nossas visitas. Que nunca passava de dois ou três minutos. Nenhum deles nos faria mal. Mas havia um vira-latas de porte médio, mestiço, ‘fisionomia’ de Pitt Bull, pelagem de Pastor Alemão e biotipo de Pastor de Mallinois mais ou menos, que inspirava cuidados. Toda vez que eu pulava o muro amanhecendo o dia, ele vinha me cumprimentar com a boca aberta exibindo seu melhor sorriso de dentes alvos! Ele mostrava os dentes e eu mostrava o trabuco niquelado com seis azeitonas, e seguia avançando pela varanda rapidamente em direção à janela do último quarto da casinha amarela. Enquanto eu seguia com um olho nele e outro na janela… Ele ia se afastando resmungando alguma coisa do tipo:
– Quem te deu permissão para invadir meu quintal e me acordar a esta hora da manhã, seu mané? Solta esse pau-de-fogo se você for homem e cospe aqui, vai…!
Como eu não tinha nada pessoal ou profissional contra ele, eu o ignorava e seguia firme em direção à janela. Ignorava até certo ponto! Vai saber o que passa pela cabeça de um cão geneticamente indefinido defendendo seu quintal! Eu só relaxava mesmo quando um dos parceiros que viera dos fundos adentrava o quintal empunhando também seu trezoitão oxidado ou o Little John com a 12 sem cartuchos… Nessa hora o mestiço, ainda com cara de poucos amigos, ia se deitar debaixo de uma laranjeira no fundo do quintal dizendo entre dentes para mim…
– Já vão tarde! Vê se vem sozinho e sem o pau-de-fogo da próxima vez… Se tiver coragem! Viu te ensinar a entrar no quintal dos outros de madrugada sem pedir licença…!
Aquela manhã de 06 de setembro, despedida de 27 anos de trabalho policial, foi um pouco diferente. Ao pular no quintal do Fidélio – pela quarta vez – com o dia ainda turvo, tive que puxar o gatilho!
No meu ultimo dia como detetive, depois de 27 anos de trabalho policial, como fazia ao menos uma vez por semana, levantei às 05h20 da manhã no alojamento da velha delegacia da Quintino Bocaíuva. Acordei os colegas pelo telefone, lavei o rosto para acordar de vez, me vesti, coloquei o coldre de perna por cima da calça jeans, verifiquei o trabuco niquelado, peguei o Palio – o único veículo confiável da DP – e fui esperar o Roni na cabeça da ponte, em frente o histórico prédio “Secos & Molhados”, antes de amanhecer… Dali seguimos para a casa do Fidélio na velha Rua do Queima. Benicio, que morava no Fernandes pegou carona com o Kleber, que trouxera também o Little John. Quando eles viraram a esquina para cercar os fundos eu saltei do Palio já desligado, subi no muro e saltei no quintal do Fidélio. E saltei quase em cima do meu velho amigo de dentes alvos! Mestiço estava dormindo há pouco mais de um metro do muro! De repente eu me vi ali cara a cara com meu velho amigo de genética indefinida. Cara a cara mesmo!!! Quando ele se pôs de pé com o susto e eu me abaixei com a flexão das pernas para amortecer a queda do muro, nos vimos a poucos centímetros do focinho um do outro… Dava para sentir o hálito quente de dentes sem escovar um do outro! Mestiço não sabia o que fazer. Durante um segundo ou dois que ele ficou ali jogando saliva quente na minha cara pensando se corria ou se me enchia de abraços e beijos ardentes, eu lhe dei uma sugestão… Apertei o gatilho! Tive o cuidado de mirar… Dois centímetros ao lado da orelha esquerda do velho amigo Mestiço. Anfitrião de tantas operações “café da manhã com meliante”! Se ele estivesse vestido podíamos dizer que foi um tiro à queima roupa! No caso do Mestiço, acho que foi um tiro à queima bigode ou queima pelos…! Os cães, sabemos, tem o sentido auditivo extremamente aguçado. São capazes de ouvir o tropel de um cavalo muito antes de ele surgir na curva da estrada e saber se ele vem só ou se trás o cavaleiro chapeludo no arreio… Imagine o estrondo que ele ouviu há poucos centímetros do ouvido! Que maldade! Mas eu estava estritamente dentro da lei… da sobrevivência! Era ele ou eu! Ou quem sabe: eu ou seu dono Fidelio fujão! Eu não podia perder tempo dando explicações ou pedindo desculpas ao Mestiço… E a azeitona quente foi se cravar no chão de terra batida quase debaixo do pé de primavera lilás no quintal do Fidélio, a poucos centímetros da pata esquerda de Mestiço. Ele nem quis mais conversa. Com o rabo entre as pernas foi se deitar debaixo do pé de laranjeira onde ficou tremendo por uns minutos, com o focinho encostado no chão, olhando por cima dos óculos. Talvez querendo dizer…

– Caramba! Escapei por um triz… Acho que vou ficar surdo…! Nunca mais brinco com o Chips. Nunca mais chamo ele de ‘Mané”!
Aquela manhã Fidélio, se estivesse em casa, não se esconderia atrás da janela e nem debaixo do edredom… Provavelmente se esconderia debaixo da cama! Mas ele não estava em casa. Desta vez conseguiu levar a melhor. Mas ainda assim o placar terminou em 3×1 para os homens da lei!
O pequeno – e perigoso – Taylor também não dormiu em casa naquela quinta feira. Ou então saiu mais cedo, pois quando chegamos à sua casa no Recanto das Margaridas, só o pó…! Alguns meses depois soubemos que ele fora preso na cidade de São Lourenço.
Mas meu ultimo dia de trabalho não passaria em branco. Ao menos um passarinho eu tinha que devolver à gaiola. Sob pena de prorrogar a aposentadoria! Quem dançou sem música naquela manhã de 06 de setembro foi o cantor Fabio Junior, quero dizer, o meliante Pinta. Pela enésima vez ele foi surpreendido no mocó dos Sambeiros, agarrado com uma das irmãs do Vando.
Aliás, nunca entendemos porque Pinta fugia da cadeia e ia se esconder a dois quarteirões dali na casa dos Sambeiros… O Hotel Recanto das Margaridas era muito mais limpo!
Enfim, meu ultimo “Café da Manhã” figurado, terminou como sempre literal… Na mesma pastelaria de sempre no mercado Municipal de Santa Rita do Sapucaí, comendo pastel de carne – leia-se: batata! – com café para comemorar o êxito da missão. Esta manhã tinha um motivo a mais… Comemorar 27 anos de atuação policial, vivo, e sem máculas, com muitas aventuras perigosas – e outras nem tanto – e outras tantas divertidas!
O Mestiço sem definição genética de raça da Rua do Queima faz parte delas…!

Obs: só agora, relendo essa crônica, me dei conta de que comemorei minha aposentadoria – no final de uma carreira arriscada e ingrata – com café e pastel de farinha de milho, ao pé da manhã, no mercado municipal de Santa Rita do Sapucaí…!

Por que os cães não atacavam Fernando da Gata?

Há 35 anos, no final do mês de agosto de 1982, Pouso Alegre vivia seu pior pesadelo: Um “misterioso bandido, com parte com o demônio, capaz de dominar ferozes cães dobermanns, invadia mansões e roubava e estuprava as mulheres na frente de seus maridos…”!

Toda cidade tem uma história de bandido para contar. Algumas tem mais de uma. Pouso Alegre, no Sul de Minas, hoje – 2017 -, com 147 mil habitantes, também tem suas histórias.
O mais ilustre bandido que passou por Pouso Alegre foi o cirurgião plástico Osmany Ramos. Ele, no entanto, não cometeu nenhum crime em terras manduanas. Ele apenas passou por Pouso Alegre vindo de Inconfidentes, onde foi preso em uma chácara. Osmany ficou poucas horas na cidade, em 1996, antes de ser levado pela polícia federal para o Rio de Janeiro. Mas foi o suficiente para causar um tremendo frisson quando foi levado ao hospital regional Samuel Libanio para se submeter a exames de ‘corpo de delito’.
O famoso – às avessas! – que passou como um furacão por Pouso Alegre e deixou sua indelével marca, foi Fernando Soares Pereira, o “Fernando da Gata”. E deixou um rastro de medo, de fatos e de boatos. Ficou menos de uma semana na cidade. Tão sorrateiro como agiu nas caladas da noite o bandido se foi, levando quilos e toneladas de joias! Quilos de anéis, cordões e pulseiras de famílias abastadas da cidade… E toneladas de dignidade! Ele estuprou quatro recatadas senhoras, esposas de ricos empresários… Na frente dos seus maridos!
Fernando da Gata, que viera famoso de Russas, no Ceará, fez escala na capital paulista e bem que tentou mudar de vida… trabalhou alguns meses na construção civil. Mas seu ‘talento’ criminoso era por demais grande para ser desperdiçado debaixo de sacos de cimento, pilhas de tijolos e latas de concreto! Fernando da Gata nascera talhado para grandes empreitadas… Ainda que fossem para o mal! Em poucos meses de atividade criminosa na capital paulista, o eldorado dos nordestinos, o baixinho cearense colocou toda a polícia civil paulistana nos seus calcanhares. E a imprensa, ávida por furos jornalísticos, também!
Foi assim que, para dar folga às madames paulistanas, o assaltante solitário foi parar em Pouso Alegre no final de agosto de 1982, mês do ‘cachorro louro’! Não por acaso, de todos os predicados atribuídos a Fernando da Gata, o principal, era exatamente sua capacidade de acalmar e dominar ‘cachorros loucos’! Não eram exatamente loucos, mas eram ferozes cães de guarda, especialmente os esguios ‘Dobermanns’, os quais reinavam nos quintais das mansões naquele começo de década, depois que a luzes eram apagadas! Ninguém ousaria entrar nos quintais na calada da noite. Ninguém. Menos… Fernando da Gata!
Os donos das casas até ouviam os latidos ferozes dos seus ‘dobermanns’ no meio da noite. Mas quando se arriscavam a abrir a porta ou espiar pela janela, lá estava o amigo fiel sentado num canto do quintal! Atento, mas silencioso. Como se tivesse visto apenas um gato em cima do muro, mas o intruso já tivesse ido embora. Minutos depois o gato, quero dizer: o “da Gata”, estava no seu quarto apontando um trabuco para o seu nariz!
Mas como o esguio Dobermann parou de latir e se aquietou no canto?
Esse foi o grande mistério que Fernando da Gata levou com ele no crepúsculo de um dia frio de inverno, no começo de setembro, nas margens do Rio Sapucaí, há poucos quilômetros de Santa Rita do Sapucaí, uma semana e meia depois de protagonizar a maior caçada policial da história e colocar Pouso Alegre no cenário nacional com suas façanhas. Fernando da Gata não matou os cães de guarda. Sequer tocou em algum cachorro! Ou talvez tenha tocado… para lhes fazer um cafuné!
– Como pode, um cachorro que quase pula muros para atacar quem passa no passeio do lado de fora, ficar quietinho no canto do quintal enquanto o bandido entra e arromba a porta da casa do dono? – Perguntavam as pessoas com os olhos arregalados.
– Ele tem parte com o demônio! – Respondiam umas, fazendo o sinal da cruz!
– Ele hipnotiza os cães…! – Diziam outras, incrédulas.
Seu fascínio sobre os ferozes Dobermanns – ou o contrário! – virou mito.
Mais de vinte anos depois… desvendei o mistério. E matei o mito!
A saga de Fernando da Gata, sua passagem por Pouso Alegre, sua caçada por dezenas de policiais e sua morte solitária na beira do rio, apesar de muito propalada na época, nunca foi bem contada! Menos de meia dúzia de pessoas sabem o local exato onde seu corpo tombou e agoniou no crepúsculo daquela sexta feira!

Voltemos ao mistério do fascínio dos dobermanns pelo bandido…

Seguíamos na velha Parati pela rua do Asilo à procura do Marcelo da “Katião”, quando o avistei. Ele estava sentado no barranco do Distrito Industrial, de frente para a quadra poliesportiva da Vila Operaria, fuçando num celular. Pensamos rápido. Paramos, saltei e pedi aos colegas Benicio e Kleber que seguissem em frente, fizessem o contorno e chegassem por trás. E fiquei na esquina na entrada do beco que dá acesso à quadra. Por cima do muro eu observava Marcelo – identificado como autor de vários furtos à residências, – sentando solenemente no barranco namorando o celular. A vinte centímetros à sua direita, sentada no traseiro, estava sua fiel cadela Pitt Bull malhada.
Ao ouvir o chacoalhar da velha Parati, Marcelo olhou para a esquerda, viu o perigo se aproximando, engatou uma primeira e desceu o barranco em direção à quadra. Deu apenas dois passos. Antes do terceiro, uma azeitona quente saída do meu 38 cravou-se na terra argilosa do barranco, a poucos centímetros do seu tênis sem meia.
Minha preocupação era com a Pitbull malhada ao seu lado. Você se arriscaria a prender um sujeito com uma Pitbull à tiracolo? Eu não. – Certa vez, no começo de carreira, prendi e atravessei meia cidade com um ladrãozinho de residências numa chave de braço. Mas ele não tinha uma Pitbull malhada! – Só me atrevi a barrar o caminho do meliante na descida do barranco porque eu estava atrás do meu inseparável companheiro; um Taurus calibre 38, oxidado cano reforçado. E para mostrar minha coragem fui logo apertando o gatilho e avisando:
– O próximo vai meio metro para cima!
A freada de Marcelo no meio da descida foi tão brusca que ele precisou se equilibrar na ponta dos pés. A surpresa maior foi a atitude da cadela malhada. O indicador continuava suado no gatinho do trezoitão, pronto para puxá-lo quando ela desse o bote, mas não… A cadela não disse uma palavra! Assustada, surpresa, apavorada, sem saber de onde viera o tiro, a exemplo do dono, ela se limitou a parar instantaneamente a trinta centímetros dos pés dele. E ficou imóvel com o traseiro na terra. Passado o perigo? Não sei. Eu não perguntei. E a cadela preferiu o silencio. Mantendo uma distância segura, para economizar bala, ordenei que Marcelo voltasse de fasto até o alto do barranco onde a Parati já esperava com o ‘forninho’ aberto. Além do primeiro e único tiro, toda a ação foi rápida, curta e silenciosa, como aliás devem ser as abordagens policiais em locais públicos. Orientado por nós, Marcelo só precisou usar uma frase, quando a cachorra levantou as patas dianteiras para embarcar com ele no forninho:
– Vá pra casa, Malhada!
O mandado de prisão temporária era apenas para seu dono! Por isso não podíamos levar a cadela presa. Sua passividade diante do meu trabuco, no entanto, acendeu-me uma pequena centelha sobre o comportamento dos cães diante de um trabuco…

Tempos depois o comportamento de outra Pitt Bull de bandido ajudou-me a desvendar o mistério dos Dobermanns de Fernando da Gata.
A primeira vez que subi o muro dos fundos da casa do traficante Toby, no bairro Monte Belo, dei graças à Deus pelo fato de o muro ser tão alto. Quando sentei no muro a cadela muito parecida com a do Marcelo da Katião deu-me o ultimato:
– Não desça aqui no meu quintal, senão te estraçalho – disse a PitBull de tetas ainda salientes pelo fim da amamentação, mostrando todos os dentes! Mas eu desci… Desci depois que Toby, ao ver sua casa cercada pelos fundos, pela frente e pelos lados, trancou a cadela no canil!
Tensão maior, muito maior, aconteceu diante da cadela do Toby, na ultima vez que ela nos recebeu para um café da tarde. O problema é que naquele dia Toby não estava em casa para protege-la. Usei o mesmo caminho de sempre: o muro dos fundos. Enquanto eu conversava com a cadela, ainda em cima do telhado, os colegas entraram pelo muro da frente. Toby já estava mais famoso. Por isso éramos um grupo bem maior. Além dos colegas Benicio e Kleber, havia outra equipe da policia militar. Aos poucos e com cautela fomos nos aproximando e encurralando a fera. Até que ela viu de perto nove canos frios e escuros apontando para o seu focinho. E aí aconteceu a surpresa: a cadela Pitbull malhada baixou ainda mais a cabeça, colocou o cotó de rabo entre as pernas e pediu pelo amor de Deus para ir ficar quietinha no final do corredor, vigiando o tapete, defronte um quartinho no quintal. O detalhe é que ela tremia mais que folha de coqueiro em tempestade!
Quanto ao medo da cadela, não entendíamos nada. Já o fato de postar-se ao lado da porta do único cômodo do imóvel que ainda não havíamos ‘varrido’, segundo nossas deduções cachorrísticas, significava uma coisa só: era naquele quartinho dos fundos, com apenas uma janela e uma porta, que o nosso anfitrião estava! Para exibir-lhe as pulseiras de prata tínhamos que entrar lá. Pela janela, trancada por dentro, era impossível. O jeito era entrar pela porta de madeira. Mas a porta estava no final do corredor de três metros de comprimento. Teríamos que dividir o espaço de 90 centímetros de largura com a cadela malhada defendendo, provavelmente, seu dono…!
Quem se arriscaria?
Nenhum de nós.
Nenhum de nós, não. Mas os nove juntos, sim! E entramos enfileirados no corredor. Entramos perfilados, pé-pós-pé, esfregando lentamente as costas na parede, coração batendo a cento e cinquenta. Dezoito olhos sem piscar, cravados na cadela! Nove canos frios naquele corredor sombrio todos apontados para a cabeça grande e disforme da malhada tremendo. Ela nunca esteve numa corda tão bamba! E presenciamos uma cena improvável! De dar dó! À medida que o corredor atrás de nós foi ficando livre depois da nossa passagem, a cadela lentamente foi se levantando, mal se parando em pé nas pernas bambas de tanto que tremia! À medida que passava por nós, os canos frios dos trabucos se aproximavam mais da sua cabeça! Se ela arriscasse uma careta, ou exibisse os dentes, ou dissesse um ‘au’, um ‘auzinho’ que fosse, todos nós ficaríamos surdos… com a saraivada de balas que seriam disparadas naquele apertado corredor sem saída!
Naquele dia tenso erramos o bote. Toby não estava no quartinho! E nem na casa. Depois de ver o ultimo de nós pulando o muro da frente de volta pra rua, a cadela malhada colada num cantinho do quintal parou de tremer. E deve ter pensado: “Ufa!!! Essa foi por pouco. Quase morri do coração”!
A tremedeira da Pitbull do Toby não foi em vão. Ajudou a entender porque os cães não atacavam Fernando da Gata…!
Eram cerca de quatro da tarde de um dia qualquer da semana quando o capitão Daniel nos parou no meio da rua e sem descer da viatura falou:
– Vamos dar uma busca na casa do Kinoche! Estou com pouco pessoal… Precisamos do apoio seus!
Kinoche vivia na lista negra da PM, mas eu não conhecia seu endereço. Segui o capitão. Ele entrou pela rua do Queima, virou para os Fernandes, parou na lateral da casa e disse:
– Aguenta aqui no portão do fundo que eu vou apresentar o mandado na porta da frente, na esquina.
Quando percebi que ele entrou com seus homens, empurrei o portão de aço, corrediço, e enfiei a cara antes que Kinoche ou um possível comparsa saísse pela porta da cozinha…
Que susto!!!

O bote do Rottweiler quase engoliu meu braço! Só não engoliu porque na frente do braço estava o trezoitão niquelado. A baba do imenso cão preto chegou a molhar o cano do trabuco. E não era só ele. Dois passos atrás, na ponta de uma corrente, um Pitbull branco, jovem, dizia com todas as letras que ia me estraçalhar tão logo arrebentasse a coleira ou a corrente!
Não sei se foi o bom senso, a coragem, ou o medo que me imobilizou ali naquele vão de portão na entrada do quintal, a centímetros daquelas bocarras. Uma coisa eu sabia: se virasse as costas, antes de dar três passos eu sentiria aquela mandíbula quente e babona, na melhor das hipóteses, na minha panturrilha! Mas poderia ser na nuca! Quando o capitão Daniel ou outro colega meu conseguisse retirar o monstro negro e raivoso de cima de mim, eu não teria mais condições de contar histórias…! Por isso mesmo eu continuei ali naquele portão. Estático, mão esquerda apoiada na parede da casa e a direita tesa, apontando o trabuco para o centro da testa do animal que sapateava sem coragem de dar o bote. Não sei quantos minutos durou aquela cena. Só sei que com o passar do tempo, o Rottweiler foi baixando o tom. O Pitt Bull foi afrouxando a corrente. O Rottweiler já admitia dar uns passos para trás, em círculo. O Pitbull, talvez percebendo que eu não puxaria o gatilho, também admitiu recuar. Meu coração também foi desacelerando… Ao cabo de um tempo que não medi no relógio, Rottweiler e Pitt Bull estavam sentados no fundo do quintal, perto de suas marmitas vazias. Estavam bem de frente pra mim, de olhos arregalados, mas quietos. Não sei se continuariam assim passivos se eu colocasse o trabuco no coldre.
Quando vi a silhueta gigantesca do capitão Daniel na cozinha, acompanhado da mãe do Kinoche, e conclui que a situação estava sob controle, finalmente me afastei do portão. Mas saí de fasto. Só desgrudei os olhos da ‘dupla’ e baixei o cano do revólver quando encostei o portão de ferro na parede da casa.
Os latidos, o hálito quente, a baba, a ferocidade daqueles dois cães de guarda a menos de um metro do meu braço ficaram ecoando na minha mente o resto do dia!
– Que risco eu corri! – pensava eu.
– Mas porque o Rottweiler não me atacou…? – Confabulava eu com meus botões.
Só bem mais tarde entendi.
Só bem mais tarde conclui que os cães são mais inteligentes do que parecem. O cão sabia que se desse um passo a mais… para comer carne branca e rija do maduro policial, comeria apenas azeitona quente
O auge da experiencia sobre o comportamento dos cães de guarda diante do perigo, certamente foi naquele final de tarde, no portão entreaberto do quintal do Kinoche.
Mas houve outros momentos de ‘estudo’ do comportamento canino. Antes e depois daquele dia.
A ultima experiencia aconteceu exatamente no derradeiro dia de trabalho deste policial, no dia 06 de setembro, na Rua do Queima. Eu e o cão já éramos velhos conhecidos… e velhos desafetos! Mas desafetos leais, que sempre se respeitaram… desde que eu levasse na mão direita o trabuco! Eu já estava acostumado a pular aquele muro. Era a quarta vez. – Numa delas o dono do cão sequer se deu o trabalho de levantar-se da cama! Para ver seu rosto tive que usar o cano do Taurus para levantar o edredom…! – E sabia que o mestiço estava ali. Só não sabia que naquela manhã ele estava tão perto! Quando pulei o muro quase caí em cima dele. Difícil saber quem se assustou mais…! Ali, cara a cara, na penumbra desmaiada da noite que ainda não havia jogado a toalha, a três palmos um do outro, sentindo o hálito quente um do outro…! Não sei se ele usaria os dentes, talvez de susto..! A distancia entre nós era muito curta… O tempo para nós era muito escasso! Tão escasso que nenhum dos dois poderia esperar a iniciativa do outro. Quem agisse primeiro ocuparia o espaço do outro… E eu agi! Só havia um jeito de ter certeza de que Mestiço não usaria os dentes! Tive que apertar o gatilho!
Mais com o vácuo provocado pela bala quente do trezoitão do que pelo medo, o meu amigo Mestiço – um vira-latas pardo, de porte médio com cara de Pitbull – deu um salto para o lado e foi sentar-se, como de habito, debaixo do limoeiro. Enquanto eu atravessava a varanda para bater na janela do quarto do seu dono, ele continuou praguejando. Mas não escutava o próprio latido. A bala passara a poucos centímetros do seu ouvido esquerdo. Estava surdinho da silva…!
Com estas e outras experiências caninas vividas tão de perto em Santa Rita do Sapucaí, aprendi, 25 anos depois, porque os cães não atacavam Fernando da Gata! Por instinto ou inteligência… eles sentem o perigo! Desconfio até que eles conhecem o velho jargão dos humanos:
“Melhor um covarde vivo do que um herói morto”.
É por isso que nem mesmo os esguios e indecifráveis Dobermanns não atacavam Fernando da Gata…! No primeiro momento eles bem que tentavam. Pulavam, sapateavam, dançavam… Faziam aquela balburdia toda. Se aproximavam até uma distância segura! Mas sabiam que um passo a mais seria fatal.
Se os Dobermanns pudessem saber o que aconteceria à Fernando da Gata alguns dias depois, eles poderiam se vingar com o trocadilho:
“ Que se vá os anéis… Mas que fiquem os dedos”!
Pois o famigerado bandido Fernando da Gata, levou quilos de joias de Pouso Alegre, e foi enterrado em sua terra natal como herói… Mas sem os dedos!!!

* Hoje, 03 de setembro de 2017, faz 35 anos que “Fernando da Gata” foi morto num confronto com a polícia de Pouso Alegre.
“Os últimos dias de Fernando da Gata”, contados por este repórter, estão na página 91 do livro “Meninos que vi crescer”!

Os “Meninos” ganharam mais uma fã

Ela tem 12 anos e além de seguir o Blog do Airton Chips, é apaixonada por leitura e quer conhecer mais das história da sua cidade!

O exemplar do livro “Meninos que vi crescer” foi adquirido via telefone celular. Com dificuldade para adquiri-lo via ‘pag-Seguro’, ou nas bancas de jornais, o pai da garotinha acabou encontrando o contato do escritor e adquiriu a obra que conta, além de histórias de jovens que experimentaram droga e se perderam no crime, – algumas tragicômicas – histórias de superação, e histórias que marcaram épocas em Pouso Alegre e região. Estão entre elas “Pouso Alegre da minha infância”; “Assim nasceu o Ribeirão das Mortes”, e os clássicos “O Mistério do Coisa Ruim da Borda”; e “A verdadeira história do Beco do Crime”, esta, que lembra muito “Romeu & Julieta”, que, em 1955 ainda não havia sido filmada por Franco Zefirelli.

O sobfrenome da leitora Cristieli também tem uma historia… bem interessante!


Filha de um corretor de imóveis e de uma professora, a mais jovem leitora do livro “Meninos que vi crescer”, Cristieli Tres, tem 12 anos de idade e estuda na E.E.Mons. Jose Paulino em Pouso Alegre. Coincidentemente escola de saudosas lembranças do autor do livro, cujos bancos ‘alisou’ no início dos anos 1970.
Cristieli, de sobrenome diferente, é apaixonada por livros. “Ela adora ler” – dizem os pais. Com esse perfil diferente para estudantes da sua idade, ela se interessa por histórias… histórias de “Meninos que vi crescer”. E fez questão de posar com o autor do livro e seu ‘presente’!

Leitora do blog adota “Meninos…”

Airton Chips & JakelineJakeline preferiu comprar o seu exemplar pela internet através do site “meninosquevicrescer.com.br”.

No final da manha desta terça, 17, fui pessoalmente fazer a entrega e aproveitei para conhecer a simpatica ‘Jake”, fiel leitora do blog!

Boa leitura!

 

Encontro com a professora da infancia

A professora Marla Paiva e o aluno Airton Chips, 45 anos depois...!

A professora Marla Paiva e o aluno Airton Chips, 45 anos depois…!

Hoje fui visitar minha amiga Marla… Ela foi minha professora na E.E. Presidente Bernardes em 1970. Desde então havíamos nos perdido de vista.

Nosso convívio foi curto, porém inesquecível… E ficou marcado pela sensibilidade da jovem professora.

Marla mudou-se de Pouso Alegre, mudou até de profissão – hoje é bióloga – e recentemente voltou a morar em terras manduanas.

No começo do ano eu a encontrei no face. Falamos virtualmente e logo depois ela comprou meu livro “Meninos que vi crescer”… Faltava o autografo!

Esta manhã fui visita-la e autografar o livro. A alegria imensa foi dupla, pois neste 22 de outubro Marla, minha professora da infância, está completando mais uma primavera!

Parabéns Marla, só as pessoas especiais ficam guardadas para sempre em nossos corações. Parabéns pelo seu aniversario. Que Deus a abençoe hoje e sempre! Abraços

Apresentadora de TV recebe “Meninos…” de Airton Chips

DSC05727  A mais nova leitora do livro “MENINOS QUE VI CRESCER”, é a minha amiga Cátia Alcântara!

Ela recebeu o exemplar autografado do livro nesta quinta no estúdio da FOCCUS, na Vicente Simões.

Cátia Alcântara apresenta o programa “VOCE È SUCESSO COM CATIA ALCANTARA” na FOCCUS TV e agora também no canal 20 da Master Cabo!

Breve estaremos abordando algumas das historias do livro no seu programa!

Os “Meninos” continuam se espalhando por aí…!

 

A simpatississima Cidinha Mesquita recebeu "Meninos..." em seu aconchegante apartamento em Santa Rita do Sapucaí.

A simpaticíssima Cidinha Mesquita recebeu “Meninos…” em seu aconchegante apartamento em Santa Rita do Sapucaí.

Lançado no ano passado, o livro de crônicas policiais vivenciadas e escritas pelo Blogueiro Airton Chips, aos poucos vai ganhando o mundo.

O livro que trás 50 estórias e historias de jovens que se perderam no crime a partir da adolescência, pode ser adquirido nas livrarias e bancas de jornais e revistas de Pouso Alegre, Ouro Fino, Poços de Caldas, Congonhal e Santa Rita do Sapucaí… Ou pela internet através do site http://www.meninosquevicrescer.com.br. Ou ainda através de e-mail ou face book.

Foi através do face que o jovem Danilo, morador da Avenida Sinhá Moreira, em Santa Rita do Sapucaí, recebeu o seu exemplar nesta quarta.

– Ele está ansioso para ler o seu livro – comentou Cidinha Mesquita, sua avó!

Além de historias contemporâneas, o livro trás clássicos minuciosamente investigados pelo escritor tais como: O Mistério do “Coisa Ruim da Borda”, Os últimos dias de “Fernando da Gata”, Assim nasceu o “Ribeirão das Mortes” e A Verdadeira historia do “Beco do Crime”!

Não faça como muitos pais que se descuidaram dos seus meninos… Leve seu “Meninos que vi crescer” para casa!

Dê um menino de presente para o seu pai

IMG_8247Até o “Dia dos Pais” você adquire o livro “MENINOS QUE VI CRESCER”

por apenas R$ 24,00 com frete grátis para Pouso Alegre e

R$ 31,00 com frete incluso para qualquer cidade do Brasil.

Aproveite e dê um “Meninos que vi crescer” para o seu pai!

Um ‘menino’ é o melhor presente que seu paizão poderia ganhar neste “Dias dos Pais!…!

Meninos vão para Bueno Brandão

Airton Chips, Melina e "os meninos"...!

Airton Chips, Melina e “os meninos”…!

O livro deste blogueiro, que trás 50 crônicas policiais vivenciadas em Pouso Alegre e região, chega agora à cidade dos “Campos Místicos”…! Melina cursa o primeiro ano de Direito em Pouso Alegre e faz estagio com o delegado Jose Walter da Mota Matos na Delegacia Regional de Pouso Alegre… O livro foi sugestão e presente dele!