PM atropela mula na MG 179

‘O’ mula levava dez quilos de maconha de Alfenas para Santa Rita do Sapucaí

O cidadão trafegava tranquilamente pela rodovia MG 179, ao pé da noite desta terça, 15, pensando na morte da cabritinha, ou quem sabe no lucro que obteria com a entrega da encomenda que levava num fundo falso do VW Gol, quando de repente avistou uma blitz policial na beira da estrada, perto de Silvianópolis! Mais que depressa chamou o carro na chincha e foi parar no acostamento. Na verdade nem parou! Num movimento brusco tentou tomar outra direção… livre de policiais! Tarde demais. Ao ser abordado o motorista Rodrigo Elias Rennó, 35, morador de Alfenas, assustado que ele só, disse que o seu carro havia “rodado” na pista. Mas quem rodou foi ele. Numa busca acurada no interior do Gol, os policiais encontraram o motivo da ‘rodada’ na pista… 15 tijolos de maconha! A droga estava mocosada dentro do forro lateral traseiro.
Casa caída, Rodrigo admitiu que estava levando a droga de uma biqueira de Alfenas para um cliente de nome J.C.S. em Santa Rita do Sapucaí.
O mula de Alfenas, figurinha fácil no álbum da policia, e que, não por acaso atende pela alcunha de “Rodrogas”, continuou viagem. Mas fez escala na DP de Pouso Alegre, sentou ao piano, assinou -pela terceira vez! – o 33, e foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

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Policia recupera caminhonete roubada em Silvianópolis

A Hilux branca, placas KQK-4858, roubada do comerciante Marcio Mendes foi encontrada numa estrada vicinal da zona rural do município de Elói Mendes, há cerca 80 quilômetros do local do roubo. Segundo a PM, ela seria usada no cometimento de outros crimes na cidade. Com a intensificação no combate à criminalidade no município, os ladrões abandonaram a res furtiva.

O cerco da policia obrigou os assaltantes a abandonar a caminhonete roubada.


O roubo da Hilux branca aconteceu no início da manhã deste domingo, 30 de julho. Na ocasião, dois guampudos tomaram de assalto o comerciante Marcio Alessandro do Nascimento Mendes no momento em que ele chegava em casa. Como não sabiam dirigir carro com câmbio automático, os assaltantes levaram com eles o dono da caminhonete. Tão logo deixaram o local do crime, passaram a ameaçar o comerciante, dizendo que iriam mata-lo na estrada e jogar seu corpo no mato. Temendo ser assassinado num local ermo e deserto, Marcio resolveu tentar salvar a vida em local movimentado. Quando passava defronte o Supermercado Central, no centro da cidade, onde estivera minutos antes do assalto, fazendo compras, Marcio tentou saltar do veiculo, mas foi impedido pelos assaltantes armados. Durante a luta pela vida, dentro do carro, Márcio recebeu dois tiros, um no abdome e outro no peito, a poucos centímetros do coração. Depois de ser abandonado pelos assaltantes no bairro do tanque, na saída da cidade, ele foi socorrido por um cunhado e levado para o Hospital Regional Samuel Libânio, onde passou por cirurgia para retirada das balas. Ele passa bem. No meio da semana deixou o nosocômio e voltou para casa.
Com ele volta também a caminhonete Toyota Hilux 2013… que – ainda – não possui seguro!

Assalto quase termina em morte em Silvianopolis

Os bandidos atiraram no motorista e levaram sua caminhonete

(I.i.)

O sinistro aconteceu no final da manhã deste domingo, 30 de julho, na – quase – tricentenária Santana do Sapucaí, também conhecida como Silvianópolis. Marcio A.N.Mendes, 38, estava entrando na garagem de sua casa quando foi abordado por dois guampudos. Armados de revolver, os lombrosianos inibiram sua reação e roubaram sua caminhonete Toyota Hilux. Alegando que não sabiam dirigir carro com câmbio automático, levaram Marcio como motorista e refém.
Ao passar defronte o Supermercado Central, de onde acabara de sair, Marcio tentou reagir e saltar da caminhonete. A reação do assaltante armado foi mais contundente… Atirou duas vezes contra a vitima dentro do veiculo! As pessoas que ouviram os tiros pensaram que fosse uma briga…
Mesmo ferido Marcio foi mantido no interior da caminhonete e continuaram a fuga. Ele foi abandonado a alguns quarteirões do local dos tiros, no bairro do Tanque. Os bandidos, um gordo e outro claro, dobraram a serra do cajuru, levando a Hilux branca, placa KQK-4858, Silvianópolis.
Marcio Alessandro do Nascimento Mendes, 38, foi socorrido por populares e levado para o Hospital Regional Samuel Libânio em Pouso Alegre, onde passou por cirurgia e permanece em observação. Ao folhear o “álbum de figurinhas” da PM, ele não reconheceu nenhum dos assaltantes. Até o momento ninguém foi preso.

*** Em Pouso Alegre teve 4 roubinhos básicos!

 

“Velhinhos” são furtados nas imediações do Hospital

Desta vez foram um Uno Mille e uma caminhonete Fiorino Treking

Já virou… Carros que passam horas e até um dia inteiro nas imediações do Hospital Regional Samuel Libânio, enquanto seus donos acompanham seus parentes no hospital, viraram prato predileto dos meliantes. Os dois últimos furtos aconteceram no meio desta semana.
Rosana estacionou seu Uno Mille bege, placas GXF-1536, Silvanópolis, ano 1991, ao lado da igreja N.S. de Fatima, às seis e meia da manhã de quarta e foi acompanhar a mãe no hospital. Ao voltar ao local, as oito da noite, seu Uno impaciente havia ido embora nos braços de outro.
O jovem Douglas, morador do Massaranduba, também deixou seu carro ‘por conta do Abreu’ nas imediações do hospital. Ele estacionou a caminhonete Fiat Fiorino Treking, azul, ano 97, placas de Bueno Brandão, às oito da noite de quarta, na rua Saturnino de Barros Cobra, a dois quarteirões do nosocômio, e passou a noite na companhia da esposa que havia dado à luz. Quando voltou ao local onde havia deixado o carro, no inicio da tarde desta quinta, nem o rastro da caminhonete achou…!

Matou motociclista atropelado e foi dormir

Estava tão embriagado que quase vinte e quatro horas depois ele não se lembrava de nada!

O crime aconteceu às dez da noite do primeiro dia do ano na MG 179, no trevo de Espírito Santo do Dourado. Julio Cesar Pereira, 23, morador do bairro Congonhalzinho, município de Silvianópolis voltava da “Praia” conduzindo seu VW Gol cinza quando chocou-se com a motocicleta Honda 125 vermelha, conduzida pelo lavrador Jamil Costa Pimentel, morador do bairro dos Fernandes. A violência do choque arrancou a perna do motociclista. Parte dela ficou presa no para-lamas do Gol! Quando a policia chegou ao local, o lavrador já estava morto.
Apesar da violência do choque, o motorista do Gol seguiu em frente. Estacionou o Gol no pátio do Posto Rio Cervo, pulou para o banco de trás e entregou-se às caricias de Morfeu. Quando a policia chegou ao posto, a poucos metros do local do crime, Julio Cesar estava no terceiro sono, como se nada tivesse acontecido. Apesar da confusão mental causada pelo suco de gerereba, o jovem se recusou a soprar o bafômetro! Nem era preciso… Ele tinha todos os sinais da embriagues: olhos vermelhos, fala desconexa, pernas bambas e o terrível bafo de jiboia! Além disso, parte do membro inferior do motociclista ainda estava presa no para-lama do seu Gol!
Ao sentar ao piano do delegado Altair Mota Machado, Julio Cesar disse que não se lembrava de nada!
O douto e veterano delegado, professor de Direito Penal, no entanto, se lembrou de tudo que aprendeu e ensina a seus alunos na FDSM… e enquadrou Julio Cesar Pereira no crime de homicídio doloso! Aquele em que o cidadão se amarra no pé de cana, e mesmo assim pega o volante do seu carro e sai pela estrada, mesmo sabendo que poderá matar alguém!
Às seis da tarde desta segunda, 02, ainda sem saber de nada, Julio Cesar aguardava no ‘corró’ da DP o táxi

Julio Cesar: - Eu estava bebendo na Praia... Não sei o que aconteceu!

Julio Cesar: – Eu estava bebendo na Praia… Não sei o que aconteceu!

do Magaiver que o levaria para o Hotel do Juquinha!

Meninos que vi crescer… Entre os ‘adultos’ de Pouso Alegre!

Airton Chips e seu "Meninos..." e Maristela Saponara Correa, Secretaria da Academia Pousoalegrense de Letras e autora do livro "Teatro Municipal de Pouso Alegre".

Airton Chips e seu “Meninos…”, e Maristela Saponara Corrêa, secretaria da Academia Pousoalegrense de Letras e autora do livro “Teatro Municipal de Pouso Alegre”.

Na ultima de outubro, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Pouso Alegre, em parceria com a Biblioteca Municipal Prisciliana Duarte de Almeida, realizou uma exposição de livros no saguão da Biblioteca Municipal, na Praça Senador Jose Bento. O objetivo do evento era, além de comemorar a Semana Nacional do Livro, expor as obras e homenagear os autores pousoalegrenses. Cerca de 100 livros de 89 autores radicados em Pouso Alegre foram expostos.

O livro de crônicas policiais “Meninos que vi crescer”, de autoria deste blogueiro, esteve em exposição.

Ver meu “Meninos…” entre as obras de Amadeu de Queiroz, João Beraldo, Jorge Beltrão, Octavio Miranda Gouveia e outros conterrâneos ilustres deixou-me ligeiramente garboso e motivado a lançar o segundo volume!

livro  Meninos que vi crescer, livro robusto com 50 crônicas policiais vivenciadas pelo autor na cidade de Pouso Alegre e região, contadas ao longo de 469 paginas, já está à venda nas livrarias e bancas de revistas de Pouso Alegre e através do site “meninosquevicrescer.com.br”. No entanto, o lançamento formal da obra será feito no inicio do ano que vem, em parceria com a Academia Pousoalegrense de Letras!

 

Homicídio em Silvianopolis

"Paulinho pipas": Depois do barulho na Festa do Rosario, silencio total na DP...!

“Paulinho pipas”: Depois do barulho na Festa do Rosario, silencio total na DP…!

O crime aconteceu no inicio da madrugada desta segunda por ocasião 235ª Festa do Rosário na velha Santana do Sapucaí, rebatizada de Silvianópolis. Tudo começou com o galanteio – ou seria uma cantada – de um ‘festeiro’ a uma jovem que estava na companhia do namorado Anderson Aparecido da Silva, o “Gordo”. Ao tirar satisfação com o Dom Juan, teve inicio a pendenga mortal. Em meio ao forrobodó que se formou em via publica, o cidadão Paulo Alexandre Tomazinni sacou um trabuco e atirou no peito do jovem Cleusano Barbosa Teixeira que estava na companhia do irmão Cleomarcio. Ele foi socorrido e levado para o Hospital Regional Samuel Libanio, mas lá chegou sem vida.

Cessada a contenda com o tiro fatal que vitimou Cleusano, os envolvidos foram para suas casas. Foi lá que os homens da lei prenderam Paulinho Pipas e logo depois Anderson “Gordo”.  E novo tumulto começou na porta do quartel da PM onde os familiares dos suspeitos tentaram evitar suas prisões. No final, cinco envolvidos receberam pulseiras de prata e foram levados para a Delegacia Regional de Pouso Alegre. Incluindo Elvis Teixeira, cunhado e Erica Teixeira, esposa de Paulinho Pipas.

Segundo Evellin Caroline, namorada de Anderson, ela teria sido – sem querer – o pivô da confusão que culminou com a morte de Cleusano.

– Um desconhecido me fez um galanteio, de repente meu namorado passou a agredi-lo e no calor da confusão o Paulo sacou a arma e atirou … – disse ela!

A autuação terminou já no fim da tarde desta segunda na Delegacia Regional de Pouso Alegre. Paulo Alexandre Tomazini, 36, o “Paulinho Pipas”, usou a prerrogativa do silencio… mal disse seu nome! E em silencio assinou o 121.

Este foi o quinto homicídio em Silvianopolis… desde 1985! O primeiro desde então durante as festas do Rosário!

 

Noia de Santana caiu de novo…

 

Uellerson curtiu apenas 5 dias de liberdade...!

Uellerson curtiu apenas 5 dias de liberdade…!

Desfilavam os homens da lei pela famosa Sapucaí, às nove da noite criança desta segunda, 06, quando avistaram um vulto soturno saindo de um terreno baldio ao lado do imóvel 333! O vulto era Uellerson Machado da Silva, recém completados 33 anos, mas não trazia consigo nenhum objeto ou indicio de crime. No entanto, como ele saia do terreno baldio, os policiais resolveram varrer o terreno. Lá encontraram lanternas, facas e 18 barangas de pedras bejes fedorentas dentro de uma caixa de cigarros, prontas para comercio e uma pedra maior, que daria outras dez baranguinhas de dez reais!

Como bom cabrito que é, Uellerson não berrou! Não disse uma palavra sobre a propriedade da droga. E nem era preciso! Se estava no lote do qual ele tinha a chave, era dele! Além do mais sua capivara falou por ele. Uellerson Machado, morador do Bairro do Morro na velha Silvianópolis, – essa é velha mesmo, quase trezentos anos! – possui diversas passagens pela policia por apropriação indébita, roubos e trafico de drogas. Já se hospedou em varias penitenciarias do Estado de Minas.

Uellerson havia esbarrado nos homens da lei pela ultima vez na madrugada do dia 17 de dezembro de 2013. Esbarrou e caiu exatamente na mesma ‘boca’ da Sapucaí, com a mesma quantidade de pedras: 18 e a noticia foi publicada aqui no Blog também no dia 18 de dezembro! No entanto, na prisão do ano passado, Uellerson Machado da Silva se chamava “Marcelo Henri da Silva” e com este nome foi recolhido ao Hotel do Juquinha. A mentira foi desfeita pelos leitores de Silvianópolis aqui mesmo no Blog. Pessoas que conhecem os irmãos que seguem trajetórias diferentes, logo comentaram que o nóia que aparecia na foto era Uellerson e não seu irmão Marcelo que nunca pisou fora da linha. A denuncia foi levada ao delegado de Combate ao Trafico e dias depois Uellerson voltou a sentar ao piano do paladino da lei para inocentar o irmão mais novo e assinar o crime de falsidade ideológica.

Apesar de ter uma respeitável capivara que inclui assaltos à mão armada e trafico de drogas, Uellerson o ‘noia’ de Santana, não criou raízes no Hotel do Juquinha! Saiu de “alvarau” na ultima quinta feira dia 02 de outubro… E para confirmar o velho ditado que diz que “o criminoso sempre volta à cena do crime”, quatro dias depois, na segunda feira, lá estava ele de novo na “boca da Sapucaí”…! Desta vez não tentou usar o nome do irmão. Assinou mais um 33 e voltou para o lar-doce-lar do Hotel do Juquinha!

 

 

Assassinato em Silvianópolis… O batateiro do bigode falho

Coreto

Eles passaram horas abraçando a loira gelada e jogando bilhar no barzinho atrás da igreja enquanto o cozinheiro do rancho fazia compras de mantimentos no supermercado do Jairo há poucos metros dali. Alguns eram amigos da lida na lavoura de batata. Outros eram apenas colegas de trabalho na mesma atividade. Por isso mesmo, embalados pelo suco de gerereba dois deles, Brandão e Andrade – eles eram de Bom Repouso e lá meia dúzia de pessoas tem o sobrenome Pereira ou qualquer outro! O restante dos moradores do município ou é Brandão ou é Andrade! – se desentenderam e trocaram farpas & espinhos. No momento do embarque na carroceria do caminhão para voltar ao rancho na lavoura acabaram trocando também alguns pontapés. Não continuaram porque o caminhão já estava de saída e a chuva forte de verão de chegada! Se acomodaram como puderam na carroceria suja de terra, se protegeram com lonas e seguiram para o rancho já debaixo de chuva. Eram oito peões acostumados com a vida rustica e dura da lavoura de batatas. Passavam a semana inteira nos ranhos nos municípios vizinhos. No final de semana moravam na cidade de Bom Repouso!

Aquele final de semana de outubro, por causa da colheita que precisava alcançar preço no mercado, não puderam voltar para casa. Só foram até a cidade porque o cozinheiro precisava comprar mantimentos. Na volta para o acampamento no bairro Catiguá, já debaixo da chuva fria os dois batateiros, Brandão e Andrade, resolveram reacender a discussão e a troca de farpas & espinhos. O caminhão empoeirado fazendo barro, entrou por uma estradinha vicinal margeando o Rio Santa Barbara passou por um mata-burro e em poucos minutos chegou ao acampamento. Todos desceram do caminhão e correram para a proteção do rancho de sapé… Menos um, menos o Andrade! Mas onde estaria ele?

Será que embalado pelo sacolejar do caminhão sob efeito do suco de gerereba teria dormido?

Será que preferira continuar na carroceria do caminhão sob a lona para evitar novos atritos com Brandão?

O motorista foi checar… Andrade não estava lá! Mas onde estaria? O que acontecera?

Será que ele saltara do caminhão em movimento? Teria caído?

Ou quem sabe, empurrado…!?

Silvianopolis I

O motorista manobrou o caminhão e voltou no rastro pela estradinha barrenta esperando ver o companheiro acenando molhado na beira da estrada… E viu!

Mas Andrade não estava acenando!

Ele nunca mais acenaria!

Ele estava na vala do mata-burro… Agonizando! Com o sangue escorrendo da cabeça e se misturando à agua cristalina da chuva! Seu coração ainda batia, mas seu cérebro já não dizia mais nada. Quando chegou ao Hospital Maria Eulália minutos depois, o medico Jose Rodrigues constatou;

– Sinto muito! Não há mais nada a fazer… Ele está morto!

O domingo amanheceu chovendo fino. À medida que o dia crescia a chuva aumentava! Por volta do meio dia a chuva branca, fria, caia forte no bairro da Saúde e em toda Pouso Alegre. Eu havia acabado de almoçar e estava deitado no sofá vendo televisão enrolado numa cobertinha. Estava no paraíso… Barulho da chuva mansa caindo no telhado, enxurrada limpa, quase cristalina correndo ágil na Rua Evaristo Valdetario até sumir nas bocas de lobo! De repente a musica doce e ritmada da chuva foi cortada pelo som estridente da campainha parecendo cigarra esgoelada! Muito a contra gosto levantei do sofá arrastando a cobertinha e coloquei a cara numa fresta da janela do corredor… Só vi um guarda chuva junto ao portão! Debaixo dele estava nossa vizinha, dona Lourdes… Senti imediatamente um arrepio! Não de frio, mas de mau agouro! Não que dona Lourdes fosse portadora de más noticias. Na verdade ela era portadora de ‘todas’ as noticias…! Era a única no quarteirão que possuía telefone residencial! – Na minha casa o primeiro telefone só chegaria treze anos depois! Salario de detetive cursando faculdade, casado com professora e dois filhos ainda em fraldas, não dava para comprar telefone em 1985! – Casada com um operário da Refinações de Milho Brasil, Dona Lourdes era costureira, no tempo em que as lojas vendiam tecido! Ganhava muito mais do que o marido. Costureira era uma rendosa profissão! Ela era uma micro industriaria e tinha telefone justamente por causa do seu ateliê de costura, da sua micro empresa! Portanto minha referencia para recados, bem como de vários vizinhos, era dona Lourdes. E para ela sair de casa e atravessar a rua debaixo daquele aguaceiro ao meio dia e meia de domingo, noticia boa não era…!

– Telefone pra você, de Silvianópolis… – gritou ela ao pé do portão com os pés nadando na enxurrada…

Não disse que noticia boa não era!?

Fazenda

Eu trabalhava em Silvianópolis há poucos meses. Por causa do meu habito de escrever muito e minuciosamente em meus relatórios, tinha sido ‘promovido’ a escrivão! Esse era meu lucro! Olha o que eu ganhei por escrever mais que os outros? Agora eu teria que sair de casa no meio de um domingo chuvoso daquele para trabalhar! Há trinta e quatro quilômetros de casa, do outro lado da linha na velha DP da Julio Correa Beraldo, na quase tricentenária Silvianopolis, o carcereiro Marcio Pereira deu a ‘boa nova’;

– Ô Chips, teve um homicídio aqui na cidade ontem à tarde… O chefe mandou chamar você pra vir aqui fazer o flagrante! – disse ele com cero prazer de me tirar do meu conforto!

Peguei meu Chevetinho cinza 74, mais rodado do que bolsinha da Perimetral e cortei a estrada. Não podia reclamar. Com poucos meses de trabalho o austero, justo, rustico e bondoso delegado João Leal já havia me dado regalias – sem eu pedir! Eu ia e voltava do trabalho de carona com o Fernando Santa Rosa, meu colega de faculdade, chefe do Posto do Banco do Brasil na cidade. Chegava por volta de nove e meia da manhã e saia lá pelas três e meia da tarde! Ser chamado para trabalhar num domingo ou outra ocasião especial em Silvianopolis era tão raro quanto ganhar no bicho! Em doze anos fui chamado três vezes: quando o Cuca e o cunhado Ze Galinha mataram o concunhado Derly com um canivete; quando o filho mais velho do empregado do Volta Seca e mais dois meliantes de Machado assaltaram varias residências numa madrugada até ser preso roubando a moto do Celestino Santos; e naquele domingo, por causa da morte suspeita do batateiro ‘Andrade’!

Silvanopolis III

Ao chegar à delegacia debaixo do diluvio fui direto ‘aquecer’ minha Olivetti Linea 88… Quando o papel já estava na maquina pedi que trouxessem o suspeito. Sua fisionomia, suas vestes e seu bigode ainda estão ululando em minha memoria. Parece que ainda estou vendo o batateiro entrando no gabinete empurrado pelo carcereiro Marcio, exalando seu terrível bafo de jiboia, tão costumeiro em dias de expediente quanto mais num domingo chuvoso daquele – estou falando do carcereiro! O Brandão que entrou sala tropeçando por causa do empurrão, acompanhado de outros dois PMs quase tão raivosos quanto o Marcio – porém sóbrios! – vestia calça jeans suja de terra, quase caindo por causa da ausência do cinto e camisa de tergal em dois tons de amarelo, o do tecido e o do barro!  Nos pés trazia apenas barro amarelo que subia pelas canelas brancas da calça com a barra parcialmente dobrada. Os cabelos castanho escuro, lisos e mal cortados, estavam em total desalinho… próprios daqueles que veem pente duas vezes por semana: nos sábados à noite antes de ir para o buteco e nas manhãs de domingo antes de ir à missa! Pele queimada de sol, rosto magro desidratado com a barba rala por fazer…! Mas o que mais chamou atenção no suspeito Brandão foi seu bigode! Isso aconteceu em outubro de 1985, há 29 anos… Nos próximos 29 anos ainda vou lembrar daquele bigode! Por duas razões; primeiro pela sua falha! O segundo motivo pelo qual o bigode falho do batateiro vai ficar gravado eternamente na minha memoria, o leitor vai saber no final!

Cadê o casarão historico dos Gouveia na esquina...?

Cadê o casarão historico dos Gouveia na esquina…?

Brandão tinha apenas metade do bigode! O do lado direito ‘faltava’ alguns fios! Do lado esquerdo ‘havia’ alguns Não havia bigode! Em lugar dos fios da cor do cabelo, havia um vermelhidão! Como se ele tivesse com alguma alergia… Será que ele estava aparando o bigode quando foi preso e teve que interromper a ‘operação’?

Mas parecia que não havia sido cortado, mas sim arrancados fio a fio! Cheguei a pensar que ele sofresse de alopecia ou outra doença que fizera os fios do bigode cair, ou talvez tivesse sido atacado por ratos no rancho improvisado na beira do batatal!

Durante o interrogatório de um suspeito é fundamental olhar nos seus olhos… Se os lábios disserem mentira, os olhos talvez não digam a verdade, mas dirão que os lábios estão mentindo! Isso é fato! Mas por mais eu tentasse olhar nos olhos do suspeito, meus olhos sempre escorregavam para as manchas vermelhas do bigode falho. Embora fosse formado em datilografia na escola da D. Eurides – quem não fez datilografia em Pouso Alegre com D. Eurides? – eu não conseguia digitar sem olhar o teclado – culpa de uma instrutora da escola que me paquerava e por isso deixava que eu levantasse o papelão para olhar o teclado durante o curso! – por isso a cada frase que digitava na Linea 88 com fita de duas cores, eu tinha que levantar o olhar para o suspeito à minha frente… E tudo que eu via era o bigode falho.

Brandão vinha sendo interrogado pelo carcereiro Marcio e por todo o efetivo da PM de Silvianopolis – o sargento Amador, o cabo Gomes e os soldados Gama, Onicio e Arcanjo e oficialmente pelo delegado João Leal. A todos repetira a mesma ladainha:

– Sou inocente!

Silvianopolis II

Seu atrito com o colega Andrade enquanto ele ainda estava vivo não passara de discussão! Mas alguns dos seis colhedores de batata que estavam na carroceria do caminhão tentando se proteger da chuva, alegaram que eles trocaram alguns sopapos! Havia inclusive testemunhas oculares da briga deles antes mesmo de embarcarem no caminhão defronte a loja de moveis do Jose Alberto de castro, no inicio da chuva… Eram as irmãs Marotti – Flertei com a mais bela delas durante anos, embora nosso flerte nunca tenha passado de um tímido “oi” quando nos encontrávamos na rua ou nos bailes da Festa do Rosario! Afinal eu era um homem casado, sério e policial… Tinha que dar exemplo! – Duas delas aguardavam apreensivas na ante-sala da DP para sentarem ao meu piano! Tremendo de medo de represálias como toda testemunha, elas confirmaram que viram Andrade e Brandão discutindo e trocando sopapos antes de subirem no caminhão…

Apesar das evidencias, não conseguimos provar que Brandão havia jogado deliberadamente o desafeto Andrade naquela vala do mata-burro no crepúsculo daquele sábado, debaixo da chuva torrencial. Mas mesmo jurando de pés juntos que era inocente, ele assinou o 121 e na manhã seguinte foi levado para o velho Hotel da Silvestre Ferraz em Pouso Alegre.

Nunca mais vi o batateiro do bigode falho. Dois meses depois eu soube que, orientado pelo seu advogado, para conseguir a liberdade provisória pois era primário, com emprego – quase – fixo e bons antecedentes, ele havia confessado o assassinato do colega de lavoura na primeira audiência com o Homem da Capa Preta. Eu não tinha porque me sentir aliviado, pois durante quase uma hora eu o torturara apenas com perguntas capciosas tentando pegá-lo em contradição. Mas teve colega que tirou um peso enorme dos ombros ao saber que ele havia finalmente confessado o assassinato do colega na passagem do mata-burro.

Voltei a ouvir falar do “batateiro do bigode falho” cerca de doze anos depois, quando voltei a trabalhar na DP de Pouso Alegre. E o que ouvi não foi nada agradável! Eu soube através de um preso que convivera com ele alguns meses, que seu bigode esquerdo fora arrancado naquele domingo chuvoso… Com um alicate!!! Pior!!! Quem arrancou seu bigode com o alicate tentando arrancar sua confissão, fora o detetive “Chips”…!!!

A pergunta que eu não fizera à ‘Brandão’ ou aos colegas naquele domingo, os ‘manos’ do velho Hotel da Silvestre Ferraz fizeram quando ele chegou na segunda;

– Que isso mano? O que aconteceu com seu bigode? É doença ‘braba’? – Quiseram saber os companheiros de cela.

Como Brandão não conhecia ninguém na delegacia de Silvianopolis e o único nome que ouviu foi o meu, ou talvez o carcereiro Marcio deliberadamente tenha se identificado com meu nome, Brandão respondeu:

– Foi um “detetive com apelido de Chips” que arrancou meu bigode!

Durante anos o detetive Chips foi temido e odiado pelos hospedes do velho Hotel da Silvestre Ferraz, pela tortura que praticara contra o pobre “batateiro do bigode falho”!

Se esta foi a primeira, não seria a ultima vez que colegas de trabalho usariam meu nome para se esconder, para tirar vantagem ou simplesmente para me sacanear! Nos vinte e sete anos em que estive em atividade na policia, mesmo sem saber, ‘ganhei’ a paternidade de vários filhos espúrios… Sem ter sequer emprestado meu sêmem!

 

Policia sacode Silvianópolis… E prende 7

      Entre os assaltantes estava Guilherme Lopes, o “assassino do baile funk”, que deixou o Hotel do Juquinha no ultimo dia 12 de março depois de ter matado o desafeto Michael Douglas…

 

Waldecir "Tita" Pereira disse que droga era do filho "Titinha"...

Waldecir “Tita” Pereira disse que droga era do filho “Titinha”…

A mega operação policial – para os padrões da pacata e bucólica Silvianópolis – teve a participação de 40 policiais; dez civis e 30 militares vindos das comarcas de Espirito Santo do Dourado, São João da Mata, Turvolandia, São Gonçalo do Sapucaí e Pouso Alegre. A ação dos policiais desencadeou-se no raiar do dia de sábado, 09, comanda pela intrépida Cibele Molinari, Delegada de Policia da velha Santana, munida de nove Mandados de Busca e Apreensão expedidos pelo Homem da Capa Preta da Comarca, baseado nas investigações do ‘fiel escudeiro’ detetive Moises…

A operação foi antecipada em virtude do assalto ocorrido ao pé da noite de sexta, 09, no Mercadinho do Juarez, na Praça Elesbão de Abreu no centro da cidade, pois entre os suspeitos do roubo estavam alguns dos traficantes investigados pela Policia Civil. Os assaltantes levaram do estabelecimento cerca de R$ 6 mil incluindo quase nove quilos de moedas diversas. O grupo realizou o assalto na ‘Praça do Correio’ porque precisava ‘arrecadar fundos’ para comemorar o aniversario de Cauê, que estava completando 20 aninhos!

A reunião dos meliantes para comemorar durante toda a noite o aniversario do colega, facilitou o trabalho da policia. Embora tivesse em mãos nove mandados individuais, os policiais tiveram que revirar apenas cinco ‘mocós’… Em dois deles encontraram dois grupos de três reunidos para comemorar o ‘niver’ do ‘parça’…

Tita filho, Maicon e Alexsander foram presos no mocó do Julo Cezar na Rua Sagrados Corações. Cauê, Julio Cesar e Guilherme Henrique Lopes estavam mocosados na casa do Cauê, no Tanque. Com eles a policia encontrou parte do dinheiro roubado do mercadinho, inclusive quilos e quilos de moedas e o cano serrado da espingarda usada no assalto. Em quatro mocós, revistados superficialmente, uma vez que os investigados já estavam enquadrados no 33, os policiais não encontraram drogas. Tita Pai foi preso em casa e desandou em chorumelas, dizendo que a droga encontrada pela policia em sua casa pertencia a Tita filho.

– Não posso deixar de autuar Tita pai numa situação dessas! Ele que convença o Juiz que a droga é do filho… – declarou a delegada Cibele, que conhece pai e filho desde outros carnavais! Aliás, eu também conheço! Tita pai é do meu tempo. Nos idos dos anos 80 e 90 ele já me olhava de longe, com pinta de somongó. Ele era um dos quatro ou cinco jovens espertos de Santana que usavam drogas. Pelo andar da carruagem Tita foi um ‘bom’ exemplo para o filho que virou traficante…!

À exceção de Waldecir “Tita” Pereira, que assinou apenas o 33, Cauê Ricardo Ramos Benevente que comemorava os vinte anos, Júlio Cesar Pascoal dos Santos, 18, Waldecir “Titinha”Pereira Junior, 20, Maikon “Lagarto” Daniel Oliveira dos Santos, 18, Alexsander “Mosquito” Rodolfo de Oliveira Silva, 19, e Guilherme Henrique de Oliveira Lopes, 20, todos os demais presos assinaram também o 157 pelo assalto ao Mercadinho do Juarez e foram se hospedar no Hotel do Juquinha.

Guilherme H.O.Lopes: - Esquenta não, seus "Mané"! Logo estaremos na rua de novo...

Guilherme H.O.Lopes: – Esquenta não, seus “Mané”! Logo estaremos na rua de novo…

Dentre os assaltantes e traficantes presos no ultimo sábado em Silvianópolis está o jovem Guilherme Henrique de Oliveira Lopes, residente em Pouso Alegre. Ele havia sido preso no dia 16 de setembro, dois dias depois de assassinar a tiros o desafeto Michael Douglas de Miranda, no interior da Danceteria Maracanã, no final do baile funk. Guilherme Lopes, 20 anos este preso preventivamente até março passado. No dia 12 ele saiu em liberdade provisoria para aguardar o julgamento. Há duas semanas já esteve envolvido em uma troca de tiros com outro desafeto no barro São João. Há julgar pelos últimos acontecimentos, parece que Guilherme fez um bom estagio no crime durante os seis meses que passou atrás das grades no Hotel do Juquinha.

Ao embarcar no taxi do Magaiver com destino ao Hotel do Juquinha, o “assassino do bale funk” teria dito com sarcasmo à plateia que aguardava na porta da DP:

– Esquenta não, seus Manés… Logo estarei de volta…!

Será…!?

 

*** Abrace seu filho… Não deixe que as drogas o abracem!***

 

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