
Foto durante lançamento do livro “Segredos do Eremita”, na 29a Bienal Interncional do Livro de São Paulo.

Foto durante lançamento do livro “Segredos do Eremita”, na 29a Bienal Interncional do Livro de São Paulo.

Nasce do sonho de ver os livros dos escritores de Pouso Alegre circulando pelas escolas da cidade, nas mãos das crianças, dos jovens, dos professores sendo folheados, lidos, comentados, discutidos…
Nasce do sonho de ver as crianças e jovens despertando seus talentos literários, incentivadas pelos livros…
Nasce do sonho de ver as pessoas viajando pelo mundo, através das páginas dos livros…
Nasce do sonho de ver as pessoas conhecendo a si mesmo através das histórias contadas por pessoas que conhecem a ‘sua’ história…
Nasce do sonho de ver as pessoas mais calmas, mais serenas, mais alegres, mais só-li-dá-rias após conhecer as histórias das pessoas à sua volta…
Nasce do sonho de ver o livro cumprindo seu sagrado papel de disseminar o conhecimento, a arte, a cultura e a evolução humana universo afora!
Nasce do sonho de ver as pessoas descobrindo que há vida inteligente além do próprio quintal!
Nasce do sonho de ver Pouso Alegre escrevendo uma página na literatura brasileira!
Nasce do sonho de ver as pessoas crescendo, evoluindo, se aproximando de Deus…

Belato, (camisa verde) patrocinador do evento, Airton Chips (pulôver listrado), Presidente da Lepa, e o troféu na abertura da 4a Copa Belato em Ouro Fino em 1990, troféu que seria levantado meses depois pelo S.C.Cantareira.
Em 1892, dois anos antes de o anglo-brasileiro Charles Miller voltar ao Brasil com duas bolas de capotão debaixo do braço e realizar a primeira partida de futebol em um clube em São Paulo, o futebol já era conhecido e praticado como recreação em um colégio de Pouso Alegre. O esporte Bretão, que apaixona crianças e jovens de todas as idades, e movimenta milhões de dólares todo ano, está presente em Pouso Alegre há 132 anos!
No entanto, pouco se sabe de sua história!
E sabem por quê?
Por desleixo.
Por descaso!
Porque não há registros dos seus movimentos, dos fatos, dos campeonatos através dos anos.
Não é possível saber, por exemplo, quem foi o campeão de futebol amador do ano de 1950! Ninguém sabe quem foi o campeão de futebol infantil de Pouso Alegre no ano de 1990. Tampouco se sabe quem eram os jogadores que encantavam a torcida com seus dribles nos campos da cidade na década de 70! Enfim, a história, as pessoas que marcaram uma época no esporte são abandonadas ao esquecimento! No entanto, preservar a memória, preservar a história, preservar o passado é importante. É o passado que norteia o futuro!
Poucos, no entanto, conhecem o passado recente.
Por exemplo:
Você sabe o que há em comum entre o Pouso Alegre F.C. e S.C. Cantareira?
Certamente nem sabe quem é ou quem foi o Cantareira!
Ambos têm vários pontos em comum. Os dois mais relevantes: ambos são rubro-negros.
O Pousão, hoje centenário, teve sua maior gloria no século passado, em 1990, quando fez a segunda maior campanha do interior no campeonato mineiro daquele ano. Além da brilhante campanha, o Dragão pôs água no chopp do meu Galo em pleno Mineirão no dia em o clube comemorava seus 82 anos: 2 x 1 – eu vi de perto esse jogo com estes meus olhos cor de mel!
Naquele mesmo ano o jovem S.C.Cantareira, do bairro São João de Pouso Alegre, sagrou-se campeão da Copa Belato de Futebol Regional!
Ao longo da sua história, o futebol amador e o profissional de Pouso Alegre, nalguns momentos andaram juntos. Ora somando, ora dividindo, ora atrapalhando o outro… Em 1990 amador e profissional posaram juntos para a mesma foto, no alto. O profissional (PAFC) fazendo bonito na elite do futebol mineiro, e o amador (Cantareira) sagrando-se campeão regional da Copa Belato.
Mas voltemos ao título da matéria.
Campeonato Mineiro tudo mundo sabe o que é!
Mas o que vem a ser essa tal Copa Belato?
– Foi o mais completo campeonato de futebol amador do Sul de Minas de todos os tempos.
– Foi realizado entre os anos de 1987 e 1992 pela Liga Esportiva de Pouso Alegre – LEPA.
– Era disputado por clubes ou seleções das cidades num raio de 100 quilômetros no entorno de Pouso Alegre.
– As equipes eram divididas em grupos de 4, formato semelhante ao do Campeonato Brasileiro da época, com jogos de ida e volta, até chegar à final disputada em dois jogos.
Para entender melhor a dimensão da Copa Belato, é preciso conhecer um pouco a história do futebol de Pouso Alegre. Essa história pode ser dividida em três períodos distintos.
. O primeiro vai dos seus primórdios, ainda na infância do século XX, até o final dos anos 70, passando pela criação do PAFC em 1913, com a doação do terreno pela família ‘pinto cobra’ para construção do estádio no alto da Comendador em 1928, o qual viria ser conhecido por Estádio da LEMA, período aliás, de pouquíssimos registros. Passa também pela criação da LEMA – Liga Esportiva Municipal de Amadores em 1947.
. O auge dessa primeira fase do nosso futebol aconteceu entre os anos 1950 e 1960. Clubes como Facit, Manchester, Madureira, Flamengo do Quartel, Rodoviários, Bangu, São Paulo e outros marcaram aquela época.
O declínio aconteceu, ironicamente, com o auge do PAFC profissional! É sempre assim: tudo que sobe… desce! Às vezes despenca…
Depois de galgar à primeira Divisão de profissionais do Estado, em 68 o PAFC perdeu, no tapetão, a vaga para disputar o mineiro de 69 e o futebol da cidade, profissional e amador, caíram no ostracismo.
O futebol – amador – voltou a brilhar no final da década dos anos 70, com o campeonato regional disputado no Estádio da Lema.
Disputado em apenas um estádio era um campeonato de grandes bilheterias e de grande nível técnico. Porém com regulamento frouxo … começava com jogadores amadores de Pouso Alegre e terminava sendo decidido por profissionais da Caldense, do Guarani e da Ponte Preta de Campinas. À medida que o campeonato ia afunilando, os times iam se reforçando com jogadores profissionais dos clubes tradicionais da região, de acordo com o poder aquisitivo e vaidade dos cartolas. Quem tinha mais dinheiro para contratar mais craques levantava o caneco.
. Era muito bom para o torcedor, que podia assistir grandes espetáculos no Estádio da Lema …
. … Mas era péssimo para o futebol da cidade, que, ao desprestigiar seus jogadores que jogavam de graça, esvaziava o futebol nos anos seguintes.
O segundo período de Pouso Alegre, começou com a ressurreição do PAFC, em 82, curiosamente treinando no campo da Escola Profissional. No ano seguinte o clube seria campeão estadual amador e em 84 voltaria a disputar o campeonato profissional da Segunda Divisão até conseguir o acesso à Primeira em 88. Em 90, no seu segundo ano na elite do futebol profissional, o PAFC teve sua melhor performance, ficando em segundo lugar do interior, depois de vencer o Atlético em pleno Mineirão no dia do seu aniversário.
O retorno do PAFC ao futebol profissional em 84, forçou a reestruturação da Lema – Liga Esportiva Municipal de Amadores, para cuidar estritamente do futebol amador. Começa aqui o segundo período do futebol amador de Pouso Alegre.
Foram realizadas incontáveis reuniões com cartolas e aficionados do futebol buscando sua reestruturação. As reuniões aconteciam semanalmente na antessala da Rádio Clube de Pouso Alegre e no escritório da Distribuidora Brahma, do radialista Paulo Roberto, discutindo o que, como e quem fazer, até que se definiu a nova diretoria da Liga, sendo escolhido para dirigi-la o inesquecível Aguinaldo Maranhão Cordeiro Falcão. “Sô” Aguinaldo, como era chamado pelos boleiros, recebia dirigentes e jogadores amadores a qualquer hora do dia e da noite em sua própria casa na Manoel Matias no bairro Primavera. Além do presidente, os cartolas elegeram também o vice-presidente, tesoureiros, secretários, diretor de esportes, Presidente da Junta de Justiça Desportiva e conselheiros. Nos anos seguintes, 85 e 86, a Lema realizou dois campeonatos municipais na cidade, nas categorias Aspirante e Titular.
As dificuldades para realizar um campeonato estritamente municipal, com tantos clubes desestruturados, em campos ruins, quase sem apoio comercial e sem apoio dos órgãos públicos, e ainda concorrendo com a estrela principal que era o futebol profissional, arrefeceu os ânimos dos diretores da Lema. Em 86 a diretoria resolveu fazer apenas a categoria Titular, ainda assim, com apenas 12 clubes. Fizeram mais, aliás, menos… No final do segundo ano de retorno da Liga, a diretoria reduziu o próprio mandato, que era trienal, e promoveu eleições para a sua sucessão.
Foi aí que a Gestão 87/92 entrou em cena para fazer história no futebol amador de Pouso Alegre e da região, criando a Copa Belato de Futebol Regional!

Congonhal particcipou de cinco das seis edições da Copa Belato. Levantou 2 troféus. Campeão em 88 e vice em 90.
DESCRÉDITO E DESANIMO
O formato dos campeonatos regionais disputados até o início da década de 80, trouxeram um grande descrédito e desânimo para os atletas e dirigentes. O futebol, como o nome diz, era amador. Jogava-se de graça, por amor ao esporte e à camisa. Ninguém ganhava nada, muito menos os cartolas. Ao contrário. Os cartolas tinham despesas. Já naquela época bolas, camisas, redes, tintas para marcar campo, transporte, etc, custavam dinheiro. E nem sempre havia patrocinadores. Os custos saiam quase sempre do bolso do cartola apaixonado.

Ouro Fino levou o caneco de 89…
OS DESAFIOS DA COPA BELATO

Cantareira: único dos três clubes de Pouso Alegre a disputar o certame. Levou o caneco de 90.
O primeiro desafio para implantar na região um campeonato entre as cidades, no formato do Campeonato Brasileiro, disputado por um clube ou seleção da cidade, com jogos em seus respectivos campos, com bilheteria, com Regulamento rigoroso limitando a cada clube contratar apenas três (03) jogadores de fora, ainda amador, foi convencer os demais diretores da Lema da viabilidade da competição. Alguns diretores não acreditavam na credibilidade e capacidade do presidente para conduzir e realizar o evento.
– “É muita responsabilidade! São muitos os enroscos. Se a liga não conseguir resolver os pepinos que irão surgir e o campeonato não chegar ao final, a Lema cairá em descrédito na região”, disseram alguns dirigentes desconfiados.
– “Mas se você achar que dá conta, faça um contrato de gaveta assumindo toda responsabilidade sobre o evento. Se der lucro é seu, se der prejuízo… você paga!”, aconselhou um tesoureiro da Lepa.
O jovem e obstinado presidente, apesar do descrédito, acreditava nos seus ideais. Por isso calçou as chuteiras e entrou em campo.

Monte Sião. A Associação Atlética Montessionense estava se preparando para disputar a Terceira Divisão da FMF quando descobriu a Copa Belato…
COMO CHEGAR AOS DIRIGENTES DA REGIÃO

Jacutinga: esse time, de 88, tinha vários jogadores remanescentes do futebol profissional. Levou o ultimo caneco da edição.
O desafio maior foi contactar e convencer os dirigentes das cidades vizinhas a participarem do campeonato. Naquela época o celular ainda não havia saído da mente de Steve Jobs. O computador ainda era a tradicional máquina Olivetti Linea 98 – que a Lepa nem isso possuía! Os regulamentos e as sumulas dos jogos eram, portanto, datilografadas e reproduzidas no mimeógrafo, ou então na máquina de xerox da papelaria Dom Nery. Os contatos com os cartolas dessas cidades eram feitos através do velho telefone fixo – que poucos tinham. Nalgumas delas o telefone ainda era de três dígitos, via telefonista. O contato com prefeituras, secretarias de esportes, ou simplesmente ‘donos de times’ da região, que ainda mantinham alguma ilusão com o futebol, tinha que ser feito pessoalmente, nas respectivas cidades.

Bueno Brandão tinha jogadores como o centroavante “Nego” (primeiro agachado ao lado da bola), que não devia um centavo para os craques milionários de hoje.
“Teve início uma epopeia, cidade por cidade, tentando reunir os desportistas para ressuscitar o futebol da região! Em duas semanas visitei cerca de 50 cidades no entorno de Pouso Alegre, para, ao final, reunir 08 (oito) seleções! Fiz as viagens, algumas sozinho e outras na companhia do meu fiel escudeiro Masaharu Sato, a bordo do meu chevette 74. O chevettinho mais rodado do que bolsinha da Perimetral, tinha um buraco no assoalho. Na serrinha de Heliodora para Natércia, já no início da noite, tentando escapar de uma chuva que subia a serra, entrou tanta poeira no carro que quase não enxerguei as curvas. Quando chegamos a Natércia estávamos amarelos de poeira! Rsrsrsrs… No dia seguinte, depois de terminar os contatos na cidade de Munhoz, eu pretendia seguir para Toledo e de lá voltar pela Fernão Dias. No entanto, meu sexto sentido me aconselhou a voltar para casa por Inconfidentes. Durante o percurso pela MG 290, percebi que o volante estava meio fora de lugar, mas não dei importância ao fato. Ao distorcê-lo para entrar na garagem em casa, descobri por que ele estava torto! A barra de direção havia quebrado na estrada de terra entre Monte Sião e Bueno Brandão! Felizmente meus anjos da guarda me aconselharam a desistir da viagem a Toledo e voltar para casa!

Munhoz, bancado pelo batateiro Peres, tem muitas histórias para contar, dentre elas: era campeão de público e renda. Qualquer jogo levava mais de 800 torcedores ao estádio! Chegou à semi final de 92, mas caiu no ‘tapetão’ da JJD da Lepa. Motivo: o regulamento da Copa Belato permitia (03) três ‘jogadores de fora’. O time tinha 08. Três juniores do Mogi Mirim, o goleiro Neneca (aposentado do Bragantino) e outros quatro das cidades vizinhas.
“Após quase duas semanas visitando velhos cartolas e descobrindo outros novos, em dezenas de cidades, consegui reunir 07 (sete) para realizar meu sonho de integrar o futebol amador da região do extremo sul do Estado. Participaram do primeiro certame as seleções de Espírito Santo do Dourado(João Neto), Machado(Helio), Heliodora (Chumbinho), Ouro Fino(Tonhão e Josias), Ipuiuna(Dininho) e Monte Sião(Simão) e os clubes Juventus do Ze Maria e Guarani do Niquinho, de Pouso Alegre.

Conceição dos Ouros, bancado pelo comerciante João Toureiro(camisa azul), disputou duas edições.
Nos anos seguintes outras cidades foram aderindo à Copa Belato tais como São João da Mata, Silvianópolis(Heleno), São Gonçalo do Sapucaí, Careaçu (Pedrinho), Conceição dos Ouros(João Toureiro), Paraisópolis (Secr. Esportes), Estiva (Fuscao e Salvador), Cambui (Claudio Manni) Camanducaia( Celio Santos), Itapeva (Neguinho da Copasa), Extrema (Sansão), Borda da Mata (Lua), Inconfidentes (João Língua), Bueno Brandão (Kleber), Munhoz(Dito Perez) e Jacutinga(Soleo).

Borda da Mata tinha no elenco grandes jogadores, mas não conseguiu o apoio dos velhos cartolas da cidade e nem da torcida. Tirou Munhoz no ‘tapetão’ e foi à semi final, mas parou por aí.
Na ultima edição da Copa Belato, realizada no último ano de mandato da Liga, em 1992, chegamos a 24 equipes de 22 cidades”.

CESAL – Time de garotos do treinador Salvador Lopes (de boné), tinha apoio de cartolas da região como Ernani Braga e Rogerinho da Borda e da torcida.
ARBITRAGEM
Os árbitros, inicialmente, eram de Pouso Alegre. Com o crescimento dos campeonatos, trouxemos um trio de árbitros de Santa Rita do Sapucaí e outro de Ouro Fino. Para tal, realizamos neste período três cursos de arbitragem ministrados pelo professor Juarez Chaves Salgado, da FMF.

Trio de elite: Carlos Roberto de Oliveira, Vinicius Gonçalves Mariano (que nada devia aos melhores árbitros do profissional da CBF) e o saudoso e quase lendário Masaharu Sato…
PREMIAÇÃO DO CAMPEONATO
Em todos os anos a LEPA premiou com troféus medalhas o campeão, o vice, o artilheiro da competição, o goleiro menos vazado, o destaque do campeonato, e, para incentivar os policiais a garantir a segurança nos estádios, instituiu o troféu “melhor policiamento de campo” – a PM de Congonhal abocanhou quase todos!

Troféu exposto na abertura da 4a edição do campeonato, no Estádio Municipal de Ouro Fino, com a presença do patrocinador do evento, Deputado Jose Adamo Belato. Meses depois o troféu foi entregue ao campeão Cantareira em Borda da Mata.
STATUS DE FEDERAÇÃO
“Em novembro de 1987 mudei a denominação da LEMA- Liga Esportiva Municipal de Amadores para LEPA – Liga Esportiva de Pouso Alegre. A seriedade e firmeza da organização do campeonato regional e o brilho das competições deram à entidade regional o status de FEDERAÇÃO. Onde o representante da LEPA e o trio de árbitros chegavam, eram tratados como autoridades.
– “Olha o pessoal da Federação chegando”, diziam diretores e torcedores das cidades vizinhas!
Nos últimos anos, a confiança depositada na Lepa na organização da Copa Belato era tanta, que alguns dirigentes nem se davam ao trabalho de participar do arbitral.
– “O que vocês decidirem aí tá bom pra nós. E só mandar a tabela e o regulamento que nós estamos de acordo”, dizia Soleo, Secretário de Esportes de Jacutinga, que já havia participado da 3ª Divisão de Profissionais da FMF.

Guarani (Pouso Alegre): Cipozinho (com a bola) foi o responsável por marcar o GOL 10 MIL da Lepa na gestão 87/92.
O período mais retumbante desse segundo capítulo do futebol de Pouso Alegre, talvez o mais marcante de toda sua história, foi de 87 a 92. Além da mudança na denominação, dando-lhe IDENTIDADE REGIONAL, a liga ganhou caráter eclético passando a promover outras modalidades esportivas além do futebol tais como VOLEY, FUTSAL e CICLISMO. Em 1988 promoveu o JEPA. Nessas duas gestões foram criadas e realizadas todas as categorias básicas do futebol: Fraldinha, Mirim, Infantil, Juvenil, Junior, Veteranos. Nos últimos anos da gestão foi criada a SEGUNDA DIVISAO do futebol amador da cidade. Durante os seis anos dos dois mandatos, foram realizados mais de sessenta (60) campeonatos de futebol e outros eventos de voleibol, futsal e ciclismo.
Nesse curto período foram assinalados 11.480 gols em competições oficiais da LEPA.
O “gol 10 mil” daquela gestão – 87/92 – aconteceu dentro da Copa Belato. Foi assinalado às 17:27h do dia 7 de abril de 1991 no campo da Escola Profissional. Foi o segundo da goleada de 5 x 0 imposta pelo Guarani do São Geraldo à seleção de Bueno Brandão.
O histórico gol “10 MIL” foi marcado pelo camisa 7, CIPOZINHO, da equipe alviverde de Pouso Alegre.

Itapeva (do cartola Negrinho), participou de quase todas as edições com brilhantes campanhas.
OS CAMPEÕES da COPA BELATO
– 1987 Espírito Santo do Dourado (Douradense) – Vice Heliodora
– 1988 Congonhal – Vice Douradense
– 1989 Ouro Fino – Vice Ipuiuna
– 1990 Pouso Alegre (S.C. Cantareira) – Vice Congonhal
– 1991 Monte Sião (A.A.Montessionense) – Vice Jacutinga
– 1992 Jacutinga – Vice Monte Sião
A partir de 1993, e até meados da segunda década deste século, o futebol amador e o profissional de Pouso Alegre estiveram adormecidos. Em 2018 o futebol profissional (PAFC) retomou sua história, nos gramados, e tem brilhado cada vez mais.
O futebol amador continua adormecido – senão morto!
*** O que você acabou de ler não está escrito em nenhum arquivo público… Infelizmente!
Tudo que foi realizado – e não foi pouca coisa! – entre os anos 1987 e 1992, quase 80 eventos esportivos, perdeu-se em folhas de papel datilografadas. Não há mais registros!
*** Jose Adamo Belato – Deputado Estadual -, de Monsenhor Paulo, foi o patrocinador da premiação do campeonato, por isso seu nome na competição regional.

“Pedro Louco” é um deles!
Pedro Louco protagonizou um dos fatos mais marcantes da história do Velho Hotel da Silvestre Ferraz. O fato aconteceu nos idos de 1970, no tempo em que puxar cadeia ainda era vergonhoso, mas de certa forma era também bucólico, romântico e principalmente educativo!
Pedro Louco não era bandido. Ao contrário, era um sujeito honesto, trabalhador e honrado. Honra daquelas que se lava com sangue. Certa vez um conhecido caminhoneiro, aproveitando sua ausência, passou uma ‘cantada’ na sua esposa, na borracharia onde ela o ajudava. Ao tomar conhecimento da ofensa, Pedro Louco pegou seu trabuco e foi atrás do caminhoneiro abusado. A honra foi lavada na subida da serra de Ipuiuna. Desde então Pedro Louco tornou-se hóspede do Velho Hotel da Silvestre Ferraz.
Com menos de trinta hóspedes no velho hotel naquela década, gozando do privilégio de preso ‘cela livre’, após distribuir os ‘bandecos’ e varrer os corredores, Pedro Louco descia para a delegacia, onde também fazia limpeza. De lá, eventualmente, dobrava a esquina e se dirigia ao bar do Vaguinho Dorigatti na Com. Jose Garcia, para abraçar a estonteante “Severina do Popote”. Ia e voltava sempre acompanhado de um detetive… que também gostava do famigerado suco de gerereba com torresmo!
Numa tardinha fresca de 78, quando Pedro Louco saía do bar do Vaguinho ao lado de um detetive, um irmão do caminhoneiro se aproximou sorrateiro e, sem alarde, descarregou o trabuco na cabeça do borracheiro! A fumaça dos tiros entrou pelas narinas do detetive antes que ele esboçasse qualquer reação.
Cumprida a vingança pela morte do irmão, o assassino entregou a arma ainda fumegante ao detetive e foi ocupar o lugar de Pedro Louco no Velho Hotel da Silvestre Ferraz!
* Pedro Louco é apenas um dos “Fantasmas do Velho Hotel da Silvestre Ferraz”.
No livro “Quem matou o suicida” há muitos outros”!

“Popota retirou a cápsula vazia e colocou outra intacta no tambor. Girou, esticou o braço, apontou a arma para Renato e lentamente foi movendo o braço e o Taurus na direção de Mateus. A tensão aumentou. Seria mais uma cena de tortura… ou desta vez ele atiraria? – pensou Renato. De repente um novo estampido cortou o espaço espantando um ou outro sabiá que pousava nas frondosas mangueiras. A bala desta vez tinha um alvo. Um alvo indireto, mas tinha um alvo. Atingiu em cheio a perna esquerda traseira da cadeira. Sem uma das pernas a cadeira caiu de costas para trás. Só o impacto da bala talvez não fosse suficiente para derrubá-la do barranco. Mas no susto Mateus deu um salto para trás e caiu do barranco! Desta vez Renato estava acompanhando o alvo e não o movimento do dedo do bandido. Foi providencial! Quase com um só salto desesperado ele agarrou o filho pendurado no barranco! Enquanto tentava desesperadamente trazer a cadeira e o filho, amarrados, de volta, Popota lentamente substituiu o projétil deflagrado por outro, levantou-se do tosco toco, deu três passos adiante, apontou o Taurus para Renato e ordenou:
– Solte a cadeira!
A perna da cadeira não aguentou o peso e se quebrou. Num milésimo de segundo Renato conseguiu segurar a corda que prendia os pés do filho à madeira, mas ele desceu um pouco mais. Agora ele estava totalmente pendurado no barranco. Popota votou a ordenar:
– Solte a corda!
Renato podia sentir o calor do bandido a um metro apontando o revólver para ele. Olhou para baixo, para aquele poço sereno. Nem sinal de Tortuga que havia mergulhado ali minutos antes. Se o filho estivesse livre das amarras talvez tivesse alguma chance. No entanto, preso ao que restava da cadeira velha, teria morte lenta e desesperada se debatendo no fundo do rio, se ele soltasse. Se não soltasse… o bandido mataria os dois!
– Vou falar pela última vez – soou a voz, agora colérica, do psicopata.
Depois silencio total. O filho suspenso apenas pelo braço direito já pesava o dobro. Pode ouvir o leve ranger da mola do gatilho sendo pressionada para trás. Apesar da fé, contraiu os ouvidos para minimizar o estrondo. E o estrondo veio”…
Esse pequeno trecho é parte integrante do romance policial de Airton Chips:
“UMA VIAGEM QUE NÃO CHEGOU AO FIM”.
O livro está disponível no site da ‘Editora Dialética’ ou, através do WhatsApp 35 9.9802-3113.

Imagem ilustrativa
Apesar de a noite ser ainda uma criança, fazia muito frio na rua. Na penumbra do interior do carro, ligeiramente oculta pela sombra de uma arvore, Joana esperava pacientemente. Chegara no início da tarde à cidade. Tivera tempo de sobra para fazer sua investigação. Descobrira onde era o escritório, parte da rotina, dos horários e agora estava ali, a poucos metros da porta da casa de Paula. Segundo seus levantamentos ela saia do trabalho por volta das seis da tarde e antes de ir para casa passava no supermercado. Já eram mais de sete horas… estava demorando! De repente um carro diminuiu a velocidade, sinalizou e parou na frente do seu carro. Joana percebeu que era um homem ao volante. Sentiu o coração disparar! Esperou alguns segundos. A porta do passageiro se abriu e uma mulher protegida por um grande casaco bege saiu tentando equilibrar nos braços um pacote de papeis. Quando ela se virou para contornar a frente do carro, Joana pode ver com certeza: Era Paula! Um ligeiro frio percorreu sua espinha. Nesse instante a porta do motorista se abriu e um homem, que já mexia no banco traseiro, fez movimentos de descer. O coração de Joana bateu a duzentos por minuto. O homem saiu do carro de costas pra ela…
Era Renato?
O grande casaco escuro aumentava sua silhueta… O rapaz alto e corpulento, cabelos curtos… era Renato!!
Ele deu um passo em direção à Paula, recolheu os papeis das mãos dela, juntou os dois pacotes e atravessaram o passeio em direção ao portão da casa da jovem advogada. Joana tinha os olhos colados no casal.
Num instante ela abriu o portão, virou-se para o homem e deu-lhe um longo beijo apaixonado.
Joana ia saltar do carro para surpreender o casal, mas de repente ficou paralisada. A cena foi muito forte. Um misto de sentimentos a invadiu naquele momento. Queria não ter visto aquilo. Sentiu um certo asco! Por um segundo desviou os olhos.
Quando voltou a olhar para o casal, Joana já havia fechado o portão e Renato estava entrando no seu carro.
Era mesmo Renato! Estava mais magro e usava barba, coisa que não fazia há anos.
Enquanto pensava no que fazer, o motorista deu partida, deu seta e saiu do local. Joana pensou em seguir o carro de Renato, mas seus dedos travaram, grudaram no molho de chaves e ela não conseguiu dar partida.
Quando finalmente conseguiu virar a chave no orifício da ignição, o carro de Renato já virava a esquina.
“Foi melhor assim”, pensou Joana. “Eu não ia conseguir dirigir. Ia acabar batendo o carro”. Ficou longos minutos ali olhando a rua silenciosa e fria. Baixou um palmo o vidro do motorista para deixar entrar o ar frio da noite. Pareceu ouvir o barulho do chuveiro de Paula. Viu-a nua, esfregando o sabonete pelo corpo, cantarolando uma canção qualquer debaixo do chuveiro. Viu Renato alto, forte, ereto entrando nu no chuveiro… tentou desviar o ‘olhar’ e instintivamente sacudiu a cabeça, querendo se afastar da cena! Com isso Paula e Renato sumiram do banheiro, sumiram da sua imaginação!
Só então se deu conta de que estava ali há quase dez minutos desde que vira o carro de Renato virar a esquina.
Mas será que era mesmo Renato? De costas, era o mesmo porte físico. Alto, ombros largos… De frente os ombros largos mantinham o casaco aberto fazendo uma figura corpulenta, mas parecia mais magro… ou seria mais jovem e atlético? Mas era Renato. Tinha certeza. Ou será que não? Ou será que apenas seu subconsciente viu Renato ali se despedindo de Paula com aquele beijo apaixonado?
Pensou em descer do carro, tocar a campainha e ir falar com Paula. Dizer que havia descoberto seu romance com seu marido. Mas de que adiantaria? Poderia ter dito isso mais cedo no escritório dela! Ou até por telefone, sem sair de casa! Ela certamente negaria. “Eu tinha que ter abordado os dois abraçados no portão”, pensou Joana. “Pegá-los em flagrante… e ver que explicação ele daria para ter abandonado a família de maneira tão covarde. Ver que recado ele daria para seus filhos adolescentes que sempre o tiveram como herói”! Assim pensando Joana rumou para o hotel. Precisava sair da rua, ficar entre quatro paredes, sozinha, para extravasar sua revolta, sua mágoa, sua dor… Precisava esmurrar alguma coisa. Chorar, talvez. Sim. Precisava chorar. Chorar bastante, até esvaziar todos aqueles sentimentos confusos que pressionavam seu peito… e seu cérebro! Tudo que precisava agora era de quatro paredes… para esconder suas lágrimas!
Esse pequeno trecho é parte integrante do romance policial de Airton Chips:
“UMA VIAGEM QUE NÃO CHEGOU AO FIM”.
O livro está disponível no site da ‘Editora Dialética’ ou, através do WhatsApp 35 9.9802-3113.

Dos 125 pés de Sapucaia que enfeitam praças e jardins de Belo Horizonte, 35 estão na orla da lagoa da Pampulha.
Você que já viajou pelo Sul de Minas, com certeza cruzou cidades e rios com nomes originários na Sapucaia… São Gonçalo do Sapucaí, Santa Rita do Sapucaí, Porto Sapucaí. Se subir até a bela Campos do Jordão você passará por São Bento do Sapucaí, Sapucaí Mirim e poderá beber nas nascentes cristalinas dos rios Sapucaí e Sapucaí Mirim. Todas estas localidades e rios receberam esse batismo em homenagem à famosa Sapucaia, arvore de grandes copadas, supostamente abundante no Sul de Minas, principalmente nas margens baixas dos rios que levam seu nome.
Só que não!
A famosa Sapucaia, conhecida (e explorada) pelos europeus que aqui chegaram, desde o século XVI, originaria da Mata Atlântica, hoje anda pela beira da morte. Não se tem a localização de um único pé nativo no Sul de Minas.
O que o historiador chamou de Sapucaia, era, na verdade, o Óleo Copaíba!
Este sim, nativo e abundante na região onde batizou tanta ‘gente’!
As arvores são de fato parecidas, apenas no porte, porém muito diferentes na florada, na formação da casca (a Sapucaia tem formato de rusgas e fissuras, lembra a casca do cedro). O óleo copaíba tem a casca um pouco mais lisa e seu fruto é pequeno. O fruto da Sapucaia tem o tamanho de uma cabeça de cachorro médio. Se cair do galho a trinta metros de altura sobre um cachorro, pode aleijá-lo! O fruto da Sapucaia (semente) tem grande valor nutricional embora não seja comercializado. O óleo copaíba tem grande valor medicinal. Ambas as arvores, que podem passar de trinta metros de altura, podem forrar o chão da casa que você pisa!
Por engano ou não, o nome ficou. Todos estes lugares que eu citei foram batizados com o nome da Sapucaia. Mesmo não vendo a arvore, toda vez que você passar por ali, vai se lembrar do que acabou de ler!

Anos atrás a prefeitura de Belo Horizonte plantou 125 pés de Sapucaia em suas praças, jardins e logradouros públicos, inclusive na Praça da Liberdade. No entorno da Lagoa da Pampulha, por onde pedalo quase todos os dias, já contei até o momento 35 arvores!
Esta é época mais fácil de ‘percebê-las’… É a época da florada, ou melhor, da ‘folhada’! Sim. A Sapucaia não dá flores… No início da primavera as folhas verdes, novas, mudam de cor e durante cerca de duas semanas tingem suas copas de rosa e lilás. Por isso é fácil percebê-las… e contá-las.
Belo Horizonte é bastante arborizada e florida, especialmente na região da Pampulha. O ano todo sibipirunas, manacás, primaveras, flamboyants, jacarandás rosas, ipês de várias cores, sapucaias, cada um a seu tempo enchem nossos olhos – e corações – de cores! Na ilha da lagoa, no momento, tem três pés floridos que não consigo afirmar qual deles é ipê roxo ou Sapucaia.
Mas, voltando à Sapucaia, a arvore que enganou o historiador e acabou batizando rios e cidades no Sul de Minas, tem sim Sapucaia no Sul do Estado. Graças a um cidadão altruísta que resolveu preservar a espécie tão bela. Em Santa Rita do Sapucaí há dois belos espécimes da famosa arvore. E é muito fácil identificá-los. Quando entrar na cidade pelo acesso sul, pela ponte principal, quando estiver no final da ponte sobre o Rio Sapucaí, olhe para a margem à sua direita à frente. Ali – salvo engano no quintal de uma academia – duas belas arvores com suas copadas lilás irão encher seus olhos!

Dos 125 pés de Sapucaia que enfeitam praças e jardins de Belo Horizonte, 35 estão na orla da lagoa da Pampulha.
Agradeço a natureza todos os dias por tão belo espetáculo… E agradeço a Deus a sensibilidade para perceber as belezas que nos cercam e tornam nossa vida mais colorida, mais alegre, mais divertida, mais romântica…

Em setembro de 2021, num dos momentos mais sensíveis da pandemia do Coronavírus, comecei arquivar os números da doença, no Brasil e nos Estados Unidos. Naquela ocasião, toda a população americana, que quis, já havia sido vacinada. O Brasil estava bem próximo de atingir o mesmo objetivo.
Em meados de setembro do ano passado, os números da Covid nos dois países eram estes:
Brasil: (Sexta, 17 de setembro 2021… 20 milhões de casos + 34.407 novos casos + 649 óbitos = Total 589 mil óbitos
USA: (Sexta-feira, 17 setembro 2021… 43 milhões de casos + 155 mil novos casos + 3.415 mil óbitos = Total 670 mil óbitos
Desde então venho acompanhando os números nos dois países. Nesta terça-feira, 27, este são os números atuais nos dois países:
Brasil: Terça-feira, 27 setembro… 34,6 milhões de casos + 13.861 novos casos + 85 óbitos = Total 686 mil óbitos
USA: Terça-feira, 27 setembro… 95,9 milhões de casos + 58.520 novos casos + 404 óbitos = Total 1,06 milhão de óbitos
Depois de ceifar 686 mil vidas humanas no Brasil e 1.06 (um milhão e sessenta mil) nos Estados Unidos, a Covid está sob controle em quase todo o planeta. A imprensa já nem liga mais para Covid. Os números da Covid no mundo já não fomentam mais as intrigas políticas e não vendem mais audiência nos veículos de comunicação – a menos que seja para colocar 400 mil mortes na conta do adversário político.
Há várias semanas a média de mortos por Covid no Brasil estacionou na casa de 50 por dia, em média. Nos Estados Unidos a média se mantem alta, em torno 500 óbitos por dia há várias semanas.
Os números diluídos neste final de semana ficaram em 404 óbitos no país do democrata Joe Biden. Amanhã, esse número deve aparecer acima de 700.
No Brasil, também em números diluídos para o final de semana, foram anotados 85 óbitos por Covid. Amanhã esse número será inferior a 50. Acesse o Google nesta quarta-feira e confira.

Apesar de ter ceifado tantas vidas, a Covid ajudou centenas de prefeituras e dezenas de Estados a colocar suas contas ordinárias em dia! Sim, todos os estados e municípios do Brasil onde há estrutura mínima para cuidar da saúde, receberam polpudas verbas do governo federal para combater a Covid. Nem todos usaram o dinheiro para isso… Nem todos conseguiram evitar que as pessoas contraíssem o vírus e que morressem em decorrência dele! Morreram, infelizmente, – e lamento – aquelas pessoas que tinham, sabendo ou não, algum tipo de comorbidade e, de um jeito ou de outro contraíram o vírus! Na minha família isso aconteceu.
Dentre tanto que se falar sobre a covid nestes dois anos e meio, um fato precisa ser trazido à tona, ao conhecimento da sociedade, para que as pessoas reflitam sobe tudo que ouviu da imprensa e dos políticos neste período: trata-se dos números da Covid nos dois países, quase iguais em tamanho e tão diferentes na economia: EUA e Brasil.
Os Estados Unidos têm 335 milhões de habitantes… O Brasil tem 215 milhões.
Nos Estados Unidos, morreram de Covid, 1,06 (um milhão e sessenta mil) pessoas!
No Brasil, morreram de Covid 686 mil pessoas.
Até aí tudo bem. A proporção está próxima da equivalência.
O que chama a atenção é o período em que essas pessoas morreram!
Nos últimos doze meses, mais precisamente desde o dia 17 de setembro de 2021, quando comecei a acompanhar diariamente os dados pelo Google, no Brasil morreram 97.000 (noventa e sete) mil pessoas…
No mesmo período nos Estados Unidos, país mais rico do mundo e dono da mundialmente conhecida farmacêutica Pfizer, morreram 390.000 (trezentos e noventa) mil pessoas!
Por alguma razão, a grande mídia não fala sobre isso. Eu também não vou falar. Deixo para você, que acabou de ler essa matéria, refletir e tirar suas conclusões!
Obs: esses números, como eu disse no início, foram anotados diariamente desde o dia 17 de setembro de 2021 até a presente data. Portanto, os números não são meus… São do Google. Estão lá à sua disposição.

“Não é a mesma coisa, pois estamos afastados da rua. Mas é o que dá para fazer. Trinta e oito anos trabalhando na mesma banca, no mesmo lugar… é a única coisa que eu sei fazer. E não dá para ficar parado”, diz Ernane, mais conhecido do que nota de dez na cidade.
Era eu ainda um garoto branquelo de calça curta quando passei pela primeira vez na Pç. Senador José Bento em Pouso Alegre e lá já estava a “Banca Central”! Era bem menor, proporcional ao tamanho da cidade que em 1969 tinha cerca de 40 mil habitantes. O dono era o Sr. Dirceu! Sujeito magro, miúdo, cabelos já grisalhos, lisos e bem cortados. Vestia-se com elegância, calça e camisa social. Entre uma tragada e outra do seu inseparável cigarro Minister, conversava com a clientela e com todos que passavam entre a banca e as “Casas Pernambucanas”. Nos anos seguintes, ainda molecão de cabelos compridos, entreguei muitos botijões de gás na sua casa na Rua das Papoulas no Jardim Yara e vinha cobrar a ‘notinha’ na banca. Tempos depois, quando Dirceu morreu, seu filho Juarez tentou tocar a banca, mas a profissão de funileiro falou mais alto.
Foi assim que Ernane Faria Wood assumiu a Banca Central e tocou o comercio de beira de calçada, com o sócio Mauricio, por mais de três décadas… e viu outras bancas de calçada surgirem pela cidade.
Em 2004, quando lancei meu jornal impresso FOLHA de Pouso Alegre, a cidade tinha 13 bancas de jornais. Seis delas num raio de menos de cem metros, no coração de Pouso Alegre. A mais antiga era a do Ernane na praça Senador José Bento. Ainda na praça, na outra extremidade, ficava a banca da Rita e logo adiante atrás da catedral, a banca da Ligia. Mais acima em frente a antiga Caixa ficava a banca do Sergio. No inicio da Duque de Caxias uma de cada lado: Saulo à direita e Toninho à esquerda. A banca do Chico reinou durante décadas no final da Dr. Lisboa em frente o Bradesco. Na Vicente Simões havia duas bancas, a do Carlinhos em frente o Alvoradão e outra na pracinha do Semáforo do Santa Lucia. Madalena tocou sua banca durante um tempo na porta da Univas. Defronte o Posto Pantanal havia a banca do Fernando. Rubens Gomes vendeu milhares de Figurinhas da Copa na sua banca na porta da Medicina. Cristina, minha ex-colega do ensino fundamental, tem sua banca no interior do Baronesa. O velho Claret – e depois Andreia – vendia de tudo e um pouco mais numa banca no terminal rodoviário.
As bancas nasceram para atender a demanda das pessoas que liam “jornais e revistas”. Sim, houve um tempo em que as pessoas liam jornais e revistas impressas, rsrsrsrs! Com isso s bancas viviam abarrotadas de revistas semanais tais como IstoÉ, Exame, Veja, Placar, Contigo, Tititi, Caras, e outras de vida efêmera…
Havia também os jornais diários, de circulação nacional: Estado de Minas, Folha de São Paulo, O Globo… e os jornais semanais de Pouso Alegre. Na década de 90, a cidade teve oito jornais circulando regularmente – escrevi notícias policiais e esportivas em quatro deles (Sul das Geraes, Jornal do Estado, Diário de Pouso Alegre e Folha do Vale). Hoje apenas dois, tropegamente, conseguem sobreviver!
Com a mudança de habito do brasileiro e consequente decadência dos jornais e revistas, os comerciantes migraram para outros produtos. Visando a própria sobrevivência e as necessidades da clientela, hoje as bancas de jornais e revistas vendem brinquedos, souvenirs, isqueiros, recarga de celular, cigarros, ‘zona azul’ (quando funciona), chaveiros, posters do Galo campeão, rsrsrsrs, games, de quatro em quatro anos Figurinhas da Copa, bolinhas de gude, máscaras contra covid, balas, chicletes, e se um ribeirão passasse perto venderia também varas, anzóis e minhoca para pescar!
Vende até livros!
Em 2014, quando lancei meu primeiro livro, espalhei “Meninos que vi crescer” por todas as bancas da cidade. Ano passado “Quem matou o suicida” também foi parar nas gôndolas das bancas.

“Quem matou o suicida” e “Meninos que vi crescer” estão na Banca Central, na galeria Portal, ao lado do Teatro Municipal.
O golpe de misericórdia nas “bancas de jornais & revistas” de Pouso Alegre, foi dado pela prefeitura em meados deste ano. A pretexto de ‘revitalizar’ o centro a cidade, as bancas estão sendo retiradas, fechadas. A própria prefeitura se encarregou de ‘guinchar’ as bancas, como vimos nas imagens que circularam pela internet. Sergio, Rita, Carlinhos, Ernane se aposentaram ‘compulsoriamente’ … sem proventos. Perderam o ganha-pão…
Um destes comerciantes há anos entrincheirado na sua banca no centro, desesperado com o fim do seu ganha-pão, esteve muito perto do fim da vida!
Ernane deu a volta por cima. Depois de quase três meses sem trabalho e sem ver a cor do dim-dim que pingava todo dia, desde que sua banca foi fechada, ele o sócio Mauricio enfim reabriram a tradicional Banca Central. Desde o ultimo final de semana eles estão atendendo a clientela na Galeria Portal, na Dr. Lisboa.
“Não é a mesma coisa, pois estamos afastados da rua. Mas é o que dá para fazer. Trinta e oito anos trabalhando na mesma banca, no mesmo lugar… é a única coisa que eu sei fazer. E não dá para ficar parado”, diz Ernane, mais conhecido do que nota de dez na cidade.
Para atrair novamente a clientela, Ernane passa boa parte do dia na porta da galeria, ao lado do Teatro Municipal.
Boa sorte Ernane e Mauricio… Boa sorte órfãos de Bancas de Jornais & Revistas.

