Policia Civil mostra as armas…

Graças a uma Resolução do Conselho Nacional de justiça, acatando pedido da Secretaria de Direitos Humanos, a policia agora não pode mais mostrar seus presos de frente…!

A operação batizada com um nome curto, mas que sugere, e pretende soprar o crime para bem longe do Sul de Minas, foi realizada antes de o sol desta sexta-feira, 29, nascer. Entre mandados de prisão e de Busca & Apreensão eram mais de 40 alvos. Trinta e nove pessoas receberam as pulseiras de prata da lei. Doze em flagrante. As demais, já com a ‘carta branca’ do Homem da Capa Preta!
Um dos alvos é um estudante segundanista de medicina. Ele não foi encontrado em casa, no Santo Antonio, quando os policiais chegaram para o café da manhã, e nem na sala de aula da faculdade onde foi procurado mais tarde. Mas a batata do futuro medico está assando. Ele está na lista dos investigados por tráfico de drogas!
A mitológica Operação Notus, envolvendo cerca de 150 policiais lotados no 17º Departamento de Policia Civil de Pouso Alegre, que engloba as regionais de Pouso Alegre, Itajubá e São Lourenço, com dezenas de viaturas, helicóptero e cães adestrados, se estendeu às cidades de Santa Rita do Sapucaí, Heliodora, São Sebastião da Bela Vista, São Gonçalo do Sapucaí, Congonhal, Ouro Fino, Borda da mata, Monte Sião e Pedralva. O ‘vento sul’ soprou até a cidade paulista de Itapira.

Ladrões, intrujões, traficantes puderam perceber neste final de setembro, que a Policia Civil de Minas, cá no sul, apesar dos pesares, está muito viva! Aquela pergunta que os ouvintes do programa “Tudo Junto & Misturado” costumam me fazer às terças e sextas-feiras na Super Radio 90 FM, está respondida com ação: a Policia Civil não morreu! É bem verdade que há tempos vem recebendo o salário atrasado; que hoje tem menos investigadores do que tinha em 1980; que o que resta não consegue trabalhar atrás do computador e ir pra rua, exercitar o tirocínio policial, ao mesmo tempo… Mas continua disposto a mostrar as armas e ‘soprar’ o crime para longe!
No entanto, por ironia do destino, um dos investigados e abordados pela policia civil antes do sol nascer – e não foi preso por falta de provas, – quatro horas mais participou de um roubo à mão armada, onde um empresário morreu… conforme veremos no próximo post!

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Seis de setembro: o ultimo dia de trabalho do policial

“…por uma fração de segundo ficamos ali cara-a-cara, quase sentindo o bafo amanhecido um do outro! Mais perto ainda da sua cara estava o cano frio do trezoitão niquelado… E apertei o gatilho!!!”

Cheguei com o motor do Palio já desligado, parei na frente da casa simples da Rua do Queima, fechei a porta sem bater, dei uma rápida espiadela pela greta do portão, subi no muro e saltei pra dentro do quintal. Tudo tinha que ser muito rápido. Além do trinta e oito especial niquelado, cabo de madeira que eu levava com o dedo no gatilho eu contava com a mais poderosa das armas: a surpresa. Era necessário surpreender o bandido ainda nos braços de Morfeu! Sem dar tempo de reação! Mesmo que ele dormisse com o trabuco debaixo do travesseiro! Quando bati os pés com as pernas flexionadas para amortecer a queda no chão, Mestiço deu um salto e um grito de susto. Para evitar que o segundo salto fosse sobre mim, só havia uma coisa que podia fazer… Apertar o gatilho do trezoitão! Com a flexão das pernas e o corpo ao nível dele, por uma fração de segundo ficamos ali cara-a-cara, quase sentindo o bafo amanhecido um do outro! Mais perto ainda da sua cara estava o cano frio do trezoitão niquelado… E apertei o gatilho!!!
O ultimo de trabalho de todo cidadão é esperado com ansiedade. Se ele for policial, multiplique por dois, por cinco por dez a expectativa, de acordo com seu dinamismo. Eu estava no auge. Promovido – ainda que informalmente – a Inspetor, havíamos derrubado a estatística de crimes na cidade quase ao nível do chão. Quase todos os meliantes conhecidos estavam hospedados no Hotel Recanto das Margaridas. As pessoas que viam o Palio e a velha Parati da PC rodando a qualquer hora do dia e muitas vezes antes do sol mostrar os bigodes, ou um carro estranho com três elementos exibindo os canos grossos e frios das “12”, comentavam:
– Tem uma equipe de fora trancando todos os bandidos na cidade!
A “equipe de fora” era apenas eu, o veterano Benicio, o jovem Kleber e eventualmente, nas madrugadas, o vistoriador Roni e o recepcionista Little John, que usávamos para cercar os muquifos cada um numa esquina ou num ponto estratégico empunhando uma 12… Sem balas naturalmente. – Eu não seria doido de colocar dois cartuchos na espingardona e deixa-la na mão de policiais ‘ad-hoc’, ainda que soubessem manusear melhor do que eu! Mas não eram policiais de verdade! – Mas os meliantes não sabiam que o trabuco estava desarmado. Bastava colocar a cabeça sobre o muro e ver a cara de mau do Joãozinho segurando a 12 que eles baixavam o topete! Foi assim que em pouco mais de um ano a ‘equipe de fora’ – formada por dois detetives veteranos prestes a se aposentar, um detetive cheirando à Acadepol e dois ‘bate-paus’ forçou a bandidada de Santa do Sapucaí a tirar férias no Hotel Recanto das Margaridas em 2007. A pressão nos bandidos era tanta que alguns desistiram de roubar. Teve um que, sentindo-se acuado, devolveu espontaneamente a res furtiva. Numa noite fresca de fim de semana dois meliantes entraram na fazenda do Waguinho Capistrano e passaram a mão leve em seis pesadas roçadeiras costais usadas para derriçar café. Um dos ratos de fazenda era um velho meliante do bairro Recanto das Margaridas egresso de um presidio do interior paulista. Apreendemos uma delas com um intrujão no Bairro Jose Gonçalves e apuramos o furto. Faltava encontrar os ladrões e recuperar as outras cinco. Apertamos o cerco. Levantamos de madrugada varias vezes. Detivemos meia dúzia de suspeitos e colocamos no piano do escrivão Erasmo. Chegar aos meliantes mãos leves e apresentar-lhes as pulseiras prata, era questão de tempo! Uma bela manhã recebi um telefonema…
– As roçadeiras que vocês estão procurando estão numa casa de colono abandonada na entrada da fazenda do Waguinho, pela estrada que vai para o Bom Retiro… Nós as devolvemos lá esta madrugada. Agora vê se me deixa em paz! – falou o meliante com voz de quem comeu jiló!
Nós deixamos ele em paz. E ele também! Nunca mais foi visto na cidade. Deve ter voltado para o interior de São Paulo onde cumprira vários anos de cadeia por furtos e roubos!
Não éramos nada especiais. Éramos apenas e tão somente policiais com disposição para trabalhar. Éramos pagos para isso e gostávamos do que fazíamos.
O ano de 2007, excetuando o trafico de drogas que não dávamos conta de combater com tão parcos recursos humanos e materiais – as grandes prisões subsequentes de quadrilhas inteiras de traficantes resultaram de investigações encetadas através de escutas telefônicas! – corria com certo marasmo. É que quase todos os meliantes que insistiam em ficar na cidade estavam hospedados no presidio “modelo” do Sul de Minas inaugurado em abril de 2009. Eu disse “quase”! Restavam dois ou três recalcitrantes que ainda não haviam perdido o habito de brincar de ‘pagar’ cadeia! Acostumados com a vida mansa de serrar grades ou furar tatu e dobrar a serra do cajuru, eles viviam fugindo do presidio. Fugiam e como não tinham para onde ir, passavam uns dois ou três dias mocosados em casa de parceiros do crime. Depois voltavam para o quintal de casa. Bastava esperar uns três ou quatro dias para visita-los e leva-los de volta. Eles nos acompanhavam numa boa. Estendiam os braços para receber as pulseiras de prata e nos seguiam alegres contando suas bravatas. Só tinha um detalhe: Tínhamos que visita-los enquanto dormiam… Se estivessem acordados e um trabuco à mão, poderiam “impor condições” para nos acompanhar! Ou então… “Me pegue se for capaz”! O céu era o limite. Muros, quintais, cafezais, mata ciliar do velho Rio Sapucaí…!

Corriam mais do que gazelas tentando fugir dos leopardos na savana! Por isso nossas visitas aos fujões tinham que ser sempre antes de o sol mostrar os bigodes, para pegá-los ainda nos braços de Morfeu!
Taylor, “Fidelio” e “Pinta” eram nossos anfitriões para o café daquela manhã de 06 de setembro de 2007…
Taylor era um baixinho de olhar doce e triste, cuja cara de anjo de asa quebrada escondia um sujeito mau, capaz de apertar o gatilho de um trabuco apontado para o peito do desafeto sem tirar o sorriso tímido do rosto. Ou de cravar uma lapiana no abdome do inimigo e girá-la no sentido horário até ver seu último suspiro. Aliás, fora mais ou menos assim que ele e outros quatro comparsas mataram “Peixeira” num cafezal no final de 2006 no Bairro Pouso do Campo.
Fabio Junior, o “Pinta”, morador do Chalé, tinha um perfil indecifrável! Às vezes parecia e agia como “João sem braço”! Às vezes como um cínico; e outras vezes como um psicopata. Costumava fugir do presidio e ir se mocosar no muquifo dos Sambeiros, dois quarteirões abaixo da cadeia. Ganhei até apelido de “Véio do Muro” de tanto prendê-lo tentando fugir de lá. Mas esta já é outra historia! A parte cínica de Pinta se juntou à parte psicopata no dia em que ele matou Gustavo, irmão do Foinha, no corredor da cadeia com 62 facadas…
– Eu matei ele para me defender, doutor… Senão ele ia me matar! – disse ele solenemente banhado em sangue do desafeto.

Fidelio, alto, magro, um pouco mais maduro, era menos violento. Não tinha muita pena para cumprir. Mas como vivia fugindo, nunca pagava seu debito com a lei. Aquela manhã de 06 de setembro era a quarta vez que me recebia para o café da manhã. – Que, por causa da pressa, era sempre servido no quarto! – A primeira vez ele chegou a abrir a janela para pular, mas vendo que cairia nos meus braços, preferiu ficar no cantinho da parede, atrás da janela. Na segunda vez foi pego com a calça – literalmente – na mão tentando vesti-la. Na terceira quem viveu alguns segundos de suspense e medo fui eu… Ao abrir a janelinha deparei com o quarto na penumbra, em silencio, arrumadinho. Sobre a cama havia dois vultos envoltos na coberta! Pensei com meus botões:
– Será que é “pegadinha”!?
Com o cano frio do trezoitão niquelado, coração batendo acelerado, em suspense, sem piscar, levantei lentamente o edredom e… Surpresa!!! Lá estava Fidélio! Encolhido, com cara de ressaca…! Sem abrir a boca – ele era mesmo de pouca prosa, ainda mais quando subjugado! – deve ter praguejado…
– PQP Chips, me dá sossego! Me deixa dormir em paz…!
Em silencio se levantou, colocou uma bermuda sobre a cueca, vestiu a camiseta do dia anterior, calçou um par de havaianas, estendeu os braços e saltou pela janela baixinha para nos acompanhar. Só quando pulou a janela o outro vulto descobriu a cabeça para lançar um olhar faiscante de ódio sobre nós! Como se nós fossemos o bandido, e não o seu marido!
Agora estava eu ali novamente para prender o fujão Fidélio. Pela quarta vez em pouco mais de um ano!
Das vezes anteriores, embora não tenha tido tempo de saltar a janela e vazar pelos fundos do quintal para dobrar a serra do cajuru e se enfurnar na mata ciliar do Rio Sapucaí, ele pelo menos teve tempo de acordar… Por causa do latido dos vira-latas! Eram três. Todos da sua sogra, naturalmente. Havia um pardo e um malhadinho, pequenos, que latiam ardido durante todo o tempo de nossas visitas. Que nunca passava de dois ou três minutos. Nenhum deles nos faria mal. Mas havia um vira-latas de porte médio, mestiço, ‘fisionomia’ de Pitt Bull, pelagem de Pastor Alemão e biotipo de Pastor de Mallinois mais ou menos, que inspirava cuidados. Toda vez que eu pulava o muro amanhecendo o dia, ele vinha me cumprimentar com a boca aberta exibindo seu melhor sorriso de dentes alvos! Ele mostrava os dentes e eu mostrava o trabuco niquelado com seis azeitonas, e seguia avançando pela varanda rapidamente em direção à janela do último quarto da casinha amarela. Enquanto eu seguia com um olho nele e outro na janela… Ele ia se afastando resmungando alguma coisa do tipo:
– Quem te deu permissão para invadir meu quintal e me acordar a esta hora da manhã, seu mané? Solta esse pau-de-fogo se você for homem e cospe aqui, vai…!
Como eu não tinha nada pessoal ou profissional contra ele, eu o ignorava e seguia firme em direção à janela. Ignorava até certo ponto! Vai saber o que passa pela cabeça de um cão geneticamente indefinido defendendo seu quintal! Eu só relaxava mesmo quando um dos parceiros que viera dos fundos adentrava o quintal empunhando também seu trezoitão oxidado ou o Little John com a 12 sem cartuchos… Nessa hora o mestiço, ainda com cara de poucos amigos, ia se deitar debaixo de uma laranjeira no fundo do quintal dizendo entre dentes para mim…
– Já vão tarde! Vê se vem sozinho e sem o pau-de-fogo da próxima vez… Se tiver coragem! Viu te ensinar a entrar no quintal dos outros de madrugada sem pedir licença…!
Aquela manhã de 06 de setembro, despedida de 27 anos de trabalho policial, foi um pouco diferente. Ao pular no quintal do Fidélio – pela quarta vez – com o dia ainda turvo, tive que puxar o gatilho!
No meu ultimo dia como detetive, depois de 27 anos de trabalho policial, como fazia ao menos uma vez por semana, levantei às 05h20 da manhã no alojamento da velha delegacia da Quintino Bocaíuva. Acordei os colegas pelo telefone, lavei o rosto para acordar de vez, me vesti, coloquei o coldre de perna por cima da calça jeans, verifiquei o trabuco niquelado, peguei o Palio – o único veículo confiável da DP – e fui esperar o Roni na cabeça da ponte, em frente o histórico prédio “Secos & Molhados”, antes de amanhecer… Dali seguimos para a casa do Fidélio na velha Rua do Queima. Benicio, que morava no Fernandes pegou carona com o Kleber, que trouxera também o Little John. Quando eles viraram a esquina para cercar os fundos eu saltei do Palio já desligado, subi no muro e saltei no quintal do Fidélio. E saltei quase em cima do meu velho amigo de dentes alvos! Mestiço estava dormindo há pouco mais de um metro do muro! De repente eu me vi ali cara a cara com meu velho amigo de genética indefinida. Cara a cara mesmo!!! Quando ele se pôs de pé com o susto e eu me abaixei com a flexão das pernas para amortecer a queda do muro, nos vimos a poucos centímetros do focinho um do outro… Dava para sentir o hálito quente de dentes sem escovar um do outro! Mestiço não sabia o que fazer. Durante um segundo ou dois que ele ficou ali jogando saliva quente na minha cara pensando se corria ou se me enchia de abraços e beijos ardentes, eu lhe dei uma sugestão… Apertei o gatilho! Tive o cuidado de mirar… Dois centímetros ao lado da orelha esquerda do velho amigo Mestiço. Anfitrião de tantas operações “café da manhã com meliante”! Se ele estivesse vestido podíamos dizer que foi um tiro à queima roupa! No caso do Mestiço, acho que foi um tiro à queima bigode ou queima pelos…! Os cães, sabemos, tem o sentido auditivo extremamente aguçado. São capazes de ouvir o tropel de um cavalo muito antes de ele surgir na curva da estrada e saber se ele vem só ou se trás o cavaleiro chapeludo no arreio… Imagine o estrondo que ele ouviu há poucos centímetros do ouvido! Que maldade! Mas eu estava estritamente dentro da lei… da sobrevivência! Era ele ou eu! Ou quem sabe: eu ou seu dono Fidelio fujão! Eu não podia perder tempo dando explicações ou pedindo desculpas ao Mestiço… E a azeitona quente foi se cravar no chão de terra batida quase debaixo do pé de primavera lilás no quintal do Fidélio, a poucos centímetros da pata esquerda de Mestiço. Ele nem quis mais conversa. Com o rabo entre as pernas foi se deitar debaixo do pé de laranjeira onde ficou tremendo por uns minutos, com o focinho encostado no chão, olhando por cima dos óculos. Talvez querendo dizer…

– Caramba! Escapei por um triz… Acho que vou ficar surdo…! Nunca mais brinco com o Chips. Nunca mais chamo ele de ‘Mané”!
Aquela manhã Fidélio, se estivesse em casa, não se esconderia atrás da janela e nem debaixo do edredom… Provavelmente se esconderia debaixo da cama! Mas ele não estava em casa. Desta vez conseguiu levar a melhor. Mas ainda assim o placar terminou em 3×1 para os homens da lei!
O pequeno – e perigoso – Taylor também não dormiu em casa naquela quinta feira. Ou então saiu mais cedo, pois quando chegamos à sua casa no Recanto das Margaridas, só o pó…! Alguns meses depois soubemos que ele fora preso na cidade de São Lourenço.
Mas meu ultimo dia de trabalho não passaria em branco. Ao menos um passarinho eu tinha que devolver à gaiola. Sob pena de prorrogar a aposentadoria! Quem dançou sem música naquela manhã de 06 de setembro foi o cantor Fabio Junior, quero dizer, o meliante Pinta. Pela enésima vez ele foi surpreendido no mocó dos Sambeiros, agarrado com uma das irmãs do Vando.
Aliás, nunca entendemos porque Pinta fugia da cadeia e ia se esconder a dois quarteirões dali na casa dos Sambeiros… O Hotel Recanto das Margaridas era muito mais limpo!
Enfim, meu ultimo “Café da Manhã” figurado, terminou como sempre literal… Na mesma pastelaria de sempre no mercado Municipal de Santa Rita do Sapucaí, comendo pastel de carne – leia-se: batata! – com café para comemorar o êxito da missão. Esta manhã tinha um motivo a mais… Comemorar 27 anos de atuação policial, vivo, e sem máculas, com muitas aventuras perigosas – e outras nem tanto – e outras tantas divertidas!
O Mestiço sem definição genética de raça da Rua do Queima faz parte delas…!

Obs: só agora, relendo essa crônica, me dei conta de que comemorei minha aposentadoria – no final de uma carreira arriscada e ingrata – com café e pastel de farinha de milho, ao pé da manhã, no mercado municipal de Santa Rita do Sapucaí…!

Por que os cães não atacavam Fernando da Gata?

Há 35 anos, no final do mês de agosto de 1982, Pouso Alegre vivia seu pior pesadelo: Um “misterioso bandido, com parte com o demônio, capaz de dominar ferozes cães dobermanns, invadia mansões e roubava e estuprava as mulheres na frente de seus maridos…”!

Toda cidade tem uma história de bandido para contar. Algumas tem mais de uma. Pouso Alegre, no Sul de Minas, hoje – 2017 -, com 147 mil habitantes, também tem suas histórias.
O mais ilustre bandido que passou por Pouso Alegre foi o cirurgião plástico Osmany Ramos. Ele, no entanto, não cometeu nenhum crime em terras manduanas. Ele apenas passou por Pouso Alegre vindo de Inconfidentes, onde foi preso em uma chácara. Osmany ficou poucas horas na cidade, em 1996, antes de ser levado pela polícia federal para o Rio de Janeiro. Mas foi o suficiente para causar um tremendo frisson quando foi levado ao hospital regional Samuel Libanio para se submeter a exames de ‘corpo de delito’.
O famoso – às avessas! – que passou como um furacão por Pouso Alegre e deixou sua indelével marca, foi Fernando Soares Pereira, o “Fernando da Gata”. E deixou um rastro de medo, de fatos e de boatos. Ficou menos de uma semana na cidade. Tão sorrateiro como agiu nas caladas da noite o bandido se foi, levando quilos e toneladas de joias! Quilos de anéis, cordões e pulseiras de famílias abastadas da cidade… E toneladas de dignidade! Ele estuprou quatro recatadas senhoras, esposas de ricos empresários… Na frente dos seus maridos!
Fernando da Gata, que viera famoso de Russas, no Ceará, fez escala na capital paulista e bem que tentou mudar de vida… trabalhou alguns meses na construção civil. Mas seu ‘talento’ criminoso era por demais grande para ser desperdiçado debaixo de sacos de cimento, pilhas de tijolos e latas de concreto! Fernando da Gata nascera talhado para grandes empreitadas… Ainda que fossem para o mal! Em poucos meses de atividade criminosa na capital paulista, o eldorado dos nordestinos, o baixinho cearense colocou toda a polícia civil paulistana nos seus calcanhares. E a imprensa, ávida por furos jornalísticos, também!
Foi assim que, para dar folga às madames paulistanas, o assaltante solitário foi parar em Pouso Alegre no final de agosto de 1982, mês do ‘cachorro louro’! Não por acaso, de todos os predicados atribuídos a Fernando da Gata, o principal, era exatamente sua capacidade de acalmar e dominar ‘cachorros loucos’! Não eram exatamente loucos, mas eram ferozes cães de guarda, especialmente os esguios ‘Dobermanns’, os quais reinavam nos quintais das mansões naquele começo de década, depois que a luzes eram apagadas! Ninguém ousaria entrar nos quintais na calada da noite. Ninguém. Menos… Fernando da Gata!
Os donos das casas até ouviam os latidos ferozes dos seus ‘dobermanns’ no meio da noite. Mas quando se arriscavam a abrir a porta ou espiar pela janela, lá estava o amigo fiel sentado num canto do quintal! Atento, mas silencioso. Como se tivesse visto apenas um gato em cima do muro, mas o intruso já tivesse ido embora. Minutos depois o gato, quero dizer: o “da Gata”, estava no seu quarto apontando um trabuco para o seu nariz!
Mas como o esguio Dobermann parou de latir e se aquietou no canto?
Esse foi o grande mistério que Fernando da Gata levou com ele no crepúsculo de um dia frio de inverno, no começo de setembro, nas margens do Rio Sapucaí, há poucos quilômetros de Santa Rita do Sapucaí, uma semana e meia depois de protagonizar a maior caçada policial da história e colocar Pouso Alegre no cenário nacional com suas façanhas. Fernando da Gata não matou os cães de guarda. Sequer tocou em algum cachorro! Ou talvez tenha tocado… para lhes fazer um cafuné!
– Como pode, um cachorro que quase pula muros para atacar quem passa no passeio do lado de fora, ficar quietinho no canto do quintal enquanto o bandido entra e arromba a porta da casa do dono? – Perguntavam as pessoas com os olhos arregalados.
– Ele tem parte com o demônio! – Respondiam umas, fazendo o sinal da cruz!
– Ele hipnotiza os cães…! – Diziam outras, incrédulas.
Seu fascínio sobre os ferozes Dobermanns – ou o contrário! – virou mito.
Mais de vinte anos depois… desvendei o mistério. E matei o mito!
A saga de Fernando da Gata, sua passagem por Pouso Alegre, sua caçada por dezenas de policiais e sua morte solitária na beira do rio, apesar de muito propalada na época, nunca foi bem contada! Menos de meia dúzia de pessoas sabem o local exato onde seu corpo tombou e agoniou no crepúsculo daquela sexta feira!

Voltemos ao mistério do fascínio dos dobermanns pelo bandido…

Seguíamos na velha Parati pela rua do Asilo à procura do Marcelo da “Katião”, quando o avistei. Ele estava sentado no barranco do Distrito Industrial, de frente para a quadra poliesportiva da Vila Operaria, fuçando num celular. Pensamos rápido. Paramos, saltei e pedi aos colegas Benicio e Kleber que seguissem em frente, fizessem o contorno e chegassem por trás. E fiquei na esquina na entrada do beco que dá acesso à quadra. Por cima do muro eu observava Marcelo – identificado como autor de vários furtos à residências, – sentando solenemente no barranco namorando o celular. A vinte centímetros à sua direita, sentada no traseiro, estava sua fiel cadela Pitt Bull malhada.
Ao ouvir o chacoalhar da velha Parati, Marcelo olhou para a esquerda, viu o perigo se aproximando, engatou uma primeira e desceu o barranco em direção à quadra. Deu apenas dois passos. Antes do terceiro, uma azeitona quente saída do meu 38 cravou-se na terra argilosa do barranco, a poucos centímetros do seu tênis sem meia.
Minha preocupação era com a Pitbull malhada ao seu lado. Você se arriscaria a prender um sujeito com uma Pitbull à tiracolo? Eu não. – Certa vez, no começo de carreira, prendi e atravessei meia cidade com um ladrãozinho de residências numa chave de braço. Mas ele não tinha uma Pitbull malhada! – Só me atrevi a barrar o caminho do meliante na descida do barranco porque eu estava atrás do meu inseparável companheiro; um Taurus calibre 38, oxidado cano reforçado. E para mostrar minha coragem fui logo apertando o gatilho e avisando:
– O próximo vai meio metro para cima!
A freada de Marcelo no meio da descida foi tão brusca que ele precisou se equilibrar na ponta dos pés. A surpresa maior foi a atitude da cadela malhada. O indicador continuava suado no gatinho do trezoitão, pronto para puxá-lo quando ela desse o bote, mas não… A cadela não disse uma palavra! Assustada, surpresa, apavorada, sem saber de onde viera o tiro, a exemplo do dono, ela se limitou a parar instantaneamente a trinta centímetros dos pés dele. E ficou imóvel com o traseiro na terra. Passado o perigo? Não sei. Eu não perguntei. E a cadela preferiu o silencio. Mantendo uma distância segura, para economizar bala, ordenei que Marcelo voltasse de fasto até o alto do barranco onde a Parati já esperava com o ‘forninho’ aberto. Além do primeiro e único tiro, toda a ação foi rápida, curta e silenciosa, como aliás devem ser as abordagens policiais em locais públicos. Orientado por nós, Marcelo só precisou usar uma frase, quando a cachorra levantou as patas dianteiras para embarcar com ele no forninho:
– Vá pra casa, Malhada!
O mandado de prisão temporária era apenas para seu dono! Por isso não podíamos levar a cadela presa. Sua passividade diante do meu trabuco, no entanto, acendeu-me uma pequena centelha sobre o comportamento dos cães diante de um trabuco…

Tempos depois o comportamento de outra Pitt Bull de bandido ajudou-me a desvendar o mistério dos Dobermanns de Fernando da Gata.
A primeira vez que subi o muro dos fundos da casa do traficante Toby, no bairro Monte Belo, dei graças à Deus pelo fato de o muro ser tão alto. Quando sentei no muro a cadela muito parecida com a do Marcelo da Katião deu-me o ultimato:
– Não desça aqui no meu quintal, senão te estraçalho – disse a PitBull de tetas ainda salientes pelo fim da amamentação, mostrando todos os dentes! Mas eu desci… Desci depois que Toby, ao ver sua casa cercada pelos fundos, pela frente e pelos lados, trancou a cadela no canil!
Tensão maior, muito maior, aconteceu diante da cadela do Toby, na ultima vez que ela nos recebeu para um café da tarde. O problema é que naquele dia Toby não estava em casa para protege-la. Usei o mesmo caminho de sempre: o muro dos fundos. Enquanto eu conversava com a cadela, ainda em cima do telhado, os colegas entraram pelo muro da frente. Toby já estava mais famoso. Por isso éramos um grupo bem maior. Além dos colegas Benicio e Kleber, havia outra equipe da policia militar. Aos poucos e com cautela fomos nos aproximando e encurralando a fera. Até que ela viu de perto nove canos frios e escuros apontando para o seu focinho. E aí aconteceu a surpresa: a cadela Pitbull malhada baixou ainda mais a cabeça, colocou o cotó de rabo entre as pernas e pediu pelo amor de Deus para ir ficar quietinha no final do corredor, vigiando o tapete, defronte um quartinho no quintal. O detalhe é que ela tremia mais que folha de coqueiro em tempestade!
Quanto ao medo da cadela, não entendíamos nada. Já o fato de postar-se ao lado da porta do único cômodo do imóvel que ainda não havíamos ‘varrido’, segundo nossas deduções cachorrísticas, significava uma coisa só: era naquele quartinho dos fundos, com apenas uma janela e uma porta, que o nosso anfitrião estava! Para exibir-lhe as pulseiras de prata tínhamos que entrar lá. Pela janela, trancada por dentro, era impossível. O jeito era entrar pela porta de madeira. Mas a porta estava no final do corredor de três metros de comprimento. Teríamos que dividir o espaço de 90 centímetros de largura com a cadela malhada defendendo, provavelmente, seu dono…!
Quem se arriscaria?
Nenhum de nós.
Nenhum de nós, não. Mas os nove juntos, sim! E entramos enfileirados no corredor. Entramos perfilados, pé-pós-pé, esfregando lentamente as costas na parede, coração batendo a cento e cinquenta. Dezoito olhos sem piscar, cravados na cadela! Nove canos frios naquele corredor sombrio todos apontados para a cabeça grande e disforme da malhada tremendo. Ela nunca esteve numa corda tão bamba! E presenciamos uma cena improvável! De dar dó! À medida que o corredor atrás de nós foi ficando livre depois da nossa passagem, a cadela lentamente foi se levantando, mal se parando em pé nas pernas bambas de tanto que tremia! À medida que passava por nós, os canos frios dos trabucos se aproximavam mais da sua cabeça! Se ela arriscasse uma careta, ou exibisse os dentes, ou dissesse um ‘au’, um ‘auzinho’ que fosse, todos nós ficaríamos surdos… com a saraivada de balas que seriam disparadas naquele apertado corredor sem saída!
Naquele dia tenso erramos o bote. Toby não estava no quartinho! E nem na casa. Depois de ver o ultimo de nós pulando o muro da frente de volta pra rua, a cadela malhada colada num cantinho do quintal parou de tremer. E deve ter pensado: “Ufa!!! Essa foi por pouco. Quase morri do coração”!
A tremedeira da Pitbull do Toby não foi em vão. Ajudou a entender porque os cães não atacavam Fernando da Gata…!
Eram cerca de quatro da tarde de um dia qualquer da semana quando o capitão Daniel nos parou no meio da rua e sem descer da viatura falou:
– Vamos dar uma busca na casa do Kinoche! Estou com pouco pessoal… Precisamos do apoio seus!
Kinoche vivia na lista negra da PM, mas eu não conhecia seu endereço. Segui o capitão. Ele entrou pela rua do Queima, virou para os Fernandes, parou na lateral da casa e disse:
– Aguenta aqui no portão do fundo que eu vou apresentar o mandado na porta da frente, na esquina.
Quando percebi que ele entrou com seus homens, empurrei o portão de aço, corrediço, e enfiei a cara antes que Kinoche ou um possível comparsa saísse pela porta da cozinha…
Que susto!!!

O bote do Rottweiler quase engoliu meu braço! Só não engoliu porque na frente do braço estava o trezoitão niquelado. A baba do imenso cão preto chegou a molhar o cano do trabuco. E não era só ele. Dois passos atrás, na ponta de uma corrente, um Pitbull branco, jovem, dizia com todas as letras que ia me estraçalhar tão logo arrebentasse a coleira ou a corrente!
Não sei se foi o bom senso, a coragem, ou o medo que me imobilizou ali naquele vão de portão na entrada do quintal, a centímetros daquelas bocarras. Uma coisa eu sabia: se virasse as costas, antes de dar três passos eu sentiria aquela mandíbula quente e babona, na melhor das hipóteses, na minha panturrilha! Mas poderia ser na nuca! Quando o capitão Daniel ou outro colega meu conseguisse retirar o monstro negro e raivoso de cima de mim, eu não teria mais condições de contar histórias…! Por isso mesmo eu continuei ali naquele portão. Estático, mão esquerda apoiada na parede da casa e a direita tesa, apontando o trabuco para o centro da testa do animal que sapateava sem coragem de dar o bote. Não sei quantos minutos durou aquela cena. Só sei que com o passar do tempo, o Rottweiler foi baixando o tom. O Pitt Bull foi afrouxando a corrente. O Rottweiler já admitia dar uns passos para trás, em círculo. O Pitbull, talvez percebendo que eu não puxaria o gatilho, também admitiu recuar. Meu coração também foi desacelerando… Ao cabo de um tempo que não medi no relógio, Rottweiler e Pitt Bull estavam sentados no fundo do quintal, perto de suas marmitas vazias. Estavam bem de frente pra mim, de olhos arregalados, mas quietos. Não sei se continuariam assim passivos se eu colocasse o trabuco no coldre.
Quando vi a silhueta gigantesca do capitão Daniel na cozinha, acompanhado da mãe do Kinoche, e conclui que a situação estava sob controle, finalmente me afastei do portão. Mas saí de fasto. Só desgrudei os olhos da ‘dupla’ e baixei o cano do revólver quando encostei o portão de ferro na parede da casa.
Os latidos, o hálito quente, a baba, a ferocidade daqueles dois cães de guarda a menos de um metro do meu braço ficaram ecoando na minha mente o resto do dia!
– Que risco eu corri! – pensava eu.
– Mas porque o Rottweiler não me atacou…? – Confabulava eu com meus botões.
Só bem mais tarde entendi.
Só bem mais tarde conclui que os cães são mais inteligentes do que parecem. O cão sabia que se desse um passo a mais… para comer carne branca e rija do maduro policial, comeria apenas azeitona quente
O auge da experiencia sobre o comportamento dos cães de guarda diante do perigo, certamente foi naquele final de tarde, no portão entreaberto do quintal do Kinoche.
Mas houve outros momentos de ‘estudo’ do comportamento canino. Antes e depois daquele dia.
A ultima experiencia aconteceu exatamente no derradeiro dia de trabalho deste policial, no dia 06 de setembro, na Rua do Queima. Eu e o cão já éramos velhos conhecidos… e velhos desafetos! Mas desafetos leais, que sempre se respeitaram… desde que eu levasse na mão direita o trabuco! Eu já estava acostumado a pular aquele muro. Era a quarta vez. – Numa delas o dono do cão sequer se deu o trabalho de levantar-se da cama! Para ver seu rosto tive que usar o cano do Taurus para levantar o edredom…! – E sabia que o mestiço estava ali. Só não sabia que naquela manhã ele estava tão perto! Quando pulei o muro quase caí em cima dele. Difícil saber quem se assustou mais…! Ali, cara a cara, na penumbra desmaiada da noite que ainda não havia jogado a toalha, a três palmos um do outro, sentindo o hálito quente um do outro…! Não sei se ele usaria os dentes, talvez de susto..! A distancia entre nós era muito curta… O tempo para nós era muito escasso! Tão escasso que nenhum dos dois poderia esperar a iniciativa do outro. Quem agisse primeiro ocuparia o espaço do outro… E eu agi! Só havia um jeito de ter certeza de que Mestiço não usaria os dentes! Tive que apertar o gatilho!
Mais com o vácuo provocado pela bala quente do trezoitão do que pelo medo, o meu amigo Mestiço – um vira-latas pardo, de porte médio com cara de Pitbull – deu um salto para o lado e foi sentar-se, como de habito, debaixo do limoeiro. Enquanto eu atravessava a varanda para bater na janela do quarto do seu dono, ele continuou praguejando. Mas não escutava o próprio latido. A bala passara a poucos centímetros do seu ouvido esquerdo. Estava surdinho da silva…!
Com estas e outras experiências caninas vividas tão de perto em Santa Rita do Sapucaí, aprendi, 25 anos depois, porque os cães não atacavam Fernando da Gata! Por instinto ou inteligência… eles sentem o perigo! Desconfio até que eles conhecem o velho jargão dos humanos:
“Melhor um covarde vivo do que um herói morto”.
É por isso que nem mesmo os esguios e indecifráveis Dobermanns não atacavam Fernando da Gata…! No primeiro momento eles bem que tentavam. Pulavam, sapateavam, dançavam… Faziam aquela balburdia toda. Se aproximavam até uma distância segura! Mas sabiam que um passo a mais seria fatal.
Se os Dobermanns pudessem saber o que aconteceria à Fernando da Gata alguns dias depois, eles poderiam se vingar com o trocadilho:
“ Que se vá os anéis… Mas que fiquem os dedos”!
Pois o famigerado bandido Fernando da Gata, levou quilos de joias de Pouso Alegre, e foi enterrado em sua terra natal como herói… Mas sem os dedos!!!

* Hoje, 03 de setembro de 2017, faz 35 anos que “Fernando da Gata” foi morto num confronto com a polícia de Pouso Alegre.
“Os últimos dias de Fernando da Gata”, contados por este repórter, estão na página 91 do livro “Meninos que vi crescer”!

PM atropela mula na MG 179

‘O’ mula levava dez quilos de maconha de Alfenas para Santa Rita do Sapucaí

O cidadão trafegava tranquilamente pela rodovia MG 179, ao pé da noite desta terça, 15, pensando na morte da cabritinha, ou quem sabe no lucro que obteria com a entrega da encomenda que levava num fundo falso do VW Gol, quando de repente avistou uma blitz policial na beira da estrada, perto de Silvianópolis! Mais que depressa chamou o carro na chincha e foi parar no acostamento. Na verdade nem parou! Num movimento brusco tentou tomar outra direção… livre de policiais! Tarde demais. Ao ser abordado o motorista Rodrigo Elias Rennó, 35, morador de Alfenas, assustado que ele só, disse que o seu carro havia “rodado” na pista. Mas quem rodou foi ele. Numa busca acurada no interior do Gol, os policiais encontraram o motivo da ‘rodada’ na pista… 15 tijolos de maconha! A droga estava mocosada dentro do forro lateral traseiro.
Casa caída, Rodrigo admitiu que estava levando a droga de uma biqueira de Alfenas para um cliente de nome J.C.S. em Santa Rita do Sapucaí.
O mula de Alfenas, figurinha fácil no álbum da policia, e que, não por acaso atende pela alcunha de “Rodrogas”, continuou viagem. Mas fez escala na DP de Pouso Alegre, sentou ao piano, assinou -pela terceira vez! – o 33, e foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

Jovem recebe tiro no olho na festa de aniversário!

Teria sido acidente! Ou… Roleta Russa!?

O incidente aconteceu no início da tarde deste sábado na vizinha Santa Rita do Sapucaí. Segundo testemunhas, vários amigos, todos entre 17 e 19 anos, estavam no Rancho Preguiça comemorando o aniversário antecipado de Gabriel Henrique de Assis – que fará 18 no próximo dia 15 – quando ele foi baleado. O tiro de revólver calibre 32 acertou seu olho esquerdo e o projetil se alojou na cabeça. Henrique foi levado para o hospital local e depois para o Regional Samuel Libânio em Pouso Alegre onde passou por cirurgia. Apesar de ter perdido a visão do olho direito, seu estado clinico é estável.
O autor do disparo foi preso no local. Alan Vitor dos Santos, 19, anos, disse que estava manuseando o trabuco quando o tiro disparou. Um dos seus amigos jogou o revolver num terreno baldio perto do rancho, onde foi encontrado e apreendido pela policia. O revolver Taurus calibre 32 continha duas capsulas; uma intacta e outra deflagrada. Nenhum dos presentes na tenebrosa festa assumiu a paternidade da arma.
Alan Vitor dos Santos, o autor do disparo, sentou ao piano do paladino da lei na delegacia de plantão em Pouso Alegre e assinou o 129 do CP. Ele vai responder por porte de arma e lesão corporal gravíssima.
Em 2002 o garotão Bruno Lopes, então com 14 anos, deu um tiro na testa de um amiguinho no bairro São João em Pouso Alegre. O amigo, da mesma idade dele, morreu na hora. Bruno, órfão de pai assassinado a machadadas pela própria mãe, e irmão de um dos mais sorrateiros gatunos de Pouso Alegre nos anos 80, morto no velho Hotel da Silvestre Ferraz na década de 90, disse que estava manuseando a arma e ela disparou ‘acidentalmente’. Na ocasião nós apuramos que Bruno e outros quatro amigos, entre 13 e 15 anos, estavam brincando de “roleta russa”…!

Fusca, moto e celular, o prato do dia dos meliantes de plantão… De novo!

Mais um final de semana de poucos crimes em Pouso Alegre e região do 17º Departamento de Policia Civil e Militar. Aconteceram poucos, mas aconteceram.

O crime mais grave aconteceu na vizinha Santa Rita do Sapucaí, onde um jovem deu um tiro de 32 no olho do amigo numa festa de aniversario. O garoto está internado no nosocômio regional; o atirador está preso; e a policia está investigando se foi acidente ou …”Roleta Russa”!
O melhor trabalho policial foi a apreensão de cerca de quatro quilos de ‘farinha’ na Baixada do Mandu. A droga estava com o traficante Preto Areia. Ele e o motoboy Alvinho Boy foram presos tentando dobrar a serra do cajuru!
Para não emagrecer a estatística, um carro e uma moro foram furtados no município.
A moto Honda NX vermelha, ano 1990, estava em um barracão da residência do jovem Willian Nery, no bairro do Algodão. Seus pais estavam em casa, mas não viram quando o gatuno silencioso furtou o toucinho da janela!
O Sr. João Henrique também ficou sem seu VW Fusca – vejam só!!! Fusca ainda sendo objeto de desejo dos meliantes!!! O possante ressuscitado pelo então presidente Itamar Franco, em 1994, estava dormindo na porta da casa do João Henrique, no Recanto dos Fernandes quando acordou nos braços de um estranho e foi embora com ele!
Outro crime que não poderia faltar no cardápio do final de semana é o de “menina dos olhos”! A vitima da vez foi um garotão de 15 anos que passava pela Cel. Otavio Meyer, no coração de Pouso Alegre na noite ainda criança de sábado. Um guampudo careca, magricela, moreno claro, feio e tenebroso se aproximou e fez a abordagem clássica:
– E ‘aê’ mano… Você tem horas? – Perguntou o João Ratão.
Quando o ingênuo garoto retirou o celular da algibeira para ver as horas, João Ratão retirou o celular da sua mão! E dobrou a serra do cajuru. Para garantir que o adolescente não iria ‘atrasar seu lado’, João Ratão sacou uma faca da cintura e colocou bem pertinho do seu pescoço!
A PM registrou, rastreou, mas não encontrou o João Ratão que tomou a ‘menina dos olhos’ do garoto!

Simplório & Finório atacam novamente – parte I

… E atacam em grande estilo! A dupla de vigaristas conseguiu vender um bilhete premiado a uma experiente senhora por quase cinco mil reais!!!

Dona “Maria” havia acabado de sair do trabalho, ao meio dia e meia, quando foi abordada por uma jovem no centro de Santa Rita do Sapucaí. A jovem disse que tinha um bilhete premiado, mas não sabia como receber o prêmio, por isso queria vender o bilhete por R$50 mil. Como de habito, antes que dona “Maria” emparelhasse ‘tico &teco’, surgiu finório! Ao contrario dos costumeiros ‘finórios’, que aparentam ser distintos cidadãos de meia idade, bem trajados, este era jovem. O rapaz primeiro deu um telefonema e “confirmou” que o bilhete de fato era premiado! Então se prontificou em comprar o bilhete em sociedade com dona “Maria”, pois ela tinha a ‘preferência’…!
Naturalmente dona “Maria” não tinha tanto dinheiro na bolsa. Eles então propuseram que ela fosse ao banco sacar a sua parte para comprar o bilhete em sociedade. E foram. Dona “Maria” ‘rapou’ até o último centavo das suas economias e conseguiu juntar R$4.800.
Após entregar o dim-dim à “Simplória”, dona do bilhete, como ‘prova de confiança’, seguiram os três no carro do “Finório” para Pouso Alegre, para receber a bolada da Mega Sena. Ao chegar à porta do banco ainda deram o ‘golpe de misericórdia…’:
– Deixe o celular aqui com a gente, pois no banco não pode entrar celular… – disse Finorio.
Depois de entrar numa agencia da Caixa Econômica Federal – que dona Maria nem sabe onde fica – e descobrir que o bilhete premiado era mais falso do que nora de três reais, dona “Maria” voltou furiosa para a rua a procura da dupla, mas… ficou só com o cabo do guarda-chuva na mão!
O detalhe mais intrigante neste caso, é que, quando foi abordada no centro da cidade, dona “Maria” não portava nem dinheiro, nem lenço e nem documento. A dupla então sugeriu que ela fosse até sua casa buscar os documentos para poder sacar o dinheiro no banco enquanto eles esperavam por ela no mesmo, local … E ela foooooooooooooooi!!! E não contou seu ‘segredo’ a ninguém!
A caminho de casa para pegar os documentos, Dona “Maria”, – que na verdade é nome fictício de uma experiente senhora de 69 anos moradora do bairro Maristela, família de tradicionais comerciantes de Santa Rita do Sapucaí – passou a poucos metros do quartel da PM. Se ela tivesse contado aos policiais que estava indo ao banco buscar uma fortuna da Mega Sena, o desfecho dessa história seria outro… Ela não teria ficado sem o celular e sem suas economias. E neste momento a região teria uma dupla de “Simplório & Finório” a menos aplicando golpes na praça! Mas… quem é que sai por aí dizendo que ganhou uma bolada na Mega Sena?

Policia Civil fecha ‘biqueira’ na Rua do Queima

E ‘queima’ dois traficantes e um nóia!
Os policiais chegaram ao local no momento em que o formiguinha atendia um cliente!

Lautair Aguiar Rodrigues há tempos andava na corda bamba da polícia civil de Santa Rita do Sapucaí. Segundo a investigação, ele era ‘empregado’ do patrão Edceu Ferreira da Silva e fazia distribuição de pedra bege fedorenta na sua residência, na Rua Capitão Vicente Ribeiro do Vale, a famosa Rua do Queima, que margeia o nordeste do Rio Sapucaí. De posse do ‘mandamus’ do Homem da Capa Preta da Comarca, os pupilos do delegado Diego Bruno armaram o bote para o início da noite desta quinta, 09. Ficaram na moita. Quando um dos incontáveis clientes da biqueira chegou para buscar uma pedrinha, eles deram o bote.
Durante as buscas na biqueira encontraram 36 pedras beges fedorentas e farta quantidade de material para dolagem de drogas. O mais interessante é que, o nóia que havia vazado ao ver a aproximação da polícia, voltou à biqueira minutos depois para concluir a aquisição da droga… E recebeu as pulseiras de prata.
Ainda durante as buscas na biqueira de “Tair”, seu patrão, Edceu Ferreira da Silva, chegou para fazer a coleta do montante do dia… E também recebeu as pulseiras de prata da lei.
Segundo a esposa do fornecedor Edceu, ele costuma levar diversos pacote de cédulas miúdas para casa – como se tivesse feito ponto na porta da igreja na Semana Santa!
O flagrante dos traficantes e do nóia foi lavrado na própria delegacia de polícia da Comarca e só terminou no meio da madrugada desta sexta,10. Wesley Aparecido Oliveira, 28, funcionário da prefeitura, assinou o 28. Lautair Aguiar Rodrigues, o “Tair”, 37, e Edceu Ferreira da Silva, 33, assinaram o 33 e foram se hospedar no Hotel Recanto das Margaridas.

Crime passional no Balaio

Rival foi morto com pauladas na cabeça!

O segundo homicídio do primeiro fim de semana de fevereiro na região do 17o Departamento aconteceu na fazenda Agua Preta, no bairro Balaio, na vizinha santa Rita do Sapucaí, capital do Vale da Eletrônica, a 30 quilômetros de Pouso Alegre.
A vitima é o adolescente Luiz Henrique Flavio, 17. Segundo o BO, foi crime passional. Ele estava na casa de Francisca Donizetti Lopes Souza, no inicio da madrugada deste domingo, 05, quando foi atacado pelo ex-companheiro dela, Dimas Nogueira Moreira.
Segundo Francisca, eles já estavam nos braços de Morfeu, quando Dimas arrombou a janela do casebre, agrediu Luiz Henrique com um porrete e o arrastou para o terreiro. Ainda segundo Francisca, quando Dimas arrastou Luiz Henrique para o terreiro, ela se trancou no interior do casebre com medo de também ser agredida e somente pela manhã percebeu que o garoto estava morto no quintal.
A pericia constatou que, além do traumatismo craniano, Luiz Henrique Flavio tinha também múltiplas lesões de defesa nos braços e mãos.
Um amigo de Dimas contou à policia que ele o procurou no meio da madrugada contando o que havia feito na casa da ex-companheira. Aconselhado por ele, foram juntos ao local do sinistro na tentativa de socorrer Luiz Henrique. Ao ver que ele estava morto, ambos voltaram para casa e foram dormir. Quando William acordou por volta de oito da manhã, Dimas não estava mais em sua casa.
Desde 2012 Dimas Nogueira Moreira, 26, é figurinha fácil no álbum da polícia da vizinha Pedralva, mais precisamente no ‘povoado Contendas’. A convivência do lavrador com Francisca Lopes, 37, e o ciúme doentio da companheira já gerou 10(dez) BOs. O décimo primeiro BO contra Dimas, trata-se de tentativa de estupro de uma garotinha de 8 anos, sob o mesmo teto que a companheira, em setembro de 2015!
A batata do lavrador destemperado finalmente assou…!

Simplório & Finório atacam novamente – Parte XI…

E levam R$ 5 mil da viúva aposentada!

A vítima da vez foi a senhora Nazaré. Ela tem 67 anos e mora da vizinha São Sebastião da Bela Vista. A estória da aposentada é mais confusa do que as das demais vítimas da famosa dupla de vigaristas. Ela disse aos policiais que passava por uma rua do centro de Pouso Alegre quando foi abordada pela dupla a qual lhe aplicaram o golpe do bilhete premiado. Segundo ela, os dois vigaristas a levaram para o interior do banco Itaú e fizeram um empréstimo no valor de R$ 5.531 em seu nome. Depois foram com ela até sua residência em São Sebastião da Bela Vista, distante 35 quilômetros de Pouso Alegre, tentando aplicar mais golpes. Ainda segundo a aposentada, a pedido dela, os vigaristas a levaram de volta à Pouso Alegre e a deixaram na porta da C.E.F. Ao checar sua contada bancaria, ela soube então que ‘devia’ ao banco a quantia de R$ 5.531.
… E ficou só com o cabo do guarda-chuva na mão!