Policia Civil mostra as armas…

Graças a uma Resolução do Conselho Nacional de justiça, acatando pedido da Secretaria de Direitos Humanos, a policia agora não pode mais mostrar seus presos de frente…!

A operação batizada com um nome curto, mas que sugere, e pretende soprar o crime para bem longe do Sul de Minas, foi realizada antes de o sol desta sexta-feira, 29, nascer. Entre mandados de prisão e de Busca & Apreensão eram mais de 40 alvos. Trinta e nove pessoas receberam as pulseiras de prata da lei. Doze em flagrante. As demais, já com a ‘carta branca’ do Homem da Capa Preta!
Um dos alvos é um estudante segundanista de medicina. Ele não foi encontrado em casa, no Santo Antonio, quando os policiais chegaram para o café da manhã, e nem na sala de aula da faculdade onde foi procurado mais tarde. Mas a batata do futuro medico está assando. Ele está na lista dos investigados por tráfico de drogas!
A mitológica Operação Notus, envolvendo cerca de 150 policiais lotados no 17º Departamento de Policia Civil de Pouso Alegre, que engloba as regionais de Pouso Alegre, Itajubá e São Lourenço, com dezenas de viaturas, helicóptero e cães adestrados, se estendeu às cidades de Santa Rita do Sapucaí, Heliodora, São Sebastião da Bela Vista, São Gonçalo do Sapucaí, Congonhal, Ouro Fino, Borda da mata, Monte Sião e Pedralva. O ‘vento sul’ soprou até a cidade paulista de Itapira.

Ladrões, intrujões, traficantes puderam perceber neste final de setembro, que a Policia Civil de Minas, cá no sul, apesar dos pesares, está muito viva! Aquela pergunta que os ouvintes do programa “Tudo Junto & Misturado” costumam me fazer às terças e sextas-feiras na Super Radio 90 FM, está respondida com ação: a Policia Civil não morreu! É bem verdade que há tempos vem recebendo o salário atrasado; que hoje tem menos investigadores do que tinha em 1980; que o que resta não consegue trabalhar atrás do computador e ir pra rua, exercitar o tirocínio policial, ao mesmo tempo… Mas continua disposto a mostrar as armas e ‘soprar’ o crime para longe!
No entanto, por ironia do destino, um dos investigados e abordados pela policia civil antes do sol nascer – e não foi preso por falta de provas, – quatro horas mais participou de um roubo à mão armada, onde um empresário morreu… conforme veremos no próximo post!

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Gaeco ‘quebra falange’ do crime organizado em Monte Sião

Um casal de membros da famigerada ‘facção’ foi preso na manhã desta quarta com arma, drogas e mais de vinte mil reais em dinheiro em cheques!


A operação que prendeu o casal de traficantes em Monte Sião e Aguas de Lindoia na manha desta quarta-feira, 24, foi batizada pelo Gaeco, não por acaso, de ‘Operação Divisa’. Para chegar ao casal, a investigação dos policiais civis, militares e federais, chefiada pelo ministério público estadual de Minas, precisou de cerca de quatro meses. Os mandados foram cumpridos em três endereços no circuito das Aguas paulista e na ‘capital da malhas’, mineira. O investigado Carlos Tulio Gropelo, o “Boy”, recebeu os homens da lei em seu sitio no município de Aguas de Lindoia. No café da manhã ele ‘serviu’ aos policiais oito quilos de maconha, um quilo de pasta base de cocaína, um trabuco calibre 45, varias munições de calibres 12, 7,65 e 22, uma balança de precisão e farto material para embalagem de drogas! No distrito de Mococa, a 10 quilômetros de Monte Sião e oitenta de Pouso Alegre, na sua ‘residência de verão’, os policiais prenderam sua amásia Vitoria Nicoli Martins Carneiro,19. Ela mantinha em casa diversos relógios de procedência duvidosa, vários celulares, R$ 5 mil em ‘cash’ e quase dezessete mil reais em cheques provenientes do trafico.
A investigação do Gaeco apurou também, e comprovou com a apreensão de papeis, cadernetas e anotações, que “Boy” é useiro e vezeiro em buscar grandes quantidades de drogas na capital paulista, com a qual abastecia seus ‘empregados’ na fronteira mais charmosa do estado de Minas com São Paulo. Enquanto ele fazia o ‘corre’ na região, a jovem companheira Vitoria fazia a guarda da droga no sitio em Aguas de Lindoia.
A investigação mostrou ainda que, no distrito de Mococa, Tulio “Boy” era um ilustre desconhecido. No entanto, do outro lado da fronteira, onde comandava uma célula da facção criminosa e distribuía cerca de dez quilos de farinha do capeta por mês além de outras atribuições como autorizar e determinar o cometimento de outros crimes, ele tinha até guarda-costas!
O casal vinte da fronteira vai responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico na Comarca de Serra Negra, a vinte quilômetros de Aguas de Lindoia.
A famigerada facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios país afora, e que atende pelas iniciais de ‘PCC”, cujo nome a grande imprensa convencionou não mencionar, para não dar destaque e publicidade aos criminosos, não pode ser ignorada! Ela existe há pouco mais de dez anos; possui estrutura organizada; tem poder entre os criminosos; é mais eficiente do que muitas instituições legais; e está enraizada nos quatro cantos do país. Hoje em dia, raramente alguém passa pela cadeia sem ser cooptado pela facção. Seus membros não ousam infringir suas regras. E se o fazem, são sumariamente julgados, condenados e executados! O PCC é uma instituição do mal… mas, infelizmente, existe!
A prisão de um dos seus membros – de relevante estrutura e importância, – na divisa mais bela dos estados de Minas/São Paulo nesta quarta-feira, não chega a ser a quebra de um braço, nem mesmo de uma falange, mas mostra que, como toda organização, ela também tem seu ponto fraco e, portanto, pode ser desarticulada como tudo que trás prejuízo à sociedade. Os componentes do ‘Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado’ – GAECO, tem provado que, embora não seja fácil, é possível!

Meninos que vi crescer… Entre os ‘adultos’ de Pouso Alegre!

Airton Chips e seu "Meninos..." e Maristela Saponara Correa, Secretaria da Academia Pousoalegrense de Letras e autora do livro "Teatro Municipal de Pouso Alegre".

Airton Chips e seu “Meninos…”, e Maristela Saponara Corrêa, secretaria da Academia Pousoalegrense de Letras e autora do livro “Teatro Municipal de Pouso Alegre”.

Na ultima de outubro, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Pouso Alegre, em parceria com a Biblioteca Municipal Prisciliana Duarte de Almeida, realizou uma exposição de livros no saguão da Biblioteca Municipal, na Praça Senador Jose Bento. O objetivo do evento era, além de comemorar a Semana Nacional do Livro, expor as obras e homenagear os autores pousoalegrenses. Cerca de 100 livros de 89 autores radicados em Pouso Alegre foram expostos.

O livro de crônicas policiais “Meninos que vi crescer”, de autoria deste blogueiro, esteve em exposição.

Ver meu “Meninos…” entre as obras de Amadeu de Queiroz, João Beraldo, Jorge Beltrão, Octavio Miranda Gouveia e outros conterrâneos ilustres deixou-me ligeiramente garboso e motivado a lançar o segundo volume!

livro  Meninos que vi crescer, livro robusto com 50 crônicas policiais vivenciadas pelo autor na cidade de Pouso Alegre e região, contadas ao longo de 469 paginas, já está à venda nas livrarias e bancas de revistas de Pouso Alegre e através do site “meninosquevicrescer.com.br”. No entanto, o lançamento formal da obra será feito no inicio do ano que vem, em parceria com a Academia Pousoalegrense de Letras!

 

Policial suicida em Monte Sião

Imagem de lutoPara a policia e para os policiais de Monte Sião, capital das malhas, o domingo,16, era um dia de trabalho comum. Assumiram o turno pela manhã e tudo transcorria normalmente. Enquanto as equipes faziam patrulhamento de rotina, o cabo Jose Edson de Souza ficou no quartel, operando o velho e conhecido 190! Como de praxe, ele e os policiais de rua mantinham frequentes contatos, até que…!

Por volta de quatro e meia da tarde tanto o radio quanto o telefone ficaram mudos! Preocupados com a falta de comunicação, os soldados Cintia e Carvalho voltaram ao quartel e o encontraram todo fechado. Pela janela da sala de operações avistaram o colega imóvel sentado no sofá da sala de recepção com o fuzil de trabalho no colo. Depois se arrombarem a porta encontraram o policial Jose Edson morto… Com um tiro na cabeça! Aparentemente suicídio!
Antes de cometer o desatino, o policial trancou a porta do quartel e colocou um cabo de vassoura travando a porta principal, para dificultar o arrombamento. Depois sentou-se no sofá, encostou o cano do fuzil na boca e puxou o gatilho! Seu corpo foi necropsiado no IML de Pousio Alegre

O cabo Jose Edson de Souza estava há 21 anos na policia militar. Atualmente fazia tratamento contra depressão. Por isso mesmo estava em ‘ajustamento de função’ trabalhando apenas no serviço interno. Ele era natural de Congonhal-MG e tinha 48 anos.

 

“Operação Exa” em Monte Sião

DSC05183Desde que amigos ocultos da lei caguetaram que os jovens Abdias e Maycon estavam buscando cocaína na vizinha Itapira para distribuir na cidade de Monte Sião, os homens da lei passaram a monitorar a residência de ambos. Ao pé de noite de sexta, 10, viram Abdias descendo de um veiculo e  entrando em casa com uma caixa de sapato. Pouco depois chegaram Maicon e Camila, entraram na casa e saíram sorrateiro num Saveiro. O casal foi abordado minutos depois na Rua do Tanque, como se suspeitava, com drogas!

Camila Teodoro de Toledo, 25 anos, moradora do Parque Antonieta, levava na… Calcinha, 26 barangas de farinha do capeta pronta para comercio e mais um patuá da mesma droga! O caixa estava com Maicon… Cerca de trezentos reais.

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Comprovada a traficância dos sócios Maicon e Abdias, os policiais foram visitar Abdias no bairro Bela Vista. Lá encontraram  – na tal caixa de sapatos – mais 25 barangas da mesma droga trazida de Itapira, além de outros 08 patuás de maconha e de dim-dim em especie.

No momento da visita dos policiais, estavam na casa de Abdias sua namorada Thamyres Rafaela de Moraes, 27 e William Antônio de Lima, 23, morador do Sitio Farias em Ouro Fino, todos sócios do trafico.

Durante a “Operação Exa” em Monte Sião, o traficante Abdias confessou que buscara a droga em Itapira juntamente com o sócio Diego, no Gol do qual fora visto desembarcar com a caixa de ‘sapato’ minutos antes.

Diego...

Diego…

Abdias Apolo Vaz Ferreira, 19, e a namorada Thamyres  Rafaela de Moraes, 27;  Camila Teodoro de Toledo, 25, e o namorado  William Antonio de Lima, 23;  Maycon Rerrison da Cunha, 23, e Diego Aparecido da Silva, 23, o “sexteto da farinha” de Monte Sião desceu no taxi do contribuinte para a Delegacia Regional de Pouso Alegre, sentou ao piano, assinou os artigos 33 e 35 da Lei 11.343 – poderiam ter assinado também o 288 do CP? – e foram todos se hospedar nalgum hotel do contribuinte da região!

Neco Paturi, o caloteiro de Monte Sião

Monte Sião

Em minha curta passagem pela capital das malhas – foram apenas três meses antes da ‘primeira’ aposentadoria – colecionei fatos inesquecíveis! Morando de segunda a sexta no alojamento da DP e comendo de restaurante ao lado da igreja comecei ganhar peso e então passei a fazer caminhadas. Ia todos os dias até o bairro dos Francos em Aguas de Lindoia pela estrada vicinal e voltava pela rodovia passando pelo C.T. do Oscar. Como era horário de verão, depois da caminhada pegava a velha Honda ‘Duty’ branca e subia nas montanhas em volta da cidade para curtir o por do sol. O Morro Pelado, com magnifica vista para outras seis cidades ao redor, estava se tornando meu quintal de casa. Em menos de três meses os sete ou oito assaltos a malharias nos fins de semana caíram a zero. Era raro o dia que não mostrava as pulseiras de prata para alguém… Só prisões insignificantes; ladroes pés-de-couve, “dimenor” e devedor de pensão alimentícia.

Mas, como os boatos andam mais do que “égua do chapadão”, logo surgiu a lenda de que havia uma “equipe de fora” trabalhando na cidade em horas mortas, combatendo a criminalidade. Isso assustou os meliantes das cidades vizinhas, especialmente do Estado de São Paulo, que preferiram esperar a poeira baixar! A temível ‘equipe de fora’ era eu e o bate-pau Nilson, funcionário emprestado da Secretaria de Saúde, que conhecia cada ruela da cidade e cada pé de Ipê que margeia as infindáveis e muito bem cascalhadas estradas do município, mas que era incapaz de fechar uma pulseira de prata nos punhos de alguém. Tem até um fato pitoresco que ilustra isso… Semanas antes da minha chegada foram ele e o delegado Watson prender um suspeito. Dito Cabrito resistiu à prisão e entrou em luta corporal com o delegado! Rolaram na poeira e caíram ambos em um barranco na periferia da cidade, mas o delegado mesmo com o pé-quebrado conseguiu segurar Cabrito pelo chifre. Seu filho, com 17 anos na época, fechou as pulseiras de prata nos punhos do prisioneiro. Enquanto tudo isso acontecia, Nilson, o ‘policial ad-hoc’, meu futuro parceiro, permaneceu com o traseiro colado no banco da viatura assistindo passivamente à luta do bandido com o delegado! Watson passou o mês seguinte sem poder prender ninguém… Usando muletas e um grosso gesso no pé…! Às vezes eu levava comigo o professor Clovis, que, a exemplo de Nilson, desviado de função, trabalhava na DP como Vistoriador de Veiculo. Ele também não era muito dado a prisões, mas falava grosso e se impunha! Clovis, culto, bom gosto para musica, respeitado, mostrou-me todos os bons alambiques da redondeza; desde o “Galo Branco” em Socorro, “Engenho do Barreiro” em Lindoia à famosa “Moreninha”, na divisa com Jacutinga! Não que abraçássemos com tanto ardor a sedutora Severina do Popote, mas ‘uma garrafa de boa cachaça abre facilmente qualquer porta em Belo Horizonte’…!

Foi na Capital das Malhas que no final de uma ensolarada manhã eu ouvi uma das frases mais significativas – e mentirosas – da carreira; depois de meia dúzia de prosa com o delegado Watson Vieira Pinho – e ouvir o que não esperava… – o delegado regional que havia me mandado pra lá a toque de caixa sem sequer olhar na minha cara, chamou-me ao gabinete e disse solenemente:

– Vou te levar de volta para Pouso Alegre… “Preciso de você para dar um pouco de dignidade à Policia Civil na cadeia de lá”.

Eu naturalmente agradeci – o falso elogio – e repeti mais ou menos o que dissera em seu gabinete no dia 06 de outubro, após o sepultamento do Inspetor Angelo…

– Sou funcionário do Estado de Minas, chefe… Daqui até Itacarambi está bom p’ra mim! Porém, vou trabalhar mais trinta e cinco dias, sair de férias em janeiro e me aposentar…!

Aposentei, voltei ao trabalho e exato um ano e meio depois, o mesmo delegado regional, depois de me mandar novamente “à toque de caixa” para Santa Rita, teria dito em reunião com a tiragem…,

– Fulano é um safado! Ele estava denegrindo a imagem da policia na cadeia!

Se mereço ou não os epítetos, tanto o elogioso quanto o injurioso, perguntem ao delegado Chefe de Departamento Jose Walter da Mota Matos, responsável pela sindicância! – Que eu fiz questão que fosse instaurada.

Mas essa já é outra historia! O alvo desta breve crônica é o ‘quarteto’ Neco Paturi, inadimplente de pensão alimentícia, seu pai Roberto e o facão Tramontina, o netinho ‘x9’ chorão e meu fiel ajudante Nilson Pé-de-couve…

Ao abrir a porta da delegacia na manha do dia 26 de novembro de 2004, há 35 dias da sonhada aposentadoria, deparei com um rapaz que dizia saber do paradeiro do depositário infiel, com o qual tinha uma pendenga de carro pago com cheque sem fundos. Era preciso levar o depositário às barras da justiça para desembaraçar o imbróglio! Tomamos café e fomos a um sitio no município de Jacutinga. Eu, o interessado na prisão e meu parceiro Nilson “Bate Pau”, policial “ad-hoc” – desculpe o termo cacófono – cagão que só ele! Quando descíamos a MG 459 ele começou choramingar;

– Ô Chips, é melhor a gente pedir apoio ao pessoal de Ouro Fino… O velho é perigoso!

Como seguro morreu de velho, talvez ele tivesse razão! Mas enfrentar toda a burocracia às oito e meia da manhã para mobilizar uma equipe de policiais de outra Comarca para prender um depositário infiel!? Achei meio esdrúxulo. Além do mais, nem tínhamos certeza da precisão da informação. Sem contar que o tempo poderia conspirar contra nós! Quando chegamos ao portão da chácara meu ‘intrépido’ companheiro sugeriu:

– Ele me conhece… Se ele me ver vai querer fugir. É melhor eu ficar aqui na entrada… Se correr para cá ‘eu pego ele’!

Entrei no jardim da bela chácara, ouvi ruídos de esmeril e não demorei avistar meu procurado. Ele estava numa casinha de ferramentas amolando um imenso facão tendo ao seu lado um garotinho de 4 ou 5 anos. Quando levantou os olhos do esmeril, eu e o credor estávamos há dois metros dele. Sabendo do que se tratava, Roberto continuou prolixamente amolando o facão ao som estridente do esmeril que soltava faíscas para todo lado. Quando se deu por satisfeito, desligou o motorzinho e saiu lentamente da casinha com o facão ainda quente em minha direção, testando o corte da lamina…! – Sutil ameaça! – Levantei levemente a barra da calça deixando ver o cabo do trezoitão e falei;

– Facão Tramontina pega fio fácil, né? –

Sem ouvir qualquer resposta ou pergunta, acrescentei:

– Sr. Roberto, estou precisando do senhor lá na delegacia de Monte Sião… – E pedi a ele que colocasse o facão – agora com o corte azulado – sobre uma bancada de madeira, ao mesmo tempo em que estendia-lhe o par de pulseiras de prata. Por uma razão que só vim compreender depois, ele não questionou. Parecia ter pressa de ser preso! Quando eu coloquei-lhe as algemas o garotinho que estava a seu lado desandou a chorar e perguntou;

– Você vai prender meu pai também…?

O “pai” a quem o garotinho se referia, deduzi de imediato, devia ser Neco Paturi, muito mais urgente prender do que o avô Roberto! Neco Paturi era um tremendo caloteiro de Pensão Alimentícia. Se pensão fosse luz! ele dormia no escuro há mais de ano! O jovem de 26 anos vivia fugindo da PM como o vampiro foge da réstia de alho! Para escapar das pulseiras de prata e continuar sem prover a prole, ele não respeitava fronteiras!  Certa vez pulou do terceiro andar do apartamento da mãe atrás do cemitério, numa laje, dali saltou para um quintal e conseguiu dobrar a serra do cajuru – contavam os boateiros de plantão!

Em nenhum momento estivéramos pensando na possibilidade de encontrar por lá o ‘caloteiro de pensão’. No entanto, ao ouvir a pergunta do menino; “prender meu pai também”, a ficha imediatamente caiu. Deixei o velhote de uns sessenta anos, já peado, aos cuidados do credor e pedi ao garotinho que me levasse para a cozinha da casa a pretexto de beber um copo d’água. Ele me acompanhou relutante. Um tanto por sair de perto do avô, outro tanto arrependido da pergunta que fizera! Apesar da tenra idade, já era ‘cobrinha criada’ e percebeu que cometera um vacilo! Apelei para a psicologia…

– Em qual quarto seu pai está…? – Perguntei com fingido desinteresse.

Aos quatro anos, filho de peixe, peixinho é… O garotinho já estava escolado. Continuou rezingando e não disse nem uma palavra que me levasse a seu pai. Mas a pergunta que escapou lá fora na porta da oficina fora suficiente. Vasculhei quase todos os cômodos da casa… Sem sucesso! Quando chequei no ultimo quarto que ficava à oeste, portanto ainda com as sombras da manhã, percebi que debaixo da cama estava mais escuro do que o normal. Mas não identifiquei o fujão. Para evitar sustos e incidentes, afinal Neco Paturi, embora não fosse criminoso, era procurado pela justiça! Ele poderia tentar levantar voo! Ou pior… Poderia usar algum instrumento – talvez um revolver enferrujado calibre 32! – contra mim para evitar a prisão… Cerquei-me de cautela! Durante todo esse tempo meu ‘eficiente’ parceiro continuava na estrada, protegido atrás de uma moita de cipreste! Ele não se dignara a descer à chácara nem para saber se eu ainda estava vivo! Telefonei pra ele! Quando ele chegou, determinei que se posicionasse do lado de fora da janela e acrescentei em tom alto e claro;

– Quando eu levantar o colchão da cama, atire no primeiro ‘objeto’ que se mover!

Eu estava preparado para ver a cara do sujeito surgir debaixo da cama. Mesmo assim o suspense me traiu… Quase disparei o trabuco de susto quando vi aquele baita homem magrelo estirado de costas no canto do quarto! Matamos dois coelhos com uma só cajadada naquela manhã. Prendemos pai e filho. De quebra levamos junto o neto pirralho chorão delator. Tentei pagar pra ele um sorvete em agradecimento por ter entregado de bandeja a cabeça do pai… Mas ele, desde que percebera o vacilo, ficou emburrado e não abriu mais a boca… Exceto para choramingar!

O liso Neco Paturi, que até então eu não conhecia, passou mais de uma semana no X-1, esperando seu advogado selar um acordo com a ex para quitar os débitos alimentícios. Ele era comerciante informal de carros e motos… Precisou desfazer de alguns para pagar a pensão devida há mais de ano!

A bela Monte Sião, cujos ciprestes do jardim central, carinhosamente bem podados e cuidados, imitam capivaras, elefantes, ursos, ‘paturis’  e outros bichos, marcou época…!

 

 

“Operação Fronteira Segura” : Policia militar apreende arsenal em Monte Sião

Esta, só James Bond...!

Esta, só James Bond…!

Ao deparar-se com a blitz, o cidadão Clayton Pereira que conduzia um VW Saveiro, imediatamente deu meia volta e tomou a direção contraria à fronteira que separa as duas estancias hidrominerais. Como quem deve teme, treme e foge, ou pelos tenta dobrar a serra do cajuru – no caso em tela seria o Morro Pelado! – os policiais foram atrás para ver o que Clayton não podia exibir para a policia!  Ele não podia mostrar a pistola… E que pistola!!! Nem James Bond tem uma dessas! A moderníssima e letal arma viajava solenemente debaixo do banco do motorista.

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Pilhado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, Clayton admitiu que tinha outras duas armas dentro de um cofre em sua residência, na capital das malhas. Franqueada a entrada e aberto o cofre pela esposa de Clayton, os policiais apreenderam mais duas pistolas. Numa breve busca nas dependências do móvel os policiais descobriram um verdadeiro arsenal. Num comodo dos fundos eles encontraram mais 13 armas de fogo, 9 de pressão, uma besta moderna e cerca de 6 mil munições de calibres diversos, intactas.

Com este rifle é possível alvejar e fulminar uma pessoa a um quilometro de distancia!

Com este rifle é possível alvejar e fulminar uma pessoa a um quilometro de distancia!

Ao sentar-se ao piano do delegado Bruno Lopes na Delegacia Regional de Pouso Alegre na manha desta sexta, Clayton foi econômico nas declarações. Deixou escapar apenas que é colecionador. Depois de assinar o 16 da Lei 10.826, Clayton foi se hospedar no velho Hotel de Albertina.

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Caso o Homem da Capa Preta, a quem compete arbitrar fiança quando a lei não autoriza o delegado a faze-lo na DP, não arbitre sua fiança, é lá que o James Bond de Monte Sião deverá passar o Natal que se avizinha…!

 

Intrujão cai com moto roubada em Monte Sião

Luiz Fernando Guirelli Machado Junior: quatro dias de liberdade...

Luiz Fernando Guirelli Machado Junior: quatro dias de liberdade…

No final da noite de sábado de Finados, a policia militar de Monte Sião foi informada de um furto de motocicleta na vizinha e sempre bela Águas de Lindoia. Segundo o informe, a motoca roubada, uma Honda 125 KS prata, fora vista do lado de cá da fronteira possivelmente nos braços do egresso do velho Hotel de Albertina, Luiz Fernando Guirelli Machado Junior.

Ao fazer patrulhamento de rotina pelo bairro Mococa, cortado pela MG 459 a dez quilômetros da cidade, os homens da lei avistaram a motoca Honda prata e abordaram o condutor. Dito & feito… Era mesmo Luiz Fernando Guirelli Machado Junior. O jovem de 25 anos montado na moto roubada não se deu por vencido…

– Eu não roubei não, Sargento… Eu comprei a moto de um cigano por R$800 reais – tentou se explicar ele.

O que o jovem ‘boca de cadeia’ ainda não aprendeu com os irmãos de caminhada, é que tanto o furto quanto a receptação tem a mesma pena de acordo com a lei. No entanto, o furto tem prazo para expirar o estado flagrancial! Já a receptação é crime constante. Caiu com a rês furtiva, está em cana! Ainda assim Luiz Fernando  poderia pagar fiança e voltar para casa. Mas o delegado, levando em conta que o intrujão havia saído da cadeia na quarta feira, 30 de outubro e já estava reincidindo em crime, caprichou no valor da fiança: R$ 3.390 reais! A moto não valia isso!

E o egresso do hotel do contribuinte regressou para o velho Hotel de Albertina…!!!

Troglodita de Monte Sião quer reatar romance na marra

Durante 19 anos Cleusa & Israel dividiram o mesmo teto, os mesmos cobertores e às vezes até a mesma escova de dentes… Apesar do idílio do casal que gerou seis filhos, sempre houve alguém tentando separá-los! Era dona katia…ça! E conseguiu. Estão separados há mais de um ano. No entanto, Israel ainda não sabe! Mesmo morando em Ouro Fino ele vive rondando a ex- cara metade tentando reatar o romance. Mas usa os mesmos argumentos que os separaram… Truculência e manguara!

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No crepúsculo deste domingo Cleusa passava com uma irmã por uma rua de Monte Sião, quando de repente Israel saiu do bar do “Tião Caneta” e foi logo agarrando-a pelos braços  e descendo-lhe o borralho. Quando ela tentou acionar a policia, seu celular virou cavacos… Chamados por terceiros, os homens da lei chegaram minutos depois e ofereceram as pulseiras de prata ao homem da pedra. Ele recusou e foi necessário rolar com ele na poeira para oferecer-lhe as pulseiras!

– Ele me deu socos na cabeça e me puxou pelos cabelos porque ficou sabendo que estou namorando – Disse Cleusa em prantos.

Na Delegacia Regional de Pouso Alegre, Israel de Lara Geremia, 35 anos assinou o 129 e o 147 do CP com ‘temperos’ de Maria da Penha.  Na falta de R$ 1,5 mil reais para pagar a fiança o troglodita que já responde a um 33, foi se hospedar no velho – e superlotado – Hotel de Albertina.

A vaca foi para o brejo em Monte Sião

… Fazendeiro surpreendeu os ladrões no momento do abate!

Arceu Stivale Junior: - Eu sou comprador de queijo, doutor...

Arceu Stivale Junior: – Eu sou comprador de queijo, doutor…

              Ao voltar para casa no bairro Batinga, a três quilometros do centro da cidade de Monte Sião, no final da tarde desta quarta, o pecuarista Reginaldo Zucato ouviu berros agonizantes vindos do seu pasto à beira da estrada vicinal. Parou seu carro próximo de uma caminhonete Fiat Strada e foi ver o que era. Neste momento dois ladrões de gado acabavam de abater um novilho girolando de cerca de 15 arrobas dentro de sua propriedade. Surpreendidos pelo fazendeiro antes de tirar o couro do boi, a dupla de carniceiros passou sebo nas canelas, entrou na caminhonete e deixou o boi berrando sozinho e o fazendeiro na poeira. Mas não foram longe. Meia hora depois caíram nas malhas da lei no bairro dos Pontes.

         Apesar das marcas de sangue do girolando nas mãos, nas vestes e em partes da caminhonete, Marcelo Roberto de Lima, 34, morador Continuar lendo