Lázaro… o “Fernando da Gata” do Cerrado

Caçada ao maníaco que matou casal e dois filhos em Ceilândia, chega ao decimo dia.

      Psicopata de 32 anos tem mais de 200 homens nos seus calcanhares… mas ainda não sentiu o frio das pulseiras de prata!

Lázaro Barbosa… o “Maníaco do Cerrado”.

O bárbaro assassinato de uma família inteira aconteceu no dia 09 de junho, na cidade de Ceilândia, no Distrito Federal. Lázaro Barbosa matou a tiros e golpes de faca o cidadão Cláudio Vidal de Oliveira, de 48 anos, e os filhos dele Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15 anos. Cleonice Marques de Andrade, 43, esposa de Claudio, foi levada como refém e morta logo em seguida na beira de um córrego. Desde então, centenas de policiais do Distrito Federal estão na sombra do assassino!

Após o assassinato da família de Claudio, ainda em Ceilândia, Lázaro invadiu um sitio, fez o caseiro e sua filha de reféns e roubou a propriedade. Só então ele dobrou a serra do cajuru em direção ao município de Cocalzinho de Goiás.

Por onde passa o guampudo vai deixando um rastro de crimes. Em Cocalzinho de Goiás ele invadiu uma fazenda, atirou em quatro pessoas e ateou fogo na casa. No domingo, quatro dias depois dos primeiros crimes, o meliante furtou um carro para fugir, mas o abandonou ao avistar uma barreira policial. E continuou a fuga pela mata. Ainda no município de Cocalzinho, na segunda-feira, durante uma tentativa de roubo, ele teria sido alvejado por um sitiante e fugido. No mesmo dia ele pediu comida em outro sitio na região, onde teria passado a noite, antes de fugir para a mata. Na terça-feira, durante tentativa de abordagem, o guampudo reagiu à prisão e baleou dois policiais no município de Edelândia… e continuou dobrando a serra do cajuru!

As últimas informações sobre o “Maníaco do Cerrado” são desta quinta-feira, 17, quando a polícia o avistou numa mata da região e trocou tiros com ele. Mesmo ferido ele continuou a fuga pela mata. Segundo o secretário de Segurança de Goiás, são mais de trezentos policiais perseguindo o bandido com helicóptero, carros, cavalos e à pé, pelo mato.

Apesar de ter centenas de policiais fungando no seu cangote, o “maníaco do Cerrado” ainda não sentiu o frio das pulseiras de prata.

Lázaro Barbosa é figurinha fácil no álbum da polícia desde 2007. Naquele ano ele cometeu duplo assassinato na cidade de Barra dos Mendes, na Bahia. Embora tenha caído nas malhas da lei, o guampudo, então com 18 anos, não criou raízes no Hotel do Juquinha baiano! Dez dias depois ele abriu um ‘tatu’ na cela e dobrou a serra do cajuru.

Dois anos depois, sabedor de que em Brasília, onde o sol nasce para todos mas  a lei penal não atinge a todos, Lázaro Barbosa foi para lá. Mas enroscou-se nas malhas da lei… Acusado de roubo, estupro e porte de armas, o meliante foi parar no velho hotel da Papuda.

Foi no presidio onde os ‘papudos’ de colarinho branco tiram férias, que Lázaro recebeu um laudo psicológico que o descreve como “psicopata imprevisível”, com comportamento agressivo, impulsivo, instabilidade emocional e falta de controle e equilíbrio.

Apesar desse laudo, no ano seguinte, em 2014, já condenado pelos crimes de duplo homicídio, estupro, roubo e porte ilegal de arma, Lázaro teve sua pena convertida para o regime semiaberto! Como frequentou cursos de “ressocialização” no interior do presidio, ele ganhou o “atestado de bom comportamento”. Daí para nova fuga foi um pulinho. Em 2016 Lázaro vazou da Papuda e dobrou a serra do cajuru.

Dois anos mais tarde Lázaro caiu novamente nas malhas da lei. Foi preso no município de Águas Lindas de Goiás. E mais uma vez não criou raízes atrás das grades! Fugiu dias depois da prisão, e continuou a exibir seu ‘atestado de bom comportamento’ na região! Meses depois, em abril de 2020, ele invadiu uma chácara no município de Santo Antonio do Descoberto e, na tentativa de roubar, acabou golpeando um idoso com um machado.

Antes da chacina da família em Ceilândia, o maníaco do cerrado esteve em ao menos duas cenas de crimes violentos. No dia 26 de abril ele invadiu uma casa no Distrito Federal e depois de trancar o morador e seu filho no quarto, arrastou a esposa dele para o mato e a estuprou. No dia 17 de maio, ainda na região do Sol Nascente, ele invadiu outra casa e fez toda a família de refém. Atrás de um trezoitão e de uma lapiana ele obrigou os homens a ficarem nus e os trancou no quarto, onde ficaram desde às sete da noite até a meia noite… enquanto as mulheres foram obrigadas a irem para cozinha fazer o jantar para ele!

 

O perfil do “Maníaco do Cerrado” tem algumas semelhanças com o do famigerado “Fernando da Gata”, notório bandido que aterrorizou Pouso Alegre em 1982. O cearense de Russas, era mais discreto, mais silencioso, mais objetivo com seus crimes. Ele agia sempre na penumbra da noite, para roubar joias e, de quebra, estuprava suas vítimas na presença de seus maridos! Caçado por dezenas de policiais mineiros, civis e militares, três dias depois da infeliz decisão de voltar à Pouso Alegre, o ‘baixinho’ cearense respirou pela última vez numa capoeira nas margens do Rio Sapucaí. A azeitona quente – apenas uma – disparada pelo então Sargento Campos, que estava sozinho naquela beira de rio no crepúsculo do dia 02 de setembro, entrou pelo lado direito do peito do bandido, encerrando sua trajetória de crimes em três Estados da federação.

O “maníaco do Cerrado”, mais barulhento, mais violento, mais desnorteado, mas… de “bom comportamento”! segundo o atestado carcerário do velho hotel da Papuda, superou o recorde de caçada. Nesta sexta-feira já são dez dias embrenhado nas matas e cerrados de Goiás… Mas a batata está assando pra ele!

 

* “Os últimos dias de Fernando da Gata” são contados no livro “Meninos que vi crescer”!

Mais um duplo homicídio em Silvianópolis

O crime aconteceu no curto espaço de dois anos!

Afonso de Jesus dos Reis, inicialmente negou o crime e disse que tinha um álibi… Faltou combinar isso com sua mãe!

Minha querida “Santana”, onde trabalhei de 85 a 98, não é mais a mesma! Naquele longo e saudoso período, tudo que eu tinha que investigar era briga de vizinhos, desentendimento entre sitiantes que deixavam a porteira do pasto aberta, um furto ou outro de galinha ou de residência cometido pelo “Salinho” e acidentes de transito… mesmo assim batidas entre carroças! Em 12 anos e meio aconteceram apenas dois homicídios na cidade. Um deles cometido em conluio pelos cunhados Cuca e Zé Galinha, por disputa de herança. O outro foi cometido sob efeito de ‘suco de gerereba’, pelo “Batateiro do bigode falho”, contra um colega de alojamento.

Desde meados da década de 90, até 2018, a pacata Silvianópolis viu acontecer mais dois ou três homicídios, salvo engano.

Esse baixo índice de criminalidade na quase tri-centenária Silvianópolis foi interrompido no final de 2018. No início de novembro daquele ano, Luizinho matou, esquartejou e distribuiu os membros da companheira pelas estradas e rios da região. A enteada, a pequena Bruna, que fora buscada na Bahia para estreitar o relacionamento do casal, também foi morta a golpes de martelo e enterrada numa cisterna no sítio do assassino – os bastidores da intrincada investigação conduzida por uma médica legista, e que culminou com a prisão do psicopata Luizinho, sitiante tão pacato quanto seus bois na fazenda, estão no livro “Quem matou o suicida”, recém publicado.

Agora, 26 meses depois daquele monstruoso assassinato de mãe e filha motivado pelo fim do relacionamento, a velha Santana foi sacudida por outro duplo assassinato. Desta vez a polícia não precisou navegar horas, dias nas redes sociais para encontrar, primeiro, a dona da ‘perna tatuada’ que levaria ao assassino.

Após descobrir os corpos na noite de segunda-feira, bastou interrogar vizinhos das vítimas para levantar o suspeito. Ele recebeu as pulseiras de prata poucas horas depois de descoberto o crime.

Afonso de Jesus dos Reis jurou de pés juntos que é inocente. Faltou ‘combinar’ com sua mãe. Interpelada pela policia ela, querendo ou não, negou seu álibi. Segundo a mãe de Afonso, ele chegou em casa na manhã de segunda-feira, esbaforido, para trocar e esconder a calça com manchas de sangue. Pego na mentira, Afonso acabou confessando o duplo assassinato de Vanderlei Ramos de Paiva, 60, e do pai dele, Artur Ramos de Paiva, 84 anos.

O funesto crime aconteceu na residência das vítimas na virada da noite de domingo para segunda,11, após uma festa. Segundo o assassino, ele matou Vanderlei por conta de um desentendimento banal. E matou o pai dele para ocultar o primeiro crime. Ambos foram mortos por asfixia, com uma camiseta no pescoço.

Afonso de Jesus dos Reis, 28, já conhece o velho hotel do contribuinte por dentro. Ele cumpre pena pelo cometimento do crime de estupro, ocorrido na cidade de três Corações. No momento em que matou Vanderlei e o pai dele em Silvianópolis, Afonso estava gozando o benefício da liberdade condicional previsto no CPP.

A frase “Santana não é mais a mesma” é apenas um recurso jornalístico. Na verdade “Santana do Sapucaí” – ou simplesmente Silvianópolis – continua tão pequena, bucólica e pacata quanto a vinte e cinco anos. E seu povo também continua ordeiro, afável e hospitaleiro quanto antes. O que mudou, ao menos para algumas pessoas, foi a sensação de impunidade e a banalização da vida!

Luizinho, o assassino da companheira e da enteada em 2018, continua hospedado no Hotel do Juquinha, aguardando uma pena que deve ficar próxima dos 25 anos.

A pequena Bruna, de 5 anos, foi morta a martelada pelo padrasto Luizinho em 2018 e enterrada numa cisterna no sitio dele.

Afonso de Jesus – que não deve ter no coração nada parecido com seu “Xará” de cabelos e barbas longas – também não terá que se preocupar com casa, comida e roupa lavada nos próximos 25 anos. Nós, contribuintes, pagaremos sua estadia no Hotel do Juquinha.

Ajudar ou não ajudar o pedinte… “This is the question”!

Ele pediu comida e bebida e mais tarde voltou para devolver e pegar o dinheiro de volta!

Alguns mendigos já estão inovando… Estão portando maquininha de cartão!

Passava pouco das três da tarde de uma quinta-feira de meados de dezembro. Como de hábito, uma vez por semana, no ‘recreio’ da aula on-line, levei o Daniel para tomar o lanche na pastelaria do Francis, no mesmo quarteirão da minha casa. Antes que eu fizesse o pedido habitual – dois pasteis de pizza e um coco in natura para o meu filho e um copo grande de garapa pra mim – ouvi uma voz ao meu lado. Virei. Era um pedinte! O sujeito, na casa dos quarenta anos, mulato, magro e mais sujo do que mal trajado, pedia dim-dim!  Na verdade ele usava um tática muito comum entre os pedintes de carteirinha em porta de padarias e supermercados… pronunciava frases e palavras pela metade, obrigando a interlocução do tipo: “Como é? O que você precisa”? Quando ganhou toda a minha atenção o moço, com cara de ‘pelamordedeus’, ainda com frases sem terminar, desfiou o rosário:

– Eu estou desempregado… eu trabalho de qualquer coisa: lavo carro, sou jardineiro, faço serviços de segurança. Meus filhos estão em casa… Eu não consegui nada hoje… na graça de Deus, o senhor pode me dar uma ajuda pra ‘mim’ comprar comida para os meus filhos… Deus abençoe…

Apesar do discurso desconexo, o local e o objetivo eram perfeitos: impossível um pai, na porta de uma pastelaria, levando um filho para comer, continuar impassível! Até porque, os pais devem ensinar, com exemplo, a caridade.

– Não carrego dinheiro, amigo… Pode ser um lanche para você levar para seus filhos? – disse eu já na porta da pastelaria.

– Pode sim senhor, Deus abençoe o senhor, senhor – agradeceu o rapaz, mais que depressa, entrando na pastelaria para fazer o pedido à esposa do Francis.

Depois de tanto “Deus abençoe o senhor, senhor”, caprichou no pedido… Pediu vários salgados – afinal era para a família toda: ele, a esposa e ao menos dois filhinhos imberbes.

– Pode ‘ser’ também um refrigerante, senhor, Deus abençoe senhor – perguntou, virando-se para mim que aguardava minha vez sentado na minúscula banqueta na porta da pastelaria. A um aceno meu a comerciante se dirigiu ao freezer e virando-se perguntou ao pedinte:

– Qual refrigerante… de latinha ou de 600ml?

– Pode ser Coca mesmo… de dois litros – respondeu ele sem medo de ser feliz!

A balconista lançou um olhar interrogativo pra mim, dei de ombros, e ela atendeu o pedido.

Já na porta da pequena pastelaria o pedinte, com uma sacola em cada mão, desejou mais uma dúzia de bênçãos pra mim, saiu rápido e rasteiro, atravessou a rua e sumiu na esquina da Av. Antonio Carlos. Da banqueta, depois de reiterar o meu pedido de sempre, fiquei olhando o pedinte se afastar, pensando com meus botões: “Que bom que eu posso ajudar um pobre carente”!

 

Uma hora e meia mais tarde um sujeito mulato, cerca de quarenta anos, mais sujo do que maltrapilho, entrou afoito e agitado na mesma pastelaria. Trazia na mão um embrulho. Colocou a sacolinha sobre o balcão, abriu, exibiu uma garrafa de dois litros de Coca-Cola e desfiou um rosário de chorumelas… e ameaças!

– Eu vim trocar a Coca-Cola que você me vendeu! Ela está vencida! Sabia que posso processar você por vender Coca-Cola vencida! Ainda bem que eu não dei a coca para os meus filhos! Já pensou se eles tivessem tomado a coca vencida? Vou chamar a vigilância sanitária!… Eu não quero outra garrafa, não… quero o valor em dinheiro!

O cidadão era o mesmo pedinte de uma hora e meia antes, cheio de “Deus abençoe, o senhor, senhor”. O que havia mudado era a sua postura, antes humilde e cabisbaixo… agora estava ereto, imponente e ameaçador.

A comerciante, conhecedora da sua clientela ali na região, naturalmente se recusou a devolver o dinheiro e entabulou acirrada discussão com o moço. Para se ver livre do pedinte trapaceiro, ela precisou ameaçar ligar para o marido que estava ali por perto. Na iminência do corretivo do comerciante que poderia chegar a qualquer momento, o pedinte trapaceiro desistiu do golpe e foi embora resmungando.

Conheci o segundo capitulo da historia do pedinte “Deus abençoe, senhor, senhor” esta semana. Não fiquei surpreso. Na verdade, naquela tarde, quando eu vi sua desenvoltura se afastando em direção à avenida Antonio Carlos, já percebi que eu havia caído em um golpe! Não foi difícil imaginar que os salgados foram consumidos por ele e seus ‘parças’ debaixo da passarela da Abraão Caram. Mas eu não esperava que ele voltasse para exigir de volta o dinheiro da Coca! Pior… que ele ainda fizesse ameaças à comerciante!

E aí fica a questão:  “ajudar ou não ajudar os pedintes”?      

Visitei a mulher do Zorro…

     Além de ‘justiceiro’, o marido dela foi um ‘bom malandro’!

Zorro ou não, Moacyr Bocudo resgata um trecho valoroso da nossa história através do seu livro “Memórias de um Bom Malandro”.

Semana passada, durante minha estadia em Pouso Alegre, estive visitando a sra. Creusa Vilas-Boas. Ela é uma daquelas ávidas leitoras de tudo que eu escrevo. “Eu sigo você, Chips, desde os tempos do Plantão Policial na Rádio Clube (inicio dos anos 80), disse ela”. Creusa foi uma das primeiras a comprar – e ler – o livro “Quem matou o suicida”. Faltava o autografo, por isso eu fui visita-la!

A visita teve um motivo especial. Creusa é viúva do sr. Moacyr Honorato dos Reis, conhecido pela alcunha de “Moacir Bocudo”, barbeiro, aventureiro e escritor autodidata – como ele mesmo se definiu – e ainda por cima… ‘justiceiro’ nas horas vagas!

Nunca fui próximo de Moacyr Bocudo, mas convivi com ele, fugi dele e ele de mim durante muitos anos! – Controverso, ele era amigo próximo de alguns policiais e persona ‘non grata’ para outros. Apesar disso, nunca tive nenhum atrito com ele e sempre nos respeitamos. Passei a respeitá-lo ainda mais quando ele publicou seu livro “Memórias de um Bom Malandro”, em 1996.

Prefaciado pelo saudoso Urias de Andrade, que, mal comparando, diz “Tal qual Jean Jaques Rousseau, Moacyr também se propôs colocar diante de seus semelhantes a verdade por inteira da natureza do homem que ele é…”. E diz adiante: “Moacyr soube tirar proveito do curso – e do decurso – que fez na universidade da vida…”.

Sem viajar nos livros escolares além do quarto ano primário, Moacyr viajou muito, nos dois sentidos. No literal geograficamente e no figurativo, nas narrativas de suas aventuras… rsrsrs! Mas adquiriu muita vivência e cultura – e, talvez por isso mesmo não teve tempo de estudar. E deixou uma obra bem interessante.

Apesar da pobreza de vocabulário, Moacir Bocudo conseguiu pintar muito bem os traços e costumes da época! Quando ele chegou à juventude, Pouso Alegre tinha cerca de vinte mil habitantes. Como registro histórico de uma bucólica e romântica época, “Memórias de um Bom Malandro” é de um valor inestimável!

Memórias de um bom malandro não foi o único feito histórico de Moacyr Bocudo… Ele incorporou também um famoso e lendário herói! Nada menos do que o justiceiro mascarado conhecido pela alcunha de “Zorro”! segundo ele próprio admite e confessa, vinte anos depois que o ‘Sargento Garcia’ e seus soldados pararam de caçá-lo ali nas bandas do “Quatro Cantos”!

Nos anos 70 um mascarado misterioso cortou na guasca muitos maridos infiéis que frequentavam a Zona Boêmia da David Campista, em Pouso Alegre. Na época, a pedido de alguns figurões da sociedade que costumavam frequentar a zona do baixo meretrício e chegavam em casa com o lombo ardendo, a policia civil passou a dar plantão na Zona para prendê-lo. Mas, como todo malandro que conhece a policia, Zorro, então na pele de ‘Dom Diego’, conhecia os policiais e portanto, saiu de cena.

A sra. Creusa pode se gabar de ter sido casada com o Zorro e com um “bom malandro”!

Muitos anos e muitas aventuras depois, passada a caçada ao ‘justiceiro mascarado’ da rua David Campista – que poderia render-lhe diversos processos por lesões corporais – Moacyr reivindicou o título de “Zorro da Zona Boemia”.

Segundo minhas investigações, há controvérsias!

Infelizmente nosso controverso herói nos deixou em 2007, antes de sentar-se ao meu piano e tentar me convencer da veracidade da sua confissão pública.

Zorro ou não, Moacyr Bocudo resgata um trecho valoroso da nossa história através do seu livro “Memórias de um Bom Malandro”.

 

Ah, a costumeira foto da sra. Creusa com meu livro autografado?

Fico devendo!… Ela, ao contrário do saudoso marido, é avessa às fotografias. Mas o carinho com o qual ela me recebeu em sua casa – muito próximo do palco das aventuras aqui citadas – ficou emoldurado na minha memória e no meu coração.

A “Lenda do Zorro da Zona Boemia” começa na página 303 do livro “Quem matou o suicida”…

 

Simplória & Finório caíram nas malhas da lei

Na lista negra da justiça em vários estados da federação, o casal estava a caminho de Pouso Alegre para – provavelmente – aplicar mais um Conto do Bilhete Premiado!

O vigário da paroquia não tem nada a ver com essa história…. Mas foi sua tentativa, vã, de convencer os fiéis – ou infiéis! – a trilhar os caminhos de Deus, que deu origem ao epíteto “Conto do Vigário’!

Contos do vigário Brasil afora é o que mais tem… e vigaristas também! Só em Brasília existe muito mais de cem!

O famoso conto do vigário – nascido injustamente da árdua missão do padre em tentar conduzir seu rebanho nos caminhos de Deus – tem diversas modalidades:

Tem o conto do “sobrinho e o carro quebrado” na estrada;

Tem o conto do “príncipe encantado”;

O conto do “carro sorteado” no Programa do Silvio santos;

Tem o “conto do benzedor”! – leia depois…

Tem o “conto do sequestro” e tantos outros contos mal – ou bem – contados para tirar o dimdim dos incautos cidadãos.

 

Dentre tantos, o mais comum é o famoso conto do “Bilhete Premiado”, aplicado pelos ‘artistas’ “Simplório & Finório” em vitimas idosas e aparentemente ingênuas… e outras nem tanto!

Neste, é preciso a participação de dois ou três vigaristas para fazer a encenação.

 

Prender os vigaristas que aplicam tais golpes é mais difícil do que achar um bilhete premiado – de verdade – na rua!

 

Como se não bastassem os vários motivos que dificultam o trabalho da polícia na busca pelos vigaristas, no final do ano passado nossos ilustres parlamentares aprovaram mais um! Visando salvaguardar a imagem – e a impunidade – do vigarista, a imprensa não pode mais mostrar a cara dos custodiados pela policia. Com isso eles viajam para todos os cantos do país aplicando seu golpes… e continuam impunes.

Apesar de tantos estelionatários cometendo crimes por aí, no Hotel do Juquinha, dentre os mil e cem presos, conta-se nos dedos da mão direita – e ainda sobra dedo! – o numero de 171 cumprindo pena por estelionato!

 

Um destes casais de vigaristas que viajam livres, leves, e soltos aplicando golpes país afora, tropeçou nas malhas da lei na manhã desta terça-feira, 03, na rodovia JK, no município de Ipuiuna. A prisão aconteceu durante abordagem de rotina realizada pelos patrulheiros federais. Os ocupantes do veiculo VW gol, com placas de Ibiporã-PR, disseram que estavam viajando para Três Corações, onde passariam férias na casa de parentes.

Ao puxar a capivara do casal – um homem de 53 e uma mulher de 44 anos – os paladinos da lei constataram que eles estavam na lista negra da justiça dos estados de Mato Grosso do Sul e do Paraná. Segundo os mandados de prisão eles são procurados naqueles estados pelos de crimes de estelionato, extorsão mediante sequestro – esse do apavorante ‘conto do sequestro’ – e formação de quadrilha.

O casal de meliantes, a “Simplória” de 44, e o “Finório”, de 53, trocaram o Gol de Ibiporã pelo táxi azul e amarelo dos patrulheiros e foram se hospedar no hotel do contribuinte de Poços de Caldas. Nos próximos dias os vigaristas deverão pegar o Táxi do Magaiver que os levará de volta ao Paraná, onde já estão sendo processados.

 

Por conta daquele projeto de proteção à imagem dos criminosos, não podemos exibir suas fotos aqui… Que pena! Com certeza eles já aplicaram o golpe do Bilhete Premiado na sua cidade! Esse casal pode ser aquela dupla de simplório e finório que levou suas economias no ano passado…

 

Caso interesse ao leitor, a lei 13.869/2919 – Abuso de Autoridade – partiu das iniciativas dos senadores Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues, em 2016 e 2017 respectivamente, e foi abraçada pelos demais parlamentares.

Dentre outras medidas que limitam a atuação da polícia, a malfadada lei impede que você conheça a cara do criminoso que cometeu um crime contra seu vizinho!

Com isso, a dupla “Simplória & Finório”, que foi presa nesta terça-feira a caminho de Pouso Alegre e Três Corações, não será exibida nesta reportagem…

 

 Leia aqui no Blog: https://airtonchips.com/2014/07/21/vovo-cai-conto-benzedor/

Gatuno imita Homem Aranha para roubar policial

Ele escalou o lado externo de um prédio de três andares e levou a pistola e roupas novas do tira!

A pistola do policial foi parar na cueca do gatuno…

Aí quando você acha que viu de tudo em matéria de ousadia dos bandidos, o meliante dá um passo a mais… Aliás, vários passos… parede acima! Desta vez ele decidiu roubar a casa de um policial enquanto ele dormia!

 

Madrugada fria e silenciosa de Finados no bairro Lagoinha. O soturno lombrosiano se aproxima da grade que circunda o prédio, joga cobertores velhos e trapos sobre a espetante e ameaçadora concertina, neutraliza suas afiadas garras e a cerca elétrica, escala a grade e pula para o interior do pequeno condomínio. Seu alvo é o terceiro andar do predinho de apartamentos. Pacientemente ele coloca seus talentos aracnídeos em ação… E escala o prédio usando as janelas e as sacadas do prédio e chega ao apartamento da sua escolha. Silencioso como um gato, ele desfila pelo apartamento, pega o que quer e tão sorrateiro como entrou, sai de fininho.

 

O morador está nos braços de Morfeu, tem o sono pesado, e continua dormindo.

 

Seria o crime perfeito! Digno do ‘Oscar’ entre seus parças de caminhada!

 

Pela manhã, quando acordasse, a vítima perceberia que ficara só com o cabo do guarda-chuva na mão… e um mistério para investigar!

 

Mas eram as primeiras horas do Dia de Finados…       Havia muitos espíritos desencarnados comemorando seu dia, e um deles resolveu colocar água no shop do gatuno.

Quando ele descia a última escada para chegar à garagem, onde pegaria a principal rês furtiva, um morador apareceu no seu caminho e colocou a boca no trombone!

 

Metade dos moradores do prédio saltou dos braços de Morfeu e desceu a escada para ajudar o vizinho… inclusive o dono do apartamento invadido e roubado!

Em poucos minutos o gatuno foi dominado pelos moradores e entregue aos homens da lei que não tardaram a atender ao chamado…

 

Ao deter o gatuno, o morador do apartamento invadido minutos antes, sem saber que ele havia sido a vítima da vez, reconheceu o meliante, pois duas semanas antes ele, o morador, havia detido o mesmo gatuno – sem convite – no interior do condomínio e o havia entregue à policia militar. Por isso mesmo ele fez questão de ir à delegacia acompanhar a lavratura do flagrante.

 

Enquanto o gatuno seguia para a DP no taxi do contribuinte, o morador subiu ao seu apartamento para pegar os documentos e a chave do carro. Só então percebeu que fora ele o contemplado com a visita sorrateira do gatuno. O lombrosiano havia furtado além de roupas, as chaves do seu carro e !!!… Sua pistola Glock, carregada até a boca de azeitonas!

Sim… a vitima do roubo do terceiro andar é policial!

O meliante roubou sua ferramenta de trabalho e pretendia roubar também sua caminhonete que estava na garagem!

 

As surpresas não acabaram aí!

 

Ao chegar à delegacia – em tempo recorde – o policial constatou que sua pistola ainda estava na cueca do gatuno da madrugada! Felizmente ele usava pulseiras de prata e não pôde usar a pistola. A calça, a camiseta e o tênis que o gatuno usava, também haviam sido furtadas do policial enquanto ele dormia! As chaves da caminhonete estavam na algibeira da calça operacional furtada…

 

O ousado gatuno ladrão de policial e dublê de Peter Parker, é figurinha fácil no álbum da polícia belorizontina. Seu currículo é recheado de 157, 155 e 33. Se ele tivesse conseguido levar a caminhonete e a pistola do policial, por um bom tempo seus ‘parças’ de caminhada o tratariam como a ‘última batatinha do pacote’! Ganharia status no submundo do crime…

Metade da façanha ele conseguiu, mas…

“Perdeu gatuno”!

 

O infausto crime aconteceu no início da madrugada desta segunda-feira, 02 de novembro, no bairro Lagoinha, região noroeste da capital mineira.

 

Ah, no momento da prisão, o ‘Homem Aranha da Lagoinha” portava na canela um famoso ‘adereço’, também conhecido como passaporte para cometer novos crimes, muito comum entre os meliantes hoje em dia… uma ‘tornozeleira eletrônica!

“Quem matou o suicida”

O crime que deu titulo ao livro…

O pescador pedalava lentamente sua bicicleta pela trilha batida que saía na estrada, quando sentiu necessidade de fazer xixi. Passara as primeiras horas da manhã dando banho na minhoca na beira do rio e mal pescara meia dúzia de mandis. Na verdade, ele sabia que seria assim. As águas do Rio Lambari estavam muito sujas para pescar alguma coisa além de mandi. Só foi para a beira do rio por dois motivos: para manter o hábito… e para ficar longe da mulher! Encostou a velha bicicleta roxa com cesto na traseira e as varas de pesca amarradas ao quadro, em um arbusto na beira da trilha, entrou no mato e foi logo abrindo a braguilha.

Enquanto a bexiga lentamente esvaziava, deixando aquela sensação de alívio, deixou os olhos divagarem para o interior da mata. Observou os galhos, os cipós, um pássaro marrom de calda longa… – dizem que é alma-de-gato! De repente seus olhos pararam em um vulto pendurado num galho. Antes mesmo de fechar a braguilha inclinou o corpo tentando ver melhor o vulto. Sentiu um calafrio. Deu dois passos à direita, levantou um galho que dificultava a visão e… Arregalou bem os olhos!

Era mesmo uma pessoa!

A cena era macabra!

O corpo rijo pendurado na forquilha da árvore, com os pés a menos de um metro do chão, parecia balançar suavemente, não tanto pela brisa suave que penetrava através da folhagem, mas pela nuvem de mosquitos que se deliciava com o corpo em putrefação.

Martim Pescador, 55 anos, já vira pessoas mortas, inclusive por causas externas, mas a visão o deixou impressionado. Ainda com os pés fincados no chão, percorreu os arredores num raio de cento e oitenta graus procurando alguém com os olhos. Não viu ninguém e o silêncio confirmou: estavam sozinhos! Deu alguns passos à frente e foi circulando o palco, até ficar de frente para o pendurado…

– “Meu Deus! É o Jacinto…

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Um corpo inerte e sem vida pendurado na ponta de uma corda, no galho de uma árvore no meio do mato, acima de um banquinho jogado de lado, certamente encerra a história do enforcado! Mas pode começar uma intrigante história de mistério, de amor, de paixão, de dinheiro… – ou falta dele!

O que, aos olhos dos familiares, dos amigos, dos curiosos e até da polícia – aquela que se limita a cumprir o ‘horário de expediente’ – parece um típico suicídio, para um policial de verdade, aquele que ama o que faz e busca esclarecer os fatos e colocá-los na mesa do Homem da Capa Preta, pode ser um crime! Um crime covarde, tramado e executado pelo vizinho do lado, por um desconhecido ou até pelo amigo de baladas!

      No controverso título “quem matou o suicida”, mais importante do que saber quem é o assassino, é perceber a fragilidade da investigação policial que, por isso mesmo, na maioria das vezes deixa o assassino impune. O tino policial, a argúcia do velho detetive e o desfecho da história de “Quem matou o suicida”, no entanto, ‘pagam o ingresso’!

     “Quem matou o suicida” é apenas uma das histórias deste livro, que desnuda o heroísmo do policial, que o exibe como um mortal comum, sujeito a erros, medos, deslizes profissionais e… traições. “O último dia do policial”; “Por que os cães não atacavam Fernando da Gata?”; “O batateiro do bigode falho”; “Os fantasmas do velho hotel da Silvestre Ferraz”. Histórias macabras como “O esquartejador de Silvianópolis”; “O assassinato de Silvio Santos”; “Larissa de Extrema”; “Larissa de Pouso Alegre” são uma amostra disso.

      E tem muito mais.

      Além dos casos policiais, vivenciados ou investigados pelo autor, o livro traz histórias de vida tais como: “Maria, 90 anos de solidão”, “Guermina e o Catre”, “O menino que dormia sobre as caixas de maçã”…

      É impossível não se emocionar com o drama vivido por “Paulinho & Mariana, os pais do nóia JC”. Ou não ligar o sinal de alerta com a precocidade com que os adolescentes iniciam nas drogas, e seus riscos, em: “Tragicomédia no Hospital Frei Caetano”.

      Traz também histórias hilárias como “A múmia de Bueno Brandão e os Três ossos pequenos”; “O louco e a cascavel” …

      O bucolismo, o saudosismo e a transformação sociocultural de Pouso Alegre no último meio século pode se ‘pegar com a mão’ nas histórias “Ribeirões da minha infância”; “A lenda do Zorro da Zona Boêmia”; “O mistério do Corpo Seco” – que misteriosamente ‘sumiu’ do primeiro livro do autor – e; “Anos 70, a década de ouro da humanidade”.

     Enfim, uma obra para matar a saudade dos tempos idos, desnudar a alma do ser humano, e constatar que ainda existem profissionais que amam o que fazem – profissionais capazes de levar uma “Mensagem à Garcia” -, mas estão cada vez mais escassos!

     Tudo isso narrado com bom humor e de um jeito gostoso de ler, por alguém que viveu a vida toda em contato com as pessoas, nas ruas, há décadas contando casos policiais na imprensa de Pouso Alegre.

     Boa leitura!

     Airton Chips

* Para continuar a ler e saber “Quem matou o suicida”, adquira seu livro físico numas das livrarias ou bancas de jornais de Pouso Alegre, ou através da nossa loja virtual. Você pode ler também ‘online’, na Amazon.com.br

Programinha de R$ 20 na Perimetral…

Aconteceu de novo!!

    

A avenida Perimetral, construída em 1982 sobre o leito antigo do Rio Mandu, tem muita estória pra contar! Tem estórias de todo tipo e viés! As mais interessantes são as que envolvem os tais “programinhas de vinte”, ou de “dez reais”… que geralmente custam cem vezes mais, e terminam na delegacia de polícia.

Veja essa aqui:

A madrugada de sábado era ainda criança de colo quando o viajante Rodrigo C.A. cruzou a famosa avenida. Tão logo passou pela rotatória da rodoviária começou receber as boas vindas e convites de esbeltas ‘comerciantes’ do trecho!

As moçoilas esguias, usando apenas duas peças de roupas: um bustiê e uma minúscula saia colada ao bumbum, deixando quase tudo à mostra, seguiam Rodrigo com o olhar lânguido e faziam gestos convidativos. Algumas, quando percebiam que ele corria para o retrovisor, talvez para conferir o ‘material’, rebolavam e sopravam sensuais beijos na palma da mão…

Rodrigo voltava de Campinas. Estava há vários dias viajando e ainda levaria mais meia hora para chegar em casa, em Santa Rita do Sapucaí. Estava cansado, no entanto, ao ver aquela figura – aparentemente feminina – e aqueles gestos sensuais, sentiu uma ligeira massagem no ego e … uma estranha excitação! Sabia que seria ‘barca furada’, mas pensou:

– Se ela jogar charme mais uma vez… vou conferir!

A mariposa jogou!

Até parece que a loirinha de cabelos lisos lera seus pensamentos. Quando ele reduziu para dar preferência a outro veículo que seguiria para o Arvore Grande, a beldade acenou. Na verdade, balançou sensualmente as cadeiras e abriu discreto sorriso, perceptível, apesar da pouca iluminação amarela da avenida na madrugada.

Rodrigo contornou o canteiro lentamente, ainda indeciso se parava ou não… Mas era tarde! Já havia sido alvejado pela flecha do amor. Ou, para ser menos romântico… Fora fisgado pelo anzol do desejo!

“A rotina do Rabo Verde” e outras trinta cronicas policiais estão no livro “Quem matou o suicida”.

A sedutora abordagem aconteceu na rotatória da Ayrton Sena, quase em frente a Honda…

Ao ver a mariposa dar dois passos em sua direção ele não resistiu… Parou lentamente o Palio branco na beira do canteiro, já com o vidro do lado do passageiro abaixado.

Precedido por um forte cheiro de perfume barato, um par de seios quase desnudos invadiu seu carro. O cordão do bustiê dava uma volta no pescoço e vinha fazer um laço na garganta. Bastaria puxar o laço e os seios brancos e fartos, ligeiramente flácidos – devido ao excesso de uso – despencariam no banco do passageiro!

A jovem de cabelos loiros e curtos, cútis muito branca, cílios falsos, estatura mediana, não tinha mais que vinte anos, embora o know-how no ramo dissesse mais! Dependurada no salto da bota preta, ela ficou quase um minuto sensualmente inclinada na porta do carro… tratando de negócios!

Se tivesse alguém atrás e o local fosse mais iluminado, poderia ver a protuberância de pelos pubianos descoloridos com água oxigenada…

– E aí, gato… me dá uma carona? – Perguntou a beldade, cantando.

– Até onde você vai…? – indagou o ‘garanhão’.

– Por 20 reais sou toda sua… Você me leva onde você quiser!

O cansado viajante quarentão tinha mulher esperando em casa! Mas vai que ela estava naqueles ‘quatro dias’!? – pensou ele. Ademais, qual o problema com uma aventurazinha de meia hora por 20 reais?

E resolveu pechinchar…

– Até onde podemos ir por 10 reais?

– Ah, gato, você está duro, é? Por 20 você me leva onde quiser… e eu te levo para as estrelas… – Respondeu a loirinha com voz melosa, puxando o laço do bustiê, ao mesmo tempo que fingia vexamento e protegia os seios brancos e voluptuosos com a outra mão…

Seus ‘argumentos’ foram mais que suficientes! A porta do Palio se abriu e ela entrou!

Não precisaram ir muito longe. Sob a luz cândida de um filete de lua crescente que já diminuía e se escondia – talvez envergonhada! –  por trás de um pé de Marolo, numa rua deserta do bairro São Fernando, no trevo da Fernão Dias, a vendedora de prazer entregou a mercadoria…

Não teve trabalho nenhum para se despir… Já estava praticamente nua!!

Entre ‘preliminares e bem-bom’ o ponteiro das horas nem deu meia volta no relógio. Saciado o desejo e desfeito o ‘stress’, Rodrigo retirou o dinheiro da carteira, entregou o mico leão dourado à cliente e tornou a guardá-la debaixo do banco do motorista. Saiu por alguns instantes do carro para se recompor, entrou novamente e minutos depois se despediu da “loirinha de vinte” na beira da rodovia.

Ao retomar a viagem para casa foi pensando na proeza!

– Legal… Descarreguei a tensão – e o tesão! – durante meia hora por R$ 20 reais!

Ao lembrar da merreca que pagara pelos momentos de prazer com a loirinha, instintivamente Rodrigo passou a mão por baixo do banco do carro e !!!… Cadê a guaiaca???…

Parou assustado no radar do Cidade Jardim! Desceu do carro, debruçou-se atrás do banco, passou a mão por baixo, revirou tudo e… só o pó!!! Literalmente!

Sua carteira com documentos, cartões bancários, novecentos e cinquenta reais e alguns cheques de clientes, haviam viajado… Com outro dono! Ou dona!?

Voltou ao local do crime! Quero dizer, ao local do ‘amor’… Mas encheu-se ódio!

No local do ‘bem-bom’ com a loirinha de ‘20’, procurou frenética e inutilmente pela carteira! Desceu para o trevo, procurou por ela, mas… Nem o rastro. A única coisa que ficou foi o perfume barato da mariposa impregnado nas narinas!

Voltou à cidade, subiu lentamente a Perimetral olhando atentamente para cada vulto esguio na penumbra da avenida procurando pela mariposa loirinha – havia ainda duas ou três rodando bolsinha por ali à procura de um ‘programinha de 20’. E foi pensando:

– Se eu pegar aquela sacana vou lhe dar uma carona de 100… Pros quintos dos infernos!!

Mas, necas de catibiribas! A “loirinha de 20”, de seios voluptuosos e perfume baratééééézimo já havia encerrado o expediente! Ganhara numa só noite o suficiente para tirar duas semanas de férias!

Restou ao viajante solitário, envergonhado e duro – ou seria mole? – procurar a polícia para registrar um B.O. no meio da madrugada!

O ‘programinha de 20’ saiu cariiiinho… Mas também, quem não gosta de carinho, né?

Paulinho & Mariana, os pais do nóia JC!

Deram cama, comida e roupa lavada… Mesmo assim o garoto pegou o atalho das drogas e se perdeu…

   

A chuva que caia fina no telhado e escorria lentamente para a calha produzia um som aconchegante. Muito bom para dormir! Ah, se pudesse dormir! Ah, se tivesse sono! Mariana estava sentada no sofá da sala. Tinha uma revista na mão, mas não lia. Que horas seriam? Sentara-se ali na sala, sozinha, para ver a última parte da novela e ali ficara pensando na vida. Não se lembrava de ter apertado o controle remoto, mas a sala estava em completo silêncio. O único som que se ouvia era o incessante e ritmado bater da água fria no final da calha. Olhou para o relógio do celular… Passava da meia-noite. Seus olhos vagavam sem destino pela singela estante a sua frente. De vez em quando pousava na foto 13×18 no porta-retrato. Os olhos negros do filho naquele rosto arredondado emoldurado pelos vastos cabelos castanhos lisos escorridos, olhavam fixamente para ela! Que idade teria? Ora, claro que ela sabia. A foto fora tirada no dia da formatura dele, na quarta série. Tinha então 10 anos! Outros quinze já haviam se passado. Quanta coisa acontecera desde então! Sua filha mais velha se casara, tinha até uma netinha! Sua filha mais nova nascera. Seu filho caçula também nascera. Seu marido havia… ido embora! O marido não tivera sua força, ou sua paciência, ou sua resiliência, e desistira do filho. Desistira até dela e a deixara com seu fardo. E o garoto de olhos negros e cabelos longos da foto? O que tinha feito nestes últimos quinze anos? O que estaria fazendo agora? Onde estaria naquel momento? Perdera a conta de quantas vezes fizera estas perguntas nos últimos anos.

Mariana levantou-se do sofá, girou o trinco da porta que estava aberta e debruçou-se na mureta de balaústre da pequena varanda da casa simples, na rua de pouco movimento. A chuva continuava a cair fina e mansa. O contraste com a luz do poste quase em frente à sua casa parecia um véu transparente. Parecia mais ainda quando a leve brisa sacudia a chuva. Por um instante Mariana viajou trinta anos no tempo, e se viu recostada no peito do então namorado. Jovem namorado… jovens apaixonados pensando em construir uma família, sem pensar no que a família construiria para eles!

O enlevo durou apenas alguns segundos. A realidade do momento não permitia bucolismo, romantismo… A realidade era dura, crua e nua! A realidade era o filho que só Deus sabia onde estava…

Onde estaria J.C.?

Ele saíra de casa na segunda à tarde…

– Aonde você vai meu filho? – perguntara ela ao ver o filho calçando o tênis para sair.

– Vou dar um rolê, mãe… Não aguento mais ficar trancado em casa!

– Você está bem, JC? Não está sentindo ‘aqueles negócios’ de novo?

– Tá tudo bem. Só quero ver se encontro o Pedrinho. Vou a casa dele… ver se ele tem alguma coisa que eu possa fazer… Não posso ficar parado o resto da vida!

Mariana sabia que não. JC precisava trabalhar. Tanto para se sustentar quanto para se ocupar. Mas será que ele estava ‘pronto’ para isso? Fazia três meses que ele voltara da última clínica e desde então estava em casa. Será que não desandaria novamente? Ela achava que sim. Que o filho não resistiria. Mas nada podia fazer. Manter o filho preso em casa, além de não conseguir, não poderia… Não era a solução. Mas haveria uma solução?

– Você acha que está suficientemente forte, meu filho? Por que não vai amanhã de manhã? Assim você terá mais tempo para procurar um serviço.

– Amanhã o Pedrinho estará trabalhando… Não quero incomodá-lo no trabalho. Mas fique tranquila, mãe… Eu estou bem. Antes de acabar a novela eu estou de volta.

Apesar do medo, da incerteza, da angústia que invadia seu peito toda vez que o menino saía de casa, Mariana sentiu uma certa firmeza nas palavras dele. Firmeza ou pena? Não sabia bem. O fato é que tinha que confiar… e esperar. Apenas esperar. Mesmo que tivesse que ficar esperando até a madrugada, até o clarear do dia, com um terço na mão…

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Por que os cães não atacavam “Fernando da Gata”?

Quase três décadas mais tarde eu descobri o que deixava os esguios Dobermans… ‘tão dóceis’!

‘Bichinhos’ iguais a este nunca atacaram Fernando da Gata… Porque será?

Toda cidade tem uma história de bandido para contar. Algumas têm mais de uma. Pouso Alegre, a cidade que mais cresceu no Sul de Minas no último meio século – pulou de 40 mil em 1970 para 150 mil habitantes atualmente – também tem suas histórias. O mais ilustre bandido que pisou e deixou rastros indeléveis em terras manduanas, atendia pelo nome de “Fernando da Gata”…

O famoso – às avessas! – que passou sorrateiro pela cidade, deixando para trás um rastro de suspense, de medo, de fatos e de boatos, foi Fernando Soares Pereira, o “Fernando da Gata”. O baixinho cearense ficou menos de uma semana na cidade… mas fez estragos em algumas famílias e na população! Tão sorrateiro como agiu na calada da noite o bandido se foi levando quilos e toneladas de joias! Quilos de anéis, cordões e pulseiras de famílias abastadas da cidade… E toneladas de dignidade! Ele estuprou quatro recatadas senhoras, esposas de ricos empresários… na frente dos seus maridos! Vindo de Russas-CE, Fernando da Gata fez escala na capital paulista e, bem que tentou mudar de vida. Trabalhou alguns meses na construção civil, mas seu ‘talento’ criminoso era por demais valioso para ser desperdiçado debaixo de sacos de cimento, pilhas de tijolos e latas de concreto! O famigerado bandido nascera talhado para grandes empreitadas… ainda que fossem para o mal! Em poucos meses de atividade criminosa na capital paulista, o Eldorado dos nordestinos, o baixinho cearense se tornou celebridade… no álbum da polícia! E colocou toda a polícia civil paulistana nos seus calcanhares… E a imprensa, ávida por furos jornalísticos, também!

Foi assim que, para dar folga às madames paulistanas, o assaltante solitário foi parar em Pouso Alegre em meados de 1982. Fernando da Gata chegou à cidade no mês do ‘cachorro louco’! Não por acaso, de todos os predicados atribuídos a ele, o principal, era exatamente sua capacidade de acalmar e dominar ‘cachorros loucos’! Não eram exatamente loucos, mas eram ferozes cães de guarda, especialmente os esguios ‘Dobermanns’, os quais reinavam nos quintais das mansões naquele começo de década depois que a luzes se apagavam! Ninguém ousaria entrar nos quintais na calada da noite. Ninguém… menos Fernando da Gata! Os donos das casas até ouviam os latidos ferozes dos seus ‘dobermanns’ no meio da noite. Mas quando se arriscavam a abrir a porta ou espiar pela janela, lá estava o amigo fiel sentado num canto do quintal! Atento, mas silencioso. Como se tivesse visto apenas um gato em cima do muro e o intruso já tivesse ido embora. Minutos depois o gato, quero dizer, o “da Gata”, estava no seu quarto apontando um trabuco para o seu nariz!
Mas como o esguio Dobermann parou de latir e se aquietou no canto?
Esse foi o grande mistério que Fernando da Gata levou com ele no crepúsculo de um dia frio de inverno, no começo de setembro, nas margens do Rio Sapucaí, uma semana e meia depois de protagonizar a maior caçada policial da história e colocar Pouso Alegre no mapa nacional com suas façanhas. Fernando da Gata não matou os cães de guarda. Sequer tocou em algum cachorro! Ou talvez tenha tocado… para lhes fazer um cafuné!

– Como pode, um cachorro que quase pula muros para atacar quem passa na calçada do lado de fora, ficar quietinho no canto do quintal enquanto o bandido entra e arromba a porta da casa do dono? – Perguntavam as pessoas com os olhos saltando das órbitas.

– Ele tem parte com o demônio! – Respondiam umas, fazendo o sinal da cruz!

– Ele hipnotiza os cães! – Diziam outras, incrédulas.

Seu fascínio sobre os ferozes Dobermanns – ou o contrário! – virou mito. Vinte e sete anos depois da sua morte desvendei o mistério… E matei o mito!

O livro está à venda…

Para desvendar o mistério de “Por que os cães não atacavam Fernando da Gata”, acesse… https://www.facebook.com/blogdoairtonchips/shop/