Latrocínio no Paraíso dos Pescadores

Um dos assaltantes que matou o empresário havia recebido a visita da policia civil para uma busca em sua casa poucas horas antes do crime! Enquanto a policia reunia a imprensa para a coletiva na DP, o investigado, que não fora preso por falta de provas, estava cometendo o latrocínio.

Ewerton “Xanxão” Sanches: será que esses olhos verdes ja não foram vistos em outras cenas de crimes na região?

O frustrado roubo à transportadora aconteceu às dez e meia da manhã de sexta-feira, 29. Os três assaltantes chegaram pelos fundos do quintal da residência do empresário, que fica ao lado da transportadora, no bairro Paraiso dos Pescadores, e tentaram tomar o celular da irmã do empresário, para evitar que ela desse o alarme. Impossibilitada de usar o aparelho ela colocou a boca no trombone. No minuto seguinte os irmãos Renato e Walder apareceram. Assustados com a presença de estranhos agarrando a irmã, eles entraram em luta corporal com os assaltantes, sem perceber que eles estavam armados… E aconteceu o inevitável! Dois dos assaltantes, um com um 38 e outro com m 32 atiraram nos irmãos! Frustrado o assalto, os ladrões fugiram do local margeando o Rio Sapucaí em direção à Lagoa Vermelha. Pouco tempo depois os policiais abordaram na beira do rio, dois deles, Ewerton Sanches, o “Xanxão”, e Roni da Silva Vitor. Ambos estavam com as roupas molhadas! Minutos mais tarde outra equipe da policia militar abordou outro ‘molhado’, Carlos Alberto da Silva, o “Dez”, nas proximidades de Bloquel.

Carlos Alberto “Dez” da Silva: terceiro a ser preso, ele contou quem planejou e como foi o roubo


Foi Carlos Alberto da Silva, o “Dez” quem deu com a língua nos dentes. Segundo ele seis pessoas participaram do roubo à transportadora. Ele, Xanxão, Roni e ainda Milton “Zoio”, Rodrigo “Carioca” e Fernando Ribeiro dos Reis. O sexteto de assaltantes chegou ao local do crime em um VW Gol conduzido por Bruno “Zóio”.
– Eu estava’ com o ‘cano’ 32, o “Xanxão” estava com o cano 38 e o Roni com a faca – confessou o meliante. Aliás, o motoboy “Dez” confessou todo o mecanismo do crime, desde o convite e planejamento de Ewerton “Xanxão”, morador do Cidade Jardim, para o cometimento do crime. Só não contavam com a reação dos empresários.

Bruno “Zóio”…


Renato Nazareno de Souza recebeu três tiros na região abdominal e morreu no local. Walder Nazareno recebeu dois tiros, um no braço e outro na perna. A irmã deles, Maria Lucia recebeu coronhadas de revolver na cabeça e pancadas no olho. Ambos foram internados no nosocômio sem risco de vida.
Segundo a perita da Policia Civil, que esteve no local do sinistro e periciou as armas, do revolver calibre 32, usado por “Dez” saíram seis tiros. Do trezoitão usado por Ewerton saíram três. As outras três balas não saíram porque picotaram!

Rodrigo Carioca…


Durante as diligencias os militares foram informados por amigos ocultos da lei que os fujões haviam dispensado os dois revolveres usados no crime, por sob o muro de uma casa desabitada na rota de fuga. No local mencionado os policiais apreenderam as armas, celulares e toucas ninjas usadas no crime.

Rony…


Milton Bruno “Zoio” Teixeira Messias, Fernando Ribeiro Reis e Rodrigo Alessandro “Carioca” Palmeira foram presos numa construção na rota de fuga para o Cidade Jardim. Eles fingiram ser peões da obra, mas não colou!
Todos os envolvidos são suspeitos de roubos recentes nas vizinhas cidades de Conceição dos Ouros, Congonhal, Estiva, São Gonçalo do Sapucaí, Silvianópolis e Pouso Alegre.

Fernando…


O detalhe irônico nessa história, é que um dos bandidos havia recebido visita da polícia poucas horas antes do crime. Às seis da manhã Ewerton Sanches, o “Xanxão”, 39 anos, morador do Cidade Jardim recebeu em sua casa uma equipe da “Operação Notus”! Eles procuravam drogas e outras provas de crimes, mas só encontraram e apreenderam um celular.

Segundo Carlos Alberto “Dez”, Ewerton é o que portava o 38, cujas três balas picotaram…


À exceção de Carlos Alberto “Dez” da Silva, que ‘deu’ toda a fita, todos os demais envolvidos no latrocínio do empresário do transporte juraram de pés juntos que são inocentes. Mas sentaram ao piano, assinaram o 121 c/c 157 e subiram – de novo – para o Hotel do Juquinha, onde poderão ficar nos próximos trinta anos!

Policia Civil mostra as armas…

Graças a uma Resolução do Conselho Nacional de justiça, acatando pedido da Secretaria de Direitos Humanos, a policia agora não pode mais mostrar seus presos de frente…!

A operação batizada com um nome curto, mas que sugere, e pretende soprar o crime para bem longe do Sul de Minas, foi realizada antes de o sol desta sexta-feira, 29, nascer. Entre mandados de prisão e de Busca & Apreensão eram mais de 40 alvos. Trinta e nove pessoas receberam as pulseiras de prata da lei. Doze em flagrante. As demais, já com a ‘carta branca’ do Homem da Capa Preta!
Um dos alvos é um estudante segundanista de medicina. Ele não foi encontrado em casa, no Santo Antonio, quando os policiais chegaram para o café da manhã, e nem na sala de aula da faculdade onde foi procurado mais tarde. Mas a batata do futuro medico está assando. Ele está na lista dos investigados por tráfico de drogas!
A mitológica Operação Notus, envolvendo cerca de 150 policiais lotados no 17º Departamento de Policia Civil de Pouso Alegre, que engloba as regionais de Pouso Alegre, Itajubá e São Lourenço, com dezenas de viaturas, helicóptero e cães adestrados, se estendeu às cidades de Santa Rita do Sapucaí, Heliodora, São Sebastião da Bela Vista, São Gonçalo do Sapucaí, Congonhal, Ouro Fino, Borda da mata, Monte Sião e Pedralva. O ‘vento sul’ soprou até a cidade paulista de Itapira.

Ladrões, intrujões, traficantes puderam perceber neste final de setembro, que a Policia Civil de Minas, cá no sul, apesar dos pesares, está muito viva! Aquela pergunta que os ouvintes do programa “Tudo Junto & Misturado” costumam me fazer às terças e sextas-feiras na Super Radio 90 FM, está respondida com ação: a Policia Civil não morreu! É bem verdade que há tempos vem recebendo o salário atrasado; que hoje tem menos investigadores do que tinha em 1980; que o que resta não consegue trabalhar atrás do computador e ir pra rua, exercitar o tirocínio policial, ao mesmo tempo… Mas continua disposto a mostrar as armas e ‘soprar’ o crime para longe!
No entanto, por ironia do destino, um dos investigados e abordados pela policia civil antes do sol nascer – e não foi preso por falta de provas, – quatro horas mais tarde participou de um roubo à mão armada, onde um empresário morreu… conforme veremos no próximo post!

Hoje é dia dela… Severina do Popote!!!

A sedutora senhora de quase cinco séculos está fazendo aniversário!

Produzida no Brasil desde que o país era criança em fraldas – 1530 – a bebida produzida com caldo de cana fermentado é a única genuinamente brasileira! No Período Colonial tornou-se símbolo da resistência ao colonialismo de Portugal. Mais tarde no Império, tornou-se símbolo da Independência do Brasil.
Passou por vários status sociais. Dos escravos aos senhores de engenho. Do proletariado à burguesia! Apreciada pela elite dominante do século dezenove, frequentou até o palácio real. Com a proclamação da república em 1889, perdeu duplamente a nobreza! A partir de então o chic era beber vinho, champanhe e Whisky importados. E a velha cachacinha virou “bebida de pobre”, vendida em botecos…!
Ficou assim marginalizada durante quase um século! A partir de 1980 começou reconquistar seu espaço. Hoje só no município de Salinas, Nordeste de Minas, existe cerca de 60 alambiques. Todos tentando seguir os passos da septuagenária conterrânea Havana, que não se encontra por aí a menos de R$ 560 a garrafa.
Em 1995 o escrivão de policia aposentado, Sr. Lima, se valendo do bom relacionamento com a alta sociedade pouso alegrense, entrou no ramo da cachaça. Trazia de salinas a famosa “Lua Cheia”. Comprei algumas dele à R$ 4 a garrafa de 600ml. A Velho Barreiro ou a 51 custavam na época R$1,70 o litro! Hoje a mesma Lua Cheia custa no mercado, em média, R$ 90.
Há muito que se falar deste novo filão de ouro brasileiro – coincidência ou não, a cachaça ouro predomina sobre a prata em todas as prateleiras e cachaçarias – que a cada dia, com roupagem nova, ganha mais o mercado estrangeiro. Tem até um ator americano fazendo comercial de uma cachaça brasileira. E olhe que nem é das melhores!
Mas voltemos ao titulo desta embriagante matéria!
Um pouco da Historia da Cachaça no Brasil
Antes de falarmos do dia Nacional da Cachaça, que é comemorado no dia 13 de setembro, vamos entender um pouco sobre como surgiu nosso querido destilado e sua importância histórica e cultural.
De certa forma podemos dizer que a história da Cachaça acompanha a história do próprio Brasil. O primeiro registro da nossa cachacinha se deu quando a agua que evaporava em torno da moenda onde se fazia a rapadura e o açúcar, e ardia ao cair nas costas dos escravos, foi chamada de ‘agua ardente’! Quando os mesmos escravos começaram a beber aquela agua e ficar eufóricos, e consequentemente mais produtivos, tiveram que batiza-la de “Aguardente”! Dai o primeiro nome da nossa cachaça.
A descoberta da cachaça pelos escravos, foi portanto por acidente! No processo de fabricação das rapaduras, moía-se a cana de açúcar, fervia-se a garapa e deixava-se esfriar em formas, de forma que ficasse somente o extrato que era usado para adoçar as bebidas, como café, sucos entre outras. Porém uma vez ou outra esse processo dava errado, e o caldo fermentava e tinha que ser jogado fora, pois não era aproveitado para adoçar. Por sua vez esse caldo esverdeado e escuro era chamado pelos escravos de ‘cagaça’, remetendo a algo que se dava errado. Entretanto, era consumido por alguns escravos, que após beber, trabalhavam com uma certa euforia e contentamento, fazendo até com que o trabalho rendesse mais.
Vendo que os escravos trabalhavam entusiasmados, os senhores de engenho por sua vez incentivavam os escravos a consumir a bebida. E se era bom para os escravos, devia ser bom também para o restante da população, que logo a adotou! E a bebida ganhou espaço importante na economia colonial, sendo usada por comerciantes como moeda de troca. Isso fez com que a cachaça se tornasse concorrente da bagaceira, do vinho, produzida em Portugal.
No entanto, para a corte portuguesa, essa atitude era uma afronta ao poder da metrópole, e foi decretada a proibição da bebida para os negros. Para intimidar os senhores de engenho e produtores de Cachaça, estabeleceu-se um decreto através do qual era cobrado um imposto abusivo sobre a fabricação e venda da Cachaça. Inicialmente os produtores acataram as taxas, porém, chegou em um certo momento, como acontece até hoje, que estava prejudicando-os e, claro, pois não estavam conseguindo arcar com seus custos. E partiram então para a ilegalidade. A corte não deixou barato: ordenou a destruição de alguns alambiques, causando indignação com alguns revoltosos.
O descontentamento dos produtores provocou uma rebelião contra a metrópole que, em 1660, data do marco histórico, estabeleceu-se a ‘Revolta da Cachaça’.
No dia 13 de Setembro de 1661 indignado com as leis decretadas na Carta Real que também em 13 de setembro do ano de 1649, havia proibido a venda e a comercialização em todo território colonial, os proprietários de alambique e de plantação de cana de açúcar tomaram o poder na cidade do Rio de Janeiro, por aproximadamente cinco meses. Após a tomada do poder os rebelados foram reprimidos pela corte com extrema violência. Seu líder, Jerônimo Barbalho Bezerra, foi capturado, enforcado e decapitado. Como forma de repressão às revoltas e para amedrontar a população e evitar movimentos semelhantes, sua cabeça foi pendurada na cidade!
Essa ciumeira do Império, colocou a cachaça na ilegalidade, sendo consumida em sua maioria por escravos e pessoas com pouca renda. Por isso sua imagem ficou denegrida e associada a uma qualidade inferior às demais bebidas.
Mas a estonteante bebida – que, 320 anos depois seria rebatizada por este jornalista com o pomposo nome de ‘Severina do Popote’ – apesar de rustica, descoberta acidentalmente, continuou se aperfeiçoando.
Com o passar do tempo, passou a ser destilada, filtrada e seu processo de fermentação foi melhorado. Hoje é fonte de divisas para o país. Os mais tradicionais ‘mercadões’ municipais abrigam ao menos uma cachaçaria. Os mercadões municipais de Belo Horizonte e de Curitiba juntos, tem duas dezenas de lojas que só vendem cachaças!
Da branca ou da amarela? Como chegaram a essa coloração e esses sabores? Isso também foi acidental.


Com o declínio do ciclo açucareiro, no século XVII, a descoberta do ouro no interior da colônia, tomou seu lugar na economia nacional. Por este motivo, houve uma grande migração da população para o interior do país, mais especificamente Minas Gerais. Com isso era necessário transportar a produção das Cachaças que eram feitas em sua maioria em cidades litorâneas, para Minas Gerais, onde tinha um grande mercado e oportunidades para o crescimento.
Os produtores transportavam para o interior as cachaças brancas (puras) em barris de madeira e devido ao tempo que era gasto para transportá-los, através do contato com as madeiras, a cachaça acabava alterando o sabor, amarelando e tomando aromas diferenciados. Assim foi descoberto um processo de aperfeiçoamento do nosso destilado. Com a descoberta, os produtores viram a oportunidade de diferenciar as suas Cachaças das concorrentes. Hoje, cerca de 90% da garrafas expostas nas prateleiras da cachaçarias, é amarela.
Com o aprimoramento da produção, a Cachaça começou a ter atenção dos nobres e ser consumida em banquetes do palácio e confraternizações.
A ‘agua’ que pingava e ‘ardia’ nas costas dos escravos e quando consumida os deixava ‘alegrinhos’, há quase quinhentos anos, se tornou a bebida típica e grande fonte de economia no país. Gera empregos diretos, indiretos e em 2016 gerou aproximadamente 14 milhos de dólares para o Brasil.
Por essas e por outras, em 2010, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de Lei do Deputado Valdir Colatto, que institui o dia 13 de setembro o “Dia Nacional da Cachaça”.
Hoje é 13 de setembro… Dia de comemorar o dia do destilado 100% brasileiro, que emprega, que gera renda e nos faz feliz!
Portanto abrace a sedutora Severina do Popote… Mas sempre com moderação!

Lipa & Grilo, os formiguinhas da Sapucaí

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Eles protagonizaram uma das mais agitadas perseguições policiais do ano na Baixada do Mandú nesta segunda…

A velha Sapucaí começa a um quarteirão da avenida principal e vai se abrindo para o sudeste da Baixada do Mandú

Pense numa cena de filme de chanchada-policial com dois bandidos sendo perseguidos por vários mocinhos tentando, prendê-los com droga, na quebrada mais quente da cidade! Ao serem perseguidos eles pulam muros & quintais, sobem em telhados, caem de telhados, invadem residência, são descobertos debaixo da cama, encaram policiais, rolam com eles na poeira, recebem pulseiras de prata, tentam dobrar a serra do cajuru mesmo algemados até que finalmente sentam ao piano do paladino da lei… e acusam a policia de agressão e de forjar provas!
Pois sim! Agito muito maior do que eu reproduzi nestas singelas linhas aconteceu no meio da tarde desta segunda-feira, 11, nos quarteirões limítrofes das ruas Juruá com Sapucaí! Na Baixada do Mandu, claro!
Tudo começou às três e meia da tarde quando amigos ocultos da lei avisaram que os irmãos Bruno “Grilo” e Nailton “Lipe” Coutinho estavam distribuindo pedra bege fedorenta e farinha do capeta à preços módicos numa quebrada da Sapucaí.
Segundo a PM, Bruno atendia o cliente na rua, recebia a ‘ararinha’, se dirigia ao portão de um terreno murado ali perto, batia levemente no portão, recebia um pequeno volume das mãos de Nailton e levava até o cliente. Era o legitimo trafico formiguinha!
Depois de observar por alguns minutos o modus operandi dos irmãos e ver que eles saíram do local e entraram em Fiat Uno azul, os homens da lei deram o bote… E começou a chanchada policial!
Ao ver seu veiculo cercado por varias viaturas, o piloto abandonou o veículo e passou sebo nas canelas. Tropeçou na pressa e rolou na poeira duas vezes, mas levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima! Por cima mesmo… Galgou um muro, pulou no telhado, passou para o outro, passou para o terceiro e desceu no quintal da quinta casa! Parecia ter despistado a policia. Até que uma criança saiu gritando no portão:
– Tem um moço feio no meu quarto…!!!
Mesmo encurralado dentro de casa, Nailton não se rendeu. Somente com a ajuda da sisuda senhora “Tonfa” os policiais conseguiram dominá-lo e presentear-lhe as pulseiras de prata!
Dominada a situação, os policiais refizeram parte do trajeto do fujão – menos subir nos telhados, é claro – e apreenderam uma sacola plástica deixada pelo caminho, contendo R$1.700 reais, além de ouros R$ 172 na algibeira do moço.
Mas as cenas de cinema de quinta – para preencher madrugadas de Natal, quando todo mundo já foi dormir empanturrado de vinho tinto com leitoa e peru – ainda não tinha acabado! Ao ver o comboio se aproximando do formigueiro, quero dizer, do terreno murado, onde os irmão imitavam formiguinhas saúvas, Bruno passou sebo nas canelas, pulou o muro, saiu pelos fundos, passou como um corisco pelo acampamento cigano e dobrou a serra do cajuru!
No formigueiro abandonado às pressas, os policiais encontraram uma balança de precisão e demais petrechos comumente usados para dolagem de drogas tais como rolos de fita, pinos vazios, faca, lamina e o característico cheiro de drogas diversas. Havia maconha até dentro de garrafa pet… com agua!
A ultima cena do agitado imbróglio protagonizado por mocinhos & bandidos, já no inicio da noite do inesquecível 11 de setembro, aconteceu distante da Baixada do Mandú. Ao ser levado do quartel da PM, onde se redigiu o BO de sua prisão, para o taxi do contribuinte que o levaria para a delegacia de policia, Nailton tentou nova fuga, debaixo das barbas dos policiais! E novamente sucumbiu com a força da maré contraria. Sucumbiu mas fez barulho, gritando aos quatro ventos que estava sendo agredido pelos policiais! Mas neste momento ele já estava sendo assistido pelo seu causídico que presenciou toda a cena!
E lá foi o formiguinha Nailton “Lipe” Raimundo Coutinho, 30, sentar ao piano do paladino da lei na DP. O mano Bruno “Grilo” de Jesus Coutinho, 20, que recentemente deixou a hospedagem gratuita do Hotel do Juquinha, ainda não recebeu a ‘estatueta’ pela sua atuação na ‘chanchada’ de ontem… Mas a batalha está assando pra ele!

Seis de setembro: o ultimo dia de trabalho do policial

“…por uma fração de segundo ficamos ali cara-a-cara, quase sentindo o bafo amanhecido um do outro! Mais perto ainda da sua cara estava o cano frio do trezoitão niquelado… E apertei o gatilho!!!”

Cheguei com o motor do Palio já desligado, parei na frente da casa simples da Rua do Queima, fechei a porta sem bater, dei uma rápida espiadela pela greta do portão, subi no muro e saltei pra dentro do quintal. Tudo tinha que ser muito rápido. Além do trinta e oito especial niquelado, cabo de madeira que eu levava com o dedo no gatilho eu contava com a mais poderosa das armas: a surpresa. Era necessário surpreender o bandido ainda nos braços de Morfeu! Sem dar tempo de reação! Mesmo que ele dormisse com o trabuco debaixo do travesseiro! Quando bati os pés com as pernas flexionadas para amortecer a queda no chão, Mestiço deu um salto e um grito de susto. Para evitar que o segundo salto fosse sobre mim, só havia uma coisa que podia fazer… Apertar o gatilho do trezoitão! Com a flexão das pernas e o corpo ao nível dele, por uma fração de segundo ficamos ali cara-a-cara, quase sentindo o bafo amanhecido um do outro! Mais perto ainda da sua cara estava o cano frio do trezoitão niquelado… E apertei o gatilho!!!

O ultimo de trabalho de todo cidadão é esperado com ansiedade. Se ele for policial, multiplique por dois, por cinco por dez a expectativa, de acordo com seu dinamismo. Eu estava no auge. Promovido – ainda que informalmente – a Inspetor, havíamos derrubado a estatística de crimes na cidade quase ao nível do chão. Quase todos os meliantes conhecidos estavam hospedados no Hotel Recanto das Margaridas. As pessoas que viam o Palio e a velha Parati da PC rodando a qualquer hora do dia e muitas vezes antes do sol mostrar os bigodes, ou um carro estranho com três elementos exibindo os canos grossos e frios das “12”, comentavam:
– Tem uma equipe de fora trancando todos os bandidos na cidade!
A “equipe de fora” era apenas eu, o veterano Benicio, o jovem Kleber e eventualmente, nas madrugadas, o vistoriador Roni e o recepcionista Little John, que usávamos para cercar os muquifos cada um numa esquina ou num ponto estratégico empunhando uma 12… Sem balas naturalmente. – Eu não seria doido de colocar dois cartuchos na espingardona e deixa-la na mão de policiais ‘ad-hoc’, ainda que soubessem manusear melhor do que eu! Mas não eram policiais de verdade! – Mas os meliantes não sabiam que o trabuco estava desarmado. Bastava colocar a cabeça sobre o muro e ver a cara de mau do Joãozinho segurando a 12 que eles baixavam o topete! Foi assim que em pouco mais de um ano a ‘equipe de fora’ – formada por dois detetives veteranos prestes a se aposentar, um detetive cheirando à Acadepol e dois ‘bate-paus’, forçou a bandidada de Santa do Sapucaí a tirar férias no Hotel Recanto das Margaridas em 2007. A pressão nos bandidos era tanta que alguns desistiram de roubar. Teve um que, sentindo-se acuado, devolveu espontaneamente a res furtiva.

– As roçadeiras que vocês estão procurando estão numa casa de colono abandonada na entrada da fazenda do Waguinho, pela estrada que vai para o Bom Retiro… Nós as devolvemos lá esta madrugada. Agora vê se me deixa em paz! – falou o meliante com voz de quem comeu jiló! e desligou o celular…

 

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Setenta quilos de maconha em Congonhal

A droga estava guardada na garagem da casa de uma senhora. Mas pertence ao cidadão Wesley “Chorão”!

A policia chegou até a droga através de denuncias de amigos ocultos da lei. Na quinta-feira à noite, várias ligações no DDU informavam que na garagem de uma residência na rua Cesario Alvim, no centro de Congonhal, havia grande quantidade de maconha para abastecer a região. A mesma pessoa que denunciava a localização da droga, informava que a dona da garagem nada tinha a ver com trafico: ela apenas alugava o imóvel para um terceiro.
Na sexta-feira,01, depois de algumas horas de campana esperando o dono da erva, a policia militar de Pouso Alegre deu o bote e confirmou a denuncia. Os tabletes de maconha estavam guardados em quatro malas, sob o fundo falso – de madeira – na citada garagem. Quem localizou a erva, através do seu apurado olfato, foi a ‘senhora’ Eva, a cadela farejadora da PM de Pouso Alegre. Antes de entrar na garagem, a agitada Eva revirou todos os cômodos da casa da cozinheira Ivonice Rosa, mas não encontrou nada de ilícito.
Conduzida para a Delegacia de Policia de Pouso Alegre, a cozinheira prestou depoimento e esclareceu que recentemente alugou sua garagem, que fica ao lado da sua residência, por cem reais por mês, para o cidadão de nome Wesley do Couto.
– Ele disse que estava comprando outro carro e precisava urgentemente de uma garagem para guarda-lo! – contou a senhora Ivonice tentando ficar livre da ‘batata quente’.

Wesley Rodrigues do Couro, 29, conhecido no meio policial de Pouso Alegre pela alcunha de “Chorão”, não foi encontrado para dar entrevistas. Até o momento ele não procurou a delegacia para reclamar a droga. Mas a batata está assando pra ele…!

Tentativa de homicídio no Faisqueira

O baixinho escapou ileso, mas os tiros acertaram um garotinho de 5 anos!

Pouso Alegre está a 45 dias sem assassinatos… mas não por falta de tentativas! A ultima aconteceu ao pé da noite da última sexta-feira, 01 de setembro.
O sinistro, altamente barulhento, aconteceu no Loteamento Pão de Açúcar, no bairro Faisqueira. Além de atingir parcialmente um garoto de 5 anos, o pretenso assassino colocou vários desafetos para correr. Aliás, para correr não…, para pular muros! Pelo menos quatro pessoas pularam o muro dos fundos e foram se esconder dos tiros num matagal.
Foi lá que a policia encontrou Jessivaldo, Bruno, Pedro Henrique e Romário. Assustados eles contaram que estavam no quintal da casa quando o cidadão Robson Duarte Moreira chegou chamando pelo desafeto e antes mesmo de vê-lo puxou o gatilho do trabuco. Dois tiros acertaram a mão esquerda do garoto Wellyton, de 5 anos. Ele foi levado pela PM ao hospital regional Samuel Libanio.
O alvo dos irmãos Robson e Max era o desafeto Romário Correia Neves, 22, que mora na mesma republica. Quando ele desceu da moto defronte a casa, Max esperava por ele atrás de um caminhão, de arma em punho. Apesar da tocaia, o baixinho, quero dizer, Romário também conseguiu driblar seu algoz.
O pivô do imbróglio que quase azedou no Pão de Açúcar é a garota Stephanie, 22, namorada de Max, que teria sido assediada por Romário. Ela também foi vista no local do sinistro.
Após a tentativa frustrada de matar o desafeto, os irmãos dobraram a serra do cajuru numa motoca Yamaha Fazer.
Mais tarde, já na no quartel da PM onde os policiais qualificavam os envolvidos no imbróglio, Robson saltou da garupa de uma moto, se apresentou e assumiu a autoria da tentativa de homicídio.
O revolver 38 usado no crime, ele diz ter jogado no Rio Mandú! Robson Duarte Moreira, 26, cearense de Barbalha, sentou ao piano, assinou o 121 c/c 14 do CP e mudou-se do Pão de Açúcar para o Hotel do Juquinha!
A batata do Max Duarte Moreira, que segundo Romário, também estivera no local do crime empunhando um trabuco, está assando.

Por que os cães não atacavam Fernando da Gata?

Há 35 anos, no final do mês de agosto de 1982, Pouso Alegre vivia seu pior pesadelo: Um “misterioso bandido, com parte com o demônio, capaz de dominar ferozes cães dobermanns, invadia mansões e roubava e estuprava as mulheres na frente de seus maridos…”!

Toda cidade tem uma história de bandido para contar. Algumas tem mais de uma. Pouso Alegre, no Sul de Minas, hoje – 2017 -, com 147 mil habitantes, também tem suas histórias.
O mais ilustre bandido que passou por Pouso Alegre foi o cirurgião plástico Osmany Ramos. Ele, no entanto, não cometeu nenhum crime em terras manduanas. Ele apenas passou por Pouso Alegre vindo de Inconfidentes, onde foi preso em uma chácara. Osmany ficou poucas horas na cidade, em 1996, antes de ser levado pela polícia federal para o Rio de Janeiro. Mas foi o suficiente para causar um tremendo frisson quando foi levado ao hospital regional Samuel Libanio para se submeter a exames de ‘corpo de delito’.
O famoso – às avessas! – que passou como um furacão por Pouso Alegre e deixou sua indelével marca, foi Fernando Soares Pereira, o “Fernando da Gata”. E deixou um rastro de medo, de fatos e de boatos. Ficou menos de uma semana na cidade. Tão sorrateiro como agiu nas caladas da noite o bandido se foi, levando quilos e toneladas de joias! Quilos de anéis, cordões e pulseiras de famílias abastadas da cidade… E toneladas de dignidade! Ele estuprou quatro recatadas senhoras, esposas de ricos empresários… Na frente dos seus maridos!
Fernando da Gata, que viera famoso de Russas, no Ceará, fez escala na capital paulista e bem que tentou mudar de vida… trabalhou alguns meses na construção civil. Mas seu ‘talento’ criminoso era por demais grande para ser desperdiçado debaixo de sacos de cimento, pilhas de tijolos e latas de concreto! Fernando da Gata nascera talhado para grandes empreitadas… Ainda que fossem para o mal! Em poucos meses de atividade criminosa na capital paulista, o eldorado dos nordestinos, o baixinho cearense colocou toda a polícia civil paulistana nos seus calcanhares. E a imprensa, ávida por furos jornalísticos, também!
Foi assim que, para dar folga às madames paulistanas, o assaltante solitário foi parar em Pouso Alegre no final de agosto de …

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Furtos em movimento

A criminalidade na cidade caiu… Mas os furtos de celular continuam em pé!

Essa linda garotinha está dando sopa para o malandro em prato fundo! Ela está prestes a ficar sem o seu celular..!

O furto mais comum continua sendo aquele em que o ratão – que muitas vezes nem é ladrão – não resiste ao ver um celular sozinho, sobre uma mesa, em cima de um balcão, as vezes em cima de uma maca de hospital, ou mesmo dentro de uma gaveta, que resolve leva-lo pra casa ou uma loja de desbloqueio de celulares, ou… para uma boca de fumo qualquer!

A modalidade vice-campeã de furtos é o arrebatamento! A vitima está caminhando bela e formosa pela rua com o celular na orelha ou mesmo na mão, quando de repente o larapio passa, dá um safanão, toma o aparelhinho e sai correndo!
O último aconteceu no final da tarde desta quinta na Avenida Dr. João Beraldo. Dona Irani passava pela via, distraidamente conversando com seu netinho, quando o ratão passou por ela, deu-lhe um tapa na mão e levou o Motorola G4! A vovó ficou só com o cabo do guarda-chuva na mão!
Logo mais o leitor verá que uma assaltante não conseguiu roubar o celular de uma estudante… porque o aparelho estava no fundo do seu bolso!

Os sequestradores moram ao lado…

No começo, quando começaram os sequestros virtuais, os DDDs, que as vezes apareciam no seu celular, eram o 85, 84, o 67…! A ligação partia do interior de um presidio qualquer de Fortaleza, Natal, ou Campo Grande… Agora o DDD é 35. É da nossa região. O sequestrador virtual é nosso vizinho… ele mora ao lado!!!

O ‘Mané’ tentou aplicar o ‘golpe do primo e o carro quebrado’ no delegado corregedor da policia civil…!!!

Quando atende o telefone, a primeira coisa que você ouve é um choro rasgado de – alguém que pode ser mulher, que pode ser – sua filha!
Com a polícia cada vez mais na sombra dos meliantes, eles apelam para os crimes à distância, crimes que não deixam rastros. Mas atiram para todo lado…! E, como pegam números aleatórios, ou combinações inventadas, muitas vezes acertam policiais, que sabem lidar com eles.
Os crimes virtuais mais comuns no momento são o “golpe do sorteio da ‘Vivo’” – ou outra operadora de telefonia qualquer – o ‘golpe do tio’, tia, avó e o “carro quebrado”, e o mais fácil, comum e eficiente, pois a suposta vitima, quando ouve o choro, se descabela e pára de pensar… o ‘golpe do falso sequestro’!

Nesta quinta pelos menos tres destes golpes virtuais chegaram ao conhecimento da polícia. Nos dois primeiros, os pais, antes de arrancarem os cabelos, procuraram a polícia, e descobriram o engodo. No outro caso, a vítima não procurou a polícia. O próprio vigarista ‘procurou’… A vítima foi um delegado de policia!
O delegado geral – e agora Corregedor da Policia Civil no 17º Departamento de Policia Civil de Minas Gerais, em Pouso Alegre – Altair Mota Machado, estava quieto no seu gabinete concentrado nos seus Inquéritos quando o celular tocou. O sequestrador entrou logo ‘de sola’, dizendo que estava com sua filha adolescente e queria 20 mil para devolvê-la sem furos. O douto e atento delegado, pai de apenas um ‘coloradinho’ ainda em fraldas – aliás, o único torcedor do time gaúcho em Pouso Alegre -, acostumado a lidar com esse tipo de ‘sequestrador’, deu corda, para ver até onde o criminoso virtual iria! Mas o falso sequestrador desconfiou que havia pulado em galho seco, por isso disse algo impublicável e desligou o celular, acabando com a diversão do delegado!
Na manhã desta sexta, dia do soldado, a medica legista T.T.K. de Matos estava no meio de uma aula pratica no IML quando foi interrompida pelo choro de uma pessoa no seu celular. Antes que ela sacasse da bolsa o seu lencinho cor de rosa para emprestar ao chorão virtual, o sequestrador entrou em cena. Entrou falando grosso, mas tentando acalmar a suposta vítima. E, para evitar uma varada n’agua, teve o cuidado de perguntar se ela era mãe ou esposa da pessoa que ‘estava’ em seu cativeiro!
– Calma, calma… Vai ficar tudo bem! Seu filho entrou numa parada furada aê com a gente. A gente tava no meio de um assalto, teve tiroteio com a polícia e a gente teve que arrastá ele, sacou? A fita não rolou! Os manos tão precisando da bufunfa… Mas vai ficar tudo pela ordem. E só pagar que a gente solta o chorão, tá ligado? Mas tem o seguinte: nem pensa em colocar os puliça na fita, senão os mano enche o muleque de balas… Nada de puliça!
A professora, que já havia colocado o celular no ‘viva voz’ sobre a mesa, para que seus alunos também participassem do seu ‘drama’, e dava corda ao falso sequestrador, disse calmamente:
– Cara… Não vai dar para deixar a policia fora disso…
– Como não!! Cê quer que eu te entregue o moleque todo furado?
– Moço, já te disse que não dá para deixar a polícia fora disso…! Você já ligou para a polícia! Eu sou policial civil!!!
O suposto sequestrador, que desta vez, apesar do sotaque de ‘mano’, falava de perto, disse cobras & lagartos e encerrou a ligação, deixando a medica legista e seus alunos rindo a cântaros até o final da aula.
Nestes dois casos os criminosos virtuais deram varada n’agua. Além de não verem a cor do dimdim, ainda serviram de alvo de chacota.
Mas nem sempre o golpe termina com a suposta vítima rindo por último! Tem muita gente por aí pagando pelo resgate de umja pessoa que nunca esteve presa, para depois ligar para o filho ou da filha e ficar sabendo que ele ou ela estava de ‘diboinha’ cuidando da vida.
Para não cair num destes golpes, não precisa ser policial… Basta desligar o celular na orelha do sequestrador!
Apesar de estes criminosos virtuais atirarem sempre no escuro, por via das duvidas, fuja um pouco da rotina! Não exiba tanto suas riquezas! Afinal, os criminosos virtuais agora moram ao lado…