Por que os cães não atacavam Fernando da Gata?

Há 35 anos, no final do mês de agosto de 1982, Pouso Alegre vivia seu pior pesadelo: Um “misterioso bandido, com parte com o demônio, capaz de dominar ferozes cães dobermanns, invadia mansões e roubava e estuprava as mulheres na frente de seus maridos…”!

Toda cidade tem uma história de bandido para contar. Algumas tem mais de uma. Pouso Alegre, no Sul de Minas, hoje – 2017 -, com 147 mil habitantes, também tem suas histórias.
O mais ilustre bandido que passou por Pouso Alegre foi o cirurgião plástico Osmany Ramos. Ele, no entanto, não cometeu nenhum crime em terras manduanas. Ele apenas passou por Pouso Alegre vindo de Inconfidentes, onde foi preso em uma chácara. Osmany ficou poucas horas na cidade, em 1996, antes de ser levado pela polícia federal para o Rio de Janeiro. Mas foi o suficiente para causar um tremendo frisson quando foi levado ao hospital regional Samuel Libanio para se submeter a exames de ‘corpo de delito’.
O famoso – às avessas! – que passou como um furacão por Pouso Alegre e deixou sua indelével marca, foi Fernando Soares Pereira, o “Fernando da Gata”. E deixou um rastro de medo, de fatos e de boatos. Ficou menos de uma semana na cidade. Tão sorrateiro como agiu nas caladas da noite o bandido se foi, levando quilos e toneladas de joias! Quilos de anéis, cordões e pulseiras de famílias abastadas da cidade… E toneladas de dignidade! Ele estuprou quatro recatadas senhoras, esposas de ricos empresários… Na frente dos seus maridos!
Fernando da Gata, que viera famoso de Russas, no Ceará, fez escala na capital paulista e bem que tentou mudar de vida… trabalhou alguns meses na construção civil. Mas seu ‘talento’ criminoso era por demais grande para ser desperdiçado debaixo de sacos de cimento, pilhas de tijolos e latas de concreto! Fernando da Gata nascera talhado para grandes empreitadas… Ainda que fossem para o mal! Em poucos meses de atividade criminosa na capital paulista, o eldorado dos nordestinos, o baixinho cearense colocou toda a polícia civil paulistana nos seus calcanhares. E a imprensa, ávida por furos jornalísticos, também!
Foi assim que, para dar folga às madames paulistanas, o assaltante solitário foi parar em Pouso Alegre no final de agosto de 1982, mês do ‘cachorro louro’! Não por acaso, de todos os predicados atribuídos a Fernando da Gata, o principal, era exatamente sua capacidade de acalmar e dominar ‘cachorros loucos’! Não eram exatamente loucos, mas eram ferozes cães de guarda, especialmente os esguios ‘Dobermanns’, os quais reinavam nos quintais das mansões naquele começo de década, depois que a luzes eram apagadas! Ninguém ousaria entrar nos quintais na calada da noite. Ninguém. Menos… Fernando da Gata!
Os donos das casas até ouviam os latidos ferozes dos seus ‘dobermanns’ no meio da noite. Mas quando se arriscavam a abrir a porta ou espiar pela janela, lá estava o amigo fiel sentado num canto do quintal! Atento, mas silencioso. Como se tivesse visto apenas um gato em cima do muro, mas o intruso já tivesse ido embora. Minutos depois o gato, quero dizer: o “da Gata”, estava no seu quarto apontando um trabuco para o seu nariz!
Mas como o esguio Dobermann parou de latir e se aquietou no canto?
Esse foi o grande mistério que Fernando da Gata levou com ele no crepúsculo de um dia frio de inverno, no começo de setembro, nas margens do Rio Sapucaí, há poucos quilômetros de Santa Rita do Sapucaí, uma semana e meia depois de protagonizar a maior caçada policial da história e colocar Pouso Alegre no cenário nacional com suas façanhas. Fernando da Gata não matou os cães de guarda. Sequer tocou em algum cachorro! Ou talvez tenha tocado… para lhes fazer um cafuné!
– Como pode, um cachorro que quase pula muros para atacar quem passa no passeio do lado de fora, ficar quietinho no canto do quintal enquanto o bandido entra e arromba a porta da casa do dono? – Perguntavam as pessoas com os olhos arregalados.
– Ele tem parte com o demônio! – Respondiam umas, fazendo o sinal da cruz!
– Ele hipnotiza os cães…! – Diziam outras, incrédulas.
Seu fascínio sobre os ferozes Dobermanns – ou o contrário! – virou mito.
Mais de vinte anos depois… desvendei o mistério. E matei o mito!
A saga de Fernando da Gata, sua passagem por Pouso Alegre, sua caçada por dezenas de policiais e sua morte solitária na beira do rio, apesar de muito propalada na época, nunca foi bem contada! Menos de meia dúzia de pessoas sabem o local exato onde seu corpo tombou e agoniou no crepúsculo daquela sexta feira!

Voltemos ao mistério do fascínio dos dobermanns pelo bandido…

Seguíamos na velha Parati pela rua do Asilo à procura do Marcelo da “Katião”, quando o avistei. Ele estava sentado no barranco do Distrito Industrial, de frente para a quadra poliesportiva da Vila Operaria, fuçando num celular. Pensamos rápido. Paramos, saltei e pedi aos colegas Benicio e Kleber que seguissem em frente, fizessem o contorno e chegassem por trás. E fiquei na esquina na entrada do beco que dá acesso à quadra. Por cima do muro eu observava Marcelo – identificado como autor de vários furtos à residências, – sentando solenemente no barranco namorando o celular. A vinte centímetros à sua direita, sentada no traseiro, estava sua fiel cadela Pitt Bull malhada.
Ao ouvir o chacoalhar da velha Parati, Marcelo olhou para a esquerda, viu o perigo se aproximando, engatou uma primeira e desceu o barranco em direção à quadra. Deu apenas dois passos. Antes do terceiro, uma azeitona quente saída do meu 38 cravou-se na terra argilosa do barranco, a poucos centímetros do seu tênis sem meia.
Minha preocupação era com a Pitbull malhada ao seu lado. Você se arriscaria a prender um sujeito com uma Pitbull à tiracolo? Eu não. – Certa vez, no começo de carreira, prendi e atravessei meia cidade com um ladrãozinho de residências numa chave de braço. Mas ele não tinha uma Pitbull malhada! – Só me atrevi a barrar o caminho do meliante na descida do barranco porque eu estava atrás do meu inseparável companheiro; um Taurus calibre 38, oxidado cano reforçado. E para mostrar minha coragem fui logo apertando o gatilho e avisando:
– O próximo vai meio metro para cima!
A freada de Marcelo no meio da descida foi tão brusca que ele precisou se equilibrar na ponta dos pés. A surpresa maior foi a atitude da cadela malhada. O indicador continuava suado no gatinho do trezoitão, pronto para puxá-lo quando ela desse o bote, mas não… A cadela não disse uma palavra! Assustada, surpresa, apavorada, sem saber de onde viera o tiro, a exemplo do dono, ela se limitou a parar instantaneamente a trinta centímetros dos pés dele. E ficou imóvel com o traseiro na terra. Passado o perigo? Não sei. Eu não perguntei. E a cadela preferiu o silencio. Mantendo uma distância segura, para economizar bala, ordenei que Marcelo voltasse de fasto até o alto do barranco onde a Parati já esperava com o ‘forninho’ aberto. Além do primeiro e único tiro, toda a ação foi rápida, curta e silenciosa, como aliás devem ser as abordagens policiais em locais públicos. Orientado por nós, Marcelo só precisou usar uma frase, quando a cachorra levantou as patas dianteiras para embarcar com ele no forninho:
– Vá pra casa, Malhada!
O mandado de prisão temporária era apenas para seu dono! Por isso não podíamos levar a cadela presa. Sua passividade diante do meu trabuco, no entanto, acendeu-me uma pequena centelha sobre o comportamento dos cães diante de um trabuco…

Tempos depois o comportamento de outra Pitt Bull de bandido ajudou-me a desvendar o mistério dos Dobermanns de Fernando da Gata.
A primeira vez que subi o muro dos fundos da casa do traficante Toby, no bairro Monte Belo, dei graças à Deus pelo fato de o muro ser tão alto. Quando sentei no muro a cadela muito parecida com a do Marcelo da Katião deu-me o ultimato:
– Não desça aqui no meu quintal, senão te estraçalho – disse a PitBull de tetas ainda salientes pelo fim da amamentação, mostrando todos os dentes! Mas eu desci… Desci depois que Toby, ao ver sua casa cercada pelos fundos, pela frente e pelos lados, trancou a cadela no canil!
Tensão maior, muito maior, aconteceu diante da cadela do Toby, na ultima vez que ela nos recebeu para um café da tarde. O problema é que naquele dia Toby não estava em casa para protege-la. Usei o mesmo caminho de sempre: o muro dos fundos. Enquanto eu conversava com a cadela, ainda em cima do telhado, os colegas entraram pelo muro da frente. Toby já estava mais famoso. Por isso éramos um grupo bem maior. Além dos colegas Benicio e Kleber, havia outra equipe da policia militar. Aos poucos e com cautela fomos nos aproximando e encurralando a fera. Até que ela viu de perto nove canos frios e escuros apontando para o seu focinho. E aí aconteceu a surpresa: a cadela Pitbull malhada baixou ainda mais a cabeça, colocou o cotó de rabo entre as pernas e pediu pelo amor de Deus para ir ficar quietinha no final do corredor, vigiando o tapete, defronte um quartinho no quintal. O detalhe é que ela tremia mais que folha de coqueiro em tempestade!
Quanto ao medo da cadela, não entendíamos nada. Já o fato de postar-se ao lado da porta do único cômodo do imóvel que ainda não havíamos ‘varrido’, segundo nossas deduções cachorrísticas, significava uma coisa só: era naquele quartinho dos fundos, com apenas uma janela e uma porta, que o nosso anfitrião estava! Para exibir-lhe as pulseiras de prata tínhamos que entrar lá. Pela janela, trancada por dentro, era impossível. O jeito era entrar pela porta de madeira. Mas a porta estava no final do corredor de três metros de comprimento. Teríamos que dividir o espaço de 90 centímetros de largura com a cadela malhada defendendo, provavelmente, seu dono…!
Quem se arriscaria?
Nenhum de nós.
Nenhum de nós, não. Mas os nove juntos, sim! E entramos enfileirados no corredor. Entramos perfilados, pé-pós-pé, esfregando lentamente as costas na parede, coração batendo a cento e cinquenta. Dezoito olhos sem piscar, cravados na cadela! Nove canos frios naquele corredor sombrio todos apontados para a cabeça grande e disforme da malhada tremendo. Ela nunca esteve numa corda tão bamba! E presenciamos uma cena improvável! De dar dó! À medida que o corredor atrás de nós foi ficando livre depois da nossa passagem, a cadela lentamente foi se levantando, mal se parando em pé nas pernas bambas de tanto que tremia! À medida que passava por nós, os canos frios dos trabucos se aproximavam mais da sua cabeça! Se ela arriscasse uma careta, ou exibisse os dentes, ou dissesse um ‘au’, um ‘auzinho’ que fosse, todos nós ficaríamos surdos… com a saraivada de balas que seriam disparadas naquele apertado corredor sem saída!
Naquele dia tenso erramos o bote. Toby não estava no quartinho! E nem na casa. Depois de ver o ultimo de nós pulando o muro da frente de volta pra rua, a cadela malhada colada num cantinho do quintal parou de tremer. E deve ter pensado: “Ufa!!! Essa foi por pouco. Quase morri do coração”!
A tremedeira da Pitbull do Toby não foi em vão. Ajudou a entender porque os cães não atacavam Fernando da Gata…!
Eram cerca de quatro da tarde de um dia qualquer da semana quando o capitão Daniel nos parou no meio da rua e sem descer da viatura falou:
– Vamos dar uma busca na casa do Kinoche! Estou com pouco pessoal… Precisamos do apoio seus!
Kinoche vivia na lista negra da PM, mas eu não conhecia seu endereço. Segui o capitão. Ele entrou pela rua do Queima, virou para os Fernandes, parou na lateral da casa e disse:
– Aguenta aqui no portão do fundo que eu vou apresentar o mandado na porta da frente, na esquina.
Quando percebi que ele entrou com seus homens, empurrei o portão de aço, corrediço, e enfiei a cara antes que Kinoche ou um possível comparsa saísse pela porta da cozinha…
Que susto!!!

O bote do Rottweiler quase engoliu meu braço! Só não engoliu porque na frente do braço estava o trezoitão niquelado. A baba do imenso cão preto chegou a molhar o cano do trabuco. E não era só ele. Dois passos atrás, na ponta de uma corrente, um Pitbull branco, jovem, dizia com todas as letras que ia me estraçalhar tão logo arrebentasse a coleira ou a corrente!
Não sei se foi o bom senso, a coragem, ou o medo que me imobilizou ali naquele vão de portão na entrada do quintal, a centímetros daquelas bocarras. Uma coisa eu sabia: se virasse as costas, antes de dar três passos eu sentiria aquela mandíbula quente e babona, na melhor das hipóteses, na minha panturrilha! Mas poderia ser na nuca! Quando o capitão Daniel ou outro colega meu conseguisse retirar o monstro negro e raivoso de cima de mim, eu não teria mais condições de contar histórias…! Por isso mesmo eu continuei ali naquele portão. Estático, mão esquerda apoiada na parede da casa e a direita tesa, apontando o trabuco para o centro da testa do animal que sapateava sem coragem de dar o bote. Não sei quantos minutos durou aquela cena. Só sei que com o passar do tempo, o Rottweiler foi baixando o tom. O Pitt Bull foi afrouxando a corrente. O Rottweiler já admitia dar uns passos para trás, em círculo. O Pitbull, talvez percebendo que eu não puxaria o gatilho, também admitiu recuar. Meu coração também foi desacelerando… Ao cabo de um tempo que não medi no relógio, Rottweiler e Pitt Bull estavam sentados no fundo do quintal, perto de suas marmitas vazias. Estavam bem de frente pra mim, de olhos arregalados, mas quietos. Não sei se continuariam assim passivos se eu colocasse o trabuco no coldre.
Quando vi a silhueta gigantesca do capitão Daniel na cozinha, acompanhado da mãe do Kinoche, e conclui que a situação estava sob controle, finalmente me afastei do portão. Mas saí de fasto. Só desgrudei os olhos da ‘dupla’ e baixei o cano do revólver quando encostei o portão de ferro na parede da casa.
Os latidos, o hálito quente, a baba, a ferocidade daqueles dois cães de guarda a menos de um metro do meu braço ficaram ecoando na minha mente o resto do dia!
– Que risco eu corri! – pensava eu.
– Mas porque o Rottweiler não me atacou…? – Confabulava eu com meus botões.
Só bem mais tarde entendi.
Só bem mais tarde conclui que os cães são mais inteligentes do que parecem. O cão sabia que se desse um passo a mais… para comer carne branca e rija do maduro policial, comeria apenas azeitona quente
O auge da experiencia sobre o comportamento dos cães de guarda diante do perigo, certamente foi naquele final de tarde, no portão entreaberto do quintal do Kinoche.
Mas houve outros momentos de ‘estudo’ do comportamento canino. Antes e depois daquele dia.
A ultima experiencia aconteceu exatamente no derradeiro dia de trabalho deste policial, no dia 06 de setembro, na Rua do Queima. Eu e o cão já éramos velhos conhecidos… e velhos desafetos! Mas desafetos leais, que sempre se respeitaram… desde que eu levasse na mão direita o trabuco! Eu já estava acostumado a pular aquele muro. Era a quarta vez. – Numa delas o dono do cão sequer se deu o trabalho de levantar-se da cama! Para ver seu rosto tive que usar o cano do Taurus para levantar o edredom…! – E sabia que o mestiço estava ali. Só não sabia que naquela manhã ele estava tão perto! Quando pulei o muro quase caí em cima dele. Difícil saber quem se assustou mais…! Ali, cara a cara, na penumbra desmaiada da noite que ainda não havia jogado a toalha, a três palmos um do outro, sentindo o hálito quente um do outro…! Não sei se ele usaria os dentes, talvez de susto..! A distancia entre nós era muito curta… O tempo para nós era muito escasso! Tão escasso que nenhum dos dois poderia esperar a iniciativa do outro. Quem agisse primeiro ocuparia o espaço do outro… E eu agi! Só havia um jeito de ter certeza de que Mestiço não usaria os dentes! Tive que apertar o gatilho!
Mais com o vácuo provocado pela bala quente do trezoitão do que pelo medo, o meu amigo Mestiço – um vira-latas pardo, de porte médio com cara de Pitbull – deu um salto para o lado e foi sentar-se, como de habito, debaixo do limoeiro. Enquanto eu atravessava a varanda para bater na janela do quarto do seu dono, ele continuou praguejando. Mas não escutava o próprio latido. A bala passara a poucos centímetros do seu ouvido esquerdo. Estava surdinho da silva…!
Com estas e outras experiências caninas vividas tão de perto em Santa Rita do Sapucaí, aprendi, 25 anos depois, porque os cães não atacavam Fernando da Gata! Por instinto ou inteligência… eles sentem o perigo! Desconfio até que eles conhecem o velho jargão dos humanos:
“Melhor um covarde vivo do que um herói morto”.
É por isso que nem mesmo os esguios e indecifráveis Dobermanns não atacavam Fernando da Gata…! No primeiro momento eles bem que tentavam. Pulavam, sapateavam, dançavam… Faziam aquela balburdia toda. Se aproximavam até uma distância segura! Mas sabiam que um passo a mais seria fatal.
Se os Dobermanns pudessem saber o que aconteceria à Fernando da Gata alguns dias depois, eles poderiam se vingar com o trocadilho:
“ Que se vá os anéis… Mas que fiquem os dedos”!
Pois o famigerado bandido Fernando da Gata, levou quilos de joias de Pouso Alegre, e foi enterrado em sua terra natal como herói… Mas sem os dedos!!!

* Hoje, 03 de setembro de 2017, faz 35 anos que “Fernando da Gata” foi morto num confronto com a polícia de Pouso Alegre.
“Os últimos dias de Fernando da Gata”, contados por este repórter, estão na página 91 do livro “Meninos que vi crescer”!

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