O melhor da viagem… É o caminho

Se for para o Sul… melhor ainda!

Garibaldi…

Dois mil e vinte quatro foi (mais) um ano abençoado! Voltei para minha terrinha, para meu habitat…

Tatiana deu uma guinada na carreira e vem se projetando numa nova atividade profissional…

Meu caçula fez uma transição perfeita da infância para a adolescência, conquistando seu espaço, novas amizades… Cresceu sem perder a pureza!

Publiquei meu quarto livro – Cachorradas da Minha Vida -, cada vez mais lido. E conclui o quinto para publicar este ano… Sim, um ano para brindar!

E se é para tilintar taças nada melhor do que um bom vinho! Então, fomos para o Sul… nosso velho roteiro de férias!

Primeira parada: Bar do Alemão – uma mistura de castelo com barracão rústico no centro histórico de Curitiba. Parada obrigatória de quem desce do Sul de Minas para o Sul do Brasil. Lugar meio mágico, místico, bem frequentado e barato!

Destino final – e estratégico: Farroupilha.

De Farroupilha se vai para uma dúzia de cidades e uma centena de vinícolas num raio de trinta quilômetros – meia hora de viagem – tais como Garibaldi, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Pinto Bandeira, Flores da Cunha, Caxias do Sul…

Do centro de Farroupilha ao Vale dos Vinhedos, onde em cada encruzilhada tem uma nova vinícola brotando a cada ano, são menos de trinta minutos. Ali estão as vinícolas Aurora, Miolo, Casa Madeira, Casa Valduga, Dom Candido, Carrara e tantas outras.

A bucólica Casa da Erva Mate, a Casa da Ovelha e outros endereços tradicionais, acolhedores, bucólicos e cheios de saudosismo estão no “Caminho de Pedra”, a menos de 15 quilômetros do centro de Farroupilha.

Se, no final do dia, a gente quiser dedicar uns minutos para afagar a religiosidade e apascentar o espírito, o Santuário de Caravaggio, através de uma estradinha florida, está a dez minutos de viagem. O Por do sol, em qualquer estação do ano, entre os braços da imagem de Nossa Senhora de Caravaggio, não cobra nada, mas vale o ingresso!

O “Natal dos Vinhedos”, realizado na sexta e no sábado que antecede o Natal, é o ‘cartão de visitas’ para quem desce para o Sul nessa ocasião. Regada a muuuuiiiito vinho, churrasco e boa música temática, ao vivo, a festa acontece desde o crepúsculo até a madrugada no pátio da vinícola Miolo, em Bento Gonçalves. Criada pelos produtores de uvas da região para ressuscitar o turismo pós-Pandemia, a festa encanta, contagia, emociona e nos renova.

E Gramado?

Ir à Serra Gaúcha e não visitar Gramado e Canela… é como ir à Roma e não visitar o Coliseu!

É linda, colorida, mágica, encantadora… e cara! E basta um dia e uma noite. Programa ideal é o passeio no ônibus turístico (vermelho, de dois andares e teto solar) pelos principais pontos turísticos de Gramado e Canela, cerca de duas horas de passeio, de preferência pela manhã. Depois do almoço o turista volta de carro aos pontos que mais agradou. Foi o que fizemos em 2016. À noite, o jantar na Rua Coberta completa o sonho de conhecer a Serra Gaúcha.

Depois dos fermentados de uva da Serra Gaúcha, era hora de degustar fermentados de cevada em Blumenau, a capital nacional da cerveja. E de degustar também alguns destilados de cana produzidos ali nas imediações. A Cachaçaria Moendão, uma das mais premiadas nos concursos de Bruxelas fica na beira da estrada em Gaspar. A Bylaardt de Luiz Alves, não menos laureada, tem uma loja só dela no centro comercial de Pomerode, a cidade mais alemã fora da Alemanha.

De Blumenau para… Rio de Janeiro!

Afinal, a maior queima de fogos do Reveillon – no Rio e Niterói – pode ser vista da casa da sogra no Aterro do Flamengo, rsrsrs. Terminamos o ano velho e começamos o ano novo com o pé na estrada. Sim, 2024 foi fantástico. 2025, com as bênçãos de Deus, vai pelo mesmo caminho.

Meu novo livro chega no começo de março…

A você que acabou de ler este post, espero que seu 2024 tenha sido tão bom quanto o meu. E desejo que 2025 seja ainda melhor.

Deus te abençoe!

Policial é vitima do Homem Aranha

A pistola do policial foi parar na cueca do gatuno…

Madrugada fria e silenciosa de finados no bairro Lagoinha. Um soturno lombrosiano se aproxima da grade que circunda o prédio, joga cobertores velhos e trapos sobre a afiada e ameaçadora concertina, neutraliza suas garras e a cerca elétrica, escala a grade e pula para o pátio do pequeno condomínio. Seu alvo é o terceiro andar do predinho de apartamentos cuja cortina balança suavemente ao sabor da brisa que entra pela janela aberta. Pacientemente ele coloca seus talentos aracnídeos em ação… E escala o prédio usando as janelas e as sacadas até chegar ao apartamento da sua escolha. Silencioso como um gato, ele desfila pelo apartamento, escolhe pacientemente a res furtiva e, tão sorrateiro quanto entrou, sai de fininho sem ser percebido.

O morador continua solenemente nos braços de Morfeu. Tem o sono pesado. Sonha, talvez, com uma promoção no trabalho ou, quem sabe, com os meliantes que prendeu no dia anterior.

– Esse foi o crime perfeito! Digno de Oscar’. Meus ‘parças’ de caminhada vão me respeitar. Já o tira vacilão, quando acordar de manhã e descobrir a ‘parada’, vai ter um mistério para investigar!  – Pensa o homem aranha descendo sorrateiramente as escadas internas do predinho.

Seria mesmo um crime perfeito!… e misterioso!

Mas…

Eram as primeiras horas do Dia de Finados… Havia muitos espíritos desencarnados fazendo festa por ali, comemorando seu dia. Mas foi um encarnado que casualmente saia para o trabalho que o surpreendeu. Quando o gatuno descia a última escada para chegar à garagem, onde pegaria a principal rês furtiva cuja chave levava na algibeira, o morador apareceu no seu caminho e colocou a boca no trombone! Em segundos o prédio todo foi sacudido pela desafinada sinfonia do morador do primeiro andar:

– “Pega ladrão”!…

Metade dos moradores do prédio saltaram dos braços de Morfeu e desceram a escada para ajudar o vizinho… inclusive o dono do apartamento invadido e furtado!

Em poucos minutos o gatuno foi dominado pelos moradores e entregue aos homens da lei que não tardaram a atender ao chamado…

Ao deter o gatuno, o morador do apartamento invadido minutos antes, sem saber que ele havia sido a vítima da vez, reconheceu o meliante. Duas semanas antes, ele, o morador, havia detido o mesmo gatuno – sem convite – no interior do condomínio e o havia entregado à polícia militar. Por isso mesmo ele fez questão de ir à delegacia acompanhar a lavratura do flagrante. – Quem sabe desta vez o meliante criasse raízes no hotel do contribuinte.

– Que ousadia! Entrar no mesmo prédio uma semana depois de ter sido preso! – pensava o morador revoltado.

Mais surpreso ele ficou quando adentrou seu apartamento para pegar os documentos e as chaves do carro. Não estavam onde ele costumava deixar! Bastou uma rápida procura para chegar à conclusão: ele fora o premiado com a visita sorrateira do gatuno da madrugada! O lombrosiano havia furtado roupas, as chaves do carro e…pasmem!!! sua pistola Glock, carregada até a boca de azeitonas.

Sim, a vítima – escolhida – do furto do terceiro andar é policial! O meliante roubou sua ferramenta de trabalho e pretendia roubar também sua caminhonete que estava na garagem!

As surpresas não param por aí!

Ao chegar à delegacia – em tempo recorde – o policial constatou que sua pistola ainda estava na cueca do gatuno! Felizmente ele usava pulseiras de prata e não pôde exibir a pistola. Além da arma, que não teve oportunidade de usar, o meliante usava calça, camiseta e tênis furtados do policial enquanto ele dormia. As chaves da caminhonete estavam na algibeira da calça de camuflagem …

O ousado gatuno ladrão de policial – e dublê de Peter Parker – é figurinha fácil no álbum da polícia. Seu currículo é recheado de 33, 157 e 155 como esse. Se ele tivesse conseguido levar a caminhonete e a pistola do policial, por um bom tempo seus ‘parças’ de caminhada o tratariam como a ‘última batatinha do pacote’! Ganharia status no submundo do crime…

Metade da façanha ele conseguiu, mas… “Perdeu gatuno”!

Ah, no momento da prisão, o ‘homem aranha de araque’ portava na canela um famoso ‘adereço’, também conhecido como: ‘passaporte para cometer novos crimes’! Aliás, passaporte muito comum entre os meliantes – e políticos – hoje em dia:  uma ‘tornozeleira eletrônica!

Não basta ter fé…

… É preciso fazer escolhas!

     Catolicindo Fervoroso morava sozinho no meio da baixada, a poucos quarteirões da praia. A casa já velha era média, sem luxo e carente de conforto. O quintal, no entanto, era grande, muito grande, com um grande e malcuidado pomar. Apesar do desleixo, todo ano, por conta própria, a natureza cuidava de produzir muitos frutos. Laranja, abacate, manga, guabiroba, pitanga, goiaba… Tinha até Lichia, rosada e doce, a qual atraia centenas de abelhas e marimbondos toda safra entre dezembro e janeiro.

 

Apesar da grande produção de frutas – que definhava ano a ano por falta de cuidados -, Catolicindo não auferia nenhum tipo de lucro ou boa ação com isso. Não colhia, não comia, não vendia, não doava. Excetuando uma ou outra fruta que as vezes comia no pé, toda sua produção ao longo do ano era consumida por aves e insetos, ou então apodrecia no chão forrado de folhas secas no quintal. Altruísmo em deixar as frutas para as aves? Não. Pelo contrário. Irritava-se com a algazarra que estas faziam nos momentos de banquete. Herdara a casa com o pomar já pronto e torcia para que as fruteiras morressem e parassem de produzir … e pusesse fim à balbúrdia dos passarinhos.

 

Catolicindo não tinha os olhos arregalados, as sobrancelhas grossas e a cara feia e fechada dos ranzinzas. No entanto, não abeirava a casa de ninguém e também não recebia visitas. Era indiferente com os vizinhos e com as crianças que corriam barulhentas para a praia. Era um homem. Correto, trabalhador e cumpridor dos seus deveres sociais. Especialmente o religioso. Ia todo domingo à missa na igrejinha do bairro, sempre bem-vestido, reparando nos malvestidos, levando sua surrada bíblica debaixo do braço. Quando interpelado respondia com pouca saliva aos vizinhos, mas nunca esticava a conversa. Assim vivia num bairro populoso, sem contato com ninguém.

Certo dia a baixada passou por uma tormenta. A rádio local avisou que cairia uma grande tromba d’água que alagaria todo o bairro. E aconselhou que as pessoas deixassem suas casas. Catolicindo viu as pessoas passando, indo embora apreensivas, mas continuou impassível na sua casinha!

– “Vamos embora Catolicindo! Tudo será inundado!” diziam os vizinhos.

Ele nada respondia. No máximo conversava com sua bíblia.

A aguaceira, sacudida pelo vento, desabou e alagou toda a parte baixa do bairro. Quem ‘não tinha bíblia’ acatou o conselho da defesa civil e tratou de deixar suas casas. Quem não teve tempo, foi resgatado pelos bombeiros e pela defesa civil. Cotolicindo continuou lá… com a água subindo pela canelas finas e brancas, subindo, subindo até que ele também subiu… no telhado! Um barco da defesa civil passou por lá oferecendo ajuda, mas ele respondeu:

– Não se preocupem comigo. A chuva vai parar, a enchente vai baixar, Deus proverá!

Apesar da fé – e da teimosia! – de Catolicindo, a enchente continuou subindo. Em pouco tempo as águas chegaram ao cume do telhado. Um helicóptero dos “anjos laranja” se aproximou e tentou ajudá-lo. Catolicindo segurou firme a bíblia contra o peito e respondeu:

– Deus proverá!

No instante seguinte a casa desabou! Cotolicindo – e sua bíblia – afundou! Afundou e desencarnou! Como não estava preparado para morrer, seu espírito ficou por ali, tentando achar sua bíblia, tentando entender por que a providência divina não o salvou.

Dias depois, quando a enchente baixou deixando a mostra apenas os escombros da casa, confuso e sem ter onde morar, finalmente o espírito de Catolicindo saiu vagando desnorteado e perdido e acabou sendo resgatado por um grupo de espíritos socorristas. Afinal, ele não era uma pessoa má. Mesmo tendo passado pela vida sem produzir nada que não fosse para o seu próprio sustento; mesmo não tendo repartido nada do que lhe sobrava; mesmo não tendo distribuído sequer um sorriso para as crianças que passavam correndo felizes e barulhentas em frente sua casa, ele nunca fez maldades.

E assim Catolicindo Fervoroso chegou ao Centro de Triagem de São Pedro. E chegou fervendo, bravo, revoltado com a divina providência. O próprio São Pedro, chefe do Centro de Triagem, que atende somente os casos mais complicados e dá o destino final a cada espírito que passa por ali, teve que ser chamado para acalmar Catolicindo. Já no seu gabinete, o paciencioso santo alisou as longas barbas brancas e disse:

– Então sr. Catolicindo, conte-me sua história e os motivos da sua insatisfação com Deus.

– Eu fui um bom homem, cumpri minhas obrigações, servi o exército, sempre pensei muito antes de votar, trabalhei mais de trinta anos na mesma empresa, nunca discuti com ninguém, sempre paguei minhas contas em dia, frequentei religiosamente a igreja, sempre acreditei e manifestei minha fé na providência divina…

Recostado na grande cadeira forrada com uma colcha branca para esconder o couro puído de tanto uso, São Pedro alisava pacientemente o fio mais longo da barba quase no peito enquanto ouvia Catolicindo desfiar seu rosário de realizações. Finda a chorumela São Pedro falou:

– Além de cumprir suas obrigações como cidadão, o que mais você fez na sua missão na terra?

– Missão!!! Que missão? – estranhou Catolicindo.

– Você passou um período na terra para crescer, para evoluir…

– Ninguém me falou nada sobre isso. O que eu tinha que fazer?

– Você dedicou parte do seu tempo a alguém?

– Não…

– Você tinha um bom emprego, tinha casa confortável e dinheiro recebidos de herança! Você ajudou alguém necessitado?

Catolicindo desviou o olhar pensando no baú de dinheiro que mantinha escondido no sótão, levado pelas águas. São Pedro continuou.

– Você deu o ombro a alguém que chorava?

– Você alguma vez emprestou seu ouvido a quem precisava falar?

– Você alguma vez levou uma palavra de alento para alguém que sofria?

– Você levou uma palavra de esperança para alguém que não via saída?

– Você deu ao menos um sorriso para as crianças que passavam correndo…

Catolicindo estava atordoado com tantas indagações. Gaguejou …

– Mas eu …

São Pedro o interrompeu, com um tantinho de impaciência.

– Eu, eu, eu… Tudo eu. Tem muita gente na Terra olhando somente o ‘eu’. Quase metade só enxerga o ‘eu’. Quase metade não enxerga o ‘outro’. Tudo bem, Catolicindo. Você tem o livre arbítrio para escolher crescer ou não. Só não pode reclamar! Não pode culpar ninguém pela sua estagnação… ou sua involução! Voltemos ao questionamento que o trouxe aqui tão revoltado. Você disse que confiou na Divina Providencia e foi traído, não é?…

– Sim – respondeu Catolicindo rapidamente, aproveitando o gancho que o interessava. – No momento em que eu mais precisava a providência divina não apareceu! E me deixou morrer afogado!

São Pedro fixou seu olhar manso nos olhos inquietos de Catolicindo antes de prosseguir.

– A divina providência nunca falha. Está sempre pronta para intervir em benefício daquele que a pede. Mas é uma ação de mão dupla… É preciso que o interessado faça sua parte.

– Mas eu fiz minha parte. Já falei. Deus não fez a dele. Eu estava com a bíblia na mão, esperando até o último instante, confiando. Mas Deus não mandou a divina providência…

– Catolicindo, preste atenção. Deus jamais te abandonou. Veja bem: quando a chuva começou a se formar sobre a serra e o vale, a Defesa Civil divulgou um alerta através do rádio. Mas você continuou lá…

– !!!

– Antes da tempestade desabar as autoridades enviaram sinais sonoros na região e mensagens pelo WhatsApp. Mas você ignorou.

– !

– Quando a chuva caiu, os caminhões dos Bombeiros passaram ajudando na retirada dos flagelados antes do desastre…

– !

– Quando a enchente começou, os barcos da defesa civil passaram oferecendo ajuda.

– !

– Quando você subiu no telhado, a defesa civil enviou até um helicóptero para resgatá-lo… Observe que em todos estes momentos, Deus agiu.

– Mas eu esperei a providência, a bíblia… – tentou argumentar Catolicindo.

– A bíblia, Catolicindo, te esclarece, te orienta… Mas ela não age. Cada um tem que agir. Por isso Deus deu a cada um o livre arbítrio. Para que cada um aja de acordo com sua consciência e necessidades … e arque com suas consequências! – concluiu São Pedro com mansidão.

Catolicindo ia retrucar, mas, parou, pensou, juntou no ar tudo que havia acabado de ouvir, segurou o queixo com uma mão, juntou as duas mãos em concha na testa e assim ficou por alguns instantes até que voltou a falar:

– Quer dizer que, como eu fui ‘chamado de volta’ antes da hora, e como eu não fiz nenhum mal na terra, eu vou ficar morando aqui no céu?

– Não é bem assim… Lembra do que eu falei alguns parágrafos atrás! “Você passou um período na terra para crescer, para evoluir” … E o que você fez, além de sustentar o seu corpo, para crescer e evoluir? – perguntou São Pedro abrindo largamente os braços com as mãos espalmadas!

Sem respostas Catolicindo soltou o corpo na cadeira, desacorçoado, vencido. Depois de alguns instantes de reflexão, perguntou com voz sumida, muito diferente de quando chegara ali meia hora antes.

– Mas então, o que vai ser de mim?

São Pedro, com o mesmo olhar complacente de sempre, inclinou seu corpanzil avantajado para a frente, apoiou os dois braços sobre a mesa, tomou as mãos de Catolicindo e falou paternalmente.

– Como você não fez escolhas danosas, você vai voltar para uma escola no seu nível de aprendizado por aqui e entrar na fila da reencarnação. Tem pouco mais de 13 bilhões de espíritos na fila aguardando uma nova chance de reencarnar…

A piscina da Lili…

A mesma fonte que abastecia a piscina da Lili, hoje abastece o lago do Fórum!

Media quinze metros de largura por 25 metros de comprimento. Tanto o piso quanto as paredes laterais eram de cimento queimado, rústico, da cor de cimento queimado. A água, portanto, era turva. Quem abrisse os olhos no fundo enxergava apenas escuridão. A água batia no peito dos adultos e no pescoço dos adolescentes e das mulheres sempre mais baixas do que os homens. Do lado de baixo da piscina havia apenas um cimentado, também rústico, onde as garotas estendiam as toalhas para se bronzear. Do lado de cima dois lances de uma mureta. Era de onde os garotos mais afoitos pulavam espatifando água pra todo lado fora. Uma casinha de cangalha medindo quatro por quatro, dividida ao meio por uma parede, servia de vestiário. Uns deixavam suas roupas lá, penduradas num cabide cheio de pregos numa tábua. Outros preferiam levar suas roupas consigo para a beira da piscina – para evitar furtos.

Apesar do tamanho bem diminuto, não havia limite de lotação. As vezes tinha 40 pessoas. As vezes tinha 90.

Apesar de tão pouco espaço para tanta gente, sempre aparecia alguém com uma bola… e jogavam algo parecido com polo aquático!

Não havia salva-vidas. E muitos não sabiam nadar e, embora não houvesse salva-vidas, nunca teve acidente, pois a ‘fundura’ da piscina era toda do mesmo nível, bastava ficar em pé. Mesmo assim os mais medrosos não se afastavam da margem.

Para nadar na Piscina da Lili, todos pagavam o mesmo preço: Cr$ 5. O regulamento para frequentar a piscina era simples. Bastava pagar a entrada e usar maiô ou biquíni (mulheres) e calção (homens).

Funcionava apenas no domingo, pois toda a clientela da Lili trabalhava até sábado à tarde. Só sobrava o domingo para se divertir.

Dona Lili ficava na portaria, ou seja: no portão lateral da casa que ficava na beira da estrada, cobrando o ingresso, em cash naturalmente, a única forma de pagamento naquela época. Não havia ‘cano’, pois ninguém passava pelo portão sem deixar uma nota de cinco cruzeiros!

Além do Status de nadar na Piscina da Lili, para os homens havia uma diversão a mais, uma diversão perigosa e proibida: espiar as mulheres quando elas entravam no vestiário!

Os meninos faziam escadinha entre si e se revezavam para vê-las trocar de roupa – por cima da parede que dividia a casinha! Nunca viam nada, pois elas, acanhadas, ficavam sempre encostadas na parede e na maioria das vezes colocavam as roupas por cima do maiô ou biquíni sem tirá-los.

Mesmo assim aquela sensação de estar tão perto – e furtivamente! – de uma mulher seminua, era excitante para aqueles garotos cheios de espinhas no rosto. Mas tinham que conter a excitação e fazer silencio. Se fosse percebido seria punido. Dona Lili era chamada e mandava o ‘assanhadinho’ se retirar imediatamente. A punição durava duas ou três semanas, o tempo necessário para dona Lili esquecer o rosto do assanhado!

Era o ano de 1974…  

No ano seguinte uma nova opção de lazer surgiu na cidade… e levou à falência a Piscina da Lili.  


Rabo Verde… “nosso louco favorito”!

Ele foi um dos poucos ‘loucos’ que frequentaram o Hospício de Barbacena e voltaram de lá!

O destempero do nosso personagem trouxe, algumas vezes, consequências. Atendendo a reclamações de algumas senhoras mais sensíveis à palavrões, alegando que ele era um perigo e mau exemplo de educação para as crianças e donzelas que iam e voltavam das aulas nos colégios Santa Doroteia, Mons. José Paulino e Colégio Estadual, alguns maridos mais sisudos encaminhavam suas preocupações ao delegado de polícia.

– É preciso tirar o Rabo Verde do convívio com as pessoas! “Ele é louco”, diziam.

E lá ia o Rabo Verde para o hospital psiquiátrico Jorge Vaz em Barbacena. Ia no velho e barulhento trem da Rede Sul Mineira, o mesmo que o trouxera para Pouso Alegre em meados do século. No entanto, o vazio, a falta de assunto que sua presença marcante deixava nas ruas, nos bares, farmácias, durava pouco! Algumas semanas depois ele estava de volta. Não se sabe como ele achava o caminho, mas achava. Vinha no mesmo trem que o levara.

– O que aconteceu que te deixaram sair do manicômio, seu Antônio? – Indagavam alguns folgazões com um copo de cerveja na mão no Empório Goulart ou no Vila Rica, só para ouvi-lo contar do seu jeito simplório e darem risadas…

– Briguei com o doutor…

– Mas por quê?

– O doutor é burro…

– Como assim?

– Ele me entregou um jacá e mandou eu buscar água na bica: eu falei “vai você seu burro! Não tá vendo que o jacá tá furado? Aí ele ficou com raiva e mandou eu embora” …

Rabo Verde era mesmo iluminado. Ou contou com muita sorte! Ele foi uma das poucas pessoas que se tem notícia que foi internada no hospício de Barbacena, aliás várias vezes, e voltou de lá. No livro “Holocausto Brasileiro” a jornalista Daniela Arbex conta histórias de centenas, milhares de pessoas, com muito mais referências, com famílias e raízes, que entraram no malfadado hospício e de lá só saíram uma vez, fizeram uma única viagem… para o cemitério da cidade! Outras centenas e milhares não chegaram a fazer nem uma viagem… Foram enterradas nas cercanias do próprio hospício! Ou foram esquartejadas e dissecadas em faculdades de medicina de Juiz de Fora e do Rio de Janeiro sem que os familiares jamais soubessem ou buscassem informações.

Mas Rabo Verde tinha muitos quintais para carpir, escorpiões para queimar e chuchus para colher em Pouso Alegre. Por isso sempre se recusava a “buscar água no jacá”, e acabava voltando para terras manduanas, para preencher a rotina dos cidadãos de bem, alimentar a caridade das samaritanas e fazer a alegria da garotada com seus xingos e pedradas nas cercanias do centro da cidade.

Dentre todos os ‘desajustados’ que Pouso Alegre abrigou ao longo da sua história, Rabo Verde foi, sem dúvida, “nosso louco favorito”!

 

[email protected] – Quem Matou o Suicida, pags.27e28.

Milagre no Cidade Jardim

      Adolescente engravida sem ter relações sexuais com ninguém!

Fabíola mora com a mãe, o padrasto e uma tia no Cidade Jardim. Ontem pela manhã ela sentiu um mal-estar, por isso foi levada ao hospital regional para um atendimento de emergência. Felizmente não estava doente! O resultado foi uma surpresa! Os exames mostraram que a garotinha de 16 anos… vai ser mamãe!!! E muito em breve! Ela está gravida de oito meses!

 

Seria uma boa notícia para a família, não é?

Mas tem um probleminha… Fabíola é solteira! E pior!!! Ela não manteve relação sexual com ninguém!

A adolescente tem um namorado adulto, mas jura de pés juntos que nunca teve relações sexuais com ele!

 

Mas então a gravidez seria obra do Espírito Santo!?

A garotinha não se lembra de ter recebido a visita do Anjo Gabriel!… Mas lembra vagamente que durante a noite, enquanto dormia, algumas vezes ‘percebeu’ a presença do padrasto em seu quarto!

– “Desde os 13 anos, as vezes eu acordo de um sono pesado e vejo um vulto saindo do meu quarto… Quando acendo a luz ele já foi embora… Acho que é meu padrasto”!

A tia, que também mora na casa e dorme no mesmo quarto da menina, corroborou suas informações…

– “Eu também já acordei três vezes de madrugada e vi o fulano esfregando nela”!

O padrasto não nega que tenha ido ao quarto da enteada…

– “Todas as vezes que eu fui ao quarto, foi para cobri-la, para ela não pegar um resfriado”… – disse o terno padrasto.

Bem, o BO que registrou o fato tem mais detalhes sobre o ‘milagre’… mas convém calar!

 

Quando se fala em estupro, a gente logo imagina uma mulher comum voltando da escola ou do trabalho, caminhando solitária por uma rua escura no meio da noite, quando de repente, de trás de uma arvore, surge um mondrongo mal-encarado, agarra a mulher pelo braço enquanto tapa sua boca com a outra mão e a arrasta para um matagal onde rasga suas roupas intimas e consuma o ato! Esse é o clássico estupro, dos filmes de suspense dos anos 70, 80, 90…

O estupro do século XXI, é bem diferente. Esse acontece sem violência explicita, sem esperneios, sem gritos, dentro de casa! Às vezes até com a anuência de testemunhas que se calam por medo, por conveniência e as vezes até por … ignorância! Acham isso normal!

 

A gravidez obnubilada, misteriosa, – ou santa! da garotinha, é mais comum do que parece!

Ao longo da carreira policial e jornalística, deparamos com dezenas de casos parecidos! E por motivos diferentes. Algumas vezes a adolescente mantém relação com o padrasto, e, para protege-lo, diz que o pai da criança é o namorado!

Outras vezes, para pôr fim ao relacionamento da mãe, ela mantém relação com o namorado e alega que o padrasto é o tarado, provocando assim a discórdia e consequente separação!

 

O caso da garotinha do Cidade Jardim, cuja gravidez, por ora, “ainda é obra do Espírito Santo”, naturalmente foi parar na Delegacia de Mulheres de Pouso Alegre e virou Inquérito Policial. Depois que o bebezinho – que não tem nada a ver com o imbróglio! – nascer, um simples exame de DNA poderá dizer quem ele deverá chamar de “pai”!

 

Isso resolve um problema, mas cria outro! O bebê será criado sem pai… Pois o pai, seja ele quem for, deverá ficar ausente entre 08 e quinze anos… hospedado no Hotel do Juquinha!

Cirilo ‘Bola Sete’ chegou ao fim da caminhada…

Depois de algumas décadas vivendo nos velhos hotéis do contribuinte, o cidadão que retoma a liberdade “não tem mais utilidade nem pra ele e nem para a sociedade”.

Dura realidade!

Tais egressos do sistema prisional, saem moralmente cambaleantes e nunca mais se aprumam. Vivem de favores, muitas vezes em muquifos fétidos, debaixo de pontes e viadutos, nas sarjetas, nos semáforos mendigando moedas para sustentar os pequenos vícios, morrendo aos poucos, até que a morte dê o golpe fatal!

Assim foi com o egresso Cirilo do ‘Bola Sete’!

Começou cedo o caminho torto! Aos 17 anos já era figurinha fácil no álbum da polícia. Entre uma fuga e outra, um crime e outro, uma prisão e outra, Cirilo passou mais de duas décadas vendo o sol nascer quadrado. Os últimos anos foram na APAC – de onde deveria ter saído com uma profissão definida e uma oportunidade concreta de um recomeço na vida.

No entanto, é necessário muito mais do que isso para apagar vinte e tantos anos de ócio e maculas acumuladas ao longo do caminho torto! Cirilo não teve forças para isso!

Nessa foto – que eu fiz em 2010 – apoiado na grande conteira em frente a casa do seu falecido pai no Aterrado, havia poucos meses que ele havia deixado a APAC. Ainda mantinha o viço da vida. Ao contar um pouco das suas aventuras e desventuras no mundo do crime, ele ainda alimentava a esperança do recomeço… mas não conseguiu voltar ao início da juventude para recomeçar!

A outra foto, enviada por uma amiga comum esta manhã, ilustra um pouco do que as drogas – essa mesma que o governo insistiu e o STF liberou a poucos dias – podem fazer com as pessoas.

Segundo nossa amiga, Cirilo morreu dormindo essa madrugada, num muquifo qualquer cedido por outros nóias na baixada do Mandu.

– “Cirilo estava muito debilitado. Eles fizeram um miojo pra ele e deixaram ele ficar. Pelo menos morreu de barriga cheia, numa cama quentinha” – disse a amiga, que diversas vezes tentou, sem sucesso, tirá-lo dos vícios.

As pessoas que defendem a liberação das drogas – da “maconha recreativa” – deveriam conhecer um pouco mais as histórias de “Meninos que vi crescer”. Cirilo do Bola Sete é um dos meninos que vi crescer…

O MENINO NÃO CANTA MAIS …

Na quinta-feira, enquanto dormia, passou de um sonho a outro e lá ficou…

Na verdade, faz muitos anos que ele parou de cantar. Cantava afinado, com a voz fina, doce e aguda… Cantava feliz, fingindo distração enquanto passava graxa nos sapatos dos clientes. Ganhou até o apelido de “Engraxate Cantor”!
Assim era Claudinei no final da adolescência. Cantou até tropeçar numa pedra no caminho… Até tropeçar na famigerada “pedra bege fedorenta”!
Desde então desafinou, tornou-se dependente da pedra. E para conseguir dim-dim para infringir o artigo 28 da lei 11.343, precisou infringir outros artigos do código penal. Isso o levou diversas vezes para o Hotel do Juquinha, depois APAC… Tornou-se um típico “Menino que vi crescer”!
Quitou seu débito com a justiça, mas não conseguiu voltar à encruzilhada e recomeçar sem mácula … Continuou no caminho espinhoso de quem um dia fez a escolha errada. Até que numa madrugada fria, há três anos, envolveu-se numa contenda banal com um desafeto e foi ferido a golpes de tesoura.
Desde então, quase inválido, tornou-se recluso em um quarto cedido por uma sobrinha. Já não engraxava, não cantava…
Semana passada, enquanto dormia, passou de um sonho a outro e lá ficou… não acordou mais!
Na quinta-feira, 20, seu corpo voltou ao pó… do Cemitério Municipal.
Claudinei, o Engraxate Cantor, era um dos “Meninos que vi crescer”!

Pra que serve um vice?

Há quatro meses das eleições municipais, Pouso Alegre tem 05 (cinco) candidatos ao ‘espinhoso’ cargo de alcaide! Até o momento, no entanto, não se vislumbra no horizonte nenhum postulante ao cargo de vice-prefeito.

Mas afinal de contas, para quê serve um vice-prefeito?

Quem responde essa pergunta é o meu amigo “Zé do Povo”, na edição número 15 do FOLHA no dia 18 de junho … há exatos 20 anos!

“Teoricamente o vice serve para substituir o titular na sua ausência ou impedimento. Mas na prática ele tem muitas utilidades.

– Serve para conduzir uma secretaria qualquer para fingir que justifica seu salário…

–  Serve para fazer fofoca ou oposição ao prefeito…

–  Serve para fazer ‘despachos e macumbas’ para o prefeito morrer… e ele assumir seu lugar!

– Serve para ficar quietinho em casa sem fazer nada… para não atrapalhar!

– Serve para articular sua campanha a titular nas próximas eleições!

– Serve para tirar licença nas vésperas de uma viagem do prefeito… para NÃO ter que assumir!

Enfim, um bom vice-prefeito serve para muita coisa.

E poderia servir para muito mais! Por exemplo: poderia servir para auxiliar o prefeito na sua administração …

– Para que ele cometa menos erros;

– Para que ele gaste o dinheiro público com a coisa pública;

– Para que ele beneficie a sociedade… e não os amigos!

– Para que ele possa receber o cidadão contribuinte em seu gabinete sem que o cidadão tenha que esperar dias e horas na fila;

– Para que ele tenha tempo de visitar focos de carências;

– Para que ele possa tomar café na cozinha do eleitor e dar tapinhas em suas costas como fazia na época da campanha!

Além destas utilidades & inutilidades úteis e fúteis, a maior serventia de um vice-prefeito, na verdade, começa antes da eleição. Mais cedo ainda, antes da convenção! É neste período que se percebe, pelo menos nos bastidores, a importância que tem um vice. É nesta hora que ele mostra seu valor. São intermináveis reuniões secretas e negociações envolvendo os interesses dos partidos a nível municipal, estadual e federal. Muitas vezes o campeão de popularidade é preterido em favor de um nome obscuro, para se ficar bem com o governo estadual. É no período pré-convenção que o vice mostra suas garras.

É buscando mostrar esta força que muitos pretendentes a confortável cadeira de vice lançam seus nomes estrategicamente a apreciação popular, postulando um cargo sempre mais alto, para depois soltar a demagoga frase:

“Se é para o bem do partido eu empresto meu nome”!

Ou:

“se o partido achar melhor, vou concorrer ‘apenas’ a vereança”! e outras tiradas mais.

E para isso vale tudo!

– Tem pré-candidato empresário que aparece toda semana nos jornais mostrando as qualidades, avanços e serviços prestados por sua empresa…

– Tem advogados que ganham festa de amigos e vão receber os presentes na televisão!

– Tem engenheiros que não perdem uma boca livre e até viajam para abraçar líderes partidários e aparecer em colunas sociais!

– Tem médicos que torcem para alguém rico ou famoso ficar doente… para ter que visitá-lo e aparecer na mídia!

Enfim, são muitas as artimanhas para chamar a atenção dos convencionais e ganhar a vaga de vice ao lado do candidato favorito.

Talvez seja por isso que até agora não ouvi o nome de nenhum “viçável” querendo sentar-se ao lado do cabeça de chapa!

Comentários e críticas à parte, um vice-prefeito, sem o peso das decisões nas costas, se tiver a nobreza de justificar sua escolha pelo eleitorado, poderá auxiliar e ser ainda mais importante que o prefeito numa administração.

 

*Zé do Povo é mineirinho do Mandu, mora há mais de 30 anos ao pé da serra do cajuru e trabalha como Gari no centro de Pouso Alegre

Vovô morreu…

(Imagem ilustrativa)

– Querida, o papai… desencarnou! – Falou Luquinha e esperou alguns segundos, para que a esposa processasse a informação. Em seguida contou os detalhes.

– Está tudo bem. Foi um desencarne tranquilo. Do jeito que ele deve ter pedido à Deus. Morreu sentado na sua cadeira preferida, na varanda da casa, contemplando o nascer do sol. O sorriso de satisfação continua no seu rosto.

– E as crianças… Como elas reagiram?

– Elas não sabem ainda. Elas acham que ele está dormindo e foram brincar. Vou tomar mais umas providencias e em seguida vou contar a elas.

Quinze minutos depois Luquinha chamou as crianças na varanda. Sentado entre elas no banco de madeira explicou de forma didática e romântica a partida do pai:

– Larissa, Leonardo… Quero falar sobre o vovô Chico Luca…

– Ele ainda está dormindo? – atalhou Larissa.

– Sim, minha filha. Ele está dormindo. Ele está dormindo o ‘sono da viagem’…

– “Sono da Viagem”, aquele que você contou pra nós aquele dia! Quer dizer que ele vai acordar longe daqui, no céu? – perguntou Leonardo franzindo a testa.

– Isso mesmo! O vovô já tinha feito tudo que tinha que fazer aqui na terra. Ele estava muito feliz e foi convidado a fazer aquela viagem para o outro astral. Vovô Chico Luca foi “um bom menino”… Ele trabalhou muito, amou muito, acertou muito, errou algumas vezes, pediu perdão, perdoou… Ele estava com a alma limpa, leve. Chico Luca sempre foi grato por tudo que recebeu. Hoje chegou a hora de fazer a viagem de volta à Casa do Pai – concluiu Luquinha abrindo teatralmente os braços para o alto.

– Ah, que pena! Ele não vai mais me contar histórias… Não vou ver mais aquele sorrisão de bochecha dele! – Reclamou Larissa, fazendo um bico com os lábios.

– Filhinhos… O vovô viajou! Mas ele continua morando no peito de cada um que o amou… de cada um que o ama. Quando quiser ver o vovô, basta olhar para o seu coração. – Falou Luquinha com mansidão… e os olhos brilhando! Brilhando muito…

 

*** Trecho do meu próximo livro…