Churrascada gorda em Bueno Brandão

       Com o ‘ouro negro’ a R$ 500 reais a saca e o bife de alcatra e contra-filé a R$19 e a picanha a R$ 25 reais o quilo, furtos e roubos de café e gado na zona rural da região tem se tornado a menina dos olhos dos meliantes amigos do alheio… Um prato cheio e saboroso. Nas ultimas semanas centenas de sacas de café tem trocado de dono nas fazendas da região… Sem pagar qualquer tipo de tributos. Picanhas, alcatras e coxão-mole ambulantes também têm pego a estrada em caminhões boiadeiros improvisados ou a pé mesmo e mudado de pasto.

        Ao chegar à fazenda Cascavel em Bueno Brandão na ultima quarta feira o pecuarista Benedito Vieira, teve uma surpresa desagradável. Vinte e uma cabeças de ruminantes haviam partido em busca de novos prados, sem deixar endereço. O ladrão era manso. Depois de arrombar a porteira do pasto que margeia a estrada, saiu tocando o gado sem berrante estrada afora e sumiu na poeira. A policia registrou o B.O., mas até o momento não sabe onde será a churrascada.

     Se o gado do sr. Benedito estivesse numa fazenda do vizinho município de Ouro Fino, não teria sido furtado. Lá tem sempre um ‘menino vigiando a porteira’…   

Santarritense a um empate da classificação

          Depois da vitoria magra sobre o Jacutinga na capital das malhas no ultimo domingo, o “Robozinho” do Vale agora joga em casa no proximo dia 02 contra o Araguari,  adversario direto na luta pela ultima vaga na proxima fase do campeonato mineiro da segunda divisão. Um empate contra o time do Triangulo lhe garante a classificção.

         Apesar de ter vencido apenas o Jacutinga – duas vezes – no certame e ter um aproveitamento inferior a 30% o time dirigido pelo experiente Zezito, coordenado  pelo apaixonado Bugalu, pode chegar ao titulo da Segundona, ou pelo menos ao acesso à primeira divisão. Afinal, na proxima fase todos os times começam com zero pontos e o time pode se reforçar e bater os adversarios.

                 A presença da torcida no estadio Erasmo Cabral, domingo às 10:30h da manha pode fazer a diferença.       

                Seja o 12º jogador do seu time.          

                Vá prestigiar o Robozinho do Vale. 

Perfeito, a pistola e o panetone

      Cheguei a Pouso Alegre há 40 anos, quando a população mal somava 40 mil habitantes. Não cresci ainda o suficiente para retribuir as possibilidades que Deus me deu, mas cresci e vi a cidade crescer e quadruplicar. Sempre me alegrei com o crescimento das pessoas à minha volta, especialmente aquelas do meu convívio que se tornaram social e profissionalmente homens bem sucedidos, alguns com os quais tive a felicidade de compartilhar parte de minha infância, adolescência e juventude.

        Se me alegro com o sucesso, me entristeço com a decadência de meninos, que do meu convívio estreito ou não, vi crescer à minha volta. Não sei dizer quantos, mas vi crescer muitos garotos certamente com sonhos iguais aos meus ou de meus amigos, mas que nas encruzilhadas da vida fizeram a opção errada. Muitos na verdade não fizeram opção alguma. Apenas não ouviram uma palavra amiga, não tiveram um afago paterno ou um braço firme e generoso no ombro para mostrar o caminho certo e seguiram sem rumo. Desviaram-se para o que parecia mais fácil, mas que se tornou doloroso, lamacento e quase sem volta caminho do crime.

     C.A. da Silva era um desses garotos. Esperto, sonhador, franzino, criado numa rua estreita do bairro São João com vários outros irmãos. Tinha medo dos outros garotos de sua idade, pois era menor e mais fraco que eles, mas logo descobriu que se batesse primeiro poderia amedrontar os outros. Ainda impúbere C.A. ganhou um apelido que o acompanharia pela –  curta – vida toda; Perfeito.

     Conheci Perfeito por acaso numa situação totalmente inusitada. Certa manha de meados de dezembro descia eu lentamente uma rua do bairro São João, conduzindo a 6252 juntamente com meu parceiro e futuro afilhado Fernando, quando avistamos à nossa frente um garotinho de cerca de doze ou treze anos, entre outros da mesma faixa etária, exibindo uma pistola oxidada, como se estivesse prestes a disparar azeitonas quentes. Exibindo mesmo, tanto que me aproximei com cautela e com a mão esquerda, de dentro da viatura tomei-lhe a reluzente pistola… de plástico. Assustado, não tanto pelo fato de ser surpreendido pela policia, muito mais por ter perdido seu brinquedo, Perfeito mostrou-nos sua casa, alguns metros rua abaixo. Instantes depois sua mãe, sem muito constrangimento, explicou que dera ao filho dois reais para comprar um brinquedo e não sabia que ele queria comprar uma arma – E certamente não se importaria se ele tivesse dito.

         Depois do ameno sermão seguimos nossa rotina pelo bairro. Uma semana depois passamos novamente pela mesma rua, na ágil 6252 e lá estava Perfeito sentado na sombra da própria casa ladeado pelos amigos e irmãos. Como da vez anterior, de dentro da viatura fizemos o inverso. Entregamos ao franzino garoto uma bola de futebol e um panetone. Não disséramos nada quando tomamos a pistola, mas parece que Perfeito estivera ali todos os dias esperando por ‘aquela compensação’. Um dos garotos correu para dentro da casa para entregar à mãe o panetone e os outros imediatamente fizeram a bola rolar e quicar na rua poeirenta defronte sua casa como se fossem crianças!!! Não precisávamos de palavras, o gesto já dissera tudo mas, ao nos afastarmos, Perfeito desviou por um instante os olhos da bola que já estava manchada de poeira, levantou um dos braços e… acho que ele disse “obrigado”. Foi o melhor presente de Natal que já dei a alguem.

      Anos depois, ao folhear os BOs na Delegacia de Policia a procura de assuntos para meu programa “Direto da Policia”, encontrei um BO da noite anterior que narrava uma tentativa frustrada de assalto a um supermercado do bairro Santa Luzia. Segundo o relato dos policiais, o comerciante percebera a presença de um sujeitinho com pinta de somongó, espreitando sorrateiramente o estabelecimento e chamara os homens da lei. Na abordagem fora encontrado com o ‘futuro’ gatuno um trezoitão meia-vida, porém devidamente municiado, pronto para ameaçar e vomitar azeitonas quentes se fosse necessário. O frustrado assaltante era C.A.da Silva, o Perfeito, agora com 15 anos e… uma arma de verdade.

         Embora Perfeito já fosse conhecido por outros delitos mais leves, este foi meu primeiro contato com ele depois do presente de Natal. Muitos outros ainda aconteceriam. Furtos, uso e trafico de drogas, roubos, tentativas de homicídio ainda engrossariam a ficha criminal deste menino que vi crescer. Certa manha ao chegar para trabalhar no CPD, lá estava no banco da velha delegacia, o garotinho Perfeito, esperando uma formalidade para ser liberado, pois caíra nos braços da PM, fazendo um “aviãozinho” na madrugada e como ainda era inimputável, depois de enquadrado em ‘procedimento especial de menor’ voltaria para as ruas. Ao ver-me puxou prosa e com sorriso infantil e maroto de gato que acabou de comer o toucinho, desfiou a velha ladainha; “…parei com a nóia”. Vou arrumar um ´trampo´ e mudar de vida”. Eu ainda conversava com ele no corredor quando Teobaldo veio apagar seu sorriso, já um pouco sacana de quem diz: “fica na tua mané, daqui a meia hora ´tô´ na rua e já vou fazer outra parada”, “vocês nunca vão me pegar”. Neste momento ele foi pego. O detetive estendeu-lhe pulseiras de prata ao mesmo tempo que informava a mim e a ele; “ Você completou 18 anos ante-ontem ”. Agora você é “dimaior”. Vai ser fritado no 12 e ´subir´. E Perfeito que naturalmente já conhecia o velho hotel da Silvestre Ferraz por temporadas de custodia de 45 e  90 dias, perdeu completamente a vontade de exibir os alvos dentes. Subiu uma hora depois para o ‘lar, doce lar’ para uma temporada de 4 anos.

         Na verdade não ficou tudo isso não. Dias depois na calada da noite fez um ´tatu´ no teto, subiu ao telhado, desceu pela ´tereza´ na frente do velho hotel e dobrou a serra do cajuru. Entre outras coisas, Perfeito foi pra rua acertar uma treta com Zezinho Fernandes, um velho desafeto do bairro… mas não foi perfeito. Na briga recebeu um golpe de lapiana na região abdominal e teve que adiar o acerto de contas. Levado para o PS, ele não morreu, mas voltou para o velho hotel e durante muitos meses carregou uma bolsa de colostomia presa à cintura. Mas nem isso tirou-lhe a mobilidade e nem abrandou seu coração insensível e sedento de poder. Jogava futebol daquele jeito mesmo no pateo da cadeia nos dias de banho de sol e certa vez quase matou um preso ´pé-de-couve´ que assistia a pelada da ´ventana´ do xadrez, apenas para mostrar que podia faze-lo. O homicídio por asfixia junto às barras de ferro da janela só não se perpetrou porque ouvimos os gritos abafados da vitima e de seu irmão que tentava puxar o homicida pelas pernas de volta para o pátio.

         Aos vinte e dois anos, um metro e sessenta, 52 quilos, ágil como um gato preto que era, Perfeito era um dos meliantes mais conhecidos da Policia e um dos mais temidos e respeitados do velho hotel. Mas ele não podia parar, pois a lógica é simples: quem para é ultrapassado e como liderança na prisão se conquista com força, violência e maldades, quem perde a liderança se torna um mortal comum e poderá ser a próxima vitima de quem busca o poder. Para manter-se em evidencia, na crista da onda, o pequeno meliante agitava diariamente o velho hotel, arrumando confusão com outros presos e a com a carceragem. A solução encontrada pela administração para baixar-lhe o facho foi transferi-lo para outra cadeia. Em Bueno Brandão Perfeito não tardou a colocar as manguinhas de fora… e superou-se, exagerou… colocou fogo na cadeia. Foi transferido para Cambuí. Local perfeito para a aprendizagem de Perfeito. Com meliantes paulistanos que todo dia descem a Fernão Dias com grandes cargas de drogas e acabam caindo nas malhas da séria e eficiente policia mineira, o garotão do panetone faria pós-graduação no crime. Na terra dos Lambert, Perfeito naturalmente quis mostrar que era um perfeito líder… um perfeito homem mau. Ao ouvir o comentário de um colega de hospedagem de que não gostava de tatuagem, embora tivesse varias pelo corpo, Perfeito tratou de ajuda-lo a desfaze-las e para isso usou uma lamina de gilete… sem anestesia. A ‘cirurgia’ pegou mal e causou agitação e revolta no velho hotel de Cambuí. Perfeito tornou-se ‘persona non grata’ e sua permanência ali perigava explodir o caldeirão. Com a superlotação reinante na região e a fama de agitador de cadeia, Camanducaia, Santa Rita, Albertina, Extrema, Ouro Fino, Borda ou São Gonçalo não o queriam nem pintado de ouro. O jeito foi devolve-lo à origem. E o pequeno grande meliante recebeu seu ultimo ‘bonde’; retornou a Pouso Alegre. Chegou numa sexta feira no final da tarde para sua ultima viagem. Seu destino já estava traçado.  Quem vai ao vento, perde o assento… Ele havia perdido seu posto de lider. A noite transcorreu aparentemente normal na cadeia. Apenas um som de ‘rap’ ou de tv mais alto numa ou noutra cela mas nada que fugisse à rotina. E ainda que a guarda fosse alertada, o que fazer quando vinte homens embrutecidos e fedidos num cubículo que cabem seis colchões estendidos no chão, decidem acertar suas contas? Na manha de sábado ao entrar na cadeia para a inspeção de rotina, o carcereiro foi informado que havia um “probleminha” no X 08. Enrolado em ‘cotonete’ – um lençol imitando uma camisa de força – Perfeito agora parecia perfeito; calado, inexpressivo e frio jazia pendurado por uma ´tereza´ na ventana.

      Uma bola de futebol e um panetone às vésperas do Natal, não foram suficientes para mostrar a C.A. da Silva, o Perfeito o caminho perfeito a seguir. No ‘torto’ ele não foi longe…

Policia apreende 46 cães de raça trancados dentro de casa

Dona dos bichinhos poderá ser processada por furtos e maus tratos

      Vi de relance, no Jornal Regional, a imagem de dezenas de cãezinhos saltitantes curiosos em busca de comida e liberdade, numa residência de Poços de Caldas. Os animaizinhos, 46, estavam trancados na casa em meio a sujeira e lixo, com galinhas e até um gato morto, sem ventilação, sem banho, sem água e sem comida. Os inocentes bichinhos foram apreendidos pela policia militar e vigilância em saúde e entregues provisoriamente à Sociedade Protetora dos Animais. A dona – será que é mesmo dona? – dos peludinhos que encantam crianças e adultos, quando for localizada, será processada por maus tratos de animais. A policia civil, no entanto acredita que os cachorrinhos sejam produto de furtos. E isso é mais comum do que se imagina. Dentro da casa da madame de Poços pode ter mais de R$ 50 mil reais em cachorros das raças Poodle, Bichon Frizé, Yorkshire Terrier, Schnauzers, Pinschers … Cães de raça que fazem girar, dentro ou fora da lei, uma pequena fortuna entre madames de meia idade que não podem mais ter filhos ou que preferem a companhia dos de quatro patas – Outro dia vi uma comerciante em Gonçalves recusar R$ 20 mil reais por uma belissima  matriz de Border Collie, o mais inteligentes dos caninos.

     Anos atrás conheci Madame Jack, especialista em furtos desses animaizinhos de ‘cama & sofá’, muito mais bem documentados e bem tratados do que crianças, cuja ninhada a cada seis meses pode render à ‘mamae-dondoca-perua’ algo em torno de R$ 10 mil reais.  Madame Jack era uma refinada ladra de cachorros de raça, conforme foi apurado pela PC e publicado por mim no Jornal do Estado na ocasião, não sem alguma dificuldade, pois a madame meliante fora casada com  um ‘figurão’ da cidade que poderia fechar o jornal ou processar este colunista. Veja a matéria:

  “Madame “Jack” e suas cachorradas

*Publicada por Airton Chips no Jornal do Estado em 01 de dezembro de 2000

 

       Atenção madames desavisadas e defensores de latildos indefesos. Apertem as coleiras, tranquem os portões e fiquem ligadas em Direto da Policia. Um novo golpe está na praça. Uma fina madame, um motorista trajado “a la Jarbas”, uma infante impúbere e muito papo de aranha podem levar seu cãozinho de estimação para um pulguento canil da rua São Jose ou para Ouro Fino..

      Procuraram a Delegacia de Crimes Contra o patrimônio da 13a DRSP, duas madames paulistanas e uma manduana, para dar queixa de furto de seus cãezinhos. E não se trata de pulguentos e mal nutridos viralatas, não. Trata-se de mimados peludinhos ou não, acostumados a colos, mimos e berços de cetim, todos do mais fino pedigree. São cachorrinhos das raças Yorkshire Terrier, Poodle, Bichon Maltez, Schnauzer, Shih Tzu e Bichon Frizê. ‘Latildos’ cujos filhotes  custam entre R$ 800 e R$ 2 mil reais.

     Há duas semanas a senhora Luzia Teixeira Costa da Rocha recebeu em sua residência no bairro Santa Terezinha em São Paulo, a visita de uma simpática, bonita e bem vestida mulher dos seus trintaa e alguns anos, 1,68 de altura, falando alto e rápido de cima de um salto alto. Sem mais delongas a 171 foi logo abraçando, beijando e jogando confetes em seus cãezinhos dizendo que eram os mais lindos do mundo e que ficariam ricas com eles. Na verdade estava apenas preparando uma tremenda cachorrada. Depois de meia hora de monólogo – só ela fala – a caridosa amante canina, ex-esposa de um bem sucedido empresário de Pouso Alegre, levou do canil de Luzia 08 filhotes e quatro matrizes de Yorkshire, Poodles e Bichon Frizê.

       Dona Maria Consuelo Vecchi da Silva, moradora da Penha, São Paulo, também recebeu a visita da “perua”. Depois de alguns minutos de 171 envolvendo o motorista Vanil e a filha de 09 anos, lá se foram três filhotes de Schnauzer no palio da Finória.

       O drama da viúva Leila Aparecida de Paula Roman, moradora de Pouso Alegre é ainda mais comovente. Ela entregou sua cadelinha maltez, 08 anos de carinho e minos, de nome “Finha” à madame cadela, para acasalamento e nunca mais a viu. Sua filhinha Natalia, de 13 anos, criada com Finha, recentemente órfã de pai, ao perder a peludinha branca, ficou traumatizada. Depois de desfilar por vários canis na capital paulista, a cadelinha foi passada nos cobres e recheou a guaiaca da  finória.

     E falando na madame, a 171 que impressiona pelo seu comportamento religioso – onde chega fala de Deus, ajoelha diante de imagens sacras, se benze e pede a benção para os donos da casa – chama-se J. L., atende pela alcunha de “Jack”,  mora num apartamento alugado na Rua São Jose, onde mantem um canil com cerca de 20 cãezinhos em situação precária de higiene. Seu principal argumento para levar na lábia incautas criadoras de caes de raça é a exaltação de seu canil de primeiro mundo. Mas foi num canil úmido, escaldante e fétido de fundo de quintal que os detetives Geraldo, Balca e Ozanam encontraram e apreenderam 43 Poodles, Schnauzer, Bichon Maltez e Shih Tzu em Ouro Fino, quase todos apropriados indevidamente em São Paulo, reconhecidos pelas vitimas Luzia Teixeira, Maria Consuelo e Leila Romam.

       Jack foi convidada a visitar a Delegacia de Policia, onde sentou-se ao piano do delegado Gilson Baldassari e assinou um 168 do CP. Se condenada for, Madame Jack poderá se hospedar por até 4 anos no velho hotel da Silvestre Ferraz, tão soturno, abafado e fétido quanto o que mantinha os caros fofuchos em Ouro Fino”.

        A ‘Madame Jack’ de Poços de Caldas deve ter muito mais a pagar à justiça do que uma simples cesta basica. Se fosse dona, provavelmente ela nao deixaria seus quase R$ 50 mil reais peludinhos misturados com xixi, cocô, galinha e gato morto, não….

Santarritense continua vivo na competição

 

 

      Apesar das derrotas seguidas no certame da Segunda Divisão do futebol mineiro, o “Robozinho do Vale” ainda tem chances de classificar-se para a próxima fase da competição e até de ser o campeão. Com apenas três pontos ganhos – uma vitória contra o Jacutinga no Erasmo Cabral – o time do Zezito está em quarto lugar na chave de cinco equipes, com o mesmo numero de pontos do Araguari – que havia desistido da competiçao e depois desistiu de desistir – e tem um confronto direto com ele dentro de casa na ultima rodada.

      O outro concorrente à terceira vaga é o time da capital das malhas, com apenas dois pontos, um jogo para fazer e já foi derrotado uma vez. Ou seja, ao Santarritense basta fazer 4 pontos, empatar com um e vencer o outro, que se classifica para a próxima fase. Passando de fase serão outros quinhentos. Novos patrocinadores e jogadores poderão vir reforçar o escrete do Vale da Eletrônica e leva-lo à Primeira Divisão.

     O abnegado diretor Bugalu continua acreditando…

 

Professor da ETE é picado por jararaca

      O professor de filosofia da ETE, Hilário Coutinho, foi picado por uma cobra venenosa, provavelmente uma jararaca, ao pé da noite de sábado. Ele voltava de uma visita familiar, para seu sitio no bairro dos Coutinhos, em Congonhal, quando, no momento de engrenar a motocicleta,  sentiu a picada na perna esquerda, abaixo da panturrilha. A principio pensou que talvez tivesse esbarrado no pedal da moto ou num graveto, mas a dor tornou-se tão intensa que o obrigou a parar alguns metros adiante e constatou que a marca das presas deixadas na lateral da canela, eram de cobra. No escuro da noite não era prudente procurar pela malfeitora para identifica-la e facilitar a injeção do antídoto para o veneno, mas, pela hora do fato, tipo do ferimento, altura do bote e pela vasta experiência do professor que cresceu carpindo mandioca e roça de milho, puxando cascavéis para os pés com a enxada, pode-se deduzir que a sua ‘inimiga’ era uma irritadiça jararaca.

       O professor teve muita sorte. Apesar da dor aguda, latejante e da dormência na região atingida e ao longo da perna esquerda, a quantidade do gélido veneno da peçonhenta não foi suficiente para tira-lo de combate. Ele conseguiu chegar ao seu sitio pilotando a moto com o filho imberbe na garupa e meia hora depois foi socorrido no PS  do regional Samuel Libanio onde passou a noite em observação e já retornou às suas atividades. A invisível serpente de pouco mais de meio metro, certamente já havia gasto a maior parte do seu veneno abocanhando algum rato nas imediações, ou então, irritada com o compassado tótótótó da Bross, havia distribuído alguns botes a esmo na inocente motocicleta.

       Ironicamente, na quinta anterior, o professor havia proferido uma palestra conjunta para cerca de 80 pessoas no auditório da ETE, cujo tema discorrido tratava da “Vida depois da Morte”. Ao final, com sutil bom humor o culto professor concluiu sua fala, do ponto de vista filosófico; “… pelas minhas características genética e estatística, devo viver até os 82 anos… se não surgir no meu caminho nenhum acidente…”.  Dois dias depois, o acidente mostrou a cara, quero dizer, as presas….!!!

Zinho & Fonfon… nascidos para morrer

      Moravam numa casa simples no meio da subida da rua 09. Não havia muros na frente e nem nos fundos. Nas laterais os muros dos vizinhos serviam de divisa. A primeira vez que fui à casa deles levar-lhes uma intimação, mesmo que fosse necessário entregar-lhe pessoalmente, teria que entregar à sua avó, pois antes de descer da viatura ouvi o ranger de um sofá velho e o tropel de alguém correndo em direção ao quintal. Dona Bê ligeiramente confusa e aborrecida atendeu a porta e perguntou em tom desacorçoado; “Pra quem é desta vez?”. O ‘convite’ da Delegacia de Orientação a Menores, para esclarecer mais um furto na vizinhança, era para Zinho e Fonfon, pois a vitima não tinha certeza qual era qual.

       Foi assim que conheci W. e E.R. Pereira, os irmãos de vida desregrada e curta, no charmoso bairro conhecido por “Nem”… nem Pouso Alegre, nem santa Rita. Construído nos anos 90 com toda infra-estrutura, com ruas largas, asfaltadas, bem iluminadas, bem arborizado, escola municipal, moderna, igrejas, à margem de uma rodovia federal, agora com moderno trevo de acesso – falta apenas um campo de futebol e um ginásio poliesportivo – supermercados e muitos botecos, o bairro Cidade Jardim tem tudo a ver com o nome e faz inveja a dezenas de cidades do Estado de Minas em qualidade de vida e bem estar social. Com centenas de famílias honradas, honestas, ordeiras e cumpridoras dos seus deveres, que vieram realizar seus sonhos da casa própria e ter um cantinho para descansar após o labor, vieram também os desocupados, dissimulados, gatunos sorrateiros, larápios, traficantes, aviõezinhos e  nóias para atormentar a vida dos pacatos cidadãos.

        Em 2004, dois deles conheceram o fim trágico da maioria dos adolescentes que enveredam pelas sendas do crime, e escreveram uma página negra na jovem história do Cidade Jardim. Os garotos, na flor da idade, provaram do próprio veneno que espalharam pelas ruas do bairro desde a puberdade. Zinho, 18 e Fonfon, 19 anos, eram figurinhas carimbadas na Delegacia de Orientação a Menores da 13ª DRSP. Furtos, roubos, brigas, ameaças, uso de drogas, tiros em via publica e até estupro faziam parte de seus currículos desde os treze anos. Embora sem estabilidade financeira, sempre gostaram de enxada de cabo longo… para ficarem longe do trabalho. Suas ocupações eram a cama, sempre nas quebradas da noite depois que as ruas ficavam desertas, sopas em pratos fundos, sombra e água fresca, comida quente e chamego, e “o que é seu é meu… e sai de baixo senão leva porrada”. Os irmãos viviam sob a tutela da avó, de expressão ranzinza e amarga e de um tio quarentão que parecia ter mais o que fazer do que cuidar de sobrinhos mal educados. Vieram de São Paulo. Os pais, nunca soubemos ao certo que destino levaram. Más línguas diziam que eram separados, outros diziam que haviam morrido no crime na capital paulista e outros afirmavam que tanto o pai quanto a mãe estavam hospedados em hotéis do contribuinteem São Paulo, por roubos e trafico de drogas. A avó que sempre acompanhava os pequenos meliantes nas audiências no gabinete da delegada Maria Inês Xavier, se limitava a dizer – com poucas palavras – que o filho e a nora estavam trabalhandoem São Paulo.Aliás, assistimos a metamorfose do humor e comportamento de dona Bê. No inicio ela comparecia às audiências, recebia os puxões de orelha dos netos, tentava explicar, justificar… prometia mais rigor e vigilância na educação dos pupilos e quase pedia desculpas pelos mesmos. Foi se transformando. Mais adiante entrava muda e saia calada do gabinete da delegada. Limitava-se ouvir e concordar com acenos de cabeça. Já estava desacorçoada com os netos delinqüentes e desistira de fazer qualquer coisa para muda-los. Para transformá-los em homens de bem. Toda semana  um novo B.O. era registrado pela PM contra os irmãos Zinho e Fonfon. Se não conseguira torcer os netinhos enquanto ainda eram pepinos, agora não torceria mais. Alguém os quebraria…..

       No dia 12 de julho Zinho completaria 18 anos. Idade crucial para os meliantes. A partir daí, se caísse de novo nas malhas da lei, não teria choro nem vela e nem fita amarela, seria cana. Depois dos 18 não tem mais ‘procedimento especial de menores’, não tem mais audiência com o promotor da infância e da juventude, nem com o juiz apenas para receber um ‘sabão’ e ‘passar a mão na cabeça’. A partir dos dezoito todo cidadão brasileiro é imputável, responde criminalmente pelos seus crimes – em tese, pelos menos. Talvez por isso Zinho tenha sumido. Desde o dia 10 ele não aparecia em casa para as atividades habituais de comer, beber, dormir… e dizer palavrões, grosserias e ameaças a quem quer que lhe fizesse alguma ‘cobrança’, a começar pela avó. No principio a família sentiu certo alivio. Não tinha policia e nem vizinhos aborrecidos batendo à sua porta. Até porque o pequeno meliante não tinha compromisso com nada e ausentar-se de casa por dois ou três dias sem dar satisfação era rotina. Mas com o passar dos dias os familiares, especialmente o parceiro de feiúra, Fonfon, que sabia muito bem o mato em que lenhava, começou a preocupar-se. Teria Zinho sido preso? Será que algum dos seus muitos desafetos teria ‘acertado seus passos’? Teria ele entrado em conflito existencial devido a maioridade ou se arrependido dos seus crimes e se pendurado na ponta de uma corda num galho de uma arvore? Quem sabe tivesse arrumado um emprego como um cidadão mortal comum, temente a Deus e quisesse fazer uma surpresa para a velha avó, aparecendo em grande estilo no final do mês, com o salário no bolso e um abraço no rosto para dizer; “Vó, criei juízo. Agora sou um homem de verdade e vou te dar um pouco de alegria e conforto”!!! Será??? Ou quem sabe uma mulatinha qualquer tivesse se enrabichado com ele e o chamado na chincha…? Dizem que a mulher poe o homem nos trilhos…  Como as ultimas conjecturas eram pouco prováveis, o melhor mesmo era procurá-lo, ainda que sua ausência fizesse pouca faltaem casa. Afinal, se ele não se importava com ninguém, havia quem se importasse com ele. Passaram a procurá-lo. Delegacia de Policia, hospitais, casa de pseudo-amigos, de inimigos, IML…

        Eu estava licenciado do trabalho policial e por isso não sabia do desaparecimento do garoto que vira crescer. Da janela do escritório do jornal ao lado da delegacia vi o perito Luiz Cláudio manobrando a viatura, saindo para cumprir mais uma missão. “Encontraram um corpo boiando no Rio Sapucaí, perto da Alpargatas”, disse ele. Aquela era a noticia mais quente do dia. Parei tudo e peguei carona na viatura. Ao passar por uma curva do rio, numa ilha, um canoeiro havia avistado um corpo em posição de gorila enroscado numa galhada. No barco do pescador fomos até o cadáver que boiava plácido, só de bermuda e já bastante decomposto nas águas sujas do rio. Viramo-lo apenas para as fotografias, pois era quase impossível reconhece-lo e a única lesão que pudemos constatar antes do estomago sair pela boca, foi um pequeno orifício no meio da testa. Mais tarde o legista Vitor Romeiro confirmou que a causa ‘mortis’ fora o único tiro à queima roupa, típico de execução, cuja marca vimos ainda no rio. Noticia ruim viaja no lombo do vento na velocidade da luz e poucas horas depois os familiares de Zinho chegaram ao IML para ver se o corpo do rio era dele. Era.

       As investigações dos colegas da Homicídios esclareceram rapidamente o crime do rio. Mas isso somente aconteceu depois do enterro de Fonfon.  Excetuando a avó e os tios, e aquelas pessoas que tentavam incutir alguma coisa de frutífera na cabeça e no coração dos irmãos Zinho e Fonfon, todas as demais pessoas do seu convívio eram do submundo do crime. Fonfon, o meliante mais velho, 19 anos, não tardou a descobrir o assassino do seu irmão. Mas Bandido que é bandido não entrega o algoz para policia… ele mesmo cobra a divida. Mal enterrou o irmão no sábado, Fonfom tratou de ir à forra. Passou a ameaçar o suposto assassino, por telefone e foi pessoalmente à sua casa ali mesmo no bairro. Não morreu no dia do enterro do irmão porque não o encontrouem casa. Namanha seguinte, um domingo ensolarado, foi esperar o algoz do irmão na esquina da rua 10 com 24. Quando Lagartixa e Eraldo passaram pilotando uma Brasília em direção ao campo do Chaves, pulou à sua frente e começou o discurso. Quando quis sacar a arma já era tarde. Foi lento. Recebeu um tiro nas axilas e caiu no asfalto ainda fresco da manhã. Para ter certeza de que não teria aborrecimentos, Lagartixa desceu da Brasília, se aproximou do corpo agonizante e atirou na cabeça, mesmo ‘modus matandi’ do irmão dele uma semana antes. Zinho sepultado no sábado, Fonfon morto no domingo e sepultado na segunda.

      O assassinato do menino no rio fora mais covarde e glamouroso. Enquanto o bairro crescia em população e noticias policiais, os irmãos órfãos cresciam em malfeitorias e maldades. Aos 18 e 19 anos Zinho e Fonfon eram os lideres do crime no Cidade Jardim. Liderança é uma posição sempre cobiçada. No caso do crime, para assumi-la, basta eliminar o líder. Além disso, os franzinos irmãos, o que tinham de truculência verbal, lhes faltavaem inteligência. Eramburrinhos, desonestos e presunçosos demais. Davam bandeira e podiam comprometer a honra dos criminosos do bairro. O melhor era eliminá-los. Isso seria brincadeira de bandido. E foi brincando que Zinho morreu uma semana antes do irmão. Foi com um grupo de amigos – da onça – nadar no rio Sapucaí, há duzentos metros abaixo da BR que corta o bairro, sem saber que sua morte já estava arranjada. Em dado momento, quando saiu da água, o desafeto o esperava no barranco e o mandou de volta. Quando ele ficou de pé, a meio metro dele Lagartixa apontou a 9mm e puxou o gatilho. Nem precisou jogá-lo ao rio. O impacto da bala fez o serviço. Enquanto o grupo de meliantes voltava para o bairro, de corpo e alma lavada, sem peso na consciência, o corpo franzino e desnudo do jovem Zinho ‘que vi crescer dando-lhe conselhos nunca ouvidos’, descia lentamente as águas barrentas do velho Sapucaí até enroscar-se numa galhada na curva perto da Alpargatas. Seu aniversario de 18 anos não teve bolo e nem o tradicional parabéns. Foi comemorado em silencio, por lambaris, piabas e mandis, ali naquela curva deserta de rio, margeando uma pequena ilha. Semelhantemente à historia dos irmãos Mazinho, assassinados por Max Peter em 2000 no Chapadão, a paz voltou ao Cidade jardim. Depois da morte precoce dos irmãos R.Pereira, o jovem bairro sumiu das paginas policiais. Dona Bê também pode reencontrar a paz…

Policia Civil prende mula na rodoviaria de Pouso Alegre

       Amigos ocultos da lei digitaram o 181 e avisaram que um rapaz mulato alto, bonito e sensual estava prestes a desembarcar no terminal rodoviário de Pouso Alegre, vindo de Mogi Mirim, trazendo na mochila uma encomenda especial e proibida. O incansável delegado Gilson Baldassari reuniu seus pupilos Alberto, Teobaldo, Balca, Andréia, Ozanam Rafael e Thiago e foi para o terminal, preparar a recepção para o viajante. Ás cinco da tarde ele chegou no  ônibus branco-grená da Gardênia e desembarcou com pinta de somongó. Tão logo pisou a plataforma recebeu o abraço afetuoso e firme da detetive Andréia e teve sua mochila confiscada. A informação era quente. O rapaz trazia vários pacotes bem embrulhadinhos, cerca de meio quilo de farinha do capeta e pedra bege fedorenta, comprados numa pracinha qualquer de Mogi Mirim. O jovem Gerry Diego Santos Tume, 18 anos, como todo bom traficante pilhado com a mão na massa, esperneou e disse que a massa não era dele. Não era mesmo. Ele do traficante Rogério Felipe dos Santos, o Lelinho e de sua esposa Jaqueline Aparecida Domingos, residente no velho Aterrado. Gerry era apenas o ‘mula’. Ele fora à cidade de Mogi Mirim buscar a droga para Lelinho, em troca da quitação de uma  dívida de droga que tinha com ele, no valor de 250 reais.

       Com as informações fornecidas pelo mula,  os detetives foram visitar o ‘casal vinte’ no aterrado e em sua residência apreenderam vasta lista de clientes nóias e material para embalagem de drogas.

      Era apenas mais uma das inúmeras operações de combate ao trafico de drogas da policia civil, com auxilio dos “amigos ocultos da lei”. Mas, dadas as tendências sexuais e comportamento esdrúxulo  do mula – ele é gay – a operação ganhou contornos hilários. Ao descer do ônibus e sentir as maos firmes da detetive Andréia em seus braços, Gerry armou um tremendo barraco: “Que isso? Quem é você? Me larga sua doiiiida !!! Andréia, já sabendo que a “fanta era uva”, entrou na dele; “Calma menina.. eu sou policial, vou apenas prende-la …”. Ao negar que a droga era dele, Gerry tentou ocultar o verdadeiro dono fazendo birrinha histérica, quase bateu o pezinho; “… Eu não posso falar, não posso falar senão eles me matam….”. Mas com receio dos puxões de orelha, falou. E foram se hospedar todos, mula ‘donzela’ viciada inadimplente e o casal Lelinho/Jaqueline, no mesmo hotel do Juquinha, depois de assinarem o 33 e o 35 da lei anti-drogas.

 

 

Ciume causa morte em Ouro Fino

       Fabiano Tadeu e Rubia Campos Silva, moradores do jardim Aeroporto em Ouro Fino, viveram um conturbado romance e por algums tempo dividiram os cobertores. O bichinho do ciúme pôs fim ao casamento  e cada um seguiu seu rumo. Mas… Rubia de 27 anos, parece que não foi avisada, pois não sai do pé do moço. No inicio da madrugada deste domingo, ao sair de casa, Rubia viu o ex-marido com uma rival e foi tirar satisfação. Ao final de um breve trololó, Fabiano de 28 anos perdeu as estribeiras e enfiou uma faca de cozinha na ex-cara-metade. Rubia ainda chegou a ser socorrida e levada para o PS, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

      Após o sinistro destempero, Fabiano foi se abrigar na casa da mãe dele, perto do local do crime, onde foi preso meia hora depois.

     Como não existe delegado de policia nas comarcas nos fins de semanas, o assassino foi levado para o plantão regional em Pouso Alegre e depois de assinar o 121, voltou para a terra do Menino da Porteira, para se hospedar no hotel do contribuinte pelos próximos 20 anos.

Passos conhece sua 28ª vitima de homicídio

     A prospera cidade meio mineira meio paulista banhada pelo Rio Grande, conseguiu bater seu próprio recorde – lastimável recorde!!! – ficou cinco semanas sem enterrar nenhum filho. O ultimo passense havia batido a porta de São Pedro no dia do advogado, 11 de agosto. Desde então o banditismo da cidade, a pretexto de acerto de contas do trafico de drogas, havia distribuído muita azeitona quente, quase sempre à traição, mas os meliantes – ossos duros de roer – resistiram. Não deu mais. Na madrugada deste domingo mais um passense, o 28º no ano, o dobro de todo o ano passado, foi mandado para a chácara do padre.

      A policia ainda não sabe quem descarregou os trabucos, mas, pelo modus operandi, local do crime de vida pregressa do morto, não teve dificuldade para deduzir os motivos.  A vitima da vez é o jovem Douglas Lima Rafael, que na próxima quinta feira completaria 26 anos. Ele foi sumariamente executado com 18 tiros, no bairro Novo Horizonte, o Recanto das Margaridas de Santa Rita ou velho Aterrado de Pouso Alegre, numa rua notoriamente conhecida como ‘boca de fumo’, provavelmente por credores ou concorrentes do trafico de drogas.

     Apesar da pouca idade, Douglas Rafael já era figurinha fácil no álbum da policia de Passos, por uso e trafico de drogas e tentativa de homicídio. “Ele estava fazendo hora extra” comentou um vizinho, pois levava no corpo as marcas de bala de uma tentativa frustrada de homicídio meses atras.

      Nem mesmo as iniciativas dos órgãos públicos do município para conter a escalada do crime de homicidio, com programas de reinserção e ocupação social de jovens envolvidos com drogas, conseguiram conter o triste recorde. Até o dia 15 de maio, quando as autoridades se reuniram em busca de soluções e lançaram os programas,  inclusive direcionado à crianças, trocando armas de brinquedos por brinquedos de verdade, 14 pessoas já haviam sido assassinadas. No dia seguinte à Audiência Publica que envolveu juizes, promotores, assistentes sociais, conselheiros tutelares, policias e deputados da região, aconteceu o 15º homicídio .

      Depois de varias tentativas bem e mal sucedidas, a cidade de 96 mil habitantes, dobrou o numero de assassinatos. A grande maioria das vitimas tem passagens pela policia por envolvimento com drogas e tem menos de 30 anos.

      Só para o leitor se posicionar, em Pouso Alegre, com população oficial de 130 habitantes, aconteceram até agora apenas 7 homicídios, todos esclarecidos.