Troca de Chefia do Cartório da Regional de P.Alegre

       Em prosseguimento às mudanças na chefia das delegacias da policia civil, foi nomeado o novo Chefe de Cartório da Delegacia Regional de Pouso Alegre.

      Assume a chefia o escrivão de policia Edgar Keley Novelli. O apaixonado e operacional escrivão que não perde uma oportunidade de ir para as ruas nas operações de busca & apreensão e cumprimento de mandados de prisão, ingressou na Policia Civil em 98 e sempre atuou em Pouso Alegre.

     Edgar, que também é engenheiro civil, substituiu a escrivã Lucimar Cristina Gomes. Ele foi formalizado no cargo que já ocupava há dois meses.

O Boa Esporte seria uma ‘boa’ para Pouso Alegre

       Ha décadas nossa vizinha Varginha vinha tentando aparecer no cenario nacional atraves do esporte, ora com o Flamengo F.C. ora com VEC. Acabou conseguindo com o Ituiutaba, time que veio do Triangulo Mineiro enquanto seu novo, moderno e pomposo estádio está sendo construído. O time alvi-rubro, completamente montado, pronto para entrar em campo, caiu de bandeja na cidade do ET, que aliás, já havia ‘caído’!!!!!!!!! Nos braços da cidade há quinze anos. Êta cidade de sorte esta Varginha, que nada tem de vargem ou várzea.

      Pouso Alegre, a cidade que mais cresce no Sul de Minas, estava lá atrás de Varginha na década de 70 quando Simão Pedro começou trazer as empresas para a cidade. Mesmo ganhando dois fortes canais de televisão – Globo e SBT – o falso ET em 96 e o belo estádio do Melão, Varginha foi ultrapassada por Pouso Alegre.

      Como seria então se a ‘terra do Mandu’ estivesse recebendo clubes de futebol – e naturalmente seus ‘acessórios’ – de todo o estado, de todo Brasil, Seleção brasileira e muito breve até clubes do exterior, caso suba para a Primeira Divisão do campeonato brasileiro onde já está com a ponta da chuteira? O Boa está em quinto na Serie B, fungando na nuca dos quatro primeiros que sobem.

      Temos torcedores apaixonados por futebol e o Manduzao, terceiro maior estádio do interior, atrás apenas do majestoso parque do sabia em Uberlândia e de Juiz de Fora. O que faltou então para o “ItuiutaBoa” trazer seus craques, seu brilho, seus dividendos e os holofotes da imprensa nacional para Pouso Alegre??

      Bem, enquanto ninguém responde, resta-nos torcer para o Boa acessar a Serie A do Brasileirão, levantar a Taça Minas Gerais – a qual lidera invicto – que o colocará na Copa do Brasil  do ano que vem e outras conquistas mais. Até porque, pelo andar da carruagem de América, Atlético e Cruzeiro, em 2012 o Boa poderá ser o único time de Minas na Serie A do Brasileirão…  Ou não???

Justiça cassa mandato de vereadores de Borda da Mata

                  Eles são acusados de usar combustiveis em nome da prefeitura para fazer campanha eleitoral na eleição passada.

       Três vereadores de Borda da Mata, a ‘Capital do Pijama”, tiveram os mandatos cassados pela Justiça. Quatro suplentes também não poderão assumir os cargos deles na Câmara Municipal. Perderam os cargos os vereadores Vivalde Raimundo da Silva (PT), Benedito Delfino de Mira (PMDB) e Luiz Carlos Pinheiro (PMDB).

       Segundo as investigações do Ministério Público, eles são acusados de usar combustível pago pela prefeitura para fazer campanha eleitoral em 2008. As denúncias também envolvem o ex-prefeito do município, Benedito Cobra Filho. A investigação foi comandada pela promotora de justiça, Maria Regina Capelle, que estava à frente do caso desde 2008.

        Segundo as investigações, por intermédio do então prefeito de Borda da Mata, sete candidatos ao cargo de vereador abasteciam os carros usados nas campanhas eleitorais em um posto de combustíveis, com o dinheiro da prefeitura. Nas notas fiscais emitidas pelo posto e apreendidas, uma sigla foi a peça chave para a abertura do processo. As letras “P” e “M”, que significariam “Prefeitura Municipal”. Segundo o MP, pelo menos R$ 30 mil foram desviados.

       O Ministério Público deve agora entrar com uma ação penal pedindo a prisão de todos os envolvidos, inclusive o ex-prefeito. Benedito “Cobrinha” Filho afirma que não há provas de que o abastecimento de carros de candidatos e eleitores era feito via prefeitura.

        A cassaçao do mandato dos tres vereadores aconteceu graças à denuncia de cidadãos que não aceitam mais o desvio ou mal uso do dinheiro publico. O caso da ‘terra do pijama’ é apenas uma ‘casquinha’ do iceberg de corrupção que assola o país, iceberg este que se derretido e usado em investimentos na educação, saude, segurança… faria do Brasil um país bem mais justo e melhor para se viver.

        Exemplos de combate à corrupçao e desvio de dinheiro publico como o de Borda da Mata precisam acontecer mais em todos os rincões do nosso Brasil varonil. Faça sua parte… “Proteste contra a  CORRUPÇAO”.

Cálice sagrado ressuscita “Já Morreu”

     Ele tem 34 anos e desde os 16 vive na rua. Aos dezessete matou um colega de ‘ponte’ – moravam embaixo da ponte – e conseguiu casa, comida e roupa lavada de graça. Desde que deixou o hotel do contribuinte de Cambuí, há quase 15 anos, vive nas ruas de Pouso Alegre, no velho hotel da Silvestre Ferraz e agora no Hotel do Juquinha. Seus delitos são leves. Consumo imoderado de suco de gerereba, uma ou outra pedra bege fedorenta de vez em quando, uma briguinha com uma namorada  e um furtozinho pé-de-couve aqui e acolá. Nada que faça dele um bandido, mas sem duvida um marginal, destes que mais incomodam do que metem medo. Mas ele já teve momentos de fama.

         Em 2002 passava eu pela perimetral com o parceiro Fernando Jardim, quando deparamos com um tumulto na beira do velho Mandu, defronte a tapera da Vigor. Nas duas margens do poluído rio, com a enchente baixando, havia mais de mil pessoas sem contar uma dúzia de policiais militares e outra de Bombeiros. Lá no meio do rio segurando uma bela tocha e agarrado a uma corda atirada pelos prestativos bombeiros, com a água pelo pescoço, Adriano Carlos do Carmo, o JA MORREU, dava seu show. Havia brigado com a namoradinha Luciene e dizia que queria ‘morrer por amor’. A brincadeira era ameaçar soltar a corda e afundar se os bombeiros se aproximassem. Os bombeiros até que achavam divertidos os apupos da platéia. Além do que, nadar àquela hora da tarde, embora em águas sujas de enchente, era refrescante. Mas os PMs já estavam com água pela tampa com a zombaria do nóia. A esta altura Adriano Já Morreu temia sair das águas mornas do rio, pois sabia que ficaria com o lombo quente da manguara dos policiais. Eu conhecia Já Morreu de outros carnavais. Em diversas ocasiões eu havia sido seu anjo bom, inclusive numa delas, levei vestimenta completa do meu guarda roupa para ele quando a PM o conduziu completamente nu para a delegacia. Por isso, ao ouvir minha voz na beira do rio, mamado que estava, desandou a chorar e viu em mim a tabua de salvação. Veio nadando lentamente em minha direção, sem soltar a corda, tentando explicar em meio a chorumelas o que estava acontecendo, sob calorosos aplausos da galera. Parecia coisa de cinema. Ao chegar à margem, no entanto, o inevitável aconteceu. Enfurecidos com o dramalhão do nóia e enciumados com o desfecho inusitado – estavam ali há mais de meia hora tentando sem sucesso por fim ao show do pé-de-cana, de repente a um simples aceno de um civil, o nóia vem para seus braços!!!. – os policiais o agarraram e o arrastaram – literalmente – para a barca. Achei mais sensato não intervir naquele momento e segui para a delegacia. Bastava cruzar a Avenida Perimetral – que ainda não tinha canteiro divisório – e seguir em frente para chegar à DP, quatro quarteirões depois, cerca de dois ou três minutos de viagem. Chegaram com ele duas horas mais tarde. As marcas de botina e cacetete não apareciam tanto porque ele – acostumado a comer soberdas marmitas e PFs oferecidos por donas de casa nas imediaçoes do centro, muito mais por medo dele do que por solidariede –  era um mulato encorpado e marrudo. Estava só de calção e como não conseguia andar, foi novamente arrastado na sarjeta até o saguão da delegacia. Não recebeu mais sopapos, pontapés e borracha no lombo porque eu o levei imediatamente para o interior da DP.

        Depois de passar algumas temporadas no velho hotel da Silvestre Ferraz e no Hotel do Juquinha, por crimes pés-de-couve, Já Morreu retomou a leve e descompromissada vida de indigente e voltou ao lar doce lar das vielas, marquises, prédios abandonados e pracinha da catedral, na companhia de outros colegas de ‘filosofia’.

        Outro dia ele e outros dois colegas de copo, resolveram ajudar o sacristão na coleta durante a missa na Catedral. E o dizimo, é claro se destinava à obras  assistenciais … dele e do seu grupo, naturalmente. Como já estavam mamados, sujos e maltrapilhos um seminarista julgou inconveniente suas presenças na Casa do Pai e pediu à Guarda Municipal que os convidassem a se retirar. Eles desistiram da coleta e se foram de mãos abanando. Mas já Morreu não estava morto. Voltou para a coleta no final da tarde, antes da missa das cinco, com a casa santa ainda vazia. Para evitar aborrecimentos e transtornos com a sacolinha, resolveu levar sua parte em ouro e prata. Sorrateiramente pegou um cálice no altar, colocou debaixo da camisa e foi saindo de fininho. Esbarrou numa Ministra de Eucaristia e para disfarçar, fez cara de pelamordedeus e perguntou se ela por acaso não tinha uma cesta básica para presenteá-lo. Lá fora encontrou os amigos Agnaldo Acassio Reis e Evaldo Camargo da Silva e antes de trocar o valioso cálice por duas ou três ‘pedrinhas’ beges fedorentas e um ‘litrão’ da marvada com um intrujão qualquer no velho Aterrado, convidou-os para um trago de suco de gerereba. Não seria com certeza nenhuma Anisio Ferreira e muito menos uma Havana de Salinas, mas o copo? Ah, este era especial, muito especial… Seria no cálice de ouro com detalhes de prata, surrupiado da igreja. Ao passar pela Praça Senador Bento com pinta de somongós, foram abordados pelos homens da lei. Não foi difícil para os policiais deduzirem a procedência do cálice sagrado, dourado e prateado, quase tão valioso quanto o do Indiana Jones. Em poucos minutos o seminarista Wellington Caproni, que já os expulsara da igreja de manhã, reconheceu o caríssimo artefato furtado na igreja.

       Tudo resolvido? Não. Ao sentar ao piano, Adriano Carlos do Carmo, que há muito não sabe o que é documentos, disse que se chamava Carlos Henrique do Carmo e com o nome do irmão mais velho foi autuado em flagrante e levado para o limbo do umbral da BR 459. Passou batido na PM e na PC, mas caiu na malha fina ao fazer o ‘check  in’ no hotel do Juquinha. Na terça ele voltou à DP para assinar mais um B.O.. Artigo 297 do CP, falsidade ideológica.

        Já Morreu e seus dois colegas de copo, embora não vivam sem o famigerado suco de gerereba, devem estar cantando Chico Buarque…. “Pai, afasta de mim este cálice…”.

Churrascada gorda em Bueno Brandão

       Com o ‘ouro negro’ a R$ 500 reais a saca e o bife de alcatra e contra-filé a R$19 e a picanha a R$ 25 reais o quilo, furtos e roubos de café e gado na zona rural da região tem se tornado a menina dos olhos dos meliantes amigos do alheio… Um prato cheio e saboroso. Nas ultimas semanas centenas de sacas de café tem trocado de dono nas fazendas da região… Sem pagar qualquer tipo de tributos. Picanhas, alcatras e coxão-mole ambulantes também têm pego a estrada em caminhões boiadeiros improvisados ou a pé mesmo e mudado de pasto.

        Ao chegar à fazenda Cascavel em Bueno Brandão na ultima quarta feira o pecuarista Benedito Vieira, teve uma surpresa desagradável. Vinte e uma cabeças de ruminantes haviam partido em busca de novos prados, sem deixar endereço. O ladrão era manso. Depois de arrombar a porteira do pasto que margeia a estrada, saiu tocando o gado sem berrante estrada afora e sumiu na poeira. A policia registrou o B.O., mas até o momento não sabe onde será a churrascada.

     Se o gado do sr. Benedito estivesse numa fazenda do vizinho município de Ouro Fino, não teria sido furtado. Lá tem sempre um ‘menino vigiando a porteira’…   

Santarritense a um empate da classificação

          Depois da vitoria magra sobre o Jacutinga na capital das malhas no ultimo domingo, o “Robozinho” do Vale agora joga em casa no proximo dia 02 contra o Araguari,  adversario direto na luta pela ultima vaga na proxima fase do campeonato mineiro da segunda divisão. Um empate contra o time do Triangulo lhe garante a classificção.

         Apesar de ter vencido apenas o Jacutinga – duas vezes – no certame e ter um aproveitamento inferior a 30% o time dirigido pelo experiente Zezito, coordenado  pelo apaixonado Bugalu, pode chegar ao titulo da Segundona, ou pelo menos ao acesso à primeira divisão. Afinal, na proxima fase todos os times começam com zero pontos e o time pode se reforçar e bater os adversarios.

                 A presença da torcida no estadio Erasmo Cabral, domingo às 10:30h da manha pode fazer a diferença.       

                Seja o 12º jogador do seu time.          

                Vá prestigiar o Robozinho do Vale. 

Perfeito, a pistola e o panetone

      Cheguei a Pouso Alegre há 40 anos, quando a população mal somava 40 mil habitantes. Não cresci ainda o suficiente para retribuir as possibilidades que Deus me deu, mas cresci e vi a cidade crescer e quadruplicar. Sempre me alegrei com o crescimento das pessoas à minha volta, especialmente aquelas do meu convívio que se tornaram social e profissionalmente homens bem sucedidos, alguns com os quais tive a felicidade de compartilhar parte de minha infância, adolescência e juventude.

        Se me alegro com o sucesso, me entristeço com a decadência de meninos, que do meu convívio estreito ou não, vi crescer à minha volta. Não sei dizer quantos, mas vi crescer muitos garotos certamente com sonhos iguais aos meus ou de meus amigos, mas que nas encruzilhadas da vida fizeram a opção errada. Muitos na verdade não fizeram opção alguma. Apenas não ouviram uma palavra amiga, não tiveram um afago paterno ou um braço firme e generoso no ombro para mostrar o caminho certo e seguiram sem rumo. Desviaram-se para o que parecia mais fácil, mas que se tornou doloroso, lamacento e quase sem volta caminho do crime.

     C.A. da Silva era um desses garotos. Esperto, sonhador, franzino, criado numa rua estreita do bairro São João com vários outros irmãos. Tinha medo dos outros garotos de sua idade, pois era menor e mais fraco que eles, mas logo descobriu que se batesse primeiro poderia amedrontar os outros. Ainda impúbere C.A. ganhou um apelido que o acompanharia pela –  curta – vida toda; Perfeito.

     Conheci Perfeito por acaso numa situação totalmente inusitada. Certa manha de meados de dezembro descia eu lentamente uma rua do bairro São João, conduzindo a 6252 juntamente com meu parceiro e futuro afilhado Fernando, quando avistamos à nossa frente um garotinho de cerca de doze ou treze anos, entre outros da mesma faixa etária, exibindo uma pistola oxidada, como se estivesse prestes a disparar azeitonas quentes. Exibindo mesmo, tanto que me aproximei com cautela e com a mão esquerda, de dentro da viatura tomei-lhe a reluzente pistola… de plástico. Assustado, não tanto pelo fato de ser surpreendido pela policia, muito mais por ter perdido seu brinquedo, Perfeito mostrou-nos sua casa, alguns metros rua abaixo. Instantes depois sua mãe, sem muito constrangimento, explicou que dera ao filho dois reais para comprar um brinquedo e não sabia que ele queria comprar uma arma – E certamente não se importaria se ele tivesse dito.

         Depois do ameno sermão seguimos nossa rotina pelo bairro. Uma semana depois passamos novamente pela mesma rua, na ágil 6252 e lá estava Perfeito sentado na sombra da própria casa ladeado pelos amigos e irmãos. Como da vez anterior, de dentro da viatura fizemos o inverso. Entregamos ao franzino garoto uma bola de futebol e um panetone. Não disséramos nada quando tomamos a pistola, mas parece que Perfeito estivera ali todos os dias esperando por ‘aquela compensação’. Um dos garotos correu para dentro da casa para entregar à mãe o panetone e os outros imediatamente fizeram a bola rolar e quicar na rua poeirenta defronte sua casa como se fossem crianças!!! Não precisávamos de palavras, o gesto já dissera tudo mas, ao nos afastarmos, Perfeito desviou por um instante os olhos da bola que já estava manchada de poeira, levantou um dos braços e… acho que ele disse “obrigado”. Foi o melhor presente de Natal que já dei a alguem.

      Anos depois, ao folhear os BOs na Delegacia de Policia a procura de assuntos para meu programa “Direto da Policia”, encontrei um BO da noite anterior que narrava uma tentativa frustrada de assalto a um supermercado do bairro Santa Luzia. Segundo o relato dos policiais, o comerciante percebera a presença de um sujeitinho com pinta de somongó, espreitando sorrateiramente o estabelecimento e chamara os homens da lei. Na abordagem fora encontrado com o ‘futuro’ gatuno um trezoitão meia-vida, porém devidamente municiado, pronto para ameaçar e vomitar azeitonas quentes se fosse necessário. O frustrado assaltante era C.A.da Silva, o Perfeito, agora com 15 anos e… uma arma de verdade.

         Embora Perfeito já fosse conhecido por outros delitos mais leves, este foi meu primeiro contato com ele depois do presente de Natal. Muitos outros ainda aconteceriam. Furtos, uso e trafico de drogas, roubos, tentativas de homicídio ainda engrossariam a ficha criminal deste menino que vi crescer. Certa manha ao chegar para trabalhar no CPD, lá estava no banco da velha delegacia, o garotinho Perfeito, esperando uma formalidade para ser liberado, pois caíra nos braços da PM, fazendo um “aviãozinho” na madrugada e como ainda era inimputável, depois de enquadrado em ‘procedimento especial de menor’ voltaria para as ruas. Ao ver-me puxou prosa e com sorriso infantil e maroto de gato que acabou de comer o toucinho, desfiou a velha ladainha; “…parei com a nóia”. Vou arrumar um ´trampo´ e mudar de vida”. Eu ainda conversava com ele no corredor quando Teobaldo veio apagar seu sorriso, já um pouco sacana de quem diz: “fica na tua mané, daqui a meia hora ´tô´ na rua e já vou fazer outra parada”, “vocês nunca vão me pegar”. Neste momento ele foi pego. O detetive estendeu-lhe pulseiras de prata ao mesmo tempo que informava a mim e a ele; “ Você completou 18 anos ante-ontem ”. Agora você é “dimaior”. Vai ser fritado no 12 e ´subir´. E Perfeito que naturalmente já conhecia o velho hotel da Silvestre Ferraz por temporadas de custodia de 45 e  90 dias, perdeu completamente a vontade de exibir os alvos dentes. Subiu uma hora depois para o ‘lar, doce lar’ para uma temporada de 4 anos.

         Na verdade não ficou tudo isso não. Dias depois na calada da noite fez um ´tatu´ no teto, subiu ao telhado, desceu pela ´tereza´ na frente do velho hotel e dobrou a serra do cajuru. Entre outras coisas, Perfeito foi pra rua acertar uma treta com Zezinho Fernandes, um velho desafeto do bairro… mas não foi perfeito. Na briga recebeu um golpe de lapiana na região abdominal e teve que adiar o acerto de contas. Levado para o PS, ele não morreu, mas voltou para o velho hotel e durante muitos meses carregou uma bolsa de colostomia presa à cintura. Mas nem isso tirou-lhe a mobilidade e nem abrandou seu coração insensível e sedento de poder. Jogava futebol daquele jeito mesmo no pateo da cadeia nos dias de banho de sol e certa vez quase matou um preso ´pé-de-couve´ que assistia a pelada da ´ventana´ do xadrez, apenas para mostrar que podia faze-lo. O homicídio por asfixia junto às barras de ferro da janela só não se perpetrou porque ouvimos os gritos abafados da vitima e de seu irmão que tentava puxar o homicida pelas pernas de volta para o pátio.

         Aos vinte e dois anos, um metro e sessenta, 52 quilos, ágil como um gato preto que era, Perfeito era um dos meliantes mais conhecidos da Policia e um dos mais temidos e respeitados do velho hotel. Mas ele não podia parar, pois a lógica é simples: quem para é ultrapassado e como liderança na prisão se conquista com força, violência e maldades, quem perde a liderança se torna um mortal comum e poderá ser a próxima vitima de quem busca o poder. Para manter-se em evidencia, na crista da onda, o pequeno meliante agitava diariamente o velho hotel, arrumando confusão com outros presos e a com a carceragem. A solução encontrada pela administração para baixar-lhe o facho foi transferi-lo para outra cadeia. Em Bueno Brandão Perfeito não tardou a colocar as manguinhas de fora… e superou-se, exagerou… colocou fogo na cadeia. Foi transferido para Cambuí. Local perfeito para a aprendizagem de Perfeito. Com meliantes paulistanos que todo dia descem a Fernão Dias com grandes cargas de drogas e acabam caindo nas malhas da séria e eficiente policia mineira, o garotão do panetone faria pós-graduação no crime. Na terra dos Lambert, Perfeito naturalmente quis mostrar que era um perfeito líder… um perfeito homem mau. Ao ouvir o comentário de um colega de hospedagem de que não gostava de tatuagem, embora tivesse varias pelo corpo, Perfeito tratou de ajuda-lo a desfaze-las e para isso usou uma lamina de gilete… sem anestesia. A ‘cirurgia’ pegou mal e causou agitação e revolta no velho hotel de Cambuí. Perfeito tornou-se ‘persona non grata’ e sua permanência ali perigava explodir o caldeirão. Com a superlotação reinante na região e a fama de agitador de cadeia, Camanducaia, Santa Rita, Albertina, Extrema, Ouro Fino, Borda ou São Gonçalo não o queriam nem pintado de ouro. O jeito foi devolve-lo à origem. E o pequeno grande meliante recebeu seu ultimo ‘bonde’; retornou a Pouso Alegre. Chegou numa sexta feira no final da tarde para sua ultima viagem. Seu destino já estava traçado.  Quem vai ao vento, perde o assento… Ele havia perdido seu posto de lider. A noite transcorreu aparentemente normal na cadeia. Apenas um som de ‘rap’ ou de tv mais alto numa ou noutra cela mas nada que fugisse à rotina. E ainda que a guarda fosse alertada, o que fazer quando vinte homens embrutecidos e fedidos num cubículo que cabem seis colchões estendidos no chão, decidem acertar suas contas? Na manha de sábado ao entrar na cadeia para a inspeção de rotina, o carcereiro foi informado que havia um “probleminha” no X 08. Enrolado em ‘cotonete’ – um lençol imitando uma camisa de força – Perfeito agora parecia perfeito; calado, inexpressivo e frio jazia pendurado por uma ´tereza´ na ventana.

      Uma bola de futebol e um panetone às vésperas do Natal, não foram suficientes para mostrar a C.A. da Silva, o Perfeito o caminho perfeito a seguir. No ‘torto’ ele não foi longe…

Policia apreende 46 cães de raça trancados dentro de casa

Dona dos bichinhos poderá ser processada por furtos e maus tratos

      Vi de relance, no Jornal Regional, a imagem de dezenas de cãezinhos saltitantes curiosos em busca de comida e liberdade, numa residência de Poços de Caldas. Os animaizinhos, 46, estavam trancados na casa em meio a sujeira e lixo, com galinhas e até um gato morto, sem ventilação, sem banho, sem água e sem comida. Os inocentes bichinhos foram apreendidos pela policia militar e vigilância em saúde e entregues provisoriamente à Sociedade Protetora dos Animais. A dona – será que é mesmo dona? – dos peludinhos que encantam crianças e adultos, quando for localizada, será processada por maus tratos de animais. A policia civil, no entanto acredita que os cachorrinhos sejam produto de furtos. E isso é mais comum do que se imagina. Dentro da casa da madame de Poços pode ter mais de R$ 50 mil reais em cachorros das raças Poodle, Bichon Frizé, Yorkshire Terrier, Schnauzers, Pinschers … Cães de raça que fazem girar, dentro ou fora da lei, uma pequena fortuna entre madames de meia idade que não podem mais ter filhos ou que preferem a companhia dos de quatro patas – Outro dia vi uma comerciante em Gonçalves recusar R$ 20 mil reais por uma belissima  matriz de Border Collie, o mais inteligentes dos caninos.

     Anos atrás conheci Madame Jack, especialista em furtos desses animaizinhos de ‘cama & sofá’, muito mais bem documentados e bem tratados do que crianças, cuja ninhada a cada seis meses pode render à ‘mamae-dondoca-perua’ algo em torno de R$ 10 mil reais.  Madame Jack era uma refinada ladra de cachorros de raça, conforme foi apurado pela PC e publicado por mim no Jornal do Estado na ocasião, não sem alguma dificuldade, pois a madame meliante fora casada com  um ‘figurão’ da cidade que poderia fechar o jornal ou processar este colunista. Veja a matéria:

  “Madame “Jack” e suas cachorradas

*Publicada por Airton Chips no Jornal do Estado em 01 de dezembro de 2000

 

       Atenção madames desavisadas e defensores de latildos indefesos. Apertem as coleiras, tranquem os portões e fiquem ligadas em Direto da Policia. Um novo golpe está na praça. Uma fina madame, um motorista trajado “a la Jarbas”, uma infante impúbere e muito papo de aranha podem levar seu cãozinho de estimação para um pulguento canil da rua São Jose ou para Ouro Fino..

      Procuraram a Delegacia de Crimes Contra o patrimônio da 13a DRSP, duas madames paulistanas e uma manduana, para dar queixa de furto de seus cãezinhos. E não se trata de pulguentos e mal nutridos viralatas, não. Trata-se de mimados peludinhos ou não, acostumados a colos, mimos e berços de cetim, todos do mais fino pedigree. São cachorrinhos das raças Yorkshire Terrier, Poodle, Bichon Maltez, Schnauzer, Shih Tzu e Bichon Frizê. ‘Latildos’ cujos filhotes  custam entre R$ 800 e R$ 2 mil reais.

     Há duas semanas a senhora Luzia Teixeira Costa da Rocha recebeu em sua residência no bairro Santa Terezinha em São Paulo, a visita de uma simpática, bonita e bem vestida mulher dos seus trintaa e alguns anos, 1,68 de altura, falando alto e rápido de cima de um salto alto. Sem mais delongas a 171 foi logo abraçando, beijando e jogando confetes em seus cãezinhos dizendo que eram os mais lindos do mundo e que ficariam ricas com eles. Na verdade estava apenas preparando uma tremenda cachorrada. Depois de meia hora de monólogo – só ela fala – a caridosa amante canina, ex-esposa de um bem sucedido empresário de Pouso Alegre, levou do canil de Luzia 08 filhotes e quatro matrizes de Yorkshire, Poodles e Bichon Frizê.

       Dona Maria Consuelo Vecchi da Silva, moradora da Penha, São Paulo, também recebeu a visita da “perua”. Depois de alguns minutos de 171 envolvendo o motorista Vanil e a filha de 09 anos, lá se foram três filhotes de Schnauzer no palio da Finória.

       O drama da viúva Leila Aparecida de Paula Roman, moradora de Pouso Alegre é ainda mais comovente. Ela entregou sua cadelinha maltez, 08 anos de carinho e minos, de nome “Finha” à madame cadela, para acasalamento e nunca mais a viu. Sua filhinha Natalia, de 13 anos, criada com Finha, recentemente órfã de pai, ao perder a peludinha branca, ficou traumatizada. Depois de desfilar por vários canis na capital paulista, a cadelinha foi passada nos cobres e recheou a guaiaca da  finória.

     E falando na madame, a 171 que impressiona pelo seu comportamento religioso – onde chega fala de Deus, ajoelha diante de imagens sacras, se benze e pede a benção para os donos da casa – chama-se J. L., atende pela alcunha de “Jack”,  mora num apartamento alugado na Rua São Jose, onde mantem um canil com cerca de 20 cãezinhos em situação precária de higiene. Seu principal argumento para levar na lábia incautas criadoras de caes de raça é a exaltação de seu canil de primeiro mundo. Mas foi num canil úmido, escaldante e fétido de fundo de quintal que os detetives Geraldo, Balca e Ozanam encontraram e apreenderam 43 Poodles, Schnauzer, Bichon Maltez e Shih Tzu em Ouro Fino, quase todos apropriados indevidamente em São Paulo, reconhecidos pelas vitimas Luzia Teixeira, Maria Consuelo e Leila Romam.

       Jack foi convidada a visitar a Delegacia de Policia, onde sentou-se ao piano do delegado Gilson Baldassari e assinou um 168 do CP. Se condenada for, Madame Jack poderá se hospedar por até 4 anos no velho hotel da Silvestre Ferraz, tão soturno, abafado e fétido quanto o que mantinha os caros fofuchos em Ouro Fino”.

        A ‘Madame Jack’ de Poços de Caldas deve ter muito mais a pagar à justiça do que uma simples cesta basica. Se fosse dona, provavelmente ela nao deixaria seus quase R$ 50 mil reais peludinhos misturados com xixi, cocô, galinha e gato morto, não….

Santarritense continua vivo na competição

 

 

      Apesar das derrotas seguidas no certame da Segunda Divisão do futebol mineiro, o “Robozinho do Vale” ainda tem chances de classificar-se para a próxima fase da competição e até de ser o campeão. Com apenas três pontos ganhos – uma vitória contra o Jacutinga no Erasmo Cabral – o time do Zezito está em quarto lugar na chave de cinco equipes, com o mesmo numero de pontos do Araguari – que havia desistido da competiçao e depois desistiu de desistir – e tem um confronto direto com ele dentro de casa na ultima rodada.

      O outro concorrente à terceira vaga é o time da capital das malhas, com apenas dois pontos, um jogo para fazer e já foi derrotado uma vez. Ou seja, ao Santarritense basta fazer 4 pontos, empatar com um e vencer o outro, que se classifica para a próxima fase. Passando de fase serão outros quinhentos. Novos patrocinadores e jogadores poderão vir reforçar o escrete do Vale da Eletrônica e leva-lo à Primeira Divisão.

     O abnegado diretor Bugalu continua acreditando…

 

Professor da ETE é picado por jararaca

      O professor de filosofia da ETE, Hilário Coutinho, foi picado por uma cobra venenosa, provavelmente uma jararaca, ao pé da noite de sábado. Ele voltava de uma visita familiar, para seu sitio no bairro dos Coutinhos, em Congonhal, quando, no momento de engrenar a motocicleta,  sentiu a picada na perna esquerda, abaixo da panturrilha. A principio pensou que talvez tivesse esbarrado no pedal da moto ou num graveto, mas a dor tornou-se tão intensa que o obrigou a parar alguns metros adiante e constatou que a marca das presas deixadas na lateral da canela, eram de cobra. No escuro da noite não era prudente procurar pela malfeitora para identifica-la e facilitar a injeção do antídoto para o veneno, mas, pela hora do fato, tipo do ferimento, altura do bote e pela vasta experiência do professor que cresceu carpindo mandioca e roça de milho, puxando cascavéis para os pés com a enxada, pode-se deduzir que a sua ‘inimiga’ era uma irritadiça jararaca.

       O professor teve muita sorte. Apesar da dor aguda, latejante e da dormência na região atingida e ao longo da perna esquerda, a quantidade do gélido veneno da peçonhenta não foi suficiente para tira-lo de combate. Ele conseguiu chegar ao seu sitio pilotando a moto com o filho imberbe na garupa e meia hora depois foi socorrido no PS  do regional Samuel Libanio onde passou a noite em observação e já retornou às suas atividades. A invisível serpente de pouco mais de meio metro, certamente já havia gasto a maior parte do seu veneno abocanhando algum rato nas imediações, ou então, irritada com o compassado tótótótó da Bross, havia distribuído alguns botes a esmo na inocente motocicleta.

       Ironicamente, na quinta anterior, o professor havia proferido uma palestra conjunta para cerca de 80 pessoas no auditório da ETE, cujo tema discorrido tratava da “Vida depois da Morte”. Ao final, com sutil bom humor o culto professor concluiu sua fala, do ponto de vista filosófico; “… pelas minhas características genética e estatística, devo viver até os 82 anos… se não surgir no meu caminho nenhum acidente…”.  Dois dias depois, o acidente mostrou a cara, quero dizer, as presas….!!!