Roubou mas não conseguiu levar

      Desde que eu usava calça curta lá no meu aconchegante bairro dos Coutinhos, eu já ouvia o velho ditado; “…Feio é roubar e não poder carregar…”. Se assim é, o meliante J.H.S. de 26 anos, além de fazer feiúra, ficou com cara de tacho ao pé da noite de ontem em Camanducaia.

       J. H. entrou sorrateiramente numa loja de roupas do centro da cidade e passou a mão leve n’algumas peças e saiu de fininho. Mais acima, na Avenida Rio Branco, ao passar pelo cidadão C.B.F. – não confundir com a milionária entidade que promove o campeonato brasileiro de futebol, de cujas tetas Ricardo Teixeira não larga nem morto – bem ao estilo ‘trombadão’, deu-lhe um empurrão e tomou-lhe o aparelho celular. Não era seu dia. C. B. atracou-se com ele tentando recuperar o aparelhinho e rolaram na poeira.

        Antes que o meliante recebesse a merecida sova, os homens da lei passaram por ali e puseram fim à contenda. Depois de sacudir a poeira C.B. justificou as bolachas que dera no meliante e entregou o caso e o malfeitor para dona lei.

      Pois é… roubou e não deu conta de carregar. Sentou ao piano, assinou um 157 e foi se hospedar no velho hotel de Camanducaia.  Que feiúra…..!!!

Aviãozinho caiu no terreno baldio no Aterrado

       Passavam os homens da lei pela rua Sebastiana Silva no velho Aterrado, quando avistaram o garotão Wanderson Juliano Quirino Calazans saindo de um terreno baldio com pinta de somongó. Resolveram abordá-lo, pois ‘somongó’ só entra e sai do mato à noite no velho Aterrado, por um motivo: desenterrar pedra bege fedorenta, farinha do capeta ou erva marvada. Dito & Feito… O garotão de 18 anos levava na algibeira uma cápsula vazia cheirando a cocaína e três pedras de crack. No terreno baldio tinha mais. Enterradas numa valeta, 6 barangas de maconha e 4 de cocaína.

     O mocinho que mora ali perto jurou de pés juntos que não vende, não dá e nem distribui qualquer tipo de droga, apenas consome farinha do capeta esporadicamente, só quando quer e nem é viciado. Segundo ele, no momento da abordagem, acabara de ‘dar uns tapas no pó branco’, por isso estava saindo da boca de fumo.

      Nóia ou aviãozinho, Wanderson desceu no taxi do contribuinte, sentou-se ao piano do delegado de plantão, assinou o 33 e foi se hospedar no hotel do Juquinha…. E a boca de fumo ficou sem ninguem para tomar conta…

Santarritense busca vitoria em Itabira

      Apesar de ter deixado escapar dois preciosos pontos dentro de casa, o Santarritense não se deixou abater. O time se reuniu hoje pela manha no Estádio Erasmo Cabral e os atletas que não jogaram no domingo, treinaram com bola. A tarde todos foram para a piscina relaxar e se preparar para a viagem para o Vale do Aço.

      A delegação segue nesta terça depois do almoço para Itabira onde enfrenta na quarta (feriado) pela manhã o Valério Doce. O clube que nasceu “Vale do Rio Doce”, representando a companhia do mesmo nome, se tornou um dos mais tradicionais clubes de futebol do estado e durante  muitos anos freqüentou com brilhantismo a Primeira Divisão ao lado de Atlético e Cruzeiro. Depois de alguns anos inativo, tenta agora voltar à elite do futebol mineiro.

       Apesar do favoritismo do adversário no atual certame, o Robozinho do Vale leva na mala muita disposição para vencer a primeira partida fora de casa na competição.

     Conheça alguns dos jogadores que compõe o excrete do Santarritense nesta temporada.

Rodinei,

         O volante de 27 anos, natural de Pouso Alegre é um dos mais rodados do elenco. “Quando começou o campeonato todo mundo ja dizia que nós e o Jacutinga não ia clasificar, mas classificamos. O nosso time vem crescendo na competiççao. Vamos vencer o Valerio na casa deles” – diz o jogador

Sandrinho,

      32 anos, o mais ‘rodado’ do grupo. Já defendeu as cores do Araraquara, do Linense e Guaratinguetá do interior paulista e Figueirense de Santa Catarina. Passou dois anos no Oriente Médio, jogando na Síria. O camisa 11 que quase sacudiu as redes do arqueiro do CAP-Uberlandia no finalzinho do jogo domingo, está confiante na classificação para a semi-final.

Bruninho, o ‘prata da casa’

      Mais velho de quatro irmãos, Bruninho de 21 anos é filho de Joconda, funcionaria do Hospital, cursa o 1º Colegial no Sanico Telles e mora no Recanto das Margaridas. Com 32 gols marcados pela equipe do Santarritense desde que envergou sua camisa, o atacante que inferniza a defesa adversária em busca da bola, já balançou as redes adversárias 4 vezes nesta temporada.

   – “Quando o campeonato acabar, independente da classificação, o técnico Zezito vai me levar para onde ele for. Vai ser bom para manter a forma” – disse o jogador.

     Bruninho é irmão do volante Gabriel, autor do gol de empate contra o Clube Atlético Portal, no domingo.

Os ultimos dias de Fernando da Gata

       Fernando Soares Pereira nasceu em 1961 na pequena Russas-CE e aos 21 anos, depois de meteórica carreira na capital paulista e em Pouso Alegre, tornou-se a pessoa mais temida e mais popular do Brasil. Sua fama começou na própria Russas onde mais tarde ele voltaria de avião fretado pelo governo do Estado e, sob o ruflar de tambores seria….. enterrado, como herói e mártir. Suas estripulias, brincadeiras com a policia e abusos sexuais começaram ainda na adolescência e aos vinte anos Fernando já era o mais ilustre ladrão e estuprador da cidade… e o maior fujão do velho hotel de Russas. Prende-lo até que não era tão difícil. Bastava chantagea-lo. O difícil era mantê-lo na cadeia. Diziam que ele tinha parte com o demônio, praticava magia negra ou algo assim, pois simplesmente desaparecia da cadeia na hora que queria. Quando os policiais não conseguiam prende-lo, diante da pressão da população, prendiam algum de seus familiares e então ele se entregava e o chefe da policia o exibia na sacada da delegacia para acalmar a população. Esta ultima parte até que pode ter acontecido, pois naqueles tempos, antes do advento da Carta Magna do jurássico Ulisses Guimarães, nos mais distantes rincões do nosso brasilsão verde-amarelo, especialmente nas pequenas cidades, políticos e policia faziam as leis de acordo com suas conveniências – Faziam….?

      Mas o baixinho que na lá no Ceará gostava mesmo de meninas novas de família, cansou-se da farra, da rotina e da pobreza do nordeste e resolveu descer para o rico sudeste. Fixou residência na periferia de São Paulo e se tornou Manoel Rufino da Silva, trabalhador da construção civil. Casou-se com Maria de Fátima, mas logo recomeçou a vida de crimes contra o patrimônio e contra os costumes. Seis meses depois estava em todos os noticiários impressos, radiofônicos e televisivos do país. Agora, o Fantástico Show da Vida já o apresentava ao Brasil como o misterioso “Fernando da Gata”. Em São Paulo ele pulava muros e quintais usando apenas um calção, dominava cães ferozes com um simples estalar de dedos, entrava nas ricas mansões de revolver em punho, estuprava a dona da casa no seu quarto com o marido trancado no banheiro ao lado ou na presença dele mesmo, comia refeições frias ou quentes preparadas pela dona da casa. As vezes fazia xixi – e o ‘dois’ também – nos pratos e panelas e ia embora levando somente objetos que pudesse carregar nas mãos ou numa sacolinha presa à cintura; joias.

     Herói, bandido, demônio, mito, folclore. Não sabemos o que é fato e o que é boato, mas foi com este perfil que Fernando da Gata chegou a Pouso Alegre em meados de agosto de 82. Aqui começa a historia que podemos atestar sobre o maior bandido que conhecemos, o qual passou como um furacão por Pouso Alegre e morreu na margem direita do rio Sapucaí, no bairro Pouso do Campo, em Santa Rita do Sapucaí. Morreu tão solitário quanto sua vida criminosa, duas semanas depois de adentrar o Estado mais eficiente do Brasil no combate ao crime.

       Um pouco de sua fama era verdadeira, pois os mais famosos policiais de São Paulo vieram para Pouso Alegre tão logo souberam de sua presença… para espantá-lo.

Quando um próspero comerciante da cidade recebeu a visita sorrateira de um baixinho seminu, na calada da noite, sem ser incomodado pelos dobermans, o cão de guarda da época, a policia se lembrou da principal reportagem do Fantástico na noite anterior e ligou os fatos ao bandido. Mas somente depois…

Para continuar lendo esta historia, acesse “www.meninosquevicrescer.com.br”.

 

 

Sargento Campos e Airton Chips em novembro de 2009

 

 

Como foram os últimos dias de “Fernando da Gata”

Você já ouviu falar de Fernando da Gata?

O meliante solitário dominava cães ferozes nos quintais, nas quebradas da noite, invadia mansões de ricos empresários, roubava suas jóias, estuprava suas esposas e filhas e desaparecia durante o dia.

Seus crimes colocaram dezenas de policiais em sua sombra. Depois de fugir do cerco da policia em Pouso Alegre, o maior bandido que já pisou o ‘sul das geraes’, foi morto com um tiro no peito, nas margens do Rio Sapucaí, na fazenda do Huet Motreira, antes de chegar à cidade de Santa Rita.

Mesmo depois de morto ele continuou dando trabalho à policia. Foi velado na delegacia e exibido como trofeu.

Três semanas depois de sua morte, ele fez sua primeira e única viagem de avião… da morte, para ser sepultado, sem os dedos, sob aplausos da população do Vale do Jaguaribe, no Ceará, onde se tornou herói.

A partir desta segunda você vai conhecer a historia do bandido que passou como um vendaval por Pouso Alegre, aterrorizando ricaços,  levando sua jóias, sua honra e uma tenra vida. Quando rumou-se para Santa Rita, colocou até os bandidos para dormirem mais cedo, debaixo da cama, até ser baleado por um policial que o encarou sozinho, ao pé da noite, num matagal.

Na serie “Meninos que vi Crescer”, em três capítulos, você vai saber como foram “OS ULTIMOS DIAS DE FERNANDO DA GATA” no Sul de Minas.

Policia Civil queima drogas em Pouso Alegre

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A equipe de combate ao trafico de drogas da 2ª Delegacia Regional de Pouso Alegre, chefiada pelo delegado Gilson Baldassaris, realizou na manha desta sexta, a incineração de cerca de 4o quilos de drogas diversas, apreendidas pela delegacia nos ultimos meses. Cannabis sativa de Linneu, crack, haxixe e cocaina foram jogadas solenimente nos fornos flamejantes da ceramica Pouso Alegre no Faisqueira, gentilmente cedidos para este fim. Peritos da propria policia civil, agentes da vigilancia sanitaria e imprensa acompanharam a destruição das drogas. ‘Tijolos’ de erva marvada e ‘queijos’ de farinha do capeta avaliados em cerca de R$ 100 mil reais foram consumidos pelas chamas e rapidamente viraram cinzas.

A droga mais antiga era a cocaina, apreendida com a quadrilha de Regimara Cristina da Silva, a “Mara”, conhecida como Rainha do Trafico na cidade, no dia 08 de outubro do ano passado. Na ocasião os detetives apreenderaam cerca de 13 quilos da droga e prenderam numa só operação 14  ‘zangoes’ da rainha. Até o final da investigação outros 9 ‘mulas’ foram presos mediante mandados de prisão previamente expedidos pelo homem da capa preta, baseados nas investigações dos pupilos do delegado Gilson, totalizando 25 traficantes todos a serviço de Regimara.

A apreensão das drogas e prisões na epoca, resultaram de um demorado e sigiloso trabalho de investigação, arrolando testemunhas, noias, gravaçoes e outras apreensões menores… um vasto dossiê que devolveu a famosa traficante, que estava em liberdade condicional,  ao Hotel do Juquinha. A lisura e eficiencia da investigação reuniu provas suficientes para que justiça pudesse manter toda a quadrilha atras das grades até o momento, mesmo sem a correspondente condenação.

Outras levas de drogas apreendidas pelas policias civil e militar aguardam andamento dos respectivos processos e autorização da justiça para incineração. Segundo o combatente delegado: – “…A quantidade de drogas apreendidas e tiradas de circulação, não tem muita importancia. Muitas vezes prendemos o traficante baseado no seu ‘dossiê’, sem nenhuma grama de droga”. O mais importante é a qualidade da investigação, a robustez das provas que justificam a prisão do traficante e possibilita à justiça mantê-lo preso por muito tempo…”

No momento da queima da droga, algumas aves que sobrevoavam as fornalhas da ceramica, sentindo o cheirinho adocicado da erma marvada misturado com o asqueroso cheiro da pedra bege fedorenta, ficaram meio ‘’nóias’ e começaram a chamar ‘urubu de meu louro’.

Motoboys – avioezinhos potenciais do trafico – que passavam pela avenida Antonio Scodeler, ao ver o movimento da policia pararam para curiosar e ao sentir o cheiro da fumacinha, com ‘cara de pidões’, devem ter pensado: “que desperdicio….”!! “Que judiêra…”!!!

Troca de Chefia do Cartório da Regional de P.Alegre

       Em prosseguimento às mudanças na chefia das delegacias da policia civil, foi nomeado o novo Chefe de Cartório da Delegacia Regional de Pouso Alegre.

      Assume a chefia o escrivão de policia Edgar Keley Novelli. O apaixonado e operacional escrivão que não perde uma oportunidade de ir para as ruas nas operações de busca & apreensão e cumprimento de mandados de prisão, ingressou na Policia Civil em 98 e sempre atuou em Pouso Alegre.

     Edgar, que também é engenheiro civil, substituiu a escrivã Lucimar Cristina Gomes. Ele foi formalizado no cargo que já ocupava há dois meses.

O Boa Esporte seria uma ‘boa’ para Pouso Alegre

       Ha décadas nossa vizinha Varginha vinha tentando aparecer no cenario nacional atraves do esporte, ora com o Flamengo F.C. ora com VEC. Acabou conseguindo com o Ituiutaba, time que veio do Triangulo Mineiro enquanto seu novo, moderno e pomposo estádio está sendo construído. O time alvi-rubro, completamente montado, pronto para entrar em campo, caiu de bandeja na cidade do ET, que aliás, já havia ‘caído’!!!!!!!!! Nos braços da cidade há quinze anos. Êta cidade de sorte esta Varginha, que nada tem de vargem ou várzea.

      Pouso Alegre, a cidade que mais cresce no Sul de Minas, estava lá atrás de Varginha na década de 70 quando Simão Pedro começou trazer as empresas para a cidade. Mesmo ganhando dois fortes canais de televisão – Globo e SBT – o falso ET em 96 e o belo estádio do Melão, Varginha foi ultrapassada por Pouso Alegre.

      Como seria então se a ‘terra do Mandu’ estivesse recebendo clubes de futebol – e naturalmente seus ‘acessórios’ – de todo o estado, de todo Brasil, Seleção brasileira e muito breve até clubes do exterior, caso suba para a Primeira Divisão do campeonato brasileiro onde já está com a ponta da chuteira? O Boa está em quinto na Serie B, fungando na nuca dos quatro primeiros que sobem.

      Temos torcedores apaixonados por futebol e o Manduzao, terceiro maior estádio do interior, atrás apenas do majestoso parque do sabia em Uberlândia e de Juiz de Fora. O que faltou então para o “ItuiutaBoa” trazer seus craques, seu brilho, seus dividendos e os holofotes da imprensa nacional para Pouso Alegre??

      Bem, enquanto ninguém responde, resta-nos torcer para o Boa acessar a Serie A do Brasileirão, levantar a Taça Minas Gerais – a qual lidera invicto – que o colocará na Copa do Brasil  do ano que vem e outras conquistas mais. Até porque, pelo andar da carruagem de América, Atlético e Cruzeiro, em 2012 o Boa poderá ser o único time de Minas na Serie A do Brasileirão…  Ou não???

Justiça cassa mandato de vereadores de Borda da Mata

                  Eles são acusados de usar combustiveis em nome da prefeitura para fazer campanha eleitoral na eleição passada.

       Três vereadores de Borda da Mata, a ‘Capital do Pijama”, tiveram os mandatos cassados pela Justiça. Quatro suplentes também não poderão assumir os cargos deles na Câmara Municipal. Perderam os cargos os vereadores Vivalde Raimundo da Silva (PT), Benedito Delfino de Mira (PMDB) e Luiz Carlos Pinheiro (PMDB).

       Segundo as investigações do Ministério Público, eles são acusados de usar combustível pago pela prefeitura para fazer campanha eleitoral em 2008. As denúncias também envolvem o ex-prefeito do município, Benedito Cobra Filho. A investigação foi comandada pela promotora de justiça, Maria Regina Capelle, que estava à frente do caso desde 2008.

        Segundo as investigações, por intermédio do então prefeito de Borda da Mata, sete candidatos ao cargo de vereador abasteciam os carros usados nas campanhas eleitorais em um posto de combustíveis, com o dinheiro da prefeitura. Nas notas fiscais emitidas pelo posto e apreendidas, uma sigla foi a peça chave para a abertura do processo. As letras “P” e “M”, que significariam “Prefeitura Municipal”. Segundo o MP, pelo menos R$ 30 mil foram desviados.

       O Ministério Público deve agora entrar com uma ação penal pedindo a prisão de todos os envolvidos, inclusive o ex-prefeito. Benedito “Cobrinha” Filho afirma que não há provas de que o abastecimento de carros de candidatos e eleitores era feito via prefeitura.

        A cassaçao do mandato dos tres vereadores aconteceu graças à denuncia de cidadãos que não aceitam mais o desvio ou mal uso do dinheiro publico. O caso da ‘terra do pijama’ é apenas uma ‘casquinha’ do iceberg de corrupção que assola o país, iceberg este que se derretido e usado em investimentos na educação, saude, segurança… faria do Brasil um país bem mais justo e melhor para se viver.

        Exemplos de combate à corrupçao e desvio de dinheiro publico como o de Borda da Mata precisam acontecer mais em todos os rincões do nosso Brasil varonil. Faça sua parte… “Proteste contra a  CORRUPÇAO”.

Cálice sagrado ressuscita “Já Morreu”

     Ele tem 34 anos e desde os 16 vive na rua. Aos dezessete matou um colega de ‘ponte’ – moravam embaixo da ponte – e conseguiu casa, comida e roupa lavada de graça. Desde que deixou o hotel do contribuinte de Cambuí, há quase 15 anos, vive nas ruas de Pouso Alegre, no velho hotel da Silvestre Ferraz e agora no Hotel do Juquinha. Seus delitos são leves. Consumo imoderado de suco de gerereba, uma ou outra pedra bege fedorenta de vez em quando, uma briguinha com uma namorada  e um furtozinho pé-de-couve aqui e acolá. Nada que faça dele um bandido, mas sem duvida um marginal, destes que mais incomodam do que metem medo. Mas ele já teve momentos de fama.

         Em 2002 passava eu pela perimetral com o parceiro Fernando Jardim, quando deparamos com um tumulto na beira do velho Mandu, defronte a tapera da Vigor. Nas duas margens do poluído rio, com a enchente baixando, havia mais de mil pessoas sem contar uma dúzia de policiais militares e outra de Bombeiros. Lá no meio do rio segurando uma bela tocha e agarrado a uma corda atirada pelos prestativos bombeiros, com a água pelo pescoço, Adriano Carlos do Carmo, o JA MORREU, dava seu show. Havia brigado com a namoradinha Luciene e dizia que queria ‘morrer por amor’. A brincadeira era ameaçar soltar a corda e afundar se os bombeiros se aproximassem. Os bombeiros até que achavam divertidos os apupos da platéia. Além do que, nadar àquela hora da tarde, embora em águas sujas de enchente, era refrescante. Mas os PMs já estavam com água pela tampa com a zombaria do nóia. A esta altura Adriano Já Morreu temia sair das águas mornas do rio, pois sabia que ficaria com o lombo quente da manguara dos policiais. Eu conhecia Já Morreu de outros carnavais. Em diversas ocasiões eu havia sido seu anjo bom, inclusive numa delas, levei vestimenta completa do meu guarda roupa para ele quando a PM o conduziu completamente nu para a delegacia. Por isso, ao ouvir minha voz na beira do rio, mamado que estava, desandou a chorar e viu em mim a tabua de salvação. Veio nadando lentamente em minha direção, sem soltar a corda, tentando explicar em meio a chorumelas o que estava acontecendo, sob calorosos aplausos da galera. Parecia coisa de cinema. Ao chegar à margem, no entanto, o inevitável aconteceu. Enfurecidos com o dramalhão do nóia e enciumados com o desfecho inusitado – estavam ali há mais de meia hora tentando sem sucesso por fim ao show do pé-de-cana, de repente a um simples aceno de um civil, o nóia vem para seus braços!!!. – os policiais o agarraram e o arrastaram – literalmente – para a barca. Achei mais sensato não intervir naquele momento e segui para a delegacia. Bastava cruzar a Avenida Perimetral – que ainda não tinha canteiro divisório – e seguir em frente para chegar à DP, quatro quarteirões depois, cerca de dois ou três minutos de viagem. Chegaram com ele duas horas mais tarde. As marcas de botina e cacetete não apareciam tanto porque ele – acostumado a comer soberdas marmitas e PFs oferecidos por donas de casa nas imediaçoes do centro, muito mais por medo dele do que por solidariede –  era um mulato encorpado e marrudo. Estava só de calção e como não conseguia andar, foi novamente arrastado na sarjeta até o saguão da delegacia. Não recebeu mais sopapos, pontapés e borracha no lombo porque eu o levei imediatamente para o interior da DP.

        Depois de passar algumas temporadas no velho hotel da Silvestre Ferraz e no Hotel do Juquinha, por crimes pés-de-couve, Já Morreu retomou a leve e descompromissada vida de indigente e voltou ao lar doce lar das vielas, marquises, prédios abandonados e pracinha da catedral, na companhia de outros colegas de ‘filosofia’.

        Outro dia ele e outros dois colegas de copo, resolveram ajudar o sacristão na coleta durante a missa na Catedral. E o dizimo, é claro se destinava à obras  assistenciais … dele e do seu grupo, naturalmente. Como já estavam mamados, sujos e maltrapilhos um seminarista julgou inconveniente suas presenças na Casa do Pai e pediu à Guarda Municipal que os convidassem a se retirar. Eles desistiram da coleta e se foram de mãos abanando. Mas já Morreu não estava morto. Voltou para a coleta no final da tarde, antes da missa das cinco, com a casa santa ainda vazia. Para evitar aborrecimentos e transtornos com a sacolinha, resolveu levar sua parte em ouro e prata. Sorrateiramente pegou um cálice no altar, colocou debaixo da camisa e foi saindo de fininho. Esbarrou numa Ministra de Eucaristia e para disfarçar, fez cara de pelamordedeus e perguntou se ela por acaso não tinha uma cesta básica para presenteá-lo. Lá fora encontrou os amigos Agnaldo Acassio Reis e Evaldo Camargo da Silva e antes de trocar o valioso cálice por duas ou três ‘pedrinhas’ beges fedorentas e um ‘litrão’ da marvada com um intrujão qualquer no velho Aterrado, convidou-os para um trago de suco de gerereba. Não seria com certeza nenhuma Anisio Ferreira e muito menos uma Havana de Salinas, mas o copo? Ah, este era especial, muito especial… Seria no cálice de ouro com detalhes de prata, surrupiado da igreja. Ao passar pela Praça Senador Bento com pinta de somongós, foram abordados pelos homens da lei. Não foi difícil para os policiais deduzirem a procedência do cálice sagrado, dourado e prateado, quase tão valioso quanto o do Indiana Jones. Em poucos minutos o seminarista Wellington Caproni, que já os expulsara da igreja de manhã, reconheceu o caríssimo artefato furtado na igreja.

       Tudo resolvido? Não. Ao sentar ao piano, Adriano Carlos do Carmo, que há muito não sabe o que é documentos, disse que se chamava Carlos Henrique do Carmo e com o nome do irmão mais velho foi autuado em flagrante e levado para o limbo do umbral da BR 459. Passou batido na PM e na PC, mas caiu na malha fina ao fazer o ‘check  in’ no hotel do Juquinha. Na terça ele voltou à DP para assinar mais um B.O.. Artigo 297 do CP, falsidade ideológica.

        Já Morreu e seus dois colegas de copo, embora não vivam sem o famigerado suco de gerereba, devem estar cantando Chico Buarque…. “Pai, afasta de mim este cálice…”.