Os ultimos dias de Fernando da Gata

       Fernando Soares Pereira nasceu em 1961 na pequena Russas-CE e aos 21 anos, depois de meteórica carreira na capital paulista e em Pouso Alegre, tornou-se a pessoa mais temida e mais popular do Brasil. Sua fama começou na própria Russas onde mais tarde ele voltaria de avião fretado pelo governo do Estado e, sob o ruflar de tambores seria….. enterrado, como herói e mártir. Suas estripulias, brincadeiras com a policia e abusos sexuais começaram ainda na adolescência e aos vinte anos Fernando já era o mais ilustre ladrão e estuprador da cidade… e o maior fujão do velho hotel de Russas. Prende-lo até que não era tão difícil. Bastava chantagea-lo. O difícil era mantê-lo na cadeia. Diziam que ele tinha parte com o demônio, praticava magia negra ou algo assim, pois simplesmente desaparecia da cadeia na hora que queria. Quando os policiais não conseguiam prende-lo, diante da pressão da população, prendiam algum de seus familiares e então ele se entregava e o chefe da policia o exibia na sacada da delegacia para acalmar a população. Esta ultima parte até que pode ter acontecido, pois naqueles tempos, antes do advento da Carta Magna do jurássico Ulisses Guimarães, nos mais distantes rincões do nosso brasilsão verde-amarelo, especialmente nas pequenas cidades, políticos e policia faziam as leis de acordo com suas conveniências – Faziam….?

      Mas o baixinho que na lá no Ceará gostava mesmo de meninas novas de família, cansou-se da farra, da rotina e da pobreza do nordeste e resolveu descer para o rico sudeste. Fixou residência na periferia de São Paulo e se tornou Manoel Rufino da Silva, trabalhador da construção civil. Casou-se com Maria de Fátima, mas logo recomeçou a vida de crimes contra o patrimônio e contra os costumes. Seis meses depois estava em todos os noticiários impressos, radiofônicos e televisivos do país. Agora, o Fantástico Show da Vida já o apresentava ao Brasil como o misterioso “Fernando da Gata”. Em São Paulo ele pulava muros e quintais usando apenas um calção, dominava cães ferozes com um simples estalar de dedos, entrava nas ricas mansões de revolver em punho, estuprava a dona da casa no seu quarto com o marido trancado no banheiro ao lado ou na presença dele mesmo, comia refeições frias ou quentes preparadas pela dona da casa. As vezes fazia xixi – e o ‘dois’ também – nos pratos e panelas e ia embora levando somente objetos que pudesse carregar nas mãos ou numa sacolinha presa à cintura; joias.

     Herói, bandido, demônio, mito, folclore. Não sabemos o que é fato e o que é boato, mas foi com este perfil que Fernando da Gata chegou a Pouso Alegre em meados de agosto de 82. Aqui começa a historia que podemos atestar sobre o maior bandido que conhecemos, o qual passou como um furacão por Pouso Alegre e morreu na margem direita do rio Sapucaí, no bairro Pouso do Campo, em Santa Rita do Sapucaí. Morreu tão solitário quanto sua vida criminosa, duas semanas depois de adentrar o Estado mais eficiente do Brasil no combate ao crime.

       Um pouco de sua fama era verdadeira, pois os mais famosos policiais de São Paulo vieram para Pouso Alegre tão logo souberam de sua presença… para espantá-lo.

Quando um próspero comerciante da cidade recebeu a visita sorrateira de um baixinho seminu, na calada da noite, sem ser incomodado pelos dobermans, o cão de guarda da época, a policia se lembrou da principal reportagem do Fantástico na noite anterior e ligou os fatos ao bandido. Mas somente depois…

Para continuar lendo esta historia, acesse “www.meninosquevicrescer.com.br”.

 

 

Sargento Campos e Airton Chips em novembro de 2009

 

 

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9 respostas em “Os ultimos dias de Fernando da Gata

  1. Olá leitores do Blog do Airton Chips.

    Fiquei muito feliz em ler a reportagem realizada com meu pai “Sargento Campos” sobre a morte do bandido que aterrorizava nossa região, o chamado Fernando da Gata.
    Meu pai realmente é um herói, em todos os sentidos da palavra; tenho muito orgulho de ser filha do policial, político, cidadão, homem e pai José Lúcio Campos; que em qualquer atividade que desenvolva, sempre preza pela coletividade, agindo com ética, caráter, solidariedade e muito afeto.
    Te amo pai.

    Luciana Priante Campos Cheberle

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  2. Olá Leitores,

    Também fiquei muito feliz ao saber que meu avô ”Sargento Campos” foi e ainda é um grande herói para nós. Desde 2006 que meu avô me conta essa história,e eu com 13 anos, fico lembrando e perguntando até hoje para ele como foi ser um herói para nossa amada cidade.
    Também tenho muito orgulho de ser neta do policial, político, cidadão, homem e avô José Lúcio Campos!
    Vovô, você foi e é um grande herói pra todos nós!!
    Sua família te ama muito!! Beijos
    Lisandra Campos Cheberle

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    • Olá Erico,
      Assisti, em fevereiro de 83 o “caso verdade” Fernando da Gata… A historia é a do marginal que aterrorizou Pouso Alegre no final de agosto anterior, até morrer à esquerda da Moore, do outro lado do Rio Sapucaí, a menos de tres quilometros de Santa Rita, conforme mostra minha reportagem. No entanto, não tem nada a ver com Pouso Alegre ou Santa Rita e nem com a ferrenha caçada que nós dedicamos a ele em nossa região, não somos sequer mencionados. É como se Fernando da Gata nunca tivesse passado por Pouso Alegre.
      Eu não sei como adquirir, mas a loja virtual “Mini serie da Globo”, deve ter o video à venda. Caso voce consiga adquirir, me fale, eu gostaria de rever…
      Abraços.

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  3. Eu morava perto da porteira do machado, que fica próximo a casa do Sargento campos, estudei com o filho dele, se me lembro bem chamava-se Emerson, e lembro-me que na época para nós crianças ele foi visto como um herói, e posso hoje depois de tanto tempo afirmar isso ele foi um herói!
    Muita satisfação em saber que ele está bem e com muita saúde, Airton parabéns pelos seus posts, voçê também tem uma participação efetiva na formação de uma geração inteira de Pouso Alegre, com sua sensibilidade aos fatos tão importantes de nossa cidade.

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    • Obrigado Gilmar,
      Sempre admirei o Campos. Ha dois anos, quando o procurei para me mostrar onde ele havia trocado tiros com o bandido Fernando da Gata, ele me atendeu com humildade e disposição. Fiquei triste quando o encontrei no ano passado num consultorio medico… Mas ele se recuperou. Fiquei contente ao vê-lo bem disposto fazenda campanha. O Campos é uma pessoa integra que merece nosso respeito. Boa sorte para ele!
      Abraços.

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