Suco de gerereba e Pão com mortadela

      Ao pé da noite de sabado o cidadão João Batista Dechichi, 56 anos morador de Borda da Mata, capital do pijama e terra do ‘Chiquinho’, foi de carro buscar a esposa na rodoviária de Pouso Alegre e voltou de ônibus com ela; É que antes de sair de casa ele fez um lanchinho de pão com mortadela e de ‘mata-bicho’ tomou uma dose de suco de gerereba – ele jurou de pés juntos que foi uma dose só.

       Quando trafegava pela MG 290 foi barrado numa blitz da PRE e convidado a beijar o bafômetro. O aparelhinho devia estar estragado, pois um copinho só do famigerado suco acusou 11 decigramas de álcool no seu sangue, cinco a mais do que o permitido pelo CTB.

       Como lhe foi tomado o carro e a CNH, os policiais deram carona para ele até a DP onde sentou-se ao piano e assinou o 306. Pagou R$ 545 reais de fiança e voltou para casa, mas voltou de carona com a esposa, no ônibus da Gardênia… Bom, pelo menos deu um passeio e fez companhia para a cara-metade.

Fórum de Santa Rita se transfere para o Ginásio Alcidão

       Presos na “Operação Mão Negra” da Policia Federal no final do ano passado, começam ser ouvidos no ginasio poliesportivo da cidade.

        A Justiça começou a ouvir nesta segunda-feira mais de 70 pessoas em Santa Rita do Sapucaí,  entre réus e testemunhas de acusação, sobre a “Operação Mão Negra”, da Polícia Federal, realizada no final do ano passado em Santa Rita do Sapucaí, Pouso Alegre, Brazopolis e mais dez cidades do Estado de São Paulo, inclusive Campinas. Em toda a operação foram presas 39 pessoas acusadas de distribuir pedra bege fedorenta, erva marvada e farinha do capeta. Em Minas 25 traficantes sentiram a mão pesada da Policia Federal, sendo 14 delas na capital da eletronica.

       Segundo o Ministério Público, todos serão ouvidos no ginasio Alcidão, já que o Fórum não comportaria tantas pessoas. Além das testemunhas e traficantes, o juiz vai ouvir o MP e a Polícia Federal.

      A operação “Mão Negra” desmantelou vários grupos que comandavam o tráfico de drogas nos dois Estados do Sudeste, envolvendo inclusive os ‘formiguinhas’ e ‘aviõezinhos’ que são aliciados para o trafico em troca de meia duzia de ‘pedrinhas’ ou uma baranguinha de maconha. O mesmo braço forte da lei que nocauteou os 14 meliantes de Santa Rita e outros tantos em Pouso Alegre e Brazopolis, alcançou também mais 14 em Campinas e São Paulo. Ao todo, 39 pessoas malignas foram presas durante as investigações. Dezessete delas estão no Presídio de Santa Rita do Sapucaí. O restante está em Pouso Alegre na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

      Um forte esquema de segurança foi montado envolvendo as policias e guarda municipal do municipio, para garantir o bom andamento das audiencias que devem durar toda a semana.

A historia de Valeria…. Vidas sem rumo….

      Vidas sem rumo destruídas pelas drogas…. Mas que podem dar rumo a outras vidas

      Desde que comecei publicar a serie “Meninos que vi crescer” no jornal Sul Mineiro em 2009, já foram quase trinta historias de final triste, envolvendo garotos que ao longo da trajetória de vida profissional vi, literalmente, crescer biologicamente… e definhar socialmente. Em poucas delas não convivi com o desafortunado e sua família.

      Na historia de “Monteiro e seus quase 40 ladrões do Bagdá”, não vi o robusto comerciante e chefe de cozinha crescer, mas perdi muito sono, quase perdi a matricula no curso de Direito e corri muito perigo na estrada e nas quebradas da noite para investigá-lo e colocá-lo atrás das grades.

      Em “A verdadeira historia do Beco do Crime”, voltei muitos anos ao passado entrevistando dezenas de pessoas que conviveram com o casal de jovens, pois também não conheci Jesus & Jacira, o casal “Romeu & Julieta”. Mas o romance Sheksperiano que terminou de forma macambúzia na travessa Joaquim Bernardes, nasceu e foi totalmente vivenciado na rua onde passaria, anos depois, os melhores momentos de minha infância.

     Fernando da Gata é outro meliante que não vi crescer mas senti na pele o medo que ele inspirava nas pessoas e fiz seu velório na delegacia de Pouso Alegre.

     O Mistério do Coisa Ruim da Borda, que considero uma de minhas melhores historias, posso até ter presenciado, em outro corpo, mas não me lembro de ter estado lá. Para desvendar o mistério e escrever a historia, entrevistei dezenas de pessoas que viram o capeta há quase sessenta anos e visitei o local das diabruras e peraltices do “Chiquinho”. Aliás, em alguns momentos pude perceber a presença dele no velho casarão carcomido pelo tempo naquele alto de serra de Tocos do Mogi. Em todas as outras historias já publicadas e outras que ainda não passei para o papel, os personagens são reais, são meninos que vi crescer ao meu redor. Crescer e se perder nas sendas do crime. Exceto Valeria.

       A historia de Valeria, ouvi de sua tia Eugenia em Camanducaia. Ao ler o Blog do Airton Chips e ver a maneira descontraída e respeitosa de minhas narrativas, a enfermeira que ainda guardada o luto da sobrinha, contou-me sua historia pedindo que a transcrevesse. Contou-me apenas uma vez e ainda foi interrompida por um paciente que precisava de seus cuidados e um por amigo comum, que eu não via há mais de vinte anos. Esqueci de salvar o rascunho no notebook, mas curiosamente não esqueci a essência da historia. Pensei durante uma semana se valia a pena escrever sobre uma pessoa que eu não conheci.

        Os comentários e manifestações de apreço, tais como o de Jessica, prima de Valeria, “Se todos os casos como o de Valeria fossem divulgados as pessoas teriam mais informações sobre a triste realidade de como as drogas podem destruir uma família… Nós sabemos como isso é difícil, pois vimos a Valeria se acabar e sem poder fazer absolutamente nada…”, mostram que valeu a pena. A historia da garotinha que conheceu as drogas e entrou no mundo do crime pelas mãos do próprio pai alcoólatra aos nove anos de idade, infelizmente, é semelhante à de centenas de pessoas que se perdem ainda na infância ou adolescência, por falta de alguém para guiar-lhes pelo caminho do bem. Contar suas desventuras tem por objetivo alertar os jovens, seus pais e amigos para os malefícios da sedutora droga, mola propulsora da quase totalidade dos crimes que hoje levam milhares de jovens iludidos para os malcheirosos e funestos hotéis do contribuinte. E lembrar que neste momento, um amigo nosso, um parente, um vizinho, um filho… está precisando de uma mão firme, corajosa e amiga para orientá-lo. Se não a estendermos ele cairá no abismo….

 

Pouso Alegre na rota do trafico… de cobras e lagartos

        Falar de cobras & lagartos em Pouso Alegre deixou de ser improperios no sentido figurado… É falar mesmo de trafico de animais.

         O que Varginha, Passos e Pouso Alegre tem em comum? As tres cidades sul mineiras tem a mesma pretensão: Aparecer na midia nacional.

       Varginha se deu muito bem. Inventou o E.T. e a historia correu mundo. Vieram ufologos dos quatro cantos do planeta para investigar a farsa. Não concluiram nada mas a fama ficou e ha quinze anos a cidade colhe os dividendos.

       Passos, não satisfeita com a fama propagada gratuitamente pelos irmãos Selton e Danton Melo, diga-se de passagem, grandes artistas – Selton, “o homem invisivel” acaba de lançar em cadeia nacional o filme: “O palhaço”, ambientado na terrinha natal – resolveu chamar a atenção para a cidade meio paulista meio mineira, matando seus conterraneos. Ja mataram 35 passenses em 2011 e segundo meu amigo Rodney, Delegado Regional da vizinha S.S. do Paraiso, onde a criminalidade está sob controle, tem mais meia duzia amarrados para a semana que vem.

       Ja minha doce Pouso Alegre que há quarenta anos vejo crescer e cresceu quatro vezes, ultrapassando a cidade do E.T., resolveu agora entrar no ramo de importação e exportação de cobras e lagartos…

        Semana passada quando um caçador usando o nome de Rodrigo, embalou cuidadosamente um casal de letais urutus e mandou para a cidade de  Caçador, pensei que fosse apenas uma brincadeira para atrair a midia, tiro que aliás, saiu pela culatra, pois um gerente de correio intrometido interceptou a encomenda justamente em Varginha, dando-lhe ainda mais notoriedade. Agora, nesta quarta feira de finados sem chuva – coisa rara – dia em que aumenta a audiencia dos jornais televisivos, outro caçador, talvez o mesmo das urutus pretas de pedreiras, abandona uma caixa de papelão na porta da escola Dom Otavio, no Recanto dos Fernandes, cheia de cobras e lagartos…

      O biologo Chico Meyer, o homem que entende de cobras e pombas – anos atras foi surpreendido abatendo dezenas delas num arrozal na Imbuia – disse que as rastejantes desenhadas à mao pela natureza, são ornamentais, oriundas da Africa. Mais o chefe do Ibama, Fernando Bonillo, que entende mais ainda de bichos do mato, foi visitar as rajadas na sede da Policia Ambiental e reconheceu entre elas, duas jararacuçus, especies da fausa silvestrre tupiniquim. As demais são conhecidas como ‘cobras do milho’ nativas da terra do Tio Sam.  Menos mal, pelo menos são inofensivas.

      Desta vez o caçador de cobras de Pouso Alegre não as mandou para Caçador de Santa Catarina. Vai que o gerente resolve abrir a caixa no meio do caminho…!!! Ao abandonar sem motivos aparentes as caixas com 22 rastejantes e 4 comedores de ovos e pintinhos na beira da rua perto da escola, o homem que mexe com cobras amarelas do Continente Negro, forçou a reporter global Carolina Noronha ir ao encontro dos bichinhos lá do Recanto dos Fernandes.

         Não estranhem se na semana que vem abandonarem num outro canto da cidade alguns dragões de Komôdo…

Casal usava bebê para distribuir drogas e munições em Ouro Fino

      Você desconfiaria que um discreto casalzinho de adolescentes com um bebezinho no colo estaria levando drogas e munições na bolsa do rebento? Ha dez anos atrás, não, mas hoje em dia, no amor, na guerra e no trafico… vale tudo. Até misturar barangas de pedra bege fedorenta ou erva maldita nas fraldas, mamadeiras, babadores e chupetas do bebezinho para ludibriar os homens da lei.

       Com o sol ainda alto banhando os cafezais, ruas e jardins da cidade de 38 mil habitantes, abençoada por São Francisco de Assis, os irmãos S.A.R., 18 anos e C.M.R. 15 anos, desfilavam belos e formosos pelas ruas do centro quando foram abordados pelos policiais. Ao ver a casa desabando, a pirralha que fingia ser mãe, tentou vazar, mas enroscou-se nas malhas da lei. Na bolsa do bebezinho, ao invés de mamadeira de Nan ou potinhos de papinha Nestlé, levavam mais de quarenta barangas de crack e cocaína e uma dúzia de munição calibre 38. O jovem S.A.R. tentou empurrar a droga para a irmãzinha inimputável, mas não ‘colou’. Desceram ambos com pulseiras de prata para a DP e assinaram o 33. Ela voltou para casa acompanhada de uma conselheira tutelar, com o inocente traficantezinho de fraldas no colo. Ele foi conhecer por dentro o velho hotel Menino da Porteira

Para relaxar… no meio da tarde

São Pedro e o moribundo de Camanducaia

      Outro dia São Pedro estava tirando um cochilo – coisa rara, com tanto motociclista malabarista e irresponsável e motoristas dirigindo mamados por aí – quando ouviu o som da campainha. Levantou-se tropeçando nas barbas, abriu lentamente a porta e… Não havia ninguem!

      – Melhor assim. Pensou. Pelo menos poderia voltar a cochilar sem ter que fazer a costumeira entrevista da prestação de contas.

       Mal sentou-se na sua esfolada poltrona, novamente o som da campainha. Antes de levantar-se o bom santo de cabelos e barbas de plumas brancas fez um pequeno gesto de irritação. Abriu a porta e… novamente não havia ninguem. Ele resolveu esperar uns segundos e novamente a campainha soou. São Pedro tornou abrir a porta do céu mas só conseguiu avistar um vulto desaparecendo…

      O velho santo pensou consigo:

– Ahh, é algum moleque querendo brincar comigo… Ja sei o que vou fazer. Fechou a porta e ficou atrás em silencio, segurando a maçaneta. Alguns segundos depois ouviu passos e novamente a campainha tocou. Ele abriu a porta de sopetão, passou a mão grande no colarinho do brincalhão e puxou para dentro.

– Te peguei, engraçadinho…

    No mesmo instante no centro cirúrgico do hospital de Camanducaia a doutora Tatiana T.K. de Matos falou desconsolada para as colegas de trabalho Noemi, Eugenia, Cida, Samanta, Lucheska,  Loydi Sara …:

– É meninas, fizemos o possivel…. O paciente parou de respirar…

 

MotoCross e barraco em Camanducaia

     Quando passava pela praça Santa Rita na manha de ontem, chegando de Camanducaia, vimos um comboio de motoqueiros trilheiros se preparando para pegar a estrada rumo a Camanducaia. Foi inevitável comentar a coincidência e acrescentamos; “Tomara que tudo termine em festa, sem acidente e sem B.O…

     Não terminou. Já no final da exibição dos motoqueiros, que acontecia no Loteamento Tancredo Neves, o casal L.C.F. & R.R.C. armou o barraco. Enfadado, ele queria ir embora. Curiosa, ela queria ficar até o fim da festa. Discutiram, trocaram desaforos, fizeram ‘biquinhos’ e finalmente o rapaz disse; “Eu vou embora… pode ficar”.

     Andou alguns metros e arrependeu-se de deixar a pombinha no meio dos gaviões e voltou para buscá-la.

     A jovem impetuosa e ofendida fincou pé e recusou-se acompanhá-lo. Sem argumentos civilizados para convencê-la, Roberto encheu sua cara de bolachas no meio do povão. Ela revidou e o barraco só aprumou com a chegada da PM.

     Desta vez, querendo ou não, a mocinha deixou a festa e acompanhou o marido… mas foi direto para a DP.

A historia de Valeria…Como a falta de instrução, uma casinha mal-assombrada e a cachaça podem mudar o destino de uma familia!!!!

       Como todo cidadão do interior João Batista sonhava dar conforto e alegria para sua familia. Apesar do espirito aventureiro, era um homem serio, sisudo e conservador, daqueles que corrigem os filhos onde quer que esteja se eles fazem feiúra. Escola ele frequentou apenas o suficiente para aprender a ler e escrever, não o bastante para assumir uma carreira profissional estável, nem mesmo com mão de obra qualificada. Por isso, sem estudos e sem profissão definida, em 1993 João Batista, resolveu partir em busca de aventuras. Deixou sua pequena Camanducaia e foi parar em Carlopolis no norte do Paraná, levando a esposa e os tres filhos recem-saidos das fraldas.

     A bagagem era pequena, pouco mais do que malas de roupas, mas ia recheada de sonhos. Inicialmente teve sorte. Conseguiu um emprego de zelador num predio da cidadezinha de 13 mil habitantes banhada pela imensa represa artificial. Para morar, conseguiu de graça uma singela casinha mobiliada nos fundos de um Terreiro de Macumba em troca de cuidar do imovel. Mal sabia ele que aquele local ja era habitado e muito ‘mal habitado’ por sombras que somente permitiriam que eles morassem ali se ‘jogassem no seu time’. 

      Em pouco tempo a sisudez de João Batista deu lugar à irresponsabilidade e ele, até então abstemio, apaixonou-se perdidamente por Severina do Popote e entregou-se à bebida. Não tardou a perder o emprego de zelador. Como desgraça pouca é bobagem, à medida que a situação economica definhava, a prole aumentava. Desempregado, sem ter como sustentar a familia e sem dinheiro para voltar para Camanducaia onde deixara parentes, ele passou a pedir esmola pelas ruas. Sua esposa Vanderleia passou a ajudá-lo… a consumir o famigerado suco de gerereba. Agora, além de sustentar meia duzia de rebentos, todos na primeira infancia, tinha que sustentar também o vicio de ambos.  Precisava conseguir ajuda ao menos dos filhos. E conseguiu. A garotinha Valeria, que quando sairam de camanducaia era a filha do meio, tinha agora 9 anos e passou a ajudá-lo… a roubar. Não lembravam nem de longe a famosa dupla “Bonnie & Cleide”, mas formavam uma dupla quase perfeita. Valeria, pequenina, mirrada, mal nutrida, cabia perfeitamente em pequenos espaços e janelas de residencias. Ele proprio ajudava a filha passar pelas grades dos quintais e frestas de portas e janelas. Passaram a viver de pequenos furtos e daria até para fazer um pé de meia se Valeria não tivesse se apaixonado…. pela cannabis sativa de Linneu. Agora eram tres viciados em casa. E a familia continuava aumentando que nem coelho.

      Os sonhos de grandeza do casal João Batista/ Vanderleia, pelo menos num aspecto estava se realizando. Deixaram Camanducaia com tres filhos e mesmo em meio a derrocada moral conseguiram ter outros sete filhos na cidadezinha paranaense. Um deles morreu sem ver o mundo cruel dos pais. Certa manhã Vanderleia saiu de casa para mendigar levando numa sacolinha de plastico um dos filhos. No primeiro boteco que avistou deu um abraço na katia…ça. Depois da primeira dose, como sempre acontecia, perdeu a razão e a noção de quantidade e qualidade. Bebeu o resto do dia. No final da noite, uma alma caridosa ou curiosa que lhe deu umas moedas, mesmo sabendo que seriam trocadas por umas doses da Cangibrina, quis saber o que ela levava na sacolinha. Nem ela sabia mais. Quando o samaritano abriu a macambuzia sacolinha, lá estava o bebê. Palido, desnutrido, duro, frio, sem vida. O medico legista atestou apenas inanição mas não soube precisar quando ele parara de respirar. Talvez  no final da manhã. Vanderleia passara o dia inteiro carregando o caçulinha morto pela cidade sem se dar conta disso.

      Se Vanderleia assistia passivamente o definhar dos filhos, João Batista, não. Muito pelo contrario. Ele enfrentava até balas para defender os filhos, especialmente sua ‘parceira’ Valeria, que lhe garantia os trocados para a cachaça. Certa vez os homens da lei vieram buscar a adolescente, a mando do Juizado da Infancia e Juventude para interná-la em clinica de tratamento e João Batista escorou os homens da lei com um arfanjo. Foi necessario atirar em suas pernas para levar a pequena ladra ja viciada na pedra bege fedorenta.

      Depois de sucessivas audiencias no Conselho Tutelar e Juizado da Infancia, finalmente a justiça tirou as crianças do antro de perdição. Tres infantes foram mandados para adoção no estado do Mato Grosso e outros tres foram para Rondonia.

     Para se ver livre das deprimentes cenas de mendicancia, furtos e consumo exagerado de alcool que manchavam a acolhedora cidadezinha a Assistencia Social de Carlopolis ‘extraditou’ o restante da familia para Camanducaia. João Batista, depauperado moral e financeiramente voltou para ‘casa’ com a mulher e os mesmos tres filhos que levara. Voltou e trouxe a mala – Mala? Quando muito uma mochilinha!!! –  recheada dos vicios adquiridos naquela casinha nos fundos do “terreiro” de macumba de Carlopolis.

     Sem casa para morar, sem credito, sem saude e sem moral, o outrora sisudo João Batista ficou uns dias em casa de parentes mas não tardou a retomar a mendicancia, unica atividade cujos ‘requisitos’ preenchia. E seguiu capengando moral e fisicamente – a bala do policial em Carlopolis deixou sequela – até o ano passado quando o fígado não resistiu mais ao banho diario de suco de gerereba. Morreu tão pobre quanto os espiritos com os quais dividiu aquela casinha nos fundos do Centro Espirita lá em Carlopolis

      Vanderleia, apesar da degradação fisica e moral, aos quarenta anos, com aparencia de sessenta, ganhou um sopro de vida. Separada, por lei, dos filhos, separou-se do que restava da familia; o decrépito marido e foi viver em Joanópolis, logo depois da divida do Estado onde voltou a juntar os cobertores com um novo companheiro. Mas não conseguiu se desgarrar completamente da estonteante cangibrina.

      O filho mais velho que ja conhecia Severina  do Popote e a fumacinha do diabo, arrumou uma companhia feminina, que vem tentando mante-lo na linha – Mulher quase sempre endireita o homem – A caçula mineira teve melhor sorte… foi entregue para adoção a uma familia de Divinopolis.

        E Valeria?

       A jovem Valeria, apesar das marcas desregradas das drogas pelo corpo, ainda mantinha alguns atrativos fisicos e alguma experiencia no trafico. Não foi dificil conseguir ocupação – perniciosa – em Camanducaia. Em pouco tempo estava fazendo ‘programas’ na beira da Fernão Dias. A prostituição era complementada com a atividade de ‘mula’ do trafico. Sua casa era a rua, a estrada, muquifos de amigos, companhia de noias, mendigos…. Mesmo assim, apesar de não dar a minima para sua dignidade, Valeria defendia com unhas e dentes suas conquistas – Conquistas!?!?!? Esperneava e chorava quando o irmão lhe tomava as merrecas que ganhava na boléia de um caminhão, tendo que encarar um suado e mal-cheiroso caminhoneiro por dez reais ou quando o guampudo deixava de lhe pagar por um ‘aviaozinho’.

      Aos 19 anos deu a luz a um filho – que não teve nenhum pudor em entregar para adoção. Não teve mais porque implantou DIU para evitá-los. Mesmo sendo util ao trafico a vida não lhe sorriu. Apanhava até do irmão, o unico que ficou na cidade. E recebeu golpes de machado do padrastro nas poucas vezes que visitou a mãe. O que ela aprendeu na pequenina Carlopolis, foi só um aperitivo. Entregando drogas em Camanducaia, Cambui, Extrema, Bragança… Valeria conheceria todos os meandros do crime. Mas conhecê-los não lhe daria dinheiro, poder e nem mesmo status.

      Apesar da vida completamente desregrada, Valeria não era uma pessoa má. Vivia aquela vida porque não conhecera outra. Era fragil, carente, não tinha freios na boca e nem escolhia vocabulario.

 –“ Aquele safado tomou meus dez reais… Eu que ‘dei’ para o cara para ganhar, era meu…” – Se referindo ao irmão que vez por outra à ‘assaltava’, muito mais preocupado com o dinheiro do que com o que ela fazia para ganhá-lo. Em outra ocasião chegou ao Pronto Socorro da cidade toda esfolada e contou à tia enfermeira;

 – “Eu fui levar uma remessa para um nóia, quando cheguei lá, eram tres… Eu ja estava chapada. Eles me ‘comeram’, me bateram e me mandaram embora”. Quando voltei p’ra ‘biqueira’ sem o dinheiro e sem a droga, tomei outra surra…”.

      Usando e entregando a erva marvada, a pedra bege fedorenta e farinha do ‘capeta’, ela se aproximava a passos largos ‘dele’. Jamais passaria de um mulambo no crime. E foi assim que morreu.

     Numa noite fresca do dia 03 de outubro – as noites de Camanducaia são todas frescas, exceto as de inverno… que são geladas – Valeria consumiu sua ultima dose de suco de gerereba na companhia de mendigos e saiu pela estrada. Seu corpo foi encontrado na manhã seguinte, no trevo da cidade, com marcas de estrangulamento. A mãe ligou, de Joanopolis, para confirmar a noticia da morte da filha… dois dias depois do enterro´… bem menos concorrido do que o de Amy Winehouse.

     Foi assim, numa madrugada fria na beira da estrada, aos 25 anos, que terminou a saga da menininha que aos 09 anos de idade trocou a boneca pelos pequenos furtos na companhia do pai embriagado nas ruas da cidadezinha beira-lago do norte do Paraná. Se vivesse mais, certamente entraria para o folclore de Camanducaia, com seus rompantes de ‘brabeza’ desbocada, com seus momentos de ternura, com seu olhar carente dizendo; “Me leva p’ra casa… cuida de mim”…

     Dividir gratuitamente o espaço, com dezenas de espiritos perturbados, atrazados, desajustados e cachaceiros na casinha de meia-água nos fundos do ‘terreiro’ em Carlopolis, custou caro à familia de João Batista.

Triangulo amoroso, barraco e tentativa de suicidio em Camanducaia

      A jovenzinha Arian viveu um ardente romance com Airton, com quem teve um filho. A falta de ‘prendas domesticas’ da moça acostumada receber tudo de mãos beijadas da mãe, ofuscou o brilho do romance e o casamento acabou.

     Precisando trabalhar para se sustentar ela conseguiu emprego de faxineira no motel “Momentos” de Camanducaia. Lá conheceu o gerente Marcos e como estava livre, leve e solta, enamorou-se do companheiro de trabalho. Viveu ‘momentos’ de idilio com o moço. Mas para algumas mulheres, amores são como chuvas de verão; eles vem e vão. Quando parecia que fincaria raizes no novo ninho Arian começou frequentar em demasia a casa da avó, perto da casa do antigo marido, para despertar o ciume de Marcos.

      Com o relacionamento abalado, preocupado com a possibilidade de perder a cara-metade para o antigo amor, Marcos tentou tirar o escalpo da jovem. O momento de destempero do rapaz aconteceu no interior do motel ‘Momentos’, onde antes viveram momentos de fogo e paixão. Ele somente não acabou definitivamente com o romance porque a mae de Arian socorreu-a e ambas distribuiram socos e pontapés, inclusive naquela região que faz até o mais valente dos homens se curvar…

      Ao deixar o motel brigado com a morena, Marcos abraçou a loira gelada e tentou se matar. Tomou um coquetel de Losartana com higroton, captopril e rivotril e saiu pela cidade atras do volante do seu golzinho branco. A cabeça ficou grande, a rua ficou pequena e um poste irresponsavel entrou na sua frente. O choque foi tão violento que o poste ficou desmaiado no chão. Ao ser levado para o hospital com algumas escoriações, Marcos contou aos policiais e às enfermeiras que havia rolado na poeira com o rival Airton, por isso estava ferido e tentara se matar.

       Curou as feridas do corpo mas não as da alma e continuou com as ideias suicidas. Ao sair do nosocomio foi logo se atirando na frente do primeiaro carro que viu passar. ‘Tirou uma fina’… e ganhou xingamentos do motorista furioso; “ Ô, maluco, quer se matar vá pra BR….”. E Marcos foi mesmo. Desceu a rua resmungando e fazendo graça e se deitou no meio da pista da Fernão Dias.

       Apesar de todo forrobodó, Marcos é como todo suicida apaixonado; daqueles que faz a lambança com os dedos cruzados nas costas, torcendo para não acontecer nada, pedindo ‘pelamordeDeus’ para alguem salvá-lo. Por isso, deitou-se na pista do trevo, em frente o posto da BRVida, onde havia dezenas de socorristas de plantão. Nem chegou a engraxar as rodas de uma carreta. Foi demovido da ideia insana … ou infantil, e levado de volta para o hospital onde recebeu um sedativo e dormiu até o meio dia de sexta feira… até passar os xiliques suicidas.

      Mas… pelo andar da carruagem, o triangulo amoroso nascido no motel “Momentos”, ainda promete ardentes momentos …

Policia Civil prende família e 5 k de maconha em Santa Rita do Sapucaí

       A apreensão da droga e prisão da família de traficantes aconteceu na manha deste sábado e não foi por acaso. Ha meses os detetives chefiados pela delegada Stella Reis vinham filmando as atividades de Joraci de Jesus e sua família no bairro Pedro Sancho Vilela. As investigações concluíram que Joraci, 37 e a esposa Regina Nazaré Ferreira, 36 usavam o enteado Marcos Roberto Ferreira, 20 e as filhas N.F. e M.F.J. de 14 e 16 anos para distribuir a droga no bairro e adjacencias. Armaram a arapuca, esperaram a chegada de uma leva caprichada da droga e chegaram de surpresa, às seis da manha, para o tradicional “café com maconha” no Recanto das Margaridas.

       O excelente trabalho de inteligência realizado pela Policia Civil, que culminou com o mandado de busca e apreensão expedido pela juíza da Comarca, seria coroado mesmo que apenas meia dúzia de baranguinhas de erva marvada fossem colocadas na mesa do café da manha. Mas a despensa estava cheia. Foram aprendidos quase cinco quilos da erva marvada ainda embaladas para viagem em formato de tijolos.  A droga havia chegado de madrugada e seria distribuída pelos filhos do casal e outras ‘formiguinhas’ do trafico no final de semana. No muquifo da família de traficantes os detetives apreenderam também 7 barangas de maconha e 5 de crack, alem de balança de precisão para pesagem rigorosa da droga, computadores e celulares de procedência duvidosa.

Desceram todos com pulseiras de prata para DP. As meninas aviões foram apenas ouvidas no I.P. pois são inimputáveis. Já os pais e o meio irmão assinaram o 33 e voltaram para o mesmo bairro… para o Hotel Recanto das Margaridas…