“Meninos que vi crescer” – Renê Cabinho… Perdido na curva do rio

Quando o plantonista abriu a porta da delegacia de policia naquela manha gelada de julho de 2001, uma senhora cafuza, de meia idade, ligeiramente obesa entrou levando pelo braço uma adolescente, que a julgar pela cor dos olhos e expressão do rosto, havia passado a noite em claro. Timidamente ela disse que queria registrar queixa de desaparecimento. Julio, seu filho de 17 anos havia saido de casa no domingo à tarde para andar de bicicleta com amigos, segundo ele, e até então não voltara para casa e nem dera noticias.

Ao receber a copia do B.O. com uma fotografia do garoto moreno, robusto e sorridente levei a senhora chorosa para a Inspetoria de Detetives e em poucos minutos eu sabia quase tanto quanto sua mae sobre sua vida. Era bom filho, bom estudante, bom funcionario da bicicletaria do Laercio Amaral no Aterrado, não sofria de nenhum disturbio mental, não era sequestrável, não tinha inimigos, tinha poucos amigos e nenhum deles tinha envolvimento com drogas. Onde estaria Julio?

A mae e a irma do desaparecido foram embora  deixando para tras um completo dossiê, desconsoladas, pois acreditavam que a policia sabia de tudo que acontecia de errado na cidade. Tinham ao menos um alento; Julio não estava preso e nem num leito de hospital ou gaveta fria do IML.

Ligaram no final da tarde, querendo noticias do filho ou sobre o andamento das investigações. No dia seguinte abriram a delegacia novamente. Traziam à tiracolo uma senhora mulata também de meia idade que dizia ser vidente. Mãe e irmã estavam ainda mais chorosas e tristes… por causa das visões e pressagios da vidente. Segundo ela, Julio havia sido assassinado e seu corpo jazia com certeza numa baixada, na beira de um rio, provavelmente atras de uma construção que parecia ser um tosco rancho de pescador.

Aqueles dias, nossa prancheta de O.S. sobre furtos praticados por menores, brigas de marido e mulher, brigas de pés-de-cana, estelionatos e outros crimes sem status, todos pertinentes à nossa ‘equipe de dois’, eu e Fernando Jardim, chefiados pela Delegada Ines Xavier e pelo delegado Edson Vieira, não saiu do armario. Todo nosso tempo de manhã à noite era dedicado ao “Caso Julio”.  Juntou-se a nós o detetive Roberto, que tinha estreita amizade com um amigo da familia do sumido. Se o corpo do jovem adolescente estava na beira de um rio, ribeirão ou corrego, nós os achariamos. Vasculhamos varios trechos das margens do velho Mandu, descemos o Sapucaí da Faisqueira ao Vitorinos, rumanos para o Cervo. Parecíamos Fernão Dias Paes Leme e seus Bandeirantes chapeludos desbravando e mapeando rios… e nada de encontrar Julio. Quanto mais procurávamos sem sucesso, mais a mulata vidente garantia que o bicicleteiro estava morto na beira do rio. Na quinta feira avançamos o horario de almoço checando pistas, informações e visões mediúnicas nas quais nem sempre acreditávamos mas que não podiam ser descartadas e só paramos por volta de quatro da tarde para fazer o relatorio. Cansados, sujos, rasgados, esfomeados, desacorçoados, estavamos desistindo de encontrar o corpo do jovem.

Eram cinco e vinte e cinco da tarde quando o radio da viatura chiou e ouvimos a central chamar;

– Atenção perito de plantão, está em QAP? Encontro de cadaver no aterrado…

Não era preciso ouvir mais nada. Tinhamos certeza… era o nosso morto!!! Chegamos ao local em poucos minutos. Apesar disso, como o dia mais curto do ano se dera como de praxe, no dia 24 de junho, ha menos de duas semanas, tão logo o sol se punha às cinco e doze da tarde, a penumbra começava cair. Seis da tarde no inverno é noite fechada. Muito antes das seis estavamos na margem do velho Mandu, numa faixa de terra de tres ou quatro metros entre o rio o muro do predio do Sesi. Entre os galhos finos e duros de uma daquelas espevitadas arvores ribeirinhas, curvado e com a cara inchada enfiada na mistura de terra com areia de rio, começando juntar formiga, sob a luz tenue da lanterna, estava o corpo do adolescente que tanto procuramos naqueles quatro dias. A vidente estava certa. Ele estava mesmo na beira…

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Mãe desacorçoada manda prender o filho ‘churrasqueiro’ em São Gonçalo

         O cidadão Saulo Florêncio de Souza, 29 anos, está hospedado no Hotel do Juquinha desde a manhã desta quinta. Para conseguir a hospedagem gratuita ele precisou de uma tesoura, um espeto de churrasco, uma pedra bege fedorenta e muito espalhafato com os familiares.

       O forrobodó começou as três e meia da manhã com sua mulher Vanilza. Ao chegar em casa chapado pelo crack, querendo comida quente e chamego, como de habito, Saulo desceu o borralho na esposa. Com a cara cheia de hematomas e com medo de apanhar mais ou de morrer nas garras do gavião, ela recolheu-se ao seu canto e foi chorar sozinha sua triste sina.

       Dona Maria de Fátima, mãe do moço e os irmãos Sildete e Silverio, no entanto, chamaram o brutamontes na chincha. Ao ser repreendido pela família toda, Saulo Florêncio, que não é flor que se cheire, agarrou a tesoura e o espeto e ameaçou fazer churrasquinho dos familiares.

       Os homens da lei foram chamados e conduziram o valentão chapado para a delegacia regional de Pouso Alegre, onde ele sentou-se ao piano do delegado Waldir Pelarico, de Ouro Fino.

       Para que ele fosse preso e enquadrado na Lei Maria da Penha era necessário que as vitimas representassem contra ele. A esposa e os dois irmãos, com medo de represálias, perdoaram e recuaram, mas com a matriarca da família, dona Maria de Fátima, não teve perdão. Ela estufou o peito, assinou embaixo e mandou o filho para o xilindró… Pelo menos por uns três meses ficarão livres do nóia violento.

Policia Civil invade São Gonçalo e desmantela trafico

       O cético cidadão que costuma dizer “… e a policia não faz nada” precisa rever seus conceitos. Enquanto ele vê apenas os bandidos desfilando no palco do crime, atras da cameras, nos bastidores, a policia está reescrevendo o script e se preparando para entrar em cena. Nunca antes na historia da policia foram feitas tantas diligencias e tantas “operações café da manha” com os meliantes na região.

       A ultima aconteceu na manhã desta quarta e teve o pomposo nome de “Operaçao Xeque-mate”. O palco foi a tri-centenaria cidade de Tomaz Antonio Gonzaga, Claudio Manoel da Costa, “Barbara –Heliodora – bela do norte estrela, que o meu destino sabes guiar”, São Gonçalo do Sapucaí.

       Sob o comando o intrepido delegado da Comarca Wellington Clair de Castro, mais de quarenta detetives pertencentes à Regional de Pouso Alegre  invadiram a cidade ao pezinho da manhã e reviraram muquifos de pernas para o ar. Seis traficantes foram presos. Quase quinze quilos de maconha, a maior parte enterrada em quintais e farta quantidade de pedra bege fedorenta foram apreendidas.

       As visitas dos policiais civis foram autorizadas pelo homem da capa preta a pedido do jovem delegado, baseadas em meses de investigação por tras do pano fosco da ribalta.  Ha muito ainda a fazer para extirpar o crime na região, especialmente o famigerado trafico de drogas que tem que ser combatido todo dia, mas, dada as condições de trabalho e carencia de pessoal, a população tem pouco a reclamar.

       O ano começou bem…

O Misterio do Coisa Ruim da Borda

       Olá… Feliz ano novo.

       Que a benção de Deus Pai criador caia sobre voce, meu estimado leitor e que seu filho, nosso irmão Jesus, continue a iluminar seu caminho e guiar seus passos. Que Ele te dê força, perseverança e sabedoria para vencer seus desafios com seu trabalho digno e honrado, sem derrotar ninguem. Amém.

       Como o leitor deve ter percebido, estou ausente do meu ‘habitat’, longe de casa, alheio aos fatos cotidianos. Mas, mesmo sem novidades no blog, os leitores continuam acessando… Por isso eu também resolvi dar-lhes um presente, que na verdade eu vinha guardando a sete chaves para o meu ‘primeiro livro’… Uma das melhores historias da serie “Meninos que vi crescer”; ‘O Misterio do Coisa Ruim da Borda’, exaustivamente investigada e escrita no final de 2009 e inicio de 2010, com fotografias do ‘palco’ do Chiquinho da Borda tiradas na semana passada.

      Boa leitura.

O mistério do Coisa Ruim da Borda

O Morro dos Cães uivantes

E os anjos e demônios nossos de cada dia

       Parei meu carro na praça ao lado da jovem Basílica de Nossa Senhora do Carmo – jovem no titulo de Basílica a que foi elevada em 2005, pois a majestosa construção tem varias décadas. Foi concluída em 1954 – as duas e meia da tarde quente de sábado e desci. Entrei na primeira loja que vi aberta. Completamente vazia. Um rapaz e uma moça estavam de frente um para o outro acertando contas, com papeis, dinheiro e anotações sobre o balcão. Cumprimentei-os e antes que eu dissesse mais alguma palavra, do nada surgiu uma vendedora, abriu um sorriso ligeiramente forçado e perguntou delicada; “Posso ajudar”? Com um leve pigarro, esbocei também um sorriso de boca fechada, esperei propositalmente o ponteiro do relógio caminhar alguns segundos e respondi perguntando; “ O que vocês me contam sobre o ‘Coisa Ruim da Borda’”? Uma bomba teria causado menos impacto. Os três olharam ao mesmo tempo para mim, olharam um para o outro, olharam de novo para mim cada um tentando formular uma resposta ou uma pergunta. Eu já havia chamado a atenção necessária, desisti da maldade e acrescentei; “Desculpe… eu sou colunista policial em Pouso Alegre e estou aqui investigando a historia do tal Coisa Ruim da Borda, para publicar em minha coluna e no meu blog”. Soltando a respiração, cada um dos três tentou falar ao mesmo tempo, para dizer que nada sabiam a respeito. Uma das jovens tinha ‘ouvido falar há muito tempo’. A outra disse que seu ‘pai contava uma historia dessas’ mas ela não se interessara ou não se lembrava. O rapaz já refeito do susto disse que ‘talvez o padre ou o sacristão ali do lado soubesse alguma coisa’ e recomeçou a contagem perdida das cédulas sobre o balcão. Eu estava começando desvendar o mistério do Coisa Ruim ou Capeta da Borda.

Ao ver que as portas da Basílica estavam fechadas segui pela mesma calçada da loja em direção à Casa Paroquial. Na esquina havia um senhor septuagenário sentado no portal térreo de um sobradinho aproveitando a sombra da Basílica e eu não fiz cerimônia; pedi licença, sentei-me ao seu lado e puxei prosa. Mas poupei-lhe o susto. Antes de entrar no assunto que me interessava eu disse quem eu era e o que queria. O simpático e desembaraçado velhinho contou-me tudo que sabia – o que não era muito – realidade e folclore. Foi ali, vendo o tempo mudar e uma cortina branca despencando sobre o Distrito do Sertãozinho, se aproximando da cidade, que eu soube que o Coisa Ruim da Borda nunca passou da “Ponte de Pedra” e que se voltasse para a fazenda de onde foi expulso seria chamado de “Coisa Ruim de Tocos do Mogi”. Depois do solícito velhinho, cheguei ao muro da Casa Paroquial, mas o sacristão, zelador, camareiro ou mordomo dos padres não se deu o trabalho de falar pessoalmente comigo. Usou o frio interfone para informar que não havia padres em casa, mas que talvez eu conseguisse receber a benção de um deles no Centro Pastoral ou na igreja, na missa da cinco.

Cheguei com três beatas bem maduras ao Centro Pastoral. Uma delas até quis falar alguma coisa sobre o tal capeta, mas quando a outra mais acanhada e desconfiada descobriu que algumas pessoas já estavam reunidas nos fundos do Centro, elas me deixaram falando sozinho. No ponto de táxi, agora sob os primeiros pingos grossos de uma chuva que se espalhou e não banhou a cidade, devolvendo o sol forte a todo o município em poucos minutos, enriqueci bastante o dossiê do Coisa Ruim e sua saga e levantei nomes de pessoas que poderiam me dar muitos capítulos de sua historia. Com menos de duas horas de investigação na cidade do grande desportista Rogerinho Medeiros, eu já poderia desvendar e escrever quase todo o mistério do Coisa Ruim. Mas, não teria graça nenhuma se não conhecesse o palco de sua exibição e não sentisse seu bafo quente em minha nuca. Por isso só deixei a cidade no apagar das luzes do astro rei, depois de visitar o sombrio casarão do alto da colina, na estrada que vai para Bom Repouso, onde precisei segurar com força minha cruzinha dourada no peito e quase cair numa vala da estrada em obras, para desviar de um fusca velho que se jogou de porta aberta sobre mim numa descida.

Bem, antes de prosseguir com esta historia cheia de controversas, tabus, superlativos, perturbação do sossego, folclore e muito medo, para melhor entendimento do leitor e evitar a incansável repetição do termo Coisa Ruim da Borda – que pode acabar assustando alguma criança – batizemos personagens e locais desta historia arrepiante e até aqui mal contada. O palco das exibições do chifrudo, tinhoso, bode velho, saci ou simplesmente Espírito Brincalhão chamaremos de ‘Colina ou Morro dos Cães Uivantes’ – Não confundir com o clássico “O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Bronté – O fazendeiro que fez o pacto com o espírito perturbado será chamado de “Portuga”, homenageando sua origem além-mar, o pá. A jovem noiva prometida chamaremos apenas de “Donzela”. O irmão dela, único remanescente vivo da família, testemunha ocular e auditiva da macabra historia chamaremos pela inicial de seu nome,  “R.”. O “dito cujo” já tem nome. Muito além das cercanias da Borda as pessoas que ouviram, mesmo que por alto sua historia, já sabiam que ele se chamava “Chiquinho”. Ele próprio se apresentou ao seu anfitrião com este epíteto carinhoso quando veio buscar sua donzela prometida, em 1953.

Bom, agora que nos tornamos mais íntimos, vamos falar francamente; “…Que atire a primeira pedra….” quem nunca viu o capeta!!! Ora, ora, ora, todos já vimos e cada um de nós o pintamos de acordo com nossa conveniência. Eu já estive cara a cara ou ‘costas à cara’ – Sua principal característica é a traição – com ele inúmeras vezes. Apesar de conhecer ‘an passant’ a historia do Coisa Ruim da Borda, só na capital do pijama esbarrei neles umas quatro vezes.

A primeira vez foi em 1970. Eu estava no forro da casa do Sr. Jairo, no bairro Santa Rita, para continuar lendo essa historia, acesse ‘www.meninosquevicrescer.com.br’!

Retrospectiva 2011…

 

         O velho e bom Dois Mil e Onze está se despedindo… É  hora de dar uma repassada geral nos principais acontecimentos da região e do país.

         Foi o ano dos pequenos assaltos praticados por dupla de motoqueiros em toda região. Teve até alguns tiros e os ‘157 nervosos’ nao levaram quase nada das farmacias, mercadinhos, padarias, postos de gasolina e casas lotericas, mas deixaram um rastro de medo e impunidade por onde passaram. O crime contra velhinhos que vivem sozinhos também teve um considerável crescimento na região. Mas nenhum crime proliferou tanto quanto o arrombamento de caixa eletronico. Foram dezenas no Sul de Minas. Muitos gerentes comerciais pediram  a retirada dos caixas dos seus estabelecimentos com receio de novos ataques. Poucos ladroes de caixa foram presos.

        O trafico de drogas continuou sua escalada arregimentando cada mais distribudores ‘estilos’ avioezinhos e formiguinhas. Passos foi um caso à parte. Em nenhum lugar do Brasil o crime campeou tão solto. Só homicidios foram 46, contra 14 do ano passado. A maioria dos crimes praticados por adolescentes envolvidos com trafico de drogas. Nunca a vida valeu tão pouco no Bairro Novo Horizonte. E não foi somente as drogas e homicidios que subiram ao palco de mãos dadas, não … o furto de motocicletas na bela Passos também dividiu os apupos da plateia. Moto por lá se compra em qualquer ruela por R$50 reais… roubada, é claro. Se em Passos quem marca os passos do crime são os bandidos, o mesmo não acontece na vizinha São Sebastião do Paraiso. Lá tem mega-operação até para combater contravenção penal. Na quarta feira bicheiros e apontadores se enroscaram nas malhas da lei. Só não foram parar atras das grades porque Jogo do Bicho sozinho não é crime.

         Na região coberta pela 17ª Região da Policia Militar e 17º Departamento de Policia Civil, a criminalidade esteve sob controle da policia. Nunca se viu tanta mega-operação policial na região. Ao longo do ano, policiais de Pouso Alegre, Itajubá, São Lourenço foram levar café na cama para os meliantes destas e também de Santa Rita, Ouro Fino, Cambui, Extrema e outras cidades menores. Dezenas de meliantes de todo tipo de atividade criminal foram retirados de circulação. Apenas 09 moradores de Pouso Alegre bateram à porta de São Pedro em 2001, enquanto a media da ultima decada era 14. Apenas dois assassinos continuam em liberdade, embora o delegado Gilson Baldassari ja tenha seu nome e endereço. È necessario salientar que o homem da capa preta ao longo do ano deu muito credito aos pedidos e prisoes realizadas pela PC e PM, além de pesar as mão nas punições aos traficantes, motivando assim o seu trabalho.

        A PC de Pouso Alegre fez uma das mais importantes prisões do ano, desbancando a dupla de ‘gente fina’, Leandro Toledo Pereira e Pedro Luis Vilela. A dupla de filhinhos de papai, acima de qualquer suspeita, vinha distribuindo pedra bege fedorenta, farinha do capeta e outras drogas em festas ‘rave’ para jovens da media-alta sociedade. A prisão dos garotoes com meio quilo do pó e vasto dossiê, simboliza a imparcialidade, eficiencia e competencia da policia civil no ano que se finda.

        No futebol deu tudo errado em 2011. O Timão levantou  o caneco, os tres times de Minas fizeram feiúra, o Boa de Varginha esteve na Serie A por quase dois minutos, mas cedeu o empate. O Santarritense não passou da segunda fase na Segunda Divisão. Os times de Pouso Alegre nem disputaram o campeonato profissional. A Seleção do Mano conseguiu perder quatro cobranças de penaltis na Copa America e para encerrar o ano, o Santos do “deus” Neymar foi ao Japão aprender jogar futebol com o argentino Messi … Ufa.

        Na politica, nunca antes na historia deste país cairam tantos ministros em menos de um ano por envolvimento em maracutaias, aliás todos eles foram herdados do governo anterior. Ah… e quem os derrubou não foi a presidente Dilma, pois ela só faz faxina na pobreza. Quem derrubou os ministros foi a imprensa!!! O bigodudo Sarney continua gastando o dinheiro do povo no Senado, até para fazer propaganda pessoal, pra variar. Para coroar o ano politico, no apagar das luzes, anteontem, o paraense Jader Barbalho – a ultima imagem que eu tinha dele era aquela em que ele aparecia algemado sendo recambiado de uma cadeia para outra anos atras – assumiu uma cadeira no Senado Federal e foi logo requerendo o salario do mes de dezembro, R$ 31 mil reais por tres dias – de recesso parlamentar…

       Enquanto isso as Paradas Gays Brasil afora tem levado muito mais manifestantes às ruas do que os protestos contra a corrupção na politica…

       Mas não vamos desanimar. O amanha – 2012  – será outro dia…

Passos … o novo “Velho Oeste sem lei” é aqui

          A cidade meio mineira meio paulista, banhada pelo magnífico Lago de Furnas, terra do ‘palhaço’ Selton Melo, um dos maiores atores do Brasil, tem uma infinidade de predicados para figurar na mídia regional, estadual e nacional, mas… parece ter escolhido o pior dos adjetivos para chamar a atençao da imprensa, “Cidade sem lei”. Coisa de cidadezinha de 20 a 30 mil habitantes do sul do Acre, do norte do Pará ou quem sabe do oeste da Paraíba, onde a civilização ainda é coisa de novela, não de uma cidade rica, bela, turistica e próspera, de 100 mil habitantes fronteiriça com o Estado mais rico do país. Mas é a realidade nua e crua.

       Ultimamente os internautas tem acessado este blog em busca de noticias policiais de Passos, já na expectativa; “Será que mataram mais um?” “ Será que temos um novo recorde?” “Qual o motivo desta vez, será que foi por causa de drogas?”

       Não. Nem todos os homicídios de Passos ocorrreram por causa de drogas. Alguns aconteceram por motivos ainda mais banais. Outro dia um cidadão ia passando por uma rua conduzindo sua motoca quando deparou com alguns adolescentes soltando pipas na rua. Ele parou para se desviar das linhas e num gesto de impaciência e grosseria, arrebentou a linhas das pipas certamente dizendo alguns desaforos aos moleques. Teve inicio um breve trololó ao final do qual os donos das linhas partidas disseram que iriam mandar matar o motoqueiro. E mandaram mesmo. O motoqueiro estava quieto no seu canto quando chegaram três sujeitos, um de 22 e dois de 17 anos e bateram à sua porta. Quando ele ia sair para atendê-los foi avisado pela irmã que era uma cilada. Na iminência de receber uma saraivada de balas o motoqueiro impaciente, agora medroso, pulou o muro do quintal e foi se esconder na casa do vizinho. Este, que nada tinha a ver com a pescaria, saiu à porta da rua para receber as visitas… e voltou correndo para dentro de casa com uma chuva de azeitonas quentes nos calcanhares. Por um triz teria aumentado a estatística de hmocidios.

        Falando nela, furto de motocicleta na bela Passos, tem mais do que curimbatás no Lago de Furnas. A policia militar tem apreendido um dúzia de motos furtadas por semana. Como a apreensão de rês furtiva não chega a 15% do que é roubada, imagine quantas foram roubadas!!!

        Falando ainda em números, apesar de acompanhar dia-a-dia os passos do crime em Passos, deixei escapar o assassinato do Adrianinho Jibóia ocorrido no domingo 18, por isso meu ‘grafico’ não estava batendo. O sujeito gordo que lhe deu dois tiros nas costas no bairro Bela Vista, conseguiu misturar-se à penumbra fresca da noite e dobrar a serra do cajuru.

         Mas porque tem tantos furtos de motocicletas, drogas, assassinatos e delinquencia juvenil em Passos?

        Bem, responder esta pergunta à distancia, sem ver o que está sendo feito e o que não está sendo feito para prevenir e combater a criminalidade no município, não me parece justo e nem sensato. No entanto, mesmo de longe podemos observar que em cidades como o Rio de Janeiro, onde durante décadas o poder publico viveu de oba-oba, se preocupando com as favelas e bolsões de pobreza apenas em época de eleições em busca de votos, deu no que deu; a bandidagem tomou conta do Rio. É necessario observar também que as leis, com exceção da Lei Maria da Penha, estão cada vez mais frouxas, por conta da falta de vagas nos presídios. O privilegio de sair da cadeia 35 dias por ano, como medida de ‘ressocialização’ só funcionaria na Suiça, Suécia, Noruega… onde não tem favelas. No Brasil, depois de passar por todo tipo de violência na cadeia e voltar para o mesmo lugar onde cometeu seus crimes, o meliante só tem uma opção… continuar no crime. Cadeia, salvo raríssimas exceções, não recupera ninguém. Até mesmo a APAC, que tinha como principio “matar o criminoso para salvar o homem”, na busca de excelência administrativa e produtiva, inverteu o fundamento; finge matar o criminoso, mas mata o homem e ele sai de suas fazendas tão bruto e desnorteado quanto antes. È preciso lembrar também, que o ECA, que manda internar o menor infrator em Casas de Tratamento,  não mandou o Estado construir tais centros de tratamento… e  o ‘dimenor’ continua completamente impune e sem orientação.

       Enfim, não sei exatamente o que está sendo feito em Passos, mas os números mostram que a situação há muito saiu de controle. Lembra bastante o Rio de Janeiro…

        …. E para não dizerem que este texto é pura falácia, a Delegacia Regional da Policia Civil de Pouso Alegre implantou ha tres anos o “Programa 48 horas”. Ao tomar conhecimento de um crime grave no municipio, como homicidio, por exemplo as atenções de todos os policiais investigativos da regional se voltam para o caso durante quarenta e oito horas ou até elucidar por completo o crime. A criminalidade diminuiu. No ano quese finda apenas 08 homicidios foram registrados, 07 deles apurados, apenas 01 envolvendo drogas…

Passos bate novo recorde… Agora são 44 assassinatos

         Queimei a lingua!!!

        Quando usei a expressão “Aconteceu o ultimo homicidio do ano em Passos” para falar sobre a morte do traficante Adriano Paulo de Oliveira, na semana passada, foi uma tentativa de bom agouro. Não adiantou. A bandidada de lá não deu a minima para o meu otimismo. Interromperam os passos de mais um passense. Desta vez a pauladas. Só mudaram de bairro…

         O corpo desfalecido de Mario Ribeiro da Silva de 37 anos foi encontrado por transeuntes no final da noite de domingo, na avenida Penha no bairro do mesmo nome, com marcas de pauladas espalhadas pelo corpo e cabeça.

        Marcelo Araujo de Oliveira de 19 e um ‘dimenor’ de 17 anos foram detidos, suspeitos do macambuzio crime. Um terceiro comparsa conseguiu misturar-se à penumbra da noite e dobrar a serra do cajuru. Segundo a policia militar, que fez os levantamentos preliminares e prendeu os dois, a causa do crime mais uma vez foi dívida de drogas.

         Caloteiro ou não Mario Ribeiro bateu novo recorde de homicidios em Passos em 2011. Agora são 44 passenses a bater na porta de São Pedro este ano, pedindo morada eterna. Ano passado foram apenas 14.

         Quebrada minha manchete de bom agouro, volto a lembrar; 2011 ainda tem mais uma semana….

Advogada compra bebê por 3 mil reais no Aterrado

 

A bela jovem morena, quase mulata, labios carnudos, dona de um corpo escultural, moradora do velho Aterrado, não teve nenhuma dificuldade para multiplicar a raça. Difícil era prover a prole sem estudo, sem profissão e sem marido.

Para criar o casal de crianças de 2 e 3 anos de idade, Claudete se virava. Na verdade ela virava, ou melhor rodava… a bolsinha na perimetral. Num desses programinhas de 10 reais numa quebrada qualquer da soturna avenida, a morena-mulata viu a chance de encher a despensa de casa por vários meses, de uma tacada só; o cliente estava com a guaiaca recheada. Depois do “bem-bom”, passou a mão leve na sua carteira; 1,3 mil reais e dobrou a serra do cajuru. Quando chegava sorrateira em casa no final da madrugada, nas proximidades do Sesi, o cliente furioso chegou também trazendo com ele os homens da lei. Claudete devolveu o dim-dim, recebeu pulseiras de prata, assinou o 155 e foi se hospedar no velho hotel da Silvestre Ferraz.

A esta altura já tinha tres filhos. Dois em casa e um no ventre…

Para continuar a a ler essa historia, acesse airtonchips.com

 

 

O futebol profissional de Pouso Alegre morreu

Estádio da LEMA está assim há anos, por falta de uma diretoria com vontade e credibilidade para montar e dirigir um plantel de jogadores à altura de suas tradições

                Aqui outrora foi um campo de futebol. Nas noites de quarta feira e nas tardes domingueiras craques de todo o estado desfilavam sua ginga e arrancavam apupos ou vaias da galera. A média de publico era condizente com o espaço, em torno de dois mil apaixonados torcedores embalados pelo ritmo da famosa ‘charanga’ da tijuca que sacudia a acanhada arquibancada com jogadas de Paulo da Pinta, Humberto, Miguelão, Betão, Chiquinho, Nonato, Hermínio, Carlão, Amarildo, Heleno e tantos outros boleiros da terra e de fora, que defendiam as cores Rubro-negras e colocaram o Dragão do Sul de Minas entre os melhores do futebol mineiro. Quando o visitante era Atlético ou Cruzeiro, o dobro das pessoas se espremia para ver Nelinho, Luisinho, Eder Aleixo, Sergio Araújo, Nunes e outros craques nacionais. Clubes de outros estados como Flamengo, Corinthians, Guarani e Ponte Preta também desfilaram e sacudiram a galera por aqui. Saudosos tempos.

        Doado pela família do Pinto Cobra em 1928, o pasto que margeava a cidade tornou-se um garboso estádio de futebol, que mais tarde em 48, com a criação da liga esportiva municipal de amadores, passou a ser conhecido como Estadio da Lema.

Da UTI do Hospital Regional se vê parte do campo agonizante.

        O octogenario estádio que há mais de trinta anos mora no centro da cidade, tem muita historia recheada de glorias e alguns percalços para contar. Resumi-las aqui seria desmerecê-lo. Vamos contá-la aos poucos. O golpe mais duro, o berço do futebol da cidade, sofreu na virada do século. Foi vendido a preço de banana para a FUVS que tratou logo de demoli-lo, dando-lhe as feições atuais. Foi salvo no ‘tapetão’ mas nunca mais se reergueu, semelhante ao clube rubro negro que tanta gloria lhe deu e que há quase duas décadas parece estar vegetando no hospital regional ao lado… na UTI.

        São muitos os motivos para a decadencia do futebol profissional nas cidades do interior. Um deles com certeza é a falta de credibilidade dos cartolas que estão preocupados apenas com resultados de momento, visando aparecer no cenário político. Outro motivo também diz respeito aos cartolas que quer apenas se locupletar com o ‘passe’ dos jogadores.

       A causa principal da derrocada de qualquer clube profissional, no entanto, é justamente a falta de profissionalismo no trato com as categorias de base. O clube que não valorizar e não investir nos “pratas da casa”, jamais terá um plantel para o futuro e estará, portanto fadado ao fracasso. É o exemplo típico do PAFC que por diversas vezes recebeu de bandeja um time completo de atletas juniores, mas não se interessou e não investiu na sua formação e manutenção. Foi assim com o E.C.Americano do Agostinho, com as equipes do Carpinetti, com as o Hailton Custodio e com o grupo vitorioso do Oswaldo ‘Lerdo’ que vemos na foto abaixo, todos na década de 80, quando o Dragão estava bem na fotografia ao lado dos grandes do estado, Atlético, Cruzeiro e  America.

De pé Walmir Bagio, Marco Macarrão, Carlos Pança, Edson, Jairo, Marcio, Paulinho Carvalho, Nandinho, Paulinho Barroso e Oswaldo Lerdo. Agachados; Luciano Bela Vista, Oswaldo Marcelino, China, Rubinho, Vicentinho, Cazinha, Renatinhio e Ze Carlinho. Um time pronto, que em 1986 tinha entre 15 e 20 anos e só precisava ser lapidado. Promissores garotos que não passaram de "promessas" por causa de promessas...

     Por falta de apoio e seriedade no trato com a promissora garotada de base, a fonte de bons jogadores secou. Hoje o garboso Estádio do Mandu, um dos melhores do Estado de Minas, está entregue à baratas, servindo para shows, para abrigar mendigos e desalojados das enchentes e para gerar polemicas. O octogenário e saudoso estadinho da Lema só serve para criar braquiaria, assa-peixe, ratos e aranhas no coração da cidade, ao lado do remendado hospital regional.

      As pessoas que detem o poder sobre o patrimônio do glorioso “Rubro Negro do Mandu”, mas não tem competência, interesse ou credibilidade para geri-lo, deveriam fazer um favor a si mesmas e aos apaixonados por futebol da cidade e entregar pacificamente a direção do clube a quem possa ressucitá-lo. Com certeza não faltarão pessoas para abraçar e colocar o clube e a cidade no seu devido e merecido lugar no cenário regional e estadual.

       Pensem nisso senhores…

Aconteceu o ultimo homicídio do ano em Passos

        Desde que as autoridades públicas e deputados do Estado se reuniram na cidade para tentar conter a onda de homicídios, no dia 15 de maio, Direto da Policia tem acompanhado passo a passo o desenrolar da guerra entre traficantes na bela Passos, no noroeste do Sul do estado. Naquela ocasião o numero de homicídios já havia ultrapassado o total de crimes da mesma natureza ocorridos no ano passado. No dia seguinte à reunião que criou cursos de mecânica e de padeiros para adolescentes infratores e egressos da cadeia, além de campanha de desarmamento até de crianças, um novo homicídio aconteceu na cidade. De lá para cá o índice triplicou, como o leitor tem acompanhado neste blog desde o dia 1º de setembro.

       A ultima vitima do próprio veneno em Passos foi o cidadão Adriano Paulo de Oliveira. O crime aconteceu na noite de domingo no bairro Bela Vista. Adriano foi executrado com dois tiros nas costas. Foi o sexto homicídio na cidade mineira meio paulista no espaço de uma semana.

       Depois das medidas inócuas adotadas naquele linginquo 15 de maio, que não impediu a escalada do historico acerto de contas entre os traficantes, a policia militar anunciou na sexta feira, que vai derrubar os casarões antigos que servem de esconderijo para bandidos e passará a patrulhar as ruas do bairro Novo Horizonte, principal foco dos crimes, com 15 novos policiais além de manter uma viatura permanentemente no local.

       Adriano Paulo, o ultimo passense a ter os passos interrompidos a bala em Passos tinha 29 anos e extensa ficha criminal por trafico de drogas, furtos, porte de arma e lesões corporais. Plantou vento…

      Quanto ao titulo desta matéria, há duas semanas da ‘virada’, esperamos que os passenses entrem ao menos no espírito natalino e dêem uma trégua…