De Taiobeiras a São Paulo… em busca de ar

         Eram nove da noite quando ela entrou no hospital. Os olhos negros e assustados brilhavam muito e tentavam identificar as pessoas à sua volta. Entrou muda como uma pedra. E mesmo que tivesse assunto e quisesse não poderia falar. Tinha uma mascara de oxigênio na boca. Mas tinha quem falasse por ela… e como falava!! Nilvane, com uma bolsa à tiracolo foi logo explicando:

– O tamborzinho de ar quebrou… A sorte que cheguei até estes filhos de Deus aqui – funcionários da empreiteira que administra a Fernão Dias – para socorrer a gente. Estamos vindo de Taiobeiras para consultar em São Paulo…

        A medica desviou o olhar da paciente para a acompanhante para perguntar;

– Como é que é…?

– Minha mãe tem muita falta de ar, doutora. Lá na minha cidade tem recurso, não. Estou levando ela para consultar na capital…

– … E onde fica Taiobeiras?

– Lá no Norte de Minas, pertinho da Bahia. Do coreto da pracinha da pra ver o brilho dos facão dos baianos do outro lado do rio…

– Mas porque vocês não foram para Montes Claros…?

– Nós passamos por lá, num sabe, mas também tem recurso, não…

– E vocês estão viajando de que?

– Estamos no meu Palio, doutora. A prefeitura emprestou dois tamborzinho de oxigênio, mas quando a gente tava chegando aqui perto… Como é que chama esta cidadezinha, moço?

– Camanducaia…

-… eu fui trocar o tamborzinho e sem querer quebrei o danado do botão… Maínha tava ficando roxinha!! A sorte que eu vi estes cabras e eles trouxe a gente pra cá na ambulância amarela…

– “… De Taiobeiras a São Paulo num Palio, com um tubo de oxigênio, para fazer uma consulta…” – pensou alto a medica plantonista enquanto examinava a paciente.

– Olha, Nilvane, não dispomos de nenhuma ‘pecinha’ que possamos emprestar para  você seguir para São Paulo com seu oxigênio. Até que você consiga outro ‘tamborzinho’ para seguir viagem com sua mae, ela vai ficar aqui no hospital internada…

– De jeito nenhum, doutora… Já estamos pertinho dos parentes em São Paulo. Vamos chegar lá agorinha mesmo!!

-Sem oxigênio sua mãe não dobra nem a Serra da Cantareira… Sinto muito Nilvane, a responsabilidade é minha. Eu não posso liberá-la.

– Ó xente, doutora. Eu cuido de maínha, eu sou responsável por ela… Pode fazer um documento aí que eu assino agorinha…

        As ponderações da medica foram inúteis. Nilvane estava resoluta em seguir viagem mesmo sem o tamborzinho de oxigênio. Saiu com o motorista para fazer um lanche e voltou meia hora depois para retomar a viagem. Mas…

– Estive pensando cá com meus santos, doutora. Acho que vamos seguir o conselho da senhora… Eu vou deixar maínha aqui e voltar para Taiobeiras pra buscar outro tamborzinho de ar… A senhora vai estar aqui quando eu voltar?

-Vou ficar até amanhã às sete da noite

– Vixe!!! A senhora não descansa!!! Não é filha de Deus, não?

        É sim. E abençoada. Estava com câimbras nos dedos de tanto massagear o coraçãozinho de um recém nascido prematuro tentando mantê-lo vivo até a chegada de uma UTI móvel de Pouso Alegre e tinha os olhos ainda vermelhos de chorar, pois o esforço fora em vão. Mas esta é outra historia.

        A taioberense Marinilza de 79 anos continuou calada, com os olhos brilhantes, atrelada ao oxigênio, enquanto a filha Nilvane tagarela refazia o trajeto de cerca de mil quilômetros até a divisa com a Bahia, para buscar um tamborzinho de ar emprestado. Quando saímos de Camanducaia no crepúsculo chuvoso de domingo, Nilvane ainda não havia chegado com o ar de sua mãe.

Passos continua tentando mandar clientes para São Pedro

       A ala reservada por São Pedro para receber os filhos de Passos ainda não foi inaugurada em 2012. Mas alguns clientes já bateram à porta…

       No dia 04 de janeiro foi o cidadão F. que recebeu golpes de facão da amasia na cabeça e esteve com a vida por um fio. Na madrugada do ultimo sábado Renato Antonio dos Reis Santos teve o abdome perfurado com um tiro, na porta da casa de um amigo no bairro Novo Horizonte e também esteve rondando a portaria de São Pedro. No domingo à tarde foi a vez do amasio valente U.P.S. espiar pela janela da recepção do céu, depois de receber quatro balaços.

        U.B.S. de 19 anos vive maritalmente com B, mas vive entre tapas e beijos. Ela tem um filho de 14 anos, que naturalmente não concorda com os beijos e muito menos com os tapas, socos, pontapés que ela recebe…

         No inicio da tarde de domingo, após um caloroso trololó, o garotão saiu de casa pegando abelha com a mão e disse que voltaria logo mais para matar o padrasto. E voltou mesmo. Mais tarde voltou armado com um trezoitão e mandou bala no valentão agressor de sua mãe. U. foi socorrido pela PM e levado para a Santa Casa de Passos com três tiros na cabeça e um no rosto. De vez em quando ele dá uma espiadinha pela janela da recepção de São Pedro.

        O enteado matador do Jardim Califórnia dobrou a serra do cajuru num Voyage verde dirigido por colegas adolescentes mas, ainda que o motivo seja nobre, a batata está assando para ele…

Tarado estupra menina em Munhoz

       Com tantos namoricos, ‘ficantes’ e amizades coloridas por aí, o crime de estupro caiu de moda. Alguns brutos insensíveis e de pouca lábia para balançar o coração da amada, no entanto, ainda insistem em buscar o prazer carnal à força, como um brutamontes troglodita.

       Foi o que aconteceu na pequenina Munhoz, encravada no meio do vale entre Bueno Brandão, Socorro e Camanducaia na noite de domingo. A garotinha F. caminhava feliz e contente por uma estradinha deserta no bairro Ribeirão Fundo, nos arredores da cidade, quando foi agarrada pelo tarado Marcos Jose Marcelino, de 26 anos e levada para o banheiro de uma borracharia, onde o crime se consumou. Ao voltar para casa Chapeuzinho Vermelho, digo a garotinha de 13 anos, contou o fato aos pais, que chamaram a policia e o Conselho Tutelar. O lobo mau, quero dizer, estuprador Marcos Jose foi caçado e preso em sua casa, no bairro Areias, na divisa com Itapeva e levado para Pouso Alegre na manha desta segunda. Depois de sentar-se ao piano e assinar o velho 213, o tarado deverá aguardar o julgamento do hediondo crime no velho hotel de Ouro Fino.

Desabafo de credora sacode o Facebook em Pouso Alegre

 

        Há um ano a jovem – arretada que só ela – Andressa Cavalheiro, vive às turras com a família do Sr. Marcio de Paula Martins, a quem vendeu um carro e não consegue receber. Cansada de fazer cobranças e ouvir desaforos do devedor, do pai dele e do sobrinho, a jovem credora, filha do correto Alcenir, neta do honrado Dandão Rosa que me viu crescer, resolveu colocar a boca no trombone no facekook e pediu que eu publicasse seu desabafo aqui no blog, dizendo suas verdades. Andressa fez uso do meu velho chavão; “se você não quer que seu nome apareça, não deixe que o fato acontecça”…

       Eis o seu desabafo na integra.

“MEUS AMIGOS AQUI VAI MEU DESABAFO… Como é triste nos vermos sozinhos frente a situações que nos vemos dentro sem saber o que fazer jÁ que algumas pessoas perdem o bom senso…

ha um ano vendi um carro para um proprietário de estacionamento, localizado no centro da cidade à rua JOÃO BASÍLIO, FILHO DO QUE SE INTITULA SER RESPEITÁVEL SR. SEBASTIÃO DE PAULA MARTINS, QUE DIANTE DA SITUAÇÃO DEPLORÁVEL QUE SEU FILHO ESTAVA FINANCEIRAMENTE POR CONTA DE DROGAS,(MARCIO DE PAULA MARTINS), RESOLVEU ASSUMIR A DÍVIDA… Esse mesmo SR RESPEITÁVEL, NÃO GOSTA DE SER COBRADO!!!! E quando vou ao estabelecimento dele, ele GRITA, DIZENDO QUE ELE TEM UM NOME A ZELAR E NÃO PODE SER COBRADO!!!! E JUNTO DELE, SEU NETO UM TAL DE GUSTAVO, UM GAGUINHO, (JÁ QUE ELE ME CHAMOU DE GORDA E POBRE NA ULTIMA TENTATIVA DE FALAR COM SEU AVÔ SOBRE A DIVIDA FEITA HA UM ANO ,ACHO QUE TENHO LIBERDADE SUFICIENTE DE CHAMA-LO DE GAGUINHO, AFINAL UM ANO DE CONVIVÊNCIA FORÇADA GERA UMA LIBERDADE…) Então voltando, esse GAGUINHO me manda receber na casa do CARALHO, (SERA Q FICA PRÓXIMO DA RUA DA MÃE DELE?), ME ENCHE DE INSULTOS E AINDA ME PROIBE DE PISAR NO ESTABELECIMENTO COMERCIAL “”DELE”” , É ISSO MESMO GENTE, ISSO DÁ ATE PROCON MAS PODE SER OUTRA HISTÓRIA…

AGORA EU ME PERGUNTO, O CARA O TAL DO SR SEBASTIAO DE PAULA MARTINS NÃO ASSUMIU A DIVIDA? … SIM!!!O FILHO DELE COMPROU MEU CARRO?… SIM!!!!

EU O OBRIGUEI??? NÃO!!!

QUEM FOI LEVAR O DINHEIRO DO SINAL DA VENDA FOI O PRÓPRIO PAI DELE O TAL SR SEBASTIAO DE PAULA MARTINS… ESTAVA CIENTE QUE O FILHO ESTAVA CONTRAINDO UMA DIVIDA? SIM!!!!!!

O CARA VENDEU MEU CARRO E ENFIOU NO NARIZ (LITERALMENTE) … SIM!!!!!!

ENTÃO EU QUE TENHO QUE OUVIR DESAFOROS???? NÃO!!!!!!

QUE QUE É ISSO GENTE!!! AINDA UM GURI QUE NÃO SABE O QUE É TER RESPONSABILIDADES, QUE NUNCA RALOU TRABALHOU PRA CONSEGUIR NADA TENTA TE HUMILHAR TE CHAMANDO DE POBRE E GORRRRRDA!!! KK IMAGINEM COMO O SUJEITO GAGUEJOU ISSO!!! PERA LA !!! SE SOU POBRE NA CONCEPÇÃO DELE , É SINAL QUE O VOVÔ OU O TITIO TEM CONDIÇÕES DE PAGAR PELO CARRO QUE VENDI!!!! TUDO QUE EU TENHO NA VERDADE NÃO FUI EU QUEM CONSTRUI, MAIS VEIO DO SUOR DE MEUS PAIS , HERANÇA DO MEU FALECIDO PAI, ESSE SIM RESPEITAVEL DR ALCENIR DE PAIVA ROSA, UMA PESSOA ADORAVEL EM TODA CIDADE, QUE ME EDUCOU PRA HONRAR O NOME ACIMA DE TUDO, RESPEITAR AS PESSOAS, E NUNCA , NUNCA HUMILHAR NINGUEM…. APESAR DELE TER ME DEIXADO BENS , DINHEIRO, PENSÃO, ETC… EU TRABALHO DESDE MEUS 17 ANOS E AINDA CONTINUO TRABALHANDO, NA VERDADE ATÉ PAGO PRA TRABALHAR, MAS DOU VALOR NA VIDA , NO TRABALHO, EM TUDO DE BOM QUE PODEMOS PASSAR PARA AS PESSOAS E ESPECIALMENTE AOS MEUS FILHOS NUNCA QUEREREM SER CHUPINS DE HERANÇA, POIS O TRABALHO DIGNIFICA A PESSOA…

Estou desabafando, quem me conhece sabe como sou, nem santa , nem má pessoa, gosto de ser justa na medida do meu ‘ser- humana’, mas um B#$tinha , tentar de humilhar (gaguejando mas tentou), gritar comigo…

sera que ele sabe o que é trabalhar? ….ou ele acha que trabalhar é ir de carrinho zero que o papai deu, levando o notebook pro estacionamento do vovô sentar la e ”vigiar um funcionário trabalhando e ficar horas no face combinando o fim de semana????? será que ele sabe o q é ter compromissos, pagar gente humilde que trabalha pra vc, ter filhos que vc quer dar tudo, mas que se importam só com o seu sorriso e mesmo assim vc sabe q só sorriso não basta!!!! pq vc tem responsabilidades com quem colocou no mundo!!! sera que ele aprendeu oq na vida???? espero que a vida ensine, pq não sou professora de marmanjos, e não vou resistir a piada, NEM FONOALDIOLOGA, PRA ENSINAR A ELE COMO FALAR DIREITO COM AS PESSOAS ( KKK ADOREI O TROCADILHO), mas a vida poe tudo no eixo e a justiça ta ai pra demandarmos contra nossos credores… mas a divina, hum essa vem com juros….

obrigada por quem conseguiu ler até o fim sem se entediar, é um desabafo que vou postar, postar e postar até encomodar, então alguns vão ver isso na tela muitas vezes , mas fazer o que, como disse não sou santa nem má… mas corre no meu sangue uma misturinha de URUTÚ COM CASCAVEL que é dificil conter… kkkkkkkkkkkkkk”

Andressa Cavalheiro

Ousadia…!!! Levou meio quilo de maconha para dentro do batalhão e tentou levar para o presidio….

        Semana passada escrevi aqui nesta coluna matéria intitulada: “Liberdade para delinqüir”, abordando a questão do “recuperando” que sai da cadeia para passar datas festivas com a família, visando se ressocializar e aproveita para fazer uma “boquinha” no crime. Pois bem, a dupla “Bruno & Osmar” não me deixa mentir sozinho.

        Na sexta à tarde uma dupla de motoqueiros parou próximo a um latão de lixo na rua Nanuque, atrás do 20ºBPM. Uma mulher saltou da garupa e despretensiosamente depositou seu lixo na lata, falou ao celular por alguns minutos e foi embora. Meia hora depois um cidadão saiu do batalhão pela porta do fundo, recolheu o “lixo” e voltou para o interior do quartel da PM. Nada de mais, afinal tem tanta gente catando reciclável hoje em dia por aí, não é mesmo?

         Não teria nada de mais se o cidadão que foi lá fora não estivesse usando um conjunto vermelho escrito SUAPI nas costas e o lixo dispensado no latão fosse mesmo lixo, mas… eram 400 gramas de maconha, cinco aparelhos celular, quatro carregadores e dois chip’s!!! O mocinho do uniforme vermelho, que cumpre pena por trafico no Hotel do Juquinha e estava prestando serviços numa obra no batalhão, se ressocializando e reduzindo sua pena, voltou para o pátio do quartel, guardou o “lixo” na bolsa e continuou belo e formoso por ali até o fim do expediente.

       Um amigo oculto da lei percebeu o “recolhimento do lixo” e avisou os homens da lei. A esta altura a dupla de “reeducandos” já havia entrado na viatura policial – sem receber revista – e voltava para o Hotel do Juquinha, depois de um proveitoso dia de trabalho. A viatura que conduzia os dois presos e o “Kit presídio” foi alcançada na BR 459 perto do Baronesa, três quilômetros antes de chegar ao seu destino. Pilhado com a mochila recheada de “lixo”, Bruno “pé-de-couve” Oliveira, disse na maior cara dura:

– Eu achei a maconha com os celulares perto do lixo e ia vender no presídio…

         Por causa do pacote de lixo, Bruno Oliveira, que estava quase terminando sua pena, fez uma parada na DP para sentar ao piano e assinar mais um 33 e voltou para trás das grades do hotel do Juquinha, para mais uma temporada de 5 anos e quatro meses.

         A parte hilária desta historia é …??? A testemunha arrolada no flagrante da apreensão da droga, Osmar Plínio Pereira!!! Osmar é o que podemos chamar de ‘p… velha’ no crime. Ele tem 51 anos de idade e foi um dos meus primeiros ‘clientes’ quando ingressei na policia em 1980. Naquela época ele já era figurinha carimbada no ‘fichário’ manual do Inspetor Ângelo, por furtos e desmanches de motos e veículos. Anos atrás, numa busca e apreensão em sua casa no Cidade jardim onde possui vários imoveis, foi necessário fretar um caminhão para transportar tanto “cabrito”… Ele era o parceiro de Bruno no trabalho de ressocialização no 20º BPM. Ao piano do delegado ele alegou que;

– … Eu estava tomando banho, não vi nada…

        Claro que acreditamos que o ‘kit presídio’ pertencia à Bruno Pé-de-couve de 25 anos. Acreditamos também em coelhinho da páscoa… em…

       A propósito de celular, um ‘beija flor’ me disse que o passatempo predileto dos hospedes do Hotel do Juquinha no momento é a disputa para saber quem tem o aparelho celular mais moderno…

         Voltando à parte séria da historia, o embrulho de maconha e celular que entrou no batalhão e seguiu belo e formoso para o presídio, onde entraria sem problemas, pois subentende-se que os presos foram revistados para entrar na viatura policial… Poderia ser um embrulho de 38, .40, ou mesmo uma AK47…

 

Passos… Temporada de acerto de contas já começou

        O ano novo ainda está engatinhando mas o crime violento na cidade de Passos já começa dar os primeiros passos. Renato Antonio dos Reis Santos, 31 anos, passava por uma ruela do bairro Novo Horizonte – que deveria ser rebatizado para “ultimo horizonte” de quem se envolve com drogas – quando recebeu um tiro no tórax. Antes de receber mais, conseguiu se abrigar na casa de um conhecido, no inicio desta madrugada.

       Quando a policia chegou ao local para socorrê-lo, estava consciente mas preferiu não ‘caguetar’ seu algoz. Atitude aliás muito comum e honrosa no submundo crime. Todo meliante acha que ele próprio é quem tem que ferir quem o feriu. Renato foi levado para a Santa Casa, passou por cirurgia e está fora de perigo… pelo menos enquanto não voltar para a rua. Ele já estivera pendurado nas barbas do capeta no final do ano passado quando sofrera outra tentativa frustrada de homicídio. Embora ele não tenha cooperado com a investigação policial, acredita-se que foi mais um  desacerto de drogas na bela Passos.

         Esta não foi a primeira tentativa de inaugurar o placar criminal de 2012 em Passos. No quarto dia do ano uma senhora deu o pontapé inicial. Após desentender-se com o namorado, no bairro N.S. de Fátima, uma domestica de 58 anos tentou arrancar seu escalpo com um facão. O motivo para o macabro crime também foi a droga… mas a droga lícita, aquela que se compra em qualquer boteco por 1 real a dose: Severina do Popote. Segundo justificou ao delegado que a sentou ao piano e fritou no 121 c/c14 do CP, seu namorado bebia com freqüência e descia-lhe o borralho, por isso tentou matá-lo.

         Bem, se a sofrida e ‘indefesa’ senhora não conseguiu separar a cabeça do pescoço do namorado violento, conseguiu ao menos separar-se dele… Ele ficou morando por uns dias no hospital… Ela foi morar por uns anos no hotel do contribuinte!!!  

      Falando Passos, os passenses que quiserem curtir a festa de Momo em 2012 terão que ir para as cidades vizinhas… Quem sabe para a ordeira Paraíso? É que prefeitura não vai promover o carnaval na cidade este ano. O motivo? O obvio… Evitar a escalada do crime no município, que bateu recorde histórico ano passado com 46 mortes.

       A policia militar justificou a impossibilidade de dar segurança aos festejos carnavalescos na cidade, alegando que terá que mandar seus policiais para dar apoio às cidades vizinhas. Surge aí uma incoerência… Para conter a onda de crimes na cidade  a PM reforçou o policiamento com mais 15 homens só na “vila do crime”, quero dizer, bairro Novo Horizonte – o que não evitou os quatro homicídios no apagar das luzes de 2011. E agora? Com a redução do efetivo policial, quem cuidará da segurança…???

       Ainda bem que a vizinha Paraíso está de braços abertos esperando os foliões passenses…!!!

“Meninos que vi crescer” – Renê Cabinho… Perdido na curva do rio

Quando o plantonista abriu a porta da delegacia de policia naquela manha gelada de julho de 2001, uma senhora cafuza, de meia idade, ligeiramente obesa entrou levando pelo braço uma adolescente, que a julgar pela cor dos olhos e expressão do rosto, havia passado a noite em claro. Timidamente ela disse que queria registrar queixa de desaparecimento. Julio, seu filho de 17 anos havia saido de casa no domingo à tarde para andar de bicicleta com amigos, segundo ele, e até então não voltara para casa e nem dera noticias.

Ao receber a copia do B.O. com uma fotografia do garoto moreno, robusto e sorridente levei a senhora chorosa para a Inspetoria de Detetives e em poucos minutos eu sabia quase tanto quanto sua mae sobre sua vida. Era bom filho, bom estudante, bom funcionario da bicicletaria do Laercio Amaral no Aterrado, não sofria de nenhum disturbio mental, não era sequestrável, não tinha inimigos, tinha poucos amigos e nenhum deles tinha envolvimento com drogas. Onde estaria Julio?

A mae e a irma do desaparecido foram embora  deixando para tras um completo dossiê, desconsoladas, pois acreditavam que a policia sabia de tudo que acontecia de errado na cidade. Tinham ao menos um alento; Julio não estava preso e nem num leito de hospital ou gaveta fria do IML.

Ligaram no final da tarde, querendo noticias do filho ou sobre o andamento das investigações. No dia seguinte abriram a delegacia novamente. Traziam à tiracolo uma senhora mulata também de meia idade que dizia ser vidente. Mãe e irmã estavam ainda mais chorosas e tristes… por causa das visões e pressagios da vidente. Segundo ela, Julio havia sido assassinado e seu corpo jazia com certeza numa baixada, na beira de um rio, provavelmente atras de uma construção que parecia ser um tosco rancho de pescador.

Aqueles dias, nossa prancheta de O.S. sobre furtos praticados por menores, brigas de marido e mulher, brigas de pés-de-cana, estelionatos e outros crimes sem status, todos pertinentes à nossa ‘equipe de dois’, eu e Fernando Jardim, chefiados pela Delegada Ines Xavier e pelo delegado Edson Vieira, não saiu do armario. Todo nosso tempo de manhã à noite era dedicado ao “Caso Julio”.  Juntou-se a nós o detetive Roberto, que tinha estreita amizade com um amigo da familia do sumido. Se o corpo do jovem adolescente estava na beira de um rio, ribeirão ou corrego, nós os achariamos. Vasculhamos varios trechos das margens do velho Mandu, descemos o Sapucaí da Faisqueira ao Vitorinos, rumanos para o Cervo. Parecíamos Fernão Dias Paes Leme e seus Bandeirantes chapeludos desbravando e mapeando rios… e nada de encontrar Julio. Quanto mais procurávamos sem sucesso, mais a mulata vidente garantia que o bicicleteiro estava morto na beira do rio. Na quinta feira avançamos o horario de almoço checando pistas, informações e visões mediúnicas nas quais nem sempre acreditávamos mas que não podiam ser descartadas e só paramos por volta de quatro da tarde para fazer o relatorio. Cansados, sujos, rasgados, esfomeados, desacorçoados, estavamos desistindo de encontrar o corpo do jovem.

Eram cinco e vinte e cinco da tarde quando o radio da viatura chiou e ouvimos a central chamar;

– Atenção perito de plantão, está em QAP? Encontro de cadaver no aterrado…

Não era preciso ouvir mais nada. Tinhamos certeza… era o nosso morto!!! Chegamos ao local em poucos minutos. Apesar disso, como o dia mais curto do ano se dera como de praxe, no dia 24 de junho, ha menos de duas semanas, tão logo o sol se punha às cinco e doze da tarde, a penumbra começava cair. Seis da tarde no inverno é noite fechada. Muito antes das seis estavamos na margem do velho Mandu, numa faixa de terra de tres ou quatro metros entre o rio o muro do predio do Sesi. Entre os galhos finos e duros de uma daquelas espevitadas arvores ribeirinhas, curvado e com a cara inchada enfiada na mistura de terra com areia de rio, começando juntar formiga, sob a luz tenue da lanterna, estava o corpo do adolescente que tanto procuramos naqueles quatro dias. A vidente estava certa. Ele estava mesmo na beira…

Para continuar lendo essa historia, acesse “www.meninosquevicrescer.com.br”…

 

 

Mãe desacorçoada manda prender o filho ‘churrasqueiro’ em São Gonçalo

         O cidadão Saulo Florêncio de Souza, 29 anos, está hospedado no Hotel do Juquinha desde a manhã desta quinta. Para conseguir a hospedagem gratuita ele precisou de uma tesoura, um espeto de churrasco, uma pedra bege fedorenta e muito espalhafato com os familiares.

       O forrobodó começou as três e meia da manhã com sua mulher Vanilza. Ao chegar em casa chapado pelo crack, querendo comida quente e chamego, como de habito, Saulo desceu o borralho na esposa. Com a cara cheia de hematomas e com medo de apanhar mais ou de morrer nas garras do gavião, ela recolheu-se ao seu canto e foi chorar sozinha sua triste sina.

       Dona Maria de Fátima, mãe do moço e os irmãos Sildete e Silverio, no entanto, chamaram o brutamontes na chincha. Ao ser repreendido pela família toda, Saulo Florêncio, que não é flor que se cheire, agarrou a tesoura e o espeto e ameaçou fazer churrasquinho dos familiares.

       Os homens da lei foram chamados e conduziram o valentão chapado para a delegacia regional de Pouso Alegre, onde ele sentou-se ao piano do delegado Waldir Pelarico, de Ouro Fino.

       Para que ele fosse preso e enquadrado na Lei Maria da Penha era necessário que as vitimas representassem contra ele. A esposa e os dois irmãos, com medo de represálias, perdoaram e recuaram, mas com a matriarca da família, dona Maria de Fátima, não teve perdão. Ela estufou o peito, assinou embaixo e mandou o filho para o xilindró… Pelo menos por uns três meses ficarão livres do nóia violento.

Policia Civil invade São Gonçalo e desmantela trafico

       O cético cidadão que costuma dizer “… e a policia não faz nada” precisa rever seus conceitos. Enquanto ele vê apenas os bandidos desfilando no palco do crime, atras da cameras, nos bastidores, a policia está reescrevendo o script e se preparando para entrar em cena. Nunca antes na historia da policia foram feitas tantas diligencias e tantas “operações café da manha” com os meliantes na região.

       A ultima aconteceu na manhã desta quarta e teve o pomposo nome de “Operaçao Xeque-mate”. O palco foi a tri-centenaria cidade de Tomaz Antonio Gonzaga, Claudio Manoel da Costa, “Barbara –Heliodora – bela do norte estrela, que o meu destino sabes guiar”, São Gonçalo do Sapucaí.

       Sob o comando o intrepido delegado da Comarca Wellington Clair de Castro, mais de quarenta detetives pertencentes à Regional de Pouso Alegre  invadiram a cidade ao pezinho da manhã e reviraram muquifos de pernas para o ar. Seis traficantes foram presos. Quase quinze quilos de maconha, a maior parte enterrada em quintais e farta quantidade de pedra bege fedorenta foram apreendidas.

       As visitas dos policiais civis foram autorizadas pelo homem da capa preta a pedido do jovem delegado, baseadas em meses de investigação por tras do pano fosco da ribalta.  Ha muito ainda a fazer para extirpar o crime na região, especialmente o famigerado trafico de drogas que tem que ser combatido todo dia, mas, dada as condições de trabalho e carencia de pessoal, a população tem pouco a reclamar.

       O ano começou bem…

O Misterio do Coisa Ruim da Borda

       Olá… Feliz ano novo.

       Que a benção de Deus Pai criador caia sobre voce, meu estimado leitor e que seu filho, nosso irmão Jesus, continue a iluminar seu caminho e guiar seus passos. Que Ele te dê força, perseverança e sabedoria para vencer seus desafios com seu trabalho digno e honrado, sem derrotar ninguem. Amém.

       Como o leitor deve ter percebido, estou ausente do meu ‘habitat’, longe de casa, alheio aos fatos cotidianos. Mas, mesmo sem novidades no blog, os leitores continuam acessando… Por isso eu também resolvi dar-lhes um presente, que na verdade eu vinha guardando a sete chaves para o meu ‘primeiro livro’… Uma das melhores historias da serie “Meninos que vi crescer”; ‘O Misterio do Coisa Ruim da Borda’, exaustivamente investigada e escrita no final de 2009 e inicio de 2010, com fotografias do ‘palco’ do Chiquinho da Borda tiradas na semana passada.

      Boa leitura.

O mistério do Coisa Ruim da Borda

O Morro dos Cães uivantes

E os anjos e demônios nossos de cada dia

       Parei meu carro na praça ao lado da jovem Basílica de Nossa Senhora do Carmo – jovem no titulo de Basílica a que foi elevada em 2005, pois a majestosa construção tem varias décadas. Foi concluída em 1954 – as duas e meia da tarde quente de sábado e desci. Entrei na primeira loja que vi aberta. Completamente vazia. Um rapaz e uma moça estavam de frente um para o outro acertando contas, com papeis, dinheiro e anotações sobre o balcão. Cumprimentei-os e antes que eu dissesse mais alguma palavra, do nada surgiu uma vendedora, abriu um sorriso ligeiramente forçado e perguntou delicada; “Posso ajudar”? Com um leve pigarro, esbocei também um sorriso de boca fechada, esperei propositalmente o ponteiro do relógio caminhar alguns segundos e respondi perguntando; “ O que vocês me contam sobre o ‘Coisa Ruim da Borda’”? Uma bomba teria causado menos impacto. Os três olharam ao mesmo tempo para mim, olharam um para o outro, olharam de novo para mim cada um tentando formular uma resposta ou uma pergunta. Eu já havia chamado a atenção necessária, desisti da maldade e acrescentei; “Desculpe… eu sou colunista policial em Pouso Alegre e estou aqui investigando a historia do tal Coisa Ruim da Borda, para publicar em minha coluna e no meu blog”. Soltando a respiração, cada um dos três tentou falar ao mesmo tempo, para dizer que nada sabiam a respeito. Uma das jovens tinha ‘ouvido falar há muito tempo’. A outra disse que seu ‘pai contava uma historia dessas’ mas ela não se interessara ou não se lembrava. O rapaz já refeito do susto disse que ‘talvez o padre ou o sacristão ali do lado soubesse alguma coisa’ e recomeçou a contagem perdida das cédulas sobre o balcão. Eu estava começando desvendar o mistério do Coisa Ruim ou Capeta da Borda.

Ao ver que as portas da Basílica estavam fechadas segui pela mesma calçada da loja em direção à Casa Paroquial. Na esquina havia um senhor septuagenário sentado no portal térreo de um sobradinho aproveitando a sombra da Basílica e eu não fiz cerimônia; pedi licença, sentei-me ao seu lado e puxei prosa. Mas poupei-lhe o susto. Antes de entrar no assunto que me interessava eu disse quem eu era e o que queria. O simpático e desembaraçado velhinho contou-me tudo que sabia – o que não era muito – realidade e folclore. Foi ali, vendo o tempo mudar e uma cortina branca despencando sobre o Distrito do Sertãozinho, se aproximando da cidade, que eu soube que o Coisa Ruim da Borda nunca passou da “Ponte de Pedra” e que se voltasse para a fazenda de onde foi expulso seria chamado de “Coisa Ruim de Tocos do Mogi”. Depois do solícito velhinho, cheguei ao muro da Casa Paroquial, mas o sacristão, zelador, camareiro ou mordomo dos padres não se deu o trabalho de falar pessoalmente comigo. Usou o frio interfone para informar que não havia padres em casa, mas que talvez eu conseguisse receber a benção de um deles no Centro Pastoral ou na igreja, na missa da cinco.

Cheguei com três beatas bem maduras ao Centro Pastoral. Uma delas até quis falar alguma coisa sobre o tal capeta, mas quando a outra mais acanhada e desconfiada descobriu que algumas pessoas já estavam reunidas nos fundos do Centro, elas me deixaram falando sozinho. No ponto de táxi, agora sob os primeiros pingos grossos de uma chuva que se espalhou e não banhou a cidade, devolvendo o sol forte a todo o município em poucos minutos, enriqueci bastante o dossiê do Coisa Ruim e sua saga e levantei nomes de pessoas que poderiam me dar muitos capítulos de sua historia. Com menos de duas horas de investigação na cidade do grande desportista Rogerinho Medeiros, eu já poderia desvendar e escrever quase todo o mistério do Coisa Ruim. Mas, não teria graça nenhuma se não conhecesse o palco de sua exibição e não sentisse seu bafo quente em minha nuca. Por isso só deixei a cidade no apagar das luzes do astro rei, depois de visitar o sombrio casarão do alto da colina, na estrada que vai para Bom Repouso, onde precisei segurar com força minha cruzinha dourada no peito e quase cair numa vala da estrada em obras, para desviar de um fusca velho que se jogou de porta aberta sobre mim numa descida.

Bem, antes de prosseguir com esta historia cheia de controversas, tabus, superlativos, perturbação do sossego, folclore e muito medo, para melhor entendimento do leitor e evitar a incansável repetição do termo Coisa Ruim da Borda – que pode acabar assustando alguma criança – batizemos personagens e locais desta historia arrepiante e até aqui mal contada. O palco das exibições do chifrudo, tinhoso, bode velho, saci ou simplesmente Espírito Brincalhão chamaremos de ‘Colina ou Morro dos Cães Uivantes’ – Não confundir com o clássico “O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Bronté – O fazendeiro que fez o pacto com o espírito perturbado será chamado de “Portuga”, homenageando sua origem além-mar, o pá. A jovem noiva prometida chamaremos apenas de “Donzela”. O irmão dela, único remanescente vivo da família, testemunha ocular e auditiva da macabra historia chamaremos pela inicial de seu nome,  “R.”. O “dito cujo” já tem nome. Muito além das cercanias da Borda as pessoas que ouviram, mesmo que por alto sua historia, já sabiam que ele se chamava “Chiquinho”. Ele próprio se apresentou ao seu anfitrião com este epíteto carinhoso quando veio buscar sua donzela prometida, em 1953.

Bom, agora que nos tornamos mais íntimos, vamos falar francamente; “…Que atire a primeira pedra….” quem nunca viu o capeta!!! Ora, ora, ora, todos já vimos e cada um de nós o pintamos de acordo com nossa conveniência. Eu já estive cara a cara ou ‘costas à cara’ – Sua principal característica é a traição – com ele inúmeras vezes. Apesar de conhecer ‘an passant’ a historia do Coisa Ruim da Borda, só na capital do pijama esbarrei neles umas quatro vezes.

A primeira vez foi em 1970. Eu estava no forro da casa do Sr. Jairo, no bairro Santa Rita, para continuar lendo essa historia, acesse ‘www.meninosquevicrescer.com.br’!