A criminalidade chegou ao bairro dos Coutinhos

Nem a garrafa de Casa dos Ventos que eu trouxe de Pouso Alto para o escrivão escapou da sanha dos ladrões de sitio dos Coutinhos...!

Nem a garrafa de “Casa dos Ventos” que eu trouxe de Pouso Alto para o escrivão escapou da sanha dos ladrões de sitio dos Coutinhos…!

Segundo o professor, historiador e escritor Hilario Coutinho, o bairro banhado pelo Ribeirão Santo Antônio e suas dezenas de nascentes, tem seu primeiro registro como “Bairro Coutinhos” lá pelos idos de 1786. O patriarca da família Coutinho, meu deca-avô João Coutinho Portugal, instalou sua primeira moradia no aconchegante local em 1814. Por isso, o livro de sua lavra em parceria com o primo Celso Coutinho, “A Família Coutinho no Sul de Minas”, foi lançado no dia 14 de novembro de 2014.

      Nestes dois séculos de existência o famoso e hospitaleiro bairro viu muita transformação. Todas benéficas, acompanhando a evolução do homem e da sociedade.

      As duas ultimas mudanças no bairro foram o êxodo rural, há cinco décadas, em busca de melhores perspectivas de trabalho e de vida… E agora o inverso; o ‘êxodo urbano’ para o bairro, porém por motivo diverso… Por lazer! Enfim, são muitas as mudanças de comportamento, de politica, de religião, de hábitos… E de valores!

      Dentre as peculiaridades dos Coutinhos está o fato de que, em duzentos anos, jamais houve um homicídio por qualquer razão no bairro. – Este dado pode mudar a qualquer momento! – Furtos no bairro, também sempre foi coisa rara. Ladrões mais raro ainda! Ou pelo menos era raro até pouco tempo atrás.

     Há cerca de cinco ou seis anos um cidadão – novo no bairro – dono de um sitio foi vitima de furto. Durante conversa informal num balcão de boteco ele teria comentando com amigos para moradores do bairro ouvir:

– Comprei a chácara no bairro dos Coutinhos depois de ser informado que aqui não há ladrões…

      A resposta veio de chofre, por um morador que ouvia a conversa na outra ponta do balcão…

– É verdade. Até agora não tinha mesmo ladrões no bairro. Mas eles estão começando a chegar…!

     A resposta curta e grossa do meu conterrâneo encerrou prematuramente a critica. Porém, talvez o sitiante tivesse razão. De uns tempos para cá o hospitaleiro bairro tem sido palco de furtos. E o pior…! Os mãos leves, ao que parece, são criados no próprio bairro!

     Recentemente aconteceu no bairro dos Coutinhos e adjacências furtos de gado. A policia não descobriu quem eram os ladrões. Mas as vitimas de furtos receberam de volta sua ‘res’ furtiva – que no caso eram ‘reses’ bovinas! O pai de um dos ladrãozinhos, abastado e honesto fazendeiro que trabalha de sol-a-sol, envergonhado pela conduta do filho, ressarciu o prejuízo dos vizinhos para que o caso não chegasse à justiça. Ficou barato! No Texas, quem fosse pego roubando gado, era pendurado na primeira arvore que a patrulha encontrasse no pasto!

      Meu conterraneo Joel, contemporâneo do meu pai, mudou-se como nós para Pouso Alegre há cerca de 40 anos. Mas nunca deixou seu pedacinho de chão no bairro dos Coutinhos. Nas horas de folga cultiva café, banana, feijão, cascavéis, cutias, tatus e até lobos…! Seu sitio é de fato um pedaço de paraíso. Mas fica muito distante do centro do bairro, ao pé da serra. Por isso Joel resolveu comprar um pequeno sitio mais perto da ‘civilização’ do bairro, na localidade que chamamos de “Onças”! Outro dia ele estava angelicalmente nos braços de Morfeu no seu rancho quando a luz forte de uma lanterna o fez despertar. Ao lado da cama singela estavam dois guampudos; um segurando a lanterna acesa e outro um pedaço de pau! Haviam arrombado a porta…

– Queremos a chave do cadeado da porteira e do cadeado da casinha da picadeira… – disse um deles ameaçadoramente.  

      … E levaram a picadeira de capim, deixando a vaquinha Jersey do Joel sem comida no dia seguinte.

     Todo mundo no bairro sabe quem são os três ladrões que roubaram a picadeira do Joel. São nascidos e criados ali mesmo. Há duzentos anos, meu deca-avô João Coutinho Portugal teria cortado pessoalmente os ladrõezinhos na guasca, até o couro cru de boi berrar!

     Coisa bem pior do que esfolar a pele de ladrõezinhos na guasca, pode acontecer a qualquer momento!

     Durante a madrugada deste sábado, 30, ladrões – provavelmente do próprio bairro – voltaram a atacar. Entraram em duas casas de sitio na mesma localidade das “Onças”. No sitio do Marcos e na chácara do Edgar! Levaram camas, colchão, bomba d’agua, botijão de gás, roupas de camas, panelas, talheres e até galão de plástico!

– O que me deixou mais aborrecido foi o fato de terem levado minhas cachaças que eu estava guardando para uma ocasião especial! Inclusive uma é aquela que você me deu há dois anos, lembra? – Comentou Edgar.  

     Todo cidadão tem o “direito” de investigar e tentar prender quem o roubou…! Todo policial tem o “dever” de investigar e prender quem o roubou! O difícil é investigar e “apenas” prender!

– Estou torcendo para não encontrar o ladrão, Chips… Senão quem vai cometer um crime maior sou eu! – Desabafa Edgar!

      Há quase vinte anos na policia civil, o escrivão chefe do cartório da Delegacia Regional de Pouso Alegre, é muito mais do que um policial burocrático. Tem policia e tino policial no sangue. Desde o inicio da carreira, há quase vinte anos, sempre participou das operações de campo. Apaixonado por armas de fogo, fez todos os cursos e treinamentos no gênero. Fez inclusive o ultimo treinamento há dois meses com submetralhadora…!  Os ladrões que arrombaram seu sitio e levaram suas panelas, pratos, talheres e sua garrafa de “Casa dos Ventos” correram e estão correndo um serio risco! A batata dos ladrõezinhos de sitio pode queimar!

     O bicentenário Bairro dos Coutinhos não é mais o mesmo!

O sobrinho e o carro quebrado

Imagem ilustrativa

Imagem ilustrativa.

– Oi tia Beth… Sua benção! E o tio como vai? Mamãe mandou um abraço pra vocês.

– Quem está falando…?

– É o Pedrinho, da Lica… De Belo Horizonte. Tudo bem? Olha tia, tô no maior perreio… Eu tava indo fazer uma visitinha pra senhora, mas o meu carro quebrou na estrada no alto da serra, perto de Itaguara. O mecânico disse que é a rebimboca da parafuseta… Ele cobra três mil e quinhentos reais para consertar! Mas eu só tenho setecentos e pouco no bolso… Será que a senhora não pode me emprestar três mil reais? Eu estava mesmo indo na sua casa. Quando chegar aí eu faço a transferência para a senhora! Anota aí o numero da conta do mecânico. Assim a senhora deposita direto na conta dele!

E a caridosa ‘titia’ do Pedrinho vai ao banco, saca suas economias e deposita na conta do mecânico de Itaguara. Mais tarde o sobrinho liga agradecendo o empréstimo, dizendo que vai chegar de manhazinha. Ou então tenta mais um golpe dizendo que o mecânico achou outro defeito e ele precisa de mais dois mil reais!  Dona Tuca, a simpática titia, nem se dá o trabalho de procurar na memoria a imagem do sobrinho Pedrinho… que ela nem sabia que existia!

O golpe é tão velho quanto a media de idade das pessoas que caem nele. Geralmente pessoas septuagenárias. A policia não sabe ainda como o vigarista descobre que a vitima tem um sobrinho ou netinho com o nome mencionado. Por que não é possível que a titia ou vovozinha seja tão lerda que não saiba que não tem um sobrinho ou netinho com tal nome! Ou será que é…!?

Bem… lerdinha, espertinha, boazinha ou simplesmente distraidinha, – isso para não dizer, tolinha mesmo! – o fato é que a titia Zuca caiu no “conto do sobrinho & o carro quebrado”…

Estava ela quieta no seu canto arrumando a cozinha do café da manhã em sua casinha singela no Jardim Noronha em Pouso Alegre quando o telefone tocou. Era o sobrinho Mucio da Silva de Oliveira. Ele estava no Km 790 da MG 179, próximo de Alfenas, com o carro quebrado. O mecânico já havia dado o diagnosticado e o prognostico: Com três mil reais o carrão ficaria novinho em folha. O deposito poderia ser feito direto na conta do ‘mecânico’ Rafael L. Batista.

Preocupada com o pobre Pedrinho na estrada, com esse frio! dona Zuca mandou o marido fazer o deposito na conta do mecanico. Gumercindo, 76, saiu de casa imediatamente, andou alguns quarteirões até a casa lotérica da Silviano Brandão, sacou mil reais da sua poupança e depositou na conta do vigarista. De lá seguiu até a caixa Econômica Federal da Pça. Senador Eduardo Amaral para sacar e depositar o restante. Aí foi salvo pelo funcionário da caixa, bisbilhoteiro… Ao perguntar a ele para quem iria o deposito, Gumercindo contou a historia do sobrinho da esposa e o carro quebrado! O caixa então deu um sorrisinho sarcástico dizendo por dentro…

– Não acredito que eles caíram nesse golpe! – e abriu seus olhos…!

Gumercindo desistiu do deposito, voltou pra casa e contou a ‘descoberta’ à esposa. Só então ela se deu conta de que nem tem sobrinho com nome de Mucio! E mandou Gumercindo de volta ao quartel para registrar o golpe!

Contando assim a estória do “sobrinho & o carro quebrado” parece engraçadinha, não é?

Parece… Mas não é!

Dinheiro, especialmente nos dias de hoje, custa suor e às vezes até lagrimas!

É difícil ganha-lo… Não se pode entrega-lo de mão beijada a nenhum tipo de sobrinho… Muito menos a sobrinhos que não existem!

Conte essa estória – verdadeira, acontecida no meio da manha desta segunda, 01 de junho em Pouso Alegre – a seus amigos e parentes. Especialmente aos septuagenários… Eles são as vitimas prediletas dos “sobrinhos & o carro quebrado”!

 

Futebol Infantil e Juvenil interestadual

Forcraques JuvenilA escolinha de futebol Forcraques F.C. está disputando a Copa São Paulo de futebol, promovida pela Associação Paulista de Futebol Sub-15 e Sub 17. Neste sábado, 30, os pupilos do treinador Brinquinho enfrentaram os garotos do Desportivo Brasil em ambas as categorias. Os jogos aconteceram no campo do Bairro São Cristóvão às 11h00 e 12h00.

Na categoria infantil os garotinhos de Pouso Alegre perderam para os paulistanos por 6×0. Já na categoria juvenil, os ‘meninos do Mandu’ deram o troco… Venceram o Desportivo Brasil por 2×1, com gols de Altair e Patrick.

A próxima rodada será no dia 05 de junho na Arena Barueri, contra o Gremio Barueri.

Haitiano estupra criança em Extrema

ExtremaA chuvinha fina e fria baixou a temperatura do crime na região no ultimo final de semana de maio. Cidades com Pouso Alegre, Itajubá, Poços de Caldas e Varginha registraram menos de um Boletim do Ocorrência policial por hora. Santa Rita do Sapucaí, Ouro Fino e Extrema, cidades com população media de 40 mil habitantes, registrou menos de uma ocorrência policial a cada quatro horas. Os policiais passaram o fim de semana enroladas em cachecóis. Não fossem as rondas preventivas, os homens da lei quase não precisariam sair da taipa do fogão à lenha…!

A exceção nesta calmaria na criminalidade da região ficou por conta, naturalmente, da bela Passos, cidade com um terço a menos da população de Pouso Alegre. Lá, no entanto, a policia militar registrou um terço a mais dos BOs de Pouso Alegre e Poços de Caldas. O que não e nenhuma novidade, pois nos últimos cinco anos em Passos, o crime tem caminhado a passos largos…!

Apesar disso, neste fim de semana os BOs não passaram de registros de furtos, ameaças, brigas de vizinhos e infrações corriqueiras de transito.

O crime mais grave no extremo sul do Estado aconteceu na promissora Extrema, maior polo industrial da região. Embora esteja na fronteira com o Estado de São Paulo, a cem quilômetros da maior metrópole do Brasil, menos de cem de Guarulhos, uma das cidades mais violentas do Sudeste, o autor do crime praticado em Extrema veio de longe, de outro continente…

Passava pouco da onze horas da manhã chuvosa deste domingo ultimo dia de maio quando o cidadão Siltone Edrix bateu na porta da casa da vizinha C. Ao ser atendido e se dando conta de que os pais dela não estavam em casa, o moço de vinte anos pôs em pratica o hediondo crime…! Tomou a garotinha de 11 anos nos braços, cobriu-a de beijos e percorreu suas mãos bobas e assanhadas pelo seu débil corpinho impúbere, acariciando suas partes pudendas!

Enquanto satisfazia sua lascívia, o moço ‘recomendava’ à garotinha que não contasse nada a seus pais, pois teria ‘consequências’.

Mas ela contou!

Contou inclusive que esta não foi a primeira vez! Segundo a garotinha, Siltone Edrix, que é haitiano e mora com outros conterrâneos próximo de sua casa, já abusou delas outras vezes nestas circunstancias!

Após registrar o fato a pedido da mãe da garotinha, a policia militar foi entrevistar o haitiano tarado a poucos metros dali. Mas ele já havia dobrado a serra do cajuru! Caso não tenha pegado a primeira canoa para o Haiti, o imigrante Siltone Edrix, conseguirá um visto permanente no país pelos próximos oito anos… Pelo menos enquanto estiver hospedado no velho “hotel do contribuinte” de Extrema!

 

Cabeleireiro roda o Brasil aplicando golpes

A wilson IINorma Felicio é uma daquelas pessoas que sonha conquistar e dar um pouso de conforto à família. Para isso, como a maioria dos brasileiros, ela trabalha de manhã para comprar o almoço e de tarde para comprar a jantar! Como não herdou herança e nem ganhou na loteria, ele usa o talento que Deus lhe deu para cuidar da beleza e da vaidade dos outros. Sua especialidade são os ‘apliques’ afros… Aqueles cabelões falsos tipo rastafári! Para isso montou, com a filha, um salão de beleza na Rua João Basilio e outro na sua casa na Rua Cordeiro Olímpio no Aterrado. O da sua casa é tão pequenino, tão pequenino que eu passei defronte e não o vi! Só depois de levantar informações detalhadas na esquina, consegui achar o salão. O salão é pequeno mas o serviço é de qualidade. E para melhorar ainda mais a qualidade, Norma e as filhas tem buscado aperfeiçoamento.

No inicio do mês Norma conheceu um especialista na arte de apliques afros… O moço disse que mora em Belém do Pará e roda o Brasil ensinando sua arte às profissionais interessadas. Gentil, educado, delicado Wilson Gaspar Silva era a pessoa perfeita para ensinar novas técnicas de apliques à Norma e suas filhas. Com as aulas de Wilson seu salão iria crescer!

Norma ficou tão empolgada com o mestre ‘Wilson dos apliques’ que o levou para morar na sua casa. Morou lá duas semanas. Neste período usou folhas e cheques de sua filha para comprar material e ferramentas do salão. Na ultima quarta, 27, de manhã, Wilson saiu de sua casa no Aterrado e foi para o salão da João Basilio fazer unhas, levando produtos de beleza, ferramentas do salão e até um tablet da cliente Alessandra, agente de saúde do bairro. Mas não chegou ao salão da João Basilio…!

A Wilson Neste momento deve estar chegando à Belém do Pará onde diz ser radicado! Deixou Norma. Suas filhas e até a cliente Alessandra só com o cabo do guarda chuva na mão… E as contas pra pagar!

Desde então Norma passou a procurar informações do “mestre aplique” nas redes sociais. E ficou sabendo que ele ‘aplica’ mesmo… Aplica o golpe do estelionato nas pessoas que caem na sua lábia!

Segundo a própria Norma apurou, Wilson Gaspar Silva é um tremendo picareta! Por onde passa ele deixa um rastro de prejuízo… E raiva! Já deixou dezenas de donas de salões de beleza só com o cabo da escova na mão!

Wilson Silva de Belém do Pará não é bom apenas nos ‘apliques’ em salões de beleza… Ele manja também das coisas do além…! Ele aplica também o golpe do “Pai de Santo”! Em Salvador ele se apresentou em dois terreiros de Candomblé para dar uns passes e passou mesmo a mão leve em tudo que pode carregar… Deixou duas “Nhá fias” baianas falando com fantasmas!

Norma Felicio sabe que só vai ver novamente “Pai Wilson”, o mestres dos apliques afros e financeiros, na próxima encarnação e que, portanto, jamais vai recuperar seu prejuízo…! Tudo que ela quer é escrachar o picareta, para que outras pessoas bem intencionadas como ela e as filhas e a agente de saúde, não caiam na sua lábia…!

E você? Que ter aulas de ‘apliques’ com mestre Wilson?

 

 

Homem Lobo da Perimetral quer trabalhar

DSC04766Levantei mais cedo nesta quinta para tomar café com o Homem Lobo da Perimetral. Quando cheguei à sua ‘casa’ ele não estava mais nos braços de Morfeu, mas ainda estava debaixo das cobertas. Reticente, introspectivo e ressabiado demorou alguns minutos para sair da toca… Das duas: da toca cheia de trapos e papelão enegrecida pela fumaça dos pneus e madeira queimados durante a noite, e da toca da mente! Tinha medo de falar! E foi incialmente agressivo. Minha presença o incomodava. Ele queria me ver pelas costas! Foram necessários uma boa dose de paciência, de argumentos e uma cédula de ‘mico leão dourado’ para puxar-lhe língua e ouvir seu nome!

Rogerio Oliveira, nasceu em São Paulo, diz que tem 46 anos, não deve nada a justiça – percebe-se pelo perfil e modus vivendi –  e está há mais de dez anos no ‘trecho’! Só no bueiro da Perimetral, segundo o cidadão que caminha por ali diariamente e se sensibilizou com sua ‘sofrencia’, desde outubro do ano passado!

DSC04770– Quando foi que você começou essa vida, Rogerio?

– Ah, já tem uns dez anos…

– E por quê?

– Cachaça…

– …!

– Eu trabalhava em São Paulo… Mas comecei beber muito. Perdi o emprego, minha mãe morreu. Não sei do meu pai. Aí eu saí andando… Fui para Santa Catarina. Faz tempo que estou no ‘trecho’.

DSC04778– Você ainda bebe?

– Não. Parei.

– Onde você passa o dia?

– Por aí… ganho alguma coisa. Os amigos – pessoas que lhe dão comida – ajudam. De noite venho pra cá…

– Pra quê a fogueira toda noite?

– Espanta bicho… Aqui não tem luz! Serve para clarear ‘minha casa’…

– O que você quer…?

– Só quero trabalhar… Mas ninguém dá emprego. Pego uns ‘bico’! Capino quintal… Faço artesanato.

– Como você se alimenta…?

– Os amigos dão comida…

DSC04782-… E banho..?

– Não tem jeito, né…! A gente vai levando…

– Você procurou a assistência social?

– Conheço ninguém, não…

– Voce tem algum sonho, alguma esperança?

– Eu queria trabalhar… Estou tentando melhorar um pouco – a aparência – para arrumar um emprego!

Respostas prontas Rogerio tem claras e audíveis na ponta da língua. No entanto, quando se aventura a falar mais de sua vida passada e seus sonhos, ele – parece ter vergonha dos sonhos – fala tão baixo que somente ele ouve e entende. Uma coisa ficou bem clara na curta entrevista em pé, na porta da ‘casa’ enegrecida pela fumaça, ouvindo o vuuum-vuuum-vuuum dos carros passando a 90 por hora defronte a placa pregada no poste indicando 60, poucos metros acima na avenida: Rogerio, o Homem Lobo da Perimetral, sonha trabalhar, sair do bueiro, voltar à vida de anos atrás. Voltar para perto dos parentes em São Paulo.

DSC04784  Outra coisa também está bem clara: Se ele não receber um ‘incentivo’, o único lugar para o qual ele irá, será o fundo do bueiro! O mais longe que o  cidadão Rogerio Oliveira – ou seja lá qual for seu nome – irá será o outro lado do bueiro por baixo da pista dupla, em direção ao abandonado Estádio “Minduinzão”!

Quando começou morar no bueiro, tanto bueiro quanto o morador tinham outra aparência, como se vê nas fotos tiradas em outubro passado e neste 28 de maio! A cada dia a vida do homem lobo se parece mais com a aparência do bueiro… Sujo, maltrapilho, assustador… As pessoas correm léguas dele! Sem o “incentivo” de um órgão publico, mantido com dinheiro de impostos, só resta ao “Homem Lobo da Perimetral” afundar ainda mais na degradação social!

DSC04779Que pena que ele veio parar em Pouso Alegre, numa cidade tão pobre…!!!

 

Cavucada está ficando velho…

Cavucada e sua mais nova camisa do time do coração!

Cavucada e sua mais nova camisa do time do coração!

Desde a mais tenra idade, quando ainda cortava o cabelo com tesoura deixando o famoso “trio de rato”, aprendi que o mês de maio abriga o Dia das Mães. Mais tarde, na adolescência, quando eu era um dos mais dedicados alunos da escola, “peixinho dos professores”, quando um deles disse que eu ‘tinha veia jornalística’, aprendi nas aulas de Educação Religiosa no Colégio Comercial São José, que o mês de maio é o mês de “Maria”! Nos últimos anos, com a criação do blog, descobri que maio é também o mês do Cavucada! Todo dia 28 ele fica – biologicamente – um ano mais velho… Mas mentalmente é o mesmo garoto de 9, 10 anos que conhecemos e estimamos há trinta anos!

Hoje pela manhã fui fazer a costumeira visita anual e levar-lhe um presentinho! Levei um susto! Basti, bati na porta de sua casa, com a janela aberta, e nada de Cavucada aparecer! Seguindo informações de vizinhos fui encontrá-lo alguns quarteirões abaixo administrando uma obra…! Quando desci do carro, antes que o visse ele me viu e saudou, da janela da construção…

– Êh Chips…

– Úé Cavucada, você está trabalhando de pedreiro agora?

– Não, eu sou engenheiro… Eu que mando no pessoal aqui – atalhou ele com o sorriso habitual. – Sobe aqui pra você ver o prédio que nós estamos construindo! – emendou.

Alexandre Reis Assunção, o menino Cavucada, está completando hoje 46 anos. Ele cresceu na rua, andando de um lado à outro da cidade, levando acenos e alegria às pessoas. Sempre ‘antenado’, ele puxa e comenta qualquer assunto, especialmente sobre futebol. Sabe tudo sobre os grandes clubes do Brasil; Palmeiras, Atletico Mineiro, São Paulo, Flamengo…

Como toda boa criança ele acaba se perdendo e às vezes fica dias sem voltar para casa. Dorme sob marquises ou dentro de caixas de papelão! Nunca aconteceu nenhum acidente, pois ele está sempre em boa companhia… De anjos inocentes como ele!

Tempos atrás, depois de uma destas escapadelas de casa, ele passou uma semana na rua. Quando conseguiu achar o caminho de casa, voltou com uma “bixeira” no ouvido esquerdo! Curou a ferida, mas agora escuta menos do que antes! O irmão que mora com ele, agora não o deixa mais sozinho…

– Estou construindo minha casa devagarinho… Sempre trago ele comigo para o trabalho. Ele fica ‘chefiando’ a obra – brinca Douglas.

Sorrindo Cavucada concorda:

– É, Chips, eu sou o engenheiro…!

E para não deixa-lo sozinho, o irmão que é gráfico, leva Cavú para todo lado quando tem que visitar clientes…

– Quando ele sai é uma festa… Todo mundo quer falar com ele, quer saber por que ele sumiu…

Esse é Cavucada, ‘menino que vi crescer’, mas que permanece na mais doce infância! Menino de coração puro; menino que, sem fazer força, deixa um rastro de alegria por onde passa.

Vida longa, amiguinho Cavucada…

 

Assalto em Cachoeira de Minas

CachoeiraO sinistro aconteceu às nove e meia da manhã embaçada de domingo, 24, no centro de cachoeira de Minas. A vitima foi escolhida aleatoriamente pela dupla de assaltantes ‘John Lennon & Ribamar’ residentes na vizinha Conceição dos Ouros.

Maria Jose Ferreira, 39 anos, moradora do bairro Cruzeiro, havia acabado de sair de um açougue e passava defronte a prefeitura, quando o Gol GT 86 preto parou a seu lado. O passageiro John Lennon, saltou do carro, agarrou a bolsa à tiracolo de Maria Jose e tentou toma-la. Maria Jose, que sabe o quanto custa ganhar seu suado dinheirinho, resistiu e lutou com o assaltante… Mas foi vencida! Depois de dar vários socos na cabeça da vitima, rasgar sua roupa e jogá-la ao chão o assaltante foi embora levando sua bolsa com documentos, um celular e R$260.

Ladrões pés-de-couve que são, eles não se preocuparam em apagar os rastros… Foram vistos tomando o caminho do bairro Beira Rio, em direção à cidade vizinha! Quando chegaram à capital do polvilho os homens da lei já os esperavam para dar as boas vindas!

Apesar de terem sido pilhados com as provas do crime – bolsa roubada no carro e dinheiro no bolso de um deles – os artistas John Lennon & Ribamar juraram de pés juntos que eram inocentes. O reconhecimento formal da vitima, ainda com as marcas latentes das agressões sofridas na frente da prefeitura, sanaram qualquer duvida! Os assaltantes sentaram ao piano do paladino da lei em Pouso Alegre e assinaram o 157.

Com nome de ex-presidente da republica, ex-senador e ‘dono’ do Estado do Maranhão, “Jose Ribamar” Moura Venancio, 42, é figurinha fácil no álbum da policia. Ele já havia deixado seu rastro de crimes nas cidades de Sapucaí Mirim e Paraisopolis até chegar ao bairro BNH em Conceição dos Ouros, onde mora. Ameaças, furtos e trafico de drogas são seus artigos prediletos.

John Lennon Luiz Ribeiro, 24, apesar do nome mais famoso, tem a capivara mais modesta. Pesam contra ele apenas dois processos: um por ameaça e outro por porte de arma!

Ambos haviam descumprido normas da condicional e eram procurados pela justiça. Agora o caldo engrossou! O assalto na Rua da Prefeitura de Cachoeira de Minas no ultimo domingo pode render à dupla ‘John Lennon & Ribamar’ de 5 a 15 anos de cana!

 

 

Homem está vivendo no bueiro em Pouso Alegre

DSC04715A informação chegou a este blog no meio da tarde desta sexta, 22. Através do celular, o leitor indignado contou o fato e pediu providencias. Segundo ele, há varias semanas um cidadão de meia idade está morando em um bueiro, uma saída de esgoto que cruza a avenida perimetral no bairro N.S.Fatima.

– Ele está morando num buraco! Parece uma toca de bicho! Para se aquecer e espantar os pernilongos, já que o bueiro desagua no mato próximo ao ‘rio cortado’, ele queima pneus e restos de plástico na porta do buraco. Ontem eu parei para conversar com e ele contou que está desempregado e não tem onde morar…! Disse também que procurou a assistência social da prefeitura, mas ninguém fez nada! Faça uma matéria sobre isso Chips… – pediu-me o indignado leitor.

Ao pé da manhã de sábado fui fazer uma visita ao “homem lobo”. Cheguei tarde… Ele já havia saído. Talvez à procura do desjejum ou de trabalho!

DSC04710As informações do leitor eram verdadeiras. As brasas e cinzas dos últimos pneus queimados durante a noite para espantar o frio, os pernilongos e outros bichos ainda estavam quentes. Havia até um cachorro malhado de médio porte e meia idade timidamente tomando conta da ‘casa’ do ‘eremita’…! Sua cama feita de espuma de colchão, trapos de tecidos e papelão ainda estava desarrumada…! As fotos falam por si…

Ainda não sabemos quem é o homem lobo! Mas pelo perfil, pressupõe-se que ele não é um andante, pois andantes não fixam ‘moradia’! Também não é um usuário de drogas expulso de casa pela família, pois nesse caso ele iria dormir debaixo da ponte do Mandu, atrás da igreja, na porta do mercado ou sob marquises do centro, sempre na companhia de seus iguais. O solitário ‘homem lobo’ da Perimetral tem o perfil de um cidadão que já teve dias melhores! Que ja viveu com dignidade!  Se era branco, não é mais… Pois a fumaça e a fuligem dos pneus queimados na ‘porta da frente’ da toca já mudaram sua cor!

DSC04712O epiteto de ‘homem lobo’ dado por este blog ao cidadão que há semanas vive – vive? – num bueiro na beira da principal via de acesso da hospitaleira “princesa do sul”, na verdade não lhe cai bem. Lobo vive numa vastidão de matas arejadas e frescas, se move ao sabor do vento – ou do alimento – e se alimenta, não raro, de carnes nobres! O epíteto para o cidadão do bueiro da Perimetral – que um dia já foi pagador de impostos – combina mais com outro bicho bem menor, bem menos elegante, bem menos nobre… Um bicho cuja espécie começa com a letra ‘r’ e que faz do esgoto seu habitat natural…!

O estilo de vida do Homem Lobo da perimetral combina com o visual de algumas cidades brasileiras, inclusive com a própria Pouso Alegre contemporânea, progressista cidade que coloca mensalmente em seus cofres milhares de notas de cem, mas que não é suficiente sequer para cuidar da aparência da ruas, das praças e canteiros públicos! O Homem Lobo da Perimetral, infelizmente, é só o primeiro cidadão – em Pouso Alegre – que volta às origens!

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Leia logo mais : Maconha na vagina – II

PM prende guardador de maconha no Chapadão

 

Hotel do Juquinha... Destino de quem guarda drogas para o "João Tapira"!

Hotel do Juquinha… Destino de quem guarda drogas para o “João Tapira”!

Passavam os homens da lei pelo bairro São Cristóvão na noite ainda criança desta quarta, 20, quando avistaram um cidadão com pinta de somongó na porta de uma casa e resolveram abordá-lo. O dialogo foi mais ou menos assim:

– Voce é o Alex Sandro? Temos informações que você anda vendendo drogas no bairro… É verdade?

– ‘Capaiz’, sargento!  Mexo com isso não…!

– Podemos dar uma olhada na sua casa…?

– À vontade, sargento. Sou do bem…

Já no interior da residência, Alex Sandro resolveu admitir que, embora não vendesse, era chegado a um baseado. E entregou uma porção de maconha já esfarelada, pronta para ser enrolada na seda, a qual ele guardava na geladeira.

– Só tenho essa aqui… Eu dou uns tapas na erva de vez em quando – disse meio desenxabido, com cara de gato que acabou de comer o toucinho!

Diante da conjuntura ligeiramente obnubilada, os policiais resolveram procurar mais drogas! E acabaram achando num dos cômodos do quintal 27 barangas de maconha pronta para comercio e um tijolinho da mesma erva, que seria fracionado e embalado para venda no varejo. A droga estava diligentemente escondida dentro de um tapete enrolado, coberto por outras roupas! Pilhado com a mão na massa, Alex Sandro mudou o discurso, tentando tapar o sol com a peneira…

– Ôh, sargento… a droga não é minha, não! Eu só ‘tava’ guardando ela para um sujeito do bairro. Ele me paga cem reais por semana para guardar pra ele!

– E quem é o sujeito dono da droga?

– Posso falar  não, sargento… Senão ele me mata!

Os policiais sabiam que a droga era do “João Tapira”. Mas nem precisava saber! Afinal, “guardar” droga é um dos 18 verbos do artigo 33 da Lei 11.343, cuja pena varia de 5 a 15 anos de cana.

Portanto, Alex Sandro Augusto Ramos, 26,  recebeu as pulseiras de prata, desceu no Taxi do Contribuinte, sentou-se ao piano do paladino da lei na DP, assinou o 33 e, pela manhã, seguiu no Taxi do Magaiver para o superlotado Hotel do Juquinha!