Quem quer um defunto…!?!?!?

     O hospital Regional diz: ‘este corpo não nos pertence mais’…

     O IML não recebe ninguém, muito menos um morto, sem documentos…

     A funerária também não vela defunto sem o atestado de obito ou de necropsia…

     A família não pode levar seu morto sem autorização das autoridades…

     Se não fosse um descaso com a vida – ou com a morte? – a historia de Everton Cesar seria macabra!!!

Quem passou pela Prefeito Sapucaí na tarde desta segunda e viu um carro funebre da funeraria Ferraciolli estacionado na beira da rua, com um caixão la dentro não podia imaginar…. mas o caixão não estava vazio!!! Dentro dele estava o maltratado corpo do jovem Everton “Pitô” Cesar Ribeiro Raimundo. Como ele foi parar –literalmente – ali?? Graças à burocracia e informações desencontradas e quem sabe um pouquinho de falta de humanidade…

Tudo começou anos atras quando Everton apaixonou-se perdidamente por Severina do Popote. Paixão doentia, que ninguém está livre de contrair… Ele nunca mais conseguiu se afastar do álcool. Tornou-se alcoólatra crônico. Bebeu pela ultima vez no sábado, 26, à noite. Ao sair do boteco no velho Aterrado, desequilibrou-se, foi ao chão e bateu com a cabeça. Conseguiu chegar à casa da tia, onde mora, ali perto do boteco, mas não acordou mais. Na manha de ontem seu único sinal de vida era a respiração.

A pedido da tia, foi levado pelos bombeiros para o PS do Regional. A tomografia mostrou hemorragia intracraniana. Um imenso e irreversível coágulo no cérebro. Ele nunca mais levantaria um copo. Parou de respirar na manhã enevoada e fria desta segunda.

A família informou que ele apenas caira ao chão e batera a cabeça. O neurologista que leu sua tomografia acha que o traumatismo foi muito grande para uma queda de menos de 1,70 de altura, por isso não assinou o óbito. Só o medico legista poderá afirmar se ele caiu ou se algum objeto ‘caiu na cabeça dele’…

No inicio da tarde a funeraria de Plantão retirou o corpo do necrotério do hospital, mas sem ter para onde levá-lo, deixou-o dentro do coche fúnebre, onde ele passou a tarde. Quando os documentos ficaram prontos o IML já havia fechado. A família indignada, que desde a manhã tentara velar seu morto, ante a iminência de o corpo passar a noite na rua, intensificou o esperneio. Através da diretoria da Associação de Moradores do bairro São Geraldo, o caso chegou ao jornal Folha de Pouso Alegre e a este Blog. Às oito da noite, finalmente o corpo do jovem Everton Pitô foi recolhido ao IML para ser necropsiado nesta terça de manhã.

E assim caminha a humanidade…

Estelionatario suja o nome do ‘amigo’ em Monte Sião

Ele veio de Ituiutaba para esquentar o comercio da capital das malhas com cheques frios mas entrou numa gelada…

A bela e aconchegante Monte Sião está vivendo o auge do seu comercio de malhas. Ocasião propicia para comprar blusas, jaquetas e afins para se proteger do frio que está batendo à porta. Com a bucólica e rica cidade soltando clientes pela ladrão, é ocasião propicia também para vigaristas de plantão espalhar seus cheques frios no aquecido comercio local.

Foi assim que o ituiutabano Charles Martins Silva, 24 anos, encheu um quarto de hotel de mercadoria quentes pagas com cheques frios. A fotografia na identidade que Charles exibia para os comerciantes era dele, mas o nome e também o talão de cheques – naturalmente sem fundos – pertenciam a Gustavo Adriano Silva… Charles já havia comprado mais de 18 mil reais se blusas quentinhas com cheques frios dos comerciantes Rogério aparecido de Azevedo, Alessandro Aparecido Alves e Everaldo Aparecido Azevedo e de mais de dez comerciantes menores, quando entrou em fria. Foi um destes comerciantes que percebeu que a foto do Charles estava mal colada sobre o nome de Gustavo… não colou. Charles ‘cover’ de Gustavo foi preso pela PM no centro, tentando passar mais um borrachudo. Ele estava num Fox do motorista Eduardo Batista Domingues e o produto da naracutaia estava no hotel esperando completar a carga para voltar para o Tringulo Mineiro.

Ao sentar ao piano do delegado de plantão em Pouso Alegre, Charles disse na cara dura que conhece de vista a pessoa de Gustavo Adriano Silva em Ituiutaba e Gustavo teria dito a ele;

– ‘Estou a fim de sujar meu nome na praça’…

Para ajudar o ‘amigo’ que conhece ‘apenas’ de vista, Charles colou sua foto sobre a dele e saiu pelo mundo passando cheques sem fundo!!!

E já que o assunto era sujar nome na praça, o delegado resolveu sujar o do Charles! Aplicou-lhe uma fiança… de R$14,500 reais!!! Charles cara lavada assinou o 171 e foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

Passos 14, 15… a matança agora é em familia

Se esta noticia fosse dada pelo meu amigo “Leandro.Com”,  na TV Libertas, ele certamente faria pose e perguntaria: Gente!!! O que está acontecendo em Passos??? Quanta violência!!! Agora até filho está matando pai!!! Meu Deus, cruz credo!!!

E eu estou me sentindo culpado com o comentário que fiz quando noticiei o 13º homicídio ocorrido na quinta feira: “Passos é assim, quando matam um de manhã, amarram outros dois para matar de tarde ou no dia seguinte”.

Aconteceu quase isso. Não tive nem tempo de noticiar o 14º crime acontecido na manha de ontem, terça, quando um “dimenor” chegou acompanhado de outro de 22 anos e descarregou um revolver em um desafeto de 39 anos. Ele morreu a caminho do hospital em virtude dos cinco tiros no tórax e abdome.

Ontem à noite outro passense bateu à porta de São Pedro pedindo hospedagem eterna. Ele morreu dentro do quarto da casa da ex-mulher, espancado pelo próprio filho de 19 anos.

Elias Jose Camilo, 39 anos, estava proibido por Maria da Penha, de se aproximar da ex-esposa Gilda Flor Lara Camilo. Contrariando a ordem judicial, ele voltou ao local dos conflitos para discutir a relação e os direitos perdidos. Em defesa da mãe, Evandro Lara Camilo, de vinte anos, entrou em luta corporal com o pai e para subjugá-lo usou uma fita adesiva e o asfixiou até a morte.

O crime aconteceu no bairro Teka. Pai e filho tinham envolvimento com drogas. Foi o segundo do dia, o 15º do ano na bela Passos de 100 mil habitantes, às margens do majestoso Rio Grande.

Paulinha de Cambuí e os sabonetes de maconha…

Antes ela queria vender drogas para soltar o marido! Agora quer levar droga para ele dentro do presídio!!!

      O olhar triste da jovem Paula Cristina da Silveira, parece de resignação com seu destino. Mas bem que, com um banho de loja, ela poderia ser uma ótima balconista, recepcionista de consultório, professora de creche ou até mesmo uma doce moçoila casadoira e futura mãe de dois ou três filhos… Poderia. Mas uma vida regrada assim seria muito monótona e sem graça para ela. Paulinha que “… levava crack na bolsa de oncinha”, apesar do olhar triste prefere viver perigosamente levando drogas de um ponto a outro da cidade e até para o presídio.

Paula Cristina foi presa no dia 06 de maio ultimo no momento em que agendava uma entrega de pedra perto do estádio municipal de Cambuí. Na ocasião ela disse ao delegado que vendia drogas para custear os honorarios de um advogado para soltar seu amado Vando Cleiton da Silva, que há três meses se hospeda no velho Hotel da Cel. Lambert, justamente por distribuir drogas… O homem da capa preta analizou sua capivara e viu que ela era primaria, por isso devolveu-lhe a liberdade dois dias depois. Mas… como “pau que nasce torto, nunca se endireita”, Paulinha, de olhar de pidão, quer a qualquer custo, qualquer custo mesmo, dar ‘assistência’ ao amado Vandinho…

No domingo pela manhã, mesmo sabendo que não era dia de visita e nem de entregar nada no presídio, Paulinha fez cara de “… eu não sabia” e tentou entregar uma encomenda ao marido na cadeia. O agente responsável fez cara feia e mandou a mocinha catar coquinho. As três da tarde Vandinho simulou estar passando mal na cela e disse que somente o remédio que Paulinha queria entregar de manhã poderia salvá-lo. Deve ser verdade, pois era um remédio muito especial. Ligaram e Paulinha veio trazer o ‘remedio’… Eram na verdade alguns pacotes de cigarros e dois sabonetes Lux cor de rosa, recheados com… maconha!!!

… E Paulinha, que antes “levava crack na bolsa de oncinha”, agora leva erva marvada dentro do sabonete, na sacolinha, assinou seu segundo 33 do mês e voltou para o velho hotel da Cel. Lambert.

Mas tem o lado bom! Pelo menos ela poderá ver o amado Vandinho todo dia…

Passos 13… A matança continua

O titulo bem que poderia ser o de um seriado de quinta filmado nas rebarbas de Beverly Hills ou no outro extremo da terra do Tio Sam, em Miami… Mas não é ficção. É realidade nua e crua, aqui pertinho, no extremo norte da região Sul do Estado… em Passos.

Já são treze  passenses assassinados na cidade este ano. Quando a situação chegou a este ponto caótico no ano passado, as autoridades sentaram para conversar e buscar soluções para conter a onda de homicídios. Criaram dois projetos: Cursos Profissionalizantes – padeiros e marceneiros – para jovens delinqüentes e egressos da cadeia e Campanha de Desarmamento. Tomaram até as armas de plástico das crianças. Era 15 de maio. O numero de homicídios triplicou até o fim do ano.

Semana passada, depois que a policia localizou o corpo do comerciante Lucas Vinicius, assassinado com fios de computadores de sua propria lan-house, a preocupação veio novamente à tona. Numa reunião com lideranças políticas e a SEDS em Belo Horizonte na quarta feira passada, ficou acertado que: “A Casa do Adolescente Infrator será construída e acreditamos que fique pronta no final deste ano ou no começo do ano que vem” em Passos, afirmou o delegado Marcos Pimenta, que participou da reunião.

Ledo engano pensar que a Casa do adolescente infrator irá resolver o problema da criminalidade em Passos. Primeiro que esta “casa” não ficará pronta em menos de um ano. Segundo, medidas isoladas não surtem nenhum efeito, como não surtiram no ano passado.

Aliás, enquanto se discutia a criminalidade na capital, meliantes tentavam diminuir a população da cidade, à bala. Foram três tentativas. Na madrugada de terça, 15, um motoqueiro atirou contra um catador de sucata, 42. Não morreu porque a bala enroscou-se  na suas costelas. Na quarta à noite um delinqüente de 16 anos atirou no rival de 22 anos. Ele foi chamado na porta de casa e quando saiu recebeu um tiro na bunda. Escapou da morte porque foi mais rápido que os atiradores que chegaram de motocicleta. Na sexta outro homicida chegou de moto na casa do desafeto e foi logo mandando bala. O rapaz de 22 anos foi atingido por  5 tiros e morreu no local. Um amigo que estava na casa recebeu dois tiros e corre serio risco de perder a vida. A mulher do morto, grávida e com um bebe de colo, ficou no meio da saraivada de balas. Escaparam milagrosamente…

Na bela Passos é assim… Quando matam um de manhã, amarran outros dois para matarem de tarde ou no dia seguinte!!! Os fatos acima provam que não estou brincando…

Jovem tem “um branco” e mata namorada em Santa Rita

Final de semana violento… Homicidio em Passos, tentativa em Pouso  Alegre, dinheiro falso em Congonhal, mulher levando ‘sabonete drogado’ para o marido na cadeia, advogado atropelando e abandonando motoqueiro na Fernão Dias, assalto em via publica, ressureição do “Já Morreu”… E para fechar o fim de semana, um jovem tem um surto de loucura e criva a namorada de facadas no interior de sua casa em Santa Rita do Sapucaí…

Eram quase seis da tarde de domingo quando o cidadão  L.R.M. residente no bairro Santa Barbara, em Piranguinho, recebeu um telefonema do filho. Do outro lado da linha o garotão Anderson Martins Rodrigues, sensivelmente perturbado dizia:

– Pai, acho que eu fiz uma burrada…!!! Matei a Tamires….

L. e demais familiares chegaram rapidamente à casa do filho no bairro Rua Nova em Santa Rita. Apesar de ter chamado o pai, Anderson trancou a casa e foi necessario insistir muito para que ele abrisse a porta. A cena que o pai do jovem presenciou não era nada agradável. Parecia ‘set’ de filmagem de filme de terror. Sob o sofá da sala debaixo de um lençol, jazia o corpo da jovem Tamires Carolina Souza, que no dia 05 de março fizera 18 anos.

Ela tinha um corte profundo no pescoço, na jugular e outros quatro furos nas costas. Seu sangue estava espalhado por toda casa. Nas roupas, no chão, nos moveis, na cozinha e até nas paredes da casa do assassino. O sangue que ainda circulava em suas veias, não seria suficiente para preservar-lhe a vida. Ela ainda foi levada pálida para o PS, mas já não respirava.

Quando o pai entrou Anderson teve mais um acesso de furia e passou a chutar e quebrar moveis e utensílios  domésticos, juntando-os aos copos, pratos e talheres já destruidos na cozinha. Ao pai Anderson Martins, de 19 anos disse que “teve um branco”, por isso matou a jovem com quem trabalhava e  que começou namorar ha um mês.

Ao sentar-se ao piano do delegado de plantão em Pouso Alegre o jovem industriário, que nas redes sociais se diz “simpático, inquieto, divertido e disponível para novos relacionamentos…” ficou calado. Diz que só vai se pronunciar em juízo. Também, falar o quê…?

Calado, caladinho, caladão, o jovem “do branco”, de mente obscura, que pintou sua casa de vermelho com o sangue da namorada, vai viver dias negros e taciturnos, com seus fantasmas, no hotel Recanto das Margaridas.

 

Tarzan deu a volta por cima

Meninos Que Vi Crescer

 

Tarzan deu a volta por cima

 

       Conheço Jose Luiz desde a mais tenra infância. Ele costumava lançar-me olhares languidos, de esgueio quando me via na sua casa procurando seu irmão que vivia às turras com a justiça. O irmão espigadinho, era useiro e vezeiro na pratica de pequenos furtos para comprar maconha. Nunca soube o que aquele olhar serio e ressabiado protegido pelas sobrancelhas queriam dizer. Medo? Respeito? Raiva? Revolta? Teria ali alguma promessa de vingança no futuro? Promessa de se tornar também um policial combatente do crime? Ou se tornar um bandido mais esperto que seu irmão e não se deixar prender? Talvez um pouco de cada sentimento. Pela maneira como Jose Luiz me olha, depois que cresceu, acho que aqueles olhares de soslaio eram de admiração. Embora o irmão – que há anos não vejo e nem tenho noticias – vivesse às margens da lei, Jose Luiz não se deixou influenciar pelos –maus – exemplos do irmão mais velho. Apenas uma vez sentou-se no banco dos réus… e foi em defesa da honra.

No final da ensolarada manhã do dia 14 de junho de 2004, subia eu a Adalberto Ferraz na companhia da amiga Thalita, colocando as fofocas de “Santana do Sapucaí” em dia, quando avistamos um tumulto na esquina da Duque de Caxias. Apertamos o passo para curiosar e quem sabe registrar um furo de reportagem para o FOLHA, o jornal mais lido da época, apesar de continuar no vermelho. Pelo caminho soubemos, através de transeuntes, que havia ocorrido um tiroteio na esquina do mercado. Antes da esquina abordamos, pela janela da ambulância dos Bombeiros, o cidadão Salvador Antonio dos Reis, com um tiro na perna. Na esquina da Jose Macedo, em meio à aglomeração de curiosos, dois novatos policiais militares tentavam dominar o ‘chapa’ H. H. dos Santos que esperneava e escorregava mais que quiabo na tigela. Dominamos o bagre ensaboado e já na viatura policial, na iminência de ser conduzido para a Delegacia de Policia, muito a contragosto ele respondeu entredentes, minha pergunta:

– O cara que atirou é irmão do pintor, ali… – disse-me apontando com o boné para um sujeitinho franzino, barba por fazer, com a roupa manchada de tinta, escondido debaixo de um surrado boné também sujo, no meio da multidão. Orientei os policiais que tirassem o chapa do meio do furduncio, para dispersar a multidão e me aproximei do pintor que eu conhecia mais que nota de 1 real.

– E aí  “Pracinha”, que rolo é esse…?

– Foi o Zé Luiz, o Tarzan… é rolo de mulher. Meu irmão queria acertar o negão que está saindo com a mulher dele. Acertou o Salvador que não tem nada com a estória…

– E onde está ele agora?

– Sei não Chips… É capaiz que ele foi atrás da mulher dele!

Não. Não fora. Jose Luiz, o Tarzan, 36 anos na época, deixou o local do frustrado crime, pegou o primeiro cipó que viu balançando e foi direto para a casa do causídico Firmo da Motta Paes. Foi na casa, que funcionava também como escritório de advocacia, que ele foi preso em flagrante por tentativa de homicídio e lesão corporal, algumas horas mais tarde.

A estória era essa mesmo. Tarzan descobrira que ‘Jane’ estava se encontrando atrás da moita com o macaco, digo, com o chapa H.H. e resolvera cortar o mal pela raiz! Como nunca usara uma arma de fogo, errou o alvo e conseguiu apenas chamuscar Antonio Salvador, que estava de bobeira abraçando uma loira gelada no Bar da Maria. na esquina do Mercado.

Como excelente criminalista que era, o firme advogado Firmo da Motta Paes – fomos ‘inimigos passivos’ por 20 anos. Fizemos as pazes em junho de 2004 quando ele abriu-me os arquivos da Camara Municipal que presidia, para mostrar-me alguns documentos que me interessavam. Ele morreu no dia 06 de outubro, depois de perder a única eleição de sua vida. Saudades do velho e astuto ‘inimigo’ advogado e político… – conseguiu descaracterizar a tentativa de homicídio para lesões corporais. Tarzan voltou para a selva alguns meses depois. Antes, porém, nos encontramos no velho Hotel da Silvestre Ferraz.

Tarzan não ficou magoado por eu tê-lo mandado para a jaula. Só não gostou da manchete no “FOLHA” do dia 18 de junho; “ Tarzan tenta matar ‘‘‘‘‘Ricardão’’’’’’ e acerta Salvador”…

Com o passar do tempo Tarzan compreendeu que o titulo e o bojo da matéria não tinham nada de ofensivo à sua reputação. Pelo contrario, mostrava que ele fora o traído pela companheira. Que ele tivera a honra ultrajada e tentara limpá-la à bala. Que sorte a dele que sua pontaria é ruim…!!!

Encontrei Tarzan outro dia justamente defronte a delegacia regional, comendo pastei de farinha de milho com molho de pimenta comari, na baraquinha da Dete… Cumprimentou-se com tamanha efusão que parecia que sempre fomos estreitos amigos. Naturalmente falamos do episodio do dia 14 de junho. Quase me agradeceu pelo que aconteceu com ele na época e pelo que eu escrevi na coluna Direto da Policia… Contou-me que o “aluguel” dos colegas do apartamento 07 do velho hotel da Silvestre Ferraz, por causa da manchete no jornal, serviu para abrir-lhe definitivamente os olhos.

– … Larguei dela, Chips. Ela não merecia… Casei de novo, tenho filhos, estou trabalhando registrado e estou muito feliz com minha família. Aquilo que me aconteceu serviu para eu dar valor às pessoas certas… Cadeia – olhou para o velho prédio fantasma atrás de nós, cheio de determinação – nunca mais!!

– Vejo que você deu a volta por cima, está alegre, vistoso, de bem com a vida! Posso contar sua historia na coluna “Meninos que vi crescer”, qualquer hora dessas?

– Só…!!!

É comum o cidadão que tropeça na lei, conhece o lado sombrio da cadeia e retoma a liberdade, sorrir fingido e dizer que mudou, que está ‘diboinha’…

Esta poderia ser apenas mais uma dessas historias. Poderia. Mas não é o caso de Jose Luiz, o Tarzan. Seus olhos, seu sorriso, sua conversa franca e alegre demonstram que ele está muito mais livre, leve, solto e feliz do que antes do dia em que puxou o gatilho de um revolver numa das esquinas mais movimentadas de Pouso Alegre.

Sorte que naquela ensolarada manhã de segunda feira, entre mortos e feridos, todos se salvaram… Inclusive o próprio Tarzan!

 

Suspense e forrobodó em Congonhal

Os personagens e o roteiro deste filme são antigos… o enredo, embora parecido, é novo!!

Odair entrou, trancou a porta atrás de si, retirou a chave da fechadura, foi para a cozinha e o clima foi ficando tenso.

Ele sempre fora esquisito, mas desta vez estava pior.

Sorumbático, taciturno, ele andava lentamente de um lado para outro, olhava de soslaio sem encarar a cara-metade.

Leonilda percebeu que aquela historia não acabaria bem. Notou aborrecida que a faca de lamina fria e brilhante, havia ficado sob a mesa. Odair também notou. Ela estivera chupando cana…

Com medo de despertar a ira do amasio, Leonilda foi se aproximando de mansinho, da janela. Arrependia amargamente de ter esquecido a faca suja de cana sob a mesa…. Calculou a distancia, pensou:será que vou conseguir? – Alfred Hitcoock teria adorado filmar estas cenas – De repente de um golpe só escancarou o vitrô e tentou pular a janela… Não conseguiu!!!

Odair foi mais rápido. Agarrou suas pernas, sua cintura, seu pescoço e tentou enforcá-la, sufocando seus gritos. Leonilda lutou desesperadamente e conseguiu desvenciliar-se do amasio e gritar por socorro.

Um vizinho chamou a policia e mais uma vez o casal foi parar no Plantão Policial!

O fato, que já aconteceu diversas vezes nos últimos três anos, desde que decidiram juntar os cobertores, se repetiu ontem ao pé da noite na pequena e alegre Congonhal, terra da batata, do boi gordo, do queijo mineiro, de frente para a serra de São Domingos.

Odair Felipe Roberto, 37 anos, disse que estava apenas dicutindo com a companheira Leonilda Marcelina de Faria Silva, 45 anos…

– … Ela reatou a amizade com os parentes dela!!! Eles são contra o nosso relacionamento. Vivem implicando…

Se Leonilda esteve com a vida por um fio afiado de lamina fria ou não, os vizinhos garantem que foi muito mais do que trololó… Foi um tremendo forrobodó. E como Odair já é uzeiro e vezeiro nestas cenas, assinou mais um 147, com tempero de Maria da Penha.

Mas… Se pagar 622 reais de fiança, poderá voltar para casa! …

Já Morreu… agora morreu!!!

Esta é a ultima vez que Adriano Carlos do Carmo aparece no noticiário policial. Já Morreu agora morreu de verdade. Ele estreiou nas paginas policiais aos 17 anos, após matar um companheiro de copo e de ‘ponte’, debaixo da ponte, em cambui. A partir daí entrou difinitivamente para o mundo do crime. Curiosamente, tinha vocação para tudo, menos para bandido. Só se envolvia em delitos pés-de-couve…

No final dos anos 90 e inicio do novo século, fui sua tabua de salvação, seu anjo da guarda. Evitava que ele tomasse surras homéricas e lhe dava roupas para que ele pudesse voltar para a rua depois das detenções por delitos bobos, do tipo perturbação do sossego, mendicância e embriaguez. Mas as pessoas desavisadas tinham medo dele e a PM não tinha dó… descia-lhe o borralho.

Muitas vezes chegou à delegacia quase nu, com o lombo ardendo. Apesar da vida desregrada da mendicância e das farras com Severina do Popote, ele era forte, parrudo. Anos atrás Já Morreu tentou entrar numa casa pela janela basculante, errou os cálculos, ficou preso, entalado, indefeso. O dono da casa então tirou suas calças, deixou-o pelado pendurado na janela e chamou a policia.

A ultima vez que o vi ele havia se enroscado nas malhas da lei após furtar sorrateiramente o cálice da Missa das Cinco, na Catedral, há quase dois anos  – “Cálice Sagrado Ressuscita Já Morreu”.

Adriano Carlos Já Morreu, foi encontrado esta manhã em seu barraco no Aterrado, sem vida. As primeiras informações dão conta de morte natural.

– Ele vinha tomando remédio controlado e bebia muito… – Teria informado um parente. Uma coisa é certa, Já Morreu… Agora já morreu!!!

 

Dentinho mordeu a isca em Ouro Fino…

Amigos ocultos da lei levaram a policia militar ao bairro Aeroporto, em Ouro Fino, no inicio da madrugada desta quinta, 17. Segundo os combatentes invisíveis do trafico de drogas, numa conhecida boca de fumo do bairro, Vitor de Souza, vulgo Dentinho, vendia descaradamente a pedra bege fedorenta.

Ao avistar a barca dos homens da lei, Dentinho jogou um embrulho por cima de um muro, atravessou o quintal de uma velhinha e dobrou a serra do cajuru. Os policiais apreenderam o embrulho. Eram 20 pedras de crack. A viatura se afastou e os homens da lei fingiram que foram embora mas ficaram disfarçados nas sombras esperando a volta do traficante formiguinha. Dentinho mordeu a isca. Meia hora depois voltou para procurar a droga… E ouviu aquela famosa do Originais do Samba: “…Se ocê pensa que nóis fumo imbora… Nóis enganamo ocê. Nóis fumo, mais vortemo, ói nóis aqui traveis!!!”

Dentinho caiu na armadilha, com as 20 pedras prontas para comercio e outra maior na algibeira, mas não se deu por vencido:

– Eu não sou traficante, não! Eu sou viciado desde os 16 anos… Essa brita é para meu consumo. Eu queimo 20, 30 pedras por dia… As vezes fico três dias sem dormir!

Mas o delegado de plantão de Pouso Alegre não mordeu sua isca. Dentinho, 18 anos completados no dia 27 de fevereiro, com outras passagens por trafico e roubo, sentou ao piano, assinou o 33 e foi se hospedar no Hotel Menino da Porteira…