Tarzan deu a volta por cima

Meninos Que Vi Crescer

 

Tarzan deu a volta por cima

 

       Conheço Jose Luiz desde a mais tenra infância. Ele costumava lançar-me olhares languidos, de esgueio quando me via na sua casa procurando seu irmão que vivia às turras com a justiça. O irmão espigadinho, era useiro e vezeiro na pratica de pequenos furtos para comprar maconha. Nunca soube o que aquele olhar serio e ressabiado protegido pelas sobrancelhas queriam dizer. Medo? Respeito? Raiva? Revolta? Teria ali alguma promessa de vingança no futuro? Promessa de se tornar também um policial combatente do crime? Ou se tornar um bandido mais esperto que seu irmão e não se deixar prender? Talvez um pouco de cada sentimento. Pela maneira como Jose Luiz me olha, depois que cresceu, acho que aqueles olhares de soslaio eram de admiração. Embora o irmão – que há anos não vejo e nem tenho noticias – vivesse às margens da lei, Jose Luiz não se deixou influenciar pelos –maus – exemplos do irmão mais velho. Apenas uma vez sentou-se no banco dos réus… e foi em defesa da honra.

No final da ensolarada manhã do dia 14 de junho de 2004, subia eu a Adalberto Ferraz na companhia da amiga Thalita, colocando as fofocas de “Santana do Sapucaí” em dia, quando avistamos um tumulto na esquina da Duque de Caxias. Apertamos o passo para curiosar e quem sabe registrar um furo de reportagem para o FOLHA, o jornal mais lido da época, apesar de continuar no vermelho. Pelo caminho soubemos, através de transeuntes, que havia ocorrido um tiroteio na esquina do mercado. Antes da esquina abordamos, pela janela da ambulância dos Bombeiros, o cidadão Salvador Antonio dos Reis, com um tiro na perna. Na esquina da Jose Macedo, em meio à aglomeração de curiosos, dois novatos policiais militares tentavam dominar o ‘chapa’ H. H. dos Santos que esperneava e escorregava mais que quiabo na tigela. Dominamos o bagre ensaboado e já na viatura policial, na iminência de ser conduzido para a Delegacia de Policia, muito a contragosto ele respondeu entredentes, minha pergunta:

– O cara que atirou é irmão do pintor, ali… – disse-me apontando com o boné para um sujeitinho franzino, barba por fazer, com a roupa manchada de tinta, escondido debaixo de um surrado boné também sujo, no meio da multidão. Orientei os policiais que tirassem o chapa do meio do furduncio, para dispersar a multidão e me aproximei do pintor que eu conhecia mais que nota de 1 real.

– E aí  “Pracinha”, que rolo é esse…?

– Foi o Zé Luiz, o Tarzan… é rolo de mulher. Meu irmão queria acertar o negão que está saindo com a mulher dele. Acertou o Salvador que não tem nada com a estória…

– E onde está ele agora?

– Sei não Chips… É capaiz que ele foi atrás da mulher dele!

Não. Não fora. Jose Luiz, o Tarzan, 36 anos na época, deixou o local do frustrado crime, pegou o primeiro cipó que viu balançando e foi direto para a casa do causídico Firmo da Motta Paes. Foi na casa, que funcionava também como escritório de advocacia, que ele foi preso em flagrante por tentativa de homicídio e lesão corporal, algumas horas mais tarde.

A estória era essa mesmo. Tarzan descobrira que ‘Jane’ estava se encontrando atrás da moita com o macaco, digo, com o chapa H.H. e resolvera cortar o mal pela raiz! Como nunca usara uma arma de fogo, errou o alvo e conseguiu apenas chamuscar Antonio Salvador, que estava de bobeira abraçando uma loira gelada no Bar da Maria. na esquina do Mercado.

Como excelente criminalista que era, o firme advogado Firmo da Motta Paes – fomos ‘inimigos passivos’ por 20 anos. Fizemos as pazes em junho de 2004 quando ele abriu-me os arquivos da Camara Municipal que presidia, para mostrar-me alguns documentos que me interessavam. Ele morreu no dia 06 de outubro, depois de perder a única eleição de sua vida. Saudades do velho e astuto ‘inimigo’ advogado e político… – conseguiu descaracterizar a tentativa de homicídio para lesões corporais. Tarzan voltou para a selva alguns meses depois. Antes, porém, nos encontramos no velho Hotel da Silvestre Ferraz.

Tarzan não ficou magoado por eu tê-lo mandado para a jaula. Só não gostou da manchete no “FOLHA” do dia 18 de junho; “ Tarzan tenta matar ‘‘‘‘‘Ricardão’’’’’’ e acerta Salvador”…

Com o passar do tempo Tarzan compreendeu que o titulo e o bojo da matéria não tinham nada de ofensivo à sua reputação. Pelo contrario, mostrava que ele fora o traído pela companheira. Que ele tivera a honra ultrajada e tentara limpá-la à bala. Que sorte a dele que sua pontaria é ruim…!!!

Encontrei Tarzan outro dia justamente defronte a delegacia regional, comendo pastei de farinha de milho com molho de pimenta comari, na baraquinha da Dete… Cumprimentou-se com tamanha efusão que parecia que sempre fomos estreitos amigos. Naturalmente falamos do episodio do dia 14 de junho. Quase me agradeceu pelo que aconteceu com ele na época e pelo que eu escrevi na coluna Direto da Policia… Contou-me que o “aluguel” dos colegas do apartamento 07 do velho hotel da Silvestre Ferraz, por causa da manchete no jornal, serviu para abrir-lhe definitivamente os olhos.

– … Larguei dela, Chips. Ela não merecia… Casei de novo, tenho filhos, estou trabalhando registrado e estou muito feliz com minha família. Aquilo que me aconteceu serviu para eu dar valor às pessoas certas… Cadeia – olhou para o velho prédio fantasma atrás de nós, cheio de determinação – nunca mais!!

– Vejo que você deu a volta por cima, está alegre, vistoso, de bem com a vida! Posso contar sua historia na coluna “Meninos que vi crescer”, qualquer hora dessas?

– Só…!!!

É comum o cidadão que tropeça na lei, conhece o lado sombrio da cadeia e retoma a liberdade, sorrir fingido e dizer que mudou, que está ‘diboinha’…

Esta poderia ser apenas mais uma dessas historias. Poderia. Mas não é o caso de Jose Luiz, o Tarzan. Seus olhos, seu sorriso, sua conversa franca e alegre demonstram que ele está muito mais livre, leve, solto e feliz do que antes do dia em que puxou o gatilho de um revolver numa das esquinas mais movimentadas de Pouso Alegre.

Sorte que naquela ensolarada manhã de segunda feira, entre mortos e feridos, todos se salvaram… Inclusive o próprio Tarzan!

 

Suspense e forrobodó em Congonhal

Os personagens e o roteiro deste filme são antigos… o enredo, embora parecido, é novo!!

Odair entrou, trancou a porta atrás de si, retirou a chave da fechadura, foi para a cozinha e o clima foi ficando tenso.

Ele sempre fora esquisito, mas desta vez estava pior.

Sorumbático, taciturno, ele andava lentamente de um lado para outro, olhava de soslaio sem encarar a cara-metade.

Leonilda percebeu que aquela historia não acabaria bem. Notou aborrecida que a faca de lamina fria e brilhante, havia ficado sob a mesa. Odair também notou. Ela estivera chupando cana…

Com medo de despertar a ira do amasio, Leonilda foi se aproximando de mansinho, da janela. Arrependia amargamente de ter esquecido a faca suja de cana sob a mesa…. Calculou a distancia, pensou:será que vou conseguir? – Alfred Hitcoock teria adorado filmar estas cenas – De repente de um golpe só escancarou o vitrô e tentou pular a janela… Não conseguiu!!!

Odair foi mais rápido. Agarrou suas pernas, sua cintura, seu pescoço e tentou enforcá-la, sufocando seus gritos. Leonilda lutou desesperadamente e conseguiu desvenciliar-se do amasio e gritar por socorro.

Um vizinho chamou a policia e mais uma vez o casal foi parar no Plantão Policial!

O fato, que já aconteceu diversas vezes nos últimos três anos, desde que decidiram juntar os cobertores, se repetiu ontem ao pé da noite na pequena e alegre Congonhal, terra da batata, do boi gordo, do queijo mineiro, de frente para a serra de São Domingos.

Odair Felipe Roberto, 37 anos, disse que estava apenas dicutindo com a companheira Leonilda Marcelina de Faria Silva, 45 anos…

– … Ela reatou a amizade com os parentes dela!!! Eles são contra o nosso relacionamento. Vivem implicando…

Se Leonilda esteve com a vida por um fio afiado de lamina fria ou não, os vizinhos garantem que foi muito mais do que trololó… Foi um tremendo forrobodó. E como Odair já é uzeiro e vezeiro nestas cenas, assinou mais um 147, com tempero de Maria da Penha.

Mas… Se pagar 622 reais de fiança, poderá voltar para casa! …

Já Morreu… agora morreu!!!

Esta é a ultima vez que Adriano Carlos do Carmo aparece no noticiário policial. Já Morreu agora morreu de verdade. Ele estreiou nas paginas policiais aos 17 anos, após matar um companheiro de copo e de ‘ponte’, debaixo da ponte, em cambui. A partir daí entrou difinitivamente para o mundo do crime. Curiosamente, tinha vocação para tudo, menos para bandido. Só se envolvia em delitos pés-de-couve…

No final dos anos 90 e inicio do novo século, fui sua tabua de salvação, seu anjo da guarda. Evitava que ele tomasse surras homéricas e lhe dava roupas para que ele pudesse voltar para a rua depois das detenções por delitos bobos, do tipo perturbação do sossego, mendicância e embriaguez. Mas as pessoas desavisadas tinham medo dele e a PM não tinha dó… descia-lhe o borralho.

Muitas vezes chegou à delegacia quase nu, com o lombo ardendo. Apesar da vida desregrada da mendicância e das farras com Severina do Popote, ele era forte, parrudo. Anos atrás Já Morreu tentou entrar numa casa pela janela basculante, errou os cálculos, ficou preso, entalado, indefeso. O dono da casa então tirou suas calças, deixou-o pelado pendurado na janela e chamou a policia.

A ultima vez que o vi ele havia se enroscado nas malhas da lei após furtar sorrateiramente o cálice da Missa das Cinco, na Catedral, há quase dois anos  – “Cálice Sagrado Ressuscita Já Morreu”.

Adriano Carlos Já Morreu, foi encontrado esta manhã em seu barraco no Aterrado, sem vida. As primeiras informações dão conta de morte natural.

– Ele vinha tomando remédio controlado e bebia muito… – Teria informado um parente. Uma coisa é certa, Já Morreu… Agora já morreu!!!

 

Dentinho mordeu a isca em Ouro Fino…

Amigos ocultos da lei levaram a policia militar ao bairro Aeroporto, em Ouro Fino, no inicio da madrugada desta quinta, 17. Segundo os combatentes invisíveis do trafico de drogas, numa conhecida boca de fumo do bairro, Vitor de Souza, vulgo Dentinho, vendia descaradamente a pedra bege fedorenta.

Ao avistar a barca dos homens da lei, Dentinho jogou um embrulho por cima de um muro, atravessou o quintal de uma velhinha e dobrou a serra do cajuru. Os policiais apreenderam o embrulho. Eram 20 pedras de crack. A viatura se afastou e os homens da lei fingiram que foram embora mas ficaram disfarçados nas sombras esperando a volta do traficante formiguinha. Dentinho mordeu a isca. Meia hora depois voltou para procurar a droga… E ouviu aquela famosa do Originais do Samba: “…Se ocê pensa que nóis fumo imbora… Nóis enganamo ocê. Nóis fumo, mais vortemo, ói nóis aqui traveis!!!”

Dentinho caiu na armadilha, com as 20 pedras prontas para comercio e outra maior na algibeira, mas não se deu por vencido:

– Eu não sou traficante, não! Eu sou viciado desde os 16 anos… Essa brita é para meu consumo. Eu queimo 20, 30 pedras por dia… As vezes fico três dias sem dormir!

Mas o delegado de plantão de Pouso Alegre não mordeu sua isca. Dentinho, 18 anos completados no dia 27 de fevereiro, com outras passagens por trafico e roubo, sentou ao piano, assinou o 33 e foi se hospedar no Hotel Menino da Porteira…

Chapa expulsa mulher da cama para transar com outra

Quando achamos que já vimos de tudo, sempre aparece uma mais nova…!!!

A senhora Bernadete Jesus, 52 anos, estava quieta no seu canto, mais precisamente na sua cama, no bairro Fernandes em Santa Rita do Sapucaí, vendo televisão, ao pé da noite desta quarta, 16, quando o amasio Lucio Antonio Fonseca, 39, chegou. E Lucio não chegou  só. Trouxe com ele uma vizinha, com a qual pretendia transar!!!

Além da morena não indentificada, o chapa trazia de braços dados, ‘Severina do Popote’… estava mamadinho mamadinho. Agarrou a amasia pelos colarinhos e exigiu que ela saísse da cama para que ele pudesse se deitar com a vizinha.

Expulsa de sua própria cama, Bernadete foi se queixar à sogra, que mora de parede-e-meia, a qual tentou chamar o filho na chincha. Ebersom Moraes, 31 também quis por fim à ‘pouca-vergonha’ do irmão e a confusão se fez. O forrobodó foi tamanho, que a mãe de Lucio desfaleceu. Na confusão a vizinha assanhada saiu pela tangente. Chamados por vizinhos, em poucos minutos chegaram os homens da lei para Lucio ‘descarado’ Antonio e a ambulância para sua mãe.

Na DP de P.A. o chapa chapado sentou-se ao piano e assinou um 21 da 3688 e foi agraciado com mil reais de fiança. … E jura de pés juntos que é inocente, que não fez nada, que é solteiro, apenas bebeu algumas e queria dar uma ‘miudinha’ com a vizinha… na cama de Bernadete!!!

Conceição dos Ouros….“Caim” tenta matar “Abel” com água quente

Embora seja materia policial e o titulo remonte ao Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, esta matéria poderia ser postada na categoria “Cachorros & Cachorradas”, pois, além do suco de gerereba que move os ímpetos bestiais entre irmãos, tudo começou por causa de um cachorro.

No principio da Humanidade Caim armou a emboscada e matou o irmão Abel por ciúmes dele com a irmã Avan, com quem se casou e multiplicou a humanidade em Nod, a leste do Éden. Na cidade abençoada por Nossa Senhora da Conceição, também conhecida como “capital mineira do polvilho”, “Caim” não chegou a tanto, mas pelou quase metade do “Abel” com água fervendo, por motivo quase tão fútil…

Os irmãos Ronaldo e Vicente Ferreira da Silva, moradores do bairro Chácara – o velho Aterrado de Pouso Alegre – em Conceição dos Ouros,  são figurinhas fáceis no álbum da policia, por constantes brigas em familia, sempre por motivos fúteis e banais. Treleu-não-deu descem para a delegacia de policia para assinar  um TCO.

Na ultima segunda, 14, duas e meia da tarde – o que dois marmanjos estão fazendo em casa, no meio da tarde de segunda feira, na terra do polvilho, em plena colheita da mandioca a R$0,16 o quilo??? –  Ronaldo estava fazendo café quando Vicente passou a chutar e xingar um cachorro no quintal. Irritado com a atitude do “Abel” Vicente e com os ‘cains’ chorosos do viralata, “Caim” Ronaldo atirou a agua fervente no irmão. Policia e ambulância do PS  foram chamadas e conduziram cada irmão brigão para um lado. Vicente, 34 anos, foi internado no hospital regional Samuel Libanio em Pouso Alegre com queimaduras, a principio, de segundo grau em 45% do corpo. “Caim” Ronaldo, 31 anos foi levado para a DP do municipio .

A delegada Romilda de Jesus Miranda informou ao “Blog do Airton Chips” que deixou de autuar o agressor Ronaldo em flagrante, por falta de um laudo medico que atestasse a gravidade das lesões.

– Inicialmente Ronaldo assinou um TCO e foi liberado, pois o crime de lesões corporais comporta pena de 3 meses a 1 ano de detenção. Portanto se enquadra na Lei 9.099. No entanto, tão logo tenhamos em mãos o laudo do medico legista, vamos analizar a gravidade das lesões. Se forem de natureza grave ou gravíssima, Ronaldo será intimado e indiciado em Inquérito Policial por lesões corporais graves, se sujeitando a um processo que poderá lhe custar até 12 anos de prisão – esclareceu a precavida delegada.

Não se sabe ainda até que ponto as queimaduras provocadas pelo café fervendo do Caim irão comprometer as atividades rotineiras, a aparência e a vida do Abel. Se ele tiver lesões graves, a pena de Ronaldo será de 1 a 5 anos. Se forem gravíssimas, o que é bem provável – deformidade permanente – a pena será de 2 a 8 anos. Se Abel vier a morrer em decorrência das queimaduras, Caim poderá arder no marmore do Hotel do Juquinha de 4  a 12 anos.

De qualquer maneira, nada se compara à dor que Vicente “Abel” está sentindo na pele… ou melhor, na falta dela! Tudo por causa de um cachorro….!!!!

Passos chega ao 12º homicidio no ano

Há exato um ano a bela Passos de 100 mil habitantes, banhada pelo Rio Grande, reunia suas autoridades publicas civis, políticas e eclesiásticas para discutir a matança que assombrava a cidade. Até o dia 15 de maio, quinze passenses de todas as ‘etnias’ sociais e profissionais já haviam batido à porta de São Pedro pedindo hospedagam eterna. Não adiantaram muito as discussões e medidas adotadas para conter a onda de crimes. No dia seguinte mais um jovem foi colher cacau pela raiz. Até o apagar das luzes de 2011, quarenta e seis cidadões, quase todos envolvidos com drogas, foram assassinados.

Dois mil e doze chegou. A policia militar diz que intensificou o policiamento preventivo nas áreas de maior incidência de violência. A prefeitura cancelou a realização do carnaval na cidade e o crime diminuiu em 3 o numero em relação ao mesmo periodo do ano passado.

O 12º homicídio na cidade foi anunciado ontem. O comerciante Lucas Vinicius de Meneses Oliveira, 21 anos, foi rendido no final da noite de sábado no bairro da Penha, no momento em que fechava sua lan-house e asfixiado com cabos de computador. Seu corpo foi encontrado às margens de uma estrada rural na tarde desta segunda. O autor do latrocidio, um meliante de 20 anos, já está atras das grades. O cemiterio de Passos, no entanto ficou um mês sem receber nenhum cliente de ‘morte matada’. O ultimo havia acontecido no dia 12 de abril, embora tentativas não tenham faltado.

A ultima aconteceu no meio da madrugada desta terça, 15. Um catador de sucatas de 42 anos foi baleado  no peito, no bairro Penha. Segundo os Bombeiros que o socorreram e a policia militar que registrou o B.O., o tiro tinha endereço certo, mas a azeitona quente desviou e se alojou entre as costelas.

O pretenso assassino, cuja batata ainda está assando, atirou de cima de uma motocicleta e dobrou a serra do cajuru …

Mula de Santa Rita também recebeu seu fardo

Semana passada publicamos a condenação completa dos integrantes da quadrilha da ex-Rainha do Trafico de Pouso Alegre, RegiMARA Cristina da Silva, presa pela policia civil no inicio de outubro de 2010. Dentre os 22 suditos da rainha está o mula Tiago Donizete Faria e de acordo com a caneta equilibrada do Juiz Carlos Cesar de Chechi, de Pouso Alegre, Tiago foi absolvido por falta de provas do seu envolvimento com a quadrilha da loira de olhar morteiro.

–  Mas ele não havia sido preso com meio de farinha do capeta? Sim, é verdade!!!

–   A famigerada droga não fora adquirida da quadrilha da Mara??? Sim, é verdade!!!

–  Mas então…?!?!

… Tiago era só mais um ‘mula’, que estava a serviço de um ‘cliente’ da Mara, morador e distribuirdor da droga em Santa Rita do Sapucaí. Aliás, distribuidor este que na investigação da quadrilha da Mara, não veio à tona … ainda.

No entanto, se Tiago não tinha envolvimento com a famigerada quadrilha, ele próprio praticou o trafico. Um passarinho verde contou aos detetives de Pouso Alegre que ele estava levando a droga para Santa Rita. Os pupilos da delegada Stella Reis foram esperá-lo no trevo no dia 03 de setembro de 2010 e o pegaram com meio quilo do ‘pó’ na garupa da moto. Só o pó para ele…

Pela tarefa de mula que lhe renderia 200 reais, Tiago Donizete recebeu 4 anos e 2 meses de cana. A sentença do homem da capa preta de Santa Rita saiu no ultimo dia 31 de janeiro. Atualmente ele vive de papo para o ar, por conta do contribuinte, no Hotel Recanto das Margaridas.

Jefinho de ‘Santana’… Assaltante de madrugada

Em doze anos e meio de feliz estada em Silvianópolis, fiz apenas dois inquéritos de homicidios. Um, cometido  em familia por “um punhado de dólares” de herança e outro cometido por um batateiro, contra um batateiro, ambos de Bom Repouso.

Crimes na centenária Santana de Francisco Lustosa, só de transito, ainda assim, batidas de carroças – eu costumava brincar com os amigos. Os meliantes que agiam na cidade não passavam de ‘gatos’ pingados… O mais notório, era um garoto espigadinho, com olhar e prosa cínica, que atendia pelo nome de Jeferson Jesus Castro de Moraes, o qual se achava mais esperto que os outros e brincava de fumar maconha. Eu seria capaz de jurar que quando ele crescesse, criaria juízo… Parece que jurei em falso…

Madrugada fria de domingo. O jovem  Bruno Jose da Silva, 22, voltava da balada pela Vicente Simões, quando um malaco se aproximou e foi logo distribuindo socos e pontapés. Em poucos minutos  o boêmio ficou sem lenço, sem documentos, sem a blusa e sem o tênis. No minuto seguinte Bruno viu o malaco virar tranquilamente a esquina da deserta Senador Eduardo Amaral e dobrar a serra do cajuru em direção ao velho Aterrado.

A PM alcançou o assaltante logo depois da ponte do velho Mandu. A prova do crime, o tênis novinho que Bruno havia comprado no dia anterior por R$85 reais estava em suas mãos.

O ratão de madrugada era Jeferson Jesus Castro de Moraes. Apesar de ser reconhecido pela vitima ainda com o lombo ardendo, Jefinho usou o argumento mais elementar…

– Este tênis? Acabei de comprar de um sujeito que conheço pelo nome de Ricardo, ali na esquina da Perimetral…. – E nem ficou vermelho.

Numa coisa minha previsão – e minha torcida – estava certa. Jefinho parou com a maconha. A erva marvada já não faz nem cócegas no seu cérebro. Agora se quiser atiçar a adrenalina, ele tem que queimar a ‘pedra bege fedorenta’. Por isso mesmo ele possui uma capivara ‘deste tamanho’, recheada de 155, 12, 33, 129, 147 e 157 como este que ‘aliviou’ o jovem Bruno.

Jefinho, o menino que vi crescer achando bonito fazer feiúra na minha saudosa Santana, que não tinha tempo para estudar, teve a promissora carreira de ‘chapa’ no CEMA interrompida. Ele assinou mais um 157 ‘paia’ e foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

Pupilos da Mara são condenados a 225 anos de cana

Semana passada o juiz Carlos de Chechi e Franco Pinto, sentenciou mais quatro zangões da Rainha Mara, presos pela Policia Civil no final de 2010. Kelvin Alves de Oliveira, Sandro Henrique Faria e Darius Rogério de França, ganharam 9 anos e 4 meses pois são primários. Já Wellington dos Santos, anteriormente condenado por roubo e aguardando julgamento pelos assassinatos dos irmãos Zinho e Fonfon, pegou 12 anos, 11 meses e 5 dias. A Rainha da Farinha do Capeta já havia sido sentenciada no ano passado, a hospedagem forçada de 34 anos, 7 meses e 6 dias no Hotel do Juquinha .

A maior organização criminosa até então em Pouso Alegre, foi desmantelada com uma só cajadada, no inicio do mês de outubro de 2010. Para colocar as mãos e tirar de cena os 23 membros da quadrilha da poderosa Regimara Cristina da Silva, a “Mara”, foram necessários, no entanto, cinco meses de incansáveis investigações. Comandados pelo operoso Gilsom Baldassari, Fabio Balca, Ricardo Teobaldo, Jose Antonio e Ozanam reuniram uma pilha de documentos e provas contra a “abelha rainha” e seus zangões.

A operação batizada de Preto & Branco, aludindo a maconha e cocaína, estava prevista para eclodir na segunda semana de outubro. O recebimento de uma valiosa carga de ‘farinha’ – onze quilos do famigerado pó branco – na sexta feira, 08, antecipou a operação. Uma mochila com onze embrulhos redondos semelhantes a queijos foi recebida pelo motoboy Flavio Jose Fernandes de Oliveira, o Fai, e entregue na residência de Regina Célia, Irma de Mara, no Foch II.

Para não deixar que a ‘farinha virasse pó’, Gilson Baldassari reuniu seus pupilos e deflagraram a operação. Além dos ‘queijos’ apreendidos em poder de Regina Célia, mais dois quilos de crack, cocaína e apetrechos do trafico foram encontrados com outros membros da quadrilha e ainda um revolver, duas pistolas, munições, cinco carros e três motocicletas.

Depois de cumprir vários anos de cadeia em Pouso Alegre, Santa Rita, Três Corações, Penitenciaria de Neves – onde foi dar a luz em 2006 – Mara, a loira de olhos morteiros, pele sedosa e língua ferina – ela tem muita historia apimentada para contar!!! – ganhou liberdade condicional e fingiu mudar de vida. Mudou apenas de casa e de bairro… Da mansão construída com erva, farinha e brita no Costa Rios, para uma casa mais simples no insuspeito Recanto dos Fernandes.

Ao mesmo tempo que parecia uma recatada senhora cuidado do seu rebento, num bairro acima de qualquer suspeita, Mara expandia seu império delegando funções. Tinha comparsas encarregados de buscar a droga e embalagens em São Paulo, um grupo para mocosar a droga, outro para distribuí-la, uma ‘laranja’ em cujo nome depositava o lucro do seu ‘comercio’ e até um grupo de pistoleiros para fazer cobranças e amedrontar nóias inadimplentes.

Valdemir Eustaquio Zordam guardava o arsenal, Andersom Magno Fernandes do Prado, “Tysinho” e “Gardenal” eram os pistoleiros que cobravam e intimidavam. “Pingo” e “Fai”, faziam a baldeação de moto e taxi. “Rafão”, “Joninha”, “João da Vita”, eram responsáveis por enterrar e guardar as drogas. As irmãs Regina Célia  e “Binha” eram o braço direito na distribuição. M. Ariana de Almeida mantinha uma conta bancaria para ocultar da justiça a renda do trafico. Havia ainda um casal de delinqüentes, de 15 anos, peças importantes na quadrilha para o papel de inimputáveis aviõezinhos…

O processo da rainha do trafico de Pouso Alegre é tão extenso e complexo – mais de três mil paginas – que o homem da capa preta precisou desmembrá-lo. Alguns dos zangões já foram condenados no ano passado. Na ocasião a rainha Mara também recebeu seus ‘dividendos’. Foi condenada por trafico, associação para o trafico, lavagem de dinheiro e posse de armas: 34 anos, 7 meses e seis dias.

Ah, RegiMara estava em liberdade condicional quando foi presa. Ela ainda deve parte dos 22 anos a que foi condenada anteriormente em três processos. Como quebrou a condicional perdeu o beneficio e deverá ‘cumprir de ponta’ a antiga pena.

Veja a condenação de cada ‘associado’ da Mara, dosada de acordo com sua importância na quadrilha e seus antecedentes criminais.

01 – Alex Carlos Sabino, Tyzinho – 14 anos, 11 meses e 20 dias

02 – Flavia Jane da Silva – Binha – 13 anos, 7 meses e 10 dias

03 – Wellington dos Santos, Lagartixa, 12 anos 11 meses 5 dias

04 – Valdemir Eustaquio Zordam – 12 anos

05 – Adriano “Gardenal”Pereira Barros Laraia – 11 anos e 8 meses

06 – Anderson Magno F. do Prado  – 10 anos, 10 meses e 20 dias,

07 – Natallie Ribeiro Zordam – 10 anos, 10 meses e 20 dias

08 – Wagner “Pingo” P. Plaza Jr – 10 anos, 10 meses e 20 dias

09 – Jose “Rafão” de M. Roque – 10 anos, 10 meses e 20 dias.

10 – Jonas D.“Joninha” Fernandes– 10 anos, 10 meses e 20 dias.

11 – João da Vita” B. H. Junior – 10 anos, 10 meses e 20 dias.

12 – Kelvim Alves de Oliveira – 9 anos e 4 meses

13 – Darius Rogério de França, Darinho, 9 anos 4 meses

14 – Sandro Henrique Faria, 9 anos 4 meses

15 – Regina Célia da Silva – 8 anos e 2 meses

16 – Carlos “Henrique Chapadão” de Almeida – 12 anos, 11 meses e 5 dias

17 – Tiago Donizete Faria – Absolvido por falta de provas nos autos

18 – Rodrigo Leonardo Inacio, “Churk” – 11 anos 1 mes

19 – Monica Simone Bueno – 12 anos, 11 mese e 5 dias

20 – Eliana “Jade” Maria Alves – 12 anos, 11 meses e 5 dias

21 – Marriete Ariana de Almeida – 3 anos de reclusão por lavagem de dinheiro

22 – Flavio Jose “Fai” Fernandes de Oliveira –3 anos, 10 meses e 20 dias

23 – Andreia Aparecida dos Santos Faria – 3 anos, 10 meses e 20 dias

      Somadas à pena  aplicada `a “poderosa chefona” loira do velho Aterrado, a quadrilha recebeu mais de 250 anos de cana.