Eleitores de Varginha escolhem Ex-morador de rua para representá-los na câmara

… E a votação foi recorde. 2.863 votos

 

Adilson Bboy Pé de Chumbo, do PR, foi o candidato mais votado na eleição do dia 07 de outubro, em Varginha. Ele, que já foi morador de rua e ultimamente morava de favor na casa de um colega de partido, trabalhava como panfleteiro no comercio.

Pé de Chumbo (PR) é o vereador mais votado de Varginha. (Foto: Lucas Soares / G1)foto – Lucas Soares GI

De origem humilde, Pé de Chumbo perdeu a mãe cedo e logo aos 7 anos foi obrigado a ir pra rua para trabalhar. O homem do povo, que nunca teve salário na vida, agora vai ganhar pouco mais de R$ 5 mil na Câmara de Varginha. Ele ainda não tem certeza do que vai fazer com o seu primeiro pagamento…

– Quero comprar roupas novas, mas também quero conhecer a praia. Quero comprar um terreno, quero ter onde morar.

Adilson Oliveira, 32 anos, o “Pé de Chumbo” é um personagem folclórico na cidade do ET. Ex-engraxate e ex-vendedor ambulante, ele se tornou conhecido do eleitor Varginhense por dançar hip.hop, – sua paixão – e como dançava com um sapato muito pesado – era o único que tinha – ganhou o apelido de “Pé de Chumbo”. Foi essa popularidade que lhe garantiu 2.863 votos nas urnas no ultimo dia 07.

Nesta segunda o novo vereador saiu todo garboso pela cidade, para agradecer aos eleitores os votos recebidos, posou de vedete e deu entrevistas;

Pé de Chumbo (PR) é cumprimentado por eleitores. (Foto: Lucas Soares / G1)foto Lucas Soares GI

– Quero cuidar do povo, da periferia que me elegeu. Quero fazer tudo pra eles, esporte, cultura. Estou muito feliz com tudo isso! – Disse com simplicidade o vereador recordista de votos.

E já tem cobrança;

– Agora a gente quer que você cuide do povo, Pé de Chumbo! Nós sempre cuidamos de você, agora é a sua vez de você cuidar da gente lá na Câmara – Disse uma das eleitoras.

Ainda não se sabe se a preferência do eleitor pelo homem simples e sem teto foi por opção, por pena ou uma maneira de protestar contra os políticos profissionais. O índio Juruna foi eleito deputado na década de 80. Depois do mandato, desapareceu do mapa.

Em 2000 o carroceiro Benedito Tobias, conhecido por “Pituca”, foi eleito vereador em Santa Rita do Sapucaí em 3º lugar com 467 votos. O atual prefeito Paulo Candido da Silva, naquela oportunidade se elegeu vereador com 179 votos. Como Pituca tinha apenas o ensino fundamental incompleto, apenas acompanhava os movimentos nas sessões da câmara. Votava de acordo com sabor do vento; se a maioria concordava, ele também concordava! Se a maioria vetava, ele também vetava.

Tentou a reeleição em 2004, ainda teve 275 e voltou para sua carroça! Em 2008 repetiu os mesmos 467 votos de 2000 mãs não foram suficientes. No ultimo domingo voltou às urnas e teve 351 votos. Se houver renuncia ou cassação, ele assume como suplente.

E o Pé de Chumbo? Será que vai emergir ou será que vai afundar na política…???

Cachorros & Cachorradas = O Lobo & o Carneiro… e os carrapatos!

Conheci o Carneiro ainda menino, de calças curtas e pés no chão, no final da rua Mons. Dutra, no bairro Primavera. Do meio de uma renka de irmãos e irmãs, o garotinho branquelinho, de sorriso fácil, deve ter ganho seu apelido por causa dos cabelos loiros cacheados, parecendo o fornecedor de lã… Apesar de nos conhecermos da rua e sermos ‘malungos’, nunca estreitamos relacionamento. Nos aproximamos em 1990, quando eu dirigia a LEPA e ele foi levado pelo Jose Maria Simões, para ser o ‘barateiro’ do ‘carteado’ na sede da liga.

Foi ali que conheci também o Lobo, companheiro inseparável do Carneiro…

Por mais que Carneiro desprezasse e tentasse se ver livre do fiel amigo, ele sempre seguia seus passos e na maioria das vezes, apenas o seu cheiro… E sempre estava à seu lado. Era baixo, forte, troncudo, pêlos grossos e compridos quase se arrastando pelo chão. Pêlos desarrumados e sujos… Acho que nunca viu um chuveiro ou mesmo uma mangueira no quintal. Banho!!! Só quando chovia.

Carneiro almoçava cedo em casa no Santo Antonio e descia a pé até os barzinhos em volta do Mercado Municipal. Podia-se contar nos dedos – da mão esquerda – os dias da vida de Carneiro em que ele não virou um copo de Suco de Gerereba… E o fiel Lobo descia a Getulio Vargas ou Otavio Meyer ao seu lado. Às vezes na frente, às vezes arfante, atrás… O dia que Carneiro estava atrasado para o trabalho e descia de onibus, Lobo vinha correndo no rastro. Minutos depois de sua chegada na Liga, Lobo chegava com a língua de fora. As vezes chegava antes do Carneiro. E se deitava como de habito na varanda da Liga na Mons. Jose Paulino.

Enquanto Carneiro cuidava do carteado, do meio dia até a madrugada, Lobo ficava na varanda do prédio. Dormia de roncar o dia inteiro… De noite fingia dormir, mas estava sempre atento. Se chegava um conhecido na liga, ele apenas abria os olhos sem mexer com a cabeça. Se fosse estranho, imediatamente Lobo se levantava, se empertigava e latia forte para avisar o dono e até impedir a passagem…

Certa tarde de muito calor, notei pequenas pintas marrons na parede bege da Liga. Coisa à toa, não dei importância. No dia seguinte pela manhã as pintas não estavam mais lá. Também não dei importância. Outro dia, por acaso voltei a perceber as mesmas pintas na parede. Passei a observar e vi que as pintas redondas e achatadas, do tamanho de uma tampa de canetas bic, outras maiores, estavam… se mexendo!!! Observei melhor… Eram carrapatos!!! Três, cinco, oito…? Não…!!! Eram 18, 20, 25 carrapatos da cor de chocolate, de variados tamanhos! Eles subiam lentamente pela parede bege propiciando uma bela combinação de tons de cores, até sumir próximo ao telhado… Aquela debandada de parasitas estava abandonando o Lobo. Nem os carrapatos suportaram a falta de higiene do velho, peludo e dócil Lobo!!!

Menos mal que estavam abandonando o corpo peludo do Lobo!  O problema era… Para onde iriam? Dentro do escritório, das salas de jogos, da cozinha nenhum carrapato foi visto. Mas, havia a questão do nojo, da falta de higiene! Era preciso dar um fim nos carrapatos… ou no seu hospedeiro!

Carneiro, era o típico bom carneiro, nunca berrava. Não sei por inteligência ou por natureza, era de falar pouco e escutar muito. Ele não era meu subordinado, mas nosso relacionamento era respeitoso e cordial. No entanto, sempre pareceu que ele tinha medo de mim, embora não tivesse motivo.

Quando pedi a ele para não trazer mais o Lobo – e seus carrapatos – para o trabalho ele não objetou. Mas a separação era praticamente impossível. Nos primeiros dias Lobo atrasou um pouco mais para chegar à Liga… precisou de alguns minutos para roer as cordas que o prendiam e as tabuas do portão, antes de descer calmamente a Otavio Meyer, parar no bar no da Maria, na esquina do mercado e seguir em frente, o cheiro do dono.

No outro dia Carneiro amarrou Lobo a uma corrente. Que problema!!! Ninguém dormiu na vizinhança enquanto Carneiro não chegou. Lobo latiu, chorou e uivou até ouvir a voz do dono… de madrugada!

A única maneira de livrar-se do Lobo era doá-lo a alguém. Mas ninguém queria um cachorro de meia idade, com porte de Beagle e pelagem de Pequinês, encardido, mesmo que não soubessem que ele era o maior taxista de carrapato da cidade! O jeito então era abandoná-lo longe de casa.

Na madrugada seguinte, depois de encerrar a sessão de carteado, Carneiro colocou Lobo no porta malas do carro de um amigo e ele o soltou na entrada do Pantâno. Naquela mesma madrugada, antes do galo cantar, Carneiro precisou se levantar ainda grogue, exalando seu característico cheiro de bagaço de cana, para abrir o portão… O amigo Lobo estava lá arranhando o portão, tentando entrar para proteger a casa do dono!

Carneiro ainda fez mais duas ou três tentativas de despachar Lobo, mas ele sempre voltava para casa… E com ele os carrapatos!  Até que;

– Carneiro, embale o Lobo para viagem. Amanha é dia de ir à Silvianopolis… Vou levar o Lobo e jogá-lo no Rio Cervo. Quero ver ele trazer os carrapatos para cá de novo…!!!

Se pensam que Carneiro se amofinou! Se enganaram carrapatamente!

A uma da tarde do dia seguinte Carneiro estava, como de habito, sorridente na porta da liga me esperando. Dentro do saco de estopa marron, imóvel, alheio ao seu  destino, podia-se ouvir a respiração ofegante de Lobo…

Parei o Escort prata sobre a ponte do Rio Cervo, na divisa dos municípios de Pouso Alegre com Espírito Santo do Dourado. Abri o porta-malas, desatei lentamente a cordinha que amarrava o saco de estopa… Lobo havia se ajeitado na traseira do carro. Estava sentado dentro do saco. A língua de fora… Não disse uma palavra, não fez um movimento. Apenas fitou-me seu par de olhos pidões! Afastei-me um metro da traseira do carro, apoiei as mãos no parapeito da ponte da estrada deserta e olhei para baixo. As águas sujas do pequenino Rio Cervo desciam rápidas lá embaixo, se desviando de pedras e de galhos podres de arvores, seguindo seu inexorável destino em direção ao mar… Nenhum animal sobreviveria àquelas pedras fincadas em pouco mais do que uma lamina de água suja. Esperei um minuto, que pareceu uma eternidade, ali encostado na ponte, torcendo para meu amigo Lobo pular do porta-malas, sair correndo até se enfurnar numa chácara qualquer da beira da estrada… Mas ele permaneceu imóvel dentro do saco. Seus olhos tristes pareciam querer dizer;

– Estou em suas mãos… Faça o que mandar seu coração!

Não esperei que ele repetisse… Mudo como ele, fechei a tampa do carro, entrei, dei partida e fui embora.

Quando o cabo Pinheiro passou ao longo do corredor da cadeia de Silvianopolis no inicio da tarde daquela terça feira, notou que as três celas sempre vazias, desta vez tinha um preso e perguntou;

– Qual o B.O. deste pobre diabo?

– Trafico ilícito de carrapatos…! Respondi

– Quanto tempo ele vai ficar aí?

– Até que alguém pague sua fiança e o leve para uma casa de tratamento e recuperação! Quer tentar?

No dia seguinte, quando Carneiro perguntou do Lobo, respondi curto, grosso e sério;

– Se a correnteza tiver andado bem, seu cãozinho carrapatento já deve estar chegando ao Rio Sapucaí, lá embaixo, nos Vitorinos…

Na quinta feira quando cheguei para trabalhar na Delegacia de Silvianópolis o baixinho cabo Pinheiro, de arrastado sotaque carioca, já estava no Destacamento, contiguo à delegacia e cadeia. Ao seu lado havia um cachorro cochilando. Era baixote, marrudo, imensos pêlos lisos escovados e tosados, cor de mel… Quando ele abriu os olhos preguiçosos para olhar-me de esgueio e mexeu levemente a ponta do longo rabo, lembrei do Lobo. Antes que pergunta chegasse à boca e ganhasse som a conclusão chegou ao cérebro… Vendo minha mudez sem olhar para mim, o cabo ‘carioca’ emendou com uma ponta de ironia e sarcasmo…

– Ele só precisava de banho, tosa e escova… Eu mesmo fiz!

A viagem de volta do Lobo foi bem mais confortável. Ele veio cochilando de rosquinha no tapete, na frente do banco do passageiro. Quando passamos sobre a ponte do Rio Cervo dei uma olhada discreta pela janela e outra para ele… Acho que vi seus olhos se abrir e fechar lentamente! Não sei se ele quis dizer:

– Viu o que você quase fez?

Ou se:

– E aí, valeu a pena?

Ou quem sabe…

– Obrigado por ter me dado uma segunda chance…

Difícil foi agüentar a boca aberta do carneiro nos dias seguintes. Ele, que já era risonho, não parava de sorrir!!! Embasbacou-se no momento em que viu Lobo, lindo, louro belo e faceiro cor de mel – e sem carrapatos – entrando na varanda da Liga.

Meses depois eu deixei a liga e perdi o contato com os dois amigos. Alguns anos mais tarde eu soube que a singela amizade havia chegado ao fim. Carneiro, na casa dos 30 anos, morreu precocemente, como era esperado. Seu fígado não suportou mais o banho diário de álcool. Cirrose hepática!!!

Lobo, que resistira ao ataque diário de dezenas de carrapatos e escapara do vôo cego no Rio Cervo, não resistiu ao inexorável passar dos anos. Já era bem maduro na época destes fatos. Pelo seu porte físico, deve ter vivido mais uns cinco anos, até os treze ou catorze anos…

Será que Lobo & Carneiro se encontraram no outro mundo?

Final da trégua em Passos… Mataram mais um!

Foi a trégua mais longa na guerra entre nóias e traficantes que vinham assolando a bela Passos desde janeiro do ano passado. Quarenta e dois dias sem assassinato. O ultimo ocorrera na Praça da Igrejinha da Penha, no dia 18 de julho p.p.

Foto: Passos News

Mas a bandeira branca foi desarvorada… Na madrugada de domingo 30, mais um passense bateu à porta de São Pedro pedindo hospedagem eterna. A bola da vez foi o cidadão Talmo Rosa de Paula. Para variar, mais uma vitima de homicídio envolvida com o crime. Tálmo cumpria pena na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, pela pratica de 147, 155 e 33. Ele estava de saidinha temporária e não retornara para a APAC quando foi assassinado pelas costas. Segundo sua mulher…

– A gente estava num barzinho até as quatro da manhã tomando cerveja. Aí ele pegou a bicicleta e foi comprar cigarro numa padaria aqui perto e não voltou mais…

Quando saiu para procurar o marido, ela o encontrou caído ao lado da bicicleta, na rua Ceará, no bairro Bela Vista.

Segundo a policia militar que registrou o fato às 05:40h da manhã, Talmo foi alvejado enquanto pedalava sua bicicleta, com 4 tiros nas costas, com arma de pequeno calibre.

Talmo Rosa de Paula, 28 anos, morador do bairro Casarão, é o 22º conterrâneo de Selton Melo a se mudar para a chácara do padre em 2012. No mesmo período do ano passado, foram 30 homicídios!

Praticamente na mesma hora em que o fugitivo da APAC morria no bairro Bela Vista, outro cidadão era baleado pelas costas no bairro Califórnia. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e não corre risco de – perder a – vida.

A guerra entre bandidos na bela Passos, continua…!    

A delinqüência juvenil e suas conseqüências

A jovem balconista A.F. de Godói, 19 anos, estava quieta no seu canto, no meio da tarde fria de quinta feira, em uma loja de malhas na aconchegante Monte Sião, quando de repente entraram dois malacos apressados e apavorados… Um deles sacou uma pistola, apontou tremendo para a garotinha e exigiu o dim-dim. Sem muito dialogo, mas querendo ver os pequenos assaltantes pelas costas o quanto antes, a jovenzinha levantou os braços, como quem diz; fiquem à vontade.

Mas eles não ficaram à vontade… Atrás da pistola preta, a dupla de delinqüentes juvenis era a síntese do “157 nervoso”… Estavam mais apavorados do que a balconista. Tinham tanta pressa de deixar o local, que levaram somente a bolsa da jovenzinha, sem saber o que havia dentro… Havia o celular e documentos pessoais de A.F.Godói.

Os homens da lei foram chamados e uma hora depois bateram na porta da casa do assaltante de meia tigela C.H.M.Rosa, 16 anos, morador da região central da cidade. Mais apavorado do que antes, o garotão vazou pelos fundos, pulou muros e quintais e acabou caindo os braços da lei. E. F.M. seu comparsa, também “dimenor”,  conseguiu dobrar a serra do cajuru… ou seria Serra do Morro Pelado?

Na residência do pequeno assaltante os policiais encontraram a pistola usada no assalto e a bolsa roubada da balconista. Ah, a pistola preta era de plástico, dessas que se compram em lojas de 1,99…

Acompanhado da mãe – que jura que é a primeira vez que o filho comete este tipo de crime – C.H.M.Rosa foi sentar-se ao piano do delegado Waldir Pelarico em Pouso Alegre.

Mas quem vai pagar por este crime?

Bem, vamos ao que vem depois…

O roubinho mixuruca aconteceu às 15:15h… O meliante foi preso, quero dizer “apreendido” – menor nunca é preso –  uma hora depois. Os policiais continuaram perseguindo seu comparsa por mais um tempo e quando terminaram de redigir o B.O., raspava seis da tarde. Estava encerrando o expediente local e o procedimento especial de menores teria  ser feito no plantão noturno regionalizado. E lá foi o assaltante pé-de-chinelo para Pouso Alegre, 90 quilômetros dali, com um cabo, um soldado, a mãe dele e a jovenzinha assaltada, todos na viatura policial. Chegaram à P.Alegre por volta de oito da noite, esperaram na fila para sentar ao piano. O procedimento terminou por volta de meia noite. Os policiais que deixaram sua cidade desguarnecida, a mãe do delinqüente e a jovem balconista chegaram em casa no inicio da madrugada… O delinqüente que usou arma para subjugar a vitima, embora de brinquedo, ficou preso, quero dizer, apreendido – “dimenor” não fica preso.

E não acabou aí! Para ratificar ou não apreensão do delinqüente, o promotor de justiça tem que entrevistá-lo tão logo seja comunicado de sua apreensão. Tem mais um problema, como a cadeia de Monte Sião está interditada, C.H.M.Rosa ficou preso, desculpe, apreendido no Hotel do Juquinha em Pouso Alegre, por isso ele terá que ser conduzido em viatura policial ou da Suapi por dois agentes até Monte Sião, local do crime, desculpe, do ‘ato infracional’ – “dimenor” não comete crime! Se o promotor constatar que ele é de fato primário e não cometeu nem meia dúzia de delitos ainda e perceber nele o “animus arrependidus”, poderá dar-lhe apenas um puxão de orelha – no sentido figurado, tocar nele, nem pensar! Caso contrario C.H. será levado de volta para o Hotel do Juquinha… Para estagiar no crime e aprimorar seu “modus assaltandis”.

Toda essa tramitação, esse trabalho , esse custo… Por causa do roubo de uma bolsa vazia, praticado com uma pistola de plástico!!!

Ah, o tempo todo eu chamei o pequeno assaltante de “delinqüente”… Posso ser processado e preso por isso!!! 

Perdoai Cristo, perdoai os políticos, … Eles não sabem o que fazem!

 

Fui conhecer outro dia, o Cristo Redentor… Duas horas de espera na estação, meia hora de subida íngreme para finalmente ter uma das mais belas vistas panorâmicas do mundo. Era um sábado ensolarado, uma da tarde, estava lotado. Aparecer sozinho na foto, impossível!

Estacionamento numa ruela no inicio da linha férrea por 30 reais – para um flanelinha que só vimos na chegada, é claro – 44 reais de passagem mais refrigerante e um salgado; 80 reais por pessoa. Tudo bem! Depois de uma dezena de viagens à Cidade Maravilhosa, agora posso dizer que conheço, ‘in loco’, uma das 7 Maravilhas Modernas do mundo. Valeu a pena!

Em meados do anos 90, não me lembro bem, saí numa manhã de domingo para visitar o Cristo que estava sendo construído na Serra do São João. Cá embaixo, na Rua Três Corações, vimos a imponente estatua, cheia de andaimes, escora, sendo construída. Estava quase pronta. Dois quilômetros adiante, já na estradinha, depois do segundo mata-burro, olhamos para a serra e… surpresa!!!  O Cristo não estava mais lá!!!

Aceleramos e chegamos ao cume da serra minutos depois. Lá estava o Cristo, todo esparramado no chão! Havia caído, antes mesmo de ser concluído. Ainda bem que não havíamos chegado lá.

Pouso tempo depois, ao assumir seu segundo mandato como prefeito, Jair Siqueira se propôs e construiu o Cristo do São João. Maior, mais imponente, mais seguro do que o caíra. Foi modelado pelo artista Ceará – ao contrario da media do seus conterrâneos, imenso, quase tão grande quanto a estatua. Depois da grande obra, morou vários anos em Pouso Alegre e jogou no time do João Gordo do Cascalho. Era goleiro dos bons, nos dois sentidos, tanto debaixo do arco quanto atrás de um copo. A ultima vez que joguei contra ele foi no Campo das Cabritas, em 2004. Entre uma defesa e outra, sorvia um generoso gole do suco de gerereba da garrafa ao pé da trave… – atualmente está construindo outro semelhante para um prefeito na sua terra natal. Mas esta é outra estória.

Em 2001 voltei ao pé do Cristo como policial. O proprietário do terreno de acesso à estatua havia proibido a entrada de estranhos em sua terras e conseqüentemente fechado o acesso ao grandioso monumento à fé cristã. Fui investigar os fatos.  Logo na entrada da fazenda fui barrado  por um funcionário em uma guarita com dois cães Rotweiller. Não sei que desfecho a pendenga teve na justiça, mas o Cristo, cujo aceso já era complicado, foi completamente abandonado.

Quase na mesma ocasião em que conheci o ‘cartão postal numero 1 do Brasil, fui visitar o Cristo “Redentor” da Serra do bairro São João. Fui matar a saudade e conferir os motivos do desabafo do Alexandre Araujo no jornal Folha de Pouso Alegre, meses atrás. Não que eu duvidasse das informações e razoes do fundador e diretor do Museu da cidade, mas eu já estava com saudade de ver a cidade lá de cima. É um local majestoso. Logo abaixo do morro se espalha a grande mata da prefeitura. Centenas de hectares de mata fechada, visitada apenas por meia dúzia de aventureiros – Outro dia o professor Célio e alguns amigos se aventuraram por lá e se perderam! – Às costas do Cristo, mais mata. Olhando ao longe avista-se os municípios de Congonhal, Silvianopolis, se vê a Fernão Dias, Santa Rita do Sapucaí, o município de Estiva, de Borda da Mata e todo o rico Vale do Rio Mandu descendo das Anhumas, Imbuia, Pantano, Cajuru até se misturar com as águas do Sapucaí Mirim, na Airton Sena. Ao pé da mata do Cristo se descortina a bela Pouso Alegre, cidade que vi crescer e se multiplicar. Éramos 39 mil quando cheguei. Hoje somos quase 140 mil pousoalegrenses!

Mas e o Cristo?

Oh , tristeza!!!

Está lá tal qual disse Alexandre Araujo… Completamente abandonado! Nunca mais viu sequer uma mão de tinta. Está triste calado, solitário, perscrutador no alto da serra… Embora zele, com seu olhar paterno e serio, por todos nós, ninguém se lembra dele. Ninguém fala Nele…

Secretaria de Turismo!?

Nem deve saber de sua existência!

Mas porque o Cristo de Pouso Alegre está abandonado?

Porquê o acesso à vista mais privilegiada e bela da região, mais bela do que Poços de caldas ou Caxambu, ou Serra Negra, ou Águas de Lindoia… é tratado com tanto descaso? O que nosso Cristo fez de errado???

Ele teve o azar de nascer filho político…!!!

Já se tornou comum no Brasil, obra política de um, ser desvalorizada, menosprezada, abandonada pelos políticos adversários. Ninguém adota o filho político de outro. Cada administrador quer ter o seu próprio filho e que se dane o filho do adversário, mesmo que ele seja útil ou necessário à população que pagou a sua gestação e nascimento. Cuidar e melhorar uma obra do adversário é admitir que ele fez uma coisa boa. Por isso, nem pensar!

Essa é a mentalidade vigente dos nossos políticos.

Quem construiu a imponente estatua, não concluiu o acesso e nem fez a infraestrutura necessária para receber os turistas! Terminado o mandato do “pai” do Cristo, sem ter concluído seu projeto, veio o pai adotivo que, de 2001 a 2004, se limitou a brigar com o dono das terras para manutenção da estrada como estava, mas não melhorou o acesso e não realizou as obras necessárias para receber os visitantes.

O próprio “pai” do Cristo voltou ao poder em 2005, num mandato tumultuado por cassação e talvez nem mesmo uma visita tenha feito ao “filho” ilustre no alto da serra!

O atual pai adotivo, embora tenha muita intimidade com Cristo, de quem se aproximou no seminário, nada fez pelo monumento ao Cristo do São João. Interveio na reativação do sino e na pintura da Catedral, mas não moveu uma palha pelo filho ‘adotado’ no ponto mais alto do municipio. Os badalos do sino da majestosa Catedral soam muito mais alto que o silencio da estatua no alto da serra. Na atual campanha eleitoral nenhum dos três candidatos a prefeito e nenhum dos 280 candidatos a vereador se lembrou do Cristo…

– Educação e saúde rendem muito mais votos…!

É verdade. A combalida educação e a esfarrapada saúde do município – e do país – embora tenham tido algum progresso, precisam de mais atenção.

Mas, quem sabe um pouco de lazer, um pouco de distração, um pouco de fé não fizessem bem ao espírito das pessoas!!! O orgulho que os cidadãos de Poços de Caldas, de Caxambu, de Serra Negra, de Águas de Lindóia, nossos vizinhos, sentem do seu Cristo redentor de braços abertos abençoando suas cidades com os turistas a seus pés, melhora sua auto-estima, sua saúde, sua educação, sua qualidade de vida…

E olha que nenhuma destas cidades possui uma serra e um Cristo tão majestoso quanto Pouso Alegre!!

Uma estradinha asfaltada, um bondinho ou um teleférico de pouco mais de 300 metros ligando o Parque Natural a seus pés, uma lanchonete ou restaurante, uma loja de souvenir à sua volta, funcionando ao menos nos finais de semana, é coisa de sonhador, não é Cristo?  Isso não dá voto, não é mesmo?

O Cristo da serra do São João, apenas 4 metros menor do que o seu ‘homônimo’ famoso na Cidade Maravilhosa, não tem e jamais terá tanto charme, magia e ‘dólares na túnica’. No entanto, a médio prazo, pagará o seu investimento e poderá se tornar referencia turística para Pouso Alegre e região.

Enquanto eu e o Alexandre sonhamos com o mais belo cartão postal de Pouso Alegre, cercado de turistas, de crianças, de jovens, de casais de namorados, admirando uma das mais belas paisagens do Sul de Minas… Enquanto sonhamos que um dia os políticos escolhidos pelo povo, vão governar para o povo e não para seu ego, Você, que cuida de todos nós, continua aí no alto da serra, abandonado, olhando triste p’ra nós… Que também nada fazemos!

Apesar dos políticos, não nos abandone, Cristo. Perdoe-os… Eles não sabem o que fazem!

Fim da viagem para ‘guincheiro rodado’

O cidadão Jonatas de Matos Costa, 28 anos é mais ‘rodado’ que pratinho de micro-ondas, especialmente no Vale do Rio Doce. Teófilo Otoni, Nanuque, Governador Valadares é seu quintal de casa.  Na verdade ele vive literalmente na estrada… atualmente no Sul de Minas, rebocando carros sinistrados. ‘Oficialmente’ Jonatas possui em sua capivara, um 157 e um 304.

Ele deixou o ‘velho hotel’ da Princesinha do Vale do Rio Doce em julho do ano passado e resolveu mudar de vida… Começou mudando de nome! Até ontem Jonatas se chamava “Thiago Nascimento Barros”…

No final da tarde desta quarta, aconteceu um acidente corriqueiro, de transito na MG 290, perto de Ouro Fino. Quando o caminhão guincho chegou para rebocar os carros batidos, os patrulheiros resolveram checar também os documentos do motorista do guincho. Mera formalidade de rotina… Que ironia! A CNH apresentada pelo motorista do caminhão-tratror tinha uma cara pálida, embaçada… papelzinho mixuruca, descorado, seco… sem marca d’agua. Consultando o “sistema” constataram… A CNH com nome de Thiago Nascimento Barros tinha outra foto, bem diferente!!!

“Derrubado”, Jonatas abriu o livro. Abriu parcialmente na verdade. Disse que havia ‘ganhado de presente’ a carteira fria, com nome de outro, de um amigo em Governador Valadares.

Depois de assinar o 304 na DP de Pouso Alegre, Jonatas, o ‘rodado’, estacionou pelos próximos 4 anos… no Hotel do Juquinha!

Da Galeria Pagé para Pouso Alegre…

A princesinha do vale do Rio Doce, ao pé do Pico do Ibituruna. É para lá que iriam os celulares ‘made in Paraguai’…

 

       Ao pé da noite desta segunda, a Policia Rodoviária Federal fez uma bela apreensão de aparelhos celular na rodovia Fernão Dias. A apreensão se deu no Posto de Fiscalização do bairro Cruz Alta, durante abordagem de rotina a uma caminhonete Mitsubishi L-200 Triton, placas de Governador Valadares. O piloto Leandro Ferreira Borges, 31, trazia além dele e de dois comerciantes conterrâneos,  191 aparelhinhos ultra modernos, “made in Paraguai”, naturalmente sem nota fiscal.

O comerciante, estabelecido na bela cidade do leste mineiro, que mais exporta brasileiro para o Estados Unidos, admitiu que comprou a mercadoria no Shopping Oriental e na Galeria Pagé, na 25 de Março, em São Paulo, para distribuir para a mineirada… sem pagar impostos!

O delito está previsto no artigo 334 do Código Penal Brasileiro – contrabando – cuja pena varia de 1 a 4 anos de detenção e comporta fiança. Leandro e os amigos seguiram viagem, mas deixou para os cofres do Estado R$ 1,5 mil reais de fiança além dos 191 aparelhinhos ‘na caixa’…

O molho saiu mais caro que o peixe!

Presos por vender farinha na padaria…

Uma ligação anônima no inicio da madrugada de sábado, levou a policia militar a uma padaria da Rua Nova no velho Aterrado. Segundo o informante, três rapazes estavam no local distribuindo farinha…

Espere aí, farinha? Na padaria…??? O que a policia tem com isso???

É que a padaria estava fechada, era uma da manhã e a ‘farinha’ era muita cara… Custava ‘dé real’, o grama!!!

A droga estava enrustida num buraco da parede ao lado. Andre da Cunha Matos – é de outra arvore !!! – 19 anos, David Michael Ramos, 21 e o “dimenor” G.S.R. 17, estavam sentados na escada da padaria a espera dos clientes mas juraram de pés juntos que nem conhecem drogas…

Mas não teve choro nem vela e nem fita amarela… Desceram todos no taxi do contribuinte, sentaram ao piano assinaram o 33 e foram se hospedar no Hotel do Juquinha.

 

 

 

Burro e cavalo causam morte no Balaio

 

O acidente aconteceu às oito da noite deste domingo, na estrada rural do bairro do Balaio, em Santa Rita do Sapucaí.

 

Luiz Giovani da Silva, 24 voltava para a cidade pilotando sua motoca Titan 125 cinza, trazendo na garupa seu amigo Jose Ailton Ramos, 46, ambos sem capacete, quando de repente um burrinho e um cavalo surgiram com as luzes apagadas na contramão … O choque foi inevitável e os três foram ao chão.

 

O piloto Luiz Giovani sofreu apenas escoriações na mão. Já o garupeiro Jose Ailton morreu no local. Os quadrúpedes causadores do sinistro, não sofreram lesões aparentes.

 

Como o dono dos animais soltos na via – diga-se de passagem, via de intenso movimento especialmente à noite quando os sitiantes estão voltando para casa – não apareceu para socorrê-los, eles foram recolhidos no pasto da Fazenda Bruzamolin. Mas o dono dos bichos deverá responder por homicídio culposo…

 

O cativeiro do prefeito… Seqüestrador volta ao local do crime

Um dos meliantes que assaltou e seqüestrou o prefeito de Congonhal, Rubens Vilela do Santos Junior, no ultimo domingo, voltou ao local do crime na segunda pela manhã, para mostrar o “cativeiro”.

Thiago Raimundo da Silva reafirmou que o espancamento se deu na tentativa de “arrancar” do prefeito seu cartão bancário, para fazer saques. No local onde o candidato à reeleição foi espancado amarrado a um pé de marolo, no loteamento São Fernando, a cerca de duzentos metros da rodovia JK, donde se vê o trevo da rodovia Fernão Dias, os detetives encontraram uma das armas usadas pelos assaltantes… uma pistola de plástico.

O delegado Bruno Lopes responsável pelas investigações, pediu à justiça a quebra de sigilo telefônico dos assaltantes, para saber o que e com quem eles falaram durante o desenrolar do seqüestro relâmpago.

Até o momento não há, segundo o atento delegado, nenhum indicio que ligue os assaltantes pés-de-chinelos a possíveis cúmplices nos crimes de roubo, seqüestro e espancamento.