Heliodora… Tentou estrangular o filho e a esposa e foi dormir

O cidadão Marcos Francisco Pereira, 29 anos, é um bom moço. Mas é daqueles cujo cérebro sofre transformação quando recebe a ‘visita’ do famigerado suco de gerereba. Enfim, não pode beber… fica possesso… capaz de matar até a prole.

Quando ainda morava em Boituva-SP, após amarrar-se num pé de cana, perdeu as estribeiras e desceu o borralho na esposa Vanusa Ferreira de Oliveira, 33. Não bateu mais porque o filho A. de 11 anos socorreu a mãe à custa de uns ‘esbarros’ no valentão. Por causa destes ‘esbarros’ o valentão tomou ódio do filho e agora, toda vez que abraça a Kátia…ça, quer matar o infante.

Ao pé da noite de domingo chegou em casa mamado e ao avistar o filho imberbe, o ódio reacendeu. Pegou o menino pelo pescoço e disse que ia matá-lo estrangulado. Familiares evitaram o ‘filhocidio’ e chamaram a policia. Apesar da situação completamente confusa e do clima tenso, depois de muita lenga-lenga, permitiram que ele fosse dormir.

Marcos agarrou-se à Morfeu e dormiu alguns minutos, mas deve ter sonhado que estava sendo cutucado com um tridente pelo chifrudo ou se afogando no limbo do umbral, pois acordou colérico, procurando pelo filho ameaçando matá-lo. Aconselhado por um parente o garoto já estava la na esquina, longe das garras e da furia do pai. Quando a esposa Vanuza tentou acalmar o marido para que não fosse atrás do menino, sua cólera e sanha assassina se voltaram contra ela. Pegou-a pelo pescoço e mais uma vez tentou matá-la estrangulada. Os homens da lei foram chamados e desta vez conduziram o valentão para a DP de Pouso Alegre. Ao sentar-se ao piano Marcos Francisco disse apenas:

– Eu tomei uns goles… Não me lembro de nada…

Talvez não se lembre mesmo. Porém, metade da população da pacata Heliodora – que ultimamente não anda mais tão pacata assim – se lembra muito bem do barraco que ele armou na rua Cônego Rolim. E para que ele não se esqueça do que fez, o compenetrado delegado Daniel Leme Amaral mandou-o refrescar a memória… no Hotel do Juquinha.

Tiziu… O meliante solitário e os mulas de presídio

A rua Monte Sião, no Bairro São João, assemelha-se a uma haste de garfo. Partindo da rua Caldas, começa logo atrás do antigo Sanatório e vai fazendo uma curva até morrer numa rua que sobe defronte a P.R.E. No tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, no entanto, ela morria num capão de mato e pasto numa grota acima da garagem da Gardênia. Eram poucas e simples as casinhas cercadas de taquaras na ruela esburacada. Lá no final, separada das demais por alguns lotes vagos, pendurada num barranco, cercada de bananeiras, limoeiros e abacateiros ficava a choupana rudimentar do Tiziu. Morava com os pais, Dito Preto, um negro alto, soturno, quase curvado, de andar cabisbaixo e assustador pois só de perto se percebia que ele estava olhando pra gente e dona Elza, também negra obesa e alegre que a qualquer coisa respondia: “graças a Deus, né ‘fio’…”.
Apesar do porte avantajado dos pais, Tiziu era miúdo, franzino, Tigüera. Eu ainda era um entregador de gás da loja do Zézinho Gouveia, não havia sequer entrado numa delegacia de policia, mas já ouvia algumas estripulias do Tiziu. Trombava freqüentemente com ele ali pela Remonta ou Jardim Amazonas. Eu na bicicleta da loja, ele sempre a pé. Nunca nos falamos, até porque o negrinho mirrado sempre fora de pouca prosa. Nossos diálogos, sempre curtíssimos aconteceram a partir dos anos 80 na delegacia de policia ou nas quebradas da noite quando conseguíamos pegá-lo com a mão na massa ou se preparando para dar o bote. Tiziu era tão discreto que era possível passar por ele na rua encostado a um poste ou uma arvore e não vê-lo. Mas ele, como um perfeito somongó, estava sempre atento à sua volta. Percebia a aproximação da policia de longe e com um bonezinho com a aba rente aos olhos se misturava aos transeuntes, às charretes, bicicletas, às arvores aos postes e passava batido. Tem muito meliante que quando está ‘limpo’ faz questão de aparecer, cumprimenta a policia, acena, se abre igual pára-quedas. O Piabinha de Santa Rita, os Coelhos Ly e Ley do Aterrado são assim. Aguinaldinho e Manoelzinho também eram… Tiziu, mesmo que não tivesse culpa no cartório, ao cruzar com a policia lançava um olhar languido e misterioso de esgueio sob o boné, donde se dava para ver o branco dos seus olhos, mas não abria a boca.
O pretinho mirrado que deve ter ganhado o apelido de “tiziu” devido sua semelhança com o diminuto e barulhento passarinho preto, parecia no comportamento muito mais o astuto e arredio “somongó”. Andava de vez em quando com o vizinho Luiz Macaco, da Travessa Juiz de Fora – este eu nunca soube que fim levou – mas praticava seus pequenos furtos e queimava a erva maldita sempre sozinho.
Tiziu foi bandido num tempo em que era difícil ser bandido e fácil ‘pagar’ cadeia. Na sua adolescência e juventude o termo “marginal” caia como uma luva nos meliantes que como ele optaram por andar na contra-mão da lei. Eram todos conhecidos da policia e discriminados pela sociedade. Furtos de quintal, furtos de residência, furtos de lojas, furtos diurnos ou noturnos … cada um tinha sua marca registrada. Ainda que não houvesse testemunha ocular do crime, era relativamente fácil chegar ao meliante através do ‘modus operandi’, da pratica delituosa. Como antes da Constituição de 88 podia-se prender para ‘averiguação’ bastava então arrancar a confissão do sujeito e trancafiá-lo no xadrez. Aí vinha a parte mais fácil da vida de bandido… O condenado não tinha vinculo com os demais companheiros de ‘caminhada’. Bastava esperar pacientemente atrás das grades o tempo passar ou, no caso dos mais apressados, fazer um ‘tatu’ no chão ou no teto ou serrar dois ou três palitos da grade, dobrar a serra do cajuru e voltar para a rua, para fazer o quem bem entendesse da vida, sem ter que dar satisfação a ninguém.
Com a avassaladora expansão das drogas nas duas ultimas décadas e o surgimento da “globalização” a vida de preso mudou da água para o vinho. Hoje quase não existem mais meliantes solitários com o perfil do Tiziu. Eles estão de uma maneira ou outra interligados pelas drogas e pelos ‘compromissos’ da lei do cárcere. Constrangimento de dormir na praia, lavar o boi, dividir o ‘marroco’ e ou ‘bandeco’ é o menor dos delitos. Da exploração sexual e da extorsão ninguém escapa. Só para ilustrar: da ultima vez que o estelionatário e traficante Vicentinho se hospedou no Velho Hotel da Silvestre Ferraz, há seis anos, dona T. sua mãe, era a primeira a chegar para a visita toda quarta feira. Vinha de taxi. Trazia com ela quatro fardos de mantimentos; arroz, feijão, farinha para bolo, cigarro, chocolate, biscoito – dava um trabalhão revistar aquilo tudo – enfim tudo que uma boa despensa não dispensa, suficiente para abastecer uma grande ‘familia’ durante uma semana… E Vicentinho tinha até um pajem particular para empurrar sua cadeira de rodas nos banhos de sol…
Hoje ninguém sai da cadeia sem pagar pedágio. Quem sai de albergue, quem vai fugir ou trabalhar nas obras de ressocializaçao fora da cela ou do prédio é obrigado a levar celular, drogas e ‘kits fuga’ para dentro da cadeia. Estuprador já não morre mais nos presídios… são muito mais úteis vivos, para satisfação da libidinagem e extorsão. Os casos recentes da dupla “Bruno & Osmar”, que estava trabalhando no interior do 20BPM e tentou levar 400 gramas de drogas para o Hotel do Juquinha, na viatura policial; a do Anderson Ratão, que engoliu a droga na fábrica de blocos e passou dois dias à base de purgante para expelir a erva e da egressa Michele, que pagou com a vida a ousadia de colocar cocaína na vagina para levar para o presídio, são exemplos de meliantes que são obrigados pela “lei do cárcere’ a servir de ‘mula’ … ou amanhecer pendurado na ventana, em forma de ‘cotonete’…
Em “As aventuras e desventuras de Cirilo Bola Sete – Meninos que vi crescer”, publicado no ano passado, Cirilo, que passou quase trinta anos na prisão entre uma fuga e outra, um dos poucos que viveram esta transição e conseguiu sobreviver, conta com amargura como é difícil sair do cruel sistema criado pelos próprios presos nos últimos anos.
O arredio e misterioso Tiziu que jamais deu um sorriso, nem amarelo, foi contemporâneo de caminhada de Cirilo, mas não teve o mesmo jogo de cintura, a mesma sorte… Acostumado à caminhada solitária ele se rebelou contra o sistema que batia às portas do Velho Hotel da Silvestre Ferraz nos primeiros anos da década de 90. Aos 34 anos, naquele inicio de década, amanheceu tão duro quanto fora sua vida de marginal, pendurado numa grade da janela. Não viveu para ver a mãe matar o pai com golpes de machado e se hospedar também no velho Hotel da Silvestre Ferraz e nem viu o irmão Bruno, aos 14 anos, matar um amiguinho de 13 numa brincadeira de ‘Roleta Russa’, num matinho no final da Rua Monte Sião, em 2002.
Tiziu era dos bons tempos em que era fácil ‘pagar’ cadeia. Ele não se adaptou aos novos – e cruéis – tempos… Pagou com a vida!

Gaúcha cai com evidencias do trafico

A jovem foi presa ao cair da tarde de ontem, no Jardim Olímpico, no momento em que negociava uma ‘paradinha’ com um suposto cliente de Borda da Mata.
Amigos ocultos da lei levaram uma dupla de policiais à residência de Vanessa de Moura ontem à tarde. Segundo o informante anônimo – esse valoroso colaborador da lei – a traficante costuma distribuir Maconha, Crack e Cocaína em sua própria casa, na larga e extensa avenida Prefeito Olavo Gomes de Oliveira, na altura do Bairro Jardim Olímpico. Os policiais foram para as imediações e ficaram na ‘filmagem’. Quando bordiano se aproximou, provavelmente para adquirir uma baranguinha – ou quem sabe mais – eles deram o bote. A negociação estava ainda no começo, a droga nem havia aparecido e por isso Gaucha não se importou em franquear sua casa aos homens da lei. Lá foram encontradas 34 cápsulas para acondicionamento de ‘farinha’, resquícios de ‘brita’, um estojo com restos de ‘erva’, fita adesiva e R$ 614 reais em dinheiro de boteco – mas ali não é boteco – indícios suficientes para enquadrar a moradora do muquifo no artigo 33 da Lei 11.343 – A antiga Lei 6368 era mais charmosa.
Gaucha, ao contrario de toda gaucha que costuma ser falante e arrastar o facão no chão, disse apenas;
– Bah, tchê, só vou falar na justiça…
Mesmo muda ela assinou o 33 e foi se hospedar no Hotel do Juquinha.
Ah, o jovem Carlos Cícero da Silva, conterrâneo do “Chiquinho da Borda”, o qual acompanhou a busca na casa da ‘prenda’, disse que estava apenas conversando com ela na porta de sua casa, pedindo informações sobre uns parentes que moram por ali!!! E não ficou vermelho…

Passos… Recomeçou a onda de assassinatos.

Depois da avalanche de homicídios que caiu sobre a bela Passos no extremo norte do sul de Minas no ano passado, os pistoleiros deram uma trégua. Até esta semana apenas dois passenses haviam batido à porta de São Pedro pedindo hospedagem eterna.
Embora os assassinatos tenham ficado dentro dos limites estatísticos aceitáveis, a delinqüência juvenil na cidade não amainou. Furtos – especialmente de carros e motos – roubos e ‘aviõezinhos’ de drogas tem mantido a estatística  no alto do gráfico neste inicio de ano. E para não perder o habito… mais um homicidiozinho foi cometido na quinta à noite.
Nada de novo no modus operandi, no histórico da vitima e nem no perfil do autor. A bola da vez foi o cidadão Ivanildo Amâncio, de 25 anos, figurinha fácil no album da policia passense por trafico de drogas. Ele recebeu três tiros de grosso calibre em pleno rosto, perto de sua casa no bairro Santo Antonio. Segundo levantamentos da policia militar no macambúzio local, o autor teria sido um “dimenor”, que ainda não sentou ao piano da policia civil. Mas, é claro… a batata está assando pra ele.
Será que neste ano bi-sexto Passos baterá novo recorde em assassinatos???

Congonhal: PM derruba membro do PCC com drogas na pousada

A bucólica e aconchegante ‘Pousada Carolina’, ao pé da serra de São Domingos em Congonhal recebeu um reforçada equipe da policia militar ontem ao pé da noite. Mas os policiais não foram descansar da Operação Carnaval, não senhor. Pelo contrario, atendendo denuncia de amigos ocultos da lei, foram completar a Operação Carnaval Sem Drogas.
O anfitrião dos homens da lei foi o ‘doutor’ Adilson Teixeira, de 26 anos, que diz ter curso superior completo. Ele tem um belo currículo. Nascido em Guarulhos-SP, morando no alto da serra em Senador Amaral, Adilson já caiu por furto, roubo a mão armada crimes de transito e estava vazado do velho hotel de Cambuí desde o dia 11 de fevereiro. Além de ser fujão, Adilson, conhecido na Pousada por “Lausane” mantinha com ele no quarto da pousada – esta não foi a primeira vez que um traficante caiu ali –  62 gramas de farinha do capeta e 135 gramas de erva marvada.
Apesar de todas as evidencias, Lausane esperneou e tentou arrancar as grades da viatura e da cela na DP com os pés e com a cabeça, até parecer desmaiar. Acabou no pronto socorro do Regional, mas era tudo ‘chilique’. A simulação de desmaio, segundo a policia militar, foi uma tentativa de relaxar a vigilância, para facilitar um possível resgate por membros do PCC paulista ao qual, suspeita-se que ele pertença. Não teve chance. Com pulseiras de prata nos braços e nas canelas, peiado como um garrote bravo, Adilson “Lausane” Teixeira sentou-se ao piano, assinou um 33 e foi se hospedar desta vez no Hotel – cinco estrelas – do Juquinha.

Vizinho estupra garotinha de 8 anos em Monte Verde

          Ao chegar em casa no bairro Bela Vista, Distrito de Monte Verde, ao pé da noite de terça, a domestica M. encontrou  a filhinha T.S.S. tomando banho. Nada de novo, exceto pelo fato de que a água que escorria do seu débil corpinho era vermelha. Olhando melhor ela constatou que a calcinha que a menina de 8 anos havia jogado num canto do banheiro estava manchada de sangue. M. quis saber o que acontecera e a menina então contou que havia sido estuprada pelo vizinho Sumario Cristiano da Silva. Segundo a garotinha, ela fora à casa do vizinho pedir ajuda para encher o pneu de sua bicicleta. Ele então a levou para o quarto, tirou sua  roupa e abusou do seu corpinho.

          Antes de fritar o pedófilo tarado no 213, o delegado Gilson Baldassari encaminhou a garotinha ao IML. O sempre competente medico legista Vitor Romeiro, constatou a veracidade do coito vaginal e das lesões alegadas.
Após enquadrar o pervertido nas iras do código penal, o atento delegado Gilson recomendou ao delegado de Camanducaia que continue a investigar o caso, pois Sumario Cristiano da Silva, 26 anos,  pode ter abusado também do casal de enteados de nove e dez anos que vive com ele.
O pedófilo de Monte Verde está morando no velho Hotel de Camanducaia.

        O B.O. foi atendido no local dos fatos pelo policial militar, cabo Domingos Vitor Rafael.

Atualizada em 15 de julho de 2013 às 18:20h.

Post atualizado às 12:21h do dia 24 de setembro de 2013.

Morfeu e barranco complicam vida do viajante

Apesar de saber que a combinação de  álcool e volante pode dar cana, pouca gente se deixa intimidar. Juliano Gonçalves do Prado, 30 anos, morador de Mogi Guaçu que o diga. Ele estava em Borda da Mata e tinha que voltar para casa, mas não ligou para o sábio conselho. Se amarrou no pé-de-cana, entrou no carro e pegou a estrada. Perto de Jacutinga o sono bateu, a estrada ficou reta e o carro foi se espatifar no barranco. Mas Juliano teve sorte… Além do susto, apenas alguns arranhões.
Quando os patrulheiros chegaram para socorrê-lo e registrar o B.O. ele se dispôs a soprar o bafômetro. Como era de se esperar, 9.08 dlg de suco de gerereba no sangue. E Juliano refez o caminho de volta, passou por Ouro Fino, inconfidentes, Borda e veio parar no piano da delegada de plantão de Pouso Alegre. Sem os 1.240 reais para pagar a fiança… Deu cana!!!

Estupro mal contado em Borda da Mata

A garotinha J.S.Silveira, 17 anos, procurou a policia militar no final da tarde de ontem, 23, alegando ter sido estuprada pelo cidadão Orlei Costa dos Santos. Em prantos a adolescente contou que estava na casa de amigos no bairro Buracão, quando o rapaz a levou para o quarto e disse:
– Quando eu estava preso seu namorado ficou com minha mulher… agora eu vou ficar com você. E a possuiu contra sua vontade.
Os policiais saíram em rastreamento e meia hora depois localizaram o suposto tarado nas imediações e lhe ofereceram as pulseiras de prata e o taxi do contribuinte.
Ao sentar-se ao piano do delegado de plantão em Pouso Alegre, Orlei jurou de pés juntos que era inocente. Contou que ele, a garotinha e um casal de amigos estavam na quadra do referido bairro quando resolveram ir para a casa deles ali perto e passaram a degustar um garrafa de vinho. No embalo de ‘Baco’ foram para o quarto e… se entregaram ao bem-bom. Logo depois do ato sexual consentido, passaram a discutir a relação, aí sim se desentenderam, discutiram e a garotinha saiu chorando e foi chamar a policia.
A versão do acusado de estupro foi confirmada pelo casal que a – quase – tudo presenciou. Segundo J.P. e J., o doce ‘afair’ entre Orlei e a adolescente começou na quadra, com um beijo compartilhado e somente ‘azedou’ porque o namorado dela que está preso é uma ‘pedra’ no caminho deles.
Diante de tal conjuntura, a sensata delegada de plantão, Lucila Vasconcelos, embora defensora das mulheres indefesas, deixou de ratificar o flagrante e voltaram todos para a terra do pijama.
… E a garotinha que arrume outra historia para contar ao namorado quando ele sair da prisão.

Detetive Sidraque é assassinado em Monte Sião – 22 de fevereiro

Olá meus estimados leitores.

     Já estava com saudades de vocês. Espero que tenham se divertido ou descansado muito no carnaval. O meu foi um pouco corrido. No sábado Festa da Uva em Vinhedo, domingo churrasco em família, segunda anfitrionando familiares e à noite o falecimento de uma pessoa querida me levou para o Rio de Janeiro. No final da quarta quando abri o computador recebi um convite irrecusável dos meus filhos para ver o São Paulo fazer um papelão diante do Bragantino… Só agora pude finalmente trazer alguma coisa de novo para vocês. Comecemos com o singelo tributo ao companheiro Sidraque…   

Em 1996 o capixaba Sidraque Correia da Rocha, 36 anos, veio para Minas em busca de sonhos e ingressou na policia civil. Alguns de seus colegas ouviram-no perguntar ainda na Acadepol;
– O que eu estou fazendo aqui? Por que será que entrei para a policia?
E ele mesmo responder…
– Acho que é por causa do meu senso de justiça, de heroísmo…
Esta conjectura introspectiva do jovem policial mostrou em pouco tempo a muita gente quem era Sidraque. Ele foi designado inicialmente para trabalhar em Pouso Alegre. Daqui seguiu para Extrema, de lá voltou para perto da família em Teófilo Otoni e, a pedido, voltou para o Sul de Minas… Para São Gonçalo do Sapucai, depois Careaçu, Silvianópolis e novamente Pouso Alegre.
Apesar de ter trabalhado em poucas cidades em 7 anos, ele se tornou conhecido e lembrado em todo o Estado, através do curso de formação policial que fez com outros 400 detetives de todos os rincões das Minas Gerais, na academia de policia civil. Conhecido justamente por este jeito às vezes introspectivo, outras expansivo, outras espeloteado sem dizer coisa com coisa, mas sempre com autenticidade, generosidade e bom humor.
Contam alguns colegas que, numa de suas tiradas, uma senhora chegou à recepção da delegacia de policia e disse que havia sido roubada, tendo o meliante levado todo seu dinheiro e seus documentos. Sidraque, olhando muito atentamente para ela exclamou;
– Nossa!!! E agora. O que a senhora vai fazer???
No segundo seguinte ele se deu conta de que ela estava ali em busca de respostas e atitudes e não de perguntas e tratou de registrar o B.O. para ela.
O policial de origem libanesa era na verdade um grande artista. Era musico, poliglota – falava razoavelmente sete idiomas – e nas horas de folga trabalhava de pintor de parede, cabeleireiro, dedetizador e dava aulas de grego, aramaico e latim.  Quando chegou a Pouso Alegre em l996, pintou todo prédio da delegacia regional… e não recebeu um centavo por isso!!

O domingo de carnaval, 22 de fevereiro de 2004, amanheceu chovendo em toda região. Durante uma pequena aragem por volta de dez da manha, Sidraque encontrou casualmente com seu destino. Ele voltava da feira trazendo frutas e verduras para a esposa e o casal de filhos imberbes que amava com fervor, quando surgiu à sua frente um cidadão que fora vitima de furto no dia anterior, informando que o suspeito estava num boteco ali perto e pediu providencias.
O policial que estava sempre à disposição de quem quer que o procurasse, se propôs abordar o suspeito sozinho, pois além de não dispor de tempo para buscar reforço, ele era o único investigador da cidade. O mocinho – mocinho mesmo, recém completados 18 anos, franzino – que realmente tinha culpa no cartório, passou sebo nas canelas e dobrou a serra do cajuru. Sidraque saiu nos seus calcanhares. Enfurnaram-se numa extensa área onde se começava um loteamento, em direção ao ribeirão e sumiram da vista da vitima e de dezenas de curiosos que acorreram para a porta do bar. Minutos depois ouviram três tiros vindos lá do ribeirão. Estremeceram tentando imaginar o que estava se passando. Um dos curiosos exclamou;
– Nossa… O Sidraque matou fulano…
Continuaram olhando estupefatos e no minuto seguinte avistaram o larapio – agora assassino – subindo o pasto do outro lado do ribeirão, até sumir de vista, levando a arma do policial. Quando a vitima e curiosos chegaram à beira do ribeirão, lá estava o detetive Sidraque com três tiros no peito, inerte
A chuva que ao que parece dera uma pequena trégua suficiente apenas para o sempre resoluto policial cumprir seu destino, voltou a cair torrencialmente sob o seu corpo e os de dezenas de policiais que varreram cada palmo de Monte Sião naquele domingo de carnaval, à procura do ladrãozinho pé-de-couve. Ele não foi encontrado. Oito meses depois, quando cheguei à bucólica e rica Monte Sião, tentei desenterrar o assassino do policial. Mas, sozinho, como os demais colegas, não obtive êxito.
Nunca soubemos o que aconteceu entre o policial e o meliante naquela beira de ribeirão. Só o que se sabe é que o policial tinha uma pistola carregada na cinta e seguiu a lei ao pé da letra enquanto o meliante, na primeira chance que teve … preferiu matá-lo com sua própria arma. Morreu o policial… morreu um artista, um cidadão admirável. E deixou como herança uma pensão de – descontados assistência medica, contribuição de aposentadoria, intermináveis descontos de empréstimos bancários – R$ 480 reais na época. E deixou também um colchão de casal, dois de solteiro, um fogão, um guarda roupa, um teclado, seus tesouros Mirna de 9 e Misaque de 11 anos… e sonhos, melancolia e saudade.

Entrevista: O Delegado Regional de Pouso Alegre e seus desafios

        Ha quatro meses à frente da Delegacia Regional de Policia Civil de Pouso Alegre, o jovem delegado Flavio Tadeu Destro ja se tornou um pousoalegrense. Nesta entrevista para o Blog do Airton Chips ele fala um pouco dos desafios e metas da P.C., para prestar um bom atendimento à população, manter a criminalidade sob controle e combater o ‘cancer’ das drogas.

Airton Chips – Qual a maior dificuldade que o sr. encontrou ao assumir uma delegacia regional tão extensa, rica e populosa como a de Pouso Alegre com outras 34 cidades?

Delegado Regional – A Delegacia Regional de Pouso Alegre, justamente por atender 35 cidades, é a maior do Estado. São 14 sedes de comarca. Destas, apenas uma não possui Delegado de Polícia Titular. Gerir e administrar uma Regional deste porte exige dedicação em tempo integral. Todos os problemas, que não são poucos, toda demanda de pessoal, toda demanda de polícia judiciária e toda logística para fazer funcionar as Delegacias destas cidades são de responsabilidade do Delegado Regional. Por sorte, conto com o apoio e supervisão do Chefe do Departamento, Dr. João Eusébio Cruz, que foi meu antecessor na Regional e conhece muito bem os problemas da região, o que é fator facilitador para minha administração. Soma-se a esses fatores a grande área territorial que faz divisa com o Estado de São Paulo, o que necessariamente traz impactos nos índices de crimanalidade da região. Esses fatores, quando somados, nos dão a noção da complexidade que é estar à frente de uma Delegacia Regional como a de Pouso Alegre. Existem Departamentos de Polícia Civil espalhados pelo restante do Estado que são menores que a nossa Regional. Por conta de todos esses indicadores, não resta dúvida que estar como Delegado Regional em Pouso Alegre dará uma bagagem e experiência necessárias para continuar trilhando a carreira, para quem sabe, no futuro, almejar desafios ainda maiores.

A.Chips – Vimos Pouso Alegre crescer em todos os sentidos, inclusive em criminalidade. Temos no entanto, atualmente um indice muito baixo de crimes violentos, especialmente de homicidios – foram somente 9 no ano passado – A que o sr. credita este indice positivo?

F.T.D. – Ao trabalho realizado pelas Polícias Civil e Militar. Esta por prevenir. Àquela por investigar com afinco os casos de homicídio. Veja bem: a Polícia Civil é uma Polícia de exceção. Isso significa dizer que a regra é a não ocorrência de crimes através de efetiva prevenção, seja Policial ou social. Contudo, por mais que a prevenção seja eficiente, jamais ela conseguirá acabar com o crime. Isso é utópico. Mas sendo a prevenção policial ou social eficientes, o crime acontecerá em menor número. Como estamos falando em homicídio, quanto menor o número de casos maior a possibilidade de esclarecimento da autoria e materialidade, com o consequente julgamento dos autores pela justiça. O que temos experimentado em Pouso Alegre reflete exatamente isso, ou seja, como são poucos os casos de homicídios consumados, a Polícia Civil tem conseguido esclarecer 100% dos casos e com prisão dos autores. E essa sensação de efetiva punição do Estado é o que desencoraja os criminosos. Não posso deixar de reconhecer que o Poder Público em geral tem contribuído sobremaneira com esse baixo índice de crimes violentos, seja através da boa qualidade do ensino público e das demais políticas sociais, seja através do bom trabalho realizado pela Guarda Civil Municipal e também pela efetiva e eficaz atuação do Poder Judiciário e do Ministério Público em nossa Comarca.

A.Chips – O sr. Naturalmente conhece o projeto ‘48 horas’ implantado anteriormente em Pouso Alegre, com otimos resultados. No ano passado, com a carencia de pessoal e uma greve que durou mais de 70 dias, o projeto ficou meio esquecido. O sr. acredita no projeto e pretende reativá-lo?

D.Regional. – Sim, conheço esse projeto. Me lembro que no ano de 2010, quando ainda era Delegado Regional em Ouro Preto, em uma reunião de Chefes de Departamento e Delegados Regionais em Belo Horizonte, o então Chefe do 17º Departamento de Pouso Alegre, Dr. Carlos Eduardo Pinto, apresentou aos presentes o Projeto 48 horas. Confesso que fiquei impressionado com a qualidade do Projeto, mas principalmente pelos resultados obtidos. Recordo-me que no primeiro trimestre de 2010 nenhum caso de homicídio havia sido registrado em Pouso Alegre. Em situação normal, nenhuma cidade brasileira, com população semelhante a de Pouso Alegre, registraria índice zero de homicídio em espaço grande de tempo com esse. Mais importante que garantir a apuração de 100% dos casos, é não haver homicídio a se apurar. E esse Projeto fez exatamente isso: impediu, através da prevenção eficaz e também da apuração eficaz, a prática de delitos de homicídio. Para o sucesso do Projeto, contudo, há que se deslocar policiais em número suficiente para dar pronta resposta. Embora tenhamos efetivo reduzido, nada impede que esse Projeto volte a funcionar em sua plenitude. Devo registrar que mesmo com efetivo reduzido temos dado excelente resposta aos casos de homicídio que vem ocorrendo em nosso Município.

A.Chips – É publico e notorio que hoje mais da metade dos crimes em todos os quadrantes do país, esta relacionada a drogas. A equipe de combate ao trafico na cidade no entanto, está reduzidíssima, menor do que anos atras. O que o sr. planeja fazer para incrementar o combate ao trafico que cresce dia-a-dia?

D.Regional – A Polícia Investigativa, como é o caso da Polícia Civil, deve suprir sua carência de pessoal usando tecnologia. Estamos na segunda década do terceiro milênio e temos que utilizar os recursos tecnológicos disponíveis a nosso favor. Com o crescente aumento da população, crescem os problemas como desemprego, miséria, fome, o que fatalmente irá refletir na segurança pública. É muito difícil para o Estado contratar funcionários em número que imaginamos ser o ideal. São vários os obstáculos, como questões orçamentárias, Lei de Responsabilidade Fiscal, aposentadorias. O que precisamos é otimizar nossos recursos, colocando a tecnologia para fazer aquilo que demandaria vários servidores. Vivemos hoje a era da informática, da tecnologia de ponta. É impensável uma Polícia Investigativa que não faça uso desses recursos. O combate ao tráfico de drogas, por exemplo, deve ser feito com uso de recursos tecnológicos. O desafio da Polícia Investigativa é exatamente esse: realizar investigações mais eficazes em menor espaço de tempo, utilizando-se de mais tecnologia e menos policiais.

A.Chips – O setor de inteligencia da regional de P.Alegre tem sido muito eficiente e fundamental na apuração dos crimes, mas não sobram policiais para o trabalho de campo, para inibir o crime com a presença ostensiva. Como resolver isso?

D.Regional – Realizar policiamento ostensivo é atribuição da Polícia Militar. Os Policiais Civis continuam a realizar trabalho de campo como sempre fizeram. Só que o trabalho de campo realizado pela Polícia Civil não pode e não deve ser ostensivo, já que nossos policiais trabalham de forma velada. Após todo trabalho realizado, caso seja necessário, nossos policiais saem uniformizados em diligências, não com finalidade ostensiva, mas sim repressiva.

A.Chips – Pequenos roubos à estabelecimentos comerciais, praticados por motoqueiros, dificultando com o capacete, sua identificação, tem se tornado corriqueiros na cidade e região. O que a policia civil e a população podem fazer para evitar esses roubos e acabar com a farra destes assaltantes?

D.Regional – Estamos intensificando as investigações nos casos de roubos praticados nessas circunstâncias. Não pensem os bandidos que usando capacetes ou algo similar irão impedir a Polícia Civil de identificá-los. Não posso, por ora, citar as medidas que estamos adotando para identificá-los, tendo em vista o sigilo necessário para o sucesso das investigações. Logo teremos notícias sobre o encerramento desses trabalhos. Já em relação à população, pequenos hábitos podem ajudar a evitar esses roubos ou pelo menos diminuir sua incidência, como colocação de câmeras de vigilância, o que facilita a identificação dos bandidos, evitar manter nos estabelecimentos grande quantidade de dinheiro ou mesmo objetos de valor à vista de qualquer pessoa, e claro, a participação dos órgãos de segurança pública nesse processo, seja prevenindo o crime com policiamento ostensivo, seja identificando e prendendo os autores através do policiamento repressivo.

A.Chips – Visando cumprir a carga horária de 40 horas semanais prevista em lei, desde abril do ano passado não existe mais delegados de policia nos municípios e comarcas do Estado depois das 18h e finais de semana. A lavratura de flagrante de toda natureza tem sido feita nas delegacias regionais para onde são conduzidos todos os envolvidos no ilícito. Esta situação, que é prejudicial ao Estado e ao cidadão vai perdurar? Como o Sr. vê esta conjuntura?

D.Regional – Sim. A princípio isso deve continuar. Mas antes de falarmos sobre os plantões regionalizados, temos que saber os motivos que levou a sua implantação. Como todo e qualquer trabalhador, o Delegado de Polícia possui direitos e não apenas obrigações. Dentre seus direitos, existe aquele que lhe garante o descanso físico e psicológico após o trabalho diário de 8 horas, somando-se 40 horas de trabalho durante a semana. O que sempre foi de costume, era que Delegados lotados em Comarcas menores, portanto o único Delegado que atuava na cidade, após o expediente normal de trabalho, era acionado durante as madrugadas e finais de semana para atender as ocorrências que aportavam na Delegacia. Esse Delegado permanecia à disposição do Estado os 7 dias da semana e às 24 horas do dia. Ao invés de trabalhar 40 horas semanais conforme determina a lei, ele ficava à disposição por 168 horas durante a semana. Portanto, visando humanizar a atividade desenvolvida pelos Delegados, criaram-se os plantões regionalizados nas sedes de Delegacias Regionais, onde não mais se trabalha além das 40 horas semanais. Com isso, os horários que excedem essa carga normal de trabalho são compensados com folgas durante os expedientes. Esse é o motivo de algumas Delegacias não terem Delegados por um dia durante a semana. E isso também se aplica aos demais Policiais Civis, como Investigadores, Escrivães, Peritos e Médicos Legistas. É evidente que da forma como está a sociedade fica prejudicada. Tenho consciência disso e isso me incomoda muito, na medida em que não disponho de recursos para solucionar esse problema. Qualquer Delegado Regional do Estado que crie uma escala de plantão que ultrapasse às 40 horas semanais se sujeita a responder por improbidade administrativa com possibilidade de perda do cargo não de Regional, mas de Delegado de Polícia que é. Somente com concurso público visando à contratação de novos servidores é que essa situação poderá ser modificada.

Bem, agora que já conhecemos o profissional, vamos conhecer um pouco do cidadão Flavio Tadeu Destro.

* Estado civil – Casado
* Time do peito – São Paulo
* Prato predileto – Rodízio de carnes
* Melhor livro – Obras jurídicas em geral
* Melhor Filme – Os de comédia
* O que vê na TV – Esporte e notícias
* O que faz quando não “está” delegado – Trilha de moto, futebol, passeio com a família
* O que faria se não fosse policial – Se não fosse Delegado de Polícia seria advogado, mesmo porque sou inscrito na OAB
* Um fato marcante – nascimento das minhas filhas
* O que gostaria de ver – Saúde e educação públicas de qualidade.