Guarda mamado atropela e mata adolescente na porta da danceteria

O sinistro aconteceu ao pé da madrugada deste domingo defronte a casa de shows “Consulado Music” na avenida Jose Agripino Rios, no Jardim Olímpico. O adolescente de 16 anos conversava com a amiga Carmem Lucia Ribeiro Araujo, 15 anos, a um metro da calçada, quando foram atingidos pelo VW Passat conduzido por Fabiano Fernando Francisco, mamado e sem habilitação. O jovenzinho Wallison Rodrigues Inácio, conhecido por Gigante ou Ciposinho, chegou sem vida ao PS. Carmem está internada na UTI do hospital Regional Samuel Libanio em estado grave.

Esta é mais uma daquelas cenas que vemos todo fim de semana – e as vezes no começo e meio nos ‘happy hour’ – nos “point’s” jovem da cidade. Barzinhos, danceterias, casas de shows ou algo que o valha, abarrotados de gente dentro e fora do recinto… no passeio, na beira da rua, no meio da rua, impossibilitando a passagem de pessoas e dificultando o transito de veículos. Latinha ou copo na mão, petiscando, chavecando ou simplesmente jogando conversa fora. É bonito, é gostoso, é “pra frente”, é jovial, é cheio de vida, mas… atrapalha quem quer passar e principalmente arriscado, muito arriscado ficar bebericando distraído no passeio ou na rua. A qualquer momento pode aparecer um doido estressado, uma vitima de bulling qualquer e … tudo vira tristeza e dor.

O curioso é que o estressado da vez veio do interior do próprio bar. Fabiano Fernando, nascido em maio de 81, amasiado, pai de um baby de dois anos, há três trabalhando na Guarda Municipal de Pouso Alegre, estava lá com a companheira Grace Kelly Gomes. Segundo relato de testemunhas eles tiveram uma pequena discussão. Fabiano queria ir para casa. Grace queria esticar a noite. Ele teria dito à amasia em meio ao trololó:

– Duvida que hoje eu ‘arranco’ a cabeça de uns dois…?

Grace não duvidou, mas ele quase cumpriu a ameaça.

– Ele disse que ia ao banheiro e falou ‘para mim’ ficar guardando a mesa. Minutos depois chegou um policial e falou que havia prendido meu marido, porque ele havia atropelado duas pessoas na porta da danceteria… – disse Grace à Policia.

Enquanto algumas pessoas tentavam socorrer o casal de adolescentes, outras acionaram a policia e um terceiro seguiu o tresloucado motorista com sua moto. Fabiano foi abordado a um quilometro do local do sinistro, no bairro Costa. Prende-lo deu trabalho aos homens da lei. Foi necessário rolar com ele na poeira e amarrá-lo com uma corda, tamanha era sua agitação.

Ao piano do delegado de plantão o guarda disse que bebera apenas duas doses de whisky e duas de vodka e a ultima coisa que se lembra é de ter dito à esposa que queria ir embora e de quando já estava amarrado na delegacia. De ter pego o volante do seu velho Passat e passado por cima do inocente – e incauto – casal na frente do “Consulado”, ele deletou. E deletou também a vida do garoto Wallyson Ciposinho.

O jovem guarda que tem obrigação, entre outras funções, proteger a vida do cidadão, foi autuado e indiciado no artigo 121 por crime doloso, figura existente no Codigo Penal desde 1940 mas que tem sido muito citada ultimamente por causa das infrações ao Codigo de Transito Brasileiro… com a agravante do estado de embriaguez. Neste caso vai à Júri Popular. Dificilmente pegará menos de 9 anos de cadeia.

Falando em barzinhos e similares que fazem da calçada e muitras vezes da propria rua extensão do seu comercio, sugiro um “ajustamento de conduta” entre Ministerio Publico, Acipa, Departamento Municipal de Transito e Policia Militar para disciplinar tais habitos, visando proteger o bem maior… a vida do cidadão que a cada dia busca mais estes locais tão agradáveis. As medidas não trarão o jovem Wallyson de volta, mas pode evitar que outros vão visitá-lo...

Taça Pouso Alegre de Futsal

A bola pesada vai rolar.

Começa neste domingo, com abertura solene no ginásio Rosão, a Taça Pouso Alegre de Futebol de Salão nas modalidades Masculino e Feminino adulto, promovida pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. Na modalidade Feminino serão seis participantes:

  1. A. F. C. – Amigas Futebol Clube
  2. Vila Foch
  3. Flamina
  4. A. A. B. B.
  5. Palmeiras – Cidade Jardim
  6. União Futsal

 

Todas as equipes jogarão entre si em turno único. As quatro melhores se classificarão para a semi-final.

 

        Na modalidade masculina, vinte equipes de Pouso Alegre, formadas para este propósito, disputarão o certame, divididas em 5 chaves de 4. Jogarão entre si na chave, classificando-se as duas melhores para a fase seguinte.

 

Chave A

  1. Vila Dom Nery – São Geraldo
  2. PA Pneus Futsal
  3. União São Geraldo
  4. Palmeiras – Cidade Jardim

Chave B

  1. Mandú Futebol e Samba
  2. Mattos Calçados
  3. Paulistano Futsal
  4. Nike F. C.

Chave C

  1. São Cristóvão
  2. Independente Futsal
  3. Foch Futsal
  4. Napoli Arvore Grande

Chave D

  1. Juventus – São João
  2. Saúde
  3. Bohemios F. C.
  4. Associação Esportiva Estrelas do Sul

Chave E

  1. Arueira (Cruz Alta)
  2. Caic Arvore Grande
  3. IGUI Pouso Alegre
  4. São Geraldo

‘Aviãozinho’ cai no Jardim Europa

Amigos ocultos da lei levaram a policia militar à rua Opala, no Jardim Europa, ontem à tarde. O “combatente silencioso do trafico de drogas” informou um jovem assim assado costuma fazer ponto ali no começo da rua e distribuir pedra e erva aos passantes. Chegando de surpresa à boca itinerante, os policiais abordaram o tal jovem. Era Milton Bruno Teixeira Messias, que no mês que vem completará 19 anos. Em sua algibeira havia uma baranguinha de erva marvada e seis barangas de pedra bege fedorenta.

O jovem traficante formiguinha disse que havia comprado a droga de um desconhecido na ponte do velho Mandu, no Aterrado para revender e ganhar uns trocados. Ao piano do delegado de plantão ele mudou a versão; disse que há um ano usa drogas, inclusive fez tratamento numa clinica em Congonhal para deixar  o vicio e como não conseguiu livrar-se dele, comprou a droga no mesmo local para satisfazer a fissura.

Em troca de um copo de água, o pequeno traficante contou que mora no Jardim São João e ganha a vida distribuindo drogas a conhecidos seus ali perto da tijuca.

Se o problema era ganhar a vida, está resolvido… Desde esta manhã Milton Bruno está vivendo às custas do contribuinte… no Hotel do Juquinha.

                           Abraçe seu filho… Não deixe que as drogas o abraçem!

Sorria!!! Você está sendo filmado

Até o carrinho de pastel da esquina do mercado tem um lembrete deste mas nem todo mundo dá bola para isso. Até que…

Final da manhã de domingo. O garotão Giovani Aparecido Querubim, 24 anos morador de Cambuí, entrou no supermercado Braizinho, percorreu alguns corredores com os olhos compridos nas gôndolas, parou no corredor de bebidas, olhou como quem não quer nada para a direita, olhou para a esquerda… barra limpa. Pegou dois litros de whisky Passport – o menos pior produzido em terras tupiniquins – colocou dentro da calça – calça de ‘mano’, daquelas que cabem dois, é claro – deu mais uma olhadela para os lados e foi saindo de fininho. Quando passou o corredor dos caixas sem cumprimentar as meninas, foi abordado pelo segurança e convidado para tomar um trago na gerencia…

Giovani Aparecido Querubim, que não parece nem um pouco com o anjo mitológico, fez uma pequena viagem no taxi do contribuinte até a Delegacia Regional de Pouso Alegre onde sentou-se ao piano e assinou mais um 155 na caminhada.

Furto simples. Um a quatro anos de cana – mesmo que o furto seja de whisky – cabe fiança arbitrada na própria delegacia. Mas se o anjo dos pés sujos não tinha 62 reais para comprar um litro de whisky nacional, naturalmente não tinha R$ 1.500 reais para pagar a fiança. Foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

Em 2003 Wanderly Ferreira da Silva, o “Coelho Ly”, gêmeo do Coelho Ley, fez a mesma coisa no Supermercado Central em Pouso Alegre. Conseguiu chegar até a avenida perimetral com o litro de Drurys esquentando debaixo do braço. Dali quebrou para a esquerda e foi de carona no taxi do contribuinte, hospedar-se no velho Hotel da Silvestre Ferraz. Dias depois mandou uma ‘pipa’ cheia de ‘chorumelas’ para o gerente do supermercado pedindo desculpas e alguns pacotes de bolachas e fumo Trevo. Valdecir, o gerente na epoca atendeu o pedido. No dia seguinte entregou-me a encomenda na porta da cadeia.

Será que o Braizinho também vai receber uma ‘pipa’ do Querubim???

Maconha e cocaína para o “Chiquinho da Borda”

No meio da tarde quente de sábado os patrulheiros estaduais resolveram dar uma geral nos passageiros do ônibus da Gardênia que seguia de Pouso Alegre para Borda da Mata. Quanto entraram no coletivo, perceberam que o garotão Wagner Monte Barbosa – não confundir com o policial, repórter, apresentador de TV e galã carioca Wagner Montes – dispensou um embrulho no chão e mudou de poltrona. A manobra não passou batida aos olhos atentos dos patrulheiros. Eram duas barangas de farinha do capeta e vários tabletes de erva marvada, suficiente para deixar o Chiquinho da Borda doidão.

Wagner, de 19 anos, disse que havia comprado a droga de um desconhecido – é claro – no velho Aterrado para revender na capital do pijama a R$ 10 reais a baranga. Perdeu a viagem. Mas ganhou carona no taxi do contribuinte e depois de assinar o 33 ganhou também hospedagem gratuita no Hotel do Juquinha.

Cambuí… Por causa da namorada, desceu o borralho na mãe e na irma

Ao visitar o netinho outro dia em Cambuí, a empresaria paulista Aparecida Santana Gonçalves não gostou do que viu e resolveu levar o neto com ela. Depois de uns dias de reflexão decidiu devolver o neto ao seu verdadeiro responsável, o filho Alexandre da Costa Vale. Quando chegou na casa dele não gostou do que viu… Ele estava namorando a ex-funcionária da empresa de nome M. C. C. da Silva, – que a tudo assistia do interior do VW Pólo estacionado na garage – a qual segundo Aparecida havia lhe causado problemas na empresa e que, segundo ela, não é pessoa adequada para seu filho – coisa de novela das seis.

Ao tentar convencer a mãe de que é dono do seu nariz, Alexandre perdeu as estribeiras e desceu a manguara na genitora. A irmã Tatiane, tentou ajudar a mãe… e ajudou, a apanhar.

Os homens da lei foram chamados e desceram todos para a delegacia de policia de Pouso Alegre.

O valor da fiança, como é do conhecimento do estimado leitor, varia de acordo com a gravidade do delito e principalmente das condições econômicas do infrator da lei. Como Alexandre é um prospero empresário, o delegado de plantão arbitrou fiança em R$ 8 mil reais. Era muito para a guaiaca do empresário e como ele não podia recorrer à mãe, foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

Agora sim, a vovó terá que cuidar do netinho!

Heliodora… Tentou estrangular o filho e a esposa e foi dormir

O cidadão Marcos Francisco Pereira, 29 anos, é um bom moço. Mas é daqueles cujo cérebro sofre transformação quando recebe a ‘visita’ do famigerado suco de gerereba. Enfim, não pode beber… fica possesso… capaz de matar até a prole.

Quando ainda morava em Boituva-SP, após amarrar-se num pé de cana, perdeu as estribeiras e desceu o borralho na esposa Vanusa Ferreira de Oliveira, 33. Não bateu mais porque o filho A. de 11 anos socorreu a mãe à custa de uns ‘esbarros’ no valentão. Por causa destes ‘esbarros’ o valentão tomou ódio do filho e agora, toda vez que abraça a Kátia…ça, quer matar o infante.

Ao pé da noite de domingo chegou em casa mamado e ao avistar o filho imberbe, o ódio reacendeu. Pegou o menino pelo pescoço e disse que ia matá-lo estrangulado. Familiares evitaram o ‘filhocidio’ e chamaram a policia. Apesar da situação completamente confusa e do clima tenso, depois de muita lenga-lenga, permitiram que ele fosse dormir.

Marcos agarrou-se à Morfeu e dormiu alguns minutos, mas deve ter sonhado que estava sendo cutucado com um tridente pelo chifrudo ou se afogando no limbo do umbral, pois acordou colérico, procurando pelo filho ameaçando matá-lo. Aconselhado por um parente o garoto já estava la na esquina, longe das garras e da furia do pai. Quando a esposa Vanuza tentou acalmar o marido para que não fosse atrás do menino, sua cólera e sanha assassina se voltaram contra ela. Pegou-a pelo pescoço e mais uma vez tentou matá-la estrangulada. Os homens da lei foram chamados e desta vez conduziram o valentão para a DP de Pouso Alegre. Ao sentar-se ao piano Marcos Francisco disse apenas:

– Eu tomei uns goles… Não me lembro de nada…

Talvez não se lembre mesmo. Porém, metade da população da pacata Heliodora – que ultimamente não anda mais tão pacata assim – se lembra muito bem do barraco que ele armou na rua Cônego Rolim. E para que ele não se esqueça do que fez, o compenetrado delegado Daniel Leme Amaral mandou-o refrescar a memória… no Hotel do Juquinha.

Tiziu… O meliante solitário e os mulas de presídio

A rua Monte Sião, no Bairro São João, assemelha-se a uma haste de garfo. Partindo da rua Caldas, começa logo atrás do antigo Sanatório e vai fazendo uma curva até morrer numa rua que sobe defronte a P.R.E. No tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, no entanto, ela morria num capão de mato e pasto numa grota acima da garagem da Gardênia. Eram poucas e simples as casinhas cercadas de taquaras na ruela esburacada. Lá no final, separada das demais por alguns lotes vagos, pendurada num barranco, cercada de bananeiras, limoeiros e abacateiros ficava a choupana rudimentar do Tiziu. Morava com os pais, Dito Preto, um negro alto, soturno, quase curvado, de andar cabisbaixo e assustador pois só de perto se percebia que ele estava olhando pra gente e dona Elza, também negra obesa e alegre que a qualquer coisa respondia: “graças a Deus, né ‘fio’…”.
Apesar do porte avantajado dos pais, Tiziu era miúdo, franzino, Tigüera. Eu ainda era um entregador de gás da loja do Zézinho Gouveia, não havia sequer entrado numa delegacia de policia, mas já ouvia algumas estripulias do Tiziu. Trombava freqüentemente com ele ali pela Remonta ou Jardim Amazonas. Eu na bicicleta da loja, ele sempre a pé. Nunca nos falamos, até porque o negrinho mirrado sempre fora de pouca prosa. Nossos diálogos, sempre curtíssimos aconteceram a partir dos anos 80 na delegacia de policia ou nas quebradas da noite quando conseguíamos pegá-lo com a mão na massa ou se preparando para dar o bote. Tiziu era tão discreto que era possível passar por ele na rua encostado a um poste ou uma arvore e não vê-lo. Mas ele, como um perfeito somongó, estava sempre atento à sua volta. Percebia a aproximação da policia de longe e com um bonezinho com a aba rente aos olhos se misturava aos transeuntes, às charretes, bicicletas, às arvores aos postes e passava batido. Tem muito meliante que quando está ‘limpo’ faz questão de aparecer, cumprimenta a policia, acena, se abre igual pára-quedas. O Piabinha de Santa Rita, os Coelhos Ly e Ley do Aterrado são assim. Aguinaldinho e Manoelzinho também eram… Tiziu, mesmo que não tivesse culpa no cartório, ao cruzar com a policia lançava um olhar languido e misterioso de esgueio sob o boné, donde se dava para ver o branco dos seus olhos, mas não abria a boca.
O pretinho mirrado que deve ter ganhado o apelido de “tiziu” devido sua semelhança com o diminuto e barulhento passarinho preto, parecia no comportamento muito mais o astuto e arredio “somongó”. Andava de vez em quando com o vizinho Luiz Macaco, da Travessa Juiz de Fora – este eu nunca soube que fim levou – mas praticava seus pequenos furtos e queimava a erva maldita sempre sozinho.
Tiziu foi bandido num tempo em que era difícil ser bandido e fácil ‘pagar’ cadeia. Na sua adolescência e juventude o termo “marginal” caia como uma luva nos meliantes que como ele optaram por andar na contra-mão da lei. Eram todos conhecidos da policia e discriminados pela sociedade. Furtos de quintal, furtos de residência, furtos de lojas, furtos diurnos ou noturnos … cada um tinha sua marca registrada. Ainda que não houvesse testemunha ocular do crime, era relativamente fácil chegar ao meliante através do ‘modus operandi’, da pratica delituosa. Como antes da Constituição de 88 podia-se prender para ‘averiguação’ bastava então arrancar a confissão do sujeito e trancafiá-lo no xadrez. Aí vinha a parte mais fácil da vida de bandido… O condenado não tinha vinculo com os demais companheiros de ‘caminhada’. Bastava esperar pacientemente atrás das grades o tempo passar ou, no caso dos mais apressados, fazer um ‘tatu’ no chão ou no teto ou serrar dois ou três palitos da grade, dobrar a serra do cajuru e voltar para a rua, para fazer o quem bem entendesse da vida, sem ter que dar satisfação a ninguém.
Com a avassaladora expansão das drogas nas duas ultimas décadas e o surgimento da “globalização” a vida de preso mudou da água para o vinho. Hoje quase não existem mais meliantes solitários com o perfil do Tiziu. Eles estão de uma maneira ou outra interligados pelas drogas e pelos ‘compromissos’ da lei do cárcere. Constrangimento de dormir na praia, lavar o boi, dividir o ‘marroco’ e ou ‘bandeco’ é o menor dos delitos. Da exploração sexual e da extorsão ninguém escapa. Só para ilustrar: da ultima vez que o estelionatário e traficante Vicentinho se hospedou no Velho Hotel da Silvestre Ferraz, há seis anos, dona T. sua mãe, era a primeira a chegar para a visita toda quarta feira. Vinha de taxi. Trazia com ela quatro fardos de mantimentos; arroz, feijão, farinha para bolo, cigarro, chocolate, biscoito – dava um trabalhão revistar aquilo tudo – enfim tudo que uma boa despensa não dispensa, suficiente para abastecer uma grande ‘familia’ durante uma semana… E Vicentinho tinha até um pajem particular para empurrar sua cadeira de rodas nos banhos de sol…
Hoje ninguém sai da cadeia sem pagar pedágio. Quem sai de albergue, quem vai fugir ou trabalhar nas obras de ressocializaçao fora da cela ou do prédio é obrigado a levar celular, drogas e ‘kits fuga’ para dentro da cadeia. Estuprador já não morre mais nos presídios… são muito mais úteis vivos, para satisfação da libidinagem e extorsão. Os casos recentes da dupla “Bruno & Osmar”, que estava trabalhando no interior do 20BPM e tentou levar 400 gramas de drogas para o Hotel do Juquinha, na viatura policial; a do Anderson Ratão, que engoliu a droga na fábrica de blocos e passou dois dias à base de purgante para expelir a erva e da egressa Michele, que pagou com a vida a ousadia de colocar cocaína na vagina para levar para o presídio, são exemplos de meliantes que são obrigados pela “lei do cárcere’ a servir de ‘mula’ … ou amanhecer pendurado na ventana, em forma de ‘cotonete’…
Em “As aventuras e desventuras de Cirilo Bola Sete – Meninos que vi crescer”, publicado no ano passado, Cirilo, que passou quase trinta anos na prisão entre uma fuga e outra, um dos poucos que viveram esta transição e conseguiu sobreviver, conta com amargura como é difícil sair do cruel sistema criado pelos próprios presos nos últimos anos.
O arredio e misterioso Tiziu que jamais deu um sorriso, nem amarelo, foi contemporâneo de caminhada de Cirilo, mas não teve o mesmo jogo de cintura, a mesma sorte… Acostumado à caminhada solitária ele se rebelou contra o sistema que batia às portas do Velho Hotel da Silvestre Ferraz nos primeiros anos da década de 90. Aos 34 anos, naquele inicio de década, amanheceu tão duro quanto fora sua vida de marginal, pendurado numa grade da janela. Não viveu para ver a mãe matar o pai com golpes de machado e se hospedar também no velho Hotel da Silvestre Ferraz e nem viu o irmão Bruno, aos 14 anos, matar um amiguinho de 13 numa brincadeira de ‘Roleta Russa’, num matinho no final da Rua Monte Sião, em 2002.
Tiziu era dos bons tempos em que era fácil ‘pagar’ cadeia. Ele não se adaptou aos novos – e cruéis – tempos… Pagou com a vida!

Gaúcha cai com evidencias do trafico

A jovem foi presa ao cair da tarde de ontem, no Jardim Olímpico, no momento em que negociava uma ‘paradinha’ com um suposto cliente de Borda da Mata.
Amigos ocultos da lei levaram uma dupla de policiais à residência de Vanessa de Moura ontem à tarde. Segundo o informante anônimo – esse valoroso colaborador da lei – a traficante costuma distribuir Maconha, Crack e Cocaína em sua própria casa, na larga e extensa avenida Prefeito Olavo Gomes de Oliveira, na altura do Bairro Jardim Olímpico. Os policiais foram para as imediações e ficaram na ‘filmagem’. Quando bordiano se aproximou, provavelmente para adquirir uma baranguinha – ou quem sabe mais – eles deram o bote. A negociação estava ainda no começo, a droga nem havia aparecido e por isso Gaucha não se importou em franquear sua casa aos homens da lei. Lá foram encontradas 34 cápsulas para acondicionamento de ‘farinha’, resquícios de ‘brita’, um estojo com restos de ‘erva’, fita adesiva e R$ 614 reais em dinheiro de boteco – mas ali não é boteco – indícios suficientes para enquadrar a moradora do muquifo no artigo 33 da Lei 11.343 – A antiga Lei 6368 era mais charmosa.
Gaucha, ao contrario de toda gaucha que costuma ser falante e arrastar o facão no chão, disse apenas;
– Bah, tchê, só vou falar na justiça…
Mesmo muda ela assinou o 33 e foi se hospedar no Hotel do Juquinha.
Ah, o jovem Carlos Cícero da Silva, conterrâneo do “Chiquinho da Borda”, o qual acompanhou a busca na casa da ‘prenda’, disse que estava apenas conversando com ela na porta de sua casa, pedindo informações sobre uns parentes que moram por ali!!! E não ficou vermelho…

Passos… Recomeçou a onda de assassinatos.

Depois da avalanche de homicídios que caiu sobre a bela Passos no extremo norte do sul de Minas no ano passado, os pistoleiros deram uma trégua. Até esta semana apenas dois passenses haviam batido à porta de São Pedro pedindo hospedagem eterna.
Embora os assassinatos tenham ficado dentro dos limites estatísticos aceitáveis, a delinqüência juvenil na cidade não amainou. Furtos – especialmente de carros e motos – roubos e ‘aviõezinhos’ de drogas tem mantido a estatística  no alto do gráfico neste inicio de ano. E para não perder o habito… mais um homicidiozinho foi cometido na quinta à noite.
Nada de novo no modus operandi, no histórico da vitima e nem no perfil do autor. A bola da vez foi o cidadão Ivanildo Amâncio, de 25 anos, figurinha fácil no album da policia passense por trafico de drogas. Ele recebeu três tiros de grosso calibre em pleno rosto, perto de sua casa no bairro Santo Antonio. Segundo levantamentos da policia militar no macambúzio local, o autor teria sido um “dimenor”, que ainda não sentou ao piano da policia civil. Mas, é claro… a batata está assando pra ele.
Será que neste ano bi-sexto Passos baterá novo recorde em assassinatos???