“Cachorricidio” em Crisolia…

Jose Donizete Braga, 57 anos e Gislaine Jesus da Silva Braga, vivem maritalmente nas rebarbas do distrito de Crisolia, município de Ouro Fino. Mas vivem num clima bastante tenso.

Contrariando os costumes do povo da roça que normalmente possui cães vira-latas, perdigueiro, policial, ou se for de raça, um Pastor Alemão ou Border Collie, para lidar com gado, eles tem um instável Pitt-bull – ou pelo menos tinham até sexta feira – Como o bicho não é um cachorro que se cheire, ele recebe poucos afagos. Isso o deixa ainda menos afável, carrancudo e arredio… ele mete medo até no dono!

Na sexta, depois de voltar da escola onde fora levar a filha, Gislaine não encontrou mais o cão em casa e quis saber do marido o que ele havia feito com ele.

– Levei embora… Soltei no bairro São Jose – disse ele.

Ao ver que o carro da família continuava exatamente no no mesmo lugar e sabendo que o bairro fica distante, Gislaine duvidou da resposta do marido e passou a questioná-lo. Irritado, Jose Donizete teria mostrado um revolver para a esposa e dito:

– … Vou fazer com você o mesmo que fiz com o cachorro!

Diante da sutil ameaça de morte, Gislaine deduziu que o marido havia matado o cão e chamou os homens da lei.

Os policiais chegaram no final da tarde e apreenderam com Jose Donizete uma carabina de ar comprimido calibre 22 e um trezoitão Rossi, com o cano morno e uma cápsula deflagrada, ainda cheirando à polvora. Apesar disso, Jose Donizete continuou insistindo que soltou o cão no mato, longe de casa. A historia lembra o caso Bruno/Eliza Samudio. A policia sabe que ela morreu mas ninguem sabe onde está o corpo.

O suposto assassinato do instável e carrancudo cachorro Pitt Bull é o menor dos crimes do sitiante Jose Donizete Braga. Aliás,  o “cachorricidio” não é crime previsto em lei. O Maximo que existe é a contravenção de “tratar animal com crueldade…” previsto no artigo 64 da Lei 3688/41, que prevê pena de prisão simples de dez dias a um mês ou multa de cem a quinhentos réis.

O sitiante que deu fim no cachorro Pitt Bull, no entanto, não ficou sem chumbo. Ele sentou-se ao piano e assinou os artigos 147, do CP, e 15 da Lei 10.826. Depois de pagar fiança de R$1 mil reais, ele vai responder em liberdade pelos crimes de “ameaça” contra a esposa, podendo pegar de 1 a 6 meses de cana e por disparo de arma de fogo – contra o cachorro – que pode lhe garantir de 2  a 4 anos de estadia no Hotel Menino da Porteira.

O ultimo charreteiro

Ele tem 77 anos de idade. Estabeleceu-se como condutor de veiculo de tração animal em 1958 e apesar de há muito ter criado os seis filhos e conquistado a justa aposentadoria, continua conduzindo sua charrete, atualmente puxada pela dócil e pacata eguinha branca com nome de Rainha. Há mais de cinquanta anos transportando comerciantes do mercado municipal, donas de casas com suas sacolas de verduras e legumes e turistas saudosistas, João Barreiro tem muita historia de ‘taxista’ para contar.

– Meu pai era charreteiro… Eu já nasci charreteiro. Ainda moloque comecei trabalhar com charrete. Tive ponto aqui perto do mercado, na Dr. Lisboa, depois voltei para cá. Na época a cidade tinha cerca de 3o mil habitantes e mais de 60 charretes – conta com saudade o velho charreteiro.

– O que você viu que mais te chamou a atenção nestes 50 anos?

– Conversei até com assombração… Certa vez eu estava voltando para casa, era umas onze horas da noite, quando  dobrei a Remonta para chegar na Vendinha, um homem de branco emparelhou com o varal da charrete e continuou correndo ao lado do cavalo, a galope. Ele estava vestido de branco, de chapéu… Eu conhecia ele. Era o Helio, gente boa… tinha morrido há vários anos. Como ele não saia de perto da charrete eu perguntei:  “ Ô Helio, você está precisando de reza? Ele não respondeu mas largou o varal da charrete e subiu num barranco na beira da estrada. Eu rezei o Pai Nosso e o Salve Rainha… De repente ele foi evaporando, virou uma pomba branca e saiu voando… Nunca mais vi! – Conta João, como se tivesse ‘vendo’ o vulto branco ao lado da charrete, naquele longínquo inicio de anos 60.

– Outra vez eu estava levando uma senhora para casa, no São João, com uma menina de uns seis anos no colo. Elas estavam voltando do medico… De repente a menina deu um suspiro e amoleceu no colo da mãe. Parou de respirar. Morreu na minha charrete!

Alguns anos depois ele se viu envolvido em mais uma historia tétrica… de charreteiro!

– Eu tava aqui no ponto, perto da oficina do Toquinha, quando o oleiro Pedro Olegário chegou e pediu para levar ele no Aterrado para socorrer um empregado dele, que trabalhava no olaria. Ali só havia a avenida principal, sem calçamento e uma meia dúzia de beco que acabava de repente na vargem. Antes nós paramos na funeraria Ferraciolli e ele comprou um caixão!!! Depois nós paramos num barzinho perto da ponte, ele pediu duas pingas, bebeu uma e ofereceu pra mim beber também. “Eu não costumo beber em serviço, falei pra ele. Mas ele insistiu… Beba, você vai precisar”!!  O Aterrado estava todo alagado. A enchente estava começando baixar. No olaria chegamos com a água pela cintura… Com muito jeito colocamos o morto no caixão. Fazia 8 dias que ele tinha morrido, mas a água gelada conservou seu corpo… Nãoa tinha cheiro – ruim – nenhum. O difícil foi trocar a roupa e lavar ele… Estava todo duro. Aí eu lembrei de uma coisa que meu pai me contava… Se você precisar mexer com um morto, converse com ele, peça licença… Eu comecei conversar, ele foi amolecendo, ficou mole… Eu e o ‘seu’ Pedro demos banho e levamos ele para o necrotério, na charrete.

João Barreiro passou mais de cinqüenta anos conduzindo a trote lento seu veiculo… Poderia passar mais cinqüenta, com os olhos brilhantes e marejados contando suas  historias na esquina do centenário mercado na Duque de Caxias!

– Hoje eu trabalho poucas horas por dia. Um carreto custa entre 7 e 10 reais. Chego aqui onze horas da manha e cinco, cinco meia vou embora tratar da Rainha. Se ela faz necessidade aqui no ponto, na mesma hora eu recolho o estrume. Nem dá cheiro. Ainda tem fregueses que pede para levar em casa, para passear pela cidade. O Paulinho Toureiro  – morto há vários anos – foi meu freguês muitos anos. Mas o bom mesmo era quando a zona – boemia – era ali na David Campista! As madames – prostitutas – toda tarde vinha no mercado e depois nós íamos levar elas para casa. As vezes a gente saia passeando pela cidade. Elas gostavam de andar de charrete e pagavam bem…

– Qual a maior alegria?

– Tudo era alegria… Acho que a maior foi criar meus filhos tudo honesto, com meu trabalho e ter tanta amizade…

– … E a maior tristeza?

– Não tem. A vida é muito boa… – Ele responde sem pensar mas desvia os olhos de mim, olha para o vazio e acrescenta:

– Acho que a maior tristeza é que isso está acabando. Já tentaram acabar de uma vez com as charretes. Mudaram nós de lugar muitas vezes, fizeram pressão… Eles acham que nós estamos enfeiando e sujando a cidade! Nas cidades turísticas como São Lourenço, Poços de Caldas, ainda tem um tanto de charrete. As crianças de hoje não sabem o que é isso… – E com uma pitada de revolta acrescenta:

– Charrete faz parte da historia de Pouso Alegre, é tradição… não pode acabar!

Mas está acabando!

Nos ultimos dez anos apenas João Barreiro de 75 e Tião de Melo, de 62 anos, estão em atividade, preservando a tradição. Ele conviveu com o pai também charreteiro Chico Barreiro, Dito Poteiro,  Sebastião Daniel, Pé-de-Vento, o charreteiro das madames, todo arrumadinho, perfumado e de óculos escuros, o Guarda Louças, aquele que levou o corpo de Jacira, quando seu namorado Jesus Damasceno a matou, dando origem ao Beco do Crime e tantos outros. A maioria já foi se encontrar com o “Helio da Remonta” a muito tempo!

A tradição das charretes de Pouso Alegre está por um fio… ou dois. Há mais de dez anos nenhum novo charreteiro se estabeleceu na praça…

Recentemente o prédio do antigo fórum na Praça Senador Jose Bento foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural. O centenário Mercado Municipal também acaba de ser tombado pelo mesmo instituto, como Patrimônio Imaterial do Município.

Este é um bom momento para que a Secretaria Municipal de Cultura valorize e incentive os dois últimos charreteiros do municipio, João Barreiro e Tião de Melo e incentive novos charreteiros à continuar a centenária tradição das cherretes.

Se nada for feito agora para preservar a tradição, em poucos anos charretes e charreteiros só vão existir na memória e  aqui… no blog do Airton Chips.

O detetive forasteiro e a medica voluntaria

No final de março de 2006  a Delegacia de Policia da rua Quintino Bocaiúva recebeu um novo policial. O moço, novo na cidade, porem velho de carreira, chegou taciturno, mão no bolso, pouca prosa. Estivera um ano aposentado e fora chamado de volta na pior época do ano… no final de dezembro. Apesar disso, retomara o ritmo e empolgaçao com a função policial. Mas isso fora em Pouso Alegre, cidade que o viu crescer! Agora estava, numa cidade estranha, à qual não nutria nenhuma simpatia, podendo aposentar a qualquer momento. Seria difícil descruzar os braços e voltar a trabalhar…

A criminalidade em Santa Rita do Sapucaí naquele ano, como em muitos outros, estava em alta. Trafico de drogas, pequenos furtos, roubos a estabelecimentos comerciais engrossavam diariamente a estatística criminal do município. Homicídios já haviam ocorridos três e outros sete aconteceriam até o fim do ano. Era impossível ao experiente, comedido e altruísta policial assistir passivamente a tudo isso, recebendo um salário, ainda que modesto, sem nada fazer. Aos poucos foi descruzando os braços, arregaçando as mangas…

Certa manha ao sair rápido com os colegas para um operação de rotina, quase esbarrou numa bela e esbelta jovem com seu inseparável salto alto, no balcão do serviço de transito. Nem a notou. Não havia motivos. Ela também, não, mas como conhecia todos por ali, mais tarde perguntou ao delegado, seu amigo, quem era o ‘forasteiro’ que parecia arrastar os companheiros para o trabalho.

– … Veio de Pouso Alegre. Fim de carreira. Não é flor que se cheire! – Respondeu sem esticar conversa, o veterano delegado. E ficariam nisso se a aposentadoria tivesse saído nos próximos meses.

Ao voltar de férias regulamentares, em agosto, o novo delegado da Comarca nomeou o ‘detetive fim de carreira’, seu Inspetor, principalmente com atribuições de administrar o Hotel Recanto das Margaridas, onde os pouco mais de 50 presos brincavam de cumprir pena. Na ocasião, cumprir pena na cadeia de Santa Rita era uma gostosa diversão. O preso podia entrar e sair do “presídio modelo do sul de minas” a hora que quisesse. Bastava fazer um tatu na parede da cela, galgar o muro externo e ir embora. Alguns saiam pela porta da frente, iam dormir em casa, às vezes fazer um assaltozinho básico e de manhazinha voltavam para a cela. Fabio Junior, o Pinta, costumava fugir e ficar dois ou tres dias mocosado nos muquifos do bairro Recanto das Margaridas. Quando a saudade dos amigos do cárcere batia, ele voltava, subia no muro e passava horas sentado lá em cima, conversando com os colegas. Era preciso acabar com esta farra! Era preciso, como já dissera no dia 26 de novembro de 2004, um certo delegado regional, “dar um pouco de dignidade à policia civil” naquela cadeia.

Se faltava dignidade à policia, administradora do presídio, se faltava pulso, seriedade e até honestidade, faltava também tratamento digno aos presos. Tais como atendimento medico, dentário, alimentação decente por sinal muito bem paga pelo Estado. Em poucos meses a rotina da cadeia mudou, a criminalidade na cidade baixou, dos outros sete homicídios ocorridos no município, seis foram completamente elucidados. O reflexo veio no ano seguinte… A criminalidade caiu em quase 80%.

Entre as medidas adotadas no Hotel Recanto das Margaridas, duas foram fundamentais: firmesa no relacionamento com os presos e atendimento básico de saude. A primeira não era problema, bastava querer. A segunda era mais difícil. Ninguém quer trabalhar num presídio, ninguém quer ter contato com presos. Inicialmente a secretaria municipal de saúde disponibilizou uma equipe medica para atender uma vez por mês no presídio modelo do sul de minas. Era pouco e no terceiro mês o medico desistiu. Restava tentar um medico com perfil de “saúde publica” que se dispusesse a fazer um trabalho voluntario.

Foi aí que o detetive forasteiro entrou na vida da bela e esbelta jovem e seu inseparável salto alto… Ela era medica. A jovem atendeu o pedido como se tivesse tendo o privilegio de fazer um trabalho voluntario. Com seu largo e cativante sorriso, a jovem medica recém formada, passou a atender vez por semana na cadeia. Toda quarta feira de manhã, enquanto descansava do plantão no Pronto Atendimento Municipal, ‘carregava pedra’… Subia para o Hotel Recanto das Margaridas, onde além do trabalho medico, fazia também importante trabalho social e  psicologico.

O relacionamento do detetive forasteiro com a medica, durante vários meses, era meramente profissional. Se restringia a escolta e segurança durante o atendimento no presídio. Ao voltar das férias em fevereiro,  ela não estava mais lá. Havia se mudado para Varginha e, pior, ela é que precisava de tratamento medico. Estava internada com uma seria crise de Lúpus. A amizade do detetive forasteiro com a medica do salto alto começou estreitar aí, com a preocupação dele de que ela ficasse bem e pudesse voltar a atender no presídio. Alguns meses depois ela voltou à rotina.

Apesar da aproximação causada pela doença e pelo objetivo comum, que era melhorar a qualidade de vida dos hospedes do hotel Recanto das Margaridas, o relacionamento continuou cordial e profissional, embora mais estreito. Além do que, o forasteiro também tinha seus fantasmas… Embora casado há longos anos e os filhos formados, prestes a aposentar, psicologicamente não estava bem. Alguma coisa o frustava e incomodava. Não sabia o quê! A única certeza que tinha é que quando aposentasse, iria mudar radicalmente de vida… de cidade, de estado, talvez até de país!

Sem perceber, o andar da carruagem, o resultado do competente trabalho policial, a amizade com a jovem medica, aos poucos estavam afastando a ansiedade da iminente aposentadoria. A idéia de largar tudo e partir em busca do desconhecido, já não era tão contundente. Já não pensava mais em Mato Grosso, Rondônia, Amapá… Um belo dia, ao terminar o atendimento dos presos na cadeia, um fato inusitado aconteceu … O detetive forasteiro exibiu a canela com um ferimento e pediu medicamento para cicatrizá-lo. Ao examiná-lo a medica, na carceragem, na presença dos demais policiais, deu o diagnostico e o prognostico:

– Isso é coisa atoa, vai cicatrizar naturalmente… Mas se você fosse solteiro, eu cuidaria do seu dodói…!

Susto, surpresa, brincadeira entre amigos, constrangimento, rubor…!  Quando percebeu já havia falado. Gargalhada geral, gerando descontraídas brincadeiras.

Brincadeira involuntária que gerou uma coceirinha no ego, tanto dele quanto dela. A partir daquela manhã, nunca mais seriam os mesmos. Nunca mais se veriam apenas como colegas de trabalho. Agora tinham mais assuntos do que asma, micose, depressão e ziquizira de cadeia para discutir. Sem querer, sem se dar conta, estava nascendo um romance… Antes mesmo de se tocarem, precisavam de definições, tomar decisões…

Foi no mês de julho que decidiram seguir o mesmo caminho. O detetive forasteiro, aquele que “não é flor que se cheire”, já não era mais forasteito. Foi morar na delegacia. No mês seguinte era um novo casal. Alem da grande diferença cronológica de idade e de um casamento também encerrado, tinham algo mais em comum; espírito jovem e muita vontade  de recomeçar, de reconstruir, de ser útil…

Não foi fácil. Ambos tinham gênios muitos forte. Ele muita experiência para oferecer, ela muita impetuosidade para impor. Ele muita saúde, ela pouca… Logo no primeiro mes de relacionamento o convívio foi posto à prova. Vinte e quatro dias num quarto de hospital em Varginha e mais uma semana na UTI em São Paulo. Depois disso mais duas curtas separações.

Em 2009 uma mais longa. Desta vez, dois meses distantes, com muitos diálogos inflamados até que veio o silencio. Não mais se falaram. Precisavam de silencio e solidão para reflexão, para a purificação, para a espiritualização, para talvez… se reencontrarem.

Uma neblinada madrugada de junho – onze da manhã de um gelado domingo de junho, para um solteiro cinqüentão, era madrugada – o telefone tocou;

– Oiiii… Já amanheceu por aí?

Bem, amanheceu meio minuto antes, quando o telefone zuniu debaixo do travesseiro, mas pela extensão do sorriso do outro lado da linha, o ex-detetive forasteiro preferiu sorrir amarelo e dizer que já estava de pé a muito tempo.

– Estamos indo à Pouso Alegre almoçar no “Tomodati”…  Quer comer suchi com a gente?

Depois de empanturrar de churrasco até as quatro da manhã, peixe cru com arroz e ‘caipisaquê’ de kiwi com bastante gelo era uma boa opção – pensou o detetive – Além do que, não se viam há mais de 60 dias! Duas horas depois estavam almoçando no Shoping Minas Sul em Poços de Caldas. A noite já haviam reatado o romance. O casamento formal aconteceu numa segunda feira 13, ás 13 horas, em Santa Rita. Trinta e cinco dias depois voltaram a Poços para a Lua de Mel.

Depois de diplomar-se em “Impactos da violência na Saúde” pela Fiocruz e pos-graduar-se em Saúde da Família, pela UFMG, a ex-medica voluntaria do presídio, que nasceu as 13 horas do dia 13 no quarto 13, atualmente exerce suas funções no PSF de Pouso Alegre e é medica perita da Seplag-MG. Participa também de grupos de trabalhos voluntarios no combate às drogas. Seu Lúpus ainda insiste em alterar seu humor. Nada no entanto, que uma boa dose de amor não possa aliviar.

O ex-detetive forasteiro pendurou suas chuteiras, mas encontrou no jornalismo uma maneira de continuar a combater o crime, mostrando a cara dos meliantes e as conseqüências da caminhada criminosa.

Esta é a nossa historia….

E viverão felizes para sempre…

Quem disse que 13 é numero de azar…???

Operação Roda Dura… Policia civil desmantela quadrilha e põe fogo nas carteiras frias

Durante duas semanas, um a um, na surdina, sem alarde, os catorze  integrantes da quadrilha que há anos vinham vendendo CNH frias em Pouso Alegre e região, foram caindo nas malhas da lei…

Depois de gastar tanta lábia para vender carteiras frias as ‘roda-dura’, diante das câmeras e microfones Fernando Aragão e Fabiano de Souza, cabisbaixos, não abriram a boca nem para dizer ‘nada a declarar’…

A policia civil concluiu nesta quarta 12, as investigações que culminaram com a prisão de catorze estelionatários envolvidos num lucrativo esquema de venda de carteira de motoristas na região. Os trabalhos iniciaram ha vários meses, depois que algumas carteiras impressas em papel grosseiro, visivelmente de má qualidade, foram feitas em blitz rotineiras da policia rodoviária estadual.

Os policiais da AISP 109 concluiram que a quadrilha, composta por 16 integrantes, agia na região a pelo menos dois anos, alguns até a mais tempo. Cerca de 40 carteiras frias, apreendidas em poder de motoristas supostamente habilitados, residentes nos municípios de Pouso Alegre, Congonhal, Estiva, Cambuí, Senador Jose Bento, Cachoeira de Minas, todos na área da circunscrição da CIRETRAN de Pouso Alegre, dão a dimensão da ramificação dos criminosos.

Mas eles garantiam que a carteira era quente!!!

Para isso usavam o nome de funcionários da delegacia de Policia e diziam que eram seus amigos, estavam em conluio com eles, alguns até se identificavam como policiais, por isso conseguiam o documento sem exames.

Segundo o delegado regional Flavio Tadeu Destro, a organização criminosa era comandada por Fabiano de Souza Pereira, que intermediava a negociação e Fernando Aragão dos Santos e sua esposa Edilaine Regina de Melo Souza, que cuidavam da documentação tais como CPF, RG, comprovante de residência e fotografias e ainda parcelavam em duas vezes. Com eles foram apreendidos computadores, notebooks, papeis para impressão das carteiras frias e documentos de futuros “motoristas roda-dura”.

Miguel Arcanjo Lacerda, Paulo Roberto Silva Peres, Adriano dos Anjos Nascimento, Edson Jose da Silva, Jairo Carvalho Vieira, Jose Fernando Contrucci Faria, Ana Rosa de Morais e Silva, Mauricio de Oliveira Moraes, Eurípedes “Lipinho” Pelegrini Pereira,  Lucas de Araujo, Anésio Severino da Silva, Sebastião Roque da Silva “Cardan” e Gesio Antonio Ramos eram os agenciadores. Eles cobravam entre R$500 reais e R$3 mil reais de acordo com a cara do freguês…

Para o delegado Tomas Edson Vivas de Resende, membro da Banca Examinadora da Ciretran e delegado que chefiou os detetives nas investigações, nos últimos anos, centenas de CNHs frias foram vendidas pela quadrilha. Todas como se tivessem sido expedidas pela CIRETRAN de Pouso Alegre, assim não levantaria suspeitas quando os ‘roda-dura’ fossem abordados pelos policiais nas blitz de fiscalização… Centenas de  motoristas circulando nas ruas e rodovias do sul de minas… sem habilitação!!!

Todos os integrantes da quadrilha foram presos mediante Mandado de Prisão Preventiva por Falsificação de documento e formação de quadrilha. Adriano e Edson, que portavam as próprias carteiras frias no momento da prisão, responderão ainda por uso de documentos falso. Fabiano, o chefe do bando responderá ainda por estelionato e trafico de influencia, porque dizia ser amigo e parceiro de policiais.

Além de comandar a quadrilha, Fabiano exercia uma função ainda mais sórdida! Para alguns candidatos que tentavam conseguir a carteira pelos tramites legais e se inscreviam no exame de rua, ele pegava dinheiro e prometia intervir na delegacia e na banca examinadora, onde alegava ter influencia. Como não tinha e nunca teve influencia, o candidato que não estava apto a dirigir, era reprovado… e ficava com a dupla imagem de corrupção do examinador, que nem conhecia o crápula Fabiano.

O estelionatário Jairo Carvalho Vieira e o ex-playboy e inadimplente de pensão alimentícia, Jose Fernando Contrucci Faria, já estavam vendo o sol nascer quadrado desde o final de maio, transferido por motivos de segurança, para o Hotel Recanto das Margaridas, em Santa Rita do Sapucaí .

Edilaine Regina de Melo Souza, esposa do falsario Fernando Aragão dos Santos, pressa preventivamente no inicio da operação, teve a prisão relaxada porque colaborou com as demais investigações e esta amamentando um bebê de 2 meses. Ela responderá o processo em liberdade.

A máfia das carteiras frias poderá amargar até 130 anos de cana.

Está com pena?

Pois coloque as barbas de molho!!! Você que leva no bolso uma “pedrinha de gelo”, uma carteira tão falsa quanto nota de 7 reais, também vai sentar-se ao piano e assinar o 304… O hotel do Juquinha está te esperando de braços abertos…!

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Adolescente mata companheiro de copo a pedradas

O crime aconteceu na ordeira, simpatica e rica Jacutinga, capital das malhas, ao pé da noite deste frio domingo.

Valdeli Fernandes e o menor R.L.da Silva, 17 anos, bebiam em um boteco na saída do bairro Sapé, até que resolveram ir embora no carro de Valdeli, um fusca que estava estacionado a poucos metros dali.

De repente um garoto chegou correndo no bar e informou:

– Os homens estão brigando ali na frente…!

Ao se aproximar do veiculo a testemunha surpreendeu o garotinho com um bloco de cimento de uma construção próxima, levantado, prestes a soltá-lo na cabeça do companheiro de copo… E soltou. E nao fora o primeiro golpe. Valdeli estava de costas na rua, com ferimentos na cabeça, já sem vida.

R.L. ‘apreendido’ dentro do carro do colega de copo e contou aos policiais que matou Valdeli por causa de uma divida que tinha com ele. A este blog o ‘dimenor’, que diz que nunca foi preso, deu outra versão. Disse ele que nem conhecia Valdeli e quando estava ajudando-o a empurrar o fusca, sem mais nem menos ele passou a ameaçá-lo com uma faca, por isso o agrediu com o bloco de cimento até matá-lo.

O menor, cuja mãe recusou-se a acompanhá-lo à Delegacia Regional de Pouso Alegre, alegando que ele tem mais de 14 anos e portanto é responsável pelos seus atos, assinou o 121 e deverá ser apresentado ao Juiz da Infância e Juventude de Jacutinga, nesta segunda, o qual decidirá o seu destino.

Quatro Semanas e Meia na UTI-Neonatal

Cheguei! Foi ao pé de uma noite morna de principio de julho. Cheguei com varias semanas de antecedência, com metade do peso para a idade,  mas já era esperado. Aliás, como era esperado!!!

De repente senti uma quente e estranha mão puxando minhas pernas, meu bumbum, minha costela, tronco, pescoço… Em segundos me puxaram para fora e me levantaram no ar. Que frio! Imediatamente me passaram de mão em mão como uma bola de handebol e fui parar numa bacia ao lado, numa sala cheia de luzinhas coloridas e pessoas sem rosto. Abri a boca a chorar. Para onde eu me virava uma luz forte e irritante me acompanhava piscando a cada segundo. Não consegui abrir os olhos mas pude perceber que apesar da tensão na sala, todos ficaram alegres e aliviados quando eu chorei, especialmente o fotógrafo… meu pai. Depois de embrulhado num pano grosso e aquecido, percebi que me aproximavam de um rosto que eu ainda não tinha visto mas pelo calor e pelo sorriso senti que me era muito conhecido… era minha mãe. Todo embrulhado fui levado para outra sala onde havia mais 5 crianças como eu, e fui colocado numa casinha de vidro bem iluminada e quentinha. Que delicia! Passei a noite de ‘diboinha’, mas sem entender muito bem o que estava fazendo ali. Logo descobri que era uma UTI-Neonatal. Pela manhã me deu um sufoco danado! Comecei ficar roxo! Antes que eu parasse de respirar colocaram um tubo plástico na minha garganta. Fiquei vários dias com aquilo me incomodando. Quando tiraram aquele, colocaram outro, e com ele veio um liquido amarelado meio sem gosto que inundou meu estomago. Ouvi comentarem que eram três ml de um tal de ‘colostro’. Meus companheiros de UTI começaram me abandonar no dia seguinte. Logo ficamos só eu e a Isabelly, tão frágil quanto eu. Uma semana depois começou encher de novo. Primeiro veio a Maria Eduarda, de Conceição dos Ouros, depois a Marina de Pouso Alegre, depois o Celso Joaquim, de Silvianópolis, a Chiara, de Ouro Fino, o Gabriel e os gêmeos de Guaxupé; Lailson e Lailton. Fiquei triste pelos gêmeos, pois a mãe deles voltou para casa e eles ficaram ali mais de uma semana sem ninguém da família.

Na UTI Neonatal, entre tubos, estufas, ordenhadeira mecânica e luzes piscantes a gente ouve e aprende muita coisa. Uma delas é que adolescente, loira ou não, além de viver num mundo distante do nosso, pode também ser hilária. Minha irmãzinha de catorze anos ficou decepcionada com meu porte físico ao me ver na incubadora com as costelinhas à mostra. Interrogada pelo vovô Julio sobre o que tinha achado, respondeu economicamente fazendo fusquinha;

– Ele é horroroso, né?… ”.

E o avô espirituoso como sempre não deixou por menos:

– Também achei, igualzinho a você quando nasceu!

Eu não fiquei magoado e dias mais tarde quando ela me pegou no colo, já vestido e embrulhado, toda cheia de dedos, como se pegasse um copo de cristal, dei uma gostosa espreguiçada. Ela toda apavorada me devolveu para a mamãe dizendo;

– Ai, ele ta mexendo!!!

No dia em que os gêmeos desceram, tio Helio ficou eufórico. Quando nossos pais chegaram para a visita noturna ele os recebeu na porta da UTI cantarolando e plagiando locutor de circo;

– A UTI Neonatal orgulhosamente apresenta a dupla sensação do momento; Lailson & Lailton, os Gêmeos de Guaxupé…!

Mas nem tudo na UTI é engraçado e alegre. Às vezes a agente dá susto em nossos pais, pois nosso corpinho ainda não faz tudo que um corpinho de 36 semanas faz. É exatamente por isso que estamos aqui na UTI. Quando a enfermeira diz para uma mãe que o médico quer falar com ela, já é o suficiente para seus olhos começarem a nadar e seu coração querer saltar fora do peito.

Uma manhã eu estava no gostoso colinho da mamãe tentando sugar meu lanche, quando comecei sentir uma bambeza nas pernas, uma falta de ar… Parei de respirar!!! Mamãe manteve o controle. Massageou meu peito, devolveu-me à minha casinha, e comunicou o médico, que me socorreu. Mas quando ela saiu lá fora abriu o bocão. Coitada!

O caso mais comovente foi o da amiguinha Maria Eduarda. Ela chegou com menos de um quilo e três dias depois, ainda mais leve, passou por uma cirurgia. Seus pais a visitavam todo santo dia, de manhã, de tarde e de noite, por muitos dias. Mas ela não conseguiu se alimentar e crescer. Se foi sem ter sentido o calor do colo dos pais.

Nestas quatro semanas e meia conheci também a solidariedade. UTI não escolhe cor, religião ou classe social. Todo bebê prematuro tem que fazer estágio aqui para completar o que o parto antecipado interrompeu. Os pais dos gêmeos de Guaxupé não tinham sequer um enxoval. Sua mãe veio buscá-los de carona e sem nenhuma mala. Mas a graciosidade e estripulia dos meninos contagiou o ambiente, a começar pelo tio Hélio… Eles foram para casa muito bem agasalhados, levando na bagagem quase um caminhão de fraldas, roupinhas e leite, doados por nossos pais, pelas enfermeiras, médicos e todos que souberam das carências dos pequenos. A jovem e humilde mãe verteu lagrimas de alegria.

O objetivo desta crônica no entanto vai além de mostrar o cotidiano dos nossos primeiros passos de vida. Eu disse passos? Eu quero também dar um puxão de orelha em alguns dos profissionais que cuidam de nós. Na UTI nós pacientes, vivemos exatamente no meio do caminho entre o paraíso terreno e o celeste… Nossos pais vivem com a emoção à flor da pele, com o coração na mão, agarrados na barra da saia dos santos e anjos, implorando para que eles nos deixem ficar aqui. A mais insignificante e invisível das bactérias pode encerrar a esperança deles e decidir em qual paraíso ficaremos. Além da higiene asséptica que deve ser impecável, não basta aos médicos e enfermeiras a excelência do conhecimento técnico ou cientifico profissional; é preciso ir além, é preciso ser também humano – quase todos são assim – e tratar a todos com carinho, com paciência, com bondade, com caridade e com igualdade. Sem preconceitos sociais. Não estou queixando por mim, pois recebi tratamento profissional e humano nota dez. Mas vi funcionário entrar na UTI com a roupa do corpo, que vem da rua, da academia, do consultório sem sequer lavar as mãos. E na hora de discutir nossas patologias e prognósticos com nossos pais, não dar o devido valor a eles ou ‘falar demais’… Eu gostaria que todos meus colegas de UTI e seus pais tivessem o mesmo tratamento que eu tive.

Voltemos à parte alegre.

… Bem, se no jardim havia alguns espinhos, gravetos ou quem sabe algumas árvores apenas fora da estação, ainda assim era um belíssimo jardim onde aspirei o delicado e suave perfume do amor fraterno de médicos e enfermeiras. Uns mais, outros mais ainda, você foram maravilhosos comigo e com meus pais. Sou eternamente grato por isso. Quero estender minha gratidão também a todos os demais funcionários – recepcionistas, copeiras e faxineiras – do Hospital Renascentista, onde nasci e fiz meu primeiro ‘estágio’ neste belo mundo de Deus.

Não sei ainda o que esperar das pessoas, mas, por estas, linhas acho que as pessoas sabem o que esperar de mim…

Hoje estou completando dois aninhos. Já fiz estripulias do ‘arco da velha’… Ainda bem que ‘mamã’ o ‘babai’ tem muita paciência!!! Só não entendo porque eles insistem que eu chame “aboba” de banana e “ovo”, de morango!!

… É só o começo. Me aguardem!!!

*Este jovem cronista que vos escreve é filho do colunista policial e blogueiro Airton Chips e de Tatiana e nasceu no inicio de julho de 2010.

 

Alex Delgado, o Magaiver do Hotel do Juquinha

Apesar do combate ferrenho dado pela atual administração ao trafico, a droga continua entrando no Hotel do Juquinha. Após minuciosa investigação, os agentes do setor de inteligência concluíram que no x 08 havia drogas e celulares mocosados.

Mas onde exatamente???

Depois de esvaziar e varrer cada centimetro da cela, só sobrou um pequeno orifício na parede, camuflado por uma foto de Carolina Dickmam em trajes de Eva. Do ‘buiaquinho’, saiam cinco pequenos fios de barbante, cada um de uma cor. Ao serem puxados juntos os barbantes ofereceram resistência e… arrebentaram.

Ali tinha coisa…!!!

Com uma marreta os agentes abriram um buraco na parede e lá estava a prova do crime: 12 barangas de farinha do capeta e quatro celulares. O segredo era puxar um fio de barbante de cada cor, um de cada vez, pois só cabia um aparelho no ‘fuiaquinho’…

Nem Magaiver, o detetive do seriado de TV que, usando a pólvora de um palito de fósforo e a cabeça de um alfinete fazia uma bomba… com as mãos amarradas, faria melhor.

Alex Delgado, 19 anos, natural de Bragança Paulista, radicado em Congonhal, assumiu a ‘paternidade da criança espuria’… apesar de ela não ter seu DNA.  O jovem presidiario, que desde outubro do ano passado se hospeda no Hotel do Juquinha, por trafico ‘formiguinha’ de drogas, desceu para a DP, sentou ao piano e assinou mais um 33.

Ladrão trapalhão pula o muro e cai nos braços da lei

Ele só queria descolar uma graninha extra para pagar o tablet, mas acabou entrando no mundo do crime… pela porta dos fundos.

Cleberson Evanista, 21 anos, diz que jamais pegou alguma coisa que não fosse dele. Tinha uma vida que era uma doçura, trabalhando em Cambuí… em uma fabrica de doces. Mas a fabrica de gostosuras se transferiu para São Paulo e ele não quis ir junto. Quando conseguiu emprego de ajudante de serralhiro, já estava endividado… Para quitar a divida de um tablet que havia comprado para se conectar com o mundo, só achou um saída… Fazer um assalto!

Comprou um revolver e foi à luta. Na terça à noite entrou na casa de uma senhora e apontou o trabuco. Mas deu tudo errado. Além de não ter prática em roubar velhinhas, a vitima tambem não tinha prática em ser asssaltada e assustou-se, muito mais com sua presença dentro de sua casa do que com o trabuco e colocou a boca no trombone.

Quando os vizinhos ouviram os gritos de socorro e apareceram para socorrer a velhinha, Cleberson apavorou e pulou o muro dos fundos… Caiu direto nos braços dos homens da lei que passavam por ali. Para completar o fiasco, na fuga seu revolver prensou na porta e se quebrou! … Era de brinquedo. O revolver sim, mas a cana não. Ele sentou-se ao piano, assinou um 157 tentado e deverá hospedar-se no velho Hotel da Cel. Lambert… Se houver vaga, é claro, pois a cadeia de Cambuí anda lotada, soltando preso pelo ladrão…!

PM intervem em assalto e mata ladrão em Pouso Alegre

Atendendo solicitação do promotor da Infância e Juventude de Pouso Alegre, “guardião do ECA”, estamos protegendo a identidade do assaltante morto em ação na terça feira,03.

 Fazemo-lo muito a contra gosto, não com a solicitação do zeloso Representante do Ministério Publico, mas com a lei falha, que protege a identidade do meliante, quando deveria ao contrario, mostrá-lo à sociedade, para que possamos nos precaver e nos proteger de suas ações malignas e criminosas. Até porque o assaltante em questão tinha escola em casa – dois irmãos presos por trafico e outros delitos – e estava na ‘caminhada criminosa’ já a um bom tempo, embora em tenra idade.

Mas… lei, ruim, inócua, insipiente, absurda ou não…é lei! Devemos cumpri-la.

Zezinho morreu no terceiro assalto…

Hora errada, lugar errado… Ao anunciar o assalto ao frentista do posto, os assaltantes não perceberam que do outro lado da bomba havia um policial, pronto para intervir… Pior, ao ver o trabuco apontado para suas caras, tentaram atirar e fugir…

Ao deixar sua casinha simples no bairo Vista Alegre ontem à tarde, F.J.S. N., o franzino Zezinho não imaginou que nunca mais voltaria para lá. Meia hora depois ele encontrou o amigo e parceiro de crimes J.M.S. de Freitas, residente no vizinho bairro Jardim Amazonas e foram para o centro da cidade, escolher uma vitima. De preferência alguém longe de casa, para dificultar o reconhecimento, embora pretendessem esconder o rosto na hora de mostrar a arma.

Planejaram tudo nos mínimos detalhes. Tinha que ser um local onde houvesse bastante dinheiro. Tinha que ser local de pouco movimento, para evitar complicações. Tinha que ser no momento em que os homens da lei trocam de turno e as ruas ficam ‘limpas’, assim o risco seria menor. Escolheram o Posto do Agenor, na Perimetral, do outro lado da cidade, às sete da noite, uma hora antes de fechar. O local tinha ainda mais um fator favorável… Um tia de J.M.S. mora ali perto, assim poderiam realizar o roubo e correr para lá, onde poderiam ficar até a manhã seguinte esperando a poeira baixar. Plano perfeito. Era só apontar o Rossinho 22  lustroso e exigir o dim-dim. Só esqueceram de combinar o plano com os policiais que estão saindo do serviço…

No momento em que estavam passando a sacolinha pelo caixa, o imprevisto apareceu… Um veiculo particular com dois policiais, que acabavam de deixar o turno de serviço, encostou para abastecer.

Ao perceber a movimentação e os gritos de “perdeu, perdeu…” o policial A.A. 35 anos, não teve duvida; era um assalto. Teve calma para seguir o procedimento padrão; protegeu-se, sacou o trezoitão, apontou e deu a ordem:

– Pare… é a policia!

Os dois garotos de 16 anos não haviam planejado esta parte… Pegos de surpresa viraram-se para o policial com a arma na mão…

Dois tiros foram disparados pelo policial. Um acertou o braço, o outro atingiu o peito frágil do franzino Zezinho. Enquanto ele caia mortalmente ferido, J.M.S. tentou fugir numa moto de uma funcionaria – que escondeu a chave – dobrou a serra do cajuru enfurnando-se na penumbra da noite no bairro São Jose.

F.J. S. N., morador da Beija Flor, não viveu nem o suficiente para saber que o inseparavel parceiro seria preso minutos depois debaixo das cobertas na casa da tia, há poucos metros dali, depois esconder o revolver usado no assalto sob o telhado da casa vizinha.

O dinâmico, atento e comedido cabo A.A., que alvejou letalmente o assaltante juvenil e evitou o roubo ao posto, foi indiciado em Inquérito Policial Militar, pelo 20º BPM e responderá por homicídio, com as excludentes de criminalidade previstas em lei. Ele já retornou às suas atividades normais

Segundo J.M.S. de Freitas, este foi o terceiro assalto praticado pela dupla. Quando foram ‘apreendidos’ no dia 17 de janeiro do ano passado, no segundo assalto, foram condenados a 13 meses de internação em Casa de Tratamento e Custodia do Estado. Inicialmente ficaram seis meses no Hotel do Juquinha. Depois Zezinho foi transferido para Divinópolis, onde cumpriu ‘de ponta’ sua ‘condenação’. Ele, J.M.S., depois de cinco meses, foi transferido para a antiga Febem de Sete Lagoas. Seis meses depois ganhou a famosa “saidinha” de sete dias e não voltou mais para a prisão. Foi preso mediante mandado no mês passado. No entanto ficou apenas uma semana em cana e ganhou o alvará para retornar à liberdade… e ao crime.

Com o inseparável parceiro Zezinho, cairam no terceiro assalto.

O dinâmico, atento e comedido cabo A.A., que alvejou letalmente o assaltante juvenil e evitou o roubo ao posto, foi indiciado em Inquérito Policial Militar, pelo 20º BPM e responderá por homicídio, com as excludentes de criminalidade previstas em lei. Ele já retornou às suas atividades normais.

Gatunos pés-de-couve atacam em Congonhal

Sábado à tarde o desocupado Oscar Nunes da Silva, 21 anos, entrou sorrateiramente no mercadinho do Moacir dos Santos e ficou por ali, como quem não quer nada. Quando achou que o comerciante estava distraído, colocou alguns CDs – destes de 7,99 – dentro da camisa e saiu de fininho.

Moacir não tem câmeras de ‘big brother’ no seu marcadinho, mas tem os olhos bem abertos. Na saída ele chamou o gatuno mão leve na chincha. Pilhado com a mão na musica, Oscarzinho jogou os CDs no chão e saiu acenando de cara feia com ‘um dedo só’, aquele do meio!…

Cara muito mais feia ele fez mais tarde, quando a PM voltou com ele já de pulseiras de prata para o reconhecimento do comerciante. Oscarzinho assinou um 155 e poderia ter voltado para casa, mas… ficou agarrado na fiança de R$2 mil reais!!!

Carlos Alberto Batista Ponte, 37 anos, não tem endereço muito definido. Ora mora em Santa Rita de Caldas, ora em São Sebastião da bela Vista, mas sabe o que quer… Quer o que não lhe pertence. No sábado à noite ele entrou numa padaria no centro da cidade, perguntou sobre o horário de ônibus para Pouso Alegre por três vezes. Na quarta vez, aproveitando que o balconista Marcos Aurélio estava distraído, montou sua bicicleta que estava na porta da padaria e pegou a estrada. Foi alcançado perto dos Coutinhos, pedalando a todo vapor.

Os homens da lei ajudaram o ‘ciclista’ a chegar mais cedo em Pouso Alegre… deram-lhe carona no taxi do contribuinte.

Carlos Roberto não tinha dinheiro nem para o ônibus, muito menos R$ 1 mil reais para pagar a fiança. Por isso, depois de passar o dedão – há muito tempo eu não via aqui na rica e desenvolvida região sulmineira um analfabeto –  no seu termo de declarações, foi se hospedar no Hotel do Juquinha.