Alex Delgado, o Magaiver do Hotel do Juquinha

Apesar do combate ferrenho dado pela atual administração ao trafico, a droga continua entrando no Hotel do Juquinha. Após minuciosa investigação, os agentes do setor de inteligência concluíram que no x 08 havia drogas e celulares mocosados.

Mas onde exatamente???

Depois de esvaziar e varrer cada centimetro da cela, só sobrou um pequeno orifício na parede, camuflado por uma foto de Carolina Dickmam em trajes de Eva. Do ‘buiaquinho’, saiam cinco pequenos fios de barbante, cada um de uma cor. Ao serem puxados juntos os barbantes ofereceram resistência e… arrebentaram.

Ali tinha coisa…!!!

Com uma marreta os agentes abriram um buraco na parede e lá estava a prova do crime: 12 barangas de farinha do capeta e quatro celulares. O segredo era puxar um fio de barbante de cada cor, um de cada vez, pois só cabia um aparelho no ‘fuiaquinho’…

Nem Magaiver, o detetive do seriado de TV que, usando a pólvora de um palito de fósforo e a cabeça de um alfinete fazia uma bomba… com as mãos amarradas, faria melhor.

Alex Delgado, 19 anos, natural de Bragança Paulista, radicado em Congonhal, assumiu a ‘paternidade da criança espuria’… apesar de ela não ter seu DNA.  O jovem presidiario, que desde outubro do ano passado se hospeda no Hotel do Juquinha, por trafico ‘formiguinha’ de drogas, desceu para a DP, sentou ao piano e assinou mais um 33.

Ladrão trapalhão pula o muro e cai nos braços da lei

Ele só queria descolar uma graninha extra para pagar o tablet, mas acabou entrando no mundo do crime… pela porta dos fundos.

Cleberson Evanista, 21 anos, diz que jamais pegou alguma coisa que não fosse dele. Tinha uma vida que era uma doçura, trabalhando em Cambuí… em uma fabrica de doces. Mas a fabrica de gostosuras se transferiu para São Paulo e ele não quis ir junto. Quando conseguiu emprego de ajudante de serralhiro, já estava endividado… Para quitar a divida de um tablet que havia comprado para se conectar com o mundo, só achou um saída… Fazer um assalto!

Comprou um revolver e foi à luta. Na terça à noite entrou na casa de uma senhora e apontou o trabuco. Mas deu tudo errado. Além de não ter prática em roubar velhinhas, a vitima tambem não tinha prática em ser asssaltada e assustou-se, muito mais com sua presença dentro de sua casa do que com o trabuco e colocou a boca no trombone.

Quando os vizinhos ouviram os gritos de socorro e apareceram para socorrer a velhinha, Cleberson apavorou e pulou o muro dos fundos… Caiu direto nos braços dos homens da lei que passavam por ali. Para completar o fiasco, na fuga seu revolver prensou na porta e se quebrou! … Era de brinquedo. O revolver sim, mas a cana não. Ele sentou-se ao piano, assinou um 157 tentado e deverá hospedar-se no velho Hotel da Cel. Lambert… Se houver vaga, é claro, pois a cadeia de Cambuí anda lotada, soltando preso pelo ladrão…!

PM intervem em assalto e mata ladrão em Pouso Alegre

Atendendo solicitação do promotor da Infância e Juventude de Pouso Alegre, “guardião do ECA”, estamos protegendo a identidade do assaltante morto em ação na terça feira,03.

 Fazemo-lo muito a contra gosto, não com a solicitação do zeloso Representante do Ministério Publico, mas com a lei falha, que protege a identidade do meliante, quando deveria ao contrario, mostrá-lo à sociedade, para que possamos nos precaver e nos proteger de suas ações malignas e criminosas. Até porque o assaltante em questão tinha escola em casa – dois irmãos presos por trafico e outros delitos – e estava na ‘caminhada criminosa’ já a um bom tempo, embora em tenra idade.

Mas… lei, ruim, inócua, insipiente, absurda ou não…é lei! Devemos cumpri-la.

Zezinho morreu no terceiro assalto…

Hora errada, lugar errado… Ao anunciar o assalto ao frentista do posto, os assaltantes não perceberam que do outro lado da bomba havia um policial, pronto para intervir… Pior, ao ver o trabuco apontado para suas caras, tentaram atirar e fugir…

Ao deixar sua casinha simples no bairo Vista Alegre ontem à tarde, F.J.S. N., o franzino Zezinho não imaginou que nunca mais voltaria para lá. Meia hora depois ele encontrou o amigo e parceiro de crimes J.M.S. de Freitas, residente no vizinho bairro Jardim Amazonas e foram para o centro da cidade, escolher uma vitima. De preferência alguém longe de casa, para dificultar o reconhecimento, embora pretendessem esconder o rosto na hora de mostrar a arma.

Planejaram tudo nos mínimos detalhes. Tinha que ser um local onde houvesse bastante dinheiro. Tinha que ser local de pouco movimento, para evitar complicações. Tinha que ser no momento em que os homens da lei trocam de turno e as ruas ficam ‘limpas’, assim o risco seria menor. Escolheram o Posto do Agenor, na Perimetral, do outro lado da cidade, às sete da noite, uma hora antes de fechar. O local tinha ainda mais um fator favorável… Um tia de J.M.S. mora ali perto, assim poderiam realizar o roubo e correr para lá, onde poderiam ficar até a manhã seguinte esperando a poeira baixar. Plano perfeito. Era só apontar o Rossinho 22  lustroso e exigir o dim-dim. Só esqueceram de combinar o plano com os policiais que estão saindo do serviço…

No momento em que estavam passando a sacolinha pelo caixa, o imprevisto apareceu… Um veiculo particular com dois policiais, que acabavam de deixar o turno de serviço, encostou para abastecer.

Ao perceber a movimentação e os gritos de “perdeu, perdeu…” o policial A.A. 35 anos, não teve duvida; era um assalto. Teve calma para seguir o procedimento padrão; protegeu-se, sacou o trezoitão, apontou e deu a ordem:

– Pare… é a policia!

Os dois garotos de 16 anos não haviam planejado esta parte… Pegos de surpresa viraram-se para o policial com a arma na mão…

Dois tiros foram disparados pelo policial. Um acertou o braço, o outro atingiu o peito frágil do franzino Zezinho. Enquanto ele caia mortalmente ferido, J.M.S. tentou fugir numa moto de uma funcionaria – que escondeu a chave – dobrou a serra do cajuru enfurnando-se na penumbra da noite no bairro São Jose.

F.J. S. N., morador da Beija Flor, não viveu nem o suficiente para saber que o inseparavel parceiro seria preso minutos depois debaixo das cobertas na casa da tia, há poucos metros dali, depois esconder o revolver usado no assalto sob o telhado da casa vizinha.

O dinâmico, atento e comedido cabo A.A., que alvejou letalmente o assaltante juvenil e evitou o roubo ao posto, foi indiciado em Inquérito Policial Militar, pelo 20º BPM e responderá por homicídio, com as excludentes de criminalidade previstas em lei. Ele já retornou às suas atividades normais

Segundo J.M.S. de Freitas, este foi o terceiro assalto praticado pela dupla. Quando foram ‘apreendidos’ no dia 17 de janeiro do ano passado, no segundo assalto, foram condenados a 13 meses de internação em Casa de Tratamento e Custodia do Estado. Inicialmente ficaram seis meses no Hotel do Juquinha. Depois Zezinho foi transferido para Divinópolis, onde cumpriu ‘de ponta’ sua ‘condenação’. Ele, J.M.S., depois de cinco meses, foi transferido para a antiga Febem de Sete Lagoas. Seis meses depois ganhou a famosa “saidinha” de sete dias e não voltou mais para a prisão. Foi preso mediante mandado no mês passado. No entanto ficou apenas uma semana em cana e ganhou o alvará para retornar à liberdade… e ao crime.

Com o inseparável parceiro Zezinho, cairam no terceiro assalto.

O dinâmico, atento e comedido cabo A.A., que alvejou letalmente o assaltante juvenil e evitou o roubo ao posto, foi indiciado em Inquérito Policial Militar, pelo 20º BPM e responderá por homicídio, com as excludentes de criminalidade previstas em lei. Ele já retornou às suas atividades normais.

Gatunos pés-de-couve atacam em Congonhal

Sábado à tarde o desocupado Oscar Nunes da Silva, 21 anos, entrou sorrateiramente no mercadinho do Moacir dos Santos e ficou por ali, como quem não quer nada. Quando achou que o comerciante estava distraído, colocou alguns CDs – destes de 7,99 – dentro da camisa e saiu de fininho.

Moacir não tem câmeras de ‘big brother’ no seu marcadinho, mas tem os olhos bem abertos. Na saída ele chamou o gatuno mão leve na chincha. Pilhado com a mão na musica, Oscarzinho jogou os CDs no chão e saiu acenando de cara feia com ‘um dedo só’, aquele do meio!…

Cara muito mais feia ele fez mais tarde, quando a PM voltou com ele já de pulseiras de prata para o reconhecimento do comerciante. Oscarzinho assinou um 155 e poderia ter voltado para casa, mas… ficou agarrado na fiança de R$2 mil reais!!!

Carlos Alberto Batista Ponte, 37 anos, não tem endereço muito definido. Ora mora em Santa Rita de Caldas, ora em São Sebastião da bela Vista, mas sabe o que quer… Quer o que não lhe pertence. No sábado à noite ele entrou numa padaria no centro da cidade, perguntou sobre o horário de ônibus para Pouso Alegre por três vezes. Na quarta vez, aproveitando que o balconista Marcos Aurélio estava distraído, montou sua bicicleta que estava na porta da padaria e pegou a estrada. Foi alcançado perto dos Coutinhos, pedalando a todo vapor.

Os homens da lei ajudaram o ‘ciclista’ a chegar mais cedo em Pouso Alegre… deram-lhe carona no taxi do contribuinte.

Carlos Roberto não tinha dinheiro nem para o ônibus, muito menos R$ 1 mil reais para pagar a fiança. Por isso, depois de passar o dedão – há muito tempo eu não via aqui na rica e desenvolvida região sulmineira um analfabeto –  no seu termo de declarações, foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

 

Preso que chegar atrasado … vai dormir na rua

Esta é uma péssima noticia para os meliantes pés-de-couve que não conseguem ficar longe dos presídios!! Sim, pois tem aqueles que furtam barras de chocolates, pilhas, barbeador e outras produtos de valor insignificante, apenas para ser preso e se hospedar no hotel do contribuinte, onde tem casa,  ‘bandeco’ quentinho, roupa lavada, assistência medica, odontologica, psicológica, jurídica, chamego na visita intima e ainda por cima sentinelas armados para cuidar da segurança… tudo de graça.

É, mas a mamata está acabando. Os presídios estão em situação precária e superlotados. Para evitar complicações com os defensores dos direitos humanos, os juizes criminais estão mandando soltar os presos primários ou cujos crimes não representem grande pontencial ofensivo à sociedade.

Faz lembrar aquela piada que barnabé contava nos circos de lona na década de 70…

– Minha cidade é tão pacata, mas tão pacata, que o delegado pregou um aviso na porta da cadeia, que diz assim: “ A partir desta data, o preso que chegar depois das nove da noite, vai dormir na rua”

Mas o que está acontecendo, não é piada…

Mês passado a juiza Ayla Figueiredo, da Comarca de Tres Corações, mandou soltar 96 presos de bom comportamento, cujos crimes eram de ‘menor potencial ofensivo’ – a maioria trafico de drogas – e a criminalidade não estava diminuindo com suas prisões. Em Passos, a cidade com maior índice de homicídios no Estado de Minas – no ano passado foram 48 assassinatos. Este ano dezoito passenses já morreram de ‘morte matada’ – o Juiz Criminal, baseando nos mesmos princípios, mandou soltar quase trinta presos que aguardavam julgamento.

A cidade de Cambuí, embora no varejo, está entrando no mesmo ritimo.  No mês passado a Paulinha ‘cara de pidoncha’, foi presa perto do estádio municipal, no momento em que agendava uma encomenda de pedra bege fedorenta. Foi solta no dia seguinte, a mando do homem da Capa preta. Na semana seguinte foi presa novamente, tentando entregar a droga ao marido, Vando, na cadeia, dentro de sabonetes…

Semana passada foi a vez de Michele Aparecida da Silva. Ela enroscou-se nas malhas da lei com alguns patuás de crack. Mas como a droga era pouca e o velho hotel da Cel. Lambert estava lotado, Michele recebeu o habeas corpus no mesmo dia e voltou para a rua. Três dias depois ela se enroscou novamente. Desta vez vendendo CDs e DVDs piratas, para comprar pão e leite para os 4 filhos e ‘farinha’ para ela…

O crime é ainda menos ofensivo à sociedade, mas é crime previsto no artigo 184 do CP. O delegado de plantão fez sua parte. Aliás, foi cruel! Arbitrou a fiança em 3 salarios mínimo. E agora doutor?

Com tanto meliante fazendo feiúra por aí e tão pouco espaço nas cadeias, a velha piadinha de auditório do Barnabé está de volta…!!!

 

A ultima batalha do Campeão

Conheci o Campeão na loja de motores do Camargo, na Tuany Toledo, em 1995. Na época ele ainda se chamava Pity… Devia ter uns cinco ou seis meses de vida. Pity pertencia à sua caçula Aline, que tinha quase a mesma idade proporcional dele, 5 anos. Ela havia ganhado o bicho mal saído das fraldas e deve ter pensando que ele ficaria eternamente seus treze anos do tamanho de filhote.

À medida que o esperto cãozinho ia crescendo, crescia também a preocupação em desfazer-se dele. O Camargo e a Bete, claro, pois se dependesse da Aline ela estaria com ele até seus bigodes pintarem de russo. Talvez até o levasse para Londres, onde mora hoje!

O bicho tinha um habito curioso e interessante. Adorava passear. A guia ficava sob o balcão da loja. Toda vez que a garotinha o convidava para dar uma volta na avenida, ele corria na frente, pegava a guia trazia até ela, esperava que ela pegasse na outra extremidade e saia segurando a guia com a boca, pela rua, belo e empertigado, puxando a garotinha…

Era um cachorro extremamente fiel, afável e educado, mas… Cresceu. No sobradinho do Camargo não havia espaço para ele, embora tivesse espaço de sobra no coração de Aline.

Levei para o sitio. Levei para agradar o amigo, pois eu tinha a cadela Nala, já madura e o molecão Nero. Além do que, como Camargo e família iam sempre ao sitio, Aline não se separaria do seu Pity.

Aconteceu que naquela semana meu vizinho Osvaldo perdeu seu Lulu… – Meus cães sempre se chamaram Nala, Atila, Nero, Califa, Iscar… Os do Osvaldo sempre eram rebatizados de Lulu, Totó, ou Campeão – Na roça, quem uma vez teve um cão, nunca mais deixa de ter um.

Pity caiu como uma luva na vida do Osvaldo. Saiu muito melhor do que a encomenda. Tornou-se seu amigo inseparável. Onde ele ia o cão ia atrás, quero dizer, na frente… correndo aqui e acolá, cheirando um arbusto, espantando um passarinho, levantando  uma perna ou outra e marcando o território, encarando um rival.

Tão logo chegou à casa do Osvaldo Pity foi rebatizado de Campeão. O nome Pity, servia para um cão da cidade, de uma menina. Agora ele era um cachorro brejeiro, da roça… Vigiava a casa, anunciava quem chegava ao portão e mandava esperar lá fora até o dono chegar. Punha para correr qualquer bicho que ameaçasse a segurança do sitio. Ia todo dia para o trabalho com Osvaldo e seu pai, a pé, dois ou três quilômetros. Enquanto eles trabalhavam na lavoura, Campeão fazia uma varredura no local. Espantava e perseguia lebres, ouriços, cobras, lagartos, onças, lobos e outros bichos. Quando se cansava deitava na sombra de uma planta qualquer e dormia o sono dos justos… e fiéis. Só acordava quando sentia o cheirinho de comida. Mas não avançava. Levantava a cabeça, esticava os olhos, quase lambia os beiços e esperava ser servido, no chão, sem frescura. Na volta para casa no final do dia, chegava sempre na frente dos donos. Se eu estivesse na cozinha de sua casa e campeão chegasse arfante e sorridente e estivéssemos falando mal do Osvaldo ou do tio Antonio, tínhamos que mudar de assunto, pois dentro de dois minutos eles entrariam pela varanda.

Eu mesmo fiz um portãozinho de vai-vem na tela da casa dele. Assim ele poderia sair do quintal para dar seus passeios diários sem precisar do Osvaldo.

Campeão se adaptou maravilhosamente bem à vida do campo, mas não esqueceu suas raízes. Toda vez que a antiga dona ia ao sitio e fazia-lhe uma visita, era recebida sempre com sorrisos, trejeitos e abanos de rabo. Comigo então, era uma festa especial!! Parece que ele passava a semana me esperando. Vinha me receber fora do portão, pulando igual uma gazela. Só parava para receber os cafunés. Deitava no chão, rolava, esperneava. Quando terminava o cafuné eu ordenava:

– Pronto, garoto… agora pode ir!

E ele voltava alegre e satisfeito pela mesma portinha de vai-vem que saíra e ia se deitar feliz na sombra da varanda.

A vida do Campeão era uma vida de campeão!!! Mas… mesmo um campeão tem desafetos. Campeão tinha dois no bairro… Um robusto viralatas ascendente da 15ª geração de pastor alemão do Tião do Candido e outro do mesmo porte, porém de ascendência mais próxima, da mesma raça, do Sr. Aleixo. Quando eles se encontravam na estrada era briga na certa. Do nada pegavam no tapa. Quero dizer, na cara, no peito, no pescoço… Não havia como separá-los. Cabo de vassoura, arbustos, chicote, balde d’agua fria… Nada esfriava a fúria dos dois contendores. Iam rolando na poeira, mordendo aqui, sendo mordido ali, latindo, ganindo e só paravam quando a energia ou o fôlego acabava. Passavam uns três dias acabrunhados pelos cantos, lambendo os ferimentos e logo estavam prontos para outra.

Presenciei uma destas brigas. Estávamos num mutirão de ‘conservação de estrada” quando o cão do Aleixo passou acompanhando seu Del Rey. Foi uma das lutas mais ferozes que já vi. Éramos mais de trinta homens de enxada na mão. Só conseguimos apartar a contenda quando alguém teve a feliz idéia de pegá-los pelas duas pernas traseiras e arrastá-los para mais de cem metros um do outro!!!

Esta valentia ainda lhe custaria a vida…!

Era uma ensolarada manhã de domingo, dia de clássico do campeonato brasileiro de 2002. Osvaldo foi ao pesqueiro do Jairo levar um recado e Campeão naturalmente foi na frente alegremente cantando, espantando borboletas, pássaros e grilos estrada poeirenta afora. Na encruzilhada das Onças, eis que ele encontra seu destino. Ali estavam não só o mestiço do Tião do Candido e o do Aleixo, seus inimigos mortais, bem como uma matilha inteira. O momento não poderia ser mais tenso e perigoso!!! Entre eles havia uma cadela viralatas no cio… Existe três momentos em que todos os cães viram bestas, voltam às origens… O pior é este, quando disputam uma fêmea no cio. Ficam incontroláveis… Campeão, jovem, forte, orgulhoso e viril, não sabia o risco que corria e mesmo que soubesse não recuaria. Naturalmente se apresentou à fêmea para fazer sua corte. Quando os dois inimigos o atacaram com ferocidade, os demais também entraram na briga. Só se via o bolo de cachorros rolando na poeira em meio aos latidos e ganidos. No primeiro ímpeto, Osvaldo pegou um bambu na beira da estrada e tentou intervir. Vã esperança!! Vinte homens com porretes e chicotes não dariam conta de separar as feras. Não se voltariam contra ele, não o atacariam deliberadamente, mas acidentes seriam inevitáveis. Iriam brigar até a morte ou enquanto tivessem energias. Fossem apenas cachorros brigando pela fêmea, talvez a briga não fosse tão longe. No entanto, entre os brigões assanhados estavam os dois mestiços, inimigos mortais de Campeão.

Osvaldo assistiu desconsolado por alguns instantes, mas quando viu seu estimado amigo perder as forças e começar a sangrar, não teve coragem de continuar olhando. Deixou o sangrento campo de guerra, totalmente impotente… Banhado em lagrimas.

Quando cheguei à sua casa, por volta de quatro da tarde, recebi a triste noticia. Campeão havia lutado bravamente como sempre, mas… havia perdido sua ultima batalha. Osvaldo não tivera coragem nem de resgatar seu corpo para os funerais.

O jogo já ia começar. Sentados na sala diante do empolgante Atlético x Coritiba, pareceu-me ver um vulto entre os arbustos perto da Igreja. Talvez fosse um gato se esgueirando ou quem sabe uma galinha…

Continuamos concentrados no jogo… No intervalo do clássico, quando a tensão baixou, ouvimos o balançar da cerca da portinha de vai-vem seguido de um gemido… Levantei no ato. Aquele portão que eu fizera só era usado pelo Campeão!

Era ele! Ou o que restara dele. Na verdade estava inteiro, mas, queijo suíço tinha menos furos…

Campeão levara algumas horas rastejando da encruzilhada das Onças até a casa do dono. Desde que passara na frente da igreja, levara mais de vinte minutos para rastejar os últimos vinte metros até o portão. Tomei-o nos braços e o coloquei no alpendre, no lugar que ele costumava cochilar nas tardes domingueiras enquanto assistíamos o futebol. Não tinha mais sangue. Mesmo que colocássemos, sairia pelos incontáveis furos. Não havia nada que pudéssemos fazer a não ser lamentar. Quando o jogo terminou, Campeão já não respirava mais. Ao menos morrera na casa do dono.

Campeão deixou descendência. Um filho e um neto, mas nenhum se equiparou a ele em educação, coragem, alegria e fidelidade.

Em 98 adquirimos o habito de acampar nas serras de Congonhal, uma vez por ano, em noites de lua cheia. É o que chamamos de ‘pouso no mato’. Distante da civilização, a poucos metros de matas fechadas, estamos sujeitos a visitas de lobos, onças, cachorros do mato, cobras e outros bichos nas geladas madrugadas de lua prateada. Era uma aventura impar, porém arriscada… Não para quem tinha a companhia do mateiro Campeão. Bem alimentado com restos de frango da ceia, Campeão passava a noite toda em volta das brasas da fogueira. Em ‘rosquinha’, fingia dormir, mas estava sempre atento a qualquer ruído ou cheiro que se aproximava. Diversas vezes acordávamos no meio da madrugada com seus latidos e ainda podíamos ver sob a lua branca, o lobo pardo se afastando em disparada em meio ao capinzal, perseguido pelo valente e fiel cão de guarda. Depois que ele morreu, nunca mais tivemos um pouso tão seguro.

Dez anos depois ainda é possível ver o esbelto e faceiro cão malhado levando sua pequena dona pela coleira para passear… Correndo e passando pela portinhola até se deitar à minha frente para receber os cafunés … Ou latindo forte e afugentando os lobos nas serras de Congonhal. As imagens do fiel amigo malhado ficaram gravadas para sempre na memória…

 

Tia ameaça matar adolescente…

Um pequena discussao por causa do sumiço da memoria de um celular, será lembrada por muito tempo pela jovem Ana Paula da Silva Oliveira.

Ela entrou em atrito com o sobrinho W.V.S.S. de 14 anos no final da tarde de ontem, na rua Padre Natalino, no velho Aterrado. O garotão chamou a policia e disse que estava sendo ameaçado pela tia com facas e um revolver.

Quando os homens da lei chegaram, Ana Paula confirmou a discussão, mas negou as ameaças…

– Pode revistar minha casa. Se tiver alguma arma aqui dentro vocês podem me levar presa… – Disse ela.

… Desde o pé da noite de segunda, 25, a jovem de 23 anos está morando no Hotel do Juquinha…

Na beira da cama do seu quarto estavam duas faconas grandes, de cozinha e envolto em um cobertor o revolver Taurus 32 enferrujado, com seis azeitonas prontinhas para vomitar. Ao sentar-se ao piano e assinar o 16 da 10.826, Ana Paula se limitou a dizer:

– Não sei como esta arma veio parar aqui…!!  

Policia de Tocaia… motoristas mamados em cana!

Ao contrario do que alguns colegas da imprensa, às vezes tentam passar para os leitores, na região do 17º Departamento de Policia Militar e Civil, que abrange três delegacias regionais e mais de 70 cidades, a criminalidade está sob controle. Resultado da eficiência da policia no seu combate? Ou do juizo dos cidadãos?

Os crimes continuam acontecendo – pois eliminá-los totalmente é utopia – porém em, pequena escala. Nada que obrigue o cidadão de bem a arrancar os cabelos… Por isso, nossa pagina policial está quase vazia!

Sabedores de que estava acontecendo uma festa em um sitio nas margens da MG 459, na noite de sábado, entre Ouro Fino e Monte Sião, os zelosos patrulheiros estaduais resolveram armar uma blitz por ali e ficaram de tocaia.

As nove e meia da noite Wellington Nunes Penha, 26 anos saiu da festa abraçado com a loira gelada, abraçou o volante do seu gol, pegou a estrada, andou cem metros e …caiu nos braços da lei.

Ao soprar o bafômetro, constatou-se que ele tinha quase 300 miligramas de liquido correndo em suas veias… Mas não era sangue!!! Era álcool.

-Ô, seu guarda, mas daqui na minha casa são só cem metros…!

– Deixe que a gente te leva… É mais seguro. Em cem metros pode acontecer um acidente e você se machucar!!!

… E levaram mesmo! Mas levaram para o piano do delegado de plantão de Pouso Alegre, onde ele assinou o malfadado artigo 306 do CTB.

Duas horas mais tarde Jesuino Francisco Odinino, 52 anos, saiu da mesma festa, levando num braço a loira gelada e no outro seu golzinho. Lá estavam os zelosos patrulheiros esperando por ele. A historia se repetiu. Jesuino também soprou o aparelhinho dedo-duro e foi sentar-se ao piano do delegado de plantão em Pouso Alegre.

Wellington pagou 550 e Jesuino 650 reais de fiança para aguardar o processo em liberdade. Teria ficado mais barato se tivessem levado o motorista da rodada…

     

Motorista mamado corre mais que a policia

Às três e meia da tarde desta quinta, 21, de chuva fina, patrulheiros da estrada faziam policiamento de rotina pela MG 459, proximo a Monte Sião, quando de repente um Monza ultrapassou em alta velocidade e sumiu na curva. Os patrulheiros saíram no seu rastro e depois de intensa perseguição pela rodovia estadual e pelo bairro Mococa, o piloto finalmente entrou numa estrada vicinal e abandonou o velho Monza. Abandonou o veiculo mas não desistiu da fuga … Embrenhou-se num matagal à beira da estrada e logo tropeçou nas malhas da lei.

Convidado a soprar o bafômetro, constatou-se que o piloto Altair Wagner Teodoro, 39 anos, tinha 17 decigramas de álcool por litro de sangue correndo em suas veias. Isso dá cana!!!

Na DP de PA, Altair deu sua versão dos fatos: Disse que voltava de Águas de Lindóia e apenas ultrapassou a viatura, mas estava completamente sóbrio, pois não havia bebido nadica de nada. Mesmo assim ficou sem o carro, assinou um 306 e para voltar para a capital da malhas, teve que desembolsar 622 reais de fiança.

Ah, um dos passageiros do Monza, Odair Bernardo, era foragido da justiça!!!

Assim era Bogê…

Terminou na semana passada a Copa Bogê de futebol amador, realizada no campo do Bangu, no velho Aterrado. O evento organizadado pelos boleiros Luiz, Braizinho e Bofinho, contou com a participação de 16 equipes da cidade. O caneco ficou com Bangu A.C. um dos mais antigos e tradicionais clubes de futebol amador de Pouso Alegre. A copa homenageou o boleiro Jesus Bento de Souza, o Bogê, morto aos setenta anos e um dia, em 2010.

Mas quem foi Bogê???

Conheci Bogê numa manha fresca de agosto de 1982. Quando cheguei para trabalhar na velha delegacia da Silvestrre Ferraz, o saudoso Inspetor Ângelo – impossível mencionar o nome do policial Ângelo Augusto de Freitas, falecido na manha do dia 05 de outubro de 2004, sem mencionar saudade. O velho Angelo fez do serviço publico sua religião. O trato com as pessoas, com seus superiores, com seus subordinados, sua simplicidade e seriedade na busca da solução para o problemas dos outros tornaram o Inspetor Ângelo numa pessoa impar na policia – conversava com Bogê. Quando terminei de assinar o “ponto” ele olhou para mim e disse:

– Chips, vá com o Bogê ao bairro dos Vitorinos… Ele achou a canoa dele lá e precisa de apoio policial para trazê-la de volta. Não se preocupe em apurar o furto. Basta recuperar a canoa…

Bogê olhou para mim com os olhos vivos e curiosos e deve ter pensado: “Será que este moleque dá conta de trazer esta canoa, do bairro dos Vitorinos!?”.

Durante décadas o bairro dos Vitorinos, município de Silvianopolis, divisa com S.S. da Bela Vista, margeando todo Rio Sapucaí, entre os bairros do Sitio e Água Quente, ostentou a fama de ser o mais violento da região. Povo de sangue quente e língua curta. De pouca prosa. Treleu não deu, quem fala é a lapiana numero 9 ou o trinta e dois.

A canoa do Bogê fora furtada nos fundos de sua casa no Rio Sapucaí, no bairro de Fátima. Um oleiro conhecido seu havia reconhecido a canoa amarrada na beira do rio, lá no bairro dos valentões, 30 quilometros rio abaixo.

Fomos num caminhão basculante que traria areia e a canoa. Atravessamos o rio e saímos numa pequena fazenda no bairro dos ‘perigosos’. Contrariando a orientação do Inspetor Ângelo, chegamos até o curral onde um velhote de sessenta e poucos ordenhava uma malhada holandeza, escoltado por um grande cão mestiço passtor alemão. Ele só nos deu atenção quando eu afastei a jaqueta jeans deixando aparecer o cabo do velho HO enferrujado na cinta. Mesmo assim respondeu resmungando que não possuía canoa e nem conhecia ninguém por ali que tivesse uma. Era um autentico “Vitorino”…  O velho Ângelo, que em 82 ainda não era velho, mas tinha muita experiência de vida, estava certo. O que importava era trazer a res furtiva do Bogê de volta. Cortamos a corrente que a prendia ao pé de um ingazeiro, colocamos na caçamba basculante e voltamos para casa. Naquele resto de ano nunca mais faltaria peixe na mesa do Ângelo e na minha. Bogê, pescador nas horas vagas ficou eternamente grato. Ele mesmo relembraria e recontaria esta historia dezenas de vezes.

Apesar da aventura perigosa da canoa no bairro dos valentes Vitorinos, nossos passos se estreitaram  a partir de 85, através da verdadeira paixão do Bogê: o futebol.

Quando ressucitamos a Liga Esportiva de Pouso Alegre, Bogê reapareceu com sua verdadeira roupagem; técnico de futebol. Montou, ao lado do Herondi Chagas, a A.A. de Fátima, clube que se rivalizaria com o tradicional Juventus do Zé Maria. Com vários jogos de uniformes na cores Vermelho e Branco, o time do Bogê era o mais vistoso da cidade. Foi o pioneiro em torcida feminina organizada. O barranco do Estádio Minduinzão, na beira da linha, no Fátima, nunca mais seria o mesmo depois do time do Bogê. A galera era tão animada que virou time de futebol feminino!!

Apesar de toda animação, de todo colorido e da experiência futebolística do Bogê, a A.A. de Fátima não chegou a colecionar canecos. Teve vida efêmera, durou poucos anos.

Mas o boleiro apaixonado não pendurou as chuteiras. Aliou-se ao rival Juventus e foi mais feliz com a camisa grená. No entanto, a marca do extrovertido ponta direita e sempre alegre e sonhador treinador de futebol, ficaria gravada para sempre nos anais da historia do futebol amador de Pouso Alegre, com outras cores, em outro clube… o São Geraldo.

Bogê mudou-se com a família para o velho Aterrado nos idos de 90. Apesar de o futebol da cidade na ocasião caminhar cambaleante pelas sombras, Bogê foi ousado e inteligente. Criou um novo clube no velho Aterrado e deu-lhe um nome que homenageia o bairro… São Geraldo F.C.. Conseguiu levar para o clube boa parte da nata do futebol amador da cidade tais como Bedeu, Helinho do Sebo de Gato, Teobaldo, o goleiro Batavo, Gelo, Kalu, Aguinaldinho, Kiki, Pelota, Porção, Clovis Bento, Deley… Conquistou vários títulos. O mais importante caneco levantado pela equipe alvi-negra do São Geraldo, ‘cover’ do Santos, time do coração de manteiga do extrovertido Bogê, foi o de campeão da Copa Sesquicentenário de Pouso Alegre, evento disputado no Estádio do Mandu com mais de 200 clubes participantes. Este só o São Geraldo tem…!!

Tendo nascido em Pouso Alegre, mas morado em São Paulo até ’75, onde se casou e enviuvou, Bogê chegou a dirigir o Monte Negro de Osasco, time da terceira divisão, na época. Em um jogo de campeonato contra o Aparecida, seu time perdeu por 3×1. Mas não perdeu a pose. Sacoalhou e orientou sua equipe até o ultimo minuto. Ao ver o treinador na beira do campo, tentando incentivar seus jogadores, um repórter se aproximou e perguntou:

– Jogando aqui na ‘terra santa’, perdendo de 3 x1 aos 44 do segundo tempo… o senhor acha mesmo que dá para virar o placar???

Bogê respondeu no estalo, apontando para o placar manual no fundo do estádio:

-Dá… É só subir naquela escada e virar o placar…!!!

Numa outra tirada, já dirigindo seu orgulhoso São Geraldo, seu fiel escudeiro e co-fundador do time, o atacante Deley, perdendo o jogo, de dentro do campo insistia;

– Mexe no time, Bogê, mexe no time…!

-Só se eu tirar você, que é o mais fraco do time!!! Respondeu Bogê. E o jogo continuou.

Assim era Bogê… Simples, humilde, corajoso, responsável e extramamente bem humorado. Nada o fazia perder as estribeiras. Nem uma sonora goleada sofrida pelo seu time. Na véspera dos jogos mais importantes saia de casa em casa dos jogadores, à pé ou de bicicleta, relembrando seus atletas do compromisso e da importância do jogo.

– A cachaça do meu pai era o futebol – diz o filho Clovis Bento –  que no auge da juventude foi um craque no meio campo – com os olhos nadando de saudade do velho boleiro.

Tiriça, seu apelido de jovem ponta direita ou Bogê, pode não ter ganho todos os jogos que disputou, mas… Ganhou de goleada da vida!

Saudades, velho pescador…