Derrubou o barraco, ameaçou o pai e … caiu da moto!

Você que é de Cambuí conhece o Claudio Jose, o Alemão, o Pintado ou o Claudinho? A policia conhece. São todos a mesma pessoa: Claudio Jose Marques! Ele tem 37 anos, já infringiu uma dezena de artigos do Código Penal, já amargou 16 anos de cana e quer mais…!

Ontem à Claudio Jose desentendeu-se com o pai, Afonso Marques, derrubou o barraco e ameaçou chamar seus amigos do crime para matá-lo. Tudo por causa de herança!  Quando percebeu que os homens da lei iriam chegar, Claudio Pintado montou sua motoca e tentou dobrar a serra do cajuru. Não deu! Estava mamado e a estrada ficou grande demais!! Numa curva da estrada se esborrachou no chão.

Foi a prisão mais fácil que a policia já fez! Ele quase pediu para ser preso e ser levado ao hospital, todo esfolado! Foi sim, mas recebeu somente merthiolate nas escoriações e foi sentar-se ao piano do delegado de plantão em Pouso Alegre.

Apesar de não ser amparado pela Lei Maria da Penha, ‘seu’ Afonso representou contra o filho por ameaças, mas ele ficou preso mesmo foi por infração ao artigo 306 do Código de Transito Brasileiro.

Claudinho Alemão Pintado Jose Marques até que poderia voltar para se convalescer em casa, mas a fiança arbitrada pelo douto delegado foi proporcional às sua bravatas… R$ 5 mil reais!!!

… E o “filho pródigo” foi se hospedar no velho hotel da Cel. Lambert…

Tinoco… Oitenta e sete anos cantando as belezas da roça!

      

       Findava a tarde fresca e perfumada de primavera. Sentado a poucos metros da bica d’agua, o jovem Jose Salvador Perez brincava absorto com um raminho de erva, quando a beldade chegou. Zula vestia uma singela saia de chita vermelha e verde descendo até as canelas finas, deixando os pezinhos descalços desnudos. A não menos singela blusinha branca rendada emendando-se ao vestidinho conferia-lhe a silhueta de corpinho de violão. Os longos cabelos negros cacheados estavam presos apenas de um lado, por uma rosa vermelha. Era a flor mais bela das redondezas. Só tinha um defeito… Era filha do patrão.

Ao vê-la o jovem moreno, magro, alto, tímido, de um salto se pôs de pé, retirou rapidamente o chapéu da cabeça, fez a mesura e ficou em silencio coçando o chapéu com as mãos enquanto a menina delicadamente se inclinava para encher a lata d’agua. Antes de retomar o trilho batido levando a lata de água cristalina, a linda jovem, sem mostrar os dentes de canjica, esboçou um sorriso e pediu:

– Canta uma musica para mim…!

E ele cantou. Com o chapéu já moído entre os dedos, o suor molhando a testa, o tímido Tinoco, de vergonha ou por respeito, virou-se de costas e cantou solo e sem instrumentos a bucólica canção “Adeus Bela”, uma de suas preferidas…

Como agradecimento, já se afastando com a lata d’agua na cabeça subindo a trilha batida, a jovenzinha lançou-lhe um sorriso maroto, desta vez mostrando os alvos dentes.

Nascia ali um casamento que duraria quase oitenta anos… Com a musica. Era ó o começo da carreira que faria com o irmão três anos mais velho. Estava nascendo a dupla Coração do Brasil, “Tonico & Tinoco.

O desfecho do romance na bica d’água não vem ao caso, é outra historia… É apenas uma das centenas de historias que o jovem tímido contaria ao longo da carreira. Era o ano de 1933, numa fazenda no município de Pratania-SP.

Na sua segunda passagem por Pouso Alegre – a primeira fora em 1973 quando cantou em um circo montado na Com. Jose Garcia com João Parente –  dia 17 de setembro de 1993, em um palanque montado no Pátio da Rodoviária, Tonico e Tinoco cantaram para pouco mais de mil e quinhentas pessoas. Depois da terceira ou quarta musica, Tinoco, o contador de historias – Tonico só abria a boca para cantar e agradecer – disse, com seu sotaque acentuando ‘d’ :

– Esta musica que nóis vamo cantá agora, eu cantei pela primeira na taipa do fogão de lenha do nosso ranchinho, quando eu tinha 4 anos… Fais setenta anos. Que beleza! – E cantou “Tristeza do Jeca”.

A dupla Coração do Brasil, compôs, cantou e gravou cerca de seiscentas musicas. O primeiro disco foi gravado em 1945. Mas desde o inicio dos anos 30, quando o tímido Tinoco cantou solo “Adeus Bela” para a bela filha do patrão, em troca de um sorriso, eles já cantavam nos bailes nas roças, na beira da tuia, nos circos, mais tarde no radio. Quando a televisão chegou Tonico e Tinoco já era a dupla sertaneja – autentica – mais famosa do Brasil. Isso no entanto, não lhes trouxe fortuna.

Com a morte de Tonico no dia 13 de agosto de 94, Tinoco regravou sucessos da dupla, tentou parceria com o filho Tinoquinho, mas a guaiaca que já era magra, nunca mais engordou. Nos primeiros anos deste século, Tinoco esteve perto de passar necessidades financeiras básicas.

No dia 20 de março de 2005 fui ver Tinoco cantar em Águas de Lindóia. O show marcado para as treze horas, aconteceu às quatro e meia da tarde. Ele chegou trazido por um amigo, subiu num palco de dois metros quadrados a um metro do chão, cantou oito musicas e contou pequenas passagens de sua vida, por R$ 1 mil reais.

Nos anos seguintes, o amigo e fã Mazinho Quevedo trouxe Tinoco novamente ao estrelado. Levou-o a abrilhantar o famoso Festival Viola de Todos os Cantos da EPTV.

Ao ver os filhos ainda imberbes cantar na casinha simples do interior de Pratania, a mãe profetizou:

– Vocês, meus filhos, ainda vão dar muita alegria ao povo com suas musicas!!!

Deram mesmo. Cantaram como ninguém a beleza, a harmonia, e a riqueza do campo. Cantaram a sabedoria, a pureza e alegria do homem que vivia lavrando a terra e suas paixões.

Cantaram um Brasil que se foi!!

O Brasil que eles contavam e cantavam em suas musicas, não existe mais há décadas. Não existe mais sertão, não existe mais o caboclo, não existe mais o homem puro do campo. Não existe mais a casinha branca da serra, o mujolo e o moinho e muito menos a casinha de sapé na beira do riacho. A zona rural do Brasil que não é ocupada por grandes fazendas mecanizadas, se transformou ou está se transformando em chácaras, cujos proprietários, freqüentadores de fim de semana, não cultivam sequer um pé de couve e não sabe discernir um garrote cevado de uma novilha prenha. Não tem a menor idéia do que seja um potro tordilho…

Dentre os milhares de fãs da dupla de irmãos cá em terras sul mineiras, temos o Sr. Jose Martinzinho, que a exemplo dos famosos, durante quase meio século fez dupla com o irmão Cirilo. Jose Martinzinho, ainda rapazinho, ia toda noite depois da lida com a terra, na casa do vizinho Zé Candido, única pessoa no bairro a possuir um radio à pilha, ouvir musicas sertanejas, especialmente as de Tonico & Tinoco. Logo depois passou a freqüentar a casa do meu avô, Paulino Ferreira de Matos, dono do segundo radio no bairro e se tornou meu tio, casando-se com minha tia! Descendente de músicos, Zé Martinzinho aprendeu de ouvido tocar viola e violão. Com o irmão Cirilo, com o filho Mario e o neto Marius Lucius, toca e canta mais de duzentas musicas dos ídolos que aprecia desde a longínqua adolescência dos anos 40.

Para falar da beleza e riqueza do que contavam e cantavam Tonico e Tinoco, seria necessário esticar esta tela daqui até Pratania…

Tonico & Tinoco tem um lugar de destaque não só na – verdadeira – musica sertaneja mas principalmente na cultura sertaneja.

Hoje, 4 de novembro, faz seis meses que Tinoco partiu para cantar com o irmão Chiquinho e o parceiro Tonico… no céu!

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Ninho de Tucanos… Segurança e proteção materna!

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Há pouco mais de duas décadas, quem quisesse ver Lobo-guará, Jaguatirica, Viado-campeiro, Mutum, Jacu, Jacutinga, Tucanos e outros bichos, tinha que embrenhar-se em matas virgens, distante da civilização… Hoje eles estão pousando em nosso varal e fuçando nosso quintal… Daqui alguns dias bastará estender os braços e eles pousarão e comerão em nossas mãos!!!

Na hora de cuidar da prole, no entanto, os bichos não facilitam, não brincam em serviço. Constroem seus ninhos nos lugares mais inusitados, com máxima segurança… Longe do bicho homem!!!

Veja este ninho de Tucanos, no oco de uma arvore viva, no alto da serra do Chico Vaz, em Congonhal, longe da civilização…

Dia das almas… Dia de lavar a alma…

Ontem, Dia de Finados, resolvemos ‘renascer’… Fomos buscar novas energias junto à natureza. Percorremos colinas, vales, grotas, campos e matas do município de Congonhal. Além de ver nossa querida terra natal por um angulo diferente do costumeiro, pudemos sentir o cheiro gostoso do mato e das flores silvestres.

Vimos que a natureza resiste bravamente à ação do homem e à sua própria força antagônica. Em alguns pontos a água que antes brotava cristalina entre pedras e juncos, foi vencida pela longa estiagem. Noutros, explicável apenas por milagre, ela escorre como uma benção, formando pequenos poços onde as aves vem se banhar, e escorre pelas grotas ladeada por uma restinga verde-ouro. Em alguns pontos de colinas e grotas mais distantes, capões inteiros de matas nativas foram ao chão. Uns pela ação da própria natureza, como raios, ventos e incêndio. Outros pela ganância do homem que preferiu umas moitas de capim braquiaria a mais para alimentar o gado!

Vimos animais domésticos e alguns silvestres. Curiosamente, em vários quilômetros de caminhada durante mais de oito horas, não esbarramos em nenhuma cobra.

O ponto alto da caminhava foi o encontro de dois filhotes implumes de tucanos, inteligentemente protegidos no oco de uma arvore a vários metros do chão, de onde a zelosa mãe tem uma vista privilegiada.

Foi um Dia das Almas… de lavar a alma!!!

Mais um cadáver é ‘pescado’ no Rio Mandu

A pescaria macabra aconteceu no final da tarde quente de domingo, 28, no velho e poluído Rio Mandu, atrás do SESI, no velho Aterrado. Enroscado numa galhada, o corpo em decomposição passaria despercebido a qualquer um, não fosse o cheio nauseabundo e putrefato que exalava, misturando-se a outros tantos cheiros desagradáveis da beira do rio.

O local é freqüentado por nóias, mendigos e outros desocupados que passam pela estreita restinga espremida entre o rio e o muro do SESI … e ali deixam seus lixos e dejetos. Somente quando sentou-se no barranco em uma clareira e lançou a minhoca na água, foi que o pescador percebeu que o mau cheiro estava além do normal. Ao olhar para sua esquerda, viu, enroscado nos galhos de um ‘chorão’ que beijava a água, o corpo de um homem em putrefação. Aliás, o que restava dele…!

Segundo o perito Maciel, da Policia Civil, que esteve no local para os levantamentos iniciais, o corpo que vestia camiseta, cueca, bermuda e um pé de tênis, estava na água entre 4 e seis semanas. Não há mais vísceras, quase não há  músculos… Peixes e crustáceos já fizeram o banquete! Não há como reconhecer o cadáver… Não há mais fisionomia!  Sem necropsia não há também como detectar a ‘causa mortis’.

Como não há identificação e nem comunicação de desaparecimento nas ultimas semanas em Pouso Alegre, o corpo, pele e osso – quase uma ossada – foi sepultado em cova rasa.

Estivemos no local onde o cadáver foi encontrado, a pouco mais de 100 metros da ponte do velho Mandu. Ponte esta que há anos serve de abrigo e moradia de mendigos, nóias e desajustados, alguns com famílias e residências fixas na cidade, outros sem eira & nem beira… O corpo putrefato do pé do ‘chorão’ pode ser de um deles.

No dia 24 de janeiro transeuntes da “Diquinha” encontraram o corpo da ex-prostituta, ex- traficante e nóia Márcia Aparecida Silva, boiando um pouco mais abaixo, no mesmo Mandu. Ela fora assassinada a pauladas e desovada nas águas sujas do rio. Foi o único homicídio insolúvel do ano de 2012.

Quem apagou a vida de Márcia… nunca soubemos!  Quanto ao corpo putrefato do pé do ‘chorão’ atrás do SESI, não sabemos a quem pertence, não sabemos quem morreu!!!… Não sabemos por quem chorar….

 

Veio buscar droga para os amigos … Ficou hospedado no Hotel do Juquinha

No inicio da tarde de ontem o cidadão Claudinei Ângelo Pinto, 31 anos, morador de Lambari convidou a ex-companheira Priscila Vieira Cecílio Lopes, 21, com quem tem uma filha de 7 anos, para ir passear em Pouso Alegre…

-O que você vai fazer lá? – Quis saber Priscila

– Vou visitar um amigo no Aterrado – Respondeu ele sem muita convicção.

– Ah, preciso comprar uma bicicleta para nossa filhinha, vou com você…

Chegando à rodoviária, se despediram e enquanto Priscila subia a Dr. Lisboa cotando bicicleta pink infantil, Claudinei Ângelo – anjo mentirooooso! – foi visitar o ‘amigo’ no Aterrado… Deixou lá quinhentos reais com o ‘amigo’ e voltou para a rodoviária para se encontrar com a ex-amasia.

Painel do site

Quando o casal ia embarcar no ônibus da Gardênia de volta para o Circuito das Águas, os homens da lei apareceram! Um amigo oculto da lei havia avisado que Claudinei Ângelo estava com a cueca recheada de pedra bege fedorenta. Levados para o posto policial do terminal rodoviário, o casal foi convidado a fazer ‘streep tease’… Quando a ultima peça do vestuário de Claudinei caiu, um pacote de crack caiu junto…

Assustada Priscila foi logo explicando:

– Eu não sabia que ele ia comprar droga! Se soubesse dava um couro nele! Tenho nojo do cheiro…!

O bagrinho ensaboado de Lambari explicou que a droga era dele e de outros 4 amigos, para queimar na beira do Lago do Cassino! Cada um havia investido R$ 100 reais na aquisição da droga… Mas somente Claudinei conseguiu hospedagem gratuita no Hotel do Juquinha, depois de assinar o 33…

 

Em briga de marido & mulher, quem mete a colher… Leva faca!

Aldemir Luiz da Rocha, 45 e S.M.Tertuliano, tem um relacionamento, digamos… ‘colorido’, do tipo “tapas & beijos”… Ao pé da noite desta terça 30, eles trocaram farpas & espinhos e o relacionamento descambou para os ‘tapas’…

Jose Roberto Monteiro da Silva, que mora sob o mesmo teto que Aldemir, embora não tivesse nada a ver com a briga do casal, não podia deixar passar a oportunidade de exercitar o cavalheirismo… Tomou partido da amiga S.M…. E quase tomou também facadas. Aliás, alguns golpes acertaram seu peito e suas costas, de raspão. Depois de passar pelo pronto socorro com alguns arranhões no costado, o trio foi parar na delegacia.

S.M.Tertuliano, apesar dos arranhões dispensou os préstimos de “Maria da Penha”. Não quis processar Aldemir, mas Jose Roberto não deixou barato, representou contra o amigo!

Como o leitor já sabe o delito de lesão corporal, previsto no artigo 129 do Código Penal, tem um peso e duas medidas… Se a vitima é “mulher”, o valentão se enquadra na Lei 11.340 e vai em cana… Se a vitima é “homem”, o mesmo valentão se enquadra na Lei 9.099, tem audiência previamente agendada com o homem da capa preta, mas continua livre, leve e solto!

Assim sendo, Aldemir poderia voltar para casa no velho Aterrado e continuar seu destempero com a ‘namorada’ e o amigo, porém… Ele tinha em seu desfavor um mandado de prisão preventiva oriundo da Comarca de Borda da Mata, por descumprimento de intimação judicial!

Para garantir que Aldemir estará presente na próxima audiência, ele ficará hospedado no Hotel do Juquinha até o dia 24 de janeiro!

 

Policia Militar interagindo com a população…

20º BPM realiza o ACISO do Bairro São Geraldo

As Ações Cívico-Sociais ou ACISO são atividades realizadas pela Polícia Militar para prover assistência e auxílio a comunidades, desenvolvendo o espírito cívico e comunitário dos cidadãos, para resolver problemas imediatos e prementes.

O 20º Batalhão de Polícia Militar dentro das comemorações de seu Jubileu de Prata, “Aniversário de 30 anos de sua instalação na cidade de Pouso Alegre” realizou neste sábado, 27 de outubro, uma Ação Cívico Social para os moradores do Bairro São Geraldo, levando a comunidade local um ato de promoção de solidariedade, cidadania, paz social e segurança.

Participaram da Ação Cívico Social parceiros, amigos e órgãos envolvidos no Sistema de Defesa Social, que ocorreu na Policlínica Municipal do Bairro São Geraldo, onde as crianças se divertiram com os brinquedos, com os passeios nos cavalos utilizados pela cavalaria da PMMG, distribuíção de sorvetes, refrigerantes, pipoca doce, balas e pirulitos, além dos sorteios de cestas básicas, caixas de leite, vale gás e mochilas escolares. A comunidade contou com serviços de atendimento do Conselho Tutelar, corte de cabelos, dicas para cuidados com animais de estimação e orientações para com a saúde.


A Banda do 20º BPM, o grupo de escoteiros de Pouso Alegre e os mascotes “PM Amigo Legal”, e Dare, do Proerd, proporcionaram alegria e diversão aos participantes do evento.

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS
“237 anos construindo cidadania ao lado do povo mineiro”
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL DO 20º BPM

 

Aventuras e desventuras de Cirilo Bola Sete…

MENINOS QUE VI CRESCER

 

      Andando hoje pela manhã no charmoso calçadão do Leblon, Ipanena e Arpoador, lembrei – vejam só? – do Cirilo Bola Sete!!! Há dois anos, quando eu o entrevistei debaixo da conteira, defronte sua casa no velho Aterrado, ele contou que desfilou belo e faceiro por aqui…

O leitor que entrar no Aterrado, virar para ir ao Sesi e logo em seguida virar a esquerda, caminhar cerca de 150 metros em frente vai chegar a uma tripla encruzilhada. À da esquerda vai para o rancho da família do Marcilio Alves, a do centro leva à casa do desportista João Cavalo, a da direita leva a esquina fatídica, onde no dia 27 de novembro de 83 os irmãos Reanir de Lima mataram o detetive Marcos “Cabeçada” Alves da Silva com seu próprio revolver, após surpreende-lo de trás de uma cerca de taquara. Na encruzilhada da direita tem uma casa de blocos sem pintura, atrás de duas frondosas Conteiras ou Santa Bárbara. Uma cerca de alambrado mantêm fechada uma granja de patos, marrecos e galinhas mestiças. A casa antiga era mais aconchegante ou glamourosa. Tinha alpendre de frente para a encruzilhada, e durante toda sua existência teve duas cores: ora verde oliva, ora amarelo mostarda. A casa atual tem outra arquitetura, outra cor – blocos sem reboco – é cercada de alambrado, mas ocupa o mesmo espaço. Agora é preciso sentar-se no banco de concreto debaixo das conteiras do lado de fora do alambrado para observar o intenso movimento do trecho que se afunila na rua Cordeiro Olimpio. Foi ali que Cirilo nasceu e viveu quase metade de sua vida. A outra metade viveu nas cadeias e penitenciarias de Minas e de São Paulo ou nas ‘quebradas’, fugindo dos homens da lei.

Conheci o pai muito antes de conhecer o filho delinqüente. Luiz Pereira, o Bola Sete era um mulato claro de 1,68, ligeiramente obeso, pele lisa, rosto e quase todo o resto arredondado. Tinha prosa boa e sorriso fácil. Trabalhava de passador na alfaiataria do Keide na Dr. Lisboa, ao lado da joalheria do Piula, três pontos comerciais acima da sorveteria do Tião Bananeira. O apelido Bola Sete eu não sei de onde veio. Certamente se deve à predileção pela bola sete do bilhar que jogava muito bem no Bar Recreio. O fato é que o passador gorduchinho alegre e simpático, em 1976,77 já esboçava os primeiros sorrisos amargos. É que seu filhote Cirilo começava ensaiar os primeiros passos no crime, dando trombadas em garotos ou tomando na cara dura seus bonés ou objetos que eles levavam nas mãos. Bem mais tarde, já na década de 80, quando conheci o trombadinha, pude constatar que Bola Sete morria de vergonha toda vez que ficava sabendo de mais um delito cometido pelo filho. E já não eram mais trombadas. Aos dezessete anos Cirilo tinha quase o mesmo porte físico de hoje, porém muito mais ágil e forte. Furtos sorrateiros e roubos nas quebradas, atrás de uma faca tipo peixeira – naquele tempo não existia essa boiolagem de roubar com faca de cozinha, usava-se a famosa ‘lapiana’ numero nove tipo peixeira que impunha respeito – ou um revolverzinho 22 ou garruchinha velha de dois canos. Pistolas automáticas, Magnum 357 ou mesmo Taurus trezoitão só nas capitais paulista e carioca ou então se conseguisse arrombar a B.Pacheco e Cia.

Apesar de ter passado praticamente toda sua vida útil, de maneira inútil, por conta da justiça ou tentando fugir dela – só atrás das grades foram 19 anos – podemos dizer que Cirilo “se deu bem”. Sua algibeira nunca viu mais do que quatro ou cinco notas de 50, juntas, mas conseguiu sobreviver na prisão, pagar seu debito com a sociedade e hoje está limpo. Será…?

Tendo trabalhado fora de Pouso Alegre alguns anos e Cirilo pago cadeia em outras paragens, perdi de vista parte de suas façanhas e foi o próprio que as contou sentado no banco de concreto debaixo das Conteiras na encruzilhada da Cordeiro Olimpio, defronte sua casa no velho Aterrado. Mas voltemos aos anos 80, quando a nova safra de detetives chegou a Pouso Alegre. Adair, Pingüim, Barbosinha, Valim, Dorigatti, que ‘eram da terra’ e Romeuzinho, Luiz Neves, Munhoz, Paixão, Beijinho, Lobão, depois Pradinho, Tiãosinho, Batista, Faria, que fincaram raízes na terra do Mandu e outros que deixando marcas ou não foram embora. Não são apenas nomes, são policiais que destacaram Pouso Alegre no mapa do combate à criminalidade, desvendando crimes e prendendo meliantes destas e de outras plagas que aqui aportavam.

Até o final daquela década o “modus operandi” da policia civil era bem diferente. A policia conhecia todos os meliantes da cidade e sabia o que cada um andava aprontando. Meliante fichado na policia circulando nas madrugadas desertas…

Para continuar a ler essa historia, adquira o livro “Meninos que vi crescer”.

 

Mais de 200 passarinhos indo embora… de Bora…

Você tem pena de passarinhos presos em gaiolas?

        E se eles estiverem presos dentro de caixas de leite longa vida, no porta malas de um carro, fazendo uma viagem de 280 quilômetros?

        Pois acredite… Isso estava acontecendo!!!

        Pior… dezenas deles foram atropelados dentro das caixas, sem poder voar…!!!

Durante abordagem de rotina – aliás, elas estão acontecendo a qualquer hora do dia ou da noite, no posto de fiscalização no bairro do Cervo, desde que ele foi instalado – os patrulheiros estaduais depararam com uma debandada de pássaros silvestres indo pousar em outros galhos. O problema é que as avezinhas não estavam viajando livres leves e soltas pela noite morna… Elas viajavam jururús, suadas, sufocadas em pequenas caixas vazias de leite tipo longa vida e alguns alçapões de madeira. As caixas com dois ou três furos para respirar e as gaiolinhas estavam no interior e no porta malas do veiculo VW Bora, placas DEA-4312- São Paulo, conduzido por Clovis Ferreira Conceição. E a viagem seria longa… de Machado à Embu, na grande São Paulo.

Clovis, 47 e o comparsa Jaime Raimnudo Silva, 45 anos, contaram que os Canarinhos do Reino, Coleirinhas e Trinca Ferro haviam sido adquiridos do caçador conhecido por “Lequinho”, nos arredores de Machado, ao preço médio de 3,50 as Coleirinhas e Canarinhos e entre 20 e 30 reais os Trinca Ferro. Segundo os traficantes de pássaros, eles seriam revendidos em Embu com lucro de 5 a 10 reais cada um.

A maldade com os inocentes músicos da natureza tinha ainda um capitulo ainda mais cruel. Ao constatar o crime ambiental, os patrulheiros seguraram os documentos e ordenaram que os traficantes os seguissem conduzindo o próprio Bora até a delegacia regional de Pouso Alegre. Quando lá chegaram, o carro estava vazio. Quase todas as caixas de leite com as avezinhas haviam sido jogadas na estrada!!!

Os patrulheiros voltaram pelo mesmo caminho à procura da prova do crime, pois cada pássaro apreendido equivale uma multa de quinhentos reais. Encontraram boa parte das caixas de passarinhos jogadas na pista… Esmagadas pelos carros que passaram logo depois!!!

O diretor do IBAMA em Pouso Alegre, Fernando Bonilo, além de socorrer as avezinhas sobreviventes e soltá-las ao seu habitat natural, pediu o deposito judicial federal do veiculo usado no crime.

O que sobrou de pássaros sem esmagar, custou aos cruéis traficantes de aves R$ 74 mil reais e o veiculo Bora que os transportava.

Achei pouco…!