Crack, histerismo e Streep-tease na entrada do Pantano

Ao sentar-se ao piano do delegado de plantão ao pé da noite desta terça, 4, o cidadão Claudinei dos Santos 36 anos, morador de Borda da Mata, contou que estava quieto no seu canto quando foi procurado pelo joven Thiago Henrique da Silva, no final da tarde, o qual lhe pediu para levá-lo à  Pouso Alegre:

– … É rapidinho. Eu pago a gasolina e te dou 40 reais por fora… – Disse ele.

– O que você vai fazer lá? – Quis saber o Claudinei.

– Vou só fazer uma visita rápida a minha tia…

Antes de pegar a MG 290, passaram na casa de Claudinei e trouxeram com eles a senhora Ione Ribeiro dos Santos, ex-esposa de Claudinei, mas que mora sob o mesmo teto que ele no bairro São Judas. Chegando à Pouso Alegre Thiago, que Claudinei conhecia há poucos meses pela alcunha de “Arno”, saltou do Santana perto da rotatória do Aterrado e pediu que ele esperasse por ali. Meia hora depois Thiago “Arno” voltou, entrou no carro e voltaram para Borda… mas não chegaram lá.

Chegando no final da Perinmtral, Thiago pediu à Claudinei que seguisse por uma estrada de terra, por trás do bairro São João. No meio do caminho, explicou a Claudinei que na visita que fizera a sua tia, comprara certa quantidade de crack e estava levando Borda da Mata, por isso queria sair da cidade ‘sem ser notado’!

– Ah, então deve ser por isso que a algum tempo tem uma caminhonete nos seguindo! – Falou Claudinei

– Deve ser os ‘zomi’ – apavorou Thiago, procurando um jeito de esconder a droga no interior do veiculo.

Quando saiam da estrada velha do São João para entrar na MG 290, no cruzamento do Pantano, lá estavam os homens da lei com a barca atravessada na pista e os fogos na mão para as boas vindas!!!

Durante as buscas os policiais encontraram apenas uma baranga de crack na algibeira de Thiago. Como não dispunham de PFem na guarnição para revistar a passageira Ione, o comandante da operação sugeriu que o trio os acompanhasse até o quartel para uma revista mais minuciosa. Ao ouvir tal ‘sugestão’, Ione Ribeiro apavorou, estressou, estrilou e começou um Streep-tease histérico na frente dos policiais. Em menos de um minuto ficou semi-nua, só de calcinha  no cruzamento da estrada, enquanto dizia;

– Pode ver… eu não estou levando nada!

Não mesmo! É que no momento em que ela se despia histericamente deixou cair da calcinha o pacote de pedra bege fedorenta – 21 pedras – que Thiago havia comprado da tia que visitara meia horas atrás!

Thiago “Arnô” Henrique, 19 anos, morador de um hotel na capital do pijama, assumiu a ‘paternidade da criança’ dizendo que há dez anos é usuário de crack e comprara a droga da ‘tia’ para consumir em Borda da Mata.

A historia era boa, mas “o boi não dormiu”!

Devidamente vestida, Ione, o ex-marido que vive sob o mesmo teto e o dito nóia, desceram para a DP, sentaram ao piano, assinaram o 33 e foram todos se hospedar no Hotel do Juquinha…

 

“…Pra não dizer que não falei das flores!” – A diferença entre o publico e o privado

Semana passada publiquei a matéria intitulada “Pouso Alegre para inglês ver…”. O objetivo era este mesmo, mostrar aos leitores de além Mandu, as transformações que a cidade que abracei há mais de 40 anos e que vi crescer vem sofrendo nos últimos anos. É evidente que a matéria é só um aperitivo, pois a cidade que em 69 tinha 39 mil habitantes e hoje tem 140, mudou muito mais do que mostram as fotos publicadas e os tópicos abordados. Dentre as transformações, que são tantas, tem uma merecia ter sido mencionada com mais ênfase… É a ‘jardinagem’ da Avenida Perimetral!

A bela avenida que corta a cidade de ponta a ponta no sentido leste oeste, mede 5,5 quilômetros, sendo os primeiros três duplicados. O trecho compreendido entre a rotatória do Aterrado até o Posto do Agenor, no bairro São Jose, medindo exatamente 800 metros, acaba de receber grama, flores e arvores ornamentais novas… É a famosa ‘revitalização’, termo quase mágico usado ultimamente pelos administradores. Ficou linda!

O que passou despercebido ao cidadão desavisado, foi o tempo de duração da obra… Foram mais de três meses!!! Mas finalmente ficou pronta. Os últimos rolos de grama esmeralda na extremidade do canteiro, defronte o Posto do Agenor, foram colocadas na ultima sexta feira de agosto.

Ano passado publiquei uma matéria sobre o abandono em que estava a antiga usina da Vigor, na divisa da Santa Catarina com Perimetral. Na ocasião o decrépito prédio servia de morada e ‘cracolandia’ para mendigos e nóias, num ponto estratégico, entre o centro da cidade e o centro distribuidor de drogas, o velho Aterrado. Coincidência ou não, logo depois da matéria, o prédio foi demolido, em seguida cercado e no dia 1º de maio deste ano meses iniciou-se a construção de um moderno prédio onde, nas próximas semanas será inaugurado o Hipermercado Bretas.

Ironicamente o gigantesco prédio com amplo estacionamento fica de frente para a Perimetral… De frente para o jardim ‘revitalizado’. A diferença entre o publico e o privado está no tempo de construção. Enquanto um canteiro de 800 metros por 1,5 de largura levou três meses para ser ‘revitalizado’, a gigantesca obra, de mais de vinte e cinco milhões de reais, ficou pronta em apenas quatro meses.

Esta é a diferença entre o publico e o privado…!!!!!

Álcool + volante = dim-dim no cofre do contribuinte…

Plantão Policial tranqüilo em Pouso Alegre e nas cidades em seu entorno no primeiro final de semana de setembro. Nenhum crime que merecesse destaque foi registrado. O maior trabalho que a policia teve foi registrar BOs de transito, por infração ao artigo 306 do CTB. Nenhum deles teve vitima, a não ser o próprio motorista imprudente que depois de abraçar a loira gelada, pega a estrada sem levar o motorista da rodada.

Cinco destes imprudentes foram presos em blitz de rotina nas rodovias MG 290, nos municípios de Borda da Mata, Jacutinga, Pouso Alegre e na MG 346 em Natercia e em Congonhal. Entre ‘mortos & feridos’, todos se salvaram … apenas com o bolso arranhado.

Quem lucrou foi o contribuinte, que viu cerca de R$ 4.800 reais derrapar do bolso dos incautos para o cofre do Estado em forma de fiança!

 

Assaltante de padaria… come o pão que o diabo amassou

Ele é só mais um ladrãozinho pé-de-couve, destes que precisam desesperadamente de alguns trocados para comprar uma pedrinha de crack, mas exagerou na ousadia. Roubou a mesma vitima mais de uma vez, na cara dura e limpa e ainda levou lanchinhos para comer enquanto dobrava a serra do cajuru!!!

No meio da tarde do dia 23 de julho ele chegou como o freguês comum, pediu algumas balas, sacou algumas moedas da mochila, pagou… Aí sacou também um canivetinho, mostrou para a balconista,

– Para que ninguém se machuque, passe o dim-dim…

E levou o que havia no caixa, 60 reais. Nem fez questão da moedas que pagara as balas. No dia 31 de julho ele voltou à mesma padaria do bairro São Jose e fez tudo de novo… Só estava barbeado e melhor trajado. Levou mais 120 reais. No dia 08, repetiu a dose. Desta vez pediu pão com presunto…

Terça feira passada entrou na lanchonete Açaí Power na João Beraldo, pediu um copo de açaí, conversou com dois clientes nos fundos, em seguida mostrou o canivetinho para a balconista, exigiu a bufunfa. Pegou 80 e foi embora saboreando o açaí. Pasmem!!! Voltou na sexta, 10 e repetiu toda cena. Levou mais R$ 80 reais e saiu como se fosse sócio da lanchonete.

Com a descrição do assaltante folgado na memória e no computador de bordo, os homens da lei passaram a farejar sua sombra. Ontem no meio da tarde avistaram sua figura nas margens da Perimetral. Quando se aproximaram para a abordagem o mocinho enfurnou-se num matagal à beira da via mas não foi longe. “Convidado” para acompanhar os policiais à delegacia de policia, foi reconhecido pelas balconistas.

Aguinaldo Henrique Inácio Junior, 18 anos, mora em Silvianopolis e vai freqüentemente à Pouso Alegre buscar umas ‘pedrinhas’ e ‘fazer uma boquinha’ em padarias e lanchonetes. Depois de quase dois meses brincando de assaltante, ele conheceu a seriedade da justiça.

Observe o leitor, que o ousado assaltante do canivete não estava em estado de flagrância, não tinha mandado prisão temporária ou preventiva contra ele, pois nem havia sido ainda identificado, por isso, ao pé da letra, não poderia ser preso! Portanto, o termo “convidado” entre aspas, não é sarcasmo! Ele foi convidado, mesmo.

Após ser reconhecido pelas vitimas, o delegado Bruno Lopes pediu a prisão preventiva do assaltante. Três horas depois de ter sido detido, na Perimetral, Aguinaldo Junior, o assaltante de padaria, foi comer o pão que o diabo amassou… no Hotel do Juquinha.

Pezão escorregou… Mas jura de pés juntos que é inocente

Policiais que passavam pelo Jardim Yara, no inicio da madrugada desta sexta, 10, receberam uma abordagem corriqueira, porém inflamada de vários moradores:

– Por favor seu guarda… Vocês tem que prender o Pezão. Ele é violento, vive ameaçando todo mundo aqui no bairro, já tentou matou um rapaz no ano passado. Ele vende droga ali na casa dele a noite inteira… – disseram os populares.

Pezão, a quem eles se referiam, é Thiago Silva dos Reis, 27 anos, morador da Camélias 70, no Yara. Além do envolvimento com drogas, consta nos arquivos da policia que ele tentou matar um desafeto, ano retrasado.

Os policiais fingiram que foram embora, mas ficaram na sombra, por ali, planejando o bote. Não demorou a jovem Laisa Marina de Castro, 20 anos se aproximou para comprar uma pedrinha… Os policiais lançaram a rede.

Segundo o BO, Laisa estava na porta da casa do traficante com duas pedras de crack na mão e Pezão com uma nota de 20 no bolso, resultado da transação criminosa. No interior do muquifo havia mais. Vinte e quatro pedras beges fedorentas, R$174 reais de ‘porta de igreja’ e oito aparelhos celular!!!

Ao sentar ao piano Pezão afirmou solenemente que nunca viu Laisa mais gorda, jamais viu aquela droga, o dim-dim apreendido é empréstimo da sogra e os 08 celulares são de seus filhos!!!

Apesar de tanta convicção do moço, o delegado de plantão, Artur Augusto Ribeiro, fritou tanto Pezão quanto a usuária Laisa no 33 e ambos, cada um tentando empurrar a droga para o outro, foram se hospedar no Hotel do Juquinha.

Operação Tabaco… Policia Civil prende 7 assaltantes em Ibitiura de Minas e Andradas

Eles vinham sendo investigados desde meados de 2009, quando os primeiros roubos de veículos e cargas, especialmente de cigarros e defensivos agricolas, começaram acontecer no município de Borda da Mata.

Numa ação tipicamente mineira, em silencio, na sombra, os detetives de Borda da Mata e Ouro Fino vinham seguindo o rastro da quadrilha desde desde 2009. Para desviar das blitz rotineiras da policia, as cargas roubadas na MG 290 e adjacencias seguiam por estradas vicinais entre os municípios de Borda, Ouro Fino, Jacutinga e chegavam até Andradas e Ibitiura, onde eram receptadas por empresários acima de qualquer suspeita.

                                                                                       Alfredo Benedito Carvalho, um dos presos em Ibitiura de Minas.

Após quase três anos de investigação, juntando informações e provas, finalmente o Juiz Criminal de Borda da Mata, jurisdição onde os crimes eram executados, acatou os pedidos do Delegado de Borda e decretou a prisão temporária de 9 envolvidos na quadrilha e expediu 11 mandados de busca e apreensão para os municípios de Borda da Mata, Ibitiura de Minas e Andradas.

Sete dos nove procurados foram encontrados e presos. Durante as buscas, que resultou na apreensão de um trator, sacarias para café, cheques e papeis, foi encontrado com o suspeito Leonil Amarante Cruz Junior, um revolver Magnum 357. O porte do trabuco de grosso calibre lhe rendeu um 12 da Lei 10.826.

Segundo o delegado Artur Augusto Ribeiro da Silva, responsavel pelas delegacias de Borda da Mata e Jacutinga e pela Operação Tabaco;

– A investigação tinha por objetivo apurar roubos de cargas em geral, de veículos e de defensivos agrícolas entre outros, ocorridos principalmente no municipo de Borda Mata. Na operação de hoje conseguimos desbaratar um braço da quadrilha. Mas as investiagaçoes continuam. Ainda temos dois mandados de prisão para cumprir e outros envolvidos nos roubos e receptação ainda poderão ser presos. A prisão temporaria é de 5 dias mas poderá ser prorrogada e até se tornar preventiva, para garantir o exito das investigações.”

A Operação Tabaco reuniu nesta madrugada de quinta feira, 16 viaturas e 40 detetives das delegacias de Borda da Mata, Bueno Brandão, Jacutinga, Monte Sião, Santa Rita do Sapucai e Pouso Alegre, todos pertencentes ao 17º Departamento de Policia Civil de Pouso Alegre, alem dos agentes da PC de Andradas.

A operação recebeu o batismo de “Tabaco”, em alusão aos roubos de cargas de cigarros nos últimos anos na região. Foram presos Leonil Amarante Cruz Junior, Fernando Cristiano Lopes, Marcio Fernandes, Luiz Fernando da Silva, Antonio Jose de Menezes, Alfredo Benedito Carvalho e Alexandere Lopes Pimentel. Eles responderão por Formação de Quadrilha, Roubos a Mao Armada e Receptação de produto de roubo. Todos foram ouvidos pelo delegado em Borda da Mata e ficarão hospedados no “Hotel Menino da Porteira”, em Ouro Fino.

… Pote tanto vai à fonte, um dia volta quebrado…!!!

Suco de cana & loiras geladas… Motoristas em fria!

O famigerado suco de gerereba, água que passarinho não bebe, a Kátia…ça e as loiras geladas, especialmente nestes dias de frio, tem colocado muita gente boa em fria…

Jose Luciano de Oliveira, 40 anos, voltava para Congonhal pela MG 290, conduzindo seu gol, no inicio da madrugada, quando os patrulheiros deram sinal para encostar e pediram para ver os documentos… Com o carro e os ducumentos, tudo certo. Errado estava o motorista! Ele tinha os olhos vermelhos, as pernas bambas, a fala mole e o terrível bafo de jibóia. O aparelhinho dedo-duro que ele soprou informou que 7,2 decigramas de liquido que corria em seu sangue era álcool. Jose Luciano informou que eram apenas  3 doses de conhaque e algumas cervejas. Tudo bem. Ele seguiu viagem… depois de algumas horas na DP e R$650 reais no cofre do contribuinte.

Julio Cezar da Silva, 38 anos, estava com a amasia e alguns amigos espantando o frio em um boteco em Borda da Mata, na virada da noite de sabado. Depois de meia dúzia de loiras geladas ele entrou no carro e foi ao posto abastecer o possante. No curto caminho havia uma blitz da Policia Rodoviária com um aparelhinho na mão. 11,8 decigramas de álcool estava misturado no sangue. A falta de motorista da rodada custou a ele R$650 de fiança e dois aratigos do CTB.

Miguel “Tomate” Simão Pereira, 60 anos, foi parado por amostragem em frente o quartel da PRE no bairro São João, às cinco da tarde de sabado. Ele conduzia seu Fiat Strada, e segundo os patruheiros, também apresentava o terrível bafo de jibóia. O bafômetro disse que 6,6 decigramas de liquido do seu corpo era suco de gerereba. O pacato cidadão aposentado, um dos vereadores mais bem votados de Pouso Alegre em três eleições, precisou pagar um salario de fiança para voltar em segurança para casa…

Que falta faz um motorista da rodada!!!

Pista alternativa…??

Não.

O palio foi parar no canteiro depois de tomar um empurrão na trazeira.

A motorista Vanderleia, 36 anos, de Borda da Mata, devidamente habilitada, reduziu para convergir a esquerda na Vicente Simões, no ‘point da galera jovem’, quando o motorista de um caminhão, distraído, bateu na sua trazeira.

Ele conseguiu uma façanha, o cumulo da rapidez, bater na trazeira e na frente…!!! É que ao bater na guia o Palio virou-se para a direita e recebeu o outro choque na frente também. Coisas de cidade de 140 mil habitantes com 70 mil veiculos e motoristas apressados e impacientes…!

O acidente aconteceu à uma da tarde de sol quente desta terça, Dia dos Namorados. O Palio novinho tinha seguro, ninguem se machucou e ironicamente nem atrapalhou o transito…!

Tarzan deu a volta por cima

Meninos Que Vi Crescer

 

Tarzan deu a volta por cima

 

       Conheço Jose Luiz desde a mais tenra infância. Ele costumava lançar-me olhares languidos, de esgueio quando me via na sua casa procurando seu irmão que vivia às turras com a justiça. O irmão espigadinho, era useiro e vezeiro na pratica de pequenos furtos para comprar maconha. Nunca soube o que aquele olhar serio e ressabiado protegido pelas sobrancelhas queriam dizer. Medo? Respeito? Raiva? Revolta? Teria ali alguma promessa de vingança no futuro? Promessa de se tornar também um policial combatente do crime? Ou se tornar um bandido mais esperto que seu irmão e não se deixar prender? Talvez um pouco de cada sentimento. Pela maneira como Jose Luiz me olha, depois que cresceu, acho que aqueles olhares de soslaio eram de admiração. Embora o irmão – que há anos não vejo e nem tenho noticias – vivesse às margens da lei, Jose Luiz não se deixou influenciar pelos –maus – exemplos do irmão mais velho. Apenas uma vez sentou-se no banco dos réus… e foi em defesa da honra.

No final da ensolarada manhã do dia 14 de junho de 2004, subia eu a Adalberto Ferraz na companhia da amiga Thalita, colocando as fofocas de “Santana do Sapucaí” em dia, quando avistamos um tumulto na esquina da Duque de Caxias. Apertamos o passo para curiosar e quem sabe registrar um furo de reportagem para o FOLHA, o jornal mais lido da época, apesar de continuar no vermelho. Pelo caminho soubemos, através de transeuntes, que havia ocorrido um tiroteio na esquina do mercado. Antes da esquina abordamos, pela janela da ambulância dos Bombeiros, o cidadão Salvador Antonio dos Reis, com um tiro na perna. Na esquina da Jose Macedo, em meio à aglomeração de curiosos, dois novatos policiais militares tentavam dominar o ‘chapa’ H. H. dos Santos que esperneava e escorregava mais que quiabo na tigela. Dominamos o bagre ensaboado e já na viatura policial, na iminência de ser conduzido para a Delegacia de Policia, muito a contragosto ele respondeu entredentes, minha pergunta:

– O cara que atirou é irmão do pintor, ali… – disse-me apontando com o boné para um sujeitinho franzino, barba por fazer, com a roupa manchada de tinta, escondido debaixo de um surrado boné também sujo, no meio da multidão. Orientei os policiais que tirassem o chapa do meio do furduncio, para dispersar a multidão e me aproximei do pintor que eu conhecia mais que nota de 1 real.

– E aí  “Pracinha”, que rolo é esse…?

– Foi o Zé Luiz, o Tarzan… é rolo de mulher. Meu irmão queria acertar o negão que está saindo com a mulher dele. Acertou o Salvador que não tem nada com a estória…

– E onde está ele agora?

– Sei não Chips… É capaiz que ele foi atrás da mulher dele!

Não. Não fora. Jose Luiz, o Tarzan, 36 anos na época, deixou o local do frustrado crime, pegou o primeiro cipó que viu balançando e foi direto para a casa do causídico Firmo da Motta Paes. Foi na casa, que funcionava também como escritório de advocacia, que ele foi preso em flagrante por tentativa de homicídio e lesão corporal, algumas horas mais tarde.

A estória era essa mesmo. Tarzan descobrira que ‘Jane’ estava se encontrando atrás da moita com o macaco, digo, com o chapa H.H. e resolvera cortar o mal pela raiz! Como nunca usara uma arma de fogo, errou o alvo e conseguiu apenas chamuscar Antonio Salvador, que estava de bobeira abraçando uma loira gelada no Bar da Maria. na esquina do Mercado.

Como excelente criminalista que era, o firme advogado Firmo da Motta Paes – fomos ‘inimigos passivos’ por 20 anos. Fizemos as pazes em junho de 2004 quando ele abriu-me os arquivos da Camara Municipal que presidia, para mostrar-me alguns documentos que me interessavam. Ele morreu no dia 06 de outubro, depois de perder a única eleição de sua vida. Saudades do velho e astuto ‘inimigo’ advogado e político… – conseguiu descaracterizar a tentativa de homicídio para lesões corporais. Tarzan voltou para a selva alguns meses depois. Antes, porém, nos encontramos no velho Hotel da Silvestre Ferraz.

Tarzan não ficou magoado por eu tê-lo mandado para a jaula. Só não gostou da manchete no “FOLHA” do dia 18 de junho; “ Tarzan tenta matar ‘‘‘‘‘Ricardão’’’’’’ e acerta Salvador”…

Com o passar do tempo Tarzan compreendeu que o titulo e o bojo da matéria não tinham nada de ofensivo à sua reputação. Pelo contrario, mostrava que ele fora o traído pela companheira. Que ele tivera a honra ultrajada e tentara limpá-la à bala. Que sorte a dele que sua pontaria é ruim…!!!

Encontrei Tarzan outro dia justamente defronte a delegacia regional, comendo pastei de farinha de milho com molho de pimenta comari, na baraquinha da Dete… Cumprimentou-se com tamanha efusão que parecia que sempre fomos estreitos amigos. Naturalmente falamos do episodio do dia 14 de junho. Quase me agradeceu pelo que aconteceu com ele na época e pelo que eu escrevi na coluna Direto da Policia… Contou-me que o “aluguel” dos colegas do apartamento 07 do velho hotel da Silvestre Ferraz, por causa da manchete no jornal, serviu para abrir-lhe definitivamente os olhos.

– … Larguei dela, Chips. Ela não merecia… Casei de novo, tenho filhos, estou trabalhando registrado e estou muito feliz com minha família. Aquilo que me aconteceu serviu para eu dar valor às pessoas certas… Cadeia – olhou para o velho prédio fantasma atrás de nós, cheio de determinação – nunca mais!!

– Vejo que você deu a volta por cima, está alegre, vistoso, de bem com a vida! Posso contar sua historia na coluna “Meninos que vi crescer”, qualquer hora dessas?

– Só…!!!

É comum o cidadão que tropeça na lei, conhece o lado sombrio da cadeia e retoma a liberdade, sorrir fingido e dizer que mudou, que está ‘diboinha’…

Esta poderia ser apenas mais uma dessas historias. Poderia. Mas não é o caso de Jose Luiz, o Tarzan. Seus olhos, seu sorriso, sua conversa franca e alegre demonstram que ele está muito mais livre, leve, solto e feliz do que antes do dia em que puxou o gatilho de um revolver numa das esquinas mais movimentadas de Pouso Alegre.

Sorte que naquela ensolarada manhã de segunda feira, entre mortos e feridos, todos se salvaram… Inclusive o próprio Tarzan!

 

Avenida Vicente Simões, ‘point’ da galera … e das drogas

Durante décadas o trecho entre a avenida Dr.Lisboa e o cruzamento da Rua Cel. Brito Filho, atrás do IBC-Instituto Brasileiro do café, hoje Cema – serviu apenas de linha férrea da Rede Mineira de Viação e marco divisorio da cidade. Ao norte da linha férrea desde o bairro Santa Lucia, existia uma fazenda que chegava até a rua Com, Jose Garcia. Ao sul uma indevassável mata ciliar que descia até o piscoso e limpo Rio Mandu e sua saudosa “Prainha”, frequentada apenas por moços maiores de idade… e de ‘coragem’. Com o fim da circulação do bucólico trem de ferro puxado pela barulhenta Maria Fumaça – que eu via lá do alto da rua São Pedro – no inicio dos anos 80, um pedaço deste trecho foi transformado, pelo saudoso prefeito Simão Pedro, em calçadão. Uma das primeiras ações da administração do prefeito Jair Siqueira ao assumir a cidade em 89, foi desmanchar o calçadão e construir em seu lugar a avenida que homenageia um dos vultos da terra; Vicente Simões. A garbosa avenida de mão dupla dividida por canteiro florido, arborizado e bem cuidade tornou-se rapidamente a principal via de acesso à cidade que mais cresce no Sul de Minas – O que seria de Pouso Alegre sem a Avenida Vicente Simões?!?!?! Transformou-se também em rico, movimentado e charmoso “point” da galera jovem. Não é exagero chamar a Avenida Vicente Simões de mais belo cartão postal de Pouso Alegre. São dezenas de barzinhos e restaurantes que viram formigueiros nos finais de semana. Dias de jogos importantes do campeonato brassileiro, então!!! A avenida fica intransitável…

Tudo muito bem, tudo muito bom… Isso faz parte de uma cidade jovem, alegre, universitária, em franco progresso. Quem passa pela avenida nestes momentos, sem pressa e com calma sente o palpitar de vida…!!! Avenidas Vicente Simões e Tuany Toledo, são o retrato de uma cidade rica, bonita e progressista…

Junto com o progresso, com a alegria, com a juventude, com muita gente bonita, instruida, veio também a famigerada droga.

Nos feriados e finais de semana, correm soltas a erva marvada, a farinha do capeta, a pedra bege fedorenta e outras, além, é claro, da loira gelada e do suco de gerereba – droga liberada – Na maioria dos bares finos a droga passa despercebida. Noutros nem tanto.

A policia tem infiltrado seus agentes nos dias – e noites – de pico, tentando identificar usuários e distribuidores de drogas. Há três semanas três destes traficantes formiguinhas caíram nas malhas da lei.

Neste sábado, 21, à noite, policiais militares se infiltraram entre a clientela do Canecão e perceberam um jovem com pinta de somongó. Ao ser abordado ele deixou cair ao chão uma baranga de cocaína mas não conseguiu dispensar um patuá de maconha. Pilhado em flagrante Saymon Renato Rosa, 24 anos morador de Carmo de Minas, disse que havia acabado de comprar a droga do cidadão Thiago Custodio Marques. Segundo Saymom, ele estava numa das mesas no passeio do Canecão, de caneco na mão, quando o jovem Thiago passou e ofereceu a droga por dez reais.

Ao ser preso também no Canecão, Thiago, de 20 anos, morador do Saúde, tinha R$635 reais no bolso. Ele jurou de pés juntos que não usa e nem vende drogas e nunca viu mais gordo o nóia Saymon. O dimdim que levava na algibeira, segundo ele, era produto do seu trabalho de funileiro.

Inocentes ou não é a segunda vez que infratores do 33 ‘enchem o caneco’ nas imediações do Canecão. Mês passado foi a quadrilha da pedra. Agora Thiago assinou o 33 e Saymon assinou o 28… E se o Canecão não se cuidar, vai acabar entornando…