Assaltados no Chile

O caseiro saiu do Pará, no extremo Norte do Brasil, para trabalhar de caseiro em Concepción, no sul do Chile. Viajou 7 dias de ônibus e ao chegar à rodoviária foi assaltado. Passou 50 dias dormindo na rodoviária de Santiago à espera de uma passagem de volta para o Brasil. Tudo isso na companhia da esposa… gravida de sete meses!

       Estava eu pesando as malas na balança do aeroporto de Santiago, mês passado, quando percebi que um cidadão de camisa amarela olhava atentamente pra mim. Quando retirei o excesso de peso das malas ele disparou:

– Na mala de mão pode levar até quatro garrafas de vinho! Dona Ana falou que pode… minha mulher emprestou a mala dela para levar as garrafas…

Nós já tínhamos esta informação antes mesmo de comprar as garrafas de Casillero Del Diablo na vinícola Concha y Toro, mesmo assim troquei meio centavo de – peso – de prosa com o moço de camisa não oficial da Seleção Brasileira enquanto passava duas garrafas de vinho da mala grande para a de mão, e nos afastamos. Voltamos vinte minutos ao mesmo local, pois era ali, perto da balança, que começava a fila para o check-in. Lá estava o moço da camisa amarela na ponta da fila e foi logo dizendo:

– Podem voltar para os seus lugares… Vocês já estavam aqui antes de mim.

Assumimos a pole-position para o check-in e logo esticamos prosa. Em meio a uma fila toda embolada, tipicamente brasileira, em poucos minutos estávamos andando de norte a sul do Chile, até que o moço da camisa ‘made in Vila Xurupita’ disparou a pergunta básica, aquela que grita para sair da garganta nessas ocasiões:

– O que vocês acharam do Chile?

Enquanto as pessoas mais próximas da ponta da fila limpavam a garganta em busca da resposta, ele mesmo respondeu a pergunta:

– Eu não gostei… Eu fui assaltado logo na chegada!

      Ao dizer isso o moço da camisa amarela tornou-se o centro das atenções. Afinal, nenhum de nós havia vivido aventura tão marcante na terra dos Aliende’s, Pinochet’s, e Bachelet’s! O moço da camiseta amarela não desceu para Valparaiso, não conheceu Vina Del Mar, não subiu o Cerro Santa Lucia para venerar ‘Nuestra’ Senhora  de La Concepción, não visitou a caverna onde nasceu o mais famoso vinho das Américas, não subiu na Torre Costanera, a mais alta da América Latina, mas conheceu muito bem três ‘cartões postais’ do Chile que ele nunca mais irá esquecer: o hospital, a embaixada brasileira e a estação rodoviária! Aliás, na rodoviária ele ‘morou’ quase dois meses! O moço da camiseta amarela chama-se Marcelo Fabio Santos Freire, tem 39 anos e passou 50 dias no Chile, como um indigente, nestes três lugares.

Ao ouvir a narrativa de Marcelo, achei seu sotaque parecido com o mineirês, lembrando um pouco o nordestino, e não demorou, chegamos a Alenquer, no Pará. Foi lá que ele nasceu e vive há muito tempo numa comunidade indígena.

Foi com sotaque parecido com mineirês e nordestino que o paraense de Alenquer contou sua história, prendendo cada vez mais a atenção de pelo menos uma dúzia de turistas que bagunçaram de vez a fila do check-in para ouvir sua aventura em terras chilenas, mais precisamente na rica, bela e patriótica Santiago Del Chile.

– Eu moro numa comunidade indígena no município de Alenquer. Foi lá que eu conheci o Sr. Cortez, um engenheiro chileno. Ele me convidou para trabalhar de caseiro no seu sitio em Concepción, no sul do Chile. Eu e minha mulher. Ele me deu mil reais adiantados e pagou nossas passagens. Viemos de ônibus direto de Fortaleza para Santiago. A viagem custou quatrocentos reais e durou sete dias.

O silencio aumentou em torno do paraense… e ele continuou.

– Nós tínhamos acabado de desembarcar e seguíamos para a rodoviária arrastando as malas, de noite, quando percebi que minha mulher caiu no chão! Quando virei para socorrê-la, senti uma pancada nas costas. Uma costela está quebrada até hoje. Só no segundo chute foi que me dei conta que estávamos sendo assaltados… Eram três. Eles bateram sem dó, sem dar tempo de reagir. Enquanto dois batiam, o outro passou a mão pela minha cintura e arrancou a pochete. Só queriam a pochete. Não levaram mais nada. Eu é que tive que levar… minha mulher para o hospital. Ela ficou três dias internada no hospital… Mas graças à Deus o bebê não se machucou, apesar dos chutes que ela tomou na barriga! Na pochete que os bandidos levaram estava todo nosso dinheiro, os documentos e o endereço do patrão Cortez, no celular. No dia que minha mulher teve alta no hospital fomos procurar o consulado do Brasil para chegar até o sitio do patrão em Concepción… Mas eles disseram que não podiam fazer nada. Cortez é sobrenome no Chile…

– E aí, o que vocês fizeram…? – atalhou um curioso apreensivo com o desfecho da estória do paraense.

– Eles disseram que dariam as passagens pra nós voltarmos para o Brasil… mas só poderiam liberar as passagens no dia 20 de abril!

– E quando foi isso? – Quis saber outra turista ao lado, com a curiosidade saltando dos olhos castanhos…

– Pois é, nós chegamos no dia 10 de fevereiro e minha esposa ficou três dias no hospital. No dia seguinte nós fomos para o consulado… Antes, o pessoal do hospital fez uma vaquinha pra nós pagarmos o guarda-volumes onde nós deixamos as malas…

– E vocês ficaram hospedados no consulado do Brasil? – questionou outro.

Apesar de estar com os olhos já nodosos e brilhantes, Marcelo conseguiu dar um sorrisinho sarcástico antes de responder…

– Não. Nós ficamos, até ontem, morando na rodoviária…

– Como assim!!! – perguntou Tatiana a meu lado, com as lentes verdes quase saltando dos seus olhos.

– … o consulado nos deu 20 mil pesos e mandou a gente voltar no dia 20 para pegar as passagens…

Ah, bom! Pelo menos o consulado do Brasil deu 20 mil pesos para o casal ‘se virar’ no Chile até o dia da viagem de volta para casa…!

Vinte mil pesos equivalem a R$110 reais! No Chile, a única coisa que existe mais barato é o vinho, seu produto nacional. Os da Concha Y Toro, por exemplo, custam cerca de 40% do que custa no Brasil. O resto tudo é mais caro. Uma camisa oficial do Colo-Colo ou da “U”. custa cerca de 300 reais, ou, 55.000 pesos. Se Marcelo tivesse levado quatro camisas do Brasil ou mesmo do Paysandu para o Chile, teria levado vida de nababo nas sete semanas que passou no Chile! Ou voltado imediatamente. Bastava vender as camisas na moeda local!

– Mas como vocês viveram esses quase dois meses com cento e poucos reais? – perguntou uma jovem noiva que voltava para Goiânia, com o óculos de sol escorregando de indignação dos cabelos lisos loiros.

– Nas marquises da rodoviária sempre passam algumas almas boas, alguns anjos… – respondeu Marcelo, visivelmente emocionado. E emendou:

– O pior não foi isso. O pior é que depois do oitavo mês de gravidez eles não deixam mais a gente viajar de ônibus! A Adriana vai dar a luz no início de maio, mês de Maria. A gente não ia poder viajar de volta para casa…

– E onde está sua esposa?  Você vai voltar sem ela?

Agora o sorriso de Marcelo não foi forçado. Foi de emoção, seus olhos brilharam mais do que nunca. Ele não conseguiria segurar por muito mais tempo as lágrimas…

– Então… ontem nós conhecemos um anjo… Estava frio na estação. Minha mulher me mandou vestir uma blusa que estava na mala. Eu tinha até esquecido a blusa, porque é do Corinthians… – ele tirou a blusa da mala e mostrou. Nisso o anjo passou, viu a gente sentado ali no chão, minha mulher gravida e, ao ver a blusa do Corinthians, puxou conversa, perguntando se a gente era do Brasil… Nos contamos nossa historia. O anjo se chama “Ana” e mora em Fortaleza. É uma senhora de setenta e poucos anos. Ela pediu pra gente cuidar da mala pra ela ir ao banheiro. Quando voltou ela nos levou pra jantar. Foi a primeira vez que eu sentei numa mesa de restaurante aqui em Santiago! O anjo de Fortaleza resgatou suas milhas, juntou mais um pouco de dinheiro e comprou as passagens minha e da minha mulher. Mas só tinha um assento. Por isso minha esposa foi com ela essa ontem à noite. Inclusive emprestou a mala de mão dela para dona levar as garrafas de vinho… Eu volto para casa na próxima madrugada… se Deus quiser!

À medida que desfiava seu rosário no Chile, permeado com a fé de que tudo terminaria bem com as graças de N. Senhora de La Concepcion – cuja imagem fincada no cume do Serro Santa Lucia, de onde ele e a esposa Adriana puderam ver apenas de longe -;  coroado com a bondade da anjo Ana, as pupilas negras de Marcelo passaram do brilho ao afogamento. Quando o primeiro turista, calado, se adiantou e entregou-lhe uma garrafinha d’agua, e outro também mudo, um pacote de biscoito, seu corpo todo estremeceu… e as lagrimas caíram! Muitas pessoas em volta tiveram que baixar os óculos escuros dos cabelos para esconder os olhos molhados!

Quando a historia parecia ter chegado ao fim, Marcelo disparou:

– Minha filha vai se chamar vai se chamar Ana Vitoria. Vitoria em homenagem a nossa luta aqui no Chile… Ana em homenagem ao nosso anjo!

Se o anjo Ana garantiu sua passagem de avião para Fortaleza, o mínimo que podíamos fazer era garantir sua passagem de ônibus de Fortaleza para Alenquer. Ao tirá-lo da fila para fazer a foto acima, discretamente Tatiana entregou-lhe o que havia sobrado da nossa viagem; algumas notas de reais. Entregou até a única cédula vermelha, de 5 mil pesos, que estava guardando como lembrança do Chile.

A aventura do casal de caseiros no Chile, além do viés de esperança e fé que os manteve vivos e de cabeça erguida, mostra a inépcia da diplomacia brasileira. Enquanto o país consome uma fortuna incalculável para manter cerca de 600 mil funcionários, boa parte deles  diplomatas em suntuosas mansões, em mais de 130 países, um casal de brasileiros mortal comum, grávido, diante de uma fatalidade quando tentava melhorar de vida, só tem R$110 reais para sobreviver cinquenta dias nos saguões e marquises de um terminal rodoviário a seis mil quilômetros de casa!

Ajude o Willams a ‘rodar’ por aí!

O adolescente “Willams” mora com a mãe, o pai adotivo, e mais seis irmãos no Loteamento Monte Azul, no bairro Faisqueira em Pouso Alegre. Ele tem paralisia infantil e precisa de uma cadeira de rodas especial para conhecer o mundo!

Willams e… eu

      Priscila nasceu em Itajubá… Marciara nasceu em Maceió. As duas, no entanto, tem muito em comum: ambas moram em Pouso Alegre, no Sul de Minas. Marciara tem um filho de 14 anos com paralisia infantil. Priscila também tem uma filhinha de 4 anos com paralisia cerebral! Ambas frequentam a APAE de Pouso Alegre onde seus filhos estudam. Ambas se tornaram amigas e partilham os mesmos anseios: integrar seus filhos na sociedade e fazê-los sorrir!

Willams e o repórter Thiago Luz da EPTV

E tem mais um ponto em comum entre a mineira e a alagoana: Priscila é apaixonada pela carreira policial. Em 2013, quando havia acabado de passar no concurso da PM, ela descobriu que a filhinha recém-nascida tinha paralisia cerebral, e teve que suspender o sonho de ser policial para cuidar da filhinha! O maior sonho do garoto ‘Willams’, filho de Marciana, é vestir uma farda de policial!

Tem mais uma peculiaridade…

Priscila encontrou vários anjos que atenderam seu apelo e doaram uma cadeira de rodas adequada para sua filhinha…

Marciara encontrou ao menos um anjo para ajudar a vencer seus desafios. Depois de ficar viúva, e com 4 filhos, todos imberbes, ela encontrou Ivanildo, também sozinho com 3 filhos pequenos. Agora os dois cuidam dos 7!

Com tantas crianças para cuidar, Marciara não consegue trabalhar fora. Resta ao abnegado companheiro Ivanildo, com seu salário de servente de pedreiro, sustentar a casa com 7 crianças: duas meninas de 7 anos, uma de 9, um garoto de 12, dois de 14 e um de 16 anos.

No ano passado, através de uma campanha nas redes sociais, as duas amigas conseguiram a doação de uma cadeira de rodas para o garoto Willams. A cadeira, no entanto, embora nova e confortável, não é adequada. Com essa cadeira ele não pode se locomover em outros veículos. Além do mais Willams vive torto e escorregando na cadeira, o que prejudica ainda mais o seu desenvolvimento.

Por isso as duas amigas, unidas pelas necessidades especiais de seus filhos, estão iniciando uma nova campanha nas redes sociais, para conseguir uma cadeira na qual Willams possa se locomover e conhecer um pouco mais do mundo. De acordo com o orçamento – anexo – a cadeira adequada para o Willams custa R$ 7.300.

Marciara abriu uma conta na CEF para receber doações. Além das doações que espera receber, Marciara e Priscila estão fazendo TRUFAS, as quais estão sendo vendidas a R$1,50 cada uma.

Visando dar credibilidade e transparência à campanha, Marciara e Priscila irão fornecer ‘extratos da conta’ até que o objetivo seja atingido.

O Blog do Airton Chips doou alguns exemplares do livro “Meninos que vi crescer’. Um para ser ‘rifado’ e outros para serem vendidos, cuja renda será totalmente revertida para a aquisição da cadeira de rodas.

Se você quiser doar qualquer quantia para comprar uma nova cadeira de rodas e aumentar o sorriso no rosto do Willams, use a conta 3539.013-000 14313-9 em nome de Marciara Ulisses da Silva – CEF.

Deus te abençoe.

Hoje é dia de Santo Expediiiiiiiiiiiiiito…

Voce tem alguma causa urgente para resolver?

Então fale com Santo Expedito! O santo das ‘causas urgentes’!

E aproveite para homenageá-lo, pois hoje é dia dele… de Santo Expedito!

Veja abaixo o programa completo.

A festa começa nesta quinta-feira, 19, e vai até domingo, 22, e será realizada no entorno da igreja que homenageia o santo no bairro Ipiranga em Pouso Alegre.

Sabe como chegar lá?

Simples… Passe pela ponte sobre o Rio Sapucaí Mirim, entre à direita e siga por um quilometro e meio que você chega lá.

Faça como o soldado que não deixou para  amanhã para se converter e seguir os passos de Cristo… Vá à festa ‘hodie’ mesmo!

Boas festas!

 

Perdido na Serra da Mantiqueira

Ele saiu de casa na segunda-feira para ir até o “Pico dos Marins” e não deu mais notícias.

 

      Policia militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal de Itajubá e até uma equipe de atletas de Trekking estão nos municípios de Delfim Moreira e Passa Quatro, no Sul de Minas, procurando o cidadão Eric Gilbert Welterlin.

Segundo familiares ele saiu de casa na segunda-feira, 16, para fazer trilha, até o “Pico do Marins” e não voltou mais. Seu carro foi encontrado no início da noite de segunda,16, ao lado da pousada, na base do Pico do Marins. Eric, 54, de nacionalidade francesa, radicado em Itajubá, é adepto do esporte de montanha.

O desaparecimento do esportista foi comunicado pela família nesta quarta-feira. Familiares acreditam que ele possa ter sofrido algum tipo de acidente ou simplesmente se perdido na trilha quando subia para o pico mais alto da Serra – mineira – da Mantiqueira. Os bombeiros fizeram a trilha tradicional até o famoso pico de 2.420 metros, observando fendas, possíveis acampamentos, fogueiras e outros sinais, mas não encontraram os rastros do francês.

Além dos policiais e Bombeiros de Itajubá e do estado de São Paulo, há também, desde o início desta manhã, uma equipe de montanhistas voluntários de São José dos Campos procurando o atleta perdido.

Se você que está lendo essa noticia, tem alguma informação ou conhecimento específico de trekking que possa ajudar a encontrar o atleta Eric Gilbert Welterlin na Serra da Mantiqueira, entre em contato com os Bombeiros ou a polícia de Itajubá.

O Cristo está caindo!

De tanto acenar para os políticos cá embaixo, pedindo um pouco de cuidados para o seu entorno, a mão da estátua começa a despencar … A ponta do dedo polegar esquerdo já caiu!

      Você já esteve aos pés do Cristo Redentor de Pouso Alegre? Sim? Então você é mais feliz do que a média das pessoas! Você teve o prazer inigualável de curtir uma das mais belas vistas do Sul de Minas. Dos pés do Cristo na Serra de São João, você pode ver quase todo o município de Pouso Alegre. Praticamente toda a área urbana, a começar pelo Ribeirão das Mortes à sua esquerda, passando pelo Esplanada, Faisqueira, Belo Horizonte, Cidade Jardim, Chapadão ao longe, até chegar à velha ‘Vendinha’, atual bairro São João bastando olhar para baixo! Também olhando para baixo se vê o bairro Colinas de Santa Barbara e o centro da cidade como se você estivesse ‘ali’!  O vale do rio Mandú descendo preguiçosamente desde a divisa de Borda da Mata, passando pelos bairros Anhumas, Imbuia, Pantâno, Cajuru, até entrar à cidade, proporciona uma sensação de grandeza! Às costas do Cristo a mata da Represa, quase intocada, divisando com o município de Congonhal, nos oferece mistério! Lá longe, de frente, se avista campos e serras de Estiva, Itaim, Santa Rita, Bela Vista, Silvianópolis e, de frente ao longe, se a vista for boa e o tempo estiver limpo, dá para ver o Observatório Astrofísico de Brazópolis e a famosa Pedra do Baú na divisa de Santo Antonio do Pinhal com Campos do Jordão… Tudo isso a olho ‘despido’!

Vivi muitas aventuras aos pés do Cristo da Serra de São João antes mesmo de o Cristo ter pés, corpo, braços e cabeça! Certa vez fui dormir ali mas, começou chover e tive que desistir da aventura no meio da noite e voltar para casa à pé… eu e minhas crises de existência! Na manhã de domingo do dia 30 de outubro de 1999 eu e familiares estávamos à caminho de lá, ainda no bairro São João, quando de repente olhei para a primeira estátua ainda em construção e, diante dos meus olhos… ela despencou! Se tivéssemos chegado quinze minutos antes ‘o’ Cristo teria caído aos nossos pés!

O Cristo de Pouso Alegre, terceiro maior do Brasil, com 33 metros – perde apenas para o do Rio de Janeiro e o de Eloi Mendes – foi levantado pelo meu amigo Genésio Moura, o “Ceará”, quase tão gigante quanto a própria estátua que construiu com sabedoria empírica! Além da paixão pelas estátuas sacras gigantescas, Ceará tinha pelo menos outras duas paixões: Futebol e Severina do Popote. Imenso, de bigode e vasta cabeleira black power,  lembrava o folclórico goleiro colombiano Higuita. Enquanto defendia o gol do Flamengo do Cascalho nos jogos amistosos nos finais de semana, mantinha uma garrafa de suco de gerereba aos pés da trave… ‘para não deixar a garganta juntar poeira’, dizia ele! Moço bom.

O ‘porão’ do Cristo ja serviu de cativeiro para pai e filho, vitimas de sequestro.

O Cristo de Pouso ficou pronto no final da segunda gestão do prefeito Jair Siqueira, em dezembro de 2000. Não era para ser uma obra política, mas acabou ganhando essa pecha. Portanto, nada mais se fez no entorno da estátua nas administrações posteriores, pois é da mentalidade dos políticos, não adotar ‘filhos’ alheios!

Mão do Cristo sem o polegar: Foto do leitor Diego Santos

Do alto da serra de 1200 metros, ‘nosso’ Cristo de olhar manso e silencioso  e gigantescos braços abertos, já assistiu quatro acirradas campanhas políticas nos últimos 18 anos. Em todas elas ouviu discursos ufanistas de todos os candidatos prometendo “revitalizá-lo”. “Vamos construir lanchonetes, sanitários, rampa para voo livre, melhorar a estrada, construir um teleférico… vamos fazer daquele majestoso local o principal ponto turístico de Pouso Alegre”, disseram nos palanques  e debates dezenas de candidatos nas eleições municipais. Nenhuma promessa, no entanto, sobreviveu um dia depois do “05 de outubro”! Ao contrario de cidades como Poços de Caldas, Caxambu, Aguas de Lindoia, Serra Negra – só para ficar nas vizinhas à Pouso Alegre – abraçadas do alto pelo Filho do Pai e que se preocupam com o turismo, a velha estradinha sinuosa de 8 quilômetros, cheia de mata-burros, que muito antes do Cristo já me levava aos pés da torre de tv, nunca recebeu nenhuma atenção das ‘secretarias de turismo’.

Ponta do Polegar do Cristo caído ao chão: Foto do leitor Diego Santos.

Depois de anos de descaso e solidão, no ponto mais alto do município, o Cristo parece ter perdido as esperanças de ser notado! De tanto acenar para os políticos cá embaixo, a mão do Cristo está caindo! A ponta do dedo polegar esquerdo já despencou. E preocupa minguados turistas que, apesar dos pesares, ainda se aventuram a visitar o local, como Diego Santos, o primeiro a constatar a derrocada do Cristo nesta terça,10.

“… estive no Cristo hoje à tarde e achei uns pedaços da mão dele no chão, que estão se desprendendo.. achei um perigo pois pode cair na cabeça de algum visitante” –  diz ele.

Será que o Cristo Redentor de Pouso Alegre um dia se tornará um ponto turístico?

Ou engrossará a estatística daquela velha frase: “…foi sem nunca ter sido”!?

Seu compromisso no dia 07 de abril…

… É com as crianças da Creche do Foch!

 

        Quatrocentas crianças de zero a 12 anos esperam por você no ginásio do Clube de Campo Fernão Dias para o XVI EVENTO BENEFICENTE.

Já se tornou tradição… Todo ano no mês de abril, a Creche do bairro Foch em Pouso Alegre realiza o seu Evento Beneficente! Começa sempre às sete da noite do sábado e termina por volta de dez e meia. São dez rodadas com três batidas em cada rodada e duas rodadas extras. Cada bloco de dez cartelas custa R$ 30. São centenas de prêmios que vão desde uma batedeira de bolo até bicicleta e TV de 50 polegadas.

Enquanto se divertem e ajudam a creche, os participantes podem degustar deliciosos salgados e abraçar a loira… gelada!

A creche do Foch cuida de cerca de 400 crianças, desde os primeiros meses de vida até os 12 anos de idade. As crianças estudam na creche até a 5ª série do ensino fundamental. No entanto, mesmo aquelas que deixam a escola para concluir o ensino fundamental nas escolas vizinhas, voltam para a creche para receber alimentação e cuidados diariamente. “Nosso objetivo é amparar, proteger e alimentar estas crianças enquanto suas mães trabalham”, diz a secretaria Rosalina.

As atividades na Creche do Foch têm início às 07:00h da manhã e só terminam às 17:30h da tarde. “Aqui as crianças têm quatro refeições diárias: café às 07:30h, lanche às dez, almoço entre onze e onze e meia e café da tarde, às três. Só de leite nós consumimos 90 litros por dia” – esclarece a secretaria. Além de alimentação diária e aulas de artesanato e costura para crianças até 12 anos, a creche fornece ainda assistência médica e odontológica a todo seu ‘corpo docente’.

A creche do Foch é uma entidade filantrópica de assistência social e se mantém com subvenção da prefeitura e donativos de pessoas físicas e jurídicas tais como Cimed, União Quimica e Biolab. Para completar o caixa e assim arcar com suas despesas sempre crescentes, a entidade mantém uma barraca móvel na Praça João Pinheiro no ‘Projeto Quarta no Parque’, onde vende ‘cachorro quente’ e ‘petit-gateau’.

Além desse evento realizado semanalmente por voluntários, a entidade promove anualmente, desde 2003, o “Evento Beneficente” que, em 2018, acontecerá no dia 07 de abril, no ginásio do CCFD. O evento, também realizado por voluntários e filantropos, tem arrecadado em média R$35 mil por ano.

Como se vê, cerca de 400 crianças dependem da sua solidariedade! Você não vai deixá-las na rua, vai?

‘Gaúcho’ procura parentes em Minas Gerais

Ele perdeu o contato com os familiares mineiros há mais de 40 anos!

Este é o sr. Jose Joaquim da Silva, 68 anos.

Ele tem um sonho na vida… Reencontrar seus familiares!

Jose Joaquim é mineiro de Minas Novas, mas mora há muitos anos em Alvorada-RS.

Ele é filho de Marcionilia da Silva e tem 07 irmãs: Irene, Marlene, Marilene, Rosilene, Luciene, Marcilene e …?

A menina da foto é Luzia Ramos, uma de suas sobrinhas, filha da Irene Ramos da Silva…! Deve estar com 45 anos.

A ultima vez que o sr. Jose Joaquim viu os familiares foi no ano de 1974, na cidade mineira de Mantena.

      Se você é parente do sr. Jose Joaquim da Silva ou conhece algum parente dele, entre em contrato através dos telefones (51) 99303.5040, 99260.2619, 98414.5945 e 99242.3037.

Ele espera o seu abraço!

 

 

Os peões e o promotor de Silvianópolis

Se fosse hoje a camareira teria sido processada

Tanque, cartão de visita e de diversão de Santana.

Durante as obras do asfaltamento da estrada que liga o município de Silvianópolis ao vizinho município de Turvolandia, no final da década de 1980, os funcionários da empreiteira ficaram hospedados na Pousada do Tanque, uma das duas pensões da cidade, – a outra estava em reforma – bem perto do famoso Tanque da velha Santana do Sapucaí.

Naquele mesmo ano um jovem promotor de justiça, afrodescendente, foi designado para trabalhar no fórum local. Enquanto não se mudava para a Comarca, o promotor também se instalou na pensão, única disponível. E se arrependeu!

Sem opções de lazer na velha e pequenina Santana do Sapucaí, e habituado aos estudos, depois do expediente no fórum, o promotor gastava seu tempo debruçado sobre os livros em busca de mais conhecimentos. Mas só depois que os peões dormiam…!

Já os peões, depois de um dia inteiro de trabalho pesado, procuravam relaxar nos braços de Severina do Popote e jogar conversa fora na pensão até a hora de dormir. Quando se levantavam de manhazinha, ninguém mais dormia na pensão, tamanha era a balburdia que faziam na hora do café da manhã.

O jovem, introspecto e sisudo promotor, que só pegaria no expediente no fórum depois do meio dia, não se levantava, mas  ficava rolando na cama até que os peões saíssem para o trabalho, Só então voltava para os braços de Morfeu para completar o sono. Por conta disso o mui digno RMP, que chegara já pensava na possibilidade de uma transferência para outra Comarca, antes mesmo de criar raízes na velha Santana.

Igreja Matriz de Santana

Um fato hilário veio corroborar sua decisão…!

Numa bela manha veio trabalhar na pensão uma nova camareira. Apesar de experiente, ela não conhecia todos os hospedes. Depois de servir o café da manhã para a peonada e lavar os ‘trem’ do café, Jurema foi arrumar os quartos. De repente deu de cara com o promotor enrolado nos seus lençóis, nos braços de Morfeu. Simples como ela só, e querendo ajudar o hospede, sacudiu os lençóis, bateu no ombro do promotor e foi dizendo:

– Acorda negão!!! A sua turma já foi p’ra estrada faz tempo!!!

… Ele acordou mesmo!

Aquele foi seu terceiro e último dia de trabalho em Silvianópolis. O fórum ficou várias semanas sem um mui digno RMP, até que um novo fosse designado para substituir o promotor que fora confundido com os peões da obra da estrada de Turvolândia!

Tempos bons aqueles em que o cidadão tinha liberdade de expressão! Tempos em que “Negão” era apenas uma forma carinhosa de chamar uma pessoa querida ou conhecida. Se fosse hoje, a espevitada camareira seria chamada na chincha e levada às barras dos tribunais por crime de racismo!