“Meninos que vi crescer” – Renê Cabinho… Perdido na curva do rio

Quando o plantonista abriu a porta da delegacia de policia naquela manha gelada de julho de 2001, uma senhora cafuza, de meia idade, ligeiramente obesa entrou levando pelo braço uma adolescente, que a julgar pela cor dos olhos e expressão do rosto, havia passado a noite em claro. Timidamente ela disse que queria registrar queixa de desaparecimento. Julio, seu filho de 17 anos havia saido de casa no domingo à tarde para andar de bicicleta com amigos, segundo ele, e até então não voltara para casa e nem dera noticias.

Ao receber a copia do B.O. com uma fotografia do garoto moreno, robusto e sorridente levei a senhora chorosa para a Inspetoria de Detetives e em poucos minutos eu sabia quase tanto quanto sua mae sobre sua vida. Era bom filho, bom estudante, bom funcionario da bicicletaria do Laercio Amaral no Aterrado, não sofria de nenhum disturbio mental, não era sequestrável, não tinha inimigos, tinha poucos amigos e nenhum deles tinha envolvimento com drogas. Onde estaria Julio?

A mae e a irma do desaparecido foram embora  deixando para tras um completo dossiê, desconsoladas, pois acreditavam que a policia sabia de tudo que acontecia de errado na cidade. Tinham ao menos um alento; Julio não estava preso e nem num leito de hospital ou gaveta fria do IML.

Ligaram no final da tarde, querendo noticias do filho ou sobre o andamento das investigações. No dia seguinte abriram a delegacia novamente. Traziam à tiracolo uma senhora mulata também de meia idade que dizia ser vidente. Mãe e irmã estavam ainda mais chorosas e tristes… por causa das visões e pressagios da vidente. Segundo ela, Julio havia sido assassinado e seu corpo jazia com certeza numa baixada, na beira de um rio, provavelmente atras de uma construção que parecia ser um tosco rancho de pescador.

Aqueles dias, nossa prancheta de O.S. sobre furtos praticados por menores, brigas de marido e mulher, brigas de pés-de-cana, estelionatos e outros crimes sem status, todos pertinentes à nossa ‘equipe de dois’, eu e Fernando Jardim, chefiados pela Delegada Ines Xavier e pelo delegado Edson Vieira, não saiu do armario. Todo nosso tempo de manhã à noite era dedicado ao “Caso Julio”.  Juntou-se a nós o detetive Roberto, que tinha estreita amizade com um amigo da familia do sumido. Se o corpo do jovem adolescente estava na beira de um rio, ribeirão ou corrego, nós os achariamos. Vasculhamos varios trechos das margens do velho Mandu, descemos o Sapucaí da Faisqueira ao Vitorinos, rumanos para o Cervo. Parecíamos Fernão Dias Paes Leme e seus Bandeirantes chapeludos desbravando e mapeando rios… e nada de encontrar Julio. Quanto mais procurávamos sem sucesso, mais a mulata vidente garantia que o bicicleteiro estava morto na beira do rio. Na quinta feira avançamos o horario de almoço checando pistas, informações e visões mediúnicas nas quais nem sempre acreditávamos mas que não podiam ser descartadas e só paramos por volta de quatro da tarde para fazer o relatorio. Cansados, sujos, rasgados, esfomeados, desacorçoados, estavamos desistindo de encontrar o corpo do jovem.

Eram cinco e vinte e cinco da tarde quando o radio da viatura chiou e ouvimos a central chamar;

– Atenção perito de plantão, está em QAP? Encontro de cadaver no aterrado…

Não era preciso ouvir mais nada. Tinhamos certeza… era o nosso morto!!! Chegamos ao local em poucos minutos. Apesar disso, como o dia mais curto do ano se dera como de praxe, no dia 24 de junho, ha menos de duas semanas, tão logo o sol se punha às cinco e doze da tarde, a penumbra começava cair. Seis da tarde no inverno é noite fechada. Muito antes das seis estavamos na margem do velho Mandu, numa faixa de terra de tres ou quatro metros entre o rio o muro do predio do Sesi. Entre os galhos finos e duros de uma daquelas espevitadas arvores ribeirinhas, curvado e com a cara inchada enfiada na mistura de terra com areia de rio, começando juntar formiga, sob a luz tenue da lanterna, estava o corpo do adolescente que tanto procuramos naqueles quatro dias. A vidente estava certa. Ele estava mesmo na beira…

Para continuar lendo essa historia, acesse “www.meninosquevicrescer.com.br”…

 

 

Motoqueiros trocam tiros … garotinha recebe as balas

         A equipe 10 da 2ª Delegacia da Policia Civil de Pouso Alegre, AISP 110, que cuida dos crimes e criminosos da Região Sul da cidade, ainda não tem pista dos caubóis do asfalto que tentaram matar outro caubói na manhã da ultima segunda feira no Aterrado. Os disparos de arma de grosso calibre, que vararam até portão de aço, foram feitos na famosa Rua Roberto Ramos de Oliveira, que nasce atrás do campo do Bangu e morre na restinga da Lagoa da Banana.

       Segundo moradores, dois motoqueiros passaram engarupados numa motoca grande, escura, atirando no outro que seguia à frente. Quem colheu as balas foi a garotinha Suellen da Cruz Gomes, que saia do Bar do Toninho com uma garrafa de refrigerante. Duas azeitonas quentes passaram de raspão pela sua cintura.

      Uma moradora declarou indignada para a imprensa;

– Nossa, isso nunca aconteceu nesta rua …

         Ela deve ter memória fraca ou então é moradora nova no trecho. As ruas Roberto Ramos de Oliveira, Oscar Dantas, Sapucaí e Nova são as campeãs de ‘pipocos’ no bairro. No entanto, justiça seja feita ao velho e bom Aterrado… Dos 9 homicídios ocorridos na cidade no ano passado – um por cobrança de divida, outro por causa da Kátia…ça, tres passionais, dois por acerto de drogas, um latrocínio e um por ‘rejeição de carinho’ do ‘traveco’ Chico Mara – nenhum deles aconteceu no velho Aterrado.

       A propósito, meu titulo acima é mentiroso. Não houve troca de tiros… Apenas o garupa da motoca grande que perseguia, atirou. O perseguido estava só e precisaria de pelo menos mais uma mão, para manter seu ‘cavalo de aço na trilha’ e puxar o gatilho do trabuco…

      Embora não tenha pista dos caubóis ruins de pontaria, a policia está procurando o fio da meada, para que a historia de Passos não venha se repetir em terras manduanas…

Policia ajuda trocar pneu… ganha 400 kg de maconha

       Duas equipes de policiais rodoviários passavam pela rodovia dos Bandeirantes, próximo à campinas, na manhã desta quinta, quando avistaram uma Kombi parada no acostamento com um pneu furado. Uma viatura parou para oferecer ajuda. A outra seguiu em frente.

      Dois quilômetros adiante, na mesma via, os policiais viram um Fiat Palio estacionado e resolveram também fazer uma boa ação. Pararam a tempo de ouvir os ocupantes do Palio falarem atabalhoadamente ao celular com o motorista da Kombi do pneu furado. Resolveram então checar a documentação dos citados veículos e suas cargas… Surpresa!!!! Eles levavam uma carga muito especial…. 400 quilos de maconha!!!! Parte estava no porta malas do Palio e metade viajava confortavelmente acomodada no banco trazeiro da komki… sem cinto de segurança.

         O bom samaritanismo dos educados policiais, casualmente evitou que quase meia tonelada de erva do capeta chegasse ao seu destino em Itapira e Mogi Mirim. Alguns milhares de baseados seriam queimados no final de semana em Pouso Alegre e região…

        O que chama a atenção nesta ‘operação fortuita’ da policia rodoviaria, é a facilidade com que se transporta drogas de uma “boca” para outra. Não fosse a mera coincidência do pneu furado, dezenas de traficantes alimentariam o trafico e os nóias de uma vasta região. Quantas toneladas não passam batido aos olhos da policia diariamente nas estradas brasileiras?

       Os três mulas…?? Se forem primários pegarão 5 anos e 4 meses de cana. Em menos de um ano estarão na rua….!!!!!

Assassino do segurança no Show da Ivette Sangalo, acaba de ser preso pela PC

 

     

        Antes do assassinato de João Balaio na virada da noite do dia 30 para 31 de dezembro do ano passado, no Cidade Jardim, o único homicidio de Pouso Alegre em 2011 até então desconhecido era o do vigilante Divanilton Resende de Souza.

Não é mais! Ele acaba de ser Identificado…

O moço que diz ter passado um caco de vidro no pescoço do mineiro de Salto da Divisa, em meio a uma briga, no final do show da Ivette Sangalo, na madrugada do dia 20 de agosto de 2011 é Antonio Eldo Linhares Rocha, nascido em abril de 73 em Granja-CE. Ele era a agulha que o delegado Gilson Baldassari e seus agentes procuravam no palheiro. Foi encontrado no oitavo andar de um prédio de apartamentos na cidade de São Miguel Paulista, na tarde desta terça feira com outras duas pessoas. Na verdade ele já era conhecido dos detetives da Especializada de Homicídios de Pouso Alegre há varias semanas. Faltava apenas dar o bote de jararaca em sua canela.

         Para chegar ao assassino punguista, os detetives precisaram de vários meses de investigação. Depois de definir que o assassino era um baixote branco, cabeça chata típica de nordestino, consultaram quase metade do álbum da Base Nacional de Dados e finalmente chegaram à sua fotografia. Como ela estava desatualizada, um dos detetives foi até o subúrbio paulista e tirou uma foto mais recente. Ao vê-la, Juliana de Almeida Resende Souza, viúva de Divanilton e pivô do seu infortúnio, não teve duvidas; fora ele que derramara cerveja em sua roupa durante o show musical e rolara com seu marido na poeira, deixando-o esvaindo em sangue no chão.

          Depois de concluir que o cearense Antonio Eldo era batedor de carteiras que costuma freqüentar shows e festas Brasil afora com este intuito e fora o responsável pela morte do vigilante, Gilson pediu sua custodia temporária. A prisão ontem à tarde em São Paulo teve lances cômicos. Enquanto uma equipe seguia para o Fórum da cidade cumprindo as formalidades ‘diplomáticas’, Teobaldo, Andréia e Elon foram cercar o prédio onde mora o assassino. Para entrar no condomínio sem ‘espantar’ o suspeito, os detetives simularam bater no seu carro no estacionamento. Quando o colega de apartamento Wanderson Ramos de Santana desceu para ver o que estava acontecendo, sentiu o cano frio da ‘ponto quarenta’ da policia mineira! E voltou ao apartamento já usando pulseiras de prata. Enquanto aguardavam o retorno do delegado com o despacho do homem da capa preta, a síndica do prédio, pensando tratar-se de um seqüestro, chamou a policia paulista para a policia mineira. Quatro viaturas da PM cercaram rapidamente o prédio…!

         Antonio Eldo a principio jurou de pés juntos que era inocente. Diante do olhar choroso da viúva Juliana que o reconheceu através da vidraça na DP, não teve como tapar o sol com a peneira e abriu o livro. Como o delegado Gilson acreditou desde o principio, o homicídio fora um caso isolado. Quase acidental. Em meio à briga em nome da honra da esposa ultrajada com o copo de cerveja, o vigilante recebeu o golpe fatal no pescoço – que Eldo diz ter sido feito por um caco de garrafa, mas pode ser um canivete. Ao sentir os sangue nas mãos o cearense fugiu do local com seus colegas ‘festeiros’ e somente soube que o vigilante havia morrido, no dia seguinte, através da internet.

         Para o delegado Gilson Baldassari e sua equipe é mais um caso espinhoso resolvido.

– Foi um dos casos mais complicados que apuramos, pois tínhamos como pista apenas a descrição do autor. Era como procurar uma agulha num palheiro. A viúva do vigilante vinha quase toda semana à delegacia cobrar providencias, sempre com uma nova pista ou motivo diferente para o homicídio… – Afirma o compenetrado delegado – Ela questionava nosso empenho alegando que o caso da cabeleireira Esther – assassinada pelo psicopata Renam em 2010 – fora resolvido em duas semanas. Porque o caso do seu marido não desenrolava? – Completa ele.

         Para os detetives que trabalharam no caso – Teobaldo, Elon, Andréia, Ozanan e Alberto – embora o assassino casual tenha dobrado a serra do cajuru logo após o crime, ele deixara atrás de si um rastro … Usando inteligência, tecnologia e tirocínio policial foi possível seguir o rastro e mostrar a eficiência da policia mineira…!

         Wanderson Ramos de Santana e Adriana de Freitas, presos no apartamento de Antonio Eldo em S.M.Paulista, deverão ser liberados a qualquer momento, pois não participaram do crime. O cearense do golpe mortal deverá ter a prisão preventiva decretada a pedido do delegado Gilson nas próximas horas e aguardará o julgamento no Hotel do Juquinha. Tanto o vigilante Divanilton quanto sua viúva Juliana agora podem descansar em paz…

       Leia também…. Garoto põe fogo na mãe em Senador Jose Bento

Assaltante é preso duas vezes no mesmo dia

 

        A bela Passos, vizinha do ‘paraíso’ de São Sebastião, vai bem, obrigado. Já estamos no nono dia do ano, Dia do Fico e até agora ninguém foi bater à porta de São Pedro – toc toc toc, bata na madeira…

       Mas se a esguia e sinistra senhora de preto, sem rosto, está segurando bandeira branca em lugar do seu famigerado alfanje afiado e até agora não arrastou nenhum passense para o limbo, o mesmo não se pode dizer dos gatunos sem juízo. Furtos e roubos ocorrem no berço natal de Danton Melo mais do que tilápias e curimbatás no lago à sua margem.

       Neste domingo, o meliante D.B.S. conseguiu ser preso duas vezes antes da virada do dia. O comerciante E.R.S. havia acabado de abrir seu supermercado quando percebeu que dois guampudos estavam a espreita preparando o bote. Antes de receber a indesejável visita às 07h da manhã, ele pediu ajuda ao filho que mora ao lado e este ao sair à janela viu D.B.S. baixando um capuz de lã para cobrir a cara feia e conseguiu evitar o assalto, gritando que iria chamar a policia. A dupla desistiu do roubo ao supermercado e foi presa meia hora depois nas redondezas. Mas, como não chegaram a iniciar a execução do crime, os dois meliantes foram soltos depois de um chá de banco na DP.

        D.B.S. 22 anos passou o dia na dureza – ah, coitado!!! – sem um centavo no bolso. À noite resolveu atacar novamente. Desta vez foi sozinho. Aproveitando que o jovem R.J. estava distraído na porta de uma lanchonete da Rua Lavras falando ao celular, sacou um trezoitão, apontou para o moço e exigiu o dim-dim. Teria levado na boa, se a vitima não tivesse percebido que o ameaçador trezoitão negro era… de brinquedo. Ao perceber que o trabuco do assaltante de meia tigela não poderia vomitar azeitonas quentes, R. J. mandou que ele fosse catar coquinhos. Frustrado, o meliante apelou para os punhos. Encheu a vitima de bolachas, rolou com ela na poeira e tomou sua carteira com documentos e R$ 400 reais.

       Identificado pelas vitimas através de fotografias do álbum da policia militar, o jovem assaltante D.B.S. foi cassado pela policia pela segunda vez no dia. Às quatro da manhã foi avistado perambulando pelo bairro Candeias e enroscou-se nas malhas da lei. Destra vez sentou-se ao piano, assinou o 157 e foi se hospedar no velho Hotel de Passos.

        … E a estatística criminal na cidade continua em alta…

Quem tem medo da policia…?

         Bons tempos aqueles em que se usava a figura do policial fardado para obrigar a criança a deixar de fazer birra – atitude aliás, condenável, pois policia não é bicho papão. A criança pelo menos crescia com aquela mistura de medo e respeito e depois de cidadão feito, quando via uma viatura policial ou um soldado fardado passando na rua, aprumava a postura e fazia cara seria. Hoje, o jovem que se diz ‘esperto’, ao ver um policial ou a viatura, faz questão de encarar e se por ventura estiver praticando qualquer ato censurável, estufa o peito como quem diz; “ Fica na sua mané… estou no meu direito…”

        Outro dia – quero dizer, outra madrugada, eram quase duas da manhã – eu estava no portão conversando com dois policiais, pedindo providencias contra vizinhos que insistiam em varar a noite – provavelmente viajando na farinha do capeta, nos braços da loira gelada – com ‘direito’ a balburdia e algazarras, quando dois cidadãos passaram pela viatura espalhando o som do seu carro para toda vizinhança. Não baixaram um decibel o volume do som. Ao contrario, contornaram logo adiante no canteiro e voltaram pelo outro lado da avenida, de frente, encarando os policiais…. E ficou por isso mesmo.

        Ontem à tarde a PM fazia abordagem de rotina no bairro Lagoa, município de Estiva, quando surgiram dois motoqueiros na direção contraria. Em outros tempos, teriam disfarçado e virado de fininho a primeira esquina, sem chamar a atenção. Mas não ontem, pois vivemos a era do; “Vá se ferrar, Mané…”. Os moços continuaram calmamente dirigindo as motocas lado a lado pelo meio da via. Quando receberam o sinal de parada, um deles, C.B.P. 18 anos, atirou longe um embrulho… Eram 14 barangas de cocaína. O outro motoqueiro abusado, D.E.S.S., 20 anos, levava no bolso uma baranga de maconha.

       O detalhe interessante é que ambos são inabilitados para conduzir motos, mesmo assim foram bater de frente com os homens da lei sem o menor pudor!!!….  Caíram e desceram de carona no taxi do contribuinte para a DP.

       Vovó, se cá estivesse, perguntaria desconsolada; “O mundo está perdido… onde estes moços de hoje vão vai pararrrr …”?

Menos cadeia para quem ler livros

        O governo federal está montando uma biblioteca nas penitenciarias federais de Catanduvas-PR, Campo Grande-MS, Porto Velho-RO e Mossoró-RN. O objetivo é ocupar a cabeça dos presos de segurança máxima ali hospedados e conseqüentemente desviá-los do mundo do crime que comandam, mesmo de longe, cá fora.

       O projeto é parte do programa de redução de penas por meio da leitura. A cada livro lido o preso poderá abater três dias de sua pena. Para fazer jus ao ‘premio’ o preso deverá ler e fazer uma resenha do livro. O governo comprou inicialmente 816 livros, entre eles os best-sellers Amanhecer, Eclipse, Lua Nova e Crepúsculo da americana Stephenie Meyer e Honoráveis Bandidos, que desce a lenha do começo ao fim no dono do Maranhão e do Amapá, Jose Sarney e ainda A Historia de Lula, O filho do Brasil.

       A idéia é boa nos dois sentidos… No caso de Fernandinhio Beira-Mar, hoje hospedado na ‘penita’ de Mossoró, se ele ler e resumir todos os livros, poderá descontar seis anos e oito meses de sua pena de 120 anos… Poderá voltar para casa mais ou menos em 2115…

        Agora, falando serio, se todo estudante do ensino médio pelo menos, lesse um livro por trimestre, não precisaríamos de tantas penitenciarias de segurança máxima instaladas nos cantões do Brasil…!!!

Mãe desacorçoada manda prender o filho ‘churrasqueiro’ em São Gonçalo

         O cidadão Saulo Florêncio de Souza, 29 anos, está hospedado no Hotel do Juquinha desde a manhã desta quinta. Para conseguir a hospedagem gratuita ele precisou de uma tesoura, um espeto de churrasco, uma pedra bege fedorenta e muito espalhafato com os familiares.

       O forrobodó começou as três e meia da manhã com sua mulher Vanilza. Ao chegar em casa chapado pelo crack, querendo comida quente e chamego, como de habito, Saulo desceu o borralho na esposa. Com a cara cheia de hematomas e com medo de apanhar mais ou de morrer nas garras do gavião, ela recolheu-se ao seu canto e foi chorar sozinha sua triste sina.

       Dona Maria de Fátima, mãe do moço e os irmãos Sildete e Silverio, no entanto, chamaram o brutamontes na chincha. Ao ser repreendido pela família toda, Saulo Florêncio, que não é flor que se cheire, agarrou a tesoura e o espeto e ameaçou fazer churrasquinho dos familiares.

       Os homens da lei foram chamados e conduziram o valentão chapado para a delegacia regional de Pouso Alegre, onde ele sentou-se ao piano do delegado Waldir Pelarico, de Ouro Fino.

       Para que ele fosse preso e enquadrado na Lei Maria da Penha era necessário que as vitimas representassem contra ele. A esposa e os dois irmãos, com medo de represálias, perdoaram e recuaram, mas com a matriarca da família, dona Maria de Fátima, não teve perdão. Ela estufou o peito, assinou embaixo e mandou o filho para o xilindró… Pelo menos por uns três meses ficarão livres do nóia violento.

Cidade Jardim… Ronan “Gordinho” é o novo chefe do trafico

       Cidade Jardim… Não é tão bela quanto um mas pode ser chamada de cidade. Tem quase tudo que uma tem. Principalmente os problemas sociais.

      Ja nasceu polemica. Começou no centro de uma celeuma entre os caciques politicos Jair Siqueira e João Rosa. Um querendo resolver o problema de moradia para familias de baixa renda e outro querendo que o bairro pobre e popular fosse para longe de sua chacara. Venceu quem estava com a faca e o queijo na mão. O bairro foi entregue na decada de 90.

       Cidade Jardim… desvalorizou o bairro-chacaras Portal do Ipiranga, desvalorizou o bairro Caiçara do guru das estrelas, Thomas Gren Morton, desvalorizou a chacara do ex-deputado Rosa, mas valorizou a qualidade de vida de centenas, milhares de pessoas que moravam em porões, em barracos, em casebres alugados no Aterrado e outros cantos da cidade.  Valorizou também a vida de muitas pessoas que vieram de outras cidades, até mesmo das favelas de São Paulo.

       Cidade Jardim… Em 2001 detetives da DATE abriram a porta do muquifo do Ednaldo Carmo dos Santos, o Carioca nascido na Bahia, no bico da botina, a tempo de pegá-lo nos braços de Morfeu, enquanto seus asseclas tentavam jogar a droga no vaso sanitario.

       Cidade Jardim… Ali cresceram os irmãos Elton, Pingo, Zinho e Fonfon aos -poucos – cuidados da avó. Cresceram praticando todo tipo de pequenos delitos. Em 2004 Zinho deu seu ultimo mergulho no Rio Sapucai, onde costumava se divertir com outros desocupados. Mergulhou de costas…. com um balaço na testa. Foi encontrado uma semana depois enroscado numa galhada 4 quilometros rio abaixo. Foi enterrado no sabado. No domingo de manhã seu irmão Fonfon tentou vingá-lo… foi enterrado na segunda. Lagartixa, seu matador só foi preso no final de 2010, quando distribuia drogas para Mara.

        Cidade Jardim… Em 2004 os moradores do bairro retribuiram Jair Siqueira pela construção das casas, enchendo a urna de votos naquela eleição. Durante um showmicio no bairro em agosto, fotografei uma senhora banhando o peito do candidato com lagrimas, agradecendo a casinha recebida.

       Cidade Jardim… As quatro da tarde do dia 13 de novembro de 2003, coloquei a cara na porta e o delegado Gilson Baldassari na janela de uma casa em construção. Por quase um minuto ficamos escutando o silencio enquanto o Taurus 38 Especial do detetive Paixão, num comodo escuro do fundo, apontava para nós. O primeiro que fizesse um movimento para entrar receberia um balaço na cabeça, igual o colega assassinado tres horas antes na esquina do Beco do Crime pelos tres moleques que assaltaram a loteria atras da Catedral.

       Cidade Jardim… há tres semanas o mesmo Ednaldo Carioca da Bahia vazou por entre os dedos da PM, com um braço na tipoia, deixando para tras uma mochila com quase oito quilos de maconha…

        Cidade Jardim… Menos de vinte anos de existencia e muita historia para contar.

         A ultima foi escrita nos primeiros minutos do ultimo dia do ano passado. Ronan “Gordinho” da Silva Candido, nascido em São Gonçalo do Sapucaí em julho de 1990, depois de rodar pela periferia de São Paulo fazendo estagio no crime, fixou residencia ali. Instalou-se no ramo de distribuição de drogas e apesar da pouca idade ja comanda o trafico no bairro e se diz membro do famigerado PCC – organização criminosa nascida em São Paulo em 2005, que se intitula “Primeiro Comando da Capital”. Como comandante do trafico no bairro Ronan Gordinho impoe sua disciplina. Quem quiser vender ou usar drogas ali tem que rezar pela sua cartilha. Não usar drogas na esquina, não dar bandeira e não passar das dez da noite na rua são algumas de suas regras.

      João “Balaio” Rafael Maximiano, 25 anos, tinha mae, mulher, filho de colo e raizes no bairro e não estava disposto a comer na mão do ‘chefe’. Além de usar drogas, ele também vendia e não tinha compromisso com clientes e nem com fornecedores. Pagou a ‘’indisciplina’ com a vida.

       Na noite de sexta João Rafael chegou do boteco e comentou com a amasia Renata;

– Estou com mau pressentimento. O Ronam jurou me matar. Ele disse que não vou emplacar o ano novo. Mas eu não vou aceitar as ordens dele, não…

      Não aceitou mesmo. As onze da noite voltou para o bar da esquina da rua 11 para mais um trago, para a despedida. Quando saia do bar na companhia do amigo Gilberto “Gú” Helder Alvim, um vulto surgiu das sombras da noite chuvosa e descarregou dois revolveres em sua direção. Sujeito ruim de pontaria. Apenas dois tiros acertaram o alvo. Um de frente e outro nas costas na região do abdome. “Balaio” ainda correu até a proxima esquina em direçao à sua casa mas caiu mortalmente ferido. Um dos tiros acertou de raspão a perna de “GU”. Ele foi medicado e erradamente liberado pelo hospital. Somente foi localizado no bairro São João no meio da madrugada, porque é figurinha facil no album particular do detetive Teobaldo.

        Das pessoas investigadas pela equipe do delegado Gilson, que coincidentemente estava de plantão e passou a  investigar o caso tão logo chegou ao seu conhecimento, umas disseram que foi o proprio Ronan “Gordinho” quem puxou o gatilho na esquina. Outras disseram que não identificaram o atirador mas sabiam que o jovem traficante mandão havia prometido matar Balaio porque ele não aceitava sua disciplina. Na vespera do crime Gordinho andou espalhando no bairro que iria passar o reveillon na praia, provavelmente preparando seu álibi.

       O delegado Gilson Baldassari pediu a preventiva de Ronan “Gordinho” da Silva Candido, o “poderoso chefinho” do Cidade Jardim. A batata está assando pra ele…

Policia Civil invade São Gonçalo e desmantela trafico

       O cético cidadão que costuma dizer “… e a policia não faz nada” precisa rever seus conceitos. Enquanto ele vê apenas os bandidos desfilando no palco do crime, atras da cameras, nos bastidores, a policia está reescrevendo o script e se preparando para entrar em cena. Nunca antes na historia da policia foram feitas tantas diligencias e tantas “operações café da manha” com os meliantes na região.

       A ultima aconteceu na manhã desta quarta e teve o pomposo nome de “Operaçao Xeque-mate”. O palco foi a tri-centenaria cidade de Tomaz Antonio Gonzaga, Claudio Manoel da Costa, “Barbara –Heliodora – bela do norte estrela, que o meu destino sabes guiar”, São Gonçalo do Sapucaí.

       Sob o comando o intrepido delegado da Comarca Wellington Clair de Castro, mais de quarenta detetives pertencentes à Regional de Pouso Alegre  invadiram a cidade ao pezinho da manhã e reviraram muquifos de pernas para o ar. Seis traficantes foram presos. Quase quinze quilos de maconha, a maior parte enterrada em quintais e farta quantidade de pedra bege fedorenta foram apreendidas.

       As visitas dos policiais civis foram autorizadas pelo homem da capa preta a pedido do jovem delegado, baseadas em meses de investigação por tras do pano fosco da ribalta.  Ha muito ainda a fazer para extirpar o crime na região, especialmente o famigerado trafico de drogas que tem que ser combatido todo dia, mas, dada as condições de trabalho e carencia de pessoal, a população tem pouco a reclamar.

       O ano começou bem…