Assaltante é preso duas vezes no mesmo dia

 

        A bela Passos, vizinha do ‘paraíso’ de São Sebastião, vai bem, obrigado. Já estamos no nono dia do ano, Dia do Fico e até agora ninguém foi bater à porta de São Pedro – toc toc toc, bata na madeira…

       Mas se a esguia e sinistra senhora de preto, sem rosto, está segurando bandeira branca em lugar do seu famigerado alfanje afiado e até agora não arrastou nenhum passense para o limbo, o mesmo não se pode dizer dos gatunos sem juízo. Furtos e roubos ocorrem no berço natal de Danton Melo mais do que tilápias e curimbatás no lago à sua margem.

       Neste domingo, o meliante D.B.S. conseguiu ser preso duas vezes antes da virada do dia. O comerciante E.R.S. havia acabado de abrir seu supermercado quando percebeu que dois guampudos estavam a espreita preparando o bote. Antes de receber a indesejável visita às 07h da manhã, ele pediu ajuda ao filho que mora ao lado e este ao sair à janela viu D.B.S. baixando um capuz de lã para cobrir a cara feia e conseguiu evitar o assalto, gritando que iria chamar a policia. A dupla desistiu do roubo ao supermercado e foi presa meia hora depois nas redondezas. Mas, como não chegaram a iniciar a execução do crime, os dois meliantes foram soltos depois de um chá de banco na DP.

        D.B.S. 22 anos passou o dia na dureza – ah, coitado!!! – sem um centavo no bolso. À noite resolveu atacar novamente. Desta vez foi sozinho. Aproveitando que o jovem R.J. estava distraído na porta de uma lanchonete da Rua Lavras falando ao celular, sacou um trezoitão, apontou para o moço e exigiu o dim-dim. Teria levado na boa, se a vitima não tivesse percebido que o ameaçador trezoitão negro era… de brinquedo. Ao perceber que o trabuco do assaltante de meia tigela não poderia vomitar azeitonas quentes, R. J. mandou que ele fosse catar coquinhos. Frustrado, o meliante apelou para os punhos. Encheu a vitima de bolachas, rolou com ela na poeira e tomou sua carteira com documentos e R$ 400 reais.

       Identificado pelas vitimas através de fotografias do álbum da policia militar, o jovem assaltante D.B.S. foi cassado pela policia pela segunda vez no dia. Às quatro da manhã foi avistado perambulando pelo bairro Candeias e enroscou-se nas malhas da lei. Destra vez sentou-se ao piano, assinou o 157 e foi se hospedar no velho Hotel de Passos.

        … E a estatística criminal na cidade continua em alta…

Quem tem medo da policia…?

         Bons tempos aqueles em que se usava a figura do policial fardado para obrigar a criança a deixar de fazer birra – atitude aliás, condenável, pois policia não é bicho papão. A criança pelo menos crescia com aquela mistura de medo e respeito e depois de cidadão feito, quando via uma viatura policial ou um soldado fardado passando na rua, aprumava a postura e fazia cara seria. Hoje, o jovem que se diz ‘esperto’, ao ver um policial ou a viatura, faz questão de encarar e se por ventura estiver praticando qualquer ato censurável, estufa o peito como quem diz; “ Fica na sua mané… estou no meu direito…”

        Outro dia – quero dizer, outra madrugada, eram quase duas da manhã – eu estava no portão conversando com dois policiais, pedindo providencias contra vizinhos que insistiam em varar a noite – provavelmente viajando na farinha do capeta, nos braços da loira gelada – com ‘direito’ a balburdia e algazarras, quando dois cidadãos passaram pela viatura espalhando o som do seu carro para toda vizinhança. Não baixaram um decibel o volume do som. Ao contrario, contornaram logo adiante no canteiro e voltaram pelo outro lado da avenida, de frente, encarando os policiais…. E ficou por isso mesmo.

        Ontem à tarde a PM fazia abordagem de rotina no bairro Lagoa, município de Estiva, quando surgiram dois motoqueiros na direção contraria. Em outros tempos, teriam disfarçado e virado de fininho a primeira esquina, sem chamar a atenção. Mas não ontem, pois vivemos a era do; “Vá se ferrar, Mané…”. Os moços continuaram calmamente dirigindo as motocas lado a lado pelo meio da via. Quando receberam o sinal de parada, um deles, C.B.P. 18 anos, atirou longe um embrulho… Eram 14 barangas de cocaína. O outro motoqueiro abusado, D.E.S.S., 20 anos, levava no bolso uma baranga de maconha.

       O detalhe interessante é que ambos são inabilitados para conduzir motos, mesmo assim foram bater de frente com os homens da lei sem o menor pudor!!!….  Caíram e desceram de carona no taxi do contribuinte para a DP.

       Vovó, se cá estivesse, perguntaria desconsolada; “O mundo está perdido… onde estes moços de hoje vão vai pararrrr …”?

Menos cadeia para quem ler livros

        O governo federal está montando uma biblioteca nas penitenciarias federais de Catanduvas-PR, Campo Grande-MS, Porto Velho-RO e Mossoró-RN. O objetivo é ocupar a cabeça dos presos de segurança máxima ali hospedados e conseqüentemente desviá-los do mundo do crime que comandam, mesmo de longe, cá fora.

       O projeto é parte do programa de redução de penas por meio da leitura. A cada livro lido o preso poderá abater três dias de sua pena. Para fazer jus ao ‘premio’ o preso deverá ler e fazer uma resenha do livro. O governo comprou inicialmente 816 livros, entre eles os best-sellers Amanhecer, Eclipse, Lua Nova e Crepúsculo da americana Stephenie Meyer e Honoráveis Bandidos, que desce a lenha do começo ao fim no dono do Maranhão e do Amapá, Jose Sarney e ainda A Historia de Lula, O filho do Brasil.

       A idéia é boa nos dois sentidos… No caso de Fernandinhio Beira-Mar, hoje hospedado na ‘penita’ de Mossoró, se ele ler e resumir todos os livros, poderá descontar seis anos e oito meses de sua pena de 120 anos… Poderá voltar para casa mais ou menos em 2115…

        Agora, falando serio, se todo estudante do ensino médio pelo menos, lesse um livro por trimestre, não precisaríamos de tantas penitenciarias de segurança máxima instaladas nos cantões do Brasil…!!!

Mãe desacorçoada manda prender o filho ‘churrasqueiro’ em São Gonçalo

         O cidadão Saulo Florêncio de Souza, 29 anos, está hospedado no Hotel do Juquinha desde a manhã desta quinta. Para conseguir a hospedagem gratuita ele precisou de uma tesoura, um espeto de churrasco, uma pedra bege fedorenta e muito espalhafato com os familiares.

       O forrobodó começou as três e meia da manhã com sua mulher Vanilza. Ao chegar em casa chapado pelo crack, querendo comida quente e chamego, como de habito, Saulo desceu o borralho na esposa. Com a cara cheia de hematomas e com medo de apanhar mais ou de morrer nas garras do gavião, ela recolheu-se ao seu canto e foi chorar sozinha sua triste sina.

       Dona Maria de Fátima, mãe do moço e os irmãos Sildete e Silverio, no entanto, chamaram o brutamontes na chincha. Ao ser repreendido pela família toda, Saulo Florêncio, que não é flor que se cheire, agarrou a tesoura e o espeto e ameaçou fazer churrasquinho dos familiares.

       Os homens da lei foram chamados e conduziram o valentão chapado para a delegacia regional de Pouso Alegre, onde ele sentou-se ao piano do delegado Waldir Pelarico, de Ouro Fino.

       Para que ele fosse preso e enquadrado na Lei Maria da Penha era necessário que as vitimas representassem contra ele. A esposa e os dois irmãos, com medo de represálias, perdoaram e recuaram, mas com a matriarca da família, dona Maria de Fátima, não teve perdão. Ela estufou o peito, assinou embaixo e mandou o filho para o xilindró… Pelo menos por uns três meses ficarão livres do nóia violento.

Cidade Jardim… Ronan “Gordinho” é o novo chefe do trafico

       Cidade Jardim… Não é tão bela quanto um mas pode ser chamada de cidade. Tem quase tudo que uma tem. Principalmente os problemas sociais.

      Ja nasceu polemica. Começou no centro de uma celeuma entre os caciques politicos Jair Siqueira e João Rosa. Um querendo resolver o problema de moradia para familias de baixa renda e outro querendo que o bairro pobre e popular fosse para longe de sua chacara. Venceu quem estava com a faca e o queijo na mão. O bairro foi entregue na decada de 90.

       Cidade Jardim… desvalorizou o bairro-chacaras Portal do Ipiranga, desvalorizou o bairro Caiçara do guru das estrelas, Thomas Gren Morton, desvalorizou a chacara do ex-deputado Rosa, mas valorizou a qualidade de vida de centenas, milhares de pessoas que moravam em porões, em barracos, em casebres alugados no Aterrado e outros cantos da cidade.  Valorizou também a vida de muitas pessoas que vieram de outras cidades, até mesmo das favelas de São Paulo.

       Cidade Jardim… Em 2001 detetives da DATE abriram a porta do muquifo do Ednaldo Carmo dos Santos, o Carioca nascido na Bahia, no bico da botina, a tempo de pegá-lo nos braços de Morfeu, enquanto seus asseclas tentavam jogar a droga no vaso sanitario.

       Cidade Jardim… Ali cresceram os irmãos Elton, Pingo, Zinho e Fonfon aos -poucos – cuidados da avó. Cresceram praticando todo tipo de pequenos delitos. Em 2004 Zinho deu seu ultimo mergulho no Rio Sapucai, onde costumava se divertir com outros desocupados. Mergulhou de costas…. com um balaço na testa. Foi encontrado uma semana depois enroscado numa galhada 4 quilometros rio abaixo. Foi enterrado no sabado. No domingo de manhã seu irmão Fonfon tentou vingá-lo… foi enterrado na segunda. Lagartixa, seu matador só foi preso no final de 2010, quando distribuia drogas para Mara.

        Cidade Jardim… Em 2004 os moradores do bairro retribuiram Jair Siqueira pela construção das casas, enchendo a urna de votos naquela eleição. Durante um showmicio no bairro em agosto, fotografei uma senhora banhando o peito do candidato com lagrimas, agradecendo a casinha recebida.

       Cidade Jardim… As quatro da tarde do dia 13 de novembro de 2003, coloquei a cara na porta e o delegado Gilson Baldassari na janela de uma casa em construção. Por quase um minuto ficamos escutando o silencio enquanto o Taurus 38 Especial do detetive Paixão, num comodo escuro do fundo, apontava para nós. O primeiro que fizesse um movimento para entrar receberia um balaço na cabeça, igual o colega assassinado tres horas antes na esquina do Beco do Crime pelos tres moleques que assaltaram a loteria atras da Catedral.

       Cidade Jardim… há tres semanas o mesmo Ednaldo Carioca da Bahia vazou por entre os dedos da PM, com um braço na tipoia, deixando para tras uma mochila com quase oito quilos de maconha…

        Cidade Jardim… Menos de vinte anos de existencia e muita historia para contar.

         A ultima foi escrita nos primeiros minutos do ultimo dia do ano passado. Ronan “Gordinho” da Silva Candido, nascido em São Gonçalo do Sapucaí em julho de 1990, depois de rodar pela periferia de São Paulo fazendo estagio no crime, fixou residencia ali. Instalou-se no ramo de distribuição de drogas e apesar da pouca idade ja comanda o trafico no bairro e se diz membro do famigerado PCC – organização criminosa nascida em São Paulo em 2005, que se intitula “Primeiro Comando da Capital”. Como comandante do trafico no bairro Ronan Gordinho impoe sua disciplina. Quem quiser vender ou usar drogas ali tem que rezar pela sua cartilha. Não usar drogas na esquina, não dar bandeira e não passar das dez da noite na rua são algumas de suas regras.

      João “Balaio” Rafael Maximiano, 25 anos, tinha mae, mulher, filho de colo e raizes no bairro e não estava disposto a comer na mão do ‘chefe’. Além de usar drogas, ele também vendia e não tinha compromisso com clientes e nem com fornecedores. Pagou a ‘’indisciplina’ com a vida.

       Na noite de sexta João Rafael chegou do boteco e comentou com a amasia Renata;

– Estou com mau pressentimento. O Ronam jurou me matar. Ele disse que não vou emplacar o ano novo. Mas eu não vou aceitar as ordens dele, não…

      Não aceitou mesmo. As onze da noite voltou para o bar da esquina da rua 11 para mais um trago, para a despedida. Quando saia do bar na companhia do amigo Gilberto “Gú” Helder Alvim, um vulto surgiu das sombras da noite chuvosa e descarregou dois revolveres em sua direção. Sujeito ruim de pontaria. Apenas dois tiros acertaram o alvo. Um de frente e outro nas costas na região do abdome. “Balaio” ainda correu até a proxima esquina em direçao à sua casa mas caiu mortalmente ferido. Um dos tiros acertou de raspão a perna de “GU”. Ele foi medicado e erradamente liberado pelo hospital. Somente foi localizado no bairro São João no meio da madrugada, porque é figurinha facil no album particular do detetive Teobaldo.

        Das pessoas investigadas pela equipe do delegado Gilson, que coincidentemente estava de plantão e passou a  investigar o caso tão logo chegou ao seu conhecimento, umas disseram que foi o proprio Ronan “Gordinho” quem puxou o gatilho na esquina. Outras disseram que não identificaram o atirador mas sabiam que o jovem traficante mandão havia prometido matar Balaio porque ele não aceitava sua disciplina. Na vespera do crime Gordinho andou espalhando no bairro que iria passar o reveillon na praia, provavelmente preparando seu álibi.

       O delegado Gilson Baldassari pediu a preventiva de Ronan “Gordinho” da Silva Candido, o “poderoso chefinho” do Cidade Jardim. A batata está assando pra ele…

Policia Civil invade São Gonçalo e desmantela trafico

       O cético cidadão que costuma dizer “… e a policia não faz nada” precisa rever seus conceitos. Enquanto ele vê apenas os bandidos desfilando no palco do crime, atras da cameras, nos bastidores, a policia está reescrevendo o script e se preparando para entrar em cena. Nunca antes na historia da policia foram feitas tantas diligencias e tantas “operações café da manha” com os meliantes na região.

       A ultima aconteceu na manhã desta quarta e teve o pomposo nome de “Operaçao Xeque-mate”. O palco foi a tri-centenaria cidade de Tomaz Antonio Gonzaga, Claudio Manoel da Costa, “Barbara –Heliodora – bela do norte estrela, que o meu destino sabes guiar”, São Gonçalo do Sapucaí.

       Sob o comando o intrepido delegado da Comarca Wellington Clair de Castro, mais de quarenta detetives pertencentes à Regional de Pouso Alegre  invadiram a cidade ao pezinho da manhã e reviraram muquifos de pernas para o ar. Seis traficantes foram presos. Quase quinze quilos de maconha, a maior parte enterrada em quintais e farta quantidade de pedra bege fedorenta foram apreendidas.

       As visitas dos policiais civis foram autorizadas pelo homem da capa preta a pedido do jovem delegado, baseadas em meses de investigação por tras do pano fosco da ribalta.  Ha muito ainda a fazer para extirpar o crime na região, especialmente o famigerado trafico de drogas que tem que ser combatido todo dia, mas, dada as condições de trabalho e carencia de pessoal, a população tem pouco a reclamar.

       O ano começou bem…

Indulto de Natal… Liberdade para delinquir

        O titulo acima parece nome de filme policial de terceira produzido nos arredores de Hollywoody, nao é mesmo?  Mas não é!!! Isso não é ficção. Soltar presos antes do final do cumprimento da pena é coisa da lei brasileira. Diz o ‘espirito da lei’, que após um tempo se reeducando atras das grades, o condenado tem direito e necessidade de sair aos poucos, para ir se ressocializando, se preparando para voltar ao convivio da sociedade. Por isso ele tem direito a 35 dias por anos fora da cadeia, em datas especificas com aniversario, Dias das Mães, Dia dos Pais, Natal, Ano Novo e por aí vai…

        Seria muito bom, se de fato houvesse reeducação dentro das cadeias. Mas não é isso que vemos. Muito pelo contrario. Cadeia, tanto cá em terras tupiniquins quanto na terra do Tio Sam ou qualquer outro canto do mundo, funciona como centro de especialização e estagio no crime. O que não se aprendeu aqui fora, se aprende lá dentro, querendo ou não. Até por uma questão de sobrevivencia, pois quem não nada a favor da maré, será arrastado por ela e jogado na praia da ilha deserta, sem lenço, sem documentos, sem mantimentos e sem forças para lutar contra os dragões primitivos. Na cadeia, quem não rema a favor da maré, vira pé-de-couve, boi de piranha, ‘cotonete’ e ‘dorme’ pendurado na ventana…

       O “espirito da lei” diz que o reeducando deve passar por avaliação psicologica antes de voltar para a rua – Ah, a teoria é linda…!!! – Lembram daquele sujeito que ha dois anos deixou o velho hotel da Papuda em Brasilia, depois de passar teoricamente por esta tal junta de avaliação psicologica? Ele estava pronto para voltar ao convivio social e voltou para casa – na cidadezinha de Luziania, de pouco mais de vinte mil habitantes, escolhida por JK para fincar sua fazenda a 60 km da capital – e em poucas semanas abusou sexualmente, matou e enterrou seis adolescentes no arredores da cidade. Tudo bem que ele era um psicopata de alto grau, mas nossos reeducandos, ainda que não sejam portadores desta terrivel e imperceptivel enfermidade, são preparados dentro das cadeias para continuar no crime. O que faltar de brutalidade para moldar o espirito do preso, boa parte dos agentes carcerarios cuidam de contribuir. Tá. Mas onde estou indo com esta conversa? Mostrar no paragrafo seguinte que quem infringe as leis do convivio social, deve pagar pelo seu crime, “de ponta” como diriam os proprios detentos, para só depois deixar a prisão, sem ter que voltar para ela com a obrigação de levar, informações, celulares, kits-fuga e prinpalmente drogas… até no estomago. E nunca é demais lembrar;  O castigo do preso é ver-se privado da liberdade de ir e vir, ver-se privado do conforto e comodidade que ele tem na rua ou na sua casa. Mas ele tem o direito sagrado e deve ser tratado como pessoa humana, por mais horripilante que tenha sido seu crime. Tratá-lo com a mesma violencia que ele cometeu na rua não vai reeducar seu carater, muito pelo contrario. Quanto mais brutalidade ele receber na prisão, mais brutalidade ele trará para a rua quando sair de lá…

        Ao passar pela rua João Henrique Avelar no bairro Colina Verde em P.A.. os homens da lei notaram uma motocicleta vinho com placa de São Paulo estacionada defronte uma casa. Pesquisada no sistema, constattou-se que motoca era “cabrito”. Após o toc-toc na porta da casa, o garotão L.R.S., mostrou a cara e explicou que a motocicleta ‘era dele’. Segundo o jovem de 20 anos, ele cumpria pena na Colonia Prisional de Tremembé-SP e ao receber o Indulto de Natal – leia-se liberdade para delinquir –  passou a mão leve na motoca e veio para Pouso Alegre curtir o Natal em familia… inclusive resolvera abandonbar a hospedagem gratuita da penita do Vale do Paraiba e fincar raizes em terras manduanas… mesmo sem ter pago seu debito social.

        Quatro do 319 presos que sairam para passar o Natal com a familia no Sul de Minas, voltaram para o lar, doce lar da penitenciaria de Tres Corações no dia 29, bonitinhos como manda o figurino. Quero dizer, quase. Em suas bolsas, seus bolsos, suas vestes não havia nada de errado. Estavam limpos. Mas eles estavam alguns gramas mais pesados… Seria a leitoa do Natal? Seria o perú? Quem sabe o vinho tinto suave Sangue de Boi? Não. Era erva. Eles comeram erva…. marvada. Na verdade um amigo oculto da lei ja havia avisado a direção do presidio que eles levariam drogas para dentro de qualquer jeito. E levaram mesmo. Submetidos a exame de raio-x no hospital, constatou-se que eles engoliram 46 barangas de maconha para ludibriar a vigilancia. Com uma boa dose de purgante o quarteto de reeducandos deseducados expeliram a droga e receberam mais uma “voz de prisão” em flagrante e assinaram o 33.

         Daqui há dois anos terão direito a outro indulto…

O Misterio do Coisa Ruim da Borda

       Olá… Feliz ano novo.

       Que a benção de Deus Pai criador caia sobre voce, meu estimado leitor e que seu filho, nosso irmão Jesus, continue a iluminar seu caminho e guiar seus passos. Que Ele te dê força, perseverança e sabedoria para vencer seus desafios com seu trabalho digno e honrado, sem derrotar ninguem. Amém.

       Como o leitor deve ter percebido, estou ausente do meu ‘habitat’, longe de casa, alheio aos fatos cotidianos. Mas, mesmo sem novidades no blog, os leitores continuam acessando… Por isso eu também resolvi dar-lhes um presente, que na verdade eu vinha guardando a sete chaves para o meu ‘primeiro livro’… Uma das melhores historias da serie “Meninos que vi crescer”; ‘O Misterio do Coisa Ruim da Borda’, exaustivamente investigada e escrita no final de 2009 e inicio de 2010, com fotografias do ‘palco’ do Chiquinho da Borda tiradas na semana passada.

      Boa leitura.

O mistério do Coisa Ruim da Borda

O Morro dos Cães uivantes

E os anjos e demônios nossos de cada dia

       Parei meu carro na praça ao lado da jovem Basílica de Nossa Senhora do Carmo – jovem no titulo de Basílica a que foi elevada em 2005, pois a majestosa construção tem varias décadas. Foi concluída em 1954 – as duas e meia da tarde quente de sábado e desci. Entrei na primeira loja que vi aberta. Completamente vazia. Um rapaz e uma moça estavam de frente um para o outro acertando contas, com papeis, dinheiro e anotações sobre o balcão. Cumprimentei-os e antes que eu dissesse mais alguma palavra, do nada surgiu uma vendedora, abriu um sorriso ligeiramente forçado e perguntou delicada; “Posso ajudar”? Com um leve pigarro, esbocei também um sorriso de boca fechada, esperei propositalmente o ponteiro do relógio caminhar alguns segundos e respondi perguntando; “ O que vocês me contam sobre o ‘Coisa Ruim da Borda’”? Uma bomba teria causado menos impacto. Os três olharam ao mesmo tempo para mim, olharam um para o outro, olharam de novo para mim cada um tentando formular uma resposta ou uma pergunta. Eu já havia chamado a atenção necessária, desisti da maldade e acrescentei; “Desculpe… eu sou colunista policial em Pouso Alegre e estou aqui investigando a historia do tal Coisa Ruim da Borda, para publicar em minha coluna e no meu blog”. Soltando a respiração, cada um dos três tentou falar ao mesmo tempo, para dizer que nada sabiam a respeito. Uma das jovens tinha ‘ouvido falar há muito tempo’. A outra disse que seu ‘pai contava uma historia dessas’ mas ela não se interessara ou não se lembrava. O rapaz já refeito do susto disse que ‘talvez o padre ou o sacristão ali do lado soubesse alguma coisa’ e recomeçou a contagem perdida das cédulas sobre o balcão. Eu estava começando desvendar o mistério do Coisa Ruim ou Capeta da Borda.

Ao ver que as portas da Basílica estavam fechadas segui pela mesma calçada da loja em direção à Casa Paroquial. Na esquina havia um senhor septuagenário sentado no portal térreo de um sobradinho aproveitando a sombra da Basílica e eu não fiz cerimônia; pedi licença, sentei-me ao seu lado e puxei prosa. Mas poupei-lhe o susto. Antes de entrar no assunto que me interessava eu disse quem eu era e o que queria. O simpático e desembaraçado velhinho contou-me tudo que sabia – o que não era muito – realidade e folclore. Foi ali, vendo o tempo mudar e uma cortina branca despencando sobre o Distrito do Sertãozinho, se aproximando da cidade, que eu soube que o Coisa Ruim da Borda nunca passou da “Ponte de Pedra” e que se voltasse para a fazenda de onde foi expulso seria chamado de “Coisa Ruim de Tocos do Mogi”. Depois do solícito velhinho, cheguei ao muro da Casa Paroquial, mas o sacristão, zelador, camareiro ou mordomo dos padres não se deu o trabalho de falar pessoalmente comigo. Usou o frio interfone para informar que não havia padres em casa, mas que talvez eu conseguisse receber a benção de um deles no Centro Pastoral ou na igreja, na missa da cinco.

Cheguei com três beatas bem maduras ao Centro Pastoral. Uma delas até quis falar alguma coisa sobre o tal capeta, mas quando a outra mais acanhada e desconfiada descobriu que algumas pessoas já estavam reunidas nos fundos do Centro, elas me deixaram falando sozinho. No ponto de táxi, agora sob os primeiros pingos grossos de uma chuva que se espalhou e não banhou a cidade, devolvendo o sol forte a todo o município em poucos minutos, enriqueci bastante o dossiê do Coisa Ruim e sua saga e levantei nomes de pessoas que poderiam me dar muitos capítulos de sua historia. Com menos de duas horas de investigação na cidade do grande desportista Rogerinho Medeiros, eu já poderia desvendar e escrever quase todo o mistério do Coisa Ruim. Mas, não teria graça nenhuma se não conhecesse o palco de sua exibição e não sentisse seu bafo quente em minha nuca. Por isso só deixei a cidade no apagar das luzes do astro rei, depois de visitar o sombrio casarão do alto da colina, na estrada que vai para Bom Repouso, onde precisei segurar com força minha cruzinha dourada no peito e quase cair numa vala da estrada em obras, para desviar de um fusca velho que se jogou de porta aberta sobre mim numa descida.

Bem, antes de prosseguir com esta historia cheia de controversas, tabus, superlativos, perturbação do sossego, folclore e muito medo, para melhor entendimento do leitor e evitar a incansável repetição do termo Coisa Ruim da Borda – que pode acabar assustando alguma criança – batizemos personagens e locais desta historia arrepiante e até aqui mal contada. O palco das exibições do chifrudo, tinhoso, bode velho, saci ou simplesmente Espírito Brincalhão chamaremos de ‘Colina ou Morro dos Cães Uivantes’ – Não confundir com o clássico “O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Bronté – O fazendeiro que fez o pacto com o espírito perturbado será chamado de “Portuga”, homenageando sua origem além-mar, o pá. A jovem noiva prometida chamaremos apenas de “Donzela”. O irmão dela, único remanescente vivo da família, testemunha ocular e auditiva da macabra historia chamaremos pela inicial de seu nome,  “R.”. O “dito cujo” já tem nome. Muito além das cercanias da Borda as pessoas que ouviram, mesmo que por alto sua historia, já sabiam que ele se chamava “Chiquinho”. Ele próprio se apresentou ao seu anfitrião com este epíteto carinhoso quando veio buscar sua donzela prometida, em 1953.

Bom, agora que nos tornamos mais íntimos, vamos falar francamente; “…Que atire a primeira pedra….” quem nunca viu o capeta!!! Ora, ora, ora, todos já vimos e cada um de nós o pintamos de acordo com nossa conveniência. Eu já estive cara a cara ou ‘costas à cara’ – Sua principal característica é a traição – com ele inúmeras vezes. Apesar de conhecer ‘an passant’ a historia do Coisa Ruim da Borda, só na capital do pijama esbarrei neles umas quatro vezes.

A primeira vez foi em 1970. Eu estava no forro da casa do Sr. Jairo, no bairro Santa Rita, para continuar lendo essa historia, acesse ‘www.meninosquevicrescer.com.br’!

Retrospectiva 2011…

 

         O velho e bom Dois Mil e Onze está se despedindo… É  hora de dar uma repassada geral nos principais acontecimentos da região e do país.

         Foi o ano dos pequenos assaltos praticados por dupla de motoqueiros em toda região. Teve até alguns tiros e os ‘157 nervosos’ nao levaram quase nada das farmacias, mercadinhos, padarias, postos de gasolina e casas lotericas, mas deixaram um rastro de medo e impunidade por onde passaram. O crime contra velhinhos que vivem sozinhos também teve um considerável crescimento na região. Mas nenhum crime proliferou tanto quanto o arrombamento de caixa eletronico. Foram dezenas no Sul de Minas. Muitos gerentes comerciais pediram  a retirada dos caixas dos seus estabelecimentos com receio de novos ataques. Poucos ladroes de caixa foram presos.

        O trafico de drogas continuou sua escalada arregimentando cada mais distribudores ‘estilos’ avioezinhos e formiguinhas. Passos foi um caso à parte. Em nenhum lugar do Brasil o crime campeou tão solto. Só homicidios foram 46, contra 14 do ano passado. A maioria dos crimes praticados por adolescentes envolvidos com trafico de drogas. Nunca a vida valeu tão pouco no Bairro Novo Horizonte. E não foi somente as drogas e homicidios que subiram ao palco de mãos dadas, não … o furto de motocicletas na bela Passos também dividiu os apupos da plateia. Moto por lá se compra em qualquer ruela por R$50 reais… roubada, é claro. Se em Passos quem marca os passos do crime são os bandidos, o mesmo não acontece na vizinha São Sebastião do Paraiso. Lá tem mega-operação até para combater contravenção penal. Na quarta feira bicheiros e apontadores se enroscaram nas malhas da lei. Só não foram parar atras das grades porque Jogo do Bicho sozinho não é crime.

         Na região coberta pela 17ª Região da Policia Militar e 17º Departamento de Policia Civil, a criminalidade esteve sob controle da policia. Nunca se viu tanta mega-operação policial na região. Ao longo do ano, policiais de Pouso Alegre, Itajubá, São Lourenço foram levar café na cama para os meliantes destas e também de Santa Rita, Ouro Fino, Cambui, Extrema e outras cidades menores. Dezenas de meliantes de todo tipo de atividade criminal foram retirados de circulação. Apenas 09 moradores de Pouso Alegre bateram à porta de São Pedro em 2001, enquanto a media da ultima decada era 14. Apenas dois assassinos continuam em liberdade, embora o delegado Gilson Baldassari ja tenha seu nome e endereço. È necessario salientar que o homem da capa preta ao longo do ano deu muito credito aos pedidos e prisoes realizadas pela PC e PM, além de pesar as mão nas punições aos traficantes, motivando assim o seu trabalho.

        A PC de Pouso Alegre fez uma das mais importantes prisões do ano, desbancando a dupla de ‘gente fina’, Leandro Toledo Pereira e Pedro Luis Vilela. A dupla de filhinhos de papai, acima de qualquer suspeita, vinha distribuindo pedra bege fedorenta, farinha do capeta e outras drogas em festas ‘rave’ para jovens da media-alta sociedade. A prisão dos garotoes com meio quilo do pó e vasto dossiê, simboliza a imparcialidade, eficiencia e competencia da policia civil no ano que se finda.

        No futebol deu tudo errado em 2011. O Timão levantou  o caneco, os tres times de Minas fizeram feiúra, o Boa de Varginha esteve na Serie A por quase dois minutos, mas cedeu o empate. O Santarritense não passou da segunda fase na Segunda Divisão. Os times de Pouso Alegre nem disputaram o campeonato profissional. A Seleção do Mano conseguiu perder quatro cobranças de penaltis na Copa America e para encerrar o ano, o Santos do “deus” Neymar foi ao Japão aprender jogar futebol com o argentino Messi … Ufa.

        Na politica, nunca antes na historia deste país cairam tantos ministros em menos de um ano por envolvimento em maracutaias, aliás todos eles foram herdados do governo anterior. Ah… e quem os derrubou não foi a presidente Dilma, pois ela só faz faxina na pobreza. Quem derrubou os ministros foi a imprensa!!! O bigodudo Sarney continua gastando o dinheiro do povo no Senado, até para fazer propaganda pessoal, pra variar. Para coroar o ano politico, no apagar das luzes, anteontem, o paraense Jader Barbalho – a ultima imagem que eu tinha dele era aquela em que ele aparecia algemado sendo recambiado de uma cadeia para outra anos atras – assumiu uma cadeira no Senado Federal e foi logo requerendo o salario do mes de dezembro, R$ 31 mil reais por tres dias – de recesso parlamentar…

       Enquanto isso as Paradas Gays Brasil afora tem levado muito mais manifestantes às ruas do que os protestos contra a corrupção na politica…

       Mas não vamos desanimar. O amanha – 2012  – será outro dia…

Assassinado no apagar das luzes…

        O cidadão João Rafael Maximiano,  morador do Cidade Jardim, não conseguiu emplacar o ano novo… morreu na vespera. João Rafael de 25 anos, recebeu varios tiros de revolver no inicio da madrugada deste sabado, ultimo dia do ano, quando chegava em casa. Duas azeitonas quentes penetraram na barriga e uma na perna. Ele morreu a caminho do hospital Regional Samuel Libanio. Um adolescente de 15 anos que passava pelo local também foi atingido por um disparo na perna, sem maior gravidade. A policia militar compareceu ao local para socorrer o moribundo e registrar o homizio, mas nao chegou a tempo de prender o atirador da madrugada e ainda nao tem sua identidade.

      O homicido do Cidade Jardim foi o 9º em Pouso Alegre em 2011.