Alquimia no Aterrado!!! Pedra vira cana …

Jose Maria da Silva, 26 anos, já vivei maritalmente com Lucimara da Rocha. Mas separaram os cobertores porque brigavam muito. Madrugada de domingo no velho Aterrado, ele esta numa tremenda fissura. Sabendo que a ex-amasia não está em casa, na Rua Antonio Paulino, Zé Maria resolve fazer-lhe uma visita. Quem sabe ela esqueceu alguns trocados de bobeira por lá… Entra por uma janela que está apenas encostada, revira suas coisas. Não encontra dimdim para comprar a droga. Passa a mão leve no aparelho DVD e no celular e vai embora.

Na rua Nova mora Elem Cristina Delgado, a Baiana, 40 anos. Ela costuma ter umas pedras de reserva em casa. A madrugada continua escura e gelada… e a fissura aumentando. Jose Maria bate na porta e a muito custo Baiana põe a cara dormida e mau humorada para fora…

– Alivia aí, Baiana! Preciso de uma pedra… – diz ele

– Aqui não é asilo não, Zé… Você tem dinheiro?

– Tenho um DVD…

Ao notar a janela da casa aberta e notar a ausência do dvd e,  Lucimara deduziu logo quem o autor do furto. Chamou a policia e deu logo o nome do ratão. Ele foi preso minutos depois e deu o serviço. Quando os homens da lei bateram na porta da casa da Baiana ela não se fez de rogada…

– Eu não sabia que o DVD era roubado.!

Ao delegado de plantão Baiana explicou que não é traficante…

– Eu sou usuária. Comprei uma pedra para usar, mas como o nóia estava insistindo muito, eu quebrei no meio e dei metade para ele… em troca do DVD!

Jose Maria o fissurado que furtou a casa da ex, assinou um 155, cuja pena varia entre 1 e 4 anos e só foi morar no Hotel do Juquinha porque não tinha R$ 700 para pagar a fiança. Elem “Baiana” Cristina, por uma pedrinha dividida ao meio, assinou o 33 e por receber produto de furto assinou o 180. Somando as penas, ela poderá ficar de 6 a 19 anos no Hotel do Juquinha.

Ah, o celular?  Só o chip ficou no bolso do Zé. O aparelhinho foi trocado por outra pedra com um desconhecido!

Pérsio… O gatuno do blusão verde

Quatro da manhã no centro de São Gonçalo do Sapucaí. Um vulto sombrio se esgueira pela rua gelada, procurando o que não perdeu. A qualquer momento um crime vai acontecer. Quem será o vulto sinistro? Quem será a vitima? De uma livraria, daquelas onde tem de tudo. Olha para a direita, olha para a esquerda, tira da algibeira do blusão verde um repente o o vulto sombrio para na frente de uma loja… É pedaço de arame, amassa, entorta, coloca no buraco da fechadura. Vira pacientemente para a direita, para baixo, para a esquerda, dá um empurrãozinho… Abriu!!! Entra, encosta a porta e vai direto ao caixa. Acende o isqueiro, procura. Está vazio. Não há nada para furtar. Aborrecido o vulto olha à sua volta, procura alguma coisa que possa transformar em dimdim. Não é qualquer um que consegue abrir a porta de uma loja no meio de uma madrugada gelada com um simples pedaço de arame… Tem que aproveitar o talento!  Não tem muito tempo. O alarme disparou. Pega o que pode e rapidamente se esgueirando nas marquizes.

O dono da Livraria Católica, Danilo Rocha Franco, chega minutos depois. A porta está apenas encostada. Ele entra e percebe que faltam algumas camisetas estampadas, alguns brinquedos, talvez uma mochila ou duas.

A policia foi chamada, registrou o B.O. e resolveu investigar o furto. Às nove da manha batem à porta da casa de Pérsio Pereira Martins, 36 anos. Apesar de ser sempre suspeito, pois desde a adolescencia é figurinha fácil no álbum da policia, Pérsio jura de pés juntos que nada sabe sobre o arrombamento da livraria. É convidado a assitir um filme na loja do Danilo. No filme, o vulto sombrio veste um blusão verde, pega apressadamente alguns objetos no escuro e sai de fininho pela rua. Pérsio usa um blusão verde igual o do ratão de madrugada… O ladrao sinistro é ele!

Os  policiais voltam à residência de Pérsio. Agora ele já está usando Pulseiras de prata. Na casa encontram as camisetas, brinquedos e duas mochilas surrupiadas na livraria.

É fim de semana. Não tem mais delegado de policia nas pequenas cidades do interior de Minas para fritar Persio. Ele é levado no taxi do contribuinte para Pouso Alegre, senta ao piano, assina o 155 duplamente qualificado, por ser praticado com emprego de pericia, no meio da madrugada. Pérsio Martins, velho conhecido dos homens da lei, se hospeda agora no Hotel do Juquinha.

Foi um crime pequeno e tão bem feito!! Ele só esqueceu dois pequenos detalhes… A livraria catolica tinha “big brother” e ele estava de blusão verde…

Assaltado à meia noite na volta para casa…

Policiais que cruzavam a João Basílio com Erculano Cobra, na virada da noite de sábado, assistiram uma cena clássica; um sujeito magricela correndo pela rua e outro correndo atrás gritando…

-… pega ladrão

… E os policiais pegaram!

Era o jovem Thales Inácio Braz Ramos, 23 anos morador do bairro Primavera. Ele levava no bolso uma merreca de dez reais e um parelho celular… que não eram dele.

Quando o cidadão Benedito de Almeida Franco, que vinha atrás todo ofegante, recuperou o fôlego, contou que voltava para casa, na Dom Lafayete, e ao cruzar a Adolfo Olinto com Santos Dumont à meia noite, o vulto sombrio se aproximou e pediu um cigarro.

– Eu não fumo… – disse ele.

– Esquenta não, tio. É limpeza… Não reage não!

E pulou sobre ele tentando tomar sua carteira e seu celular.

Benedito esperneou e defendeu seu rico dinheirinho mas o assaltante, ‘na tora’, conseguiu tomar-lhe o aparelho celular e uma nota de dez que estava no bolso de trás da calça e passou sebo nas canelas. Benedito, apesar das cinquanta primaveras, está em forma… Correu 4 quarteirões na sombra do ratão, sem perde-lo de vista!

Thales então chorou as magoas. Disse que tem uma criança de 5 anos e outra no ventre da esposa para criar e… muitas beges fedorentas para queimar, pois é viciado desde a adolescencia. Por isso tentou roubar seu Benedito, para descolar algum… Sua capivara consta que ele saiu da cadeia no dia 17 de abril, ultimo, onde passou um ano e pouco pagando um 155.

Não adiantaram as chorumelas. Thales o assaltante nóia, assinou o 157 e foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

Suco de cana & loiras geladas… Motoristas em fria!

O famigerado suco de gerereba, água que passarinho não bebe, a Kátia…ça e as loiras geladas, especialmente nestes dias de frio, tem colocado muita gente boa em fria…

Jose Luciano de Oliveira, 40 anos, voltava para Congonhal pela MG 290, conduzindo seu gol, no inicio da madrugada, quando os patrulheiros deram sinal para encostar e pediram para ver os documentos… Com o carro e os ducumentos, tudo certo. Errado estava o motorista! Ele tinha os olhos vermelhos, as pernas bambas, a fala mole e o terrível bafo de jibóia. O aparelhinho dedo-duro que ele soprou informou que 7,2 decigramas de liquido que corria em seu sangue era álcool. Jose Luciano informou que eram apenas  3 doses de conhaque e algumas cervejas. Tudo bem. Ele seguiu viagem… depois de algumas horas na DP e R$650 reais no cofre do contribuinte.

Julio Cezar da Silva, 38 anos, estava com a amasia e alguns amigos espantando o frio em um boteco em Borda da Mata, na virada da noite de sabado. Depois de meia dúzia de loiras geladas ele entrou no carro e foi ao posto abastecer o possante. No curto caminho havia uma blitz da Policia Rodoviária com um aparelhinho na mão. 11,8 decigramas de álcool estava misturado no sangue. A falta de motorista da rodada custou a ele R$650 de fiança e dois aratigos do CTB.

Miguel “Tomate” Simão Pereira, 60 anos, foi parado por amostragem em frente o quartel da PRE no bairro São João, às cinco da tarde de sabado. Ele conduzia seu Fiat Strada, e segundo os patruheiros, também apresentava o terrível bafo de jibóia. O bafômetro disse que 6,6 decigramas de liquido do seu corpo era suco de gerereba. O pacato cidadão aposentado, um dos vereadores mais bem votados de Pouso Alegre em três eleições, precisou pagar um salario de fiança para voltar em segurança para casa…

Que falta faz um motorista da rodada!!!

“Cachorricidio” em Crisolia…

Jose Donizete Braga, 57 anos e Gislaine Jesus da Silva Braga, vivem maritalmente nas rebarbas do distrito de Crisolia, município de Ouro Fino. Mas vivem num clima bastante tenso.

Contrariando os costumes do povo da roça que normalmente possui cães vira-latas, perdigueiro, policial, ou se for de raça, um Pastor Alemão ou Border Collie, para lidar com gado, eles tem um instável Pitt-bull – ou pelo menos tinham até sexta feira – Como o bicho não é um cachorro que se cheire, ele recebe poucos afagos. Isso o deixa ainda menos afável, carrancudo e arredio… ele mete medo até no dono!

Na sexta, depois de voltar da escola onde fora levar a filha, Gislaine não encontrou mais o cão em casa e quis saber do marido o que ele havia feito com ele.

– Levei embora… Soltei no bairro São Jose – disse ele.

Ao ver que o carro da família continuava exatamente no no mesmo lugar e sabendo que o bairro fica distante, Gislaine duvidou da resposta do marido e passou a questioná-lo. Irritado, Jose Donizete teria mostrado um revolver para a esposa e dito:

– … Vou fazer com você o mesmo que fiz com o cachorro!

Diante da sutil ameaça de morte, Gislaine deduziu que o marido havia matado o cão e chamou os homens da lei.

Os policiais chegaram no final da tarde e apreenderam com Jose Donizete uma carabina de ar comprimido calibre 22 e um trezoitão Rossi, com o cano morno e uma cápsula deflagrada, ainda cheirando à polvora. Apesar disso, Jose Donizete continuou insistindo que soltou o cão no mato, longe de casa. A historia lembra o caso Bruno/Eliza Samudio. A policia sabe que ela morreu mas ninguem sabe onde está o corpo.

O suposto assassinato do instável e carrancudo cachorro Pitt Bull é o menor dos crimes do sitiante Jose Donizete Braga. Aliás,  o “cachorricidio” não é crime previsto em lei. O Maximo que existe é a contravenção de “tratar animal com crueldade…” previsto no artigo 64 da Lei 3688/41, que prevê pena de prisão simples de dez dias a um mês ou multa de cem a quinhentos réis.

O sitiante que deu fim no cachorro Pitt Bull, no entanto, não ficou sem chumbo. Ele sentou-se ao piano e assinou os artigos 147, do CP, e 15 da Lei 10.826. Depois de pagar fiança de R$1 mil reais, ele vai responder em liberdade pelos crimes de “ameaça” contra a esposa, podendo pegar de 1 a 6 meses de cana e por disparo de arma de fogo – contra o cachorro – que pode lhe garantir de 2  a 4 anos de estadia no Hotel Menino da Porteira.

“Minutos de sabedoria”

     “Seja sempre nobre em sua expressão de trabalho, se quiser atrair para si a nobreza dos companheiros de luta.

     Demonstre sempre, inicialmente, a sua própria nobreza para que o outros se mirem no seu exemplo e o imitem

     Seja bem educado, antes de exigir que os outros o sejam.

     A força do exemplo é a mais convincente e eficaz que existe no mundo.

     Vale mais um exemplo do que milhares palavras.

     Dê você, em primeiro lugar, o bom exemplo em sua conduta”.

O ultimo charreteiro

Ele tem 77 anos de idade. Estabeleceu-se como condutor de veiculo de tração animal em 1958 e apesar de há muito ter criado os seis filhos e conquistado a justa aposentadoria, continua conduzindo sua charrete, atualmente puxada pela dócil e pacata eguinha branca com nome de Rainha. Há mais de cinquanta anos transportando comerciantes do mercado municipal, donas de casas com suas sacolas de verduras e legumes e turistas saudosistas, João Barreiro tem muita historia de ‘taxista’ para contar.

– Meu pai era charreteiro… Eu já nasci charreteiro. Ainda moloque comecei trabalhar com charrete. Tive ponto aqui perto do mercado, na Dr. Lisboa, depois voltei para cá. Na época a cidade tinha cerca de 3o mil habitantes e mais de 60 charretes – conta com saudade o velho charreteiro.

– O que você viu que mais te chamou a atenção nestes 50 anos?

– Conversei até com assombração… Certa vez eu estava voltando para casa, era umas onze horas da noite, quando  dobrei a Remonta para chegar na Vendinha, um homem de branco emparelhou com o varal da charrete e continuou correndo ao lado do cavalo, a galope. Ele estava vestido de branco, de chapéu… Eu conhecia ele. Era o Helio, gente boa… tinha morrido há vários anos. Como ele não saia de perto da charrete eu perguntei:  “ Ô Helio, você está precisando de reza? Ele não respondeu mas largou o varal da charrete e subiu num barranco na beira da estrada. Eu rezei o Pai Nosso e o Salve Rainha… De repente ele foi evaporando, virou uma pomba branca e saiu voando… Nunca mais vi! – Conta João, como se tivesse ‘vendo’ o vulto branco ao lado da charrete, naquele longínquo inicio de anos 60.

– Outra vez eu estava levando uma senhora para casa, no São João, com uma menina de uns seis anos no colo. Elas estavam voltando do medico… De repente a menina deu um suspiro e amoleceu no colo da mãe. Parou de respirar. Morreu na minha charrete!

Alguns anos depois ele se viu envolvido em mais uma historia tétrica… de charreteiro!

– Eu tava aqui no ponto, perto da oficina do Toquinha, quando o oleiro Pedro Olegário chegou e pediu para levar ele no Aterrado para socorrer um empregado dele, que trabalhava no olaria. Ali só havia a avenida principal, sem calçamento e uma meia dúzia de beco que acabava de repente na vargem. Antes nós paramos na funeraria Ferraciolli e ele comprou um caixão!!! Depois nós paramos num barzinho perto da ponte, ele pediu duas pingas, bebeu uma e ofereceu pra mim beber também. “Eu não costumo beber em serviço, falei pra ele. Mas ele insistiu… Beba, você vai precisar”!!  O Aterrado estava todo alagado. A enchente estava começando baixar. No olaria chegamos com a água pela cintura… Com muito jeito colocamos o morto no caixão. Fazia 8 dias que ele tinha morrido, mas a água gelada conservou seu corpo… Nãoa tinha cheiro – ruim – nenhum. O difícil foi trocar a roupa e lavar ele… Estava todo duro. Aí eu lembrei de uma coisa que meu pai me contava… Se você precisar mexer com um morto, converse com ele, peça licença… Eu comecei conversar, ele foi amolecendo, ficou mole… Eu e o ‘seu’ Pedro demos banho e levamos ele para o necrotério, na charrete.

João Barreiro passou mais de cinqüenta anos conduzindo a trote lento seu veiculo… Poderia passar mais cinqüenta, com os olhos brilhantes e marejados contando suas  historias na esquina do centenário mercado na Duque de Caxias!

– Hoje eu trabalho poucas horas por dia. Um carreto custa entre 7 e 10 reais. Chego aqui onze horas da manha e cinco, cinco meia vou embora tratar da Rainha. Se ela faz necessidade aqui no ponto, na mesma hora eu recolho o estrume. Nem dá cheiro. Ainda tem fregueses que pede para levar em casa, para passear pela cidade. O Paulinho Toureiro  – morto há vários anos – foi meu freguês muitos anos. Mas o bom mesmo era quando a zona – boemia – era ali na David Campista! As madames – prostitutas – toda tarde vinha no mercado e depois nós íamos levar elas para casa. As vezes a gente saia passeando pela cidade. Elas gostavam de andar de charrete e pagavam bem…

– Qual a maior alegria?

– Tudo era alegria… Acho que a maior foi criar meus filhos tudo honesto, com meu trabalho e ter tanta amizade…

– … E a maior tristeza?

– Não tem. A vida é muito boa… – Ele responde sem pensar mas desvia os olhos de mim, olha para o vazio e acrescenta:

– Acho que a maior tristeza é que isso está acabando. Já tentaram acabar de uma vez com as charretes. Mudaram nós de lugar muitas vezes, fizeram pressão… Eles acham que nós estamos enfeiando e sujando a cidade! Nas cidades turísticas como São Lourenço, Poços de Caldas, ainda tem um tanto de charrete. As crianças de hoje não sabem o que é isso… – E com uma pitada de revolta acrescenta:

– Charrete faz parte da historia de Pouso Alegre, é tradição… não pode acabar!

Mas está acabando!

Nos ultimos dez anos apenas João Barreiro de 75 e Tião de Melo, de 62 anos, estão em atividade, preservando a tradição. Ele conviveu com o pai também charreteiro Chico Barreiro, Dito Poteiro,  Sebastião Daniel, Pé-de-Vento, o charreteiro das madames, todo arrumadinho, perfumado e de óculos escuros, o Guarda Louças, aquele que levou o corpo de Jacira, quando seu namorado Jesus Damasceno a matou, dando origem ao Beco do Crime e tantos outros. A maioria já foi se encontrar com o “Helio da Remonta” a muito tempo!

A tradição das charretes de Pouso Alegre está por um fio… ou dois. Há mais de dez anos nenhum novo charreteiro se estabeleceu na praça…

Recentemente o prédio do antigo fórum na Praça Senador Jose Bento foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural. O centenário Mercado Municipal também acaba de ser tombado pelo mesmo instituto, como Patrimônio Imaterial do Município.

Este é um bom momento para que a Secretaria Municipal de Cultura valorize e incentive os dois últimos charreteiros do municipio, João Barreiro e Tião de Melo e incentive novos charreteiros à continuar a centenária tradição das cherretes.

Se nada for feito agora para preservar a tradição, em poucos anos charretes e charreteiros só vão existir na memória e  aqui… no blog do Airton Chips.

Senador Jose Bento, também tem carteira fria

Os moradores do alegre bairro Agua Parada, no municipio de Senador Jose Bento, estão perplexos com os últimos fatos. Ainda estão se perguntando como dona Ana Rosa, tão quieta, tão tímida, mal olha nos olhos das pessoas, está envolvida com a quadrilha das carteiras frias, presa nos últimos dias!!!

Já dizia o velho ditado… “Boi sonso é o que arromba cerca!!!”

Desde tempos imemoriais, por um punhado de reais a mais, tem muito santo que vende a própria alma ao diabo.

Ana Rosa de Moraes e Silva, 46 anos, a que aparece no final da fotografia, de cabeça baixa e cinto de couro para algemas, na cintura, é um dos 14 membros da quadrilha presa pela policia civil. Ela pode pegar de 3 a 9 anos de cana, por vender carteiras frias ao seus conterraneos.

Seu marido, Sebastião Roque da Silva, o Cardam também esta sendo investigado. Cardam não foi preso… ainda! Mas a batata está assando p’ra ele…

 

O detetive forasteiro e a medica voluntaria

No final de março de 2006  a Delegacia de Policia da rua Quintino Bocaiúva recebeu um novo policial. O moço, novo na cidade, porem velho de carreira, chegou taciturno, mão no bolso, pouca prosa. Estivera um ano aposentado e fora chamado de volta na pior época do ano… no final de dezembro. Apesar disso, retomara o ritmo e empolgaçao com a função policial. Mas isso fora em Pouso Alegre, cidade que o viu crescer! Agora estava, numa cidade estranha, à qual não nutria nenhuma simpatia, podendo aposentar a qualquer momento. Seria difícil descruzar os braços e voltar a trabalhar…

A criminalidade em Santa Rita do Sapucaí naquele ano, como em muitos outros, estava em alta. Trafico de drogas, pequenos furtos, roubos a estabelecimentos comerciais engrossavam diariamente a estatística criminal do município. Homicídios já haviam ocorridos três e outros sete aconteceriam até o fim do ano. Era impossível ao experiente, comedido e altruísta policial assistir passivamente a tudo isso, recebendo um salário, ainda que modesto, sem nada fazer. Aos poucos foi descruzando os braços, arregaçando as mangas…

Certa manha ao sair rápido com os colegas para um operação de rotina, quase esbarrou numa bela e esbelta jovem com seu inseparável salto alto, no balcão do serviço de transito. Nem a notou. Não havia motivos. Ela também, não, mas como conhecia todos por ali, mais tarde perguntou ao delegado, seu amigo, quem era o ‘forasteiro’ que parecia arrastar os companheiros para o trabalho.

– … Veio de Pouso Alegre. Fim de carreira. Não é flor que se cheire! – Respondeu sem esticar conversa, o veterano delegado. E ficariam nisso se a aposentadoria tivesse saído nos próximos meses.

Ao voltar de férias regulamentares, em agosto, o novo delegado da Comarca nomeou o ‘detetive fim de carreira’, seu Inspetor, principalmente com atribuições de administrar o Hotel Recanto das Margaridas, onde os pouco mais de 50 presos brincavam de cumprir pena. Na ocasião, cumprir pena na cadeia de Santa Rita era uma gostosa diversão. O preso podia entrar e sair do “presídio modelo do sul de minas” a hora que quisesse. Bastava fazer um tatu na parede da cela, galgar o muro externo e ir embora. Alguns saiam pela porta da frente, iam dormir em casa, às vezes fazer um assaltozinho básico e de manhazinha voltavam para a cela. Fabio Junior, o Pinta, costumava fugir e ficar dois ou tres dias mocosado nos muquifos do bairro Recanto das Margaridas. Quando a saudade dos amigos do cárcere batia, ele voltava, subia no muro e passava horas sentado lá em cima, conversando com os colegas. Era preciso acabar com esta farra! Era preciso, como já dissera no dia 26 de novembro de 2004, um certo delegado regional, “dar um pouco de dignidade à policia civil” naquela cadeia.

Se faltava dignidade à policia, administradora do presídio, se faltava pulso, seriedade e até honestidade, faltava também tratamento digno aos presos. Tais como atendimento medico, dentário, alimentação decente por sinal muito bem paga pelo Estado. Em poucos meses a rotina da cadeia mudou, a criminalidade na cidade baixou, dos outros sete homicídios ocorridos no município, seis foram completamente elucidados. O reflexo veio no ano seguinte… A criminalidade caiu em quase 80%.

Entre as medidas adotadas no Hotel Recanto das Margaridas, duas foram fundamentais: firmesa no relacionamento com os presos e atendimento básico de saude. A primeira não era problema, bastava querer. A segunda era mais difícil. Ninguém quer trabalhar num presídio, ninguém quer ter contato com presos. Inicialmente a secretaria municipal de saúde disponibilizou uma equipe medica para atender uma vez por mês no presídio modelo do sul de minas. Era pouco e no terceiro mês o medico desistiu. Restava tentar um medico com perfil de “saúde publica” que se dispusesse a fazer um trabalho voluntario.

Foi aí que o detetive forasteiro entrou na vida da bela e esbelta jovem e seu inseparável salto alto… Ela era medica. A jovem atendeu o pedido como se tivesse tendo o privilegio de fazer um trabalho voluntario. Com seu largo e cativante sorriso, a jovem medica recém formada, passou a atender vez por semana na cadeia. Toda quarta feira de manhã, enquanto descansava do plantão no Pronto Atendimento Municipal, ‘carregava pedra’… Subia para o Hotel Recanto das Margaridas, onde além do trabalho medico, fazia também importante trabalho social e  psicologico.

O relacionamento do detetive forasteiro com a medica, durante vários meses, era meramente profissional. Se restringia a escolta e segurança durante o atendimento no presídio. Ao voltar das férias em fevereiro,  ela não estava mais lá. Havia se mudado para Varginha e, pior, ela é que precisava de tratamento medico. Estava internada com uma seria crise de Lúpus. A amizade do detetive forasteiro com a medica do salto alto começou estreitar aí, com a preocupação dele de que ela ficasse bem e pudesse voltar a atender no presídio. Alguns meses depois ela voltou à rotina.

Apesar da aproximação causada pela doença e pelo objetivo comum, que era melhorar a qualidade de vida dos hospedes do hotel Recanto das Margaridas, o relacionamento continuou cordial e profissional, embora mais estreito. Além do que, o forasteiro também tinha seus fantasmas… Embora casado há longos anos e os filhos formados, prestes a aposentar, psicologicamente não estava bem. Alguma coisa o frustava e incomodava. Não sabia o quê! A única certeza que tinha é que quando aposentasse, iria mudar radicalmente de vida… de cidade, de estado, talvez até de país!

Sem perceber, o andar da carruagem, o resultado do competente trabalho policial, a amizade com a jovem medica, aos poucos estavam afastando a ansiedade da iminente aposentadoria. A idéia de largar tudo e partir em busca do desconhecido, já não era tão contundente. Já não pensava mais em Mato Grosso, Rondônia, Amapá… Um belo dia, ao terminar o atendimento dos presos na cadeia, um fato inusitado aconteceu … O detetive forasteiro exibiu a canela com um ferimento e pediu medicamento para cicatrizá-lo. Ao examiná-lo a medica, na carceragem, na presença dos demais policiais, deu o diagnostico e o prognostico:

– Isso é coisa atoa, vai cicatrizar naturalmente… Mas se você fosse solteiro, eu cuidaria do seu dodói…!

Susto, surpresa, brincadeira entre amigos, constrangimento, rubor…!  Quando percebeu já havia falado. Gargalhada geral, gerando descontraídas brincadeiras.

Brincadeira involuntária que gerou uma coceirinha no ego, tanto dele quanto dela. A partir daquela manhã, nunca mais seriam os mesmos. Nunca mais se veriam apenas como colegas de trabalho. Agora tinham mais assuntos do que asma, micose, depressão e ziquizira de cadeia para discutir. Sem querer, sem se dar conta, estava nascendo um romance… Antes mesmo de se tocarem, precisavam de definições, tomar decisões…

Foi no mês de julho que decidiram seguir o mesmo caminho. O detetive forasteiro, aquele que “não é flor que se cheire”, já não era mais forasteito. Foi morar na delegacia. No mês seguinte era um novo casal. Alem da grande diferença cronológica de idade e de um casamento também encerrado, tinham algo mais em comum; espírito jovem e muita vontade  de recomeçar, de reconstruir, de ser útil…

Não foi fácil. Ambos tinham gênios muitos forte. Ele muita experiência para oferecer, ela muita impetuosidade para impor. Ele muita saúde, ela pouca… Logo no primeiro mes de relacionamento o convívio foi posto à prova. Vinte e quatro dias num quarto de hospital em Varginha e mais uma semana na UTI em São Paulo. Depois disso mais duas curtas separações.

Em 2009 uma mais longa. Desta vez, dois meses distantes, com muitos diálogos inflamados até que veio o silencio. Não mais se falaram. Precisavam de silencio e solidão para reflexão, para a purificação, para a espiritualização, para talvez… se reencontrarem.

Uma neblinada madrugada de junho – onze da manhã de um gelado domingo de junho, para um solteiro cinqüentão, era madrugada – o telefone tocou;

– Oiiii… Já amanheceu por aí?

Bem, amanheceu meio minuto antes, quando o telefone zuniu debaixo do travesseiro, mas pela extensão do sorriso do outro lado da linha, o ex-detetive forasteiro preferiu sorrir amarelo e dizer que já estava de pé a muito tempo.

– Estamos indo à Pouso Alegre almoçar no “Tomodati”…  Quer comer suchi com a gente?

Depois de empanturrar de churrasco até as quatro da manhã, peixe cru com arroz e ‘caipisaquê’ de kiwi com bastante gelo era uma boa opção – pensou o detetive – Além do que, não se viam há mais de 60 dias! Duas horas depois estavam almoçando no Shoping Minas Sul em Poços de Caldas. A noite já haviam reatado o romance. O casamento formal aconteceu numa segunda feira 13, ás 13 horas, em Santa Rita. Trinta e cinco dias depois voltaram a Poços para a Lua de Mel.

Depois de diplomar-se em “Impactos da violência na Saúde” pela Fiocruz e pos-graduar-se em Saúde da Família, pela UFMG, a ex-medica voluntaria do presídio, que nasceu as 13 horas do dia 13 no quarto 13, atualmente exerce suas funções no PSF de Pouso Alegre e é medica perita da Seplag-MG. Participa também de grupos de trabalhos voluntarios no combate às drogas. Seu Lúpus ainda insiste em alterar seu humor. Nada no entanto, que uma boa dose de amor não possa aliviar.

O ex-detetive forasteiro pendurou suas chuteiras, mas encontrou no jornalismo uma maneira de continuar a combater o crime, mostrando a cara dos meliantes e as conseqüências da caminhada criminosa.

Esta é a nossa historia….

E viverão felizes para sempre…

Quem disse que 13 é numero de azar…???

Operação Roda Dura… Policia civil desmantela quadrilha e põe fogo nas carteiras frias

Durante duas semanas, um a um, na surdina, sem alarde, os catorze  integrantes da quadrilha que há anos vinham vendendo CNH frias em Pouso Alegre e região, foram caindo nas malhas da lei…

Depois de gastar tanta lábia para vender carteiras frias as ‘roda-dura’, diante das câmeras e microfones Fernando Aragão e Fabiano de Souza, cabisbaixos, não abriram a boca nem para dizer ‘nada a declarar’…

A policia civil concluiu nesta quarta 12, as investigações que culminaram com a prisão de catorze estelionatários envolvidos num lucrativo esquema de venda de carteira de motoristas na região. Os trabalhos iniciaram ha vários meses, depois que algumas carteiras impressas em papel grosseiro, visivelmente de má qualidade, foram feitas em blitz rotineiras da policia rodoviária estadual.

Os policiais da AISP 109 concluiram que a quadrilha, composta por 16 integrantes, agia na região a pelo menos dois anos, alguns até a mais tempo. Cerca de 40 carteiras frias, apreendidas em poder de motoristas supostamente habilitados, residentes nos municípios de Pouso Alegre, Congonhal, Estiva, Cambuí, Senador Jose Bento, Cachoeira de Minas, todos na área da circunscrição da CIRETRAN de Pouso Alegre, dão a dimensão da ramificação dos criminosos.

Mas eles garantiam que a carteira era quente!!!

Para isso usavam o nome de funcionários da delegacia de Policia e diziam que eram seus amigos, estavam em conluio com eles, alguns até se identificavam como policiais, por isso conseguiam o documento sem exames.

Segundo o delegado regional Flavio Tadeu Destro, a organização criminosa era comandada por Fabiano de Souza Pereira, que intermediava a negociação e Fernando Aragão dos Santos e sua esposa Edilaine Regina de Melo Souza, que cuidavam da documentação tais como CPF, RG, comprovante de residência e fotografias e ainda parcelavam em duas vezes. Com eles foram apreendidos computadores, notebooks, papeis para impressão das carteiras frias e documentos de futuros “motoristas roda-dura”.

Miguel Arcanjo Lacerda, Paulo Roberto Silva Peres, Adriano dos Anjos Nascimento, Edson Jose da Silva, Jairo Carvalho Vieira, Jose Fernando Contrucci Faria, Ana Rosa de Morais e Silva, Mauricio de Oliveira Moraes, Eurípedes “Lipinho” Pelegrini Pereira,  Lucas de Araujo, Anésio Severino da Silva, Sebastião Roque da Silva “Cardan” e Gesio Antonio Ramos eram os agenciadores. Eles cobravam entre R$500 reais e R$3 mil reais de acordo com a cara do freguês…

Para o delegado Tomas Edson Vivas de Resende, membro da Banca Examinadora da Ciretran e delegado que chefiou os detetives nas investigações, nos últimos anos, centenas de CNHs frias foram vendidas pela quadrilha. Todas como se tivessem sido expedidas pela CIRETRAN de Pouso Alegre, assim não levantaria suspeitas quando os ‘roda-dura’ fossem abordados pelos policiais nas blitz de fiscalização… Centenas de  motoristas circulando nas ruas e rodovias do sul de minas… sem habilitação!!!

Todos os integrantes da quadrilha foram presos mediante Mandado de Prisão Preventiva por Falsificação de documento e formação de quadrilha. Adriano e Edson, que portavam as próprias carteiras frias no momento da prisão, responderão ainda por uso de documentos falso. Fabiano, o chefe do bando responderá ainda por estelionato e trafico de influencia, porque dizia ser amigo e parceiro de policiais.

Além de comandar a quadrilha, Fabiano exercia uma função ainda mais sórdida! Para alguns candidatos que tentavam conseguir a carteira pelos tramites legais e se inscreviam no exame de rua, ele pegava dinheiro e prometia intervir na delegacia e na banca examinadora, onde alegava ter influencia. Como não tinha e nunca teve influencia, o candidato que não estava apto a dirigir, era reprovado… e ficava com a dupla imagem de corrupção do examinador, que nem conhecia o crápula Fabiano.

O estelionatário Jairo Carvalho Vieira e o ex-playboy e inadimplente de pensão alimentícia, Jose Fernando Contrucci Faria, já estavam vendo o sol nascer quadrado desde o final de maio, transferido por motivos de segurança, para o Hotel Recanto das Margaridas, em Santa Rita do Sapucaí .

Edilaine Regina de Melo Souza, esposa do falsario Fernando Aragão dos Santos, pressa preventivamente no inicio da operação, teve a prisão relaxada porque colaborou com as demais investigações e esta amamentando um bebê de 2 meses. Ela responderá o processo em liberdade.

A máfia das carteiras frias poderá amargar até 130 anos de cana.

Está com pena?

Pois coloque as barbas de molho!!! Você que leva no bolso uma “pedrinha de gelo”, uma carteira tão falsa quanto nota de 7 reais, também vai sentar-se ao piano e assinar o 304… O hotel do Juquinha está te esperando de braços abertos…!

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