Briga de ciganos em Santa Rita…

Embora levem uma vida nômade, alguns clãs costumam adquirir imóveis e fixar residência em algumas cidades. Só mudam dali quando o chefe do clã bate ‘com as dez’. Ninguém os quer por perto, mas pouca gente se aproxima para pedir que saiam. Apesar de ter suas próprias leis e não se misturar com a vizinhança, são bons vizinhos… Tirando naturalmente o fato de que alguns costumam confundir seus bens próprios – cavalos, bois, cabritos, galinhas… – com os do alheio! Em 2006, em Santa Rita do Sapucaí, fiz a apreensão de 12 cavalos e éguas em um pasto no bairro Santa Felicidade, a poucos metros de um acampamento cigano. Eles haviam sido furtados no bairro Vargem Grande, município de Silvianópolis. No mesmo pasto havia mais de 40 equinos machos e fêmeas ‘pertencentes’ aos ciganos.

Apesar de retirar os 12 animais debaixo do nariz da ciganada, nenhum deles veio reclamar. Se eu tivesse levado todos os quarenta e poucos, certamente não reclamariam…

O que mais preocupa os vizinhos dos ciganos é a instabilidade emocional. Como tem suas próprias leis, eles acham que podem resolver tudo à seu modo. Em 2009, quando outro grupo se instalou numa pracinha do bairro São Benedito naquela cidade, o tapeceiro Fião, morador antigo do bairro, teve um atrito com o clã do Zé Trovão. Andou com a corda no pescoço…! A batata quente fica sempre na mão da policia.

No final da tarde desta terça, um grupo de ciganos voltou à pagina policial. Eles estão acampados no bairro Família Andrade, logo na entrada da cidade abençoada por Santa Rita de Cássia. A briga foi entre os ciganos do próprio clã. Não chegou a ser uma briga de foice no escuro, mas teve faca, foice e facão. Vários veículos ciganos foram danificados com pedaços de pau e vergalhões de ferro. Sobrou até para o Fiat Uno do engenheiro João Paulo de Oliveira Neto que estava estacionado ali perto e não tinha nada a ver com os nômades.

A policia militar foi chamada e pôs fim à contenda familiar antes que eles derrubassem o rico bairro Família Andrade.

Segundo foi apurado, a briga começou quando o cigano Venicio Aparecido de Carvalho, 35 anos, amarrado num pé de cana, foi tirar satisfação com o ciganinho D. de Freitas, 15 anos, filho de Sidnei de Freitas, que teria levado seu filho à uma boca de fumo da cidade para comprar maconha. Luzano da Gama Feitosa, 35 também entrou na contenda.      O B.O. da PM não esclarece se as mulheres e crianças do acampamento também participaram da briga de faca, facão e foice, o que é comum nestas situações. Todas falando, gritando e chorando, no seu peculiar sotaque, ao mesmo tempo!

Apesar do principio de guerra cigana no Família Andrade, ninguém foi se hospedar no Hotel Recanto da Margaridas. Brigas, vias de fato e danos generalizados se resolvem na DP com um simples TCO. Os ciganos que há anos adotaram Santa Rita do Sapucaí para viver, voltaram – esfolados e desarmados – para Santa Rita. No final da manhã desta quarta já haviam levantado acampamento!!!

Será que o João Paulo vai receber indenização pelos prejuízos causados no seu Fiat Uno?

Comeu, bebeu, não pagou e ainda levou troco

O garotão chegou sozinho ao Bar Coco Verde, na Vicente Simões, no inicio da madrugada. Entrou, sentou num canto, pediu cerveja, energético, um tira gosto e ficou por ali bebericando solitário, observando o movimento do bar.

Usava calça jeans preta, camiseta preta, tênis preto, boné preto e tinha também idéias pretas na cabeça… Para o que ele queria no entanto, faltou a mascara do zorro…!!! na verdade faltou a  mascara do Mancha Negra ou dos Irmãos Metralha!

Às três e meia da manhã, quando o ultimo cliente foi embora, ele se levantou e foi até o balcão pedir a conta. Mas antes de pagar os vinte e oito reais consumidos, pediu troco!!! Ao invés de enfiar a mão na algibeira para retirar o dim-dim, o ‘homem de preto’ enfiou a mão por baixo da camiseta como se tivesse armado e anunciou o assalto. Levou dois aparelhos de telefonia móvel do comerciante S.F.Lima e cerca de R$ 160 reais.

Foi preso duas horas, depois no raiar do dia, comprando cigarro e uma garrafa de suco de gerereba no Posto Tiger, na Perimetral. Ia virar a garrafinha de Ice 51 e cheirar um pino de farinha quando os homens da lei chegaram. Se tivesse trocado de roupa, talvez teria passado batido…

Lucas Martins de Souza, 26 anos, morador do Pantáno, trazia apenas 20 reais no bolso e um dos aparelhos roubados. Disse ele que gastara dez reais com o cigarro e a bebida, trinta reais com a baranga de farinha do capeta.

– O resto do dinheiro e o outro celular, perdi quando sai correndo do bar… – Disse ele

Ainda de manhazinha, depois de assinar o 157, Lucas, o solitário homem de preto, com sede e com fissura, foi se hospedar no Hotel do Juquinha!

Engatilhou a arma e pôs mulher e filhos p’ra correr…


O cidadão Celso Antonio Monticelli, 48 anos, morador do Sitio dos Pinheiros, zona rural de Ouro Fino, ordeiro & trabalhador, como todo cidadão, precisa receber seus créditos para quitar seus debitos.

Nesta segunda ele pediu ao filho de 19 anos para cobrar uma divida. Ao pé da noite, ao saber que o dim-dim não entrara no caixa, ele entrou em desespero. Depois de esbravejar, pegou um revolver calibre 38, saiu para o quintal e começou puxar o gatilho.

Que sorte! Depois de vários tectectectec, nenhuma azeitona saiu quente pelo cano do trabuco. Com isso a mulher A.O.P. 39, o filho D.P. 19 e as crianças conseguiram sair correndo de perto dele e se refugiar no mato.

Quando os homens da lei chegaram, chamados por vizinhos, Celso Antonio também tentou se embrenhar no mato, mas enroscou-se nas malhas da lei e caiu com o revolver e tudo. Rolou na poeira com os policiais, mas não teve jeito. Recebeu as pulseiras de prata e desceu no taxi do contribuinte para a delegacia Regional de Pouso Alegre, levando também uma bela cartucheira 32 que estava mocosada atrás do sofá.

A mulher e o filho maior perdoaram. Não quiseram representar contra o marido e pai por ameaças e ele seria solto. No entanto, a Lei 10.826 não perdoou. Celso Antonio, o homem que puxa o gatilho e as balas não saem, assinou o 15 e o 16 da famigerada lei. Já de madrugada ele voltou para casa, desarmado e calmo… Depois de desembolsar R$ 3 mil reais de fiança…

 

Dez salários para apagar incêndio em Cambuí

Fernando Henrique Pimentel, 22 anos, morador do Jardim Bela Vista em Cambuí, é um desses esquentadinhos que por qualquer coisa quer derrubar o barraco e colocar fogo. Foi literalmente isso que ele tentou fazer no final da noite deste domingo.

Ao chegar em casa mamado, desentendeu-se com a mãe A.F.Pimentel, despejou álcool no chão e ameaçou atear fogo… com a mãe e a irmã G.F. dentro da casa.

Os homens da lei foram chamados e conseguiram evitar que o fogo se alastrasse. Ao dar uma geral nos petrechos’ do incendiário valente, encontraram um pacote de saquinhos plásticos comumente usados para embalar drogas no varejo e um pezinho de Cannabis Sativa de Linneu.

Na saída de casa, já com as frias pulseiras de prata nos pulsos, Fernando Henrique prometeu com todas as letras, que se ficasse preso, quando saísse iria matar a mãe e a irmã.

Bem, diante da lei, uma, duas ou dez ameaças tem uma pena só: 1 a 6 meses. A quantidade de ameaças no entanto, pode dosar a fiança…

Depois de assinar o 147 e ser ‘agraciado’ com dez salários de fiança, Fernando, o incendiário, foi se refrescar no velho Hotel da Cel. Lambert.

… E o carcereiro foi avisado: Não deixe álcool perto dele…!!!

 

Ameaçou cortar o pescoço da amasia de 15 anos no C. Jardim

Eliziel Viana de Souza tinha 21 anos quando juntou os cobertores com J.F.de S. Ela já havia passado dos 40. Viveram entre tapas e beijos durante 15 anos… sem descontar o tempo que ele viveu por conta do contribuinte no velho hotel de Franco da Rocha-SP.

Aproveitando que o moço estava atrás das grades, J.F. – que não é abreviatura do adocicado guaraná produzido em Ouro Fino –  mudou-se para Pouso Alegre e foi se esconder do valentão no Cidade Jardim.

Mas o danado achou seu esconderijo. Aproveitando a “Saidinha da Páscoa” do presídio de Franco da Rocha, Eliziel veio visitar o saco de pancadas, quero dizer, a cara-metade e reassumiu seu famigerado ‘habituê’ com a velha companheira.

Na madrugada de segunda ele chegou em casa, segundo J.F., pisando alto, com o tremendo bafo de jibóia, querendo comida quente & chamego e desceu-lhe o borralho. Depois de elogiar a cara metade com os adjetivos de p… b… e v… o brucutu ameaçou cortar seu pescoço com uma lapiana numero nove e foi pra rua. Voltou para o boteco. De manhazinha enroscou-se nas malhas da lei.

Ao sentar-se ao piano da delegada Lucila Vasconcelos, incansável defensora das mulheres indefesas e assinar o 147 com tempero de Maria da Penha, o valentão voltou para as grades… Desta vez do Hotel do Juquinha, pois não tinha R$1,2 mil reais para pagar a fiança.

Vai papudo!!!

 

Eleitores de Varginha escolhem Ex-morador de rua para representá-los na câmara

… E a votação foi recorde. 2.863 votos

 

Adilson Bboy Pé de Chumbo, do PR, foi o candidato mais votado na eleição do dia 07 de outubro, em Varginha. Ele, que já foi morador de rua e ultimamente morava de favor na casa de um colega de partido, trabalhava como panfleteiro no comercio.

Pé de Chumbo (PR) é o vereador mais votado de Varginha. (Foto: Lucas Soares / G1)foto – Lucas Soares GI

De origem humilde, Pé de Chumbo perdeu a mãe cedo e logo aos 7 anos foi obrigado a ir pra rua para trabalhar. O homem do povo, que nunca teve salário na vida, agora vai ganhar pouco mais de R$ 5 mil na Câmara de Varginha. Ele ainda não tem certeza do que vai fazer com o seu primeiro pagamento…

– Quero comprar roupas novas, mas também quero conhecer a praia. Quero comprar um terreno, quero ter onde morar.

Adilson Oliveira, 32 anos, o “Pé de Chumbo” é um personagem folclórico na cidade do ET. Ex-engraxate e ex-vendedor ambulante, ele se tornou conhecido do eleitor Varginhense por dançar hip.hop, – sua paixão – e como dançava com um sapato muito pesado – era o único que tinha – ganhou o apelido de “Pé de Chumbo”. Foi essa popularidade que lhe garantiu 2.863 votos nas urnas no ultimo dia 07.

Nesta segunda o novo vereador saiu todo garboso pela cidade, para agradecer aos eleitores os votos recebidos, posou de vedete e deu entrevistas;

Pé de Chumbo (PR) é cumprimentado por eleitores. (Foto: Lucas Soares / G1)foto Lucas Soares GI

– Quero cuidar do povo, da periferia que me elegeu. Quero fazer tudo pra eles, esporte, cultura. Estou muito feliz com tudo isso! – Disse com simplicidade o vereador recordista de votos.

E já tem cobrança;

– Agora a gente quer que você cuide do povo, Pé de Chumbo! Nós sempre cuidamos de você, agora é a sua vez de você cuidar da gente lá na Câmara – Disse uma das eleitoras.

Ainda não se sabe se a preferência do eleitor pelo homem simples e sem teto foi por opção, por pena ou uma maneira de protestar contra os políticos profissionais. O índio Juruna foi eleito deputado na década de 80. Depois do mandato, desapareceu do mapa.

Em 2000 o carroceiro Benedito Tobias, conhecido por “Pituca”, foi eleito vereador em Santa Rita do Sapucaí em 3º lugar com 467 votos. O atual prefeito Paulo Candido da Silva, naquela oportunidade se elegeu vereador com 179 votos. Como Pituca tinha apenas o ensino fundamental incompleto, apenas acompanhava os movimentos nas sessões da câmara. Votava de acordo com sabor do vento; se a maioria concordava, ele também concordava! Se a maioria vetava, ele também vetava.

Tentou a reeleição em 2004, ainda teve 275 e voltou para sua carroça! Em 2008 repetiu os mesmos 467 votos de 2000 mãs não foram suficientes. No ultimo domingo voltou às urnas e teve 351 votos. Se houver renuncia ou cassação, ele assume como suplente.

E o Pé de Chumbo? Será que vai emergir ou será que vai afundar na política…???

Arroz, feijão, farinha e açúcar … por 1 voto…!

Eleição municipal é coisa do passado! Só daqui há quatro anos… Será?

Na pequenina Toledo, atrás da serra de Extrema, a eleição pode não ter acabado! Tudo por causa de duas cestas de alimentos, oferecidas por telefone a uma eleitora!!!

Eram quase onze da noite de sábado quando policiais militares que passavam por uma rua da periferia da cidade, resolveram abordar os ocupantes do veiculo Fiat Strada Fire. Ele era conduzido por Jose Roberto de Souza, 45 anos e levava com ele sua esposa Esmarina A.Oliveira de Souza, 45 anos… Levava também duas “cestas básicas” de alimentos. A terceira pessoa ao lado do veiculo era a senhora Isabel Alves de Caldas Barbosa, 39. Ela estava recebendo a doação das cestas! Em troca tinha apenas que digitar o numero do candidato Édio Donizete na urna no dia seguinte!!!

De acordo com o artigo 229 da Lei 4737/65, isso é crime!!!

O casal de comprador de voto jurou de pés juntos que era inocente.

– Nós só estamos fazendo uma caridade! – Disse dona Esmarina com cara de “pelamordeus não nos prenda seu guarda”.

Dona Isabel também fez cara de choro, mas pelo menos foi sincera…

– Eu estava tããããão necessitada!!! – Choramingou ela.

Para o delegado de plantão, em Pouso Alegre, não houve choro nem vela e nem fita amarela… enquadrou os mercadores do voto na lei. O trio pôde deixar a delegacia no final da madrugada e chegar a Toledo a tempo de votar no seu Edio Donizete… de graaaaça!

De graça não! Cada um deixou R$ 1,2 mil reais no cofre do contribuinte…

E o processo continua correndo na justiça. Muitos políticos já se elegeram assim… Alguns perderam o mandato depois!

 

7 de outubro passou. É hora de varrer as ruas…

Acabou!!!

Acabou a festa, acabou a farra, acabou a sujeira, acabou a poluição sonora e visual, acabou a intriga, acabou a troca de farpas & espinhos… A eleição passou!

Vai ficar um pouco de ranço, um pouco de magoa, mas o tempo logo apaga!

É hora de Pouso Alegre voltar aos trilhos e seguir em frente. Afinal vivemos em uma cidade bela, pacifica abençoada, em constante desenvolvimento… Ninguém segura Pouso Alegre!!! Nem os políticos!

Na década passada a cidade viu seu crescimento estagnar. O fato se deve em parte à inércia dos governantes, em parte à falta de atrativos oferecidos pelos governantes e principalmente às turbulências da economia brasileira.

Nos últimos dois anos o crescimento voltou à acenar … O sinal verde do desenvolvimento voltou a acender. Talvez a reeleição do atual prefeito, que detinha certas cartas na manga, tenha sido providencial. Mas é necessário fazer, muito mais do que fez até agora, muito mais do que propalou até agora.

É sabido que a saúde publica, se nos últimos anos saiu da UTI, continua se convalescendo na enfermaria.

É sabido que a educação em Pouso Alegre é tão debilitada quanto a brasileira, uma das piores do mundo.

A infra-estrutura da cidade ainda é aquela do século passado… A região sul da cidade cresceu vertiginosamente nos últimos anos e tudo tem que passar pela Avenida Vereador Antonio da Costa Rios. A bela Ayrton Sena não tem utilidade, pois acaba desaguando na Olavo Gomes de Oliveira. A tão sonhada ligação da Ayrton Sena ao Distrito Industrial parece povoar o sonho apenas de motoristas, não dos administradores. A Dique II – queime minha língua por favor -… não deixe que ela sirva apenas para angariar votos! Tem também a Perimetral Oeste para ser duplicada e a via Noroeste, ainda cruas.

O povo de Pouso Alegre merece e a cidade exige vias de escoamento do transito mais rápidas e seguras! Caso contrario o progresso não andará.

Enfim… Parabéns Sr. Agnaldo! Parabéns por ter ‘inaugurado a reeleição’ na historia do município!

Não houve surpresa na sua reeleição… Mas não se esqueça que o Sr. está devendo, como ficaram devendo seus dois antecessores…

Renovação na Camara!

Quase nada de novo também na eleição do legislativo. A voz do povo que dizia que a atual câmara era a pior de sua historia se confirmou nas urnas. Apenas dois se reelegeram.

Dulcinéia passou os quatro anos em evidencia, na mídia e na sombra do prefeito. Era natural que se reelegesse.

Helio da Van surpreendeu pela quantidade de votos. Embora tenha se afastado um pouco do reduto que o lançou na política, seus cães & gatos e outros bichos lhe garantiram honrosa reeleição. Não se esperava tanto.

Entre os marinheiros de primeira viagem, apenas duas surpresas: O jovem Brás, 24 anos, um dos quarenta candidatos do São Geraldo eleito com 1.248 votos e Ney Borracheiro, que se elege na terceira tentativa.

Os demais, cada um tinha um motivo para ser eleito. Dr. Paulo Valdir investiu em atendimento medico. O radialista Flavio Alexandre, a melhor voz do radio de Pouso Alegre, pessoa humilde e politizada, já estava merecendo. Gilberto Barreiro, de família numerosa e pelo custo da campanha não poderia perder. Rafael Huhn, Mauricio Tutty e Wilson Tadeu estavam com a faca e o queijo nas mãos. Mario de Pinho tem no curriculo trinta anos de trabalho comunitario-religioso no bairro São Geraldo. A ‘high society’ precisava de um representante, o escolhido foi Hamilton Magalhães. Ayrton Zorzi tem seus evangélicos cativos e Lilian Siqueira, esta sim ficou devendo… Esperava-se pelo menos o triplo dos votos, mas chegou lá!

Fred Coutinho e Rafael Prado, duas das mais caras campanhas desta eleição foram vitimas da aberração chamada coeficiente eleitoral …

O eleitor de Pouso Alegre, excetuando aqueles muitos que trocaram seus votos por um tanque de gasolina ou o pagamento de uma conta de luz, estão de parabéns… Mostraram pacifica e democraticamente que quem não cuida dos interesses do povo, não merece ganhar R$ 8.300 por mês.

Senhores eleitos, parabéns, mas… Coloquem as barbas de molho

Abaixo, segue lista completa dos vereadores eleitos:

Dr. Paulo · PSL · 2.330 votos

Flávio Alexandre · PR · 2.242 votos

Hélio da Van · PT · 1.755 votos

Gilberto Barreiro · PMDB · 1.567 votos

Adriano da Farmácia · PTN · 1.427 votos

Braz · PPS · 1.248 votos

Wilson Tadeu Lopes · PV · 1.190 votos

Rafael Huhn – Feijão · PT · 1.188 votos

Dulcinéia (Néia) · PV · 1.051 votos

Maurício Tutty · PV · 1.045 votos

Hamilton Magalhães · PTB · 1.041 votos

Nei Borracheiro · PPS · 923 votos

Mário de Pinho · PT · 908 votos

Lilian Siqueira · PSDB · 783 votos

Pastor Ayrton Zorzi · PMDB · 751 votos

Cachorros & Cachorradas = O Lobo & o Carneiro… e os carrapatos!

Conheci o Carneiro ainda menino, de calças curtas e pés no chão, no final da rua Mons. Dutra, no bairro Primavera. Do meio de uma renka de irmãos e irmãs, o garotinho branquelinho, de sorriso fácil, deve ter ganho seu apelido por causa dos cabelos loiros cacheados, parecendo o fornecedor de lã… Apesar de nos conhecermos da rua e sermos ‘malungos’, nunca estreitamos relacionamento. Nos aproximamos em 1990, quando eu dirigia a LEPA e ele foi levado pelo Jose Maria Simões, para ser o ‘barateiro’ do ‘carteado’ na sede da liga.

Foi ali que conheci também o Lobo, companheiro inseparável do Carneiro…

Por mais que Carneiro desprezasse e tentasse se ver livre do fiel amigo, ele sempre seguia seus passos e na maioria das vezes, apenas o seu cheiro… E sempre estava à seu lado. Era baixo, forte, troncudo, pêlos grossos e compridos quase se arrastando pelo chão. Pêlos desarrumados e sujos… Acho que nunca viu um chuveiro ou mesmo uma mangueira no quintal. Banho!!! Só quando chovia.

Carneiro almoçava cedo em casa no Santo Antonio e descia a pé até os barzinhos em volta do Mercado Municipal. Podia-se contar nos dedos – da mão esquerda – os dias da vida de Carneiro em que ele não virou um copo de Suco de Gerereba… E o fiel Lobo descia a Getulio Vargas ou Otavio Meyer ao seu lado. Às vezes na frente, às vezes arfante, atrás… O dia que Carneiro estava atrasado para o trabalho e descia de onibus, Lobo vinha correndo no rastro. Minutos depois de sua chegada na Liga, Lobo chegava com a língua de fora. As vezes chegava antes do Carneiro. E se deitava como de habito na varanda da Liga na Mons. Jose Paulino.

Enquanto Carneiro cuidava do carteado, do meio dia até a madrugada, Lobo ficava na varanda do prédio. Dormia de roncar o dia inteiro… De noite fingia dormir, mas estava sempre atento. Se chegava um conhecido na liga, ele apenas abria os olhos sem mexer com a cabeça. Se fosse estranho, imediatamente Lobo se levantava, se empertigava e latia forte para avisar o dono e até impedir a passagem…

Certa tarde de muito calor, notei pequenas pintas marrons na parede bege da Liga. Coisa à toa, não dei importância. No dia seguinte pela manhã as pintas não estavam mais lá. Também não dei importância. Outro dia, por acaso voltei a perceber as mesmas pintas na parede. Passei a observar e vi que as pintas redondas e achatadas, do tamanho de uma tampa de canetas bic, outras maiores, estavam… se mexendo!!! Observei melhor… Eram carrapatos!!! Três, cinco, oito…? Não…!!! Eram 18, 20, 25 carrapatos da cor de chocolate, de variados tamanhos! Eles subiam lentamente pela parede bege propiciando uma bela combinação de tons de cores, até sumir próximo ao telhado… Aquela debandada de parasitas estava abandonando o Lobo. Nem os carrapatos suportaram a falta de higiene do velho, peludo e dócil Lobo!!!

Menos mal que estavam abandonando o corpo peludo do Lobo!  O problema era… Para onde iriam? Dentro do escritório, das salas de jogos, da cozinha nenhum carrapato foi visto. Mas, havia a questão do nojo, da falta de higiene! Era preciso dar um fim nos carrapatos… ou no seu hospedeiro!

Carneiro, era o típico bom carneiro, nunca berrava. Não sei por inteligência ou por natureza, era de falar pouco e escutar muito. Ele não era meu subordinado, mas nosso relacionamento era respeitoso e cordial. No entanto, sempre pareceu que ele tinha medo de mim, embora não tivesse motivo.

Quando pedi a ele para não trazer mais o Lobo – e seus carrapatos – para o trabalho ele não objetou. Mas a separação era praticamente impossível. Nos primeiros dias Lobo atrasou um pouco mais para chegar à Liga… precisou de alguns minutos para roer as cordas que o prendiam e as tabuas do portão, antes de descer calmamente a Otavio Meyer, parar no bar no da Maria, na esquina do mercado e seguir em frente, o cheiro do dono.

No outro dia Carneiro amarrou Lobo a uma corrente. Que problema!!! Ninguém dormiu na vizinhança enquanto Carneiro não chegou. Lobo latiu, chorou e uivou até ouvir a voz do dono… de madrugada!

A única maneira de livrar-se do Lobo era doá-lo a alguém. Mas ninguém queria um cachorro de meia idade, com porte de Beagle e pelagem de Pequinês, encardido, mesmo que não soubessem que ele era o maior taxista de carrapato da cidade! O jeito então era abandoná-lo longe de casa.

Na madrugada seguinte, depois de encerrar a sessão de carteado, Carneiro colocou Lobo no porta malas do carro de um amigo e ele o soltou na entrada do Pantâno. Naquela mesma madrugada, antes do galo cantar, Carneiro precisou se levantar ainda grogue, exalando seu característico cheiro de bagaço de cana, para abrir o portão… O amigo Lobo estava lá arranhando o portão, tentando entrar para proteger a casa do dono!

Carneiro ainda fez mais duas ou três tentativas de despachar Lobo, mas ele sempre voltava para casa… E com ele os carrapatos!  Até que;

– Carneiro, embale o Lobo para viagem. Amanha é dia de ir à Silvianopolis… Vou levar o Lobo e jogá-lo no Rio Cervo. Quero ver ele trazer os carrapatos para cá de novo…!!!

Se pensam que Carneiro se amofinou! Se enganaram carrapatamente!

A uma da tarde do dia seguinte Carneiro estava, como de habito, sorridente na porta da liga me esperando. Dentro do saco de estopa marron, imóvel, alheio ao seu  destino, podia-se ouvir a respiração ofegante de Lobo…

Parei o Escort prata sobre a ponte do Rio Cervo, na divisa dos municípios de Pouso Alegre com Espírito Santo do Dourado. Abri o porta-malas, desatei lentamente a cordinha que amarrava o saco de estopa… Lobo havia se ajeitado na traseira do carro. Estava sentado dentro do saco. A língua de fora… Não disse uma palavra, não fez um movimento. Apenas fitou-me seu par de olhos pidões! Afastei-me um metro da traseira do carro, apoiei as mãos no parapeito da ponte da estrada deserta e olhei para baixo. As águas sujas do pequenino Rio Cervo desciam rápidas lá embaixo, se desviando de pedras e de galhos podres de arvores, seguindo seu inexorável destino em direção ao mar… Nenhum animal sobreviveria àquelas pedras fincadas em pouco mais do que uma lamina de água suja. Esperei um minuto, que pareceu uma eternidade, ali encostado na ponte, torcendo para meu amigo Lobo pular do porta-malas, sair correndo até se enfurnar numa chácara qualquer da beira da estrada… Mas ele permaneceu imóvel dentro do saco. Seus olhos tristes pareciam querer dizer;

– Estou em suas mãos… Faça o que mandar seu coração!

Não esperei que ele repetisse… Mudo como ele, fechei a tampa do carro, entrei, dei partida e fui embora.

Quando o cabo Pinheiro passou ao longo do corredor da cadeia de Silvianopolis no inicio da tarde daquela terça feira, notou que as três celas sempre vazias, desta vez tinha um preso e perguntou;

– Qual o B.O. deste pobre diabo?

– Trafico ilícito de carrapatos…! Respondi

– Quanto tempo ele vai ficar aí?

– Até que alguém pague sua fiança e o leve para uma casa de tratamento e recuperação! Quer tentar?

No dia seguinte, quando Carneiro perguntou do Lobo, respondi curto, grosso e sério;

– Se a correnteza tiver andado bem, seu cãozinho carrapatento já deve estar chegando ao Rio Sapucaí, lá embaixo, nos Vitorinos…

Na quinta feira quando cheguei para trabalhar na Delegacia de Silvianópolis o baixinho cabo Pinheiro, de arrastado sotaque carioca, já estava no Destacamento, contiguo à delegacia e cadeia. Ao seu lado havia um cachorro cochilando. Era baixote, marrudo, imensos pêlos lisos escovados e tosados, cor de mel… Quando ele abriu os olhos preguiçosos para olhar-me de esgueio e mexeu levemente a ponta do longo rabo, lembrei do Lobo. Antes que pergunta chegasse à boca e ganhasse som a conclusão chegou ao cérebro… Vendo minha mudez sem olhar para mim, o cabo ‘carioca’ emendou com uma ponta de ironia e sarcasmo…

– Ele só precisava de banho, tosa e escova… Eu mesmo fiz!

A viagem de volta do Lobo foi bem mais confortável. Ele veio cochilando de rosquinha no tapete, na frente do banco do passageiro. Quando passamos sobre a ponte do Rio Cervo dei uma olhada discreta pela janela e outra para ele… Acho que vi seus olhos se abrir e fechar lentamente! Não sei se ele quis dizer:

– Viu o que você quase fez?

Ou se:

– E aí, valeu a pena?

Ou quem sabe…

– Obrigado por ter me dado uma segunda chance…

Difícil foi agüentar a boca aberta do carneiro nos dias seguintes. Ele, que já era risonho, não parava de sorrir!!! Embasbacou-se no momento em que viu Lobo, lindo, louro belo e faceiro cor de mel – e sem carrapatos – entrando na varanda da Liga.

Meses depois eu deixei a liga e perdi o contato com os dois amigos. Alguns anos mais tarde eu soube que a singela amizade havia chegado ao fim. Carneiro, na casa dos 30 anos, morreu precocemente, como era esperado. Seu fígado não suportou mais o banho diário de álcool. Cirrose hepática!!!

Lobo, que resistira ao ataque diário de dezenas de carrapatos e escapara do vôo cego no Rio Cervo, não resistiu ao inexorável passar dos anos. Já era bem maduro na época destes fatos. Pelo seu porte físico, deve ter vivido mais uns cinco anos, até os treze ou catorze anos…

Será que Lobo & Carneiro se encontraram no outro mundo?

Por causa da loira… matou o pangaré!

O comerciante Genesio C.M. da Silva, 47 anos, morador do Arvore Grande, em Pouso Alegre, divorciado e sem nem um passarinho para tratar, como a maioria dos cidadãos que não são de ferro, se amarra numa loira gelada… Às vezes passa dos limites!

Nesta quinta, 4, depois do trabalho foi fazer seu happy hour sozinho no barzinho de um amigo ao pé da serra de Espírito Santo do Dourado. Amassou a loira gelada a se atracou com a Kátia…ça até o amigo baixar as portas do boteco. Na volta para casa, quase pegou a encruzilhada e foi bater às portas de São Pedro…

Genésio seguia lentamente pela MG 179 conduzindo sua S10 preta, quando de repente dois cavalos surgiram na beira da estrada. Com os faróis apagados e sem dar sinal cruzaram a pista de rolamento. Na verdade era apenas um cavalo baio, mas depois de tanto suco de gerereba, Genésio viu dois e tentou desviar de um deles… Com os reflexos embaçados ele chamou seu possante na chincha, mas não conseguiu desviar e nem frear a tempo… Pegou justamente o cavalo verdadeiro!!!

Apesar da baixa velocidade, o incauto pangaré foi arremessado longe. Ficou estirado no chão mormo da pista deserta. O mata-cachorro amenizou o estrago da caminhonete. Genésio sofreu apenas um galo na testa.

A mesma sorte não teve o pangaré ignorante das leis de transito. Ele não portava nenhum documento ou qualquer sinal que o identificasse e ficou ali, estrebuchando na beira da pista, até partir para o andar de baixo! Pobre pangaré, que queria apenas abocanhar uma touceira de capim mais tenra do outro lado da pista…!!

O quadrúpede dono do atropelado, responsável por manter uma cerca segura na beira da estrada, não apareceu para registrar o equinocidio, deixando à Genesio toda responsabilidade com o féretro e com seus prejuízos.

Talvez se Genésio não tivesse se enlevado tanto com a loira gelada, poderia ter evitado a morte do pangaré!!!