Assassino da Irmã volta para a cadeia

A Festa do Polvilho, de Conceição dos Ouros, não passou em branco… Devagarinho acabou fazendo algumas ‘vitimas’. A ultima foi o lavrador Pedro Teixeira da Silva, 34 anos…

Há oito anos Pedro morava com a mulher e filhos, de parede-e-meia com a Irma Maria Conceição da Silva, no bairro Chácara – o velho Aterrado – em Conceição dos Ouros. Apesar de correr nas veias de ambos o mesmo sangue, eles viviam trocando farpas & espinhos. Até que um belo dia, em meio a uma acalorada discussão, Pedro cravou uma lapiana numero nove no peito da irmã.

Ao sentar-se nos banco dos réus, Pedro Teixeira foi condenado a 13 anos de prisão. Viveu sete e meio no velho hotel do contrbuinte em Itajubá. No dia 13 de outubro do ano passado, Pedro ganhou direito à famosa “saidinha” de sete dias para visitar parentes. Uma semana depois, ao invés de tomar o busão para Itajubá, ele seguiu a direita, dobrou a serra e desceu no Vale do Paraíba. Arrumou emprego de peão de obra e ficou por lá.

Neste fim de semana, aproveitando que a cidade estava em festa, muita gente circulando noite e dia em meio às barracas de camelôs e as delicias da mandioca, Pedro retornou a terra natal para matar a saudade.

Na madrugada desta quarta foi pego chegando em casa, no bairro Chácara. Pedro, o assassino da irmã tem ainda um debito de 5 anos e 8 meses com a justiça. Ele segue ainda nesta quarta, de Pouso Alegre Itajubá, para cumprir o restante da pena…

 

‘Caim’ tenta matar ‘Abel’ queimado no São João

No sábado pela manhã, os irmãos Nilton Cesar e Luiz Carlos dos Santos, que dividem um casebre de fundos na rua Tres Corações, no São João – quando não estão dividindo um dos apartamentos do Hotel do Juquinha – tiveram mais uma acalorada discussão. Para encerrá-la, Nilton Cesar de 31 anos, disse que esperaria Luiz Carlos, 29, dormir e colocaria fogo em sua casa. Ainda soltando fogo pelas ventas, ele foi pra rua tentar acalmar a alma. Não acalmou. O fogo do ódio continuava latente. Uma hora depois, voltou ao curtiço, apertou a mola do isqueiro e ateou fogo no colchão da cama do irmão…

Ao ver as labaredas subindo, Luiz Carlos pegou uma mangueira, subiu no telhado da casa da irmã e conseguiu impedir que sua casa virasse cinzas.

Algumas horas depois, Nilton Cesar “Caim Nero” dos Santos, o incendiário do São João, sentiu o frio das pulseiras de prata. Depois de assinar o 150, ele que possui extensa capivara por porte de arma, uso e trafico de drogas, foi arder no mármore do inferno Hotel do Juquinha…

 

Ameaçou colocar fogo na casa da vovozinha… Com ela dentro!

O garotão David Eduardo do Santos, 22 anos, desde os 18 anda às voltas com a lei por causa da famigerada droga… Já passou algumas temporadas no Hotel do Juquinha e está de volta à liberdade condicional.

Nesta terça 07, ele sentou-se ao piano do homem da capa preta e naturalmente tomou mais uma “sentada”. Ao chegar em casa no jardim São João, com o ouvido ardendo, todo nervosinho, desentendeu-se com a avó Maria Aparecida da Silva, com a qual vive – quando não está preso –  e disse que iria colocar fogo na casa dela… com ela dentro.

Vovó Cida, que já criou os filhos e não tem obrigação de criar os netos e não quer virar churrasquinho, chamou os homens da lei.

David, que havia prometido ao homem da capa preta criar juízo, desceu no taxi do contribuinte, assinou um 147, com tempero de Maria da Penha e voltou para o lar-doce-lar do Hotel do Juquinha.

Lavrador planta maconha na beira da estrada

Nove horas da noite desta fria segunda feira gorda, 06 de agosto. Ocasião ideal para fazer uma entrega de drogas, principalmente se for de uma cidadezinha pequena para outra.

Elder Faria Costa, 32 anos, experiente no ramo, montou sua motoca e seguiu do bairro Bom Jardim, município de Cachoeira de Minas para a pequenina Silvianópolis. Saiu de casa confiante. Nem precisaria passar pelo centro da cidade, chegaria pelo bairro do Morro… A possibilidade de ser interpelado pelos homens da lei era remotíssima. Só de desse muito azar! E mesmo que desse e fosse convidado a parar numa blitz era só jogar a encomenda no mato …

Que azar!!!

Quando seguia pela MG 179, já perto de Silvianópolis, eis que de uma viatura à beira da estrada policiais sinalizaram para parar. Elder apertou forte o manete e seguiu em frente. Dois quilômetros adiante os homens emparelharam… O jeito foi parar. Ele bem que jogou a pochete no mato, mas já era tarde… Encontraram a prova do crime. Mesmo assim ele jurou de pés juntos que a droga não era dele.

– Voce mora em Cachoeira e esta indo para Silvianópolis, numa segunda à noite, fazer o quê?

– Estou indo visitar minha tia…

– Se a droga não era sua, porque fugiu então?

– É que eu não tenho carteira de moto e o licenciamento está vencido – disse ele sem ficar vermelho, mesmo tendo em sua capivara uma condenação anterior por trafico.

Não teve choro nem vela e nem fita amarela… Elder que vá contar sua historia para o homem da capa preta, quando chegar sua vez. Por enquanto ficará hospedado no Hotel do Juquinha… no apartamento 33.

Da próxima vez que for visitar a ‘tia’ em Silvianopolis, ‘plante’ a droga longe da estrada!!!

 

Carteira de motorista por 1,99…!?

Voce já ouviu historia para boi dormir? E viu o boi dormir? Pois tem gente que acredita piamente que depois de ouvir suas historinhas o boi vai tomar um banho morno, um chazinho de camomila, colocar pijama de bolinhas, mergulhar debaixo dos edredons e se entregar angelicalmente aos braços de Morfeu…!!

O cidadão Luiz Candido de Moraes, 50 anos residente em Inconfidentes é um deles. Ele foi detido num blitz de rotina na MG 290, no bairro Tijuco Preto, perto de Ouro Fino ontem pela manhã, conduzindo um VW Saveiro e contou sua historia…

– Desculpe seu guarda, eu tenho carteira sim, esqueci no porta luvas do caminhão…

– Tudo bem, deixe o carro aqui e vá buscar a carteira.

E não é que o cidadão tinha carteira mesmo, sô!!! Valida até 12 de setembro de 2015. Só que CNH do Luiz era um pouquinho diferente… Não tinha marca d’água, era mais escura do que as outras, ligeiramente menor e também não tinha o tal do holograma.

– Sua carteira é falsa, senhor Luiz – disseram os patrulheiros.

– Eu não sabia! Se soubesse eu não teria ido em casa buscar!!!

– Onde o senhor fez os exames para adquirir a CNH?

– Eu não fiz exame … Quando a carteira velha venceu, eu deixei os documentos com o senhor Milton Bonamichi e ele cuidou de tudo para mim!

– Quem é este cidadão?

– Ele tem uma loja de 1,99 em Inconfidentes!

-!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Como o boi nem cochilou, Luiz Candido de Moraes, o inocente homem da carteira de 1,99, assinou o 304 do código penal, pagou fiança de 622 e se verá processar em liberdade.

… E a “Operação Roda Dura” da Policia Civil de Pouso Alegre caminha para novos capítulos…!!!

 

 

Festa do Polvilho termina na DP

Final de semana com muita musica, muito polvilho e muito suco de cana em Conceição dos Ouros. Apesar disso o B.O. de maior destaque registrado pela policia, aconteceu com um visitante.

Os patrulheiros da lei estavam de plantão na MG 173, próximo à Cachoeira de Minas, às 02;46 da manha, quando avistaram um Corsa Wind com as rodas bambas, trafegando em zigue- zague pela estrada gelada. Sinalizaram para o condutor e constataram que o defeito não era mecânico… era naquela peça grande que fica atrás do volante…!!!

‘Convidada’ a soprar o bafômetro, constatou-se que a ‘peça grande’, de 27 anos, chamada Leonardo Henrique Alves, morador de Congonhal, município também conhecido pela qualidade e quantidade do pó branco… de mandioca, tinha 6,4 dg/l de suco de gerereba por litro na ‘engrenagem’.

Este mesmo trecho macambúzio de estrada deixou marcas profundas nas almas dos amigos Everton da Costa Sagiorato, 22, Yago dos Santos Constantino, 19, Israel Ribeiro Martins, 22, Karen Cristina da Cruz Pires e Michel Mohler Altissimo. No inicio do ano eles voltavam dos festejos carnavalescos de Cachoeira de Minas no interior do Fiat Punto, quando o piloto Everton, que dizia estar sóbrio e voava a 130 por hora, desceu pelo acostamento, bateu numa arvore e foi parar na ribanceira… – “Adolescente morre na volta de Cachoeira” – O passageiro Michel, 17 anos, o mais animado, não chegou ao fim da viagem! Da ribanceira da MG 173 ele foi direto para o IML e de lá para o cemitério!!!

Para evitar que a historia se repetisse, os patrulheiros deram carona para Leonardo Henrique até a DP de Pouso Alegre. Depois de assinar o 306 e pagar a fiança de 622, ele pode terminar a viagem para Congonhal… em segurança!

 

Brigou com a amasia e mostrou o ‘morto’ para a enteada

Edeval Cesar, 40 anos e Rosana de Souza e Silva, moradores de Heliodora,  namoraram quatro anos até que finalmente resolveram trocar alianças. Já faz quatro anos que juntaram os cobertores, mas, de vez em quando o tempo ‘esquenta’ e um deles vai dormir no sofá…

Ontem aconteceu de novo! Logo pela manhã, eles se desentenderam e Edeval desceu o borralho na esposa. Depois que ela saiu para o trabalho, ainda com as estribeiras em desalinho, ele passou a discutir com a enteada M.C.B. de 12 anos. Depois de chamá-la ‘carinhosamente de “negrinha beiçuda, fedorenta”, teria baixado as calças, exibido e chacoalhado o ‘morto’ para ela.

Ao chegar em casa às nove da noite e tomar conhecimento das ofensas e da ‘pouca-vergonha’ do marido, Rosana exigiu explicação… Entrou novamente na manguara!

Desta vez os homens da lei foram chamados, o valentão despudorado, que estava escondido na casa de um vizinho, desceu no taxi do contribuinte para a DP de Pouso Alegre, sentou-se ao piano e assinou o 147. Depois de pagar um salário de fiança, poderá voltar para casa…

“… Você tem vinho branco”?

Se você é apreciador de um bom vinho branco de uvas Semillon de origem francesa, encontrado no Chile e na Austrália ou de um Sauvignon Blanc das regiões de Bordeaux e Loire, na França ou ainda um Riesling, de região quentes como Brasil, tome cuidado ao procurá-lo…

Se você pedir um vinho branco na Adega São Jose, em Cambuí, poderá ter problemas com a lei. Lá só tem vinho branco em pó!!! Isso mesmo! Você chega ao balcão e pede vinho branco, os enólogos Jose Maria Cristiano ou sua esposa Claudineia Claudina da Rosa te entregam um minúsculo embrulho em papel prateado ou uma ampola tipo ependorf e te cobram 10 reais. Se você quiser uma garrafa, também tem, mas vai custar algo em torno de seis ou sete mil reais. Só tem um problema… Você não pode degustar ali!!!

Na verdade, agora são dois problemas; a Adega São Jose que vendia vinho branco em pequeníssimas doses, está temporariamente fechada!!! É que seus proprietários estão passando uma temporada hospedados no Hotel do Juquinha em Pouso Alegre!

No inicio da tarde desta quinta, 02 de agosto, mês do cachorro louco, o morangueiro e nóia na horas vagas, segundo o próprio, Adriano Henrique da Costa, morador do bairro Taperas, em Estiva, deixou a lavoura de morango, chamou o amigo e mototaxista Gilson Ferreira e pediu um carreto para Cambuí, pois estava com sede. Chegando à Adega do Jose Maria fez o clássico pedido;

– Um vinho branco por favor!

Recebeu a mercadoria, pagou R$50 reais e quando ia montar novamente na garupa da moto do amigo, os policiais deram o bote e confiscaram seu ‘vinho branco’.

Na Adega o casal de enólogos, Jose Maria e Claudineia disseram que ali só vendiam cachacinhas, queijos, pimentas e vinhos tintos e brancos somente em garrafa… Mesmo assim o zeloso delegado pediu e o homem da capa preta autorizou uma ‘poda’ geral na plantação de uvas do casal. Nada de ilícito foi encontrado durante as buscas. Naturalmente, todo vinho branco que havia lá, se havia, desceu pelo ralo…!!!

Mas… Juntando a declaração do morangueiro de Estiva e seu piloto, que comprara uma dose especial de vinho branco por 50 reais, com a ‘carta de vinhos’ do comerciante Jose Maria que em 2002 assinou um 33 e passou 7 anos hospedado no velho Hotel da Cel. Lambert, o delegado de plantão enquadrou Jose Maria e a esposa Claudineia Claudina, outra vez, no 33.

Na falta de espaço no velho hotel de Cambuí, o casal de ‘enólogos’ da Adega São Jose, deverá curtir a entressafra  no Hotel do Juquinha…

Ele plantava cocaína no pé do coqueiro…

Quem planta bananeira, colhe? … Banana!

Que planta abacateiro colhe? … Abacate!

Quem planta coqueiro, colhe?… Coquinho! Certo? Nem sempre… As vezes colhe farinha do capeta, erva marvada, pedra bege fedorenta… Pelo menos com o cidadão M.C.B., 21 anos, é assim.

Há algum tempo ele cuida carinhosamente de um pé de coqueiro na rotatória da Jose Agripino Rios, no Jardim Olímpico e tem colhido farinha do capeta. E vende tudo que produz, não falta clientela. M. nem tem que suar a camisa para faturar uma grana preta com o pó branco. Basta ficar de bobeira ali na meia luz da pracinha, curtindo a lua cheia, a espera da discreta clientela que chega de mansinho e sai de fininho.

Um amigo oculto da lei, talvez com inveja do sucesso comercial do M.B. ou que talvez não tenha gostado da qualidade da farinha, resolveu colocar água no chope do garoto… Ligou para a policia!

Os homens da lei chegaram e ficaram de longe, observando o modus operandi do comercio do M. Era tal qual o informante dissera; M. fica ali curtindo a brisa da noite, um carro para perto dele, cochicham, ele se levanta, vai até o produtivo pé de coqueiro, pega uma baranguinha de farinha, entrega na janela do carro, recebe a ararinha vermelha e volta a se sentar, enquanto o nóia se afasta seguro e faceiro.

Depois de alguns minutos observando à distancia os homens da lei se aproximaram e pediram a mercadoria… Arremataram o estoque todo e fecharam o ponto comercial do moço!!! No pé do coqueiro havia 41 barangas de cocaína!!! M.B. informou que na sua casa, ali perto havia mais, no estoque e foram até lá. Na casa na qual ele mora de favor, segundo ele, estavam o sócio do lucrativo negocio, L.R.L. e um noia. Com um deles havia um tablete de maconha e outras 4 barangas de erva na estante da sala. No quarto de M. havia 41 papelotes de cocaína, prontinhos para serem plantados no pé do coqueiro, na pracinha…

Quando soube que sua casa estava sendo revirada de pernas para o ar, dona R.C., que possui um boteco no trevo de Espírito do Dourado, correu pra lá. Chegou tarde, os policiais já haviam entrado educadamente no seu quarto, depois de abrirem a porta no bico da botina e acharam um projétil calibre 22.

A droga não era dela, era de M., seu amigo e do L. seu filho e ‘olheiro’ do trafico, que assinaram o 33. Mas R. não ficou sem chumbo… Por causa da balinha 22, assinou um 12 da 10.826 e teve que pagar 622 de fiança. Devia ter ficado quieta no seu boteco no pé da serra da Praia…

Por uns tempos R. terá que morar sozinha, pois o ‘amigo’ M.B. e o filho L., de 18 anos, foram se hospedar no Hotel do Juquinha.

Mais um ponto comercial falido…!!

Operação “Santa Fé”… Estelionatário viveu mais de vinte anos por conta de padres e freiras

      Se você acha que o golpe aplicado pelo Umseteum Caralavada na secretaria da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre, no ano passado foi bem aplicado, é que você ainda não viu o golpe do Sr. Djalma Cremasco e seu filho Willian!!! Perto deles, o golpe do “dizimista da Catedral… um golpe perfeito”, parece brincadeira de criança de jardim de infância… da APAE!!!

     Usando a boa fé de padres e freiras graduadas na hierarquia da igreja católica, pai e filho levavam vida de nababos, se hospedando em hotéis de luxo Brasil afora, bebendo vinhos finos com caviar… Até que aplicaram um golpe de 40 mil reais em um padre octogenário em terras manduanas. Não sabiam que Pouso Alegre é “curva de rio”… é fim da linha para os mais famosos e espertos meliantes do Brasil!

      O golpe, batizado pelos detetives de Pouso Alegre de “Santa Fé”, tinha três fases distintas. A primeira era conhecer tudo sobre a vida pessoal e eclesiástica da vitima escolhida. De um telefone celular, cujo chip trocava como se troca de cueca, o vigarista ligava para a secretaria da diocese e se identificava como secretario da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte, ou algo que o valha;

– Boa tarde. Sou o padre Pedro, da Cúria metropolitana. Estamos atualizando os dados do padre diretor da sua igreja. Como é mesmo o nome dele? Ah, sim… Há quanto tempo ele está aí? Pois não… A data de aniversario dele? Ele veio de qual cidade? Ele tem familiares ai na paróquia? Ele costuma pintar os cabelos ou os conserva grisalhos? Tem problemas com obesidade, diabetes, pratica algum tipo de esporte? Pelo jeito é uma pessoa muito caridosa e bem quista pelos fieis, não é mesmo…? Em qual telefone se fala diretamente com ele..?

Ou então…

– Boa tarde. Eu sou o padre Cornélio, de Barbacena… O padre Orfeu ainda é o vigário desta paróquia?

Naturalmente a resposta é negativa.

– E quem é o atual vigário…?  O Simão? Natural de Montes Claros? Não me diga… Há quanto tempo ele está aí?

Em poucos minutos, numa rápida e despretensiosa entrevista, o salafrário sabia até a marca do desodorante que o padre estava usando e o que ele havia comido no jantar passado!!!

A segunda fase do plano consistia em ligar para o padre ‘sabatinado’, chorar as magoas e pedir para falar com ele pessoalmente, sob pena de cometer um desatino. A conversa, embora nem sempre se desse no confessionário, era em tom de confissão, o que impedia o padre de revelá-la a alguém.

Aí, acontecia a parte mais interessante, teatral, digna de se ser encenada nos melhores palcos… Pense em um dos melhores artistas da Globo! Pedro Cardoso, o Agostinho de a Grande família? Fichinha perto dele!!!! Então pense em um personagem de ficção, mau, frio, dissimulado e embusteiro. Carminha de Avenida Brasil? Quase santa se comparada com o 171 da operação Santa Fé.

– Seu padre, já tentei de tudo…  O senhor é minha ultima chance. Só o senhor pode me salvar e salvar minha família. Os negócios não deram certo. Vendi casa, vendi carros, vendi a empresa… Mas só vou receber daqui a uma semana, veja aqui os cheques – exibia um pacote de cheques pré-datados organizados com bilhetinhos ‘bom para tal dia’ em uma pasta – mas preciso pagar a divida amanhã…

Em quase todas as ocasiões ele molhava a mesa do padre ou da freira com suas lagrimas – de crocodilo… – mostrava a foto da esposa com os filhos e chorava sobre a foto já manchada – quem vai cuidar de vocês meus amores?!

Nenhum padre, nenhuma freira, todos já velhinhos e com autonomia em suas paróquias para emprestar ou socorrer seus fieis com dinheiro próprio ou da igreja resistiram às lagrimas, à chantagem emocional do confessor desesperado. Todos – e foram centenas Brasil afora nos últimos 20 anos – emprestaram dinheiro ao Sr. Djalma Cremasco, natural de Bauru-SP, nascido em 24-11-57. Ele tinha 4 CPFs e para dar maior credibilidade à sua prosa e facilitar o transito usava um Fiat Punto branco, adesivado com nome de empresa fictícia…

O estelionatário era tão ousado que em alguns casos, depois de embolsar o dinheiro do padre, ligava, dias depois para sondar o ambiente, perguntando, ainda choroso, como estavam as coisas. Se sentisse segurança, dizia que o dinheiro tomado emprestado não fora suficiente para saldar a divida e pegava novo empréstimo com a mesma vitima…

Em alguns casos, Djalma levava três ou quatro dias para ‘emprestar’ o dim-dim do padre e extrapolava na encenação. Se apresentava ao religioso como um velho conhecido;

– Padre Antonio! O senhor está lembrado de mim? Eu sou o Álvaro, marido da Natalia… Aquele gordinha que senta sempre no segundo banco da igreja nas missas do senhor! Lembra? Para Natalia é Deus no céu e o senhor na terra!!! O senhor fez o nosso casamento, lembra?

Lisongeado, o velho padre, geralmente solitário, conjecturava feliz…

– … Então eu tenho um amigo que segue meus passos há vinte anos…!!!

No segundo dia, mais uma massagem no ego do padre, mais uma lufada de confetes e o 171 passava às confidencias.

No terceiro dia chegava cabisbaixo, quase chorando, contava dos negócios que deram errado, do dinheiro que tinha para receber…

No quarto dia, ia direto ao assunto! Só tinha o padre Antonio a quem recorrer. Se o bom padre não lhe emprestasse o dinheiro, seria seu fim… e da gordinha Natalia e seus filhos que fizeram a primeira comunhão com ele…!?!? Mas prometia pagar religiosamente o empréstimo na semana seguinte, assim que compensasse um dos cheques da ‘empresa’… E ainda daria o troco para a igreja!

A confiança adquirida em três ou quatro dias de confissões e chorumelas era tamanha, que um dos padres, de bengalinha, com dificuldade para preencher os cheques, pediu a ele que os preenchesse e os assinou em branco…

Algumas vitimas ligavam para o banco na presença do estelionatário autorizando o pagamento do cheque que estava emitindo, citando o valor do cheque e o seu nome! Tirar doce de criança cega era muito mais difícil. Os padres e freiras que caíram no golpe, envergonhados com a própria ingenuidade, jamais recorriam à justiça.

Djalma Cremasco está nesta rendosa profissão desde os anos 80. Nos últimos anos, ensinou e inseriu no mitier o filho Willian de Carvalho Cremasco, nascido em abril de 81.

Há dois meses o estelionatário passou por Pouso Alegre, hospedou-se nos melhores hotéis, comeu e bebeu do bom e do melhor e levou R$ 40 mil reais do Monsenhor Damásio  nome fictício, para preservar o verdadeiro e bondoso religioso de 84 anos. Daqui Djalma seguiu para Três Corações, Varginha, São Lourenço, Juiz de Fora, Barbacena… Desta vez levou no rastro três detetives da delegacia regional de Pouso Alegre que já estavam na sua sombra.

A carreira de um dos maiores astros da encenação criminosa que já pisou terras manduanas foi interrompida graças a indignação de uma gerente de banco. Ao se dar conta que o Monsenhor havia sido ludibriado, ela ligou para ele se colocando a disposição para ajudar na investigação…

– Não, minha filha, não vale a pena se desgastar com isso. Vamos deixar nas mãos de Deus – Respondeu o sábio velhinho quase chorando.

Mas a gerente não de seu por vencida. O salafrário não podia ficar impune. Enganar um bom cristão daquele jeito!!! Ela tinha que fazer alguma coisa… Ligou para o sobrinho do Monsenhor. Foi ele, o sobrinho que procurou a delegacia de Policia de Pouso Alegre e desencadeou a investigação que levou à prisão do criminoso.

Que ironia!!!  Um dos maiores criminosos do país, que tem como arma, a lábia, o 171, mordeu a própria lingua, experimentou do próprio veneno, caiu na lábia do investigador. Depois de pesquisar bancos de dados pessoais de todo país, finalmente o detetive conseguiu a fotografia do estelionatário junto ao DETRAN do Paraná. O Monsenhor a reconheceu.

– Senhor Djalma, existe um B.O. de acidente de transito contra o senhor na minha delegacia. Preciso que o senhor venha até aqui esclarecer isso… – disse o detetive.

Acostumado a viajar tanto e se envolver em tanta maracutaia, o estelionatário não se lembrava de tal acidente, mas como o policial sabia seu nome, seus dados e seu telefone, melhor atender. A partir daí a policia mineira não desgrudou mais os olhos do meliante. No dia 10 de julho ultimo, Djalma descobriu que foi um erro entrar no Estado de Minas.

Seguindo orientação dos detetives manduanos, o detetive Eduardo Rampazzo, ex Pouso Alegre apresentou as pulseiras de prata ao finório, na fila do banco na cidade de Lavras, tentando descontar um cheque de R$ 5 mil reais de uma freira de 85 anos.

Djalma, o estelionatário que há mais de vinte anos roda o Brasil se confessando com freiras e padres idosos e graduados, levando o dinheiro deles ou dos fiéis, tinha contra eles vários mandados de prisão preventiva. Aliás, foi o que garantiu que ele ficasse atrás das grades, pois o flagrante de estelionato, coisa rara de acontecer com estelionatários, seu advogado quebrou em menos de 24 horas.

A pena para este tipo de crime é pequena, de 1 a 5 anos de cana e existem pouquíssimos estelionatários na cadeia, mas, se somarem as centenas de penas, pode ser que o finório que viveu os últimos vinte anos por conta de padres e freiras, passe os próximos vinte por conta do contribuinte. Tudo porque veio aplicar o golpe em terras manduanas e uma gerente de banco ficou indignada com sua covardia…