Mais um conto do vigario via celular

O aposentado M.O.S. 55 anos estava quieto no seu canto, cochilando no banco da praça, quando ouviu o suave dim-dom do seu moderno aparelho celular. Era uma mensagem de telemarketing do SBT. M.O. quase deu um pulo de alegria. As letrinhas juntas diziam que ele havia sido contemplado com um VW Gol zerinho no programa Silvio Santos. Tudo que ele tinha que fazer era procurar uma agencia da CEF e efetuar um deposito no valor de R$410,00 numa determinada, conta em nome de determinada pessoa. Sem problemas. O que são 410 reais por um carro zerinho zerinho? Feita a transferencia ele recebeu nova mensagem orientando-o a realizar mais dois depositos agora no BB; R$ 999,00 e 499,00. ….Ainda estava quase de graça o golzinho!!! Feitas as transferencias no BB, M.O.S. recebeu nova mensagem, ainda mais atrativa que a anterior. Pela sua ‘confiança no programa’ – e pela sua facilidade em acreditar em coelhinho da pascoa – ele havia sido contemplado também com um premio de R$ 50.000,00. Para receber o dim-dim e o Gol zero, ele teria que depositar  R$ 1.300,00 numa outra conta, novamente na CEF. Ele foi para o banco mas quando estava na fila do caixa, percebeu os olhares soturnos e sorrateiros de um guampudo à distancia e começou a sentir cheiro – só cheiro – de maracutaia. Com receio de perder seu rico dinheirinho – Óh, inocencia perdida!!! – o aposentado desistiu do deposito e foi para casa aguardar novas instruções via celular. Os vigaristas de plantão, de uma penitenciaria qualquer do país, talvez de Bangu II, no Rio ou quem sabe da Papuda, em Brasilia, ainda fizeram varias ligações e enviaram mensagens para o aparelhinho movel do aposentado, dando bronca, cobrando o deposito de 1300 reais para liberar o carro e os 50 mil.  M.O.S. estava propenso a fazê-lo!! Ele somente procurou a policia depois que os parentes e vizinhos o convenceram de que ele havia caido num golpe.

       A estoria parece ilaria não é? Não é. Todos os dias dezenas de pessoas, de lavradores a doutores, caem no “Conto do Vigario” internauticocibernetico e depositam quantias até maiores em contas fantasmas…. mas o prejuizo é real. Alerte seu amigo. Voce não vai querer  que ele seja mais um Mané Otario da Silva, vai? Seu celular acaba de receber uma mensagem….

7 anos de cadeia por roubo de cuecas

        Em tempos em que a policia federal – leia-se imprensa, jornalismo investigativo – descobre a cada dia uma nova maracutaia nacional, com milhoes de reais sendo desviados dos cofres do contribuinte para as guaiacas de parentes e amigos dos ‘representantes’ que colocamos em Brasilia – primeiro o Ministerio dos Transportes, depois o da Agricultura e agora o do Turismo… cheios de maçãs podres, o que não é nenhuma novidade, diga-se de passagem – vale lembrar alguns casos de cidadãos simples mortais, que vão parar atras das grades, por furto de galinhas. E são justamente os bipedes galinaceos que começam ilustrando esta simples e curta materia. Em 85, quando cheguei para trabalhar na minha saudosa Silvianopolis, o velho hotel da Julio Correia Beraldo tinha apenas um preso; Carlinhos Lobão. Um negro alto, meio curvado, voz de trovão, com quase dois quilos de beiços. Trabalhava como ‘chapa’, de bermuda e chinelos,  na agropecuaria do Heleno durante o dia e à noite ia dormir na cadeia. Assim foi durante um ano e meio. Seu crime? Numa noite quente de outubro invadiu o quintal de um vizinho no bairro do Lava-pés e furtou uma galinha, para fazer uma ‘frangada’ regada a suco de gerereba com os amigos. Carlinhos Lobão não reclamou da justiça, não esperneou, não mordeu ninguem. Pagou de ‘diboinha’ seu debito social e durante um ano e meio não comeu galinha, nem frango, nem franguinha…. não de noite, pelo menos.

       Outro dia contei nesta mesma coluna a historia daquela simpatica e bondosa senhora que desfilou pelos corrredores do Baronesa protegida pelo ‘habito’, visitando sorrateiramente as gondolas e na saida foi barrada pelo segurança levando na bolsa a tiracolo refis de barbeadores…. sem pagar. Ela desceu no taxi do contribuinte para a DP e não foi autuada em flagrante e portanto não subiu para o hotel do Juquinha, porque a delegada de plantão foi muito sensata, mas sentou-se ao piano e assinou um 155. Ah, ela é freira….

       Na segunda feira do ultimo carnaval, meu conterraneo T. pulou o muro do quintal da casa da senhora D., lá em Congonhal e furtou uma calcinha que estava secando no varal. Ele não explicou o que pretendia fazer com a ‘langerri’ da vizinha, mesmo assim também contou com o bom senso do delegado de plantão para não ter que se travestir de boneca no hotel do Juquainha. Só não escapou do piano e esta sendo processado por furto.

        Mas o motivo que me faz tomar seu tempo meu estimado leitor, são as cuecas.  Não as minhas Lupos e Bad Boys e nem as suas. Mas as velhas e surradas cuecas de elanca de M.T.V, que também estavam penduradas no varal. Elas foram alvo da cobiça do cidadão C.F.M. na cidade de Alfenas. Na calada da noite o moço de 27 anos galgou o muro da residencia, desceu sorrateiro no quintal e passou a mao leve em tres cuecas e um par de meias e tentou dobrar a serra do cajuru. Foi delatado pelo “Totó” que estava de guarda e caiu nas malhas da lei. Apesar da indignação, o vizinho declarou ao juiz que as peças intimas eram bastante usadas e portanto não tinham valor material e nem mesmo sentimental, por isso o douto homem da capa preta, baseado no principio da insiginificancia da ‘res furtiva’, absolveu o larapio de cuecas. O sempre zeloso Representante do Ministerio Publico discordou e sob a alegação de que o meliante sem roupa de baixo tinha maus antecedentes e tendencias a delinquir, recorreu da descisão. O processo subiu e C.F.M. foi então condenado pelo TJMG a 7 anos de prisão pelo furto das cuecas e meias velhas. A pendenga continua acalorada e parece que não vai esfriar tão cedo, pois o STJ acatou a primeira descisão da Comarca de Alfenas e o absolveu. Novamente o dignissimo MP recorreu e o caso das cuecas furadas – que apesar de lavadas continuam fedendo para C.F.M. – pode parar no Supremo Tribunal Federal. Enquanto isso, nos bastidores – ou seria nos esgotos? – da Esplanada dos Ministérios….

Amelinha… aquilo sim era aborrescente de verdade

Era quase uma hora de uma madrugada fria de maio quando ela entrou pela porta que estava apenas cerrada. Gordinha, rechonchuda, longos cabelos loiros falsos, com as raízes pretas mostrando que há varias semanas nao tomava banho de tinta. Vestia uma calça jeans semi-nova, porém bastante surrada, resultado de muitos dias ininterruptos de uso e uma camiseta amarela menos usada, mas tão surrada quanto e chinelos havaianas. Trazia na mão direita uma faquinha de pão e na ponta da língua uma boa doze de fel … ou talvez pimenta.. ou simplesmente “paia”. Entrou como um furacão no saguão e ao ver que a única luz acesa era a do reservado da recepção onde eu estava, veio até mim perguntando sem parar; “Cadê a Fatinha…. hoje eu mato aquela desgraçada….Ela me bateu, hoje eu mato aquela desgraçada. Cadê ela, cadê ela?” Fatinha, a experiente detetive dos seus enfados, havia sido transferida para Pouso Alegre meses atrás e certamente, àquela hora, estava no melhor dos sonos, nos braços de Morfeu. Sonolento estava eu, que havia levantado há meia hora para receber um “menor infrator” conduzido pela PM, por ter sido abordado em via publica contrariando determinação judicial. Enquanto aguardava a chegada de um representante do Conselho Tutelar, fechei a porta e aproveitei para passar-lhe mais um dos inúteis sermões. Sem mover um músculo, além das pupilas para acompanhar os movimentos da desvairada, fiquei alguns segundos processando a cena, bolindo ‘tico & teco’ no cérebro, esperando minha deixa para intervir. O garotão negro, alto, sem desencostar do frio balcão de mármore, virou o corpo de lado e deu meio passo para trás, para a parede. Se eu não esperava tanto ódio e agitação naquele inicio de madrugada, a garota da faca não esperava tanta frieza de minha parte e nem tanta rapidez e coragem do garoto ao lado no balcão. Ao ver a garota brandindo a faca no ar, querendo a todo custo matar minha ex-colega há vinte e nove quilômetros dali, o garotão esguio esticou o braço e agarrou a munheca dela, imobilizando a faca e sua mão. Não precisei de nenhum movimento brusco para tomar-lhe a reluzente faquinha de pão de cabo de madeira. Desarmada, a garotinha continuou soltando impropérios e ameaças contra a detetive ausente e como não dizia coisa com coisa, convidei-a a se retirar. Tornei a cerrar a porta da delegacia e voltei a ‘businar’ na orelha do jovem esguio – meu corajoso auxiliar, muito mais corajoso do que um detetive “ad-hoc” com o qual trabalhei em Monte Sião. Um dia o corretíssimo delegado Watson de Pinho rolou na poeira com um meliante, caíram de um barranco de três metros de altura quebrando o pé direito e o tal ‘detetive’ não se dignou sequer a entregar-lhe o par de pulseiras de prata para prender o meliante vencido – de 17 anos. Antes de concluir o sermão, ouvi barulhos de vidros se estilhaçando do lado de fora. Ao abrir a porta deparei com a garota ‘braba’ com um pedaço de tijolo na mão quebrando a sirene e luminoso do velho golzinho 93, uma das duas viaturas pertencentes à delegacia. Desta vez tive que fazer força. Foi necessário puxa-la pelos cabelos para afastá-la da viatura e expulsá-la dali. Ela foi embora deixando para trás mais um inimigo tão odiado quanto a policial Fatinha. Mas voltou. Voltou cerca de uma hora depois. Desta vez, ao invés de faca de pão, trazia nas mãos um par de pulseiras de prata. Havia sido presa pela policia militar, quebrando as janelas do prédio do Ministério Publico à uma hora da madrugada. Seria louca? Estaria drogada? Estaria possuída pelo Chiquinho da Borda? Ou seria apenas mais uma adolescente deitando e rolando nos braços do protetor e desregulamentado ECA, querendo chamar a atenção??? Uma mera rebelde sem causa achando bonito fazer feiúra? O tempo diria…

Foi assim que conheci A.T.M.S., que chamarei apenas de  AMELINHA, aos 16 anos de fúria incontrolável.

Na manha seguinte, ao comentar com os colegas as alterações do Plantão Policial, os colegas me deram a ficha completa da ‘aborrescente’ aborrecida. Um dos colegas comentou; “… Então você foi batizado!!!”. Outro acrescentou sarcástico: “Não precisa ficar com saudades… você ainda vai vê-la muito por aqui. Ela é figurinha fácil…”. Amelinha, 16 anos, órfã de pai – vivo!!! Dizem asmas línguas – morava com a mãe, mas vivia mais na rua do que em casa. Apesar do seu jeito espalhafatoso, do seu palavreado chulo e gratuito, ela quase passava despercebida na rua; seria só mais uma adolescente mal educada. Mas nos órgãos públicos, na Delegacia de Policia, no Conselho Tutelar, no Fórum, no Ministério Publico, no hospital, ah!!!, Aí Amelinha soltava os capetas, rodava a baiana e dava show. Afrontar autoridades e seus agentes era para ela mais que uma obrigação… Ser o centro da atenção das autoridades era uma missão que ela realizava com raro prazer. A lista de seus artigos, no entanto era pobre. Apenas alguns 129 e outros 28. Ela gostava mesmo era do 140, 147 e 163. Danificar bens públicos, xingar e ameaçar agentes públicos era seu passatempo favorito. Seu estrelato no meio policial parece ter acontecido cerca de dois anos antes, por volta dos catorze anos, com a chegada da puberdade, quando ela foi infectada com o ‘vírus da adolescência’. Aí começaram as transgressões, as agressões, os xingamentos em casa, na escola e ela foi apresentada ao Conselho Tutelar. Ninguém torna-se cliente do Conselho Tutelar para fazer pic-nic. Amelinha tornou-se pernona non grata com espantosa rapidez. Aliás, pessoa indesejável e mal vista seria bondade. Antes do quinze anos Amelinha era a pessoa mais temida, era o terror dos conselheiros tutelares. Não pra menos. Não havia uma conselheira ou conselheiro que não tivesse tomado tabefes e bicudas regados a impropérios impublicáveis da pequena rechonchuda. Veículos e moveis do Conselho ela não quebrava todas as vezes não… só quando tinha vontade. Uma das kombis ela não se contentou em apenas chutar, ateou fogo. E se o leitor pensa que ela era valente somente com quem não tinha poder de policia, enganou-se. Policiais civis e militares também tinham que agüentar seu destempero físico e verbal e não raro as escassas e mal conservadas viaturas alocadas pelo Estado sofriam também avarias, com socos, bicudas e pedradas. As autoridades de Santa Rita preferiam mil vezes domar o Chiquinho da Borda. O sempre sisudo e inatingível homem da capa preta muitas vezes teve seus ouvidos feridos com suas ofensas indevidas. No prédio do promotor de justiça, o qual zelava pela integridade da pequena e indefesa cidadã, Amelinha, muitas vezes irrompia sozinha ou com sua mãe correndo atrás tentando segura-la, empurrando mesas, chutando papeis, passando por cima de atendentes e estagiarias apavoradas e invadia o gabinete do guardião do ECA, soltando fogo, cobras e lagartos pelas ventas contra policiais, enfermeiros ou conselheiros que ousaram contrariar seus desejos e direitos de adolescente.

Quando queria falar com o bom moço, nem cerca de arame eletrificado a segurava e claro, não precisava de agenda. Por isso naquela madrugada gelada de rebarba de festa de Santa Rita, depois de ser expulsa pelos cabelos da delegacia, ela invadiu o prédio do promotor e quebrou suas janelas para reclamar com ele… mesmo sabendo que àquela hora seu protetor deveria estar debaixo de sete palmos de cobertor.

Aquela costumeira – e saudosa – reunião de café da manha na cozinha da Delegacia de Policia, saboreando pão e leite da Vaca Mecânica da prefeitura de Santa Rita com café puro da Fazenda Nosso Paraizzo, foi mais prolongada que a habitual. Ali meu padrinho Jose Benicio contou-nos, entre outras façanhas, o baile que Amelinha dera no companheiro Kleber Brunhara. Ele fora designado meses antes para escoltar Amelinha e entrega-la num hospital psiquiátrico da Avenida Carandaí, na capital mineira. Todo polido – como convém a um policial – o jovem detetive estendeu o oficio de apresentação da adolescente à recepcionista do ‘nosomanicomio’ e quando virou-se para apresentá-la ela não estava mais lá. A garotinha rebelde ficara menos de vinte segundos fora do seu raio de visão e foram suficientes para ela sumir de vez de sua vista e dobrar a serra do cajuru – ou seria do curral? Ou de Itaguara? – na capital mineira. Um dos colegas concluiu a narrativa do Benicio dizendo; “Amelinha chegou à Santa Rita primeiro que o Kleber”. Exagero talvez, mas o que dissera o outro colega sobre ‘saudade’ estava coberto de razão. Quinze dias depois Amelinha veio fazer-me outra visita. Chegou na virada da noite, conduzida pela PM e antes mesmo de redigido o B.O. de quebradeira e perturbação do sossego, a kombi azul do Conselho Tutelar chegou com duas conselheiras para conduzir a menina-problema para o aconchego do seu lar. Esperei pacientemente os policiais redigirem…

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Tia Silveria e o mini-bug

     Como todo homem que nasce, cresce e amadurece, sempre guardei boas e saudosas lembranças da infância e dos tempos idos. Dentre elas, tem uma que certamente vai acompanhar-me até a despedida quando eu for chamado a prestar contas ao criador. Ao criar a coluna Cotidiano neste Blog, vi a oportunidadee de falar um pouquinho de uma pessoa bela e dadivosa que conheci desde que me percebi gente e que prestou contas há alguns anos, cuja lembrança estará sempre comigo. Ainda posso vê-la na janelada casa amarela, com seu sorriso despretensioso acenando com o braço e dizendo: “Chega pra cá. Vem contar umas mentiras da cidade pra gente…”. Tia Silveria.

     Na minha mais tenra infância morava eu com meus pais e minhas dez irmãs numa casa grande, de pau-a-pique, um metro acima do chão, no local denominado ‘Vargem do Coqueiro’, cerca de quinhentos metros distante da estrada principal do bairro. A casa mais próxima era a da tia Silvéria, a cinqüenta metros da estrada. Caminho inevitável para se chegar ao centro do bairro. Até a casa dela se chegava pela estrada. A partir daí havia apenas um trilho batido. O aceso era somente à pé ou a cavalo. Carro só existia um mesmo no bairro… Logo, ir de minha casa para a dela era ir para a civilização. Da dela para a minha era voltar para o mato.

     Mas não foi este divisor geográfico de sentimentos e comportamentos que isoladamente marcou minha infância, adolescência e maturidade. Se tia Silvéria não tivesse recebido do Pai os dons que recebeu e distribuiu, sua casa seria apenas um caminho por onde passar. O que ficou guardado e merece ser sempre retirado do baú da memória é o que a boa e obesa senhora levava no peito e expressava sempre no seu cotidiano; Alegria, muita alegria. Contagiante alegria e bom humor. Era bom demais chegar à casa de tia Silvéria, vindo do mato ou da civilização. Afastar de lá, o fazíamos com aperto no peito e saudade precoce. E olhe que a casa dela era uma casinha de cangalha, paredes de pau-a-pique pintadas com tabatinga e fogão a lenha, composta de  quatro cômodos de dois metros e meio por dois.

     Quando me mudei para a cidade e ficávamos às vezes  semanas sem nos ver, a efusão com que ela nos recebia era redobrada. Embora houvesse no bairro outros parentes do mesmo grau e afinidade e até minha querida avó, eu somente “chegava” realmente ao bairro depois de visitar tia Silveria. Ela também se mudou pata outra casa perto dali e para se chegar a casa de minha avó Ana, prédio conservado tal como foi construído, existe um atalho que leva direto a ela, bem mais curto, mas eu ia primeiro ver tia Silveria, para depois visitar minha avó.

     Toda vez que ali chegava, nosso dialogo se repetia. Quando eu empurrava a porteira do curral ela aparecia na janela da casa alta e simples como ela e perguntava; “Porque não trouxe o resto da bagaceira?” Sem responder sobre o resto da bagaceira – minha família – eu perguntava como estavam as coisas por ali e ela dava a resposta que carrego e uso até hoje; “ aqui está tudo uma prata preta”. Não sei se existe prata preta. Talvez a prata escura seja mais pura e valiosa e ela usasse o termo para deixar claro que a vida era muito valiosa e à sua volta estava tudo bem. Esta era a sua maneira de dar as boas vindas. Com descontração, alegria e otimismo. Jamais se queixava de qualquer incomodo. E depois do tradicional ‘entra pra dentro’, entre um gole de café, que jamais esfriava na chapa do fogão e umas mordidas no tradicional e delicioso bolo de fubá, em poucos minutos ela me punha a par de tudo que acontecera no bairro na minha ausência. E naturalmente ficava sabendo das novidades que eu levava da ‘praça’.

     O tempo passou e a casa velha amarela que pertencera ao meu tio André foi demolida e outra de alvenaria foi construída em seu lugar. Pouso depois de se casar, seu filho caçula pediu que ela se mudasse e ocupou a casa dela. Voltando a morar na casa em que nascera, com o filho mais velho e sua família, tendo como privados apenas o quarto de dormir e uma cozinha no quintal, tia Silveria mudou muito seu jeito de ser. Tornou-se doentia e amarga. Quando perguntávamos seu estado de saúde e espírito ela respondia sempre; “Não estou boa hoje, não…” E enumerava seus males na mesma intensidade que anos antes jogava alegria pela janela da casa de assoalho alto. Mas a chorumela era passageira. Depois de colocar para fora suas dores e anseios não revelados ela voltava a ser a Silveria dos meus sonhos, cuja presença e convivência queríamos que durasse para sempre. Tia Silveria continuou sendo referencia para mim em minha terrinha amada até o fim de sua caminhada terrena. Em 1996 tive a benção de morar na mesma casa que foi dela, há menos de cinqüenta metros de sua cozinha e pude desfrutar, ao menos nos finais de semanas, de sua alegre companhia. Naquele ano aconteceu um fato inusitado que fez reviver tia Silveria dos meus tempos de criança. No inicio de uma ensolarada tarde de sábado, meus filhos e o amigo Marquinhos estavam aprendendo dirigir um mini- bug cor de rosa em volta da casa, quando tia Silveria chegou e pediu-me para leva-la à casa de tia Rosina,  um quilometro distante dali. Naturalmente me dispus a faze-lo mas antes, de brincadeira, sugeri que ela fosse no carrinho com os meninos. Para minha surpresa, tia Silveria simplesmente empurrou o Diego do assento do passageiro com um porretinho que levava para se apoiar, dizendo; “ Chega pra lá menino…” e sentou-se espremida no único banco do buguinho, ao lado do Marcelo e seguiram estrada afora até a localidade do Mourão Furado. Quem passou pela estrada alegre e poeirenta do bairro dos Coutinhos naquela tarde, com certeza viu uma cena inesquecível; Uma velhinha beirando os 80 anos, espremida entre três garotos de treze e catorze anos num buguinho barulhento cor de rosa, com o vento espatifando o coque dos longos cabelos brancos. Um foto desta cena hoje certamente correria o mundo pelo you tube. Para ilustrar um pouquinho mais a cena, o buguinho era tão minúsculo que eu o havia levado de Silvianópolis para o sitio, montado, no porta malas do meu Escort.

     Assim era tia Silveria. Não fazia graça. Era a graça. Não ria. Fazia-nos rir. Era generosidade, otimismo e alegria em pessoa. Viveu 79 eternas primaveras com Deus e para ele se foi. E a saudade…..

Editorial

       Há sete anos criei o jornal impresso FOLHA de Pouso Alegre. No meu primeiro contato com o leitor escrevi um conciso e ufanista Editorial justificando sua criação e propagando que tínhamos fôlego para virar o ano político e caminhar com as próprias pernas… errei feio. Consegui circular por 23 semanas e fechei o escritório no mais absoluto vermelho. Com independência política e de pensamentos mas no vermelho.

     Fiquei alguns anos sem passar perto de um teclado, mas sempre bisbilhotando o que meus colegas estavam escrevendo nos jornais. Muitas vezes tive vontade de voltar, mas não encontrava razão. Afinal, escrever o que? Para quem? Quem está interessado em ler jornais do interior, cheio de classificados, de propaganda de veículos e de releases dos órgãos públicos? Matutei, matutei, matutei… Debrucei sobre o velho dilema; Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Ou; “é fresquinho porque vende mais… ou vende mais porque é fresquinho”? Afinal, o cidadão não lê jornal porque não tem conteúdo… ou é inútil escrever conteúdo, pois o cidadão não lê? Você sabe responder com precisão? Eu também não…

     Mesmo assim não consegui ficar longe dos meus leitores, ainda que sejam pouco mais de meia dúzia. Mas se meia dúzia de leitores se derem ao trabalho de ir à banca na sexta feira comprar o jornal por minha causa, já sou um colunista feliz. Vai que cada um destes leitores fale de mim para um amigo seu… o amigo fala para outro, que fala para outro, depois de amanha já serão mais de …. quinze.  Mas espere aí… o que o meu falecido jornal e agora minha coluna no Folha de P. Alegre tem ver com este Blog? Tudo, ué. Se não fosse esta meia dúzia de leitores que toda semana procura avidamente o jornal para ver o que eu escrevi, se não fosse esta meia dúzia que me enche de confetes através de emails dizendo que eu tenho que publicar minhas historias em livros, se não fosse esta meia dúzia de abnegados leitores que fazem birra para que eu crie meu próprio blog, eu estaria quietinho criando galinhas lá atrás da serra do cajuru… É por causa desta meia dúzia de leitores que ao me verem conversando com alguém na rua, no supermercado, no restaurante, se enche de sorrisos e vem me cumprimentar se derretendo em elogios, que eu decidi partir para a luta, que dizer, para o Blog.

      Comecei falando com seriedade e relaxei no final, né? Desculpe. É que o bom humor não desgruda de mim. Mas falando serio, pois comunicação é coisa seria, não prometo que vou estar no ar no mês que vem, como prometi com o FOLHA em 2004. Tudo vai depender de você meu estimado leitor. Da sua paciência, do seu interesse, do seu estado de espírito, da sua propaganda – anote num papel qualquer meu endereço eletrônico e passe para seu melhor amigo. Ele vai se emocionar com o presentão!!! – e também da sua participação enviando comentários, criticas e sugestões. Até elogios, pode…

       A pagina do Blog ainda está pelada? Não tem quase nada e que tem é só sobre “bandidos & mocinhos”? Calma meu estimado leitor, muita calma nesta hora. Para chegar ao décimo passo temos que dar os outros nove. Entramos no ar no dia primeiro de setembro. A primavera começa no dia 21. Por enquanto só temos os botões. Mas vamos desabrochar. Não vamos ficar atrelados somente à pulseiras de prata, e viajar apenas no taxi do contribuinte. Vamos sentar ao piano e ‘dar o serviço’ no esporte, na política, na cultura, no lazer… no cotidiano de nossa gente.

      Quem mais vai participar do Blog além do estimado leitor? Ah, muitos e renomados colunistas da cidade. Tem o…., tem também o…. e ainda o… Brincadeirinha de novo. Tem muitas cabeças pensantes, pensando em como expressar seus pensamentos no Blog do Chips, para despertar o pensamento do cidadão que pensa em melhor qualidade de vida para ele e para as pessoas que o cercam. Isso mesmo! Comunicação é a engrenagem que move o mundo. Sempre foi. E Blog é o principal veiculo de comunicação do momento. Portanto, acesse o Blog do Chips. Leia, interaja e fale para os seus amigos. Parece coisa atoa, pretensão minha, talvez, mas navegar aqui poderá fazer diferença na sua vida. ‘É de gratis’. Aproveite e deleite… 

A verdadeira historia do “Beco do Crime”

Nos dias atuais, se fossemos dar nome a cada rua onde ocorreu um crime violento, de repercussão social, certamente sobrariam poucas ruas na cidade para homenagear feitos e figuras relevantes da nossa terra. A média de homicídio em Pouso Alegre estacionou já há algum tempo perto dos 15 ao ano. Mas já tivemos anos mais violentos. O século XXI na verdade começou assustador. Em 2001, entre latrocínios, suicídios e homicídios, começando com roubo de taxista, passando por acertos de contas entre bandidos no velho Aterrado e desacerto por causa de drogas e liderança no velho hotel da Silvestre Ferraz, 29 pessoas voltaram mais cedo para os braços do Criador … Ou pelos menos para o limbo cavernoso do Umbral.

Um crime, no entanto deu nome, ou pelos menos apelido a uma pequena via e a tornou referencia para quem busca se localizar no centro da cidade. “O Beco do Crime”. No velho Aterrado, onde acontece atualmente metade dos homicídios da cidade, certamente ninguém se lembra da esquina da cerca de taquara e da poça de lama onde os irmãos Reanir de Lima mataram o policial Marcos Alves da Silva em novembro de 1983, usando a própria arma do policial que os perseguia. Poucos também se lembrarão do boteco na porta do qual, no mesmo bairro, três jovens meliantes – Flavio Cagão, André Cabinho e Elton Mateus se mataram por motivos passionais e vingança há seis anos e tiveram seus corpos vilipendiados pelos parentes de Elton. O assassinato traiçoeiro e brutal do detetive Marcos Paixão há sete anos, chocou a cidade e comoveu a classe policial, porém, pouca gente sabe onde o funesto crime aconteceu. No dia 13 de novembro de 2003, ao meio dia, três guampudos de 16, 17 e 18 anos assaltaram a Lotérica da Garcia Coutinho e vazaram calma e sorrateiramente à pé pela Bom Jesus. Paixão voltava para casa pela Adolfo Olinto, alheio ao crime, quando viu pelo retrovisor do seu carro, um guampudo ajeitando um revolver na cintura. Ele rapidamente encostou o carro ao meio fio e ao tentar fazer a abordagem foi alvejado na nuca, sem dó e sem piedade, por outro meliante que já estava do outro lado da rua. Antes do final do dia os três latrocidas estavam atrás das grades. No dia seguinte sepultamos o colega, um dos mais intrépidos e atuantes detetives que Pouso Alegre já conheceu. E o fato aconteceu ali, na esquina do beco do crime, que recebera tal batismo meio século antes, num momento completamente diferente da nossa historia. Numa época em que matar era proibido por lei e por princípios. Numa época em que tirar a vida de alguém ainda não era um ato corriqueiro e banal.

Da torre da Catedral Metropolitana ou da janela do Colégio Santa Doroteia, os únicos prédios da época com mais de dois andares, podia-se avistar todos os limites da cidade. Depois do sobrado amarelo com a figura do belíssimo cavalo alazão na parede do alpendre do Sr. Argentino de Paula, na esquina da Com. Jose Garcia com Alfredo Custodio de Paula, o que sobrava era apenas uma arremedo de cidade. Logo ao lado estava o Estádio da Lema desde 1928, em seguida o hospital Samuel Libanio desde 1921, a vila São Vicente de Paula com suas humildes casinhas amarelas e a sorveteria do Gerôncio em frente o cemitério municipal na desmilinguida Taipas. A partir dali apenas estradinhas vermelhas seguiam para o Fátima, o Faisqueira, para a fazenda do Policarpo Campos e para o Cascalho. Desde as costas do ‘sobrado amarelo’ até o Esplanada e da esquina do Pinto Cobra até a Perimetral, tudo era fazenda de gado leiteiro.

Além da fabrica de macarrão do Orlando Chiarini em frente o Estádio da Lema, uma fabrica de manteiga e outra de banha suína somavam suas parcas riquezas à agropecuária, principal atividade econômica do município. Senador Jose Bento já pusera Pouso Alegre no mapa do Estado e do Brasil, mas o progresso econômico somente chegaria duas décadas depois com Simão Pedro Toledo.

Olhando da direita da novíssima e majestosa Catedral inaugurada três anos antes, era perceptível que o 8º Regimento de Artilharia Montada, instalado lá longe, perto do Jardim Yara em 1918, fizera a cidade caminhar mais naquela direção, passando pelo Colégio São Jose que já era um respeitável cinquentão. A “Vendinha” era uma pequena vila com pouco mais de 1.500 moradores – hoje virou bairro São João e tem quase 30 mil habitantes – o jardim Noronha era bairro novo e a Rua David Campista, famosa “Zona Boemia”, há um quarteirão do Santuário, já era um antro de boemia e perdição.

O bairro São Geraldo ainda não recebera este batismo. Era chamado pelo apelido que o originou: “Aterrado” e podia ser visto num relance só, pois tinha apenas a disforme Avenida Vereador Antonio Costa Rios, ora larga, ora estreita. As centenas de ruas e vielas que o tornaria o mais violento bairro distribuidor de drogas da região, abrigava ainda capituvas, pastagens, sangra-dáguas e mata típica de vargem ribeirinha. Depois da curva do Japonês eram só fazendas de gado.

A principal diversão dos jovens de todas as idades consistia em passear no Parque Municipal, na Praça João Pinheiro, onde se instalara há dois anos o Conservatório Estadual de Musica. Os homens menos refinados e mais arrojados se divertiam nadando nos poços do Lava-cavalos atrás do Vasquinho e no límpido e piscoso Rio Mandu, que corria bem mais perto do centro, onde se estende hoje a Avenida Perimetral. Na época das enchentes ficava ainda mais divertido pular de cima da ponte… – alguns anos mais tarde eu também pularia ali. Mas tinha também o Clube literário tal qual é hoje, o Cine Gloria do outro lado da praça e na Dr.Lisboa o imponente Teatro Municipal que serviu de delegacia de Policia. O mercado municipal com outra roupagem e muito mais modesto, mas não menos dinâmico e importante para a economia do município, já estava ali atrás da igreja, cercado de charretes, bagageiras e carros de bois. A principal fonte de energia das cozinhas das donas de casa; a lenha, era distribuída na cidade pelo Zé Fidelis no Jardim Yara e João Brunhara, na Santos Dumont, no quarteirão de cima do Beco do Crime.

Apesar de pequenina, Pouso Alegre já produzira muitos homens públicos que levaram seu nome além das fronteiras do município e do Estado. Mas tinha pouco mais de meia dúzia de médicos; Dr. Alaor Cobra, Dr. Gabriel, Dr. Lisboa, Dr. Omar Barbosa Lima, Dr. Vitor Romeiro, Dr. Jesus Pires… e meia dúzia de advogados, entre eles um que ganharia projeção justamente por defender o assassino do Beco do Crime; Rômulo Coelho. Alexandre Araújo ainda trabalharia mais vinte e poucos anos no DNER antes de se aposentar, mas já começava colecionar fatos, fotos e objetos que iriam contar nossa historia no riquíssimo Museu Tuany Toledo que ele próprio fundaria mais tarde.  Juscelino Kubitschek de Oliveira e os ‘candangos’ já se preparavam para rasgar o cerrado do planalto para construir Brasília, mas quem mandava no país ainda era o Sr. Nereu Ramos. O cinquentão Palácio da Liberdade era ocupado por Clovis Salgado da Gama e cá nas terras banhadas pelo piscoso e manso Mandu quem dava as cartas era o bondoso medico Custodio Ribeiro de Miranda. Embora nascido em Congonhal, nosso mais ilustre cidadão na época era o jovem Milton Reis, que aos 26 anos representava Pouso Alegre na Assembléia Legislativa do Estado.

Crimes? Ah, já existiam. Tirando os mais moderninhos, os da internet e os de ‘colarinho branco’ – Brasília ainda estava no papel – quase todos os demais imaginados pelo homo sapiens já grassavam nas terras manduanas. A diferença de hoje ficava na estatística. Passava-se meses, anos e até décadas entre um crime e outro. O velho Hotel da Silvestre Ferraz já existia e era quase cinquentão. Conhecia de tudo, menos superlotação. Nem precisava de muro externo. Seus hospedes podiam passar o dia todo tomando sol, pendurados nas janelas, conversando com as pessoas que passavam na rua. È claro que os transeuntes não se aproximavam muito, pois todo preso naquela época era bandido perigoso, marginal, pária social, perverso e assustador. – O que mudou? – Quem se aproximasse e mantivesse contato com eles poderia se confundido com comparsa de seus hediondos crimes e seria discriminado pela sociedade. Chegar até a janela da cadeia para entregar um maço de Parquer ou Continental sem filtro ou mesmo um cigarrinho de palha recheado com carapiá e uma caixa de fósforos Ipiranga, era um ato de bravura que o transeunte fazia por medo… medo de não atender o pedido do preso e ser ‘marcado’ por ele. O bom mesmo era evitar passar pela Monsenhor Mendonça.

Era época em que os casais namoravam na sala – os mais íntimos iam para a cozinha tomar café quente e cheiroso com broa – sempre na presença dos pais da mocinha virgem, cada um numa ponta do sofá ou da mesa. Se o namoro fosse proibido, o mocinho esperava na esquina da rua de baixo ou na encruzilhada da estrada. Se a mocinha tivesse irmão e fossem amigos tudo era mais fácil. Mas se não se bicassem, o rapaz tinha que primeiro ‘domar’ o futuro cunhado para depois chegar ao pai da moça. Se o homem passasse dos vinte sem casar é porque tinha alguma doença… esterilidade talvez e já deixava de ser um bom partido. A menina se passasse dos 17, ou ia para o convento ou ficava para titia. A pequena frota de automóveis do município tinha apenas quatro carros de ‘praça’ e o único “motor” que rodava na cidade, nos fins de semana, era a Harley Davidson do Sr. Valdemar Moura. Pouso alegre era uma respeitável senhora de 107 anos com cerca de 30 mil alegres e pacatos filhos biológicos ou adotivos que atendia pelo charmoso e honroso epíteto de “Princesa do Sul”. Eu? Era ainda um mero sonho do jovem casal Eva/Daniel Ferreira de Matos. Era o ano da graça de N.S.Jesus Cristo de 1955.

A melhor vista panorâmica da cidade ficava justamente num local – que ironia!!! – onde os moradores já não podiam mais abrir os olhos; o antigo cemitério municipal no Alto das Cruzes. Sentado no seu portão podia-se contemplar o verdadeiro mar em que se transformava o bairro do Aterrado de dezembro a março, na época das chuvas. Atravessando a rua Carijós, da janela da casa do meu tio Joaquim Paula, podia-se ver o trem de ferro surgir lento e manhoso no bairro Belo Horizonte, sobre o rio Sapucaí e segui-lo com os olhos até que ele parasse, vinte minutos depois, fungando que nem cavalo velho e soltando canudos de fumaça branca pelas ventas da Maria Fumaça na estação da Avenida Brasil.

Foi ali mesmo, no Alto das Cruzes, no ‘triangulo geográfico’ formado pelas ruas São Pedro e Tupinambás – a Tupinambás sobe pela direita, passa por trás do Palácio da Carijós, antigo cemitério, depois Cemig e desce do outro lado até a João Vaz de Lima – que nasceu o mais famoso ‘triangulo amoroso’ de que se tem noticia em Pouso Alegre. Ou pelo menos o mais trágico. Na base do vértice morava a jovem donzela Jacira, pouco mais que uma menina, apenas 13 anos de pureza, beleza e sonhos. Na subida da Tupinambás o intrépido jovem Jesus Damasceno.

Para continuar lendo essa historia, acesse: “meninosquevicrescer.com.br.”.

 

 

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Soldado tropeça na ‘’pedra’ bege e cai… mas diz que é inocente

Passavam os policiais militares pela Avenida Mario Silveira no centro de Congonhal, quando avistaram dois guampudos com pinta de somongós se esgueirando pela via e resolveram fazer a abordagem. Os moços, que pelo andar da carruagem, tinham culpa no cartório, deixaram cair um objeto estranho e correram cada um para um lado. Não conseguiram vencer a correnteza e caíram nas malhas da lei. Ao voltarem ao local da tentativa de abordagem os policiais encontraram jogado ao chão um belo patuá com duas pedras beges fedorentas, suficientes para deixar doidões pelos menos 50 nóias. Gilberto Paulino de Vasconcelos, soldado engajado do exercito, 21 e R.A.O., 17 anos, alcunhado Zulu, já velho conhecido da policia por uso e trafico de drogas, juraram de pés juntos que a droga não lhes pertencia. Com cara de anjo ou não desceram no táxi do contribuinte para a delegacia Regional de Pouso Alegre e sentaram ao piano. Ainda jurando pela mãe da vizinha que eram inocentes e que nem se conheciam o soldado e o ‘dimenor’ Zulu assinaram o 33. O garotão, como é inimputável, apesar de ter se hospedado recentemente no Hotel do Juquinha por 90 dias pela pratica nefasta do aviãozinho, foi entregue ao Conselho Tutelar. Ja o soldado Vasconcelos, de família idônea, acima de qualquer suspeita, foi assistido pelo “Oficial de Dia” e levado para o 14 GAC. Se o homem da capa preta não acreditar em sua ladainha, ele poderá ser expulso das fileiras do exercito e responder criminalmente por trafico de drogas como um mortal comum. Será que são mesmo inocentes? Mas porque tentaram dobrar a serra do cajuru?

Mulher espera 15 dias pela ressurreição da mãe

Falando em cena macabra, outro dia, em 2006, aconteceu um fato interessante na capital da eletrônica. Não foi tão macabro quanto o esquartejamento em seis partes de Três Corações, mas daria enredo para um bom filme de terror. Dona T.M.M. 56 anos vivia com as filhas já titias – porque será que ficaram para titia ? – e a mãezinha já anciã numa viela do bairro Maristela. Vivia literalmente com as filhas e a mãe, pois não se relacionavam com ninguém na vizinhança, devido ao seu ‘genio dificil’, ou como a própria T.M. diria se fosse perguntada; “…porque eles são impuros”. Apesar de não ter nenhum contato com a estranha família, a não ser visual, um belo dia, vizinhos perceberam que a velhinha de 82 anos não aparecia mais nem na janela da casinha simples do beco. Passaram a observar melhor e começaram sentir um estranho cheiro no ar. Uma mistura de perfume com ervas queimadas e …. carniça. Pior, carniça humana. Teria a calada velhinha morrido? Teria ela sido esquartejada e enterrada no quintal? Os problemas da estranha T.M. eram dela, mas como vivemos em sociedade, alguém resolveu chamar a policia para sentir o cheiro também. Interpelada na porta da casa a domestica disse que sua mãe estava dormindo e relutou em deixar-nos entrar. Mas agora com a porta aberta, tínhamos certeza; algo não cheirava bem ali… Entramos na marra e o que vimos num quartinho dos fundos da singela e limpa casa causou arrepios e náuseas. Sobre a pequena cama de solteiro cuidadosamente forrada com lençol estampado, ornada com desenhos coloridos de quimera, cercada por vasos de flores artificiais, estava a anciã, plácida, calada e serena… morta há quinze dias.

Indagada sobre a cena, T.M. repetiu sem titubear que a mãe estava dormindo e poderia acordar a qualquer momento. E ainda acrescentou com convicção que a mãe não deveria ser imolada, pois poderia ser ‘contaminada’ pelos impuros… A retirada da velhinha putrefata da casa da filha, espalhando seu nefasto e inevitável odor pela vizinhança, exigiu escolta policial. Dois dias depois do enterro voltei ao local para intimar dona T.M., para prestar esclarecimentos  em I.P.  Ela ainda estava brava com o ‘seqüestro’ da mãe. Fincou os pés e disse que não iria atender a intimação. Que não estava sujeita às leis dos homens. A única lei que acataria era a do seu deus, o “Deus da Guerra” e só iria à delegacia se o seu Deus assim o permitisse. Mas arriscou-se à clássica pergunta; “E seu eu não for à delegacia, o que vai acontecer?” Como todo bom policial que não complica mas esclarece, respondi na virgula, com firmeza mas sem exasperação; “ Não se preocupe,  se a senhora não chegar às duas horas, às duas e dez estarei aqui na porta para lava-la no táxi do contribuinte” – Quase perguntei se precisava levar pulseiras de prata.

No dia seguinte quando abri a porta da delegacia às duas da tarde, dona T.M. estava lá com sua grande e surrada bolsa estampada a tiracolo, agarrada ao braço de uma filha taciturna. Fingiu que não me viu, mas logo que virei as costas, entrou atrás de mim e foi direto ao cartório do escrivão Erasmo prestar depoimento. Ela não cometera nenhum crime, nem mesmo vilipendio de cadáver. Sua mãezinha havia morrido de velha. Ela só tinha que ser avisada e mudar-se de cemitério. O homem da capa preta na certa deve ter pedido o arquivamento do processo e nunca mais ouvimos falar na mulher que queria ressuscitar a mãe depois de 15 dias… com incensos e preces ao ‘Senhor da Guerra’!!!

Cena macabra … cidadão é esquartejado, queimado e enterrado em pedaços na cova rasa.

Pessoas que passavam casualmente pelo bairro Feira de Gado nos arredores de Três Corações nesta terça feira depararam com uma cena de terror. Numa vala semi coberta estava o corpo de um homem ainda não identificado em adiantado estado de putrefação, só que… em vários pedaços!!! Pernas, braços e cabeça estavam jogados no fundo da vala e o tronco por cima. Com mais um requinte macabro… parcialmente queimados. Parte de um galão de plástico usado para o transporte da gasolina foi encontrado próximo. Como não é possível reconhecer o ‘inconfidente’ tostado, as partes putrefatas foram levadas para o IML da terra do Rei para coleta de DNA e comparação com arcada dentaria de possíveis desaparecidos na região. Os autores do macabro crime queimaram também qualquer pista que pudesse delatá-los.

2ª Corrida da FDSM acontece neste sábado, 3

A 2ª Corrida da Faculdade de Direito do Sul de Minas promete repetir o sucesso da primeira edição do evento.  A competição foi criada em 2009, em comemoração aos 50 anos da Faculdade, e reuniu atletas das cidades do Sul de Minas e interior de São Paulo: Pouso Alegre, Itajubá, Congonhal, Itatiba, Paraisópolis, Poços de Caldas, Santa Rita do Sapucaí, São Bento do Sapucaí, Três Corações e Sapucaí Mirim.

A Corrida 2011 seguirá o alto nível de organização de 2009, oferecendo total estrutura e apoio aos participantes – chip para registro oficial do percurso, serviço médico para eventuais emergências, acesso livre à quadra poliesportiva da FDSM para descanso e troca de roupas, água, frutas e segurança durante a prova. O diferencial deste ano será as duas modalidades de prova – trajetos de 5 km e 10 km – e o horário de realização, às 18h. Haverá premiação para as categorias Masculino, Feminino e Equipes (troféu) e medalhas para todos os participantes que cumprirem a prova. As vagas são limitadas – 300 participantes. Regulamento no site www.fdsm.edu.br .

A 2ª Corrida da FDSM conta com o patrocínio da CAIXA, Academia MEGA Fitness, Colégio Integral, Body Fitness, Click Confecção, Prefeitura, Câmara Municipal de Pouso Alegre, Integral Médica e Bemais Distribuidora de Bebidas Ltda. Inscrições podem ser realizadas na FDSM – 8h às 11h30, 13h às 17h30 e 19h às 22h30. Informações, www.fdsm.edu.br e 3449-8122.

FESTA MOVEMENT

Todos os participantes da 2ª Corrida da FDSM ganharão convite para a Festa MOVEMENT, a ser realizada no mesmo dia da competição no Salão Nobre da Faculdade. As atrações serão U2 Cover Brasil, E-Cox Live e DJ Jr. Pee. Ingressos à venda na Livromania, Tok Som, Psicodélica, Oficina do Acrílico, Império do Açaí, Mestiço Bar e FDSM.