Comeu maconha… esperou dois dias para c.. a prova do crime

Semana passada o assaltante Anderson  Pereira Lefol, o Ratão, passou – perdoe-me o termo – um tremendo cagaço, literalmente. Ficou dois dias sozinho numa cela de triagem no Hotel do Juquinha, vigiado o tempo todo, esperando… defecar.
Anderson Ratão, morador do Santa Luzia, cumpre pena por assalto à mão armada e como está ‘no bom comportamento’, faltando apenas dois meses para findar a pena, adquiriu o beneficio de trabalhar na fabrica de cadeiras nas dependências externas do presídio. Junto com o beneficio da lei, Ratão adquiriu também a incumbência ‘compulsória’ de outros presos de levar drogas para o interior das celas no final do expediente.
Funcionou assim; Alguém colocou um embrulho com 66 barangas de maconha na beira da tela do presídio. Ratão passou a mão leve e para passar pela revista diária, engoliu a erva marvada – Será que era pura ou era bosta de cavalo?!?
Para azar de Ratão, um agente percebeu quando ele fez a refeição proibida, o néctar dos nóias… Após passar uma tarde inteira, sem sucesso, no PS do Regional à base de lacto-purga ele foi colocado na cela separada até expelir a prova do crime. Depois de dois dias de dor de barriga, finalmente Anderson Ratão “vomitou’ a droga e pode voltar para o convívio com os demais presos. Antes porém ele foi sentar-se ao piano do delegado de plantão na DP onde assinou um 33. Faltavam dois meses para ele ganhar a liberdade, agora faltam 62 …
É como diria o egresso Cirilo Bola Sete em suas “aventuras e desventuras”; Antigamente era fácil pagar cadeia, hoje o sistema é cruel…

Nóia bonzinho … é traficante

O cidadão N.C. Pinheiro foi ‘apreendido’ na virada da noite de sábado na Alfredo Custodio de Paula, com pequenas porções de drogas variadas. N.C. explicou aos policiais que a droga era para uso próprio, pois é viciado.
– … Mas são três embrulhos diferentes, 73 gramas de pasta base de cocaína, 10 gramas e cocaína pura e 64 gramas de crack!!! Você pode sofrer uma overdose – questionou o delegado de plantão.
– …É que eu vou ao Forró do Preguinho e vou dividir com meus amigos Vitinho e Buzinho … – argüiu o aviãozinho.
Tudo bem. Mas ‘dividir’ e ‘distribuir’ são a mesma coisa e distribuir é um dos verbos da atividade “traficar”. Por isso o delegado sentou o delinqüente ao piano e o enquadrou no 33… Mas não pode trancafiá-lo no hotel do Juquinha, pois N.C.Pinheiro só tem 17 aninhos…

Jogou o trabuco fora e foi esconder debaixo da cama

Ao passar pela famosa Luiz Prudenciano Alves, no velho Texas, policiais militares avistaram o cidadão Wanderson Pereira Delfino com pinta de somongó. Antes mesmo da abordagem, Anderson jogou um objeto no quintal da casa 46 e tentou dobrar a serra do cajuru. Entrou num boteco ali perto e foi se esconder debaixo da cama da casa de dona Sonia Maria da Silva. Localizado, Wanderson recebeu pulseiras de prata e explicou que o embrulho atirado no quintal era um revolver Ina, calibre 32, que ele comprara há vários anos em BH para se defender, mas sempre o deixava escondido no mato.
O moço de 22 anos pagou fiança de R$622 e voltou para casa… desarmado. Será que vai passar o resto da vida debaixo da cama…!!!

Maria da Penha abraça mais um valentão…

Juarez Campos Silveira 36 e Claudia Vaz de Lima, 37 vivem ‘meio’ maritalmente há 18 anos… em casas separados. Tem dois filhos, de 12 e 14 anos mas neste período viveram sob o mesmo teto apenas 8 meses. Segundo ela, é para preservar a incompatibilidade de hábitos, pois Juarez é muito beberrão. Ontem no entanto, depois de mais um encontro com loira gelada,  Juarez queria levar a morena Claudia para quatro paredes, na marra…
Mais uma vez se desentenderam. Juarez perdeu as estribeiras e passou a ameaçar a cara-metade – metade mesmo – dizendo que iria quebrar seu carro. Os homens da lei foram chamados e o casal desceu de Ouro Fino para Pouso Alegre para sentar ao piano do delegado de plantão e assinar o 147. Como não tinha os R$ 1.ooo mil reais para pagar a fiança, Juarez foi curtir a solidão do velho hotel Menino da Porteira. Ele está acostumado…

Marcelo Rios… outra vez sem celular

Semana passada o cidadão Marcelo de Almeida Rios, chamou a policia para dar queixa de roubo do seu aparelho celular – ver matéria Andrezinho toma celular na tora e ameaça matar – e contou que o meliante havia tomado seu aparelho. Ontem ele chamou a policia novamente, desta vez no Texas e repetiu a queixa, mas contou historia diferente. Disse que desceu ao velho Aterrado para comprar drogas para uso e acabou sendo extorquido;
-… Eu fui comprar uma baranga de farinha na Oscar Dantas… O garoto apareceu, pegou meus dez reais e foi buscar, mas pegou também meu celular. Depois voltou com umas pedras de crack… Mas eu não queria pedra, eu queria farinha, e ele não devolveu meu celular…
A PM prontamente localizou o ‘avião’ Marino Salvador Dias, o qual deu uma de ‘João sem braço’ e devolveu o aparelho celular.
Como a historia estava por demais obnubilada, Marcelo, Salvador, o aparelhinho e a historia mal contada foram parar na DP. Todos foram liberados, menos o aparelhinho da discórdia…
Semana que vem, qual será a historia do moço…??

Michele morreu por overdose de cocaina na vagina

Morreu na manha deste domingo a jovem Michele de Cássia Santos, vitima de overdose de farinha do capeta. Ela estava na fila de visitantes do Hotel do Juquinha esperando ser revistada para visitar o namorado Daniel Silva Alves o Dany Boy, no sábado, quando passou mal e foi levada para o pronto socorro do Regional. Os médicos constataram intoxicação acidental aguda por drogas. Michele havia inserido três porções de cocaína no corpo, uma na vagina e duas no reto. A droga estava envolta em pedaços de luvas de borrachas e uma delas se rompeu. A farinha rapidamente se espalhou na corrente sanguínea causando a intoxicação.
Esta modalidade de trafico de drogas para o interior dos presídios tem se tornado rotina Brasil afora. No velho hotel da Silvestre Ferraz onde a visita semanal era coletiva – todos os presos eram colocados no pateo para receber os familiares – era comum encontrarmos vômitos e fezes no chão do banheiro, onde os ‘mulas’ – e bestas – expeliam a droga que naturalmente escapavam da revista feita pelos policiais. Óbitos com este tipo de overdose também tem se tornado corriqueiro.
Michele de Cássia no entanto, parecia ignorar o perigo. Aliás, se perigo fazia parte do dicionário da jovem nascida em outubro de 79 e criada no velho Aterrado, no submundo do crime, ela brincava e zombava dele.  Michele começou a ‘caminhada’ no crime ainda na adolescência. Pequenos furtos em lojas do centro eram sua especialidade. Por vários anos, o ‘gay’ Paulo Sergio de Freitas, o ‘Ginho’, foi seu parceiro inseparável. A parte mais interessante da aventura ilegal e perigosa era justamente quando enroscavam nas malhas da lei e eram levados para a DP. Mesmo de ‘orelhas quentes’, chegavam dando risadas e debochando das vitimas, pois sabiam que depois de um chá de banco e alguns sermões do delegado e às vezes do promotor da infância e juventude, voltariam para a rua. Pareciam se divertir. Conselhos das autoridades e advertências dos policiais de que quando chegassem aos 18 anos, o caldo engrossaria, foram todos inúteis. Ginho virou homem – homem ? – e há anos se hospeda no Hotel do Juquinha. Michele passou de menina a mulher, aliás uma procriadeira de colo cheio… Aos 32 anos tem 08 filhos imberbes, uma ‘escadinha’… Do primeiro companheiro Edvaldo “Neném” – morto há quatro anos no trafico – são três. Com Dany Boy, que vive de uma cadeia para outra desde o final da década de 90, ela tem outros tantos. Os demais desconhecemos a paternidade.
Um levantamento estatístico prisional publicado ano passado pela revista Veja, mostrou que cerca de 90% da mulheres que hoje curtem o sol quadrado, estão envolvidas com o trafico de drogas. A quase totalidade foi parar atrás das grades levando drogas para seus maridos, companheiros e filhos. O detalhe mais interessante é que quando eles estão presos elas vão visitá-los e arriscam a vida e a liberdade levando drogas e celulares para eles, dentro do próprio corpo. Quando elas estão presas e eles saem, não passam nem na porta do presídio…
Semana passada encontrei casualmente Daniel Silva Alves, o Dany Boy na delegacia regional. Ele fora ali prestar esclarecimentos sobre um patuá de crack que circulava sem dono na ponta de uma “tereza” pelos corredores do hotel do Juquinha. O “Menino que vi crescer”, com o sorriso habitual perguntou: “E aí, Chips… Quando você vai escrever minha historia?” Ele tem mesmo historia para contar…
Dany Boy acaba de acrescentar mais uma capitulo especial a ela. Michele de Cássia, sua fiel escudeira, deu a vida – torta – por ele…

Voce fuma Maconha ou bosta de cavalo?

Muito se tem falado em maconha ultimamente. Principalmente no sentido de sua legalização ou descriminalização. E, querendo ou não a erva marvada pode recuperar seu antigo nome, como era conhecida há dois mil anos: erva santa. Até pouco tempo usar uma camiseta com foto da folha de cannabis estampada ou chaveiro, dava cana… era apologia ao crime. Agora as “marchas para a maconha” levam milhares de maconheiros e simpatizantes para a rua, ‘numa boa’.
Bem, sem entrar no mérito da questão, vejamos um pouco de sua – controversa – historia.
Até o século XX a maconha era mais famosa nas Américas como fibra têxtil e como planta medicinal. De meados do século XIX até os anos 40 a maconha constava na farmacopéia oficial de vários países. Remédios a base de maconha eram encontrados em qualquer farmácia. No ocidente a maconha começou a ser usada como psicotrópico por escritores e artistas no século XIX, como os poetas franceses Rimbaud e Baudelaire, mas sua utilização restringia-se a pequenos círculos boêmios das grandes cidades e as colônias de imigrantes asiáticos e africanos.
Em meados do século XX, porém, os cientistas identificaram os efeitos colaterais da maconha e seu uso acabou restringido ou excluído nas farmacopéias, sendo proibido por lei em vários países. O consumo da maconha, entretanto, passou a ser disseminado no mundo nos anos 60. A difusão do Rock e de Woodstock, bem como o avanço hippie em muito colaborou para que a maconha se espalhasse pelos Estados Unidos e desde este país fosse disseminada para o mundo todo.
Seu uso era freqüente entre as classes mais baixas e mais tarde foi difundido entre os jovens de todas as classes. Na década de 1960 a maconha era usada em shows de rock, juntamente com outras drogas e atingiu grande abrangência entre os jovens, sendo inclusive usada por soldados americanos na Guerra do Vietnã. No Brasil a droga é usada principalmente pela população jovem de classe baixa, média e alta. Nos últimos anos as estatísticas mostram que a maconha está sempre entre as drogas ilícitas mais consumidas pelos jovens estudantes colegiais e universitários.
Em todos os estudos feitos até agora, não se conseguiu provar se a maconha causa dependência psíquica ou não. Mas uma coisa é certa, certíssima, tão certa quanto você estar lendo esta matéria neste momento… a maconha causa dependência “social”. Quando o organismo do sujeito se ‘acostuma’ com a droga e não encontra nela mais o prazer do inicio, ele não para com as drogas. Ele não pode cometer a fraqueza, o vexame perante os amigos, de virar ‘careta’, por isso ele busca outra mais forte. O Crack, a cocaína, o haxixe…
O assunto é vasto e só peguei na pena, quero dizer, no mouse, para falar da parte hilária da droga… na qualidade da famigerada erva santa…
São mais de 60 substâncias que se encontram presentes na maconha, chamadas pelo nome genérico de canabióides. O tetrahidrocanabiol é a substância preponderante e o principal princípio ativo da maconha. Também é conhecido o delta 9 tetrahidrocanabiol. Sua concentração varia de 1% a 5% na maconha comum e de até 33% na supermaconha conhecida ultimamente como skunk, produzida no Marrocos, Afeganistão e Egito.
Além do cheiro característico, parecido com queima de qualquer capim verde, que identifica tanto a própria quanto seus usuários, a maconha, por ser proibida por lei, não sofre qualquer tipo de controle de qualidade. Não existe qualquer fiscalização pública ou privada. O risco é inerente ao negócio. O que vale é o lucro.
Ano passado, durante busca e apreensão de armas e drogas num muquifo em Juruaia, a capital da Lingerie, a policia militar encontrou 300 gramas de estrume de vaca, bem guardadinha no guarda roupa. A bosta desidratada seria misturada na maconha e vendida aos nóias da cidade…
Em 1997 a Polícia Federal de Santa Catarina apreendeu um traficante na Grande Florianópolis, com dois mil quilos de maconha.
O procedimento policial, neste caso, é levar o indivíduo para a delegacia e a droga para o laboratório. Somente após o laboratório confirmar que se trata de droga, o que se faz pela análise da presença do princípio ativo, o delegado registra a ocorrência policial.
Procedido o exame do material, não constatou-se o princípio ativo. Feito novo exame, com outra amostra, não apareceu o THC. Levada uma amostra, com urgência para o laboratório central da Polícia Federal, que tem mais recursos de investigação, confirmou-se que não era maconha.
Instado a se pronunciar, o detido informou que “realmente havia iniciado vendendo maconha pura, mas como a polícia tornava as coisas muito difíceis, havia começado a misturar bosta de cavalo. Tendo havido aceitação e elogios dos consumidores, que não sabiam da mistura, foi aumentando a parte de bosta e, para surpresa geral, informou que hoje vende bosta pura.
Se alguém que você conhece, usa maconha há algum tempo e diz que não sente nenhum prejuízo com o uso, pergunte-se: o que será que ele está fumando realmente… Maconha ou bosta de cavalo… ?!?!?

Noite de fúria em Monte Sião

A jovem Fabiana Munis Santos, 31, passou momentos de desespero e terror no inicio desta madrugada na Capital das Malhas. Ela dividiu os cobertores com o comerciante Denisson Ricardo de Jesus Beloni, 33, mas – por que será ? – o romance acabou e cada um seguiu seu rumo. Quer dizer, ela está tentando seguir sozinha… ele insiste em seguir junto!!
No final da noite de ontem ele foi “… à casa dela ai, ai… falar do seu amor pra ela, vai…” e não conseguiu “se segurar…”
Ou ouvir batidas na porta Fabiana saiu na sacada, viu que era o ex-amasio e recusou-se a abrir a porta. Disposto a entrar na marra Denisson pegou um paralelepípedo e arrombou a porta na pedrada. Ao chegar até a ex-cara metade no segundo andar do predio, tomou-lhe o celular através do qual ela pedia socorro à policia e o esmagou no chão. Não satisfeito desceu para a cozinha dizendo que iria pegar uma faca para cortar seu pescoço. Nesta hora o desespero bateu forte e Fabiana pediu socorro a toda vizinhança. Quase pulou a sacada. Quando os homens da lei chegaram, o preterido no coração da moça continuou fazendo juras… de separar sua cabeça do corpo…
No piano do delegado de plantão em Pouso Alegre – o leitor já sabe: todo B.O. que começa nas cidades da região depois do expediente e finais de semana, termina na Delegacia Regional, pois nas comarcas não tem delegado – Denisson assinou três artigos leves do CP; 150, 163 e 147, apimentados por “Maria da Penha, a Defensora das Mulheres Oprimidas”. Na hora de arbitrar fiança, a caneta do manjura, no entanto, foi mais pesada que as penas de violação de domicilio, danos e ameaças; R$ 5 mil reais. O furioso de Monte Sião não tinha tanto dinheiro no bolso… Por isso foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

Delinquente toma 6 tiros na bunda em Passos

Os homicídios na bela Passos deram uma trégua. Apesar de três tentativas, apenas um passense bateu à porta de São Pedro pedindo hospedagem eterna este ano. Ainda assim três dias depois de receber uma saraivada de balas do enteado de 14 anos.
A distribuição de drogas, furtos, roubos de toda espécie na cidade, continua e vento em popa, praticados especialmente por adolescentes. O ultimo roubo com serias conseqüências para o abusado delinqüente aconteceu anteontem num posto de combustíveis do bairro Santa Luzia. Um garotinho de 14 anos chegou ao posto, sacou um mirrado Rossinho 22, apontou para o frentista V.A.D. e exigiu a bufunfa. Que azar!!! Local errado, hora errada… Naquele momento um policial militar à paisana estava abastecendo sua motoca e naturalmente tentou evitar o crime. O garotinho, no entanto não se fez de rogado, virou-se para o policial e puxou o gatilho. Que azar, de novo … os tiros não saíram e o jeito foi desistir do assalto e passar sebo nas canelas.
Mas, se o vintedoezinho do assaltante não vomitou azeitonas quentes, a 380 do PM vomitou! E como vomitou!!! Seis balaços acertaram pernas e bumbum do aprendiz de meliante, que tombou ferido 30 metros depois.
Quando a equipe de policiais chegou ao local para registrar o fato e “prender” o policial bom de pontaria, descobriu-se que o menor chegara ao posto numa motoca Honda Titan azul, furtada três dias antes na cidade. Duas horas antes de tentar o frustrado assalto ao posto de combustíveis, o arremedo de assaltante havia realizado outro roubo com sucesso a um boteco do bairro Cohab V, de onde levara R$250.
O garotão do traseiro furado, figurinha carimbada no álbum da policia, por furtos, danos, roubos e avião de drogas, foi levado para o PS pelo corpo e bombeiros para retiradas das balas do bumbum. Por um bom tempo ele não poderá sentar-se em moto roubada…

Miguel Mira, um larapio maduro…

Miguel Ribeiro Mira é o tipo de meliante que caminha na contramão da estatística criminal. Enquanto a imensa maioria dos infratores da lei começa a espinhosa ‘caminhada’ criminosa ainda na adolescência, ele pegou a encruzilhada do crime já maduro, barbado, coroa, já descendo a serra. Há quase seis anos quando cheguei para trabalhar em Santa Rita do Sapucaí, Miguel Mira já havia soprado 55 velinhas e estava na mira da lei por suspeita de furtos em sítios e ranchos no bairro do Funil.
Quando peguei uma intimação para entregar-lhe em seu sitio na Ponte do Rio Rennó, meu padrinho Benicio advertiu;
– Esta é a enésima intimação que levamos. Ele não atendeu a nenhuma delas.
Diante da conjuntura resolvi levar então um mandado de condução coercitiva e trazer o desobediente junto com a intimação. Parecia fácil. Ao ouvir nosso chamado na porta do seu casebre escancarado, o coroa ficou mudo. Quando entramos pela porta, ele saiu sorrateiramente pela janela e disparou a correr pela antiga linha férrea. Em seguida embrenhou-se num capituveiro em direção ao rio Sapucaí. Dois dias antes, ao subir num caquizeiro na fazenda do Norton, eu havia torcido o tornoze-lo e estava pisando só o suficiente para andar. Mesmo assim a teimosia me desafiou e fui atrás, correndo com uma perna, manquitolando com a outra … e perdendo terreno. Não acreditei que não daria conta de um velhote de 55 anos. Não dei. Quando cheguei à beira do rio, Miguel Mira já navegava sereno rio abaixo numa canoa que deixara estrategicamente amarrada sob o frondoso ingazeiro. Ele cairia brevemente nas malhas da lei e veria o sol nascer quadrado, mas antes, era preciso amansar o pássaro arredio.
Duas semanas depois voltamos para o café da manha. O tornozelo já estava curado, caso fosse preciso, mas não foi. Levamos conosco o maior aliado da policia, o fator surpresa. Paramos a viatura bem distante, na beira da rodovia e chegamos a pé. As galinhas mais preguiçosas ainda não haviam descido do poleiro. Mas Miguel Mira, ‘gato escaldado’ não costuma cair deitado, já estava no fundo do quintal ao lado de uma pedra apoiada num tronco fincado no chão, amolando um facão. Quando Benicio e Kleber surgiram cada um num canto da casa e disseram com calma e segurança;
– Bom dia ‘seu’ Miguel”, levantou antes das galinhas…
Ao ouvir a voz conhecida do Benicio, o coroa que tinha culpa no cartório, virou-se instintivamente no calcanhar para embrenhar-se outra vez no mato ou quem sabe pular no rio a poucos metros de onde estava. Tarde demais. Eu estava três metros atrás dele, placidamente encostado numa moita de bambu Açu amarelo, apontando o trezoitão para seu enferrujado facão Tramontina.
Esta foi uma típica “Operação Café da Manhã com Meliantes” entre tantas que fizemos em Santa Rita. E foi mais original. A água adoçada fervia no pequeno fogão a lenha na sombria cozinha do nosso preso e como ele estava ‘segurando’ as pulseiras de prata para nós, acabamos de passar o café para ele e tomamos juntos antes de voltar para a delegacia. Depois de sentar-se ao piano e jurar de pés juntos que era inocente, quase um santo, Miguel Mira foi liberado e desse dia em diante, agora que não precisávamos mais dele, trombávamos com ele quase toda hora pedalando sua bicicleta vermelha velha em cada esquina da cidade.
Pois é. O coroa ficou tão manso de gaiola que tomou gosto novamente pela coisa alheia. E evoluiu. Não quer mais saber de canoa ou bicicletas velhas. Seu negocio agora é motoca. Outro dia à tardinha, amigos ocultos da lei digitaram o 190 e avisaram que um cidadão com pinta de somongó estava tentando arrancar a placa de uma motocicleta Factor vermelha às margens da BR 459. Os homens da lei foram checar a denuncia anônima e depararam com meu velho amigo Miguel Mira com a mão na massa. E ele não se fez de rogado. Ao ver a aproximação da viatura policial apelou para o velho estilo; embrenhou-se na capoeira. Para azar dele, desta vez não havia ninguém com tornoze-lo machucado. Miguel Ribeiro Mira, 60 anos, tentou tapar o sol com a peneira, dizendo que alguém havia deixado a motocicleta abandonada ali perto de sua casa e ele queria apenas guardá-la. A motoca vermelha fora furtada perto de Itajubá dias antes.
Tanto furto quanto receptação de rês furtiva tem o mesmo peso no código penal; de 2 a 8 anos de cana. Desta vez não teve choro nem vela e em fita amarela, Miguel Mira sentou-se ao piano da delegada Stella Reis e foi se hospedar no hotel Recanto das Margaridas, desde então não tenho mais trombado com o ressabiado e maduro Miguel Mira nas ruas da cidade.