Dia das almas… Dia de lavar a alma…

Ontem, Dia de Finados, resolvemos ‘renascer’… Fomos buscar novas energias junto à natureza. Percorremos colinas, vales, grotas, campos e matas do município de Congonhal. Além de ver nossa querida terra natal por um angulo diferente do costumeiro, pudemos sentir o cheiro gostoso do mato e das flores silvestres.

Vimos que a natureza resiste bravamente à ação do homem e à sua própria força antagônica. Em alguns pontos a água que antes brotava cristalina entre pedras e juncos, foi vencida pela longa estiagem. Noutros, explicável apenas por milagre, ela escorre como uma benção, formando pequenos poços onde as aves vem se banhar, e escorre pelas grotas ladeada por uma restinga verde-ouro. Em alguns pontos de colinas e grotas mais distantes, capões inteiros de matas nativas foram ao chão. Uns pela ação da própria natureza, como raios, ventos e incêndio. Outros pela ganância do homem que preferiu umas moitas de capim braquiaria a mais para alimentar o gado!

Vimos animais domésticos e alguns silvestres. Curiosamente, em vários quilômetros de caminhada durante mais de oito horas, não esbarramos em nenhuma cobra.

O ponto alto da caminhava foi o encontro de dois filhotes implumes de tucanos, inteligentemente protegidos no oco de uma arvore a vários metros do chão, de onde a zelosa mãe tem uma vista privilegiada.

Foi um Dia das Almas… de lavar a alma!!!

Mais um cadáver é ‘pescado’ no Rio Mandu

A pescaria macabra aconteceu no final da tarde quente de domingo, 28, no velho e poluído Rio Mandu, atrás do SESI, no velho Aterrado. Enroscado numa galhada, o corpo em decomposição passaria despercebido a qualquer um, não fosse o cheio nauseabundo e putrefato que exalava, misturando-se a outros tantos cheiros desagradáveis da beira do rio.

O local é freqüentado por nóias, mendigos e outros desocupados que passam pela estreita restinga espremida entre o rio e o muro do SESI … e ali deixam seus lixos e dejetos. Somente quando sentou-se no barranco em uma clareira e lançou a minhoca na água, foi que o pescador percebeu que o mau cheiro estava além do normal. Ao olhar para sua esquerda, viu, enroscado nos galhos de um ‘chorão’ que beijava a água, o corpo de um homem em putrefação. Aliás, o que restava dele…!

Segundo o perito Maciel, da Policia Civil, que esteve no local para os levantamentos iniciais, o corpo que vestia camiseta, cueca, bermuda e um pé de tênis, estava na água entre 4 e seis semanas. Não há mais vísceras, quase não há  músculos… Peixes e crustáceos já fizeram o banquete! Não há como reconhecer o cadáver… Não há mais fisionomia!  Sem necropsia não há também como detectar a ‘causa mortis’.

Como não há identificação e nem comunicação de desaparecimento nas ultimas semanas em Pouso Alegre, o corpo, pele e osso – quase uma ossada – foi sepultado em cova rasa.

Estivemos no local onde o cadáver foi encontrado, a pouco mais de 100 metros da ponte do velho Mandu. Ponte esta que há anos serve de abrigo e moradia de mendigos, nóias e desajustados, alguns com famílias e residências fixas na cidade, outros sem eira & nem beira… O corpo putrefato do pé do ‘chorão’ pode ser de um deles.

No dia 24 de janeiro transeuntes da “Diquinha” encontraram o corpo da ex-prostituta, ex- traficante e nóia Márcia Aparecida Silva, boiando um pouco mais abaixo, no mesmo Mandu. Ela fora assassinada a pauladas e desovada nas águas sujas do rio. Foi o único homicídio insolúvel do ano de 2012.

Quem apagou a vida de Márcia… nunca soubemos!  Quanto ao corpo putrefato do pé do ‘chorão’ atrás do SESI, não sabemos a quem pertence, não sabemos quem morreu!!!… Não sabemos por quem chorar….

 

Veio buscar droga para os amigos … Ficou hospedado no Hotel do Juquinha

No inicio da tarde de ontem o cidadão Claudinei Ângelo Pinto, 31 anos, morador de Lambari convidou a ex-companheira Priscila Vieira Cecílio Lopes, 21, com quem tem uma filha de 7 anos, para ir passear em Pouso Alegre…

-O que você vai fazer lá? – Quis saber Priscila

– Vou visitar um amigo no Aterrado – Respondeu ele sem muita convicção.

– Ah, preciso comprar uma bicicleta para nossa filhinha, vou com você…

Chegando à rodoviária, se despediram e enquanto Priscila subia a Dr. Lisboa cotando bicicleta pink infantil, Claudinei Ângelo – anjo mentirooooso! – foi visitar o ‘amigo’ no Aterrado… Deixou lá quinhentos reais com o ‘amigo’ e voltou para a rodoviária para se encontrar com a ex-amasia.

Painel do site

Quando o casal ia embarcar no ônibus da Gardênia de volta para o Circuito das Águas, os homens da lei apareceram! Um amigo oculto da lei havia avisado que Claudinei Ângelo estava com a cueca recheada de pedra bege fedorenta. Levados para o posto policial do terminal rodoviário, o casal foi convidado a fazer ‘streep tease’… Quando a ultima peça do vestuário de Claudinei caiu, um pacote de crack caiu junto…

Assustada Priscila foi logo explicando:

– Eu não sabia que ele ia comprar droga! Se soubesse dava um couro nele! Tenho nojo do cheiro…!

O bagrinho ensaboado de Lambari explicou que a droga era dele e de outros 4 amigos, para queimar na beira do Lago do Cassino! Cada um havia investido R$ 100 reais na aquisição da droga… Mas somente Claudinei conseguiu hospedagem gratuita no Hotel do Juquinha, depois de assinar o 33…

 

Em briga de marido & mulher, quem mete a colher… Leva faca!

Aldemir Luiz da Rocha, 45 e S.M.Tertuliano, tem um relacionamento, digamos… ‘colorido’, do tipo “tapas & beijos”… Ao pé da noite desta terça 30, eles trocaram farpas & espinhos e o relacionamento descambou para os ‘tapas’…

Jose Roberto Monteiro da Silva, que mora sob o mesmo teto que Aldemir, embora não tivesse nada a ver com a briga do casal, não podia deixar passar a oportunidade de exercitar o cavalheirismo… Tomou partido da amiga S.M…. E quase tomou também facadas. Aliás, alguns golpes acertaram seu peito e suas costas, de raspão. Depois de passar pelo pronto socorro com alguns arranhões no costado, o trio foi parar na delegacia.

S.M.Tertuliano, apesar dos arranhões dispensou os préstimos de “Maria da Penha”. Não quis processar Aldemir, mas Jose Roberto não deixou barato, representou contra o amigo!

Como o leitor já sabe o delito de lesão corporal, previsto no artigo 129 do Código Penal, tem um peso e duas medidas… Se a vitima é “mulher”, o valentão se enquadra na Lei 11.340 e vai em cana… Se a vitima é “homem”, o mesmo valentão se enquadra na Lei 9.099, tem audiência previamente agendada com o homem da capa preta, mas continua livre, leve e solto!

Assim sendo, Aldemir poderia voltar para casa no velho Aterrado e continuar seu destempero com a ‘namorada’ e o amigo, porém… Ele tinha em seu desfavor um mandado de prisão preventiva oriundo da Comarca de Borda da Mata, por descumprimento de intimação judicial!

Para garantir que Aldemir estará presente na próxima audiência, ele ficará hospedado no Hotel do Juquinha até o dia 24 de janeiro!

 

Fiat Uno em zig-zag pela avenida…

        A culpa era do “molcinete”, seu delegado!

         Uma equipe da Guarda Municipal que descia do Aeroporto para o centro da cidade, ao pé da noite desta segunda, 29, percebeu uma cena que vem se tornando corriqueira nos dias de hoje… Um veiculo trafegando em zig-zag pela pista da Pref. Olavo G. de Oliveira. O Uno verde 94, até que não corria muito, mas vinha trocando as pernas, quero dizer, as rodas, ora lá ora cá e pegando atalho pelo passeio. Se tivesse tinta fresca nos pneus teria deixado um traçado bem interessante!!!

Convidado pelos guardas, o motorista Éderson Ney Rodrigues parou o possante no acostamento e aguardou a chegada dos policiais para soprar o bafômetro.

Onze vírgula oito decigramas de álcool por litro no sangue do piloto era a causa das rodas bambas do Fiat Uno. O passageiro Fernando Jose dos Santos disse que o problema não eram as loiras geladas que haviam abraçado no Chapadão, mas sim a “molcinete” do carro que estava quebrada por isso o Uno andava em zig-zag!!!

Um salário de fiança, despesas de guincho, honorários advocatícios, 7 pontos na carteira e ainda prestação de serviços comunitários ou cestas básicas… Isso é o que espera Éderson Ney Rodrigues. Teria ficado bem mais barato se tivesse trocado a homocinética do velho uninho!!!

 

 

Policia Militar interagindo com a população…

20º BPM realiza o ACISO do Bairro São Geraldo

As Ações Cívico-Sociais ou ACISO são atividades realizadas pela Polícia Militar para prover assistência e auxílio a comunidades, desenvolvendo o espírito cívico e comunitário dos cidadãos, para resolver problemas imediatos e prementes.

O 20º Batalhão de Polícia Militar dentro das comemorações de seu Jubileu de Prata, “Aniversário de 30 anos de sua instalação na cidade de Pouso Alegre” realizou neste sábado, 27 de outubro, uma Ação Cívico Social para os moradores do Bairro São Geraldo, levando a comunidade local um ato de promoção de solidariedade, cidadania, paz social e segurança.

Participaram da Ação Cívico Social parceiros, amigos e órgãos envolvidos no Sistema de Defesa Social, que ocorreu na Policlínica Municipal do Bairro São Geraldo, onde as crianças se divertiram com os brinquedos, com os passeios nos cavalos utilizados pela cavalaria da PMMG, distribuíção de sorvetes, refrigerantes, pipoca doce, balas e pirulitos, além dos sorteios de cestas básicas, caixas de leite, vale gás e mochilas escolares. A comunidade contou com serviços de atendimento do Conselho Tutelar, corte de cabelos, dicas para cuidados com animais de estimação e orientações para com a saúde.


A Banda do 20º BPM, o grupo de escoteiros de Pouso Alegre e os mascotes “PM Amigo Legal”, e Dare, do Proerd, proporcionaram alegria e diversão aos participantes do evento.

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS
“237 anos construindo cidadania ao lado do povo mineiro”
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL DO 20º BPM

 

Zeca Juru, o bom matuto … e os ‘cortes do Orçamento’

Antes que eu batesse palmas, Filó apareceu na janela com uma faca e uma mandioca na mão e foi logo dizendo;

– Graças a Deus que o sinhor apareceu, seo Chips. O Zeca já não agüentava mais sem conversar com o sinhor. Ele só tava esperando o sol entrar pra ir pra cidade procurar o sinhor…

– Mas, e porque esta ansiedade toda…?

– Ara, o sinhor cunhece o Zeca! O sinhor sabe a quantia que ele gosta de conversar com sinhor… E faiz um naco de tempo que o sinhô numa aparece…!!

– E onde está ele, Filó?

– Oi lá no arto da colina, encostado no pé daquele Ipê rosa. Ta isperando o sór se pôr! – Emendou Filó se inclinando na janela com a mandioca-pão já quase descascada na mão.

Segui beirando a cerca de taquara que separa o quintal do pastinho, peguei um trilho batido entre duas frondosas mangueiras, atravessei uma pinguela feita de tora de eucalipto deitada sobre o ribeirão que descia rápido e límpido, subi por uma encosta suave e cheguei ao cume da pequena colina, pouco mais que uma ondulação do terreno. Lá atrás a casinha branca, de varanda adornada por Primaveras e Jasmins já ganhava contornos sombrios. Ali, do alto da pequena colina ainda se via os últimos raios do sol. Aliás, metade, pois a outra já havia se enterrado na Serra do Cajuru. Percebendo minha respiração ofegante, sem olhar para mim, Zeca Juru fez um gesto com o braço, indicando-me uma moita meio russa de capim de égua. Sentei-me em silencio. Zeca Juru podia estar ansioso para me ver e conversar comigo, mas sua ansiedade podia esperar. O sol, não. Em poucos segundos ficaria somente o clarão vermelho, depois rosado, azulado, turvo até escurecer. Nenhum de nós tinha certeza se o veria no dia seguinte! Tão logo a bola de fogo se escondeu atrás da serra, como se estivesse esperando terminar uma oração, Zeca Juru virou-se pra mim…

– Discurpe, seo Chips, o sór de hoje… só hoje! Mais me conta, cumé qui o sinhor tá? Tomou chá de chumiço. E a política? O que o sinhor achô?

– Estou ótimo como sempre, Zeca. Depois que a gente aposenta, tem muito mais o que fazer. A política? Não há nada de novo…! Você que é mais observador, o que está vendo?

– Eu tamém num to vendo nada de novo, não, sêo Chips… Primero, aconteceu o que tava previsto. O povo quiria gente nova na política, mais num tinha…

– Como não tinha? E o Douglas?

-… Mais aí era novo dimais, tamém, né e o povão num querditô! Entre o Enéias e o Agnardo, como não tinha opção, o qui deferenciô foi a rejeição…

– Como assim Zeca?

– Ah, o sinhor sabe sêo Chips, o Enéias sempre foi um sujeito de bão coração, mais quando tava no poder num tinha muita paciência co povo, não. Tratava meio cum casca e tudo, por isso ganhô fama de temperamentar e antipático… É o povo qui fala! I dispois, seo Chips, toda a veia guarda da política tava com ele. O qui é bão nas pessoas ninguém lembra, mais as coisa ruim fica guardada… A rejeição era grande…!

– Mas e a rejeição do Agnaldo…?

-… Era mais pequena, ué! Além do mais, com as obras começada ô anunciada no ano de eleição, cum verba do governo federar, o povo de animô… O Agnardo tinha a faca e o quejo na mão… era só cortá, servi e inchê a barriga! Quem tá no poder, inda mais sendo do lado da presidente, só se fô muito ruim p’ra perder eleição! E ele num é tão ruim assim, né, sêo Chips?

– Bem…

– Mais tem uma coisa qui eu num to intendeno… É verdade mesmo que a prefeitura ta cortando dispesa p’ra fechar o ano sem dívida?

– Isso mesmo.

– … ta cortano hora extra dos funcionários?

– Isso mesmo.

– nas repartição publica não tem mais cafezinho, nem pão..?

– É o que dizem.

– água, só de tornera..?

-Sim.

– Tem instituição mantida pela prefeitura qui não vai mais receber nem alimento este res’diano?

– É o que dizem

– No Pronto Atendimento do São Gerardo só vai tê medico das sete a uma da tarde?

– Isso mesmo.

– Merenda escolar tamém só no ano que vem…???

– Sim.

– Mais num foi coisas destipo que o Eneias feiz dispois da eleição de 2004 e agora foi rejeitado?

– Exatamente isso…

– Mais intão, daqui há oito anos quando o Agnardo fô candidato di novo…

-… O povão já esqueceu tudo, Zeca Juru!

– Discurpe, sêo Chips… Eu to meio bobaiado! Nun to querditano nisso! Mi ajuda intendê!

– Ajudo…

– O Agnardo num ganhô a eleição falando qui feiz mundos e fundos pela educação e pela saúde… e qui ia dobrá o atendimento …?

– Sim Zeca Juru, mas é necessário ajustar o Orçamento do município! Com estas medidas a prefeitura vai economizar mais de dois milhões até o final de dezembro. Essa redução de alimentos, água, café, atendimento medico, hora extra para os funcionários e outras economias não vão matar ninguém…

– Pêra um poco, péééra um poco…! Pêra aí, sêo Chips, que o sinhor ta embolando o meio de campo aqui na minha cachola. O tico e o teco tão quase pegano no tapa aqui na minha cabeça! Dexa eu intendê… Si dá p’ra cortá os gastos superfo neste dois meses e poco i ninguém morrê, quer dizer qui dá tamém p’ra cortar nos nove meses e tanto qui ninguém morre, né…!?

– Teoricamente…

– Si em dois meses i poco economiza mais de dois milhão, em um ano dá pra economizá doze milhão, certo?

– É…

– Maisintão sêo Chips,  de acordo com o tico e o teco aqui na minha cabeça, esses deis milhão que a prefeitura gastô até meados de outubro, num precisava te gastado, uai…?!

Um longo silencio. Até que Zeca Juru dispara…

– E eu fazendo piadinha, falando que queria eleição todo ano!!! Já pensô se tivesse eleição todo ano??? Qui furtuna qui esse povo num ia gastá!?!?!?

O questionamento do velho matuto Zeca Juru cabia ainda muita discussão e conjectura. No entanto uma vozinha entre ardida e maternal vinda lá de baixo, da casinha branca, de cuja janelinha de madeira da cozinha escapava uma tênue luzinha amarela, nos trouxe à realidade;

– Sai do sereno Zeca… A janta tá esfriano…!

Nem havíamos percebido que o dourado poente de uma hora atrás, já estava negro. Do lado oposto, no entanto, surgia majestosa a lua cheia, espalhando prata e poesia em toda planície ondulada do cajuru. Os grilos já entoavam sua sinfonia. Quando atravessávamos a pinguela, um curiango passou raspando por nós, cantou sustenido e pousou do ladro do ribeirão. A fêmea respondeu numa chácara perto dali. O cheiro do frango caipira de dona Filó inundou a varginha. Se não conhecêssemos o caminho, bastava seguir o cheiro do jantar…

A lua havia dominado toda a planície ondulada do Cajuru, quando ouvimos lá embaixo uma voz quase maternal;

– Sai do sereno Zeca, trais o sêo Chips pra jantar

Aventuras e desventuras de Cirilo Bola Sete…

MENINOS QUE VI CRESCER

 

      Andando hoje pela manhã no charmoso calçadão do Leblon, Ipanena e Arpoador, lembrei – vejam só? – do Cirilo Bola Sete!!! Há dois anos, quando eu o entrevistei debaixo da conteira, defronte sua casa no velho Aterrado, ele contou que desfilou belo e faceiro por aqui…

O leitor que entrar no Aterrado, virar para ir ao Sesi e logo em seguida virar a esquerda, caminhar cerca de 150 metros em frente vai chegar a uma tripla encruzilhada. À da esquerda vai para o rancho da família do Marcilio Alves, a do centro leva à casa do desportista João Cavalo, a da direita leva a esquina fatídica, onde no dia 27 de novembro de 83 os irmãos Reanir de Lima mataram o detetive Marcos “Cabeçada” Alves da Silva com seu próprio revolver, após surpreende-lo de trás de uma cerca de taquara. Na encruzilhada da direita tem uma casa de blocos sem pintura, atrás de duas frondosas Conteiras ou Santa Bárbara. Uma cerca de alambrado mantêm fechada uma granja de patos, marrecos e galinhas mestiças. A casa antiga era mais aconchegante ou glamourosa. Tinha alpendre de frente para a encruzilhada, e durante toda sua existência teve duas cores: ora verde oliva, ora amarelo mostarda. A casa atual tem outra arquitetura, outra cor – blocos sem reboco – é cercada de alambrado, mas ocupa o mesmo espaço. Agora é preciso sentar-se no banco de concreto debaixo das conteiras do lado de fora do alambrado para observar o intenso movimento do trecho que se afunila na rua Cordeiro Olimpio. Foi ali que Cirilo nasceu e viveu quase metade de sua vida. A outra metade viveu nas cadeias e penitenciarias de Minas e de São Paulo ou nas ‘quebradas’, fugindo dos homens da lei.

Conheci o pai muito antes de conhecer o filho delinqüente. Luiz Pereira, o Bola Sete era um mulato claro de 1,68, ligeiramente obeso, pele lisa, rosto e quase todo o resto arredondado. Tinha prosa boa e sorriso fácil. Trabalhava de passador na alfaiataria do Keide na Dr. Lisboa, ao lado da joalheria do Piula, três pontos comerciais acima da sorveteria do Tião Bananeira. O apelido Bola Sete eu não sei de onde veio. Certamente se deve à predileção pela bola sete do bilhar que jogava muito bem no Bar Recreio. O fato é que o passador gorduchinho alegre e simpático, em 1976,77 já esboçava os primeiros sorrisos amargos. É que seu filhote Cirilo começava ensaiar os primeiros passos no crime, dando trombadas em garotos ou tomando na cara dura seus bonés ou objetos que eles levavam nas mãos. Bem mais tarde, já na década de 80, quando conheci o trombadinha, pude constatar que Bola Sete morria de vergonha toda vez que ficava sabendo de mais um delito cometido pelo filho. E já não eram mais trombadas. Aos dezessete anos Cirilo tinha quase o mesmo porte físico de hoje, porém muito mais ágil e forte. Furtos sorrateiros e roubos nas quebradas, atrás de uma faca tipo peixeira – naquele tempo não existia essa boiolagem de roubar com faca de cozinha, usava-se a famosa ‘lapiana’ numero nove tipo peixeira que impunha respeito – ou um revolverzinho 22 ou garruchinha velha de dois canos. Pistolas automáticas, Magnum 357 ou mesmo Taurus trezoitão só nas capitais paulista e carioca ou então se conseguisse arrombar a B.Pacheco e Cia.

Apesar de ter passado praticamente toda sua vida útil, de maneira inútil, por conta da justiça ou tentando fugir dela – só atrás das grades foram 19 anos – podemos dizer que Cirilo “se deu bem”. Sua algibeira nunca viu mais do que quatro ou cinco notas de 50, juntas, mas conseguiu sobreviver na prisão, pagar seu debito com a sociedade e hoje está limpo. Será…?

Tendo trabalhado fora de Pouso Alegre alguns anos e Cirilo pago cadeia em outras paragens, perdi de vista parte de suas façanhas e foi o próprio que as contou sentado no banco de concreto debaixo das Conteiras na encruzilhada da Cordeiro Olimpio, defronte sua casa no velho Aterrado. Mas voltemos aos anos 80, quando a nova safra de detetives chegou a Pouso Alegre. Adair, Pingüim, Barbosinha, Valim, Dorigatti, que ‘eram da terra’ e Romeuzinho, Luiz Neves, Munhoz, Paixão, Beijinho, Lobão, depois Pradinho, Tiãosinho, Batista, Faria, que fincaram raízes na terra do Mandu e outros que deixando marcas ou não foram embora. Não são apenas nomes, são policiais que destacaram Pouso Alegre no mapa do combate à criminalidade, desvendando crimes e prendendo meliantes destas e de outras plagas que aqui aportavam.

Até o final daquela década o “modus operandi” da policia civil era bem diferente. A policia conhecia todos os meliantes da cidade e sabia o que cada um andava aprontando. Meliante fichado na policia circulando nas madrugadas desertas…

Para continuar a ler essa historia, adquira o livro “Meninos que vi crescer”.

 

Mais de 200 passarinhos indo embora… de Bora…

Você tem pena de passarinhos presos em gaiolas?

        E se eles estiverem presos dentro de caixas de leite longa vida, no porta malas de um carro, fazendo uma viagem de 280 quilômetros?

        Pois acredite… Isso estava acontecendo!!!

        Pior… dezenas deles foram atropelados dentro das caixas, sem poder voar…!!!

Durante abordagem de rotina – aliás, elas estão acontecendo a qualquer hora do dia ou da noite, no posto de fiscalização no bairro do Cervo, desde que ele foi instalado – os patrulheiros estaduais depararam com uma debandada de pássaros silvestres indo pousar em outros galhos. O problema é que as avezinhas não estavam viajando livres leves e soltas pela noite morna… Elas viajavam jururús, suadas, sufocadas em pequenas caixas vazias de leite tipo longa vida e alguns alçapões de madeira. As caixas com dois ou três furos para respirar e as gaiolinhas estavam no interior e no porta malas do veiculo VW Bora, placas DEA-4312- São Paulo, conduzido por Clovis Ferreira Conceição. E a viagem seria longa… de Machado à Embu, na grande São Paulo.

Clovis, 47 e o comparsa Jaime Raimnudo Silva, 45 anos, contaram que os Canarinhos do Reino, Coleirinhas e Trinca Ferro haviam sido adquiridos do caçador conhecido por “Lequinho”, nos arredores de Machado, ao preço médio de 3,50 as Coleirinhas e Canarinhos e entre 20 e 30 reais os Trinca Ferro. Segundo os traficantes de pássaros, eles seriam revendidos em Embu com lucro de 5 a 10 reais cada um.

A maldade com os inocentes músicos da natureza tinha ainda um capitulo ainda mais cruel. Ao constatar o crime ambiental, os patrulheiros seguraram os documentos e ordenaram que os traficantes os seguissem conduzindo o próprio Bora até a delegacia regional de Pouso Alegre. Quando lá chegaram, o carro estava vazio. Quase todas as caixas de leite com as avezinhas haviam sido jogadas na estrada!!!

Os patrulheiros voltaram pelo mesmo caminho à procura da prova do crime, pois cada pássaro apreendido equivale uma multa de quinhentos reais. Encontraram boa parte das caixas de passarinhos jogadas na pista… Esmagadas pelos carros que passaram logo depois!!!

O diretor do IBAMA em Pouso Alegre, Fernando Bonilo, além de socorrer as avezinhas sobreviventes e soltá-las ao seu habitat natural, pediu o deposito judicial federal do veiculo usado no crime.

O que sobrou de pássaros sem esmagar, custou aos cruéis traficantes de aves R$ 74 mil reais e o veiculo Bora que os transportava.

Achei pouco…!

Estuprou a cadela … depois matou-a a pauladas!!!

Não, meus estimados leitores, não estou injuriando a vitima de estupro, chamando-a de ‘cadela’… O sujeito estuprou a cachorra de estimação e depois matou o animalzinho!!!

O crime chocou a população e provocou náuseas até nos policiais militares da pequenina Itapeva, cortada ao meio pela Fernão Dias, entre Camanducaia e Extrema, quando atenderam o B.O. no final da tarde desta quinta.        Ao chegar à residência do cidadão Francisco Domingos, sua esposa contou que ele havia estuprado a cadelinha “Layla” e depois matado o bicho com cinco pauladas.

O crime de estupro, teria sido presenciado pelo filho do casal, de 5 anos. Ao ser questionado pela esposa, Francisco Domingos, o Chico Mel, de 64 anos, negou o nojento crime e passou a bater no animal como se ele tivesse culpa, até matá-lo;

– Ele deu cinco pauladas na cabeça da cachorrra, na nossa frente e depois jogou o corpo no mato – Contou indignada dona Regina.

Chico Mel jurou de pés juntos que não cometeu ‘doçuras’ com a cadela. Mas admitiu ter ficado nervoso com as acusações e ter matado a cahorrinha de estimação do filho, à pauladas.

O ‘cahorricida’ sentou ao piano da delegada Stella Reis na Regional de Pouso Alegre e assinou o 233 do Código Penal – Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público – e o Art. 32 da Lei 9605 – Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

Somados os crimes, ele pode pegar de 6 meses a 2 anos de cadeia. O prejuízo para o garotinho que presenciou o estupro e o assassinato de “Layla” pode ser maior. Ele foi encaminhado pelo Conselho Tutelar de Itapeva para avaliação psicológica!!!

 

*** Esta noite teve mais crime ambiental… Aguarde!