O ‘velho’ Aterrado… E eu!

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A primeira vez que atravessei a ponte sobre o velho e piscoso Mandu e adentrei o velho Aterrado, foi montado numa bicicleta Monark azul-escuro. Levava na frente da reforçada bicicleta de carga um botijão de gás. Até então eu só conhecia o lado norte do rio, onde ia com o pai de uns amigos meus pescar mandi, piaba, tabarana e lambari debaixo da ponte, onde hoje passa a polemica e bela Avenida Perimetral. Na ocasião o bairro já havia sido batizado com o nome do santo, mas continuava sendo chamado pelo apelido de nascença: Aterrado. Passei pela oficina de bicicletas do Wilson na cabeça da ponte e segui pedalando garboso a pesada bicicleta da firma “Gouveia Gás”, desviando de pessoas, cavalos, outras bicicletas e poucos carros, ora pelo passeio, driblando as arvores, ora pela rua poeirenta!

Eu adorava bicicleta! Pedalar o dia inteiro pela cidade, ainda que carregando a pesada carga de 28 quilos na ida e 15 na volta, era mais que um trabalho, era um prazer, uma diversão! Na época, Roberto Carlos já era ‘rei’ e a Jovem Guarda ainda era jovem. Quem mais vendia discos ‘compact play’, de duas e quatro musicas era o cantor brega, Odair Jose, o terror das empregadas… Era o ano de l973.

Já no inicio daquela década, quando Simão Pedro Toledo começava transformar Pouso Alegre na mais progressista cidade do Sul de Minas, o velho Aterrado já era mal afamado. Não era qualquer um que se arriscava a atravessar o bairro. Até porque não tinha para onde ir! Depois da Curva do Japonês não existia cidade… Era só pasto. Só fazendas. A Refinações de Milho Brasil é que levaria a cidade para o sul.

… Mas demorei alguns anos para criar coragem!

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Em 1969, quando comecei explorar Pouso Alegre com minha caixinha de picolés de uva, groselha, laranja, abacaxi e limão, Carlinhos Tigrinho, filho do patrão recomendou:

– Evite ir vender no Aterrado… Os moleques de lá te tomam os picolés, te dão uma surra e quebram sua caixa!

Pouso Alegre tinha 39 mil habitantes divididos em sete ou oito bairros, além do centro. Eu teria clientela suficiente nos bairros Cascalho, Primavera, Santo Antônio, Saúde, por perto de minha casa, sem ter que atravessar a ponte.

Três anos depois da advertência do filho do ‘seu’ Ferreira, fui estudar no Mons. Jose Paulino. Eu era ainda impúbere, mas além de estar atrasado nos estudos, precisava trabalhar durante o dia. Portanto fui estudar à noite. Foi meu primeiro contato com os moradores do Aterrado. Todos mais velhos do que eu. Lembro-me de alguns… O Bernardino, o Luiz Egidio, o Edesio! Lembro mais de ‘algumas’… A Geny, uma linda loira esguia de cabelos lisos, pele de pêssego…! Devia ter uns 17 anos. Acho que era ‘Ferreira da Silva’, da família dos Coelhos. Não dava bola para ninguém. De vez em quando seu namorado, um rapaz forte e barbudo, motorista de caminhão, vinha buscá-la na porta da escola. É por isso que ela não dava bola e ninguém se atrevia…! Depois da Geny, que não era para o meu bico, tinha a Lourdes… Essa sim eu poderia tentar! Mas Francisco Carlos de Aquino, o “Flor” chegou na frente! Mas não se casaram. Eu só voltei a revê-la muito tempo depois, no inicio dos anos 2000, na porta do velho Hotel da Silvestre Ferraz, quando ela foi visitar seu filho, o “Patinho”! Acho que ela não se lembrou de mim…

Esta esquina traz trágica lembrança, em '83...

Esta esquina traz trágica lembrança, em ’83…

O convívio com os moradores do Aterrado no Grupo Escolar Mons. Jose Paulino e a estreita amizade com um colega de trabalho, me fez perder o medo do Aterrado e de sua gente. Fui percebendo que eram pessoas boas, normais, apesar de viver num bairro sem infraestrutura, sempre lavado pelas enchentes. A mudança da família do Marcos Reolan de Castro, irmão do Tunga, do Cafado, do Bedeu, do “Dila”, meu colega na sorveteria do Ferreira, todos amigos na Rua São Pedro, também contribuiu para acabar com minha fobia de Aterrado!

Quando fui trabalhar na loja do Zezinho Gouveia, conheci o Daniel. Ele era ‘desentupidor de fogão’. Morava no Aterrado, em frente a futura oficina do Celinho Xaxa. Fui algumas vezes à sua casa. Ser amigo de um morador do Aterrado acabou de vez com meu medo de infância. Por isso risquei a avenida e ruelas do bairro com desenvoltura naquela manhã de meados de 73 com minha pesada bicicleta, como se estivesse no quintal de casa. Ainda bem que perdi o medo, porque meses depois chegaram as enchentes. Assim eu poderia nadar no Rio Mandu no meio da garotada do Aterrado!

A ponte era o ‘point’ da juventude… O dia inteiro lotada de nadadores de rio. Piscina era coisa raríssima, coisa de rico! Cada vez que eu descia ao Aterrado para fazer uma entrega, encostava a bicicleta na oficina do Wilson e aproveitava para dar uns mergulhos. Trabalhava de bermuda e chinelos havaianas… Era só tirar a camiseta e disputar com os garotos quem saltava mais alto por sobre o parapeito da ponte! Era diversão gratuita para todas as classes sociais. Quando as águas baixavam, levava embora nossa alegria…

Acampamento cigano, ponto extremo do bairro, antes da Lagoa da Banana atualmente.

Acampamento cigano, ponto extremo do bairro, antes da Lagoa da Banana atualmente.

O inexorável tempo mudou meus hábitos! Levou-me para o exercito, mudou meu emprego, mudou o rio, mudou a ponte, mudou até a natureza… Já não temos enchentes como antigamente!… E nem garotos com aquela coragem!

Voltei a circular pelo velho Aterrado no inicio dos anos 80. Agora muito mais por suas vielas, que aumentara demais nos últimos dez anos. Já não ia levar gás de bicicleta… Ia buscar meliantes na “brasilinha verde” da delegacia! Meliantes de todo tamanho, idade, peso e periculosidade! Vi muita coisa acontecer. Inclusive um colega de trabalho numa poça de lama com seis tiros no rosto, em 83.

... O bairro entre as duas "Diques"...

… O bairro entre as duas “Diques”…

As lembranças do velho Aterrado, no entanto, são mais boas do que ruins. No final dos anos 80 até 92, o velho Aterrado tornou-se meu quintal de casa. Dirigindo a LEPA eu descia a vargem toda semana. Seja acompanhando os jogos que eu promovia, seja participando deles com a camisa do Canarinho, do América, do Olaria… Nos campos do antigo Madureira do Niquinho, do Santamaría do João cavalo, do Internacional do Zé Resende e Zé Nascimento, do Bangu do Boi, do Ditão. Hoje só resta o campo do Bangu.

No bairro que me causava pavor minha infância eu agora realizava os mais ferrenhos clássicos do futebol amador de Pouso Alegre. Até finais de campeonatos, sem policiamento, com o campo cercado apenas por uma corda e às vezes nem isso, sem tumultos. Invasão de campo, apenas os cavalos mansos de carroça do octogenário Sr. Geraldo Eleutério, de vez em quando!

Cada bairro de Pouso Alegre tem uma origem. O N.S.Aparecida já chegou a ser chamado de Bairros dos Coutinhos. O Santo Antonio foi ‘colonizado’ pelos ‘imigrantes’ dos Afonsos, Cervo, Cantagalo. As pessoas que deixaram a zona rural do Pantâno, Cajuru, Anhumas, Imbuia se estabeleceram no Jardim Noronha, São João e Jardim Yara. O velho Aterrado acolheu os oriundos dos bairros do Sitio, Vitorino e Água Quente. Daí talvez a fama de bairro violento, devido à personalidade forte dos antigos moradores daquelas paragens do município de Silvianopolis. Não que fossem violentos, mas eram pessoas muito corretas, de estopim curto, que sempre levavam na cinta uma peixeira. Como não eram bons de conversa, logo punham fim à discussão exibindo a ‘lapiana’. Eram pessoas que resolviam seus negócios na base do “fio do bigode”…

Entrada do bairro hoje...

Entrada do bairro hoje…

Os crimes que aconteciam no bairro há 40 anos, no entanto eram crimes de honra. As gerações mais novas desvirtuaram essa personalidade e o bairro ficou mal afamado. Com o crescimento da cidade e principalmente a proliferação das drogas, o velho Aterrado ganhou status de bairro mais violento de P. Alegre. É o bairro que concentra a maioria das “bocas de fumo” e “biqueiras” de drogas! É onde “formiguinhas” do trafico disputam palmo a palmo com as formiguinhas saúvas o mesmo espaço! A população decente, ordeira e trabalhadora do bairro, que naturalmente é a imensa maioria, é quem paga o pato por isso…

Ah, velho Aterrado, como você cresceu! Antes era apenas a avenida empoeirada, ora estreita, ora larga e as travessas do Rolica, travessa Abrão, travessa do Bangu, travessa Cordeiro Olímpio, Rua Oscar Dantas, Padre Natalino, Aristeu Rios… Depois vieram as ruas Osvaldo Mendonça, Maria Porfiria de Abreu, Luiz Prudenciano Alves, Roberto Ramos de Oliveira, João Sabino de Azevedo, Sapucaí, Antônio Pereira Sobrinho, Daniel Paulino dos Santos e outras tantas ruas e vielas. Agora até a Rua Nova ficou velha!!!

A famosa Lagoa da Banana, onde a prefeitura poderia construir  "cidade administrativa"! Ha pouco mais de um ano ainda tinha água...

A famosa Lagoa da Banana, onde a prefeitura poderia construir a “cidade administrativa”! Ha pouco mais de um ano ainda tinha água…

... Hoje virou mato!

… Hoje virou mato!

A Avenida Dique II à Oeste do bairro, que depois de uma década parece que vai sair do papel – no momento está no centro da briga politica entre governo federal e estadual, orquestrada pela prefeitura que embargou sua inauguração – deve contribuir entre outras coisas, para a melhora da qualidade de vida dos moradores do bairro São Geraldo.

Neste lixão da Rua Daniel Paulino dos Santos, moram varias pessoas!  Atravessando o Rio Mandu, a menos de 100 metros dali, está a famosa Avenida Perimetral, de frente para o Bretas, a poucos metros do centro da cidade..!

Neste lixão da Rua Daniel Paulino dos Santos, moram varias pessoas! Atravessando o Rio Mandu, a menos de 100 metros dali, está a famosa Avenida Perimetral, de frente para o Bretas, a poucos metros do centro da cidade..!

Uma outra avenida à leste, partindo da perimetral, passando nos fundos da Rua Nova, lagoa da banana, desembocando atrás do Estádio Manduzão, levaria infraestrutura e melhoraria muito a vida do sofrido, porém orgulhoso, morador do Aterrado. Em 2004 sugeri a construção dessa avenida e do “Parque Administrativo da Prefeitura” na ilha da “Lagoa da Banana”, concentrando ali todos os órgãos do poder executivo do município. Se o desenvolvimento chegasse àquela região da cidade, além de facilitar a vida dos moradores, tiraria o espaço dos meliantes que usam aquela área para ludibriar a policia. Seria muito mais fácil combater o trafico formiguinha por ali. Minha sugestão foi natimorta: entrou por um ouvido e saiu pelo outro! É apenas um sonho… Mas bem que o povo do sofrido Aterrado merece!

... A 'nova' ponte sobre o velho Mandu.

… A ‘nova’ ponte sobre o velho Mandu.

 

 

PRF acaba com a farra dos motoqueiros na Serra de Ipuiuna

Há tempos a Policia Rodoviária Federal vinha recebendo as denuncias. Segundo moradores do trecho compreendido entre os quilômetros 66 a 69, especialmente nos finais de semana, a rodovia se torna palco de um perigoso espetáculo que coloca em risco tantos os artistas quanto os motoristas que trafegam pelo local. A plateia que mora nas imediações também é obrigada a conviver com a sonoplastia ensurdecedora que sai dos escapamentos envenenados das possantes motos que desfilam pra cima e pra baixo no palco a céu aberto.

Foto: PRF

Foto: PRF

A denuncia da leitora “LIZ” parece ter sido o ultimo ato da Policia Rodoviária Federal. Ela fez um “convite” em nome dos ‘kamikazes’ em nossa pagina de comentários, o qual foi aceito pelos homens da lei.

Depois de se infiltrar no elenco de “azes do guidon” e filmar os bastidores, inclusive de pontos estratégicos à margem da rodovia e constatar a veracidade das denuncias, os patrulheiros federais entraram em cena. Cerca de 70 artistas foram abordados. Dezoito deles tiveram suas motocas apreendidas e tiveram que dar autógrafos pela atuação fora do script da lei!

O espetáculo dos motoqueiros na Serra de Ipuiuna neste domingo,12, contou com a inesquecível ‘participação especial’ dos patrulheiros federais…!

 

Veja o ‘convite’ da leitora Liz aqui no blog na semana passada:

“CONVIDAMOS HONRADAMENTE:
Todos aqueles que têm falta de consciência e de pouco juízo, que adora se exibir em manobras radicais e de velocidade em vias publicar, ferindo assim a moral e a ética, ao burlar as leis de trânsito estabelecidas ao participar de corridas ou demonstração de perícia apenas por “ESPÍRITO DE EMULAÇÃO”. Trazendo transtornos, preocupações e medo aos corações de outros fiéis e responsáveis usuários dessa rodovia, que, em seus tímidos carrinhos, ou, em seus pesados e lentos caminhões de carga, ficam perplexos e admirados quando nós, em nossas “POSSANTES E CARAS MOTOCICLETAS”, os surpreendemos ao ultrapassá- los feito balas disparadas, demonstrando as nossas habilidades na pilotagem, sem incomodar se estamos infringindo a lei ao colocar em perigo as nossas próprias vidas e que poderemos causar danos ou uma grande tragédia a terceiros.
“BEM, NÃO CONTAMOS MESMO COM AS NOSSAS VIDAS! EGOISTAMENTE, QUE DIRÁ DA VIDA ALHEIA?!”
Estamos acima da lei, pois o nosso dinheiro pode comprar a nossa IMUNIDADE, assim podemos fazer desta JK a nossa PISTA DE CORRIDA, sem sermos incomodados pelas autoridades locais ou regionais.
Neste km compreendendo 66 aos 69 da JK até o mirante do alto da serra a PEDRA, não são vigiados pela polícia federal, pela polícia estadual ou municipal, o que nos dá o privilégio de nos sentirmos os “DONOS DA SITUAÇÃO” a P. R. F nunca aparece por aqui, talvez esteja ocupada demais ao fazer fiscalização aqueles condutores em seus lerdos fusquinhas, fáceis de serem parados e multados
Bem, ninguém poderá nos parar, somos tantos “VELOZES E FURIOSOS, VERDADEIROS ASES DO GUIDOM R, R, R, R, R!”
CONVIDAMOS A TODOS QUE NÃO TENHA O BOM SENSO:
Aos Sábados Domingos e feriados a vir participar de mais um episódio triste, decepcionante e um tanto quase trágico e mortífero a outros usuários desta JK, que são atormentados e atordoados nas primeiras horas da manhã pelos roncos turbinados de nossas possantes motocas envenenadas.

“CONVIDAMOS TAMBÉM OS SENHORES PREFEITOS LOCAIS E AS AUTORIDADES REPRESENTANTES DA LEI PARA NOS ASSISTIR MAIS DE PERTO NÃO COMO MEROS EXPECTADORES DAQUILO QUE É CONTRA A LEI. LEI ESTA CEGA PARA OS FORTES ENDINHEIRADOS E BOA PARA OS MENOS ENDINHEIRADOS, EM AGIR E PUNIR!”

Ass: Mister Patada”

Será que o alucinante espetáculo agora vai sair de cartaz…?

 

O buraco da Avenida Levino Ribeiro do Couto

Você meu estimado leitor sabe onde fica a Avenida Levino Ribeiro do Couto?

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Ela liga o Terminal Rodoviário à famosa Avenida Dr. Lisboa! Bem no coração de Pouso Alegre…

Ainda bem que coração é no sentido figurado, pois se fosse no literal a bela avenida já teria morrido!

Veja o tamanho da valeta na beira da avenida!

Só não caí no buraco ao fazer a baliza, porque o espaço era pequeno e quando senti que o carro ia afundar, mudei a manobra. Mas outros motoristas não tiveram mesma sorte.

Um feirante que estaciona seu carro ali todo fim de semana, disse que a valeta já fez três aniversários!

Algumas senhoras que voltavam da feira com suas sacolas de verduras, aproveitaram para esconjurar o prefeito… Coitado!

Ele não tem culpa! Ele não pode sair pela cidade procurando buracos para tapar, não é? Isso é tarefa de seus comandados! Ou talvez dos vereadores…

Mas eles tem tanta coisa mais importante para fazer do que tapar buracos!

Bem, eu como bom cidadão pousoalegrense que sou, vou dar minha contribuição para tapar o buraco da Avenida Levino Ribeiro do Couto… Vou mostrá-lo aqui no blog para que o prefeito saiba que ele existe!

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No entanto, como acho pouco provável que o digníssimo alcaide perca tempo acessando o Blog do Airton Chips, peço a você leitor, que faça com que ele fique sabendo do buraco… E tome uma providencia!

Ainda que ele não esteja preocupado com a probabilidade de cair com seu carro no aludido buraco, os seus munícipes estão! E quando caem ou quando simplesmente passam por ali e veem o buraco, logo se lembram dele…

– Olha que vergonha o buraco do prefeito…! – Comentam os motoristas e transeuntes.

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Alguns mais estressados não se limitam a fazer piadinhas cacófonas sobre o buraco do prefeito, desculpe, da Avenida Levino Ribeiro do Couto… Soltam os cachorros nele e na sua administração. Aliás, uma injustiça! pois ele não pode procurar e tapar pessoalmente todos os buracos da cidade – que diga de passagem, são muitos!

É por isso que estou postando o buraco aqui, para que o prefeito saiba e mande tapá-lo…

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O primeiro indigente no Rio Sapucaí

Quando chegamos para o ultimo estagio antes da posse e de receber a carteira de policia, o perito Tiãozinho já estava na porta da DP com o Fiat 147 ligado esperando o colega Jadir…

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– Nós vamos recolher um ‘presunto’ perto de Bela Vista! Querem ir com a gente! – Perguntou Tiãozinho, com o bom humor de sempre.

E lá fomos nós pela Fernão Dias… Tiãozinho ao volante e o obeso Jadir e seu imenso bigode e uma tremenda cara de ressaca, com o braço apoiado na janela do Fiat, relembrando seus casos engraçados, sem abrir o sorriso. Aliás, Tiãozinho e Jadir, um ao lado do outro eram os opostos… Tiãozinho – só no nome! – era alto, forte, atlético boa pinta, conversava sorrindo! Apesar de inteligente e muito competente no que fazia, há muito parara de estudar. Estava satisfeito com o cargo de perito ‘ad-hoc’ que ocupava – pois era detetive por formação – e se aposentaria em poucos anos. Jadir era gordo, atarracado, barriga saliente… Seu bigode quase fazendo chifrinho daria para fazer sua própria peruca se ele fosse careca! Trazia no rosto uma expressão sempre séria, de ressaca! Contava piadas sem dar risadas. Tinha fama de ser um dos peritos mais ‘científicos’ e competentes da policia civil na época. Mulhereeeeengo que só ele! Era perito, fez Direito e se tornou delegado. Seu casal de filhos seguiu seus passos. A filha se tornou perita e o filho delegado!

O plantão era do Jadir, mas Tiãozinho, solteirão, prestes a se aposentar, morando no ‘canil’ da Delegacia, sem um passarinho sequer para tratar, não tinha nada melhor para fazer. Seu único compromisso naquele sábado ensolarado e quente era abraçar umas loiras… geladas, acariciar Severina do Popote para abrir o apetite e almoçar. Não importava onde! O importante era a companhia! O amigo Jadir – amizade daquelas de entrar em casa e ir direto pra cozinha fazer comida na casa um do outro, coisa cada vez mais rara entre policiais hoje em dia – certamente era ótima companhia! Aliás, eles já tinham um compromisso, que o leitor verá adiante! Atrás de nós seguia a Kombi fúnebre da funerária, salvo engano, N.S.Aparecida!

Logo que passamos o trevinho de São Sebastião da Bela Vista, na ultima saída antes do Porto São João, um pescador nos esperava…

Para continuar lendo esta historia, acesse “www.meninosquevicrescer.com.br”.

 

 

Minutos de Sabedoria…

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“A cooperação é uma das coisas mais sublimes da vida… A interferência é um das mais desagradáveis!

Ajude sem interferir.

Não imponha seu ponto de vista quando ajudar alguém.

A cooperação ajuda. A interferência atrapalha.

Não temos o direto de interferir na vida de ninguém.

Então coopere com todos sem interferir na sua maneira especial de agir e de pensar”.

 

Tenham todos uma iluminada semana de ano novo!

Coelho Ly e Coelho Ley… A diferença é a ‘pedra’!

Ley... : Depois de uma temporada sem drogas na Apac,  livre para trabalhar!

Ley… : Depois de uma temporada sem drogas na Apac, livre para trabalhar!

Mês passado, ao chegar à delegacia de Policia pela manhã em busca de noticias, deparei com um sujeito que me causou surpresa. Ele estava junto ao portão interno com um tesourão na mão, esperando instruções para cuidar do minúsculo canteiro de gramas no patio da DP. Usava uma bermuda jeans, camiseta polo verde agua e tênis. Até aí nada de novo. Novo era sua fisionomia… Gordo, corado, saudável, forte e principalmente … Alegre! Trazia no rosto um indisfarçável sorriso. Ao me ver sorriu ainda mais, pois sabia que eu iria ‘mexer’ com ele. Aliás, acho que ele estava justamente me esperando… Para mostrar o quanto havia mudado!

No meio do ano eu estivera na APAC procurando por ele, mas errei o dia. Ele havia deixado a instituição prisional na véspera, de “saidinha de 7 dias”. Agora ganhara o beneficio da ‘prisão aberta’. Como ainda não conseguira emprego, estava na delegacia de policia para prestar serviços diversos e de jardinagem por conta da Apac. Os meses que passara no regime semi-aberto na prisão criada por Mario Otoboni, sem a famigerada droga, lhe fizeram muito bem. Não era somente a aparência que denotava saúde e prosperidade… A fisionomia, o sorriso, a conversa demonstravam que Wanderley Ferreira da Silva, o “Coelho Ley” estava saudável e de bem com a vida.

Registrei a saúde do Ley com minha lente naquela manhã. Durante varias semanas pensei em escrever esta matéria, mas por falta de tempo fui protelando. Parece que tinha um proposito. Alguma coisa me impedia de redigir a matéria, de contar a alegria do Ley e a minha! Sim! A minha alegria. Alegria sem tamanho ao ver que um bandido que conheço desde criança havia morrido… E um homem ressuscitado!

Ly...: No final de julho, após ser preso por roubar uma calça de R$34,99 ameaçando os vendedores com uma arma maginaria! A façanha lhe custou mais 7 anos de cana...

Ly…: No final de julho, após ser preso por roubar uma calça de R$34,99 ameaçando os vendedores com uma arma imaginaria! A façanha lhe custou mais 7 anos de cana…

No apagar das luzes do ano forense fui ao Forum Orvietto Butti em busca de noticias e acabei encontrando uma que vem contrastar com a ‘recuperação’ do Coelho Ley… A condenação do seu irmão Wanderly Ferreira da Silva, o “Coelho Ly”. Ly e Ley são irmãos gêmeos univitelinos… Até na caminhada!

No meio da tarde do dia 29 de julho ultimo, Ly entrou no lojão das Fabricas na Praça Senador Jose Bento, enfiou a mão por baixo da camiseta suja, disse que portava uma faca e que cortaria ao menos as orelhas de quem tentasse barrar seu caminho…! E pegou tudo que quis na loja… Apenas uma calça jeans cuja etiqueta dizia R$ 34,99!

Depois de se verem livres das ameaças de ficar sem as orelhas, os funcionarios deram o grito. Ly foi alcançado cruzando a Avenida perimetral, em frente o falido Mac Donalds. Ao ver a arca de Noé se aproximando Coelho, arisco que é, se enfurnou no brejo, quero dizer, no matagal que margeia a via, atrás da Campneus e tentou atravessar o malcheiroso Rio Mandu para chegar em casa. Não deu… Enroscou-se nas malhas da lei junto com a calça jeans de R$34,99…!

A sentença por este roubo homérico saiu no inicio do mês de dezembro. A pena para roubo mediane grave ameaça varia de 5 a 15 anos. Nnguem viu a faca que Coelho Ly disse que tinha para cortar as orelhas das lojistas, mas ninguém quis se arriscar. Por isso ele conseguiu levar a calça jeans sem ser molestado. Já que ele fez uso e uma lapiana imaginaria para conseguir seu intento, o Homem da Capa preta deu-lhe uma pena correspondente à sua bravata, somando -se a isso seus antecedentes criminaias, ou seja uma capivara de quase 20 anos de delitos pés-de- couve. Coelho Ly recebeu pelo roubo da calça de R$ 34,99, 7 anos de cana!!!

Agora deve demorar um pouco para Ly se juntar ao irmão Ley na Apac e exibir tão saudável tez…!!!

Post 2000… Mudança de rumo

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Como toda mudança de um ‘status quo’ depende de motivos, tenho vários. O mais importante, o que interessa ao publico saber, é o tempo! Tempo dispendido para buscar noticias frescas, redigí-las, corrigí-las e levá-las – com responsabilidade – ao leitor diariamente. Nos ultimos meses os colegas tem dito em tom de piada que atualmente frequento a DP mais do que quando estava na ativa. Mas não é piada! Para ter acesso aos fatos, fotos e noticias, ainda que muitas vezes irrelevantes do ponto de vista jornalistico, é necessário chegar no momento em que o meliante está sentado ao piano, ou antes que ele embarque no Taxi do Magaiver com destino ao Hotel do Juquinha. Isso significa pisar na ‘casa de reprimendas’ diariamente e algumas vezes mais de uma vez por dia. E pior, os fatos nem sempre são servidos de bandeja e bem temperados!

Ora para fazer este trabalho, para levar a informação detalhada a dez, doze mil leitores diariamente, sobra-se muito pouco tempo para se fazer outras coisas como andar de bicicletas, ler uma revista, um livro, regar o jardim, podar as plantas, levar a Lessie e a Dominique ao bosque para fazer xixi e debruçar na janela para ver a carruagem passar!

Há quatro meses desisti de renovar a assinatura de Veja, pois não tinha tempo de lê-la. A Seleções do Riders Digest então, nem sei quando parei de ler!  Ano passado levei quatro meses para ler o best selller  “Cinquenta Tons de Cinzas”! Nem tive tempo de comentar aqui a ruindade do romance pornográfico campeão de vendas. Nos últimos dez dias já li dois livros. Um deles li em três dias, coisa que não fazia há anos…! E ainda nem chequei na família! Não mencionei que tenho obrigações de marido e pai… Tenho dois moços de 30 anos que, embora realizados pessoal e profissionalmente, jamais deixarão de ser ‘meus garotos’! E tenho um garotinho de três anos e meio que respira futebol e ainda não aprendeu a curtir as belezas do por do sol!

Sem contar o cuidado redobrado com a sedutora loira gelada… Para não ser manchete policial no proprio blog!

Como se não bastasse tudo isso, não me sobra tempo para falar de futebol, de politica, de cidadania, educação, cotidiano e principalmente de reciclagem… Da minha reciclagem cultural! Acalento um sonho desde a adolescência – quando alguem disse que eu poderia ser poeta ou escritor – de escrever livros. Tenho um de contos policiais quase pronto desde 2010. A manutenção do blog nos moldes atuais ainda não me permitiu concluir o ‘quase’! E tenho outras historias que também poderiam se tornar livros…

Este é o principal motivo de parar com o blog… Dedicar-me à família, aos amigos, aos livros! Ler alguns e escrever outros…!

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Mas o “Blog do Airton Chips” não vai sair do ar. Os cerca de dois mil posts com algumas historias interessantes e outras nem tanto, continuarão ao clique de “airtonchips.com”. Além de manter as informações já publicadas, será alimentado semanalmente com crônicas, contos, humor, mensagens de otimismo, desabafos, recados, críticas sobre assuntos diversos.

As denuncias de leitores e amigos ocultos da lei, enviadas através de comentários ou por email, as quais tem ajudado a combater a criminalidade na cidade, continuarão a ser recebidas da mesma maneira. Vou repassa-las a quem cabe investigá-las. Porém, não vou responder perguntas pertinentes aos assuntos policiais, pois não estarei inteirado dos fatos como faço hoje. Embora não vá mais acompanhar e publicar os fatos policiais corriqueiros, isso no entanto, não me impede de investigar, de vez em quando, um ou outro crime relevante ou de repercussão social, como homicídios ou operações especiais de combate ao trafico de drogas.

Que fique claro para meus estimados leitores… Estou apenas limitando minha atenção aos assuntos policiais e selecionando os fatos para me ocupar com coisa mais produtiva. O blog reduzirá o numero de acessos darios? Com certeza… Mas terá um publico mais fiel e seleto!

Este é o “Post 2.000”… Quando o leitor desavisado perceber a ausencia de noticias policiais frescas e quiser saber por que parei, vou recomendar : ‘Leia o post 2.000’…!

Em breve o leitor cativo poderá reler algumas das historias aqui contadas e ler outras tantas inéditas, no primeiro livro “Meninos que vi crescer”!

5 anos de cana por oferecer droga para o delegado

No Dia do Índio, de 2013, o delegado Renato Gavião, então na Delegacia Especializada de Combate ao Trafico de Drogas de Pouso Alegre, desejando conhecer as ‘bocas de fumo’ do velho Aterrado, pegou seu carro particular, convidou um amigo pessoal e desceu à ‘baixada’. Entrou pela Cordeiro Olímpio, saiu na Oswaldo Mendonça, cruzou a Oscar Dantas, passou pela Luiz Prudenciano Alves, cruzou a famosa Avenida comercial Vereador Antonio da Costa Rios, entrou pela Roberto Ramos de Oliveira, João Sabino de Azevedo, pegou a velha Sapucaí, entrou na viela Juruá, saiu na velha  Rua Nova, transitou pela Daniel Paulinho dos Santos até sair na ‘Diquinha’ e voltar para o centro. Nessas andanças pela ‘bocas e biqueiras’, foram interceptados por um vendedor…

– Vai uma ‘farinha’ aê, doutor? – Perguntou solenemente um formiguinha.

Não. O delegado e seu amigo não estavam interessados na farinha… Queriam apenas conhecer as ‘bocas’. E quem sabe os ‘patrões’…!

Mais tarde estando de plantão na DP, chegou a Arca de Noé trazendo um formiguinha com pulseiras de prata. Ele fora preso pelos policiais militares com quatro barangas de farinha do capeta tentando vende-las a um nóia qualquer.

Ao ver o formiguinha à sua frente o delegado Gavião o reconheceu… Era o mesmo que horas antes havia lhe oferecido a droga na Sapucaí! Isso não lhe causou surpresa. Quem arregalou os olhos, ficou sem fala e tentou se esconder no impossível foi o formiguinha Paulo de Lima Cavalcante.

A quantidade de droga apreendida com o traficante era ínfima. No entanto, o depoimento pessoal do delegado e do seu amigo sobre a ‘oferta que receberam’ no momento em que faziam a ronda de reconhecimento nas ‘bocas’, foi fundamental para condenar o formiguinha no 33. Paulo de Lima Cavalcante recebeu do Homem da Capa Preta 5 anos de cana! Deveria ter escolhido melhor sua clientela…!

Vovô ‘mão boba’ do Jardim Satélite toma 12 anos de cana

Antonio Fernandes da Silva, 65 anos, foi preso ao pé da noite do dia 13 de abril em um boteco perto da sua casa. Ele fora surpreendido pela filha, praticando atos libidinosos com a enteada M.L. de 7 anos de idade. Ele bem que tentou tapar o sol com a peneira dizendo que a garotinha é que estava passando sobre seu colo no sofá. A menina não o deixou mentir, por isso os homens da lei foram chamados.

A própria filha do vovô tarado fez constar no BO informações que desabonaram sua conduta. Com isso, a caneta do Homem da Capa Preta veio ‘carregada’!

Antonio Fernandes foi condenado em novembro passado a 12 anos de reclusão.

“Operação Fronteira Segura” : Policia militar apreende arsenal em Monte Sião

Esta, só James Bond...!

Esta, só James Bond…!

Ao deparar-se com a blitz, o cidadão Clayton Pereira que conduzia um VW Saveiro, imediatamente deu meia volta e tomou a direção contraria à fronteira que separa as duas estancias hidrominerais. Como quem deve teme, treme e foge, ou pelos tenta dobrar a serra do cajuru – no caso em tela seria o Morro Pelado! – os policiais foram atrás para ver o que Clayton não podia exibir para a policia!  Ele não podia mostrar a pistola… E que pistola!!! Nem James Bond tem uma dessas! A moderníssima e letal arma viajava solenemente debaixo do banco do motorista.

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Pilhado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, Clayton admitiu que tinha outras duas armas dentro de um cofre em sua residência, na capital das malhas. Franqueada a entrada e aberto o cofre pela esposa de Clayton, os policiais apreenderam mais duas pistolas. Numa breve busca nas dependências do móvel os policiais descobriram um verdadeiro arsenal. Num comodo dos fundos eles encontraram mais 13 armas de fogo, 9 de pressão, uma besta moderna e cerca de 6 mil munições de calibres diversos, intactas.

Com este rifle é possível alvejar e fulminar uma pessoa a um quilometro de distancia!

Com este rifle é possível alvejar e fulminar uma pessoa a um quilometro de distancia!

Ao sentar-se ao piano do delegado Bruno Lopes na Delegacia Regional de Pouso Alegre na manha desta sexta, Clayton foi econômico nas declarações. Deixou escapar apenas que é colecionador. Depois de assinar o 16 da Lei 10.826, Clayton foi se hospedar no velho Hotel de Albertina.

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Caso o Homem da Capa Preta, a quem compete arbitrar fiança quando a lei não autoriza o delegado a faze-lo na DP, não arbitre sua fiança, é lá que o James Bond de Monte Sião deverá passar o Natal que se avizinha…!