Policia confisca plantação de Cannabis em Toledo

DSC06059Ele tem nome e sobrenome francês, mas é “mineirin” da gema, nascido em Lavras-MG. Calvo, calmo, educado… A cara do bom menino! Elbert Lamounier conheceu a perfumada Cannabis Sativa de Linneu no final da infância, aos treze anos. Se apaixonou! Nunca mais largou a ‘marvadinha’! Há poucos meses foi morar na cidade serrana de Toledo-MG. Como bom menino que é, passou em primeiro lugar no concurso para bibliotecário da prefeitura municipal. Ia começar suas atividades na próxima segunda feira…
Usuário da erva marvada há catorze anos e não querendo mais contatos com os traficantes que lhe fornecem a droga, – nem sempre de boa qualidade! – Elbert resolveu declarar independência… Fez sua própria lavoura de cannabis! Ele não viu riscos nisso. Ao contrario…
– Plantando minha própria maconha, eu estou deixando de alimentar o trafico e consequentemente o crime organizado! – disse ele a este repórter!
Pensando assim, o ‘ex-futuro’ bibliotecário da prefeitura de Toledo, resolveu iniciar sua produção de erva no fundo do quintal na casa alugada no centro de Toledo! Juntou as sementes dos baseados que vinha guardando, pesquisou na internet e há dois meses iniciou a lavoura! Tudo ia bem! Já tinha dezenas de mudas em vários estágios. Algumas sementes ainda germinando em latas umedecidas, varias mudinhas crescendo em copos de plástico e outros pés com mais de um metro de altura, quase na idade para consumo! Em pouco tempo a lavoura de subsistência começaria dar frutos e ele estaria totalmente independente dos traficantes. Estaria fazendo um grande favor à sociedade. Mas eis que de repente, no primeiro dia do ano, a policia foi bater à sua porta!

Umedecidas em algodão, as sementes começam a germinar!

Umedecidas em algodão, as sementes começam a germinar!

Como foi que a policia ficou sabendo da lavoura!?
Quem tem uma plantação de maconha tão bela, tão tenra, tão forte e promissora no fundo do quintal, não consegue ficar sem falar dela. É como o fazendeiro que cria um potro reprodutor de estirpe… Não dá para deixar de fazer propaganda do seu tesouro!
Embora a lavoura do Elbert não tenha o crivo do Ministério da Agricultura, ele deve ter falado dela para alguém! Talvez para os amigos da esquadrilha, quem sabe…! Por isso os homens da lei já andavam na sua sombra! E nesta quinta feira, primeiro dia do ano, foram fazer uma visita de cortesia! Ah, ele tem também uma namorada… Ou pelo menos tinha uma namorada até o fim do ano! Blenda Prudêncio, que terminou o namoro após uma discussão, naturalmente frequentava sua casa, conhecia sua lavoura de maconha e já o havia advertido para os riscos que corria!
– Eu falei p’ra ele que sua lavoura sem ‘licença’ da Emater ou ‘alvará’ da prefeitura poderia trazer-lhe problemas! Mas ele respondia que não queria ficar dependente dos traficantes, por isso estava cultivando seu próprio produto! – Disse Blenda.
Segundo o B.O. que narra a apreensão da lavoura de cannabis, Elbert foi muito cordato e gentil com os policiais! Mostrou onde havia mais mudas, mais sementes, explicou como funciona o cultivo e manuseio…

... Em seguida as mudinhas passam para copinhos de plastico...

… Em seguida as mudinhas passam para copinhos de plastico…

– Tem que fazer o baseado só com a planta fêmea… O macho não serve. No meu caso, eu só uso as flores da planta… As folhas não fazem mais efeito! Eu consumo quatro baseados por dia, cerca de quinze gramas. Por isso resolvi cultivar minha própria erva. Mas não sou traficante! – enfatizou o agricultor de cannabis de fundo de quintal!
Segundo Lei aprovada pelo Congresso Nacional no apagar das luzes de 2014, a maconha acaba de ser permitida no Brasil… “Apenas para fins medicinaiss”! E somente foi autorizada a importação! Portando, cultivar a erva marvada, mesmo que em pequena escala em fundos de quintal; mesmo que para consumo próprio, é crime punido com prisão de 5 a 15 anos de acordo com artigo 33, paragrafo 1º da Lei 11.343. Diante de tão explicita conjuntura, Elbert Lamounier, que começaria trabalhar na prefeitura de Toledo na próxima segunda feira, 5, vai continuar de férias… morando no Hotel do Contribuinte de Extrema!

... Depois vão para sacos plásticos... Para facilitar o manuseio!

… Depois vão para sacos plásticos… Para facilitar o manuseio!

 

* Ah, coincidência ou não, os homens da lei apareceram um dia depois que Blenda terminou o namoro com o agricultor de Toledo!

 

Execução no Aterrado

"Gago" : Primeira vitima de homicídio de 2015 em Pouso Alegre

“Gago” : Primeira vitima de homicídio de 2015 em Pouso Alegre

O ano de 2015 mal começou andar e já assistiu o primeiro homicídio do ano em Pouso Alegre. A vitima é o meliante Luiz Henrique Goes, 24, conhecido no meio policiail desde 2010 pela alcunha de Gago. Segundo informantes, que preferem o anonimato, ele recebeu quatro tiros no meio da tarde desta quinta primeiro de janeiro. Segundo ainda aos mesmos informantes, os tiros foram disparados por um “dimenor” à mando do ‘patrão’do trafico de drogas. Luiz “Gago” Henrique Goes tinha vários registros policiais, entre eles, trafico de drogas e porte de arma.
O assassinato do meliante Gago, embora seja o primeiro do ano, é o quarto nos últimos vinte e cinco dias. O terceiro deles no velho Aterrado. Um foi morto a pauladas no dia 06 de dezembro, o outro foi baleado no São João. O terceiro morto de dezembro recebeu um golpe de faca de açougue no peito.
Todos os quatro mortos nos últimos vinte e cinco dias tinham envolvimento com drogas. O segundo a morrer, executado por um ‘dimenor’, recebeu os tiros no momento em que fumava crack numa ‘marika’ no inicio da madrugada no São João!

PM prende mula e pistoleiro na rodoviária…

O portador deste trabuco participou recentemente do sequestro e carcere privado de um comerciante no Colinas de Santa Barbara...

O portador deste trabuco participou recentemente do sequestro e carcere privado de um comerciante no Colinas de Santa Barbara…

Passavam os homens da lei pela Perimetral, próximo à rodoviária de Pouso Alegre, na virada da noite de sexta, quando avistaram dois malacos com pinta de somongós. Durante abordagem forçada, os policiais encontraram na cueca de um deles uma pistolinha, desculpe, um revolver calibre 22 com seis azeitonas prontinhas para vomitar…! O pistoleiro da noite, cujo nome do meio é Henrique, disse que havia achado o trabuco no pátio da rodoviária e como achado não é roubado, estava levando para casa! Foi sentar-se ao piano do delegado de plantão… Sem a pistolinha!

Passavam os mesmos homens da lei pela Levino Ribeiro do Couto, aquela avenida que nasce na Dr. Lisboa e morre no terminal rodoviário, na noite ainda criança de terça, 02, quando avistaram um malaco com pinta de somongó. Ao vê-los o garotão mudou de direção, tentou dobrar a serra do cajuru mas acabou caindo nas malhas da lei. Na algibeira da bermuda ele levava uma rica encomenda! Cinquenta barangas de farinha do capeta. Disse ele que havia comprado a droga do “João Tapira” no velho Aterrado por R$ 250 e venderia no São João por R$500. – Negocio bom esse! No prazo de poucas horas ele poderia dobrar o capital investido… Se não tivesse esbarrado pelo caminho nos homens da lei! O “aviãozinho”, “mula” ou, na definição do próprio: “traficante”, cujo nome do meio é “Henrique” foi sentar-se ao piano do paladino da lei.
Narrados os fatos corriqueiros num mesmo post, de forma simples e objetiva, ao estilo Airton Chips, vamos à perguntinha básica: Mas o que este dois malacos tem em comum?
Pelo menos 5 pontos:
– Ambos tem “Henrique” no meio do nome.
– Ambos foram presos, desculpe, apreendidos pela mesma de dupla de policiais… Ferreira & Fernandes.
– Ambos cometem crimes de gente grande, mas
– Ambos são “dimenor”, e portanto…
– Ambos gozam da mesma liberdade que eu e você, pois “dimenor” não comete crime, comete ‘ato infracional’! Pode ser apreendido, mas não pode ser preso!
Por isso ambos foram levados para a DP, assinaram o “Afai” e foram devolvidos à seus pais! Tudo sob os olhos auspiciosos do Sr. ECA. Eca!
O caso do “pistoleiro” e do “mula” detidos próximo à rodoviária no entanto, vai muito além dos pontos em comum! A Lei 8069/90, conhecida nacionalmente como Estatuto da Criança e do Adolescente, é boa! Não é a solução para a delinquência juvenil – para não dizer “bandidagem juvenil”! – mas ao menos tiraria os menores infratores das ruas, evitaria o aperfeiçoamento no crime, evitaria a reincidência… Se ela tivesse sido colocada em pratica! Mas… As diretrizes do ECA nunca saíram do papel!

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O item “VI”, o mais importante do artigo 112 do malfadado ECA, que interessa ao cidadão de bem, uma vez que os itens anteriores não surtiram efeito; item que diz respeito a separar o joio do trigo, diz que o ‘adolescente infrator deverá ser internado em estabelecimento educacional’!
Ótimo. Está resolvido!
Então vamos internar os “Henriques”, o “M”, que na semana passada puxou o gatilho contra o policial Almeida em Congonhal e somente não o matou porque a bala picotou, e tantos outros “dimenor” que vivem traficando, assaltando, matando ou tirando o sono de pessoas inocentes!
Tudo bem.
Mas onde fica este ‘tal’ “estabelecimento educacional”?
Fica lá dentro do ECA!
Fica dentro da cabeça do legislador que elaborou a lei!
Ou quem sabe, fica dentro de algum cofre da Suíça!
Ou das Ilhas Caimãs!
Ou qualquer outro “paraíso fiscal”…! – que ironicamente serve justamente para evitar a fiscalização do dinheiro publico…!!!
Sim, por que o governo não tem dinheiro para construir estes “estabelecimentos educacionais”…!
A lei diz ainda no item VI do Artigo 124, que o menor deverá “permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou responsável”…!
Em Minas tem dois ou três destes estabelecimentos! Todos naturalmente lotados. O mais próximo de Pouso Alegre fica a mil quilômetros de distancia, em Unaí, no extremo noroeste do Estado!
A lei diz que o ‘menor infrator’ não deverá ser colocado em cadeias comuns com presos adultos – no que concordo plenamente por vários motivos e um deles é que o inimputável tem grande valia para os demais presos! – E nem teria espaço, pois os “Hoteis do Juquinha” já estão lotados. O Estado de Minas anunciou no ano passado a construção de um Centro de Detenção de Menores Infratores em Poços de Caldas. Até o momento ele continua placidamente no papel!
Mas se os “dimenor” não podem ser colocados nos presídios de adultos – pois poderia contaminar os adultos! – e o Estado não constrói os centros adequados, onde então colocar os pequenos meliantes, que são tão ou mais perigosos – pois que, inconsequentes – do que os adultos?
Enfim…
Brasil varonil, Brasil amado,
De políticos que de 4 em 4 anos te oferecem o céu,
Depois de eleitos só olham para o próprio umbigo
E fazem leis que nunca saem do papel…!

Com o olhar atento no artigo 1º do ECA que diz:
“Esta lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente”…, antes de dar um clic nesta tela e dobrar a serra do cajuru, nunca é demais fazer a perguntinha básica:
E quem irá nos proteger do adolescente infrator…!?!?!?

*** Se alguém aí pensou no Chapolim Colorado, lamento informar… Ele morreu no México na semana passada!

 

Pericia desmente Blog no ‘caso da erva’

A erva apreendidas: Somente o teste de THC poderá dizer a verdade...

A erva apreendidas: Somente o teste de THC poderá dizer a verdade…

A apreensão aconteceu no final da tarde do dia 24 de novembro. Atendendo denúncias de amigos ocultos da lei os policiais militares estiveram no local, um terreno baldio no Loteamento Monte Azul no bairro Faisqueira e arrancaram da terra 142 pés de erva, cujo BO informava ser maconha.
Este blogueiro, em contato visual com a erva, não a reconheceu como maconha e publicou matéria contraria, com o titulo “PM apreende 142 pés de erva no Faisqueira… Mas a erva não é ‘marvada’…!”
O exame preliminar da droga não foi feito de imediato, uma vez que ninguém havia sido preso em flagrante na posse da suposta droga e, portanto, não havia a quem atribuir sua propriedade – responsabilidade. Ainda assim, como foi instaurado Inquérito Policial para apurar os fatos, a erva foi analisada pela policia técnica.
O resultado do exame preliminar, realizado por perito criminal da Delegacia Regional de Pouso Alegre foi encaminhado nesta terça ao delegado de Combate ao Trafico De Drogas, Gilson Baldassari. Nele o perito afirma: A erva apresentada pela policia militar é ‘maconha’.
É necessário salientar aqui que dito exame preliminar é feito pelo contato visual, com base nos conhecimentos e experiência do perito. Aliás, foi com base nesta mesma experiência que este blogueiro fez afirmativa em contrario, sem nenhum prejuízo para nenhuma das partes. Até porque o blogueiro não tem autoridade pericial e nem é parte no IP.
Em conversa informal com o perito que examinou a amostra de erva, este teceu vários comentários sobre a conclusão a que chegou; “buscando atender uma clientela cada vez mais vasta, com preços mais acessíveis, ultimamente as drogas de uma maneira geral tem sofrido muitas alterações, tem se diversificado… No caso da maconha, esta, pode ter sofrido alteração genética… Tem surgidos novas cultivares com novas características. Não é exagero falar em ‘maconha transgênica’! Há ainda que se falar nas condições do local do cultivo da planta que pode alterar sua aparência, até mesmo apresentando mais ou menos clorofila…! A erva que me foi entregue para exame apresenta aspectos gerais da Cannabis Sativa de Linneu”.
Somente o exame definitivo com reagente químico, realizado na Divisão de Laboratório de Química do Instituto de Criminalística da Policia Civil, em Belo Horizonte, poderá atestar com certeza se a erva é mesmo maconha! O teste é feito com reagente químico que, uma vez em contato com a erva apresenta ou não a reação ao THC – Tetra- hidrocanabinol, presente na planta em questão. Tal exame deve ficar pronto nos próximos trinta dias.
O assunto da erva que ‘era maconha’, mas ‘não era maconha’, agora ‘é maconha’ mas poderá ‘ser ou não ser maconha’, não traz prejuízo a ninguém… Mas poderia trazer!
No caso de ter sido preso alguém na posse da dita cuja na plantação, teria ficado o delegado entre a cruz e espada! Com base no “laudo preliminar” do perito ele teria que fritar o ‘agricultor’ no 33 e manda-lo para o xadrez! Se ficar provado daqui a trinta dias que a erva é apenas ‘broto de Santa Barbara’ estaria o delegado assinando a 4898! No caso de não fritar o suspeito no 33, e constatar que a erva é maconha, perderia a autoridade a oportunidade de levar à falência um potencial traficante de drogas e ainda poderia assinar um 319!
Toda essa celeuma poderia ser evitada se a policia civil, com seus Departamentos no interior do Estado, tivesse seus laboratórios de química nas Delegacias Regionais…!
Enquanto a “Policia não vai para o interior”, este blog, com base na conclusão pericial da STRC- 17º DPC, retifica matéria publicada no dia 26-11-2014. Ainda que discorde das caraterísticas da planta examinada…!

Vovó Dolores e o netinho de Varginha…

Velhinha III

Estava dona Dolores, 85 anos, sentada numa confortável cadeira de palha na varanda de sua casa no bairro Cruzeiro em Pouso Alegre lendo o livro “Meninos que vi crescer”, da lavra deste blogueiro, no final da manha desta segunda 01, quando o telefone tocou… Estava tão concentrada na leitura da historia “Julio Dezessete e o assassinato do menino Neylor” que pensou que o telefone estava tocando dentro da historia… Só quando tocou pela segunda vez ela se deu conta de que era o velho aparelho da seleta ao lado da janela, e então, depois de secar uma lagrima marota do canto do olho – esse livro deve ser bom mesmo, hein? Está fazendo até velhinha chorar! – se levantou e foi atender o telefone! Do outro lado da linha uma voz de adolescente à trouxe à realidade…
– Oi vó… Sua benção! É o seu netinho Pedro, filho da Marlene! Lembra?
– Pedro…!?
– É Vó, o Pedrinho da Marlene, de Varginha!
– Ahn… Deus te abençoe meu filho. Tá tudo bem com vocês?
– Mais ou menos vó. A gente estava indo visitar a senhora, mas a mamãe bateu o carro num barranco perto de Poço Fundo…
– Meu Deus meu filho! Vocês estão machucados?
– Calma vó. Tá tudo bem. Só a mamãe que machucou um pouco. Ela está no hospital. Eu estou bem. Mas estamos precisando de um dinheiro para consertar o carro e pagar as despesas. A mamãe pediu para senhora depositar dois mil reais na conta dela…!
– Ai meu Nosso Senhor do Passos! Eu vou agora mesmo ao banco aqui perto depositar o dinheiro. Mas vocês estão bem mesmo?
– Não se preocupe vovó… Estamos bem. Só precisamos mesmo do dinheiro para pagar os estragos. Ah, a senhora pode depositar três mil…?
Dolores tirou os óculos de leitura, ajeitou o cabelo diante do espelho, colocou um xale sobre o ombro, trocou as pantufas cor-de-rosa por sapatilhas marrons, pegou a surrada carteira de couro de gato, desceu calmamente a rua até o caixa eletrônico na Avenida Prefeito Olavo Gomes de Oliveira, fez a transferência dos três mil e voltou para casa. Quando ia chegando a empregada veio encontra-la na varanda avisando que o almoço estava pronto.
– Ai, Gigi… Acho que perdi o apetite! Minha filha e meu netinho acabaram de sofrer um acidente quando vinham de Varginha…
– Como é que é? Filha de Varginha? Netinho? A senhora não tem filha que mora em Varginha… Seus netos são todos moços e moram em Brasilia…
– O Pedro minha filha, ele estava com a mãe vindo de Varginha e bateram o carro… Precisavam de dinheiro para pagar o conserto do carro. Eu fui ao banco depositar…!
Antes que Gigi retrucasse o telefone voltou a tocar. A sexagenária empregada que está na família de Dolores há mais de trinta anos atendeu… Era o mesmo “netinho” de antes.
– Oi vó! É o Pedrinho de novo… A minha mãe pediu para a senhora mandar mais dois mil! O estrago no carro foi muito grande!
– Quem é que está falando?
– É o Pedrinho filho da Marlene, vovó… De Varginha!
– Olha aqui rapaz… Dona Dolores não tem filha e nem neto que mora em Varginha!
Neste momento o telefone passou a emitir apenas o tum-tum-tum de aparelho desligado. O vigarista do outro da linha desistiu de continuar aplicando o golpe! Mas três mil reais já estavam na sua conta nalgum lugar do Brasil!
Contos do vigário como esse já fazem parte do dia-a-dia do brasileiro. A cada dia os vigaristas incrementam ou criam novos golpes para roubar o dinheiro dos incautos sem fazer força. Se colar, como colou com dona Dolores na primeira vez, colou! Se não colar, o prejuízo é pouco. Até porquê, é aplicado de longe através de telefone roubado, mesmo!
E o cidadão que fique atento, pois agora em dezembro, quando todas as contas engordam com a chegada do 13º salario, os vigaristas de plantão também querem receber o seu salario extra…!
No caso de dona Dolores que não tem filha com nome de Marlene e nem neto com nome de Pedrinho, o golpe funcionou pela metade. Ela perdeu três mil reais. Se a empegada Gigi não tivesse atendido ao telefone na segunda vez, o vigarista teria aplicado o “golpe à prestação”! “Golpe à Prestação”? Isso mesmo. Depois de extorquir dinheiro à distancia, por telefone, o golpista vendo que funcionou, tenta de novo… Não tem nada a perder mesmo! Veja o caso do “Primo Naldinho” acontecido tempos atrás no Jardim América!

“O Primo Naldinho e o Conto do Vigario à prestação

Aconteceu a algumas semanas. Dona Maria estava entre a cebola do arroz e o alho do feijão, no meio do almoço no Jardim América, quando o telefone tocou…
– Alô tia, é o seu sobrinho Naldinho, de Bragança Paulista, tudo bem? O primo taí…? Pede para ele me ligar, urgente. Anota aí, o numero…
Quando o filho chegou ela transmitiu o recado e ele imediatamente retornou a ligação.
-Primo? Ih rapaz, tô numa enrascada… Eu tava voltando para casa e o meu carro quebrou na estrada. Estou sem grana. Será que você não poderia me mandar o dinheiro para pagar o mecânico?
… E o filho de dona Maria, primo do Naldinho mandou R$ 1.200 reais… Depositou na conta da esposa do mecânico.
Uma hora depois o primo voltou a ligar. Já estava na oficina.
– Não sei nem como te falar isso, primo, mas o conserto vai ficar em R$3.100! Eu estou numa oficina na beira da estrada, sem dinheiro…! Será que você não pode inteirar pra mim grana?
E o filho de dona Maria, primo do Naldinho, novamente transferiu o valor para a conta corrente da mulher do mecânico!!!
As três horas da tarde Naldinho voltou a ligar para o primo, todo triste. Quase dava para ver as rugas de preocupação e desanimo no rosto dele e as lagrimas escorrendo…
– Ah, primo, tô ferrado…! É o motor que ‘tá’ fundindo. Vai ficar em seis mil reais! Será…
Outra vez o primo saiu de sua casa, foi até o banco e transferiu os R$6 mil para a conta da esposa do mecânico!!!
Lá pelas seis da tarde Naldinho, o sobrinho de dona Maria voltou a ligar para o primo. Desta vez não precisava de mais dinheiro, não. Nem para a gasolina. Ligou para agradecer o primo por tê-lo tirado da enrascada.
Oh, primo, você e tia foram super bacanas comigo. Ninguém teria feito por mim o que vocês fizeram – também acho – Amanhã cedinho estou chegando aí para tomar o café com vocês. Valeu primão…
As seis da manha do dia seguinte o telefone da dona Maria voltou a tocar. Era o Naldinho de novo!!!
– Ah primo, nem te conto! Estou parado numa blitz da policia rodoviária… Tô precisando de mais algum dinheiro…
… E o primo do Jardim America – pasmem meus estimados leitores!!! – desta vez não depositou mais dinheiro na conta da mulher do mecânico!!!
Isso mesmo. O filho de dona Maria, passou a noite matutando com seus botões: “Será que o primo Naldinho vai me pegar os R$ 10.300 que eu emprestei”? E chegou à conclusão que não depositaria nem mais um centavo na conta da mulher do mecânico caso ele voltasse a ligar…!
Depois de desligar o telefone na cara do primo Naldinho, o filho de dona Maria resolveu procurar na agenda o numero do telefone dele! Fez uma brilhante descoberta… O numero era outro! Ligou para ele e soube que seu carro estava descansando placidamente na garagem de sua casa em Bragança Paulista… Sem nenhum problema no motor!
Na semana seguinte, depois de tentar inutilmente cancelar as transferências bancarias para a conta da mulher do mecânico, o primo do “Naldinho”, filho de dona Maria, finalmente procurou a delegacia de policia para registrar queixa contra o falso Naldinho, pois achava que havia caído em um golpe…!!!
Não ria do primo do ‘Naldinho’… Este é o famoso golpe do “Alô, vovó”. Vem sendo aplicado todo dia em cidades de qualquer porte. Qualquer família pode cair no golpe. Especialmente primos de ‘bom coração’…”

Professor lança livro sobre a família “Coutinho no Sul de Minas”

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A obra que resgata dois seculos de historia de uma das mais tradicionais famílias da região, trás a co-autoria do historiador Celso Coutinho.

O lançamento ‘popular’ do livro aconteceu no ultimo dia 15 de novembro no bairro dos Coutinhos, onde teve origem a família, durante encontro dos descendentes do patriarca. João Coutinho Portugal estabeleceu-se com a segunda esposa no município de Congonhal em 1814, dando origem à Família Coutinho no Sul de Minas. O livro impresso pela Editora Santuario, com 511 paginas, conta a trajetória dos Coutinhos e seus desmembramentos, com suas nuances e características, seus hábitos e tradições e a arvore genealógica que está na 11ª geração.
Lançado informalmente durante o IV Encontro da Família no mês passado, onde vendeu 680 copias, o livro “A Familia Coutinho no Sul de Minas” escrito pelo Professor Hilário Coutinho, será lançado formalmente pela Academia Pouso Alegrense de Letras no inicio de 2015. Os leitores no entanto, poderão adquirir a obra na “Livraria Intelecto” de Pouso Alegre ou através de ‘email’ do autor.
Ensinando Filosofia há 26 anos em escolas de Pouso Alegre e região, inclusive na ETE-Santa Rita do Sapucaí, o professor Hilario Coutinho, oitavo na arvore genealógica da família Coutinho, precisou de dez anos para escrever o livro. E conta como foi…

Airton Chips: Professor, por que escrever um livro sobre a Família Coutinho?

Hilário Coutinho: A intenção primeira é resgatar a nossa história, cujo bicentenário se completa este ano. Mas, também, temos a intenção de proporcionar mais duas virtudes à Família Coutinho: dar a ela notoriedade histórica e social, pelo tempo e ação no Sul de Minas e ainda preservar, oficialmente, sua identidade de colônia portuguesa, coisa que ninguém havia falado disso até hoje.

A. Chips: O que você espera da comunidade Coutinho, com este livro da própria história?
H. Coutinho: Considerando que o historiador apenas significa os fatos, só podemos esperar três coisas da família Coutinho: primeira, que as pessoas interessadas leiam essa obra que foi escrita muito mais com a alma que com a racionalidade acadêmica.
Espero ainda que, ao ler a própria história, cada leitor, dentro da sua realidade, valorize os nossos e seus parentes, pois é deles que a história foi construída e agora registrada.
E, por último, espero que preservem sua identidade histórica e a contem aos seus filhos, para que cada geração se veja dentro de um processo social e na dinâmica da história da humanidade.
A. Chips: Quem atuou com você para a produção do livro?
H. Coutinho: Diretamente, como coautor, foi o meu primo Celso Coutinho. Desde o primeiro momento, quando eu tive a ideia de produzir o livro, fui à casa dele, falamos sobre o assunto, e o processo ocorreu como esperávamos, até o livro ser editado, lançado e entregue à comunidade. Tivemos apoio direto ainda do amigo e parente, Isaias Claret de Lima, que assumiu o levantamento dos descendentes de Joaquim Venâncio Coutinho. Outras pessoas, conforme estão lançadas nos agradecimentos especiais do livro, nos ajudaram na coleta de dados de seus familiares.
A. Chips: Qual foi a maior dificuldade para escrever o livro?
H. Coutinho: Seguramente, foram as intermináveis pesquisas em livros das Igrejas, das cidades por mim visitadas. Gastei tempo, dedicação e até muito dinheiro para documentar tudo, comprovar os fatos e oficializar em documento acadêmico.
A. Chips: Das cidades visitadas, qual mais marcou o seu trabalho de pesquisa?
H. Coutinho: Foi a cidade da Campanha da Princesa. Lá, no solitário do saguão da Cúria Episcopal, fiquei incontáveis horas e em vários dias, passando folhas de enormes livros antigos, à caça do tesouro oculto: certidões de nascimento, casamento e óbitos dos nossos antepassados.
A. Chips: E qual foi o maior desafio enfrentado durante esses 10 anos de pesquisa?
H. Coutinho: Foi a morte da minha mãe. Mamãe faleceu dia 26 de dezembro de 2.004, quando eu já estava embalado com as pesquisas bibliográficas. A morte dela foi uma ducha de agua gelada em minha vida. Por muito pouco eu não joguei tudo para o espaço.
A. Chips: Mas, porque 10 anos, uma década para produzir esse livro, embora grande e complexo?
H. Coutinho: Bom, primeiro eu não sou nem historiador e nem escritor oficial. Sou um professor de Filosofia. Leciono mais de 50 aulas semanais e tenho que correr 400 km por semana para atender as cinco unidades escolares. Então, eu fiz o que pude, administrando os três tempos da vida: atenção à minha família, dedicação ao trabalho e aplicação às pesquisas para o livro! Outra dificuldade é a natureza da obra. Escrever livro dessa natureza, não basta ser contador de causos e ter boa vontade, é preciso conhecer mais profundamente as coisas e ir aos lugares certos e de forma responsável.
A. Chips: O livro está dividido em duas partes, uma histórica e outra genealógica. Qual das duas foi a mais difícil fazer?
H. Coutinho: Obviamente, foi a parte histórica. Essa foi preciso conhecer os fatos, confirmá-los e, o mais difícil, dar significado a eles. Isso é pura produção intelectual de quem escreve. Uma coisa é contar o fato, oralmente; outra coisa é escrevê-lo, manter a sua veracidade e colocar alma nele. Quanto à genealogia, bastava correr de duas a três vezes às casas das pessoas, e coletar os dados.
A. Chips: O livro foi lançado popularmente e entregue à comunidade Coutinho. Por acaso há projeto para um lançamento mais acadêmico?
H. Coutinho: Sim. Eu já tive contato com a ACADEMIA POUSO ALEGRENSE DE LETRAS, através da Maria do Carmo, a ‘Madu’. Estamos acertando uma data viável, para o início do ano que vem, para um lançamento acadêmico em Pouso Alegre. Na data certa, vamos comunicar a todos sobre esse evento.
A. Chips: Como as pessoas interessadas devem fazer para adquirir o livro ?
H. Coutinho: Temos, por enquanto, três meios para a aquisição do livro:
Através da Livraria Intelecto, que fica em Pouso Alegre, na Rua Comendador José Garcia, número 272. Pela internet, no email [email protected], E ainda diretamente no “Restaurante Casa da Vó”, no próprio bairro dos Coutinhos, em Congonhal.
A. Chips: Suas considerações, professor…
H. Coutinho: Aproveito para agradecer a você a oportunidade de estar aqui nesta pagina divulgando nosso trabalho e agradecer as pessoas que leram e que estão lendo o livro “A família Coutinho no sul de Minas”. Finalizando, posso dizer que a minha experiência de escrever a história é semelhante a dar um mergulho no escuro do túnel do tempo, sem a menor ideia de onde se pode chegar. E que, escrever sobre genealogia é o mesmo que correr atrás do infinito!

 

Parque Zoobotanico de Pouso Alegre homenageia ambientalista

Bonillo

A denominação que homenageia o ambientalista e ex-chefe do Ibama professor Fernando Bonillo foi aprovada pela Camara Municipal da cidade na sessão da ultima terça feira, 25. O projeto de autoria da vereadora Lillian Siqueira foi aprovado por unanimidade por seus pares.
Fernando Afonso Bonillo Fernandes era Mestre e Doutor em engenharia florestal pela Universidade Federal de Lavras – Ufla – com especialização em agricultura, ciências do meio ambiente com ênfase em biologia; era professor do curso de Ciências Biológicas da Universidade do Vale do Sapucai – Univás – em Pouso Alegre. O ambientalista era chefe da unidade regional do Ibama em Pouso Alegre e uma das principais referencias em meio ambiente no Sul de Minas. A formação acadêmica no entanto, diz menos do que foi o homem… Fernando Bonillo era apaixonado pela natureza. Símbolo e legitimo defensor do meio ambiente. Sua figura alta, séria e agradável, sem ser sisuda, era presença constante, inclusive, na delegacia de policia resgatando e amparando animais de toda espécie apreendidos em poder de caçadores e malfeitores. Resgatou e devolveu à natureza centenas, milhares de aves indefesas e outros bichos. Fernando Bonillo morreu no dia 01 de outubro do corrente vitima de câncer, aos 58 anos.
Importante remanescente da Mata Atlântica e considerado pelas autoridades ambientais como Unidade de Conservação de Proteção Integral, o Parque Municipal de Pouso Alegre à noroeste do município, está localizado ao lado de um complexo montanhoso denominado Serra do Santo Antonio, interligado de forma contígua à Reserva Particular Mata dos Sabiás e à Reserva Florestal do 14ª GAC. Formam juntos um maciço de aproximadamente 350 hectares de florestas e montanhas. Possui ainda uma área de uso publico de cerca de 12he destinada a atividades de educação ambiental, lazer e recreação para a população – será que existe um pousoalegrense que não conhece o antigo Horto Florestal da cidade? – além de dois lagos de quase quatro hectares de espelho d’agua. O acesso à área de lazer é feito através de uma alameda asfaltada circundada por pinos plantados quando da construção do parque em 1971.
O espaço representa um importante reduto para diversas espécies de animais, incluindo espécie da mata atlântica ameaçadas de extinção. Abriga um viveiro de mudas de varias espécies e frondosas arvores centenárias. A poucos metros da área de lazer reina um imponente Jequitibá de mais de 500 anos. Reserva florestal com diversidade biológica, com trilhas para caminhada junto à natureza, com animais, aves, plantas, lagos e recreação aberta ao publico, a 4,5 km do centro da cidade, o espaço é considerado um monumento natural paisagístico. O parque que a partir de agora passa a chamar-se Parque Natural Municipal “Prof. Dr. Fernando Afonso Bonillo Fernandes” é uma sala de aula a céu aberto para quem queira ensinar ou aprender sobre a natureza e sua preservação.

Logo na entrada do parque a criança já sente que é bem vinda...

Logo na entrada do parque a criança já sente que é bem vinda…

Nenhum logradouro publico seria mais apropriado para homenagear aquele que foi um dos maiores defensores do meio ambiente. Fernando Bonillo, que conheci molecão, alto, esguio, com cara de menino estudioso, nos anos 70 na Rua Adalberto Ferraz, e vi desfilar nos últimos anos com a autoridade de quem sabe o que quer e sabe o que faz está no lugar que pediu à deus para viver a eternidade! Como disse hoje pela manhã um delegado quando falávamos de sua figura publica: “Fernando Bonillo era o homem certo, no lugar certo”!
Mudou de dimensão, mas continua no lugar certo!
 

PM apreende 142 pés de erva no Faisqueira

A suposta droga apreendida no Faisqueira: Isso é talvez, erva de Santa Barbara

A suposta maconha apreendida no Faisqueira: Isso é, talvez, broto de erva de Santa Barbara…

A apreensão aconteceu no final da tarde desta segunda, 24, no Loteamento Pão de Açucar. Os homens da lei chegaram até o local através de denuncia de amigos ocultos da lei que informavam haver uma plantação de maconha no terreno ali vizinho. Durante procura pelos pés da erva no terreno baldio, inclusive com ajuda de cães farejadores, os policiais encontraram vários pés de arbustos verdes com folhagem parecida com a da famigerada maconha. Toda a plantação, cujos pés mediam entre um metro e meio, foi arrancada e levada para a delegacia de policia.
O BOPM que narra a apreensão da suposta droga diz que “após busca em vasto terreno, foram localizados e contabilizados 142 pés da substancia entorpecente”.
O exame de constatação, que naturalmente precede o exame definitivo, indispensável para que a autoridade policial ratifique o flagrante do suspeito, dono ou portador da droga, não chegou a ser feito, pois ninguém foi preso no local da plantação. Faltou elemento do crime! Na verdade faltou também materialidade, como se verá adiante!
A noticia da apreensão de considerável quantidade de drogas in natura logo ganhou a imprensa local. Antes mesmo dos exames de constatação da droga, que é feito pela policia técnica da policia civil.
Em contato visual com a foto da suposta droga arrancada, em um site de noticias local, este blogueiro perguntou pelas fotos da verdadeira droga, uma vez que a foto mostrada exibia um arbusto de caule liso e folha verde escuro, ligeiramente arredondadas, bem diferentes de Cannabis Sativa de Lineu, cujo caule é ‘peludo’ e tem folhas verdes claras, longas e serrilhadas! Lançada a duvida sobre a autenticidade da droga, o site retirou a matéria do ar, e, como havia sido visto por outros sites, desde então outros órgãos de imprensa tem procurado a delegacia de Policia buscando confirmar se os brotos apreendidos são ou não de maconha!

Isso é um broto tenro de Cannabis Sativa de Lineu...

Isso é um broto tenro de Cannabis Sativa de Lineu…

Na ausência do delegado da Especializada de Combate o Trafico, Gilson Baldassari, que está de férias, o delegado Regional Flavio T. Destro, determinou à Pericia Técnica que faça o exame de constatação na erva para, em caso negativo, mandar arquivar o BO.
Este blogueiro, como já havia feito no site co-irmão em contato visual com a foto da suposta droga, adianta a o resultado; o BO será arquivado! Os 142 pés de erva apreendidos na segunda feira no Faisqueira não são de erva marvada! A principio parecem brotos nativos de erva de Santa Barbara. Não possui o THC previsto no artigo 33 da Lei 11.343 como droga. Se alguém estivesse no local cuidando da ‘lavoura’, não estaria cometendo nenhum crime…!

... Que pode chegar a três de altura!

… Que pode chegar a três de altura!

 

João Andante não é mais João, mas continua Andando… Mesmo sem as pernas!

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Produzida no Brasil desde que o país era criança em fraldas – 1530 – a bebida produzida com caldo de cana fermentado é a única genuinamente brasileira! No Período Colonial tornou-se símbolo da resistência ao colonialismo de Portugal. Mais tarde no Império, tornou-se símbolo da Independência do Brasil.
Passou por vários status sociais. Dos escravos aos senhores de engenho. Do proletariado à burguesia! Apreciada pela elite dominante do século dezenove, frequentou até o palácio real. Com a proclamação da republica em 1889, perdeu duplamente a nobreza! A partir de então o chic era beber vinho, champanhe e Whisky importados. E a velha cachacinha virou “bebida de pobre”, vendida em botecos…!
Ficou assim marginalizada durante quase um século! A partir de 1980 começou reconquistar seu espaço. Hoje só no município de Salinas, Nordeste de Minas, existe cerca de 60 alambiques. Todos tentando seguir os passos da septuagenária conterrânea Havana, que não se encontra por aí a menos de R$ 450 a garrafa.
Em 1995 o escrivão de policia aposentado, Sr. Lima, se valendo do bom relacionamento com a alta sociedade pousoalegrense, entrou no ramo da cachaça. Trazia de salinas a famosa “Lua Cheia”. Comprei algumas dele à R$ 4 a garrafa de 600ml. A Velho Barreiro ou a 51 custavam na época R$1,70 o litro! Hoje a mesma Lua Cheia custa no mercado em media R$ 42.
Há muito que se falar deste novo filão de ouro brasileiro – coincidência ou não, a cachaça ouro predomina sobre a prata em todas as prateleiras e cachaçarias – que a cada dia ganha mais o mercado estrangeiro. Tem até um ator americano fazendo comercial de uma cachaça brasileira. E olhe que nem é das melhores!
Mas voltemos ao titulo desta embriagante matéria!

Em 2008 a Agropecuária Santo Antônio do Cerrado, produtora da cachaça Passatempo de Minas na zona rural de Passa Tempo-MG, resolveu expandir seus negócios e criou um novo rotulo para sua cachaça. Um nome bastante sugestivo para a bebida: “João Andante”! A cachaça ouro, envelhecida em toneis de carvalho e amburana, com aroma delicado da madeira chegou ao mercado com um preço ligeiramente amargo… R$ 76. – No mercado municipal de BH sempre paguei abaixo de setenta reais!
O rotulo da João Andante tem o desenho que mistura o matuto Jeca-Tatu, personagem de Monteiro Lobato, e o andarilho Juquinha, antigo morador que ficou famoso na Serra do Cipó. “João” caminha carregando uma trouxa de roupas nas costas.
João Andante começou caminhando muito bem, mas não tardou viu a empresa americana Diageo cruzar seu caminho. A holding que é dona da marca de uísque Jonnnie Walker acusava a cachaçaria de plagiar sua marca. Segundo a marca de whisky, além da figura do andante imitar a imagem do lorde inglês que desfila com chapéu e bengala em suas garrafas de whisky, o nome “João Andante” é tradução literal de Johnnie Walker! Na briga com a gigante americana, João Andante perdeu as pernas!

Quem acolheu o João em suas andanças por aí, enquanto ele ainda tinha pernas, se deu bem...  Essa eu comprei em janeiro, quando João ainda andava livremente pelo mercado de Belo Horizonte. Guardo para ocasiões especiais...!

Quem acolheu o João em suas andanças por aí, enquanto ele ainda tinha pernas, se deu bem…
Essa eu comprei em janeiro, quando João ainda andava livremente pelo mercado de Belo Horizonte. Guardo para ocasiões especiais…!

Quem hospedava João Andante em seus depósitos quando a justiça determinou a suspensão da sua distribuição, viu o preço triplicar. Pena que o estoque não durou mais que dois meses!
Apesar de perder a identidade e até as pernas, a cachacinha de Passa Tempo continuará andando. A garrafa é a mesma, o conteúdo é o mesmo, o preço é até mais adocicado e o rotulo muda para: “O Andante”. Com o mesmo saco nas costas… Mas sem as pernas!
“O Andante” foi lançado oficialmente na Expocachcaça na Expominas em Belo Horizonte em maio de 2014 e deve custar nas cachaçarias cerca de R$62.

 

Mudou-se o rotulo, mas o conteúdo é o mesmo!

Ciclista atropelado no Aterrado era benzedor

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O trágico acidente aconteceu no meio da tarde desta segunda, 17, na Avenida Vereador Antônio da Costa Rios no Aterrado em Pouso Alegre. O ciclista, então desconhecido, inexplicavelmente se atrapalhou e caiu da bicicleta debaixo de um ônibus que passava pela avenida. Não houve tempo de frear. As rodas atingiram parte do corpo e a cabeça, fazendo-a explodir. De um segundo para outro o ciclista sem documentos nos bolsos estava morto, estendido na pista quente da avenida. Antes que uma alma bondosa providenciasse um lençol para cobrir o corpo, dezenas de celulares registraram a cena, até certo ponto macabra! Em poucos minutos as fotos do cidadão com a cabeça esmagada, com os miolos espalhados na pista, correram as redes sociais!
No crepúsculo da mesma segunda feira, já identificado por familiares, o corpo do ciclista foi submetido a exame de necropsia no IML de Pouso Alegre, como de praxe, e liberado para a família. Era Sebastião Rodrigues da Silva, 70, morador da ultima casa da Rua Joao Sabino de Azevedo no velho Aterrado.
O corpo do Sr. Sebastião foi velado, em caixão aberto, por algumas horas na funerária Ferracioli e ainda na segunda foi levado para ser velado e sepsultado na cidade de Silvianópolis, sua cidade natal, onde moram seus parentes.
Mas depois de ter a cabeça esmagada, como mostraram as fotos em milhares de celulares, foi velado em caixão aberto!?
Sebastião Rodrigues da Silva era uma daquelas pessoas que seguem à risca o ensinamento cristão: “fazer o bem sem olhar a quem”! Ele era ‘benzedor’! Dezenas, centenas de pessoas já receberam sua benção e tiveram suas dores físicas e ou espirituais aliviadas. E até curadas! Há cerca de quatro anos, Sebastião frequentou o Pronto Atendimento do bairro São Geraldo para tratar de um ferimento na perna. Na ocasião ele recebeu os cuidados da Tecnica de enfermagem Cida… Numa dessas ocasiões Cida se queixou que tinha uma terrível e crônica dor de cabeça que a acometia com frequência. E Sebastião perguntou…
– Voce acredita em benzimento, minha filha?
– Sim. Claro…
– Então eu vou benzê-la!
Desde então, Cida nunca mais “tomou Doril”… Mas “a dor sumiu”!
Sebastião Lumumba de Melo foi jogador de futebol profissional. Jogou no Alfenense, Manhuaçu, e vários outros clubes da Segunda Divisão do futebol mineiro nas décadas de 60 e 70. Paralelamente à profissão de jogador exercia também a função de auxiliar de necropsia. Em 1984 ingressou formalmente na Policia Civil como Auxiliar de necropsia. Há seis anos, com a extinção da sua profissão dos quadros da policia, foi promovido a Detetive. Depois de quase quarenta anos cortando mortos para serem examinados pelos legistas; costurando e muitas vezes emendando e reconstruindo cadáveres para entregá-los apresentáveis aos familiares, Lumumba contraiu uma tosse crônica que nem barris de xarope resolviam. Por isso, também, decidiu pendurar as chuteiras do IML e foi trabalhar na nova profissão na Aisp 110ª como investigador de policia. Um belo dia, estando na companhia da esposa, a enfermeira Cida, no centro da cidade, encontrou Sebastião Rodrigues da Silva, o Benzedor!
– Este é o Sr. Sebastião! Aquele que me benzeu e curou minha enxaqueca, lembra Lumumba?
Apresentados os xarás pegaram de prosa. Logo a tosse deu seus sinais de vida. Em meio à rapida conversa, entre uma tossida e outra, Sebastião Lumumba contou à Sebastião Rodrigues que a tosse antiga, provavelmente contraída abrindo túmulos, pretendia leva-lo para o tumulo! Sebastião Rodrigues, humilde e solicito então repetiu a clássica pergunta;
– Voce acredita em benzimento, meu filho?
– Claro! Ainda mais depois que a Cida parou de ‘chorar’…!
E ali mesmo na beira da rua, encostado numa banca de jornais, o velho benzedor fechou os olhos, conversou’ por alguns instantes com Deus, fez alguns gestos no corpo de Lumumba e, Alacaziu… A tosse sumiu! Agradecido Lumumba disse o tradicional “Deus lhe pague” sem imaginar que um dia poderia ter a chance de pagar, pessoalmente! Se despediu e nunca mais tossiu! E nunca mais se viram…

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Recentemente o IML de Pouso Alegre recebeu duas novas medicas legista. Desde então foram feitos alguns ajustes e inovações no órgão para melhor atender a população. Sebastião Lumumba, há seis anos afastado das necropsias e exumações, pela sua longa experiência, foi chamado de volta. Era só um convite. Ele não era obrigado a aceitar. No entanto, após avaliar as mudanças no órgão, decidiu aceitar o convite, sem contudo deixar suas atividades de investigador. Aliás, no IML se investiga tanto quanto em qualquer outro setor de investigação da policia. Os corpos inertes e muitas vezes dilacerados falam… E tem muitos segredos para contar! Qualquer policial que se interesse e disponha a ouvi-los, desvendará muitos segredos que, de outra forma, serão levados para o tumulo!
No final da tarde da ultima segunda Lumumba foi chamado para mais uma necropsia no IML. Deixou seus afazeres na Aisp 110ª e foi para seu antigo mitier. Não sabia quem era a vitima da vez. Sabia apenas que era um senhor vitima de atropelamento, totalmente desfigurado pelas rodas de um ônibus no Aterrado. O estado do corpo era lastimável. Irreconhecível! Um leigo não daria conta de reconstruí-lo! Mas Lumumba já fizera isso dezenas, centenas de vezes sem jamais ter ideia de a quem pertencia o corpo, como agora. Fazia por respeito aos mortos, por consideração aos familiares, por amor à profissão muito embora a obrigação seja apenas refazer os cortes necessários para exames. Fazia pelo prazer de ser útil…!
Terminada a necropsia no atropelado Lumumba usou todo seu talento para reconstruir o corpo. Limpou, lavou, enxugou, emendou, costurou, e quando finalmente olhou de frente para o morto, reconheceu… Era o xará Sebastião Rodrigues, o benzedor! Aquele mesmo que havia curado a enxaqueca de sua esposa Cida e meses depois, na beira da rua perto de uma banca de jornal havia benzido e curado sua tosse crônica! Se não tivesse usado toda sua experiência em reconstruir corpos dilacerados sobre a mesa do IML, não teria sequer reconhecido o bondoso benzedor! Emocionado finalizou seus trabalhos e entregou o corpo do amigo à funerária. Aquela imagem que circulara pela internet causando espanto e repulsa nos curiosos, não existe mais. Familiares e amigos que acompanharam o velório do bondoso benzedor puderam ver, além de sua fisionomia cândida, apenas uma discreta cicatriz na testa.
Quanto ao auxiliar de necropsia? Bem, Lumumba deve ser descendente de Rowan… Por isso é um profissional capaz de levar uma “Mensagem à Garcia”!