Maria da Penha manda mais dois valentoes para o hotel do Juquinha

       Alecir Vitorino da Silva, 27 anos e L.R.P.Dias, 26, um dia foram almas gemeas. O bichinho do ciume separou o casal e hoje cada um segue seu caminho. Mas continuam se esbarrando …

      L.R.  tem novo amor e Alecir tem um novo rancor. Ao pezinho da manha desta sexta ele voltou à casa da ex-carametade no loteamento Monte Azul, segundo ela, mamado, desafiando o rival. Ao perceber que ele estava ausente, encheu-se de coragem, sacou uma faca de cozinha e passou a  ameaçar a ex-companheira. Antes que os homens da lei chegassem ao local, chamados por ela, Alecir dobrou a serra do cajuru, mas ficou de bobeira nas imediações e foi ‘convidado’ a sentar-se ao piano da delegada de proteção à mulher na DP, onde assinou um 147 com os rigores da Lei 11.340 e foi se hospedar no hotel do Juquinha.

       Enredo completamente diferente mas com desfecho identico aconteceu no velho Aterrado na quarta.

      Benedito Antonio Luiz Ramos, 50 anos e M.V.da Silva, 57, vivem um torrido romance e dividem os cobertores há 8 anos. Além da paixão pela carametade, Benedito Antonio tem um caso fortissimo com Severina do Popote, por isso vivem entre tapas e beijos. Por causa daquela tonteira que a cachaça provoca, Benedito só consegue emprego de Oleiro e trabalha de vez em quando. Como em toda casa alguem precisa trabalhar, M.V. vai à luta para sustentar a casa. Na quarta feira ela chegou do trabalho no meio da tarde e encontrou o amasio completamente mamado nos braços de Morfeu. Para completar seu infortunio, havia uma mulher estirada no sofá da sala. M. V. quis explicações do companheiro pe-de-cana mas recebeu apenas bolachas… Só algumas na verdade, pois ele não conseguia parar em pé….

      Os homens da lei foram chamados e o oleiro desceu no taxi do contribuinte para a DP. Apos assinar o 129, Antonio Luiz foi engrossar as fileiras do valentões do Hotel do Juquinha…

Ambulancia sai da UTI … e vai para o cemiterio!!!

        O motorista Vitor Hugo e o enfermeiro Alexandre passaram por uma prova de fogo – literalmente – no final da tarde desta sexta em Santa Rita do Sapucai. Eles trafegavam pela avenida Francisco Andrade Ribeiro, a poucos metros do centro da cidade, no interior da ambulancia Fiat Fiorino placa GMG 7931, pertencente a Secretaria Municipal de Saude, quando de repente ela pegou fogo. Eles só tiveram tempo de encostar no meio fio, concidentemente embaixo de um poste da rede eletrica e saltar. Quando ja estava em segurança, com o veiculo sendo tomado pela fumaça negra e pelas chamas, Alexandre se lembrou que no seu interior haviam dois cilindros de oxigenio… se explodissem, seus estilhaços poderiam ferir transeuntes e curiosos, por isso  encheu-se de coragem e retornou ao veiculo para resgatar os cilindros.

        O fogo foi combatido pelos sempre prestativos e atuantes agentes da Guarda Municipal de Santa Rita e posteriormente pelo Bombeiros de Pouso Alegre, evitando que a rede eletrica fosse atingida. Mesmo assim a velha ambulancia virou um monte de ferro.

       Os profissionais da saude voltavam de um evento de inauguração na Cooperrita, onde estivera presente o dignissimo governador do estado, Antonio Anastasia.

      A velha ambulancia, com mais de 15 anos de vida,  já estava na UTI há muito tempo. Cinco anos atrás fiz a pior viagem da minha vida sentado no banco da frente, sem poder mover os joelhos por falta de espaço e sentindo náuseas por causa do cheiro azedo e encalacrado de cigarro consumido pelo motorista ao volante. Viagem pior ainda fez minha ‘pupila’, a incendiaria A.T.M., deitada na maca com dois pares de pulseiras de prata até, Belo Horizonte. ( “Meninos que vi crescer” – Amelinha… aquilo sim era aborrecente de verdade)

       Três meses atrás paramos no trevo de Cachoeira para socorrer um mecânico de Paraisópolis que ao cruzar a BR de moto fora tolhido por uma caminhonete. A sobredita ambulancia já estava no local com um motorista e um enfermeiro, porém sem medico, por isso a minha esposa, a médica Tatiana Telles e K. de Matos, prontamente entrou no furgãozinho e transportaram o moribundo para o PS do Regional. Durante a viagem ela percebeu que a fumaça que saia pelo escapamento quebrado, estava invadindo o interior do furgão… Ao mesmo tempo que salvava seus passageiros dos traumas dos acidentes a velha ambulância os sufocava com gás monóxido de carbono. Por este e outros motivos a ambulância baixou à enfermaria, digo, oficina particular e ficou em tratamento até a manhã desta sexta, quando então recebeu alta e foi dar plantão na festa da cooperativa à disposição do governador. Isso é que é receber bem um Chefe de Estado…!!!

       Caso Anastasia tivesse que ser socorrido nesta ambulância, o novo governador de Minas agora… seria Alberto Pinto Coelho…

Policia Civil prende ladroes de café na capital

       Quando os tres carreteiros pararam para dormir no posto Dom Pedro II no inicio da madrugada do dia 18 de agosto do corrente, tiveram uma surpresa. Estavam terminantemente proibidos de dormir na boleia naquela noite. Teriam que passar a noite de maneira ainda mais desconfortável. Uma quadrilha com cerca de 10 integrantes encostou o cano frio das metrancas em seus narizes e os levaram no porta malas de seus carros roubados para uma estrada vicinal ali perto. Passaram a noite amarrados ao pé de um capexingui qualquer na beira do mato. Enquanto isso as tres carretas com 1500 sacas de ‘ouro negro’ que partira de Varginha rumo à São Paulo, mudaram de itinerario, nos braços dos ladroes de café.

        Ao meio dia daquela sexta feira os tres carreteiros chegaram desenxabidos ao posto da PRF na Fernão Dias para registrar o roubo. Às quatro da tarde os detetives Alberto, Balca Teobaldo, Ozanam e Jose Antonio e dois patrulheiros federais bateram à porta do galpão da empresa Costa Freitas industria e Comercio de Graos, em Campanha. La dentro estavam as 1500 sacas de café tipo exportação, mudando de embalagem.

        No local e adjacencias os policiais prenderam em flagrante de roubo e/ou receptação Rafael Junio de Freitas, 25, Rosivaldo “Giló” Marques Costa, 56, Ricardo Filipe de Morais e Ivam Kaheler 33 anos, todos ‘socios’ da empresa distribuidora de café.

       Apesar da eficiencia dos homens da lei em apurar o roubo, prender parte da quadrilha e recuperar cem por cento da carga roubada, avaliada em mais de meio milhão de reais, em menos de 24 horas, nenhum dos envolvidos no roubo e receptação da valiosa carga viu dois sóis nasceram quadrados… deixaram o Hotel do Juquinha no dia seguinte. Coincidencia ou não, o socio da empresa, Ivam Kahler de Morais Barros, é filho de uma Juiza aposentada de Varginha!!

      Apesar de recuperada a res furtiva e devolvida aos verdadeiros donos, é necessario identificar os assaltantes que tomaram as carretas e esclarecer a culpa de cada um no imbloglio… E como policia mineira é brasileira, não desiste nunca, Gilson Baldassari, responsavel pelas investigações pediu e finalmente o homem da capa preta decretou a prisão temporaria dos moços do armazem. A esta altura, cada um dos ladroes de café ja está confortavelmente instalado no seu apartamento em “local incerto e não sabido”.

       Nem tanto. O S.I. da PC localizou e nesta terça o delegado Gilson e os detetives Balca, Teobaldo, Ozanam, Andreia e Elon foram almoçar com dois deles em Belo Horizonte. Rafael Junio, tão logo ganhou a liberdade no dia 20 de agosto, mudou-se de cidade e de ramo. Comprou metade do restaurante “Churrasquinho do Manoel” nas imediações da PUC na capital mineira e levou com ele o comparsa, digo socio, Rosivaldo Giló, chef de cozinha nas horas vagas. Os policiais chegaram na ‘melhor hora’, surpreenderam Rafael com o garfo na mão, sentaram ao seu lado e disseram apenas:

– Não tenha pressa Rafael, pode terminar o almoço que nós pegamos o cafezinho p’ra voce… – Tudo que ele pode fazer foi juntar os talheres cruzados no prato como manda a etiqueta e dizer ainda com a boca cheia;

– Perdi a fome…

       Giló estava na porta da cozinha e tentou sair de fininho. Ao ser interpelado se explicou:

– … Vou só virar o bife para não queimar.

       Queimou. Manoel perdeu os socios. Rafael e Rosivaldo Giló não terão mais que se preocupar com comida. Eles comerão de marmita pelos proximos trinta dias no Hotel do Juquinha. Ivam Kheler, empresario de otimas ‘referencias’ e pedigree, está com a barba de molho. Ja Ricardo Filipe, que tem muita coisa para contar, dobrou a serra do cajuru e todas a outras que pode sul abaixo. Para enroscar-se nas malhas da lei, só se os pupilos do delegado Gilson cruzarem a fronteira. Segundo o S.I.P.C. ele agora é um cidadão paraguaio…. mas a batata também assa no Paraguai

Zeca Juru, o bom matuto

        Depois de uma rapida conversa com meu amigo Zeca Juru ha duas semanas, minutos antes da posse dos novos chefes da policia civil de Pouso Alegre, fui visitá-lo em seu pequenino sitio ao pé da serra do Cajuru. Cheguei no final da tarde quando o sol ja se deitava e fui recebido por dona Filomena.

– `Tarde seu Chips… o sinhor num morre tão cedo. Gorinha memo quando fui levá a cabaça d’agua pro Zeca na roça ele priguntô  docê. Inté parece qui eli sabia qui o sinhor ia chegá…

– Pois é, Filó… Fui tirar umas fotos do velho casarão do Coisa Ruim da Borda e resolvi passar para rever meu velho amigo… Ele ainda está na labuta?

– … Cruiz credo seu Chips, Coisa ruim da Borda… – Benzeu-se Filomena visivelmente arrepiada – O Zeca tá capinano mio la perto do riberão…

        A conversa com Filó certamente seria interessante mas ela estava ocupada  com os afazeres de casa. Percebi que ela havia acabado de colocar o escorredor de arroz na janela, ia começar a preparar a janta. Achei melhor ir ao encontro do Zeca Juru no milharal. Passei pela cerca de arame farpado, fui descendo ao longo do capãozinho de Napier espantando pintassilgos, anús-brancos e canarinhos e saí num pequeno pastinho descampado onde uma vaquinha Jersey amamentava um tenro bezerro malhado. De repente de traz de uma moita de assapeixe surgiu meu bom amigo Zeca Juru. Descalço, bocas da calça amarrada com embira para evitar a poeira, camisa listrada com a fralda para dentro, chapeuzinho amassado na cabeça, enxadinha bem gasta no ombro, a cabaça dágua na mão e um brilho quase magico nos olhos. Estava feliz … e ficou ainda mais ao me ver…

– Purque que num veio antis mi ajudá tirá a tarefa…? – Foi logo dizendo.

– Eu ja perdi o jeito, Zeca, acabaria cortando seus pés de milho, ia te dar prejuizo…

– Qui bão ti vê por estas bandas, seu Chips… mas vamos vortá pra casa e tomá uma cuié de café inquanto a Filó fais  a janta.

       Voltamos caminhando lentamente pelo mesmo pastinho. Zeca falava da seca, da chuva, de vez em quando parava, gesticulava, apontava para uma arvore, uma colina, um bando de garças que passava no ceu em direção ao pouso, para o ribeirão que não viamos mas sabiamos que deslizava sereno e piscoso a poucos metros dali, até que atravessamos a cerca de arame e entramos no terreio de chão batido em volta da casinha branca. Pendurou a enxada na parede do paiolzinho de madeira, pegou um jacazinho cheio de espigas de milho, sentamos ali mesmo, ele num degrau da escadinha do paiol e eu num toco de amoreira ali do lado. Antes de entrar em casa para se lavar era preciso alimentar os bichos.

– Os porco eu ja tratei…- disde Filó aparecendo na porta da cozinha – As galinhas ele fais questão di tratá… – Acrescentou. De fato, aquele era um ritual que completava o dia do matuto Zeca.

– Se eu num sentá num toco quarqué do terreiro ou janela pra ve o fim do dia e tratá dos bicho, parece que o dia num ixistiu… – Emendou Zeca, descascando uma espiga de milho.

      Enquanto ele ‘tirava a roupa do milho’ eu debulhava e jogava para as galinhas que logo se juntaram barulhentas à nossa volta. Não demorou a vaquinha Jersey encostou na cerca pedindo a palha e logo atrás veio o cavalinho tordilho relinchando no rastro do cheiro do milho, ou simplesmente pelo habito de se aproximar do dono àquela hora do dia.

– Mais me conta seu Chips, qualé as novidades da praça…?

– Ah, Zeca, voce que esteve recentemente em Brasilia, deve ter mais novidade do que eu…

–  Nem ti falo seu Chips… As pessoas honestas de Brasia tão andando de cabeça baxa de vergonha dos colegas ratão… O urtimo a envergonhá a crasse politica foi o ministro do trabaio… Que cara lavada!!!  Cumé que a Dirma inda tem corage de dexá aquela figura cinica, ridicula la no ministerio trapaiano o governo dela?

– Voce acha que ela está fazendo um bom trabalho Zeca Juru?

– Ahhh, num sei… tem hora que parece que ela vai sê muito boa, tem hora que parece que vai sê iguar o Lula memo…

– Mas o Lula fez uma grande administração. Deixou o governo com um indice recorde de aprovação popular…

– Num se deixe enganar seu Chips. Quem aprovou o governo do metalurgico 4 dedos é gente que num lê jornar, num lê revista, num assiste telejornar… O Brasir miorou muito nus urtimos anos, sim seu Chips, mas num foi graças aos governantes, não… foi apesar deles…

– Como assim…?

– A matematica é muito simpres… se ocê ará uma terra preta discansada, fazê uma cerca e prantá uma roça de mio, tirá as erva daninha de veis em quando, o miarar vai cresce forte, viçoso e além de dar pamonha e curar dispois de 120 dias, vai inchê o paior dispois de seis meis… Só precisa dumas tres chuva mansa, cercá a prantação pro gado num cumê, capiná pras ervas daninhas num abafá e cuidar pros rato num roê… A roça cresce sozinha, seu Chips. O Brasir é assim tamém. É terra boa, rica por natureza. Tudo que prantá dá. Todo mundo qué prantá aqui. Tudo que os governante tem que fazê é prantá e cuidar pros bocudos num cumê e colocá ratoera no paió. Ocê num acha???

      Antes que eu desse a resposta obvia, Filó apareceu na janela da cozinha…

– Zeca, seu Chips, vem sentá no arpende que eu cabando de fritá uns torremo… Ja tá escuro aí no terrero…

      A prosa estava tão gostosa que nem percebemos que estava escurendo. As galinhas ja estavam empoleiradas na laranjeira e o bezerro malhado da vaquinha Jersey havia sido apartado por Filó e cochilava no curral atraz do paiol. Zeca Juru lavou apenas os pés, as mãos e o rosto e fomos sentar na varanda.

 

Esta conversa com o matuto Zeca Juru continua na proxima 4ª feira

A fuga de R.Silva e o peido do carcereiro

        R. Silva foi um famoso radialista que por mais de 15 anos comandou um programa sertanejo na Radio Difusora de Pouso Alegre. Tinha milhares de fãs na cidade e região. Ele viera de uma cidadezinha do estado de Pernambuco e por lá deixara também alguns fãs. Porém os pernambucanos não queriam ouvir sua prosa melosa, suas musicas, suas mensagens de otimismo, de auto-ajuda e nem seus autografos. Os fãs pernambucanos queriam lhe dar uma pulseira…. de prata. O radialista era acusado de ter matado um desafeto lá no nordeste anos atras!!!

       No final de 2006, quinze anos depois do crime, finalmente os homens da lei localizaram R.Silva belo e formoso e cercado de fãsem Pouso Alegre.Porquestoes de segurança, ja que o radialista era irmão de um policial, ele foi levado imediatamente para o hotel Recanto das Margaridasem Santa Ritado Sapucaí, onde aguardaria a transferencia para Pernumbuco. Do alto dos quase 150 quilos e um andar que lembrava um paquiderme por causa da obesidade quase mórbida, R. Silva foi colocado no ‘seguro’, no final do corredor interno e era autorizado a circular no corredor para evitar uma trombose. Fugir? Fora de cogitação. Não era um preso perigoso e nem importante para ser resgatado. Pular muro? Não conseguiria pular sequer uma cadeira. Sair correndo pela porta da frente? Uma tartaruga chegaria na esquina antes dele.

        Era um hospede distinto, educado, amavel… Toda quarta feira recebia visitas de distintas e ingenuas senhoras sobriamente vestidas, membros de um grupo de oração talvez, que acreditavam piamente que ele era inocente. Certa tarde, raspando duas horas recebi um telefonema. Era do orelhão defronte a cadeia. Carioca o carcereiro, falou atabalhoado antes da ligação cair. So consegui entender o principal: O R.Silva fugiu….!!!

       Em menos de dois minutos chegamos ao  presidio ‘modelo’ do Sul de Minas, no bairro Recanto das Margaridas. Demonstrando preocupação e fingindo indignação, Carioca contou-nos o sucedido.

      – “… Eu fui ao final do corredor, no X 10 levar cigarros para o Foinha e deixei o R.Silva caminhando no corredor. Quando voltei ele havia saido e fechado o portão por fora, me deixando trancado no corredor. Com a ajuda dos ‘cela livre’ conseguiu subir no telhado e pular o muro para pedir ajuda. A vizinha da frente disse que ele saiu andando normal e desceu… tinha um carro vermelho esperando ele na esquina…”

       Bem, quanto o carcereiro recebeu para deixar o preso ‘caminhar no corredor’ no intervalo de almoço, hora em que todo policial inteligente está titrando a ‘siesta’ e trancá-lo sutilmente do lado de dentro; porque ele não estava com o celular no bolso ou na cinta como de praxe para comunicar a fuga a tempo de evitá-la, são outros quinhentos… ou quem sabe, tres mil !!!

       Vou direto ao detalhe hilario desta historia, que só percebi muito tempo depois quando o Inqueirto policial sobre a fuga ja tramitava no forum.

      Como toda fuga de preso, a do preso acima de qualquer suspeita era muita suspeita e gerou sindicancia, que virou I.P., que virou processo, que virou mais um chumaço de papel grampeado empoeirado numa prateleira por falta de provas a de R. Silva começou com a minha comunicação da fuga para o delegado Jose Walter, diretor do presidio, que dizia assim:

– “Senhor Delegado, atendendo o peido do carcereiro Marcos comparecemos à cadeia publica… etc, etc.”

       Muito tempo depois ao juntar as copias das comunicações de serviço para arquivar é que percebemos o quanto foramos eficientes naquele inicio de tarde… bastou o carcereiro “peidar” e em poucos minutos estavamos na cadeia para apoiá-lo….

Phoneutria em Camanducaia

A dona de casa Eliana Guedes, 35 anos, moradora do bairro Pinguela, municipio de Camanducaia, morre de medo de cobras, mas não está nem aí para aranhas. Não estava… Ao pé da manhã desta quarta feira ela sentiu o quanto dói uma picada de Phoneutria. Quando ela abriu o tanquinho para começar seus afazeres domesticos, a peçonhenta marron, do tamanho de uma moeda de um real deu o bote… grudou na primeira falange do seu polegar esquerdo. No susto ela deu um tabefe no bicho jogando-o ao chão. Seu marido completou o aranhacidio com um golpe de chinelo. Eliana achou que seria coisa atoa, mas… era uma aranha armadeira. A Foneutria, causada pela picada do aracnidio, dependendo da quantidade de veneno inoculado, da idade e peso da vitima, pode ser fatal.

– Em menos de um minuto a dor começou no dedo, foi subindo pelo braço… Uma dor aguda deixando o braço dormente. Foi me dando um calor e o coração disparou… Doeu pra arrebentar!!! – Contou ela no hospital onde chegou meia hora depois com a blusa encharcada de sudorese e a pressão arterial ainda em 14 por 10.

Eliana fez a coisa certa; levou o defunto aracnidio embrulhado num guardanapo para idenficação no hospital. Ainda assim após receber uma dose venosa de Tramal, ficou seis horas em observação. O metabolismo reagiu bem e no inicio da tarde ela pode voltar para casa agradecendo o tratamento recebido no hospital de Camanducaia, com o caracteristico sinal de positivo com o polegar esquerdo.

Eliana agora tem medo também de aranha. Agora sabe que na zona rural principalmente, é fundamental manter a casa e arredores sempre bem limpos, sabe que galinhas são aliados importantes para afugentar os aracnidios, especialmente depois de chuvas fortes como a que caiu ontem na região desalojando os bichos e aprendeu também que “macaco velho não pôe a mão em cumbuca”.

Será que ela vai virar ‘mulher aranha’??

Caminhão de aguarrás tomba em Itapeva… motorista morre carbonizado.

         Ha dois quilômetros de Camanducaia fui obrigado e pisar no freio hoje pela manhã. Duzentos metros antes do ultimo retorno começava o engarrafamento. Minha esposa que assumiria o plantão na Santa Casa de Misericórdia às 07h teve que chegar ao trabalho na garupa de um motoqueiro que ziguezagueava entre os veículos parados… sem capacete.

         O acidente que interditou a rodovia sentido São Paulo até as 10h da manhã aconteceu no município de Itapeva. A uma da manha o motorista Flavio Menezes da Silva, de 38, bateu sua carreta tanque carregada com aguarrás no ‘guard rail’, perdeu o controle e tombou na pista. As faíscas geradas no atrito com o asfalto pegaram fogo instantaneamente. O motorista morreu carbonizado e foi retirado da cabine por volta de 07h da manhã.

        A pista sentido Belo Horizonte chegou a ser interditada e acumulou seis quilometros de engarrafamento, mas foi liberada duas horas depois de controlado o incêndio. Já no sentido São Paulo o congestionamento foi maior e mais demorado, chegou a mais de vinte quilômetros. Com a liberação da pista por volta de 09h, às 11h o transito ainda continuava lento.

       Industriários de Cambuí, Camanducaia e Itapeva que trabalham no emergente Distrito Industrial de Extrema tiraram folga forçada nesta terça feira…

* fotos: Polícia Rodoviária Federal

Para relaxar… no fim da tarde

Perguntas difíceis

 

     São Pedro na triagem celeste pergunta para o americano;

-O que é mole, mas na mão das mulheres fica duro?

O americano pensou, pensou e disse;

 – Esmalte

– Muito bem – disse São Pedro – Pode entrar

Perguntou ao italiano;

– Onde as mulheres têm o cabelo mais enrolado?

O italiano de pronto respondeu;

-Na Africa

-Certo, pode entrar.

 Para o Alemão;

– O que as mulheres têm com seis letras, começa com a letra B, termina com A e não sai da cabeça dos homens?

O alemão respondeu sem pensar;

– A beleza

– Isso mesmo, pode entrar

Para o Frances;

– O que as mulheres tem no meio das pernas?

E o Frances…

– O joelho

-Muito bem. Pode entrar também

E perguntou ao inglês;

– O que a mulher tem mais larga que as solteiras?

– A cama – respondeu o bretão

– Ótimo, pode entrar

E ao espanhol;

– O que é redondo, tem duas letras, um furo no meio, começa com C, quem dá fica feliz e quem ganha fica mais ainda?

O espanhol respondeu;

– CD

– Certo, entre.

Nisso o brasileirinho que estava no fim da fila foi saindo de fininho… São Pedro chamou-o e perguntou.

– Você não vai responder a sua pergunta?

O brasileiro falou;

– Sem chance… Errei todas as anteriores. Para que lado fica o inferno….????

 

Ladrão de sorveteria entra numa gelada

         O marceneiro J.B. de 36 anos, caminhava pela Av. Benjamim Constant na virada da noite quente desta segunda, prenunciando chuva, quando se aproximou de uma sorveteria e resolveu se refrescar. Era virada da noite, o estabelecimento estava fechado, avenida deserta… seria mamão com açucar, pensou ele. Pulou o muro, arrombou uma janela lateral e esbaldou-se como um menino em meio a sorvetes de chocolate, morangos, flocos e refrigerantes. Para aproveitar a viagem fez uma visitinha ao caixa e que sorte!! Havia mais de 300 reais sorrindo para ele. Barriga cheia, pé na areia….Quando pulou o muro de volta para a rua … caiu nos braços da lei.

       Ja que ele queria tudo de graça, a PM que passava por ali deu-lhe uma carona no taxi do contribuinte e o delegado de plantão, depois de sentá-lo ao piano, ofereceu-lhe hospedagem gratuita no velho hotel de Varginha.

Garotos põe fogo na cadeia…. morrem queimados

         Durante a entrevista que concedeu-me no ultimo sabado em sua residencia, a esposa do “Anselmo da Gata” de Camanducaia, chorou os 20 minutos. Chorou ao saber que eu tivera contatos com o marido dela, chorou porque e portadora de cancer de tireoide e teria que criar os dois filhos imberbes sozinha, chorou porque sua casa fora virada de cabeça para baixo pelos policiais à procura de objetos roubados, mas chorou copiosamente ao pensar no marido sozinho, abandonado, com fome, com frio e talvez maltratado pelos companheiros de cela ou pelos policiais… E tem sido assim ao longo dos tempos.

       O preso e seus parentes se enchem de direitos quando se vem atras das grades. Mal a tranca se fecha eles ja invocam os direitos à cama, comida roupa lavada, banho de sol, visita de familiares, visita intima, direito de vender e usar maconha, de fazer buracos nas paredes para fugir, direito a atendimento medico hospitalar, direito a sorrisos e quaisquer outros direitos tortos. Ainda que tenham infringido uma pagina inteira de crimes previstos no codigo penal, violando todo e qualquer direito do cidadão honesto e trabalhador, eles se acham titulares de todos os direitos do mundo e se não forem atendidos naquele momento, gritam, berram, esperneiam e põe fogo no barraco… literalmente.

       Na pequenina Alpinopolis na região dos Lagos, nove delinquentes juvenis ficaram semanas custodiados todos numa mesma cela. No sabado um deles completou 18 anos. O ECA diz que os menores tem direito a celas separadas dos ‘adultos’. Os garotos portanto, resolveram exigir seus direito no grito. Na manhã de domingo, como o delinquente de 18 anos e 1 dia continuava entre eles, se revoltaram e colocaram fogo na cela. Tiveram sorte. Os agentes agiram rapido e conseguiram abrir a cela antes que eles virassem churrasquinho de delinquentes. É assim que meliantes exigem e fazem  justiça…

       Em 99 quatro garotos numa situação semelhante, na cadeia de Monte Sião também exigiram seus direitos a ferro e fogo. Mas esqueceram da ‘logistica’ do predio… A cela em que estavam ficava no final do corredor e a fumaça dos colchoes e de uma infinidade de trecos que existe em toda cela invadiu os corredores de dentro para fora, impedindo a entrada do socorro. Quando o carcereiro conseguiu chegar à boca do inferno, tres deles haviam virado tição… O quarto conseguiu sobreviver tres semanas com queimaduras de terceiro grau no hospital João XXIII, em BH, apenas para concluir tardiamente que pimenta nos olhos dos outros ‘também’ arde, sim senhor… O tiro saiu pela culatra.