Bloqueie seu celular… Não dê sopa para o malandro em prato fundo

         Na era da telefonia movel – que termo lindo!!! – a vida ficou mais perto, mais facil e… mais devassada. Pode-se vigiar o marido no trabalho, na estrada, no boteco, na sauna, no mot… – pula essa- no futebol – vejo colegas deixarem o celular ao pé da trave, quando ele toca, o atleta corre a atender deixando a adversario fazer o gol – em qualquer distancia que estiver. Para acompanhar os passos dos filhos então, o celular é uma maravilha!!! Toda criança tem. E tem tambem o inconveniente de tocar justamente na hora da prova na escola. Outro dia a filha de um amigo saiu com uma amiga de escola para paquerar no jardim da praça central. Depois de um tempo ele resolveu ligar para ela;

– Onde voce está?

– ‘To aqui em frente o coreto…

– De qual cidade?

– De Santa Rita, ué…

– É mesmo!!! Pois eu devorei tres sorvetes sentado em frente o coreto e até agora não te vi!!!

       E nem veria, pois a adolescente estava a quadras dali numa outra pracinha discreta, escondinha, deserta, segurando vela para a amiga que ‘trocava chicletes’ e juras de amor com o namoradinho adolescente, longe de olhares de censura.

       É, celular dos filhos tem que ter alguma serventia util…

       A maior utilidade da ‘telefonia movel’ hoje em dia é para auxiliar na administração de empresas. De todo tipo, inclusive empresas do ramo de ‘venda e distribuição’…

       O senhor Luis Fernando da Costa, 44 anos, filho da faxineira Zelina, orfão desde os 11 anos de idade, mora num cubiculo de dois por dois e meio, com cama de alvenaria, mesinha, sanitario e lavabo num imponente predio cercado por fios eletricos e homens armados na cidadde de Mossoró-RN, sem acesso a tv, jornal, internet e mesmo assim conseguiu faturar 60 milhoes de reais no ultimo ano… Tudo graças aos aparelhinhos de telefonia movel!!!

        Como o ‘meio’ cidadão Fernandinho Beira Mar, milhares de bandidos se comunicam com seus socios, asseclas, comparsas, cumplices, empregados, ‘forminguinhas’, atraves de celulares, mesmo estando atras das grades. Isso somente é possivel porque as pessoais que tem seu aparelho de telefonia movel – gostei deste termo tecnico, é chic pra arrebentar!!!- não se dão o trabalho de bloquear o aparelhinho quando ele muda de mãos. Com isso o furto de celular no Brasil cresce mais que chuchu na cerca e são levados de maneiras mil, especialmente por mulheres de bandidos, nas partes pudendas, para dentro dos presidios, para que eles se comuniquem e saibam tudo que se passa do lado de cá em tempo real e possam continuar comandando o trafico aqui fora como faz Fernadinho Beira, Lula, Mara, Patolinha e tantos outros.

         Cada cidadão que adquire um aparelho celular, inclusive eu, pode evitar que seu aparelho chegue nas maos dos bandidos, ou melhor pode fazer com que os bandidos percam o interesse nele. Basta inutilizá-lo atraves do bloqueio junto à operadora.

      Para obter o indispensavel numero de serie do aparelho, digite *quadrado 06 quadrado. O codigo do aparelho vai aparecer no visor, guarde-o com carinho. Se for roubado, peça a operadora para bloqueá-lo.

      Voce certamente não vai recuperar seu util e estimado aparelhinho, com sua agenda secreta, cheio de mensagens romanticas da namorada e fotos da Sofie Charlotte e da Luana Piovanni, ou Edson Celulari ou Richard Geer, mas ele nao terá nenhuma utilidade para o Patolinha lá no Hotel do Juquinha. Se toda vitima de furto fizer isso, vai chegar um momento em que os meliantes perderão o interesse em roubar celular. Inutilizar o aparelho de telefonia movel atraves do bloqueio, será nossa vingança contra os ladroes…

      Guarde o codigo do celular e se for roubado, bloqueie… Não dê sopa para o malandro em prato fundo.

Zeca Juru, o bom matuto… e os ratos de colarinho branco

       A prosa estava tão gostosa que nem percebemos que estava escurendo. As galinhas ja estavam empoleiradas na laranjeira e o bezerro malhado da vaquinha Jersey havia sido apartado por Filó e cochilava no curral atraz do paiol. Zeca Juru lavou apenas os pés, as mãos e o rosto e fomos sentar na varanda.   

      Não demorou e Filó apareceu na porta com um prato de torresmo com mandioca.

– Ara, muié … um torresminho desse cum mandioca tem que servi cum duas maos, né seo Chips? Cadê a cachacinha…

–  Eu num troxe antes porque eu não sabia qualé Zeca! Oceis vão querê da quar? Da branquinha o dá amarela? – Perguntou Filó.

– Traiz da amarela… pra cumbiná com a cor daquela lua dorada que tá surgindo lá atraiz da serra… Ói que coisa mais bunita, seo Chips!!!

– Um belo espetáculo, Zeca. Eu não havia reparado que estamos na lua cheia…

–   Tem muita coisa bunita na natureza qui quem mora na cidade num repara, meu amigo … Mais do qui nóis tava falano memo…?

– Voce dizia que o Brasil vai muito bem, apesar dos politicos…

– Puintão… Se o Brasir ja tá bão dimais, mesmo com tanto ladrao de colarinho branco, imagine se todo funcionario do governo tivesse vergonha na cara e pegasse só o que é dele???

– Com certeza teríamos um país bem melhor…

– Nem ti falo, seo Chips… Otro dia vi na revista ‘Óia’, que nos derraderos deis anos, os corruptos robaram 720 bilhoes de reais do povo. Só no ano passado foi 85 bilhoes…  É dinhero que precisa de muitas carreta pra carregá.

– Eu li a respeito… foi na ediçao do dia 26 de outubro. Com o dinheiro desviado só no ano passado daria para construir um milhão e meio de casas populares, ou para custear 34 milhoes de diarias de UTI nos melhores hospitais, ou ainda erradicar a pobreza no país ou dar um premio de 443 reais a cada brasileiro. Ou então investir na construção de estradas, metrôs, na saude, educação, ou em todos os setores juntos se pegarmos o valor surrupiado nos ultimos dez anos.

 – …E essa roubaiera nos governo sempre ixistiu, seo Chips, mas parece que de uns anos pra cá aumentô. De veiz em quando a policia federar discobre uma dessas maracutaia, o cara lavada aparece na televisão, faiz cara de santo, jura de pé-junto que é inocente, que é intriga da oposição… O lula falava muito isso, né? Toda veiz que os jornalistas achava uma maracutaia no seu governo ele ficava brabo, ficava vermeio de raiva e falava que a imprensa tava querendo disistabilizá seu governo…

– Eu me lembro deste discurso…

– O pior, meu amigo, é que este dinheiro que sai da gibera do povo, num vorta… Ocê ja viu argum desse ladrão de colarinho branco devorvê dinheiro robado…? E tem mais, o maximo de castigo que o safado recebe é perdê as tetas que mamava… Fala aí o nome de um desse figurão ladrão que tá morando no hoter do Juquinha ou na pensão da Papuda em Brasia… Ninhum!!!

– Ô, marido, ocê num vai convidá o seo Chips pra jantá, não? Ja tá isfriano e tá quase na hora do jornal nacionar, qui ocê num perde… – interrompeu Filó.

– É memo, seo Chips… Até a lua cheia ja tá cubrino o abacatero. Vamo jantá e continuá esta prosa na cozinha.

– Na verdade, Zeca, eu tenho um compromisso na cidade, mas este cheiro de costelinha de porco da Filó, está irresistivel!!! Com esta amarelinha então…

– Ara seo Chips, faiz tempo que nois num encontra para colocá a conversa em dia. Além do mais num é todo dia de lua cheia que tá estiado… Vem pra cá.

 

A prosa com Zeca Juru é postada toda quarta feira. Semana que vem a conversa chega à Pouso Alegre.

Ambulancia sai da UTI … e vai para o cemiterio!!!

        O motorista Vitor Hugo e o enfermeiro Alexandre passaram por uma prova de fogo – literalmente – no final da tarde desta sexta em Santa Rita do Sapucai. Eles trafegavam pela avenida Francisco Andrade Ribeiro, a poucos metros do centro da cidade, no interior da ambulancia Fiat Fiorino placa GMG 7931, pertencente a Secretaria Municipal de Saude, quando de repente ela pegou fogo. Eles só tiveram tempo de encostar no meio fio, concidentemente embaixo de um poste da rede eletrica e saltar. Quando ja estava em segurança, com o veiculo sendo tomado pela fumaça negra e pelas chamas, Alexandre se lembrou que no seu interior haviam dois cilindros de oxigenio… se explodissem, seus estilhaços poderiam ferir transeuntes e curiosos, por isso  encheu-se de coragem e retornou ao veiculo para resgatar os cilindros.

        O fogo foi combatido pelos sempre prestativos e atuantes agentes da Guarda Municipal de Santa Rita e posteriormente pelo Bombeiros de Pouso Alegre, evitando que a rede eletrica fosse atingida. Mesmo assim a velha ambulancia virou um monte de ferro.

       Os profissionais da saude voltavam de um evento de inauguração na Cooperrita, onde estivera presente o dignissimo governador do estado, Antonio Anastasia.

      A velha ambulancia, com mais de 15 anos de vida,  já estava na UTI há muito tempo. Cinco anos atrás fiz a pior viagem da minha vida sentado no banco da frente, sem poder mover os joelhos por falta de espaço e sentindo náuseas por causa do cheiro azedo e encalacrado de cigarro consumido pelo motorista ao volante. Viagem pior ainda fez minha ‘pupila’, a incendiaria A.T.M., deitada na maca com dois pares de pulseiras de prata até, Belo Horizonte. ( “Meninos que vi crescer” – Amelinha… aquilo sim era aborrecente de verdade)

       Três meses atrás paramos no trevo de Cachoeira para socorrer um mecânico de Paraisópolis que ao cruzar a BR de moto fora tolhido por uma caminhonete. A sobredita ambulancia já estava no local com um motorista e um enfermeiro, porém sem medico, por isso a minha esposa, a médica Tatiana Telles e K. de Matos, prontamente entrou no furgãozinho e transportaram o moribundo para o PS do Regional. Durante a viagem ela percebeu que a fumaça que saia pelo escapamento quebrado, estava invadindo o interior do furgão… Ao mesmo tempo que salvava seus passageiros dos traumas dos acidentes a velha ambulância os sufocava com gás monóxido de carbono. Por este e outros motivos a ambulância baixou à enfermaria, digo, oficina particular e ficou em tratamento até a manhã desta sexta, quando então recebeu alta e foi dar plantão na festa da cooperativa à disposição do governador. Isso é que é receber bem um Chefe de Estado…!!!

       Caso Anastasia tivesse que ser socorrido nesta ambulância, o novo governador de Minas agora… seria Alberto Pinto Coelho…

Zeca Juru, o bom matuto

        Depois de uma rapida conversa com meu amigo Zeca Juru ha duas semanas, minutos antes da posse dos novos chefes da policia civil de Pouso Alegre, fui visitá-lo em seu pequenino sitio ao pé da serra do Cajuru. Cheguei no final da tarde quando o sol ja se deitava e fui recebido por dona Filomena.

– `Tarde seu Chips… o sinhor num morre tão cedo. Gorinha memo quando fui levá a cabaça d’agua pro Zeca na roça ele priguntô  docê. Inté parece qui eli sabia qui o sinhor ia chegá…

– Pois é, Filó… Fui tirar umas fotos do velho casarão do Coisa Ruim da Borda e resolvi passar para rever meu velho amigo… Ele ainda está na labuta?

– … Cruiz credo seu Chips, Coisa ruim da Borda… – Benzeu-se Filomena visivelmente arrepiada – O Zeca tá capinano mio la perto do riberão…

        A conversa com Filó certamente seria interessante mas ela estava ocupada  com os afazeres de casa. Percebi que ela havia acabado de colocar o escorredor de arroz na janela, ia começar a preparar a janta. Achei melhor ir ao encontro do Zeca Juru no milharal. Passei pela cerca de arame farpado, fui descendo ao longo do capãozinho de Napier espantando pintassilgos, anús-brancos e canarinhos e saí num pequeno pastinho descampado onde uma vaquinha Jersey amamentava um tenro bezerro malhado. De repente de traz de uma moita de assapeixe surgiu meu bom amigo Zeca Juru. Descalço, bocas da calça amarrada com embira para evitar a poeira, camisa listrada com a fralda para dentro, chapeuzinho amassado na cabeça, enxadinha bem gasta no ombro, a cabaça dágua na mão e um brilho quase magico nos olhos. Estava feliz … e ficou ainda mais ao me ver…

– Purque que num veio antis mi ajudá tirá a tarefa…? – Foi logo dizendo.

– Eu ja perdi o jeito, Zeca, acabaria cortando seus pés de milho, ia te dar prejuizo…

– Qui bão ti vê por estas bandas, seu Chips… mas vamos vortá pra casa e tomá uma cuié de café inquanto a Filó fais  a janta.

       Voltamos caminhando lentamente pelo mesmo pastinho. Zeca falava da seca, da chuva, de vez em quando parava, gesticulava, apontava para uma arvore, uma colina, um bando de garças que passava no ceu em direção ao pouso, para o ribeirão que não viamos mas sabiamos que deslizava sereno e piscoso a poucos metros dali, até que atravessamos a cerca de arame e entramos no terreio de chão batido em volta da casinha branca. Pendurou a enxada na parede do paiolzinho de madeira, pegou um jacazinho cheio de espigas de milho, sentamos ali mesmo, ele num degrau da escadinha do paiol e eu num toco de amoreira ali do lado. Antes de entrar em casa para se lavar era preciso alimentar os bichos.

– Os porco eu ja tratei…- disde Filó aparecendo na porta da cozinha – As galinhas ele fais questão di tratá… – Acrescentou. De fato, aquele era um ritual que completava o dia do matuto Zeca.

– Se eu num sentá num toco quarqué do terreiro ou janela pra ve o fim do dia e tratá dos bicho, parece que o dia num ixistiu… – Emendou Zeca, descascando uma espiga de milho.

      Enquanto ele ‘tirava a roupa do milho’ eu debulhava e jogava para as galinhas que logo se juntaram barulhentas à nossa volta. Não demorou a vaquinha Jersey encostou na cerca pedindo a palha e logo atrás veio o cavalinho tordilho relinchando no rastro do cheiro do milho, ou simplesmente pelo habito de se aproximar do dono àquela hora do dia.

– Mais me conta seu Chips, qualé as novidades da praça…?

– Ah, Zeca, voce que esteve recentemente em Brasilia, deve ter mais novidade do que eu…

–  Nem ti falo seu Chips… As pessoas honestas de Brasia tão andando de cabeça baxa de vergonha dos colegas ratão… O urtimo a envergonhá a crasse politica foi o ministro do trabaio… Que cara lavada!!!  Cumé que a Dirma inda tem corage de dexá aquela figura cinica, ridicula la no ministerio trapaiano o governo dela?

– Voce acha que ela está fazendo um bom trabalho Zeca Juru?

– Ahhh, num sei… tem hora que parece que ela vai sê muito boa, tem hora que parece que vai sê iguar o Lula memo…

– Mas o Lula fez uma grande administração. Deixou o governo com um indice recorde de aprovação popular…

– Num se deixe enganar seu Chips. Quem aprovou o governo do metalurgico 4 dedos é gente que num lê jornar, num lê revista, num assiste telejornar… O Brasir miorou muito nus urtimos anos, sim seu Chips, mas num foi graças aos governantes, não… foi apesar deles…

– Como assim…?

– A matematica é muito simpres… se ocê ará uma terra preta discansada, fazê uma cerca e prantá uma roça de mio, tirá as erva daninha de veis em quando, o miarar vai cresce forte, viçoso e além de dar pamonha e curar dispois de 120 dias, vai inchê o paior dispois de seis meis… Só precisa dumas tres chuva mansa, cercá a prantação pro gado num cumê, capiná pras ervas daninhas num abafá e cuidar pros rato num roê… A roça cresce sozinha, seu Chips. O Brasir é assim tamém. É terra boa, rica por natureza. Tudo que prantá dá. Todo mundo qué prantá aqui. Tudo que os governante tem que fazê é prantá e cuidar pros bocudos num cumê e colocá ratoera no paió. Ocê num acha???

      Antes que eu desse a resposta obvia, Filó apareceu na janela da cozinha…

– Zeca, seu Chips, vem sentá no arpende que eu cabando de fritá uns torremo… Ja tá escuro aí no terrero…

      A prosa estava tão gostosa que nem percebemos que estava escurendo. As galinhas ja estavam empoleiradas na laranjeira e o bezerro malhado da vaquinha Jersey havia sido apartado por Filó e cochilava no curral atraz do paiol. Zeca Juru lavou apenas os pés, as mãos e o rosto e fomos sentar na varanda.

 

Esta conversa com o matuto Zeca Juru continua na proxima 4ª feira

A fuga de R.Silva e o peido do carcereiro

        R. Silva foi um famoso radialista que por mais de 15 anos comandou um programa sertanejo na Radio Difusora de Pouso Alegre. Tinha milhares de fãs na cidade e região. Ele viera de uma cidadezinha do estado de Pernambuco e por lá deixara também alguns fãs. Porém os pernambucanos não queriam ouvir sua prosa melosa, suas musicas, suas mensagens de otimismo, de auto-ajuda e nem seus autografos. Os fãs pernambucanos queriam lhe dar uma pulseira…. de prata. O radialista era acusado de ter matado um desafeto lá no nordeste anos atras!!!

       No final de 2006, quinze anos depois do crime, finalmente os homens da lei localizaram R.Silva belo e formoso e cercado de fãsem Pouso Alegre.Porquestoes de segurança, ja que o radialista era irmão de um policial, ele foi levado imediatamente para o hotel Recanto das Margaridasem Santa Ritado Sapucaí, onde aguardaria a transferencia para Pernumbuco. Do alto dos quase 150 quilos e um andar que lembrava um paquiderme por causa da obesidade quase mórbida, R. Silva foi colocado no ‘seguro’, no final do corredor interno e era autorizado a circular no corredor para evitar uma trombose. Fugir? Fora de cogitação. Não era um preso perigoso e nem importante para ser resgatado. Pular muro? Não conseguiria pular sequer uma cadeira. Sair correndo pela porta da frente? Uma tartaruga chegaria na esquina antes dele.

        Era um hospede distinto, educado, amavel… Toda quarta feira recebia visitas de distintas e ingenuas senhoras sobriamente vestidas, membros de um grupo de oração talvez, que acreditavam piamente que ele era inocente. Certa tarde, raspando duas horas recebi um telefonema. Era do orelhão defronte a cadeia. Carioca o carcereiro, falou atabalhoado antes da ligação cair. So consegui entender o principal: O R.Silva fugiu….!!!

       Em menos de dois minutos chegamos ao  presidio ‘modelo’ do Sul de Minas, no bairro Recanto das Margaridas. Demonstrando preocupação e fingindo indignação, Carioca contou-nos o sucedido.

      – “… Eu fui ao final do corredor, no X 10 levar cigarros para o Foinha e deixei o R.Silva caminhando no corredor. Quando voltei ele havia saido e fechado o portão por fora, me deixando trancado no corredor. Com a ajuda dos ‘cela livre’ conseguiu subir no telhado e pular o muro para pedir ajuda. A vizinha da frente disse que ele saiu andando normal e desceu… tinha um carro vermelho esperando ele na esquina…”

       Bem, quanto o carcereiro recebeu para deixar o preso ‘caminhar no corredor’ no intervalo de almoço, hora em que todo policial inteligente está titrando a ‘siesta’ e trancá-lo sutilmente do lado de dentro; porque ele não estava com o celular no bolso ou na cinta como de praxe para comunicar a fuga a tempo de evitá-la, são outros quinhentos… ou quem sabe, tres mil !!!

       Vou direto ao detalhe hilario desta historia, que só percebi muito tempo depois quando o Inqueirto policial sobre a fuga ja tramitava no forum.

      Como toda fuga de preso, a do preso acima de qualquer suspeita era muita suspeita e gerou sindicancia, que virou I.P., que virou processo, que virou mais um chumaço de papel grampeado empoeirado numa prateleira por falta de provas a de R. Silva começou com a minha comunicação da fuga para o delegado Jose Walter, diretor do presidio, que dizia assim:

– “Senhor Delegado, atendendo o peido do carcereiro Marcos comparecemos à cadeia publica… etc, etc.”

       Muito tempo depois ao juntar as copias das comunicações de serviço para arquivar é que percebemos o quanto foramos eficientes naquele inicio de tarde… bastou o carcereiro “peidar” e em poucos minutos estavamos na cadeia para apoiá-lo….

Phoneutria em Camanducaia

A dona de casa Eliana Guedes, 35 anos, moradora do bairro Pinguela, municipio de Camanducaia, morre de medo de cobras, mas não está nem aí para aranhas. Não estava… Ao pé da manhã desta quarta feira ela sentiu o quanto dói uma picada de Phoneutria. Quando ela abriu o tanquinho para começar seus afazeres domesticos, a peçonhenta marron, do tamanho de uma moeda de um real deu o bote… grudou na primeira falange do seu polegar esquerdo. No susto ela deu um tabefe no bicho jogando-o ao chão. Seu marido completou o aranhacidio com um golpe de chinelo. Eliana achou que seria coisa atoa, mas… era uma aranha armadeira. A Foneutria, causada pela picada do aracnidio, dependendo da quantidade de veneno inoculado, da idade e peso da vitima, pode ser fatal.

– Em menos de um minuto a dor começou no dedo, foi subindo pelo braço… Uma dor aguda deixando o braço dormente. Foi me dando um calor e o coração disparou… Doeu pra arrebentar!!! – Contou ela no hospital onde chegou meia hora depois com a blusa encharcada de sudorese e a pressão arterial ainda em 14 por 10.

Eliana fez a coisa certa; levou o defunto aracnidio embrulhado num guardanapo para idenficação no hospital. Ainda assim após receber uma dose venosa de Tramal, ficou seis horas em observação. O metabolismo reagiu bem e no inicio da tarde ela pode voltar para casa agradecendo o tratamento recebido no hospital de Camanducaia, com o caracteristico sinal de positivo com o polegar esquerdo.

Eliana agora tem medo também de aranha. Agora sabe que na zona rural principalmente, é fundamental manter a casa e arredores sempre bem limpos, sabe que galinhas são aliados importantes para afugentar os aracnidios, especialmente depois de chuvas fortes como a que caiu ontem na região desalojando os bichos e aprendeu também que “macaco velho não pôe a mão em cumbuca”.

Será que ela vai virar ‘mulher aranha’??

Tradições Gauchas… Alemão visita Piratini, a Capital Farroupilha

      Todo povo tem sua historia, suas tradições… suas saudades.

 

       Piratini no Rio Grande do Sul foi criada em 1789 por 48 casais açorianos e se orgulha de ser chamada de Capital Farroupilha. Sua historia está ligada a lutas e revoluções. Ali nasceu a famosa Guerra dos Farrapos, que queria transformar o estado riograndense em país independente. Só não o conseguiu porque Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, entrou na briga e pacificou os gaúchos. Mas ficou a tradição e o orgulho da gauchada daquelas bandas.

       E quem não tem orgulho de sua terra natal?

      Jorge Renato Mendes Bartel, o Alemão, tem…

      A Semana Farroupilha de Piratini, de09 a20 de setembro, é comemorada anualmente com shows, retas, rodeios, tertúlias, palestras, exposições artesanais, encontro de invernadas e o tradicional desfile de cavalarianos, que é o evento máximo das comemorações por representar o espírito aguerrido dos gaúchos que iam para a guerra.

       Na semana em que a cidade gaucha completou 222 anos “Alemão”, ha mais de 30 anos radicado em terras manduanas, um dos melhores árbitros de futebol que Pouso Alegre já teve, foi visitar parentes, amigos e matar a saudade dos velhos pagos, saborear o mais legitimo churrasco gaucho – aliás ele é um exímio churrasqueiro ao estilos dos pampas – com o tradicional chimarrão. Mui Bueno, tchê.

        Jorge Alemão voltou de lá gangento e remoçado.

 

A volta de Zeca Juru, o bom matuto

      Semana passada, na festa de posse dos novos chefes da policia civil de Pouso Alegre na Camara Municipal, encontrei meu velho amigo Zeca Juru, que há anos não via. Foi um encontro emocionante. Numa rápida conversa antes das solenidades, o bom matuto mostrou que está afiadinho…

– Ora, ora… se não é o meu amigo Zeca Juru!!! Como é que vai? Por onde tem andado, meu velho?

– Ara, mai é ocê memo, Airto Chips !!! Oce qui sumiu, rapaiz… a muié num dexa mais cortá o cabelo?

– Pois é Zeca. Se eu cortar, perco a mulher…

– Mai ta muderno, heim!!! De brinquinho na oreia!!!

– Liga, não Zeca. Depois dos 50, aposentado e com três filhos, agora posso sair do armário, né… – Brinquei.

– Ói, lá rapaiz!!  Vamos larga de lenga-lenga e sentá ali naquele canto sussegado eu tô com sodade de prosiá coce…

– Vamos Zeca Juru. Eu também estou com saudades das nossas prosas. Faz anos que não te vejo. Outro dia estive lá na sua casa no pé da serra do Cajuru mas não achei ninguémem casa. OTotonho, seu vizinho me disse que você estava viajando…

– É seu Chips, eu fui visitá o fio que ta trabaiano em Brasía…

– Uai, Zeca, você não é do tipo que aceita favores de políticos. Como é que foi empregar seu filho em Brasília?

– I num aceitei memo… num é imprego pulitico, não. Ocê se lembra do meu fio do meio, o Chiquinho, aquele mirradinho?

– Aquele que não gostava de trabalhar na roça?

– Puisintão. O danadinho cismô de querê i pra cidade istudá e fazê facurdade di direito. Si formô, garrô istudá maium tanto inté arta hora da madrugada e acabô passano no concurso do tribunar di justiça. Ta ganhano uma nota preta… cus mérito dele próprio.

– Que coisa boa Zeca!!

– …Agora tá trabaiano na capital federar, pertinho da Dirma…

– Ta importante o menino, heim Zeca Juru?

– … Capaiz dele ganhá pur meis o qui eu num ganho pur ano prantano mio, fejão, fazendo quejo e criano galinha i uns porquinho caruncho lá no Cajuru… Mai eu num to gostano não, seu Chips. Brasía tem rato dimais… To cum medo do fio se dexá contaminá…

– Ora Zeca, fique tranqüilo. Educação e caráter se traz do berço. Tenho certeza que ele aprendeu este valores com você! Mas me conte, você gostou de Brasília?

– Ahn… maomeno, seu Chips. Lá tudo é grande, tudo é longe i tudo é farso i sem vida. Brasía divia di sê conhicida como a capitar da mintira… Ô povinho mintiroso, sô. A disonestidade foi passiá lá i resorveu ficá… Da ponta da ispranada dos ministério inté o palácio da arvorada, é custoso achá um cabocro onesto… Confesso qui eu fiquei cum vergonha di ficá lá.

– Não são tantos assim, Zeca, mas de fato tem muito político em Brasília envergonhando o país. È preciso dar um basta na corrupção…

– É seu Chips, vamo vê si a ficha limpa vai limpá um poco a sujerada da capitar… Óia lá, já vai começá a cerimonia. O Carlo Eduardo vai passá o comando da policia civir da região para o Joãozinho…

– Joãozinho!!! De onde que você é tão intimo assim do Dr. João Eusébio, Zeca Juru?

– Ara… o delegado João é amigo véio desdi quando era detetive lá im Bueno Brandão… Um cumpadre meu pricisô chamá um genro forgado na chincha i ele foi muito atencioso i correto. Desdi aquela época eu tenho acompanhado os passos deli. Deus qui ilumine o Joãozinho nessa nova impreitada… eli merece.

– Com certeza. Zeca Juru, eu vou ter que tirar umas fotografias… Qualquer dia destes eu apareço lá no Cajuru para tomar o cafezinho da Filomena e continuar esta conversa. Fico feliz em revê-lo…

– Eu fiquei mais inda, seu Chips. Aparece sim que a Filomena também ta com sodade…

 

 *Zeca Juru é um caboclo bom de prosa e de bom coração. Ele mora com a família, suas vaquinhas e galinhas, numa casinha branca perto de um riacho, atrás da serra do Cajuru. A simplicidade fez xele um sábio. Zeca Juru sabe quase tudo que acontece na cidade grande. Semana que vem a gente continua nossa conversa, aqui nesta tela. Você vai gostar.

O menino e o sorriso de Deus

        Certo dia um pequeno menino decidiu sair pelo mundo à procura de Deus. Ele sabia que tinha um longo caminho pela frente. Encheu sua mochila com pasteis e refrigerantes e saiu de casa. Depois de andar umas três quadras encontrou um velhinho sentado em um banco do parque olhando os passarinhos. O menino sentou-se ao seu lado, abriu sua mochila e ia tomar um gole de refrigerante quando olhou para o velhinho e viu que ele estava com fome. Então lhe ofereceu um pastel.

      O velhinho muito agradecido aceitou e sorriu ao menino. Seu sorriso era tão incrível que o menino quis ver de novo; então ele ofereceu-lhe seu refrigerante. Mais uma vez o velhinho sorriu ao menino. Era um sorriso tão belo e puro que o menino ficou extasiado, apenas olhando em silencio. Estava tão feliz! Ficaram sentados ali sorrindo, comendo pasteis e bebendo guaraná pelo resto da tarde sem falarem um ao outro, olhando e ouvindo os pássaros. Quando começou escurecer o menino estava cansado e resolveu voltar para casa, mas antes de sair ele se voltou e deu um grande abraço no velhinho.

       Aí o velhinho lhe deu o maior sorriso que o menino já havia recebido.

       Quando o menino entrou em casa, sua mãe surpresa perguntou ao ver a felicidade estampada em sua face:

       – O que você fez hoje que te deixou tão feliz assim?

Ele respondeu:

       – Passei a tarde com Deus. Você sabia que ele tem o mais lindo sorriso que eu jamais vi…?

       Enquanto isso o velhinho chegou em casa com o mais radiante sorriso no rosto e seu filho perguntou:

        – Por onde você esteve que está tão feliz?

E o velhinho respondeu;

        – Comi pastel e tomei guaraná no parque, com Deus. Você sabia que ele é bem mais jovem do que eu pensava?

         A face de Deus está em todas as pessoas e coisas que são vistas com olhos do amor e do coração.

       Que Deus abençoe você que está lendo esta mensagem e ilumine seu coração para que você possa oferecer a muitas pessoas o sorriso de Deus que talvez esteja guardado dentro de você enquanto muitos tem fome e sede dEle. Por isso quero oferecer a você meu sorriso.

       Tenha uma boa semana!

 * Mensagem recebida de amigo, por email.

Necrofilia…. A lenda do papa-defunto de Santa Rita

        O agente funerário, alto, magro, com um imenso bigode e a barba por fazer, usando calça de tergal azul e camisa branca cheirando a dias de uso, como se fosse motorista de ônibus, feliz da vida com o infortúnio alheio, fechou a cara como se partilhasse a mesma dor que os parentes estavam sentindo, fechou maquinalmente a porta trazeira do carro fúnebre e seguiu para a funerária. Por dentro estava quase sorrindo… havia acabado de pegar mais um defunto para a empresa, para preparar e velar. Na verdade era uma defunta. Sessenta e poucos anos, havia morrido de enfarte agudo no hospital. Ao despir a mulher sobre a maca nos ‘bastidores’ da funerária para prepará-la para o velório, o ‘papa-defunto’ encheu-se de desejos. Começou acariciar o corpo sem vida da mulher ainda quente, sentiu um calorão e resolveu também se despir. O cadáver flácido da pobre mulher lhe pareceu atraente e o magrelo papa-defunto não resistiu… ‘papou a defunta’!!!

Quando estava em cima da maca sobre a mulher, eis que surge o filho dela. A tristeza de perder a mãe ainda jovem, aliada com a indignação com o comportamento do agente funerário, cegou o rapaz e a única coisa que ele viu foi a faca sobre a mesa ao lado. Avançou sobre ela, pegou-a e cravou-a repetidas vezes sobre as costas do tarado necrófilo. O Papa-defunto morreu nu sobre o cadáver que estuprava.

Cena de suspense policial de Agatha Christie ?  Cena de filme de Alfred Hithcock?

Não!!! O estupro de uma defunta, praticado por um agente funerário sobre uma maca teria acontecido esta semana nos fundos de uma funerária em Santa Rita do Sapucaí!!!! Esta é a noticia que corre de boca em boca em Pouso Alegre desde sexta feira. Alguns dos fomentadores de Lenda Urbana têm até uma versão diferente para o final da historia. Para eles os familiares da defunta seguraram o estuprador no momento do vilipendio e o entregaram para a policia.

Mas aconteceu mesmo??????

Não. È claro que não!!! Tudo não passa de mais uma lenda urbana, curiosamente nascida em Pouso Alegre, vivenciada em Santa Rita. É a segunda num curto espaço de tempo. Ano passado os fabricantes de boatos e lendas inventaram outra. Por ocasião do carnaval, uma enfermeira de Santa Rita teria se deixado seduzir por um Dom Juan e mantido relações sexuais com ele em Pouso Alegre. Porém o Dom Juan era de ‘outro mundo’, do além tumulo e no dia seguinte ao coito as partes pudendas da mulher começaram apodrecer tal qual o Don Juan com o qual ela transara. Lenda, pura lenda…

Vez por outra, quando falta assunto surge uma nova lenda. No inicio da década o Detetive Paixão foi ‘assassinado’ mais de uma vez por seus inimigos. Quando ele realmente morreu tentando prender um trio de assaltantes de uma casa lotérica, no final de 2003 os meliantes já haviam gasto quase todo o estoque de foguetes comemorando sua morte.

Em 2003 ‘mataram’ também o nosso querido “Cavucada”, lembram? Em todo canto de Pouso Alegre só se falava na morte do alegre e inofensivo Cavucada. Cada um que contava o conto aumentava um ponto e o matava num lugar diferente da cidade. A ‘lenda’ mais propagada na época é que ele havia sido morto por um mendigo na Serrinha de Bela Vista. É bem verdade que o Cavucada anda mais do que noticia ruim por toda cidade, mas na Serrinha de Bela Vista era muito longe!!! Na ocasião eu apresentava Direto da Policia na Radio Difusora e desfiz o mistério. Fui até sua casa no Belo Horizonte, convidei Cavucada para uma entrevista, coloquei meu amigo Cavú no carro e o ‘ressuscitei’ às seis e meia da tarde numa entrevista de 10 minutos na radio.

Dêem-me o nome do papa-defunto de Santa Rita que eu vou ressuscitá-lo aqui nesta tela. Enquanto isso, fiquem tranqüilos. Tudo não passou de “Lenda Urbana”. Nenhum agente funerário estuprou defunta em Santa Rita… ainda.

A propósito, a figura descrita no inicio desta matéria, não é fictícia. Um moço com estas características existe de verdade. Ele é um tremendo ‘papa-defunto’, mas só no sentido figurado comercial. Não se tem noticia de que ele tenha papado nenhuma defunta no sentido figurado alimentício e nem mesmo no sentido sexual….

Mário Roberto de Oliveira - "Seu Madruga" , e a gerente da Funerária Ferraciolli em Santa Rita

Airton Chips e Mário "Seu Madruga"

 “Estou vivo… e sou inocente”

A matéria acima foi postada no sábado, depois de alguns levantamentos preliminares e desde então tem sido a mais acessada do blog. Algumas pessoas tem ligado para o meu celular para confirmar em ‘off’  se é mesmo boato ou não. Como eu disse no ultimo parágrafo da matéria, “dêem-me o nome do papa-defunto de Santa Rita que vou ressuscitá-lo nesta tela”. Deram-me. Aliás, foi meu proprio filho quem ligou de São Paulo na companhia de amigos querendo saber a ‘veracidade da lenda’, informando que o suposto estuprador de defunta seria o agente Mario Roberto, conhecido por “Seu Madruga”. E questionou:

-Porque então ele está sumido de Pouso Alegre?   

      Bem, toda investigação começa a partir da ‘notitia criminis’, mas só começa caminhar a partir do momento que se puxa o fio da meada. “Mario, ‘Seu Madruga’” era o fio que faltava.

      Na manhã desta quinta fui tomar um cafezinho com o defunto Mario Roberto de Oliveira, o “Seu Madruga” na filial da Funerarria Ferracioli em Santa Rita. Como se pode ver pelas fotos ele está vivo, bem vivo. Só um pouco triste com os boatos do ‘seu crime’ e principalmente de sua ‘morte’.

        Seu Madruga é conhecido em Pouso Alegre e região, não só pela semelhança com o grotesco e trapalhão personagem do eterno seriado do SBT, que perde todas para o retardado Chaves, mas também pelo seu jeitão inquieto, impaciente, prestativo e ‘faz tudo’. Trava uma incessante batalha para ganhar o ‘cliente’ morto em acidentes nas estradas. Chega antes dos patrulheiros e às vezes briga com eles pela posse do morto, providencia a remoção do corpo, corre atraz do delegado até na sauna para liberar a guia do IML, se vacilar ele mesmo faz a necropsia, cuida da higiene, da maquiagem, do ‘enfeite’, do documento ‘post mortem’, do velório, conduz o féretro para o cemiterio e só falta chorar no tumulo. Tudo isso feito, apesar de maneira educada e zelosa, em ritmo acelerado, como se tivesse outro ‘cliente’ na fila. Sua vida é lidar com mortos. Faz isso há trinta e seis anos. Doze só na funerária de Pouso Alegre.

       Mario conta que depois de 12 anos trabalhando em Pouso Alegre, por motivos pessoais, resolveu mudar de ares e depois de alguns meses em Cambuí, o antigo patrão o chamou de volta, para trabalhar em Santa Rita. Está no vale da eletrônica há dois meses e a única coisa que tem a reclamar é da escassez de clientes, segundo ele resultado da indicação desleal de funcionários do hospital local que encaminha os clientes para a concorrente, desobedecendo a escala previa de plantão das funerárias. Fora isso não teve, em Santa Rita e nem em qualquer outro lugar nenhum tipo de problemas, nem com vivos nem com mortos. Mas acha que;

– Este boato que surgiu em Pouso Alegre, ta me prejudicando. To com medo de ir lá. Até meu patrão ligou falando ‘para mim não ir’, porque as pessoas estão revoltadas com esta historia…

        Na delegacia de policia civil e na policia militar não existe registro de nenhum caso de estupro ou vilipendio de cadáver e muito menos homicídio ou tentativa contra agente funerário por qualquer motivo.

– Em Cachoeira de Minas ouvi este boato, mas nem sabia que o fato estava ligado à Santa Rita – disse o sargento Elder, que mora em Cachoeira e trabalha em Santa Rita. 

       A maneira estabanada e a gana de “Mario Madruga” para agenciar novos clientes, tem sido sua marca registrada e nem sempre bem vista, principalmente pelos concorrentes. O comportamento acentuou a pecha de Papa-defunto pregada nos agentes funerários e pode ter lhe custado a lenda, não muito glamourosa que ora circula em Pouso Alegre e região.

       Mas como se vê… Tudo não passa de mais uma “Lenda Urbana”, nascida de parto natural e órfã de pai e mãe, que tende a morrer à míngua…

           Enfim… Qual a semelhança entre Mario “Madruga” e Elvis Presley?

         O charmoso Rei do Rock morreu de overdose em 1977 e milhões de pessoas acreditam que “Elvis não morreu”!!! Mario Roberto “Madruga” está vivo de Oliveira trabalhando na funerária de sempre em Santa Rita, mas na boca do povo ele teria praticado vilipendio de cadáver e teria ido se juntar aos seus ‘clientes’…