Nem só de pão vive o homem… nem só de notícia ruim vive o Blog do Airton Chips.
Parabéns, garoto!
“Lembre-se de que colheremos infalivelmente aquilo que houvermos semeado.
Se estamos sofrendo, é porque estamos colhendo os frutos amargos das sementeiras errôneas do passado.
Fique alerta quanto ao momento presente!
Plante apenas sementes de otimismo e de amor, para colher amanha os frutos doces da alegria e da felicidade.
Cada um colhe exatamente aquilo que plantou”.
“Deus está em toda parte ao mesmo tempo, em redor de você, dentro de você.
Jamais você está desamparado.
Nunca está só.
Não permita que a magoa o perturbe: procure manter-se calmo para ouvir a voz silenciosa de Deus entro de você.
Assim, poderá superar toas as dificuldades que aparecerem em seu caminho, e há de descobrir a Verdade que existe em todas as coisas”
A situação embaraçosa e hilaria aconteceu na ultima terça feira na delegacia de policia civil de Pouso Alegre. Ao ser revistado, um vendedor de chip foi surpreendido com um penis de borracha na cueca!!!
Comerciantes que se sentiram prejudicados com o baixo valor dos chip’s de celular que um viajante estava vendendo na cidade, cuidando que fossem roubados ou de qualidade duvidosa, resolveram chamar a policia. O vendedor foi detido pela PM, submetido a busca pessoal superficial e conduzido à delegacia de policia para averiguação. Ao checar o produto e a documentação nada de irregular foi constatado. Não havia nada de errado com os chip’s… Talvez o vendedor?!?!
Percebendo que o moço tinha um volume saliente na braguilha da calça, o delegado de plantão pediu que ele fosse submetido à minuciosa busca pessoal. Ao baixar a cueca, apareceu um robusto penis… de borracha.
Com o penis também não havia nada de errado, era maciço e não ocultava nada. Talvez o vendedor?!?!
Alguns colegas cogitaram que o esdrúxulo ‘objeto’ fosse apreendido para teste de eficiência, auto de avaliação e outras formalidades, mas como nenhum funcionário se dispunha a manusear o falso pinguelé e como portar penis de borracha não é crime, o sensato delegado não exigiu explicações sobre sua procedência, utilidade ou destinação.
E o vendedor de chip’s foi liberado, levando com ele seu pinguelé de 1,99. Cada um ‘exibe’ o que tem…
“Não critique!
Procure antes colaborar com todos, sem fazer criticas.
A critica fere, e ninguém gosta de ser ferido.
E a criatura que gosta de criticar, aos poucos se vê isolada de todos.
Se vir alguma coisa errada, fale com amor e carinho, procurando ajudar.
Mas, sobretudo, procure corrigir os outros, através de seu próprio exemplo”.
Seu corpo foi reconhecido pelos parentes, velado e enterrado no cemiterio. No dia seguinte ele chegou de viagem….
Você já comprou alguma rede, chapéu, cuia, ou outro artesanato qualquer de um caixeiro viajante cearense, desses que andam em turma por aí…? Não? Você pode estar negociando com um fantasma!!! Pode ser que ele esteja morto e enterrado em sua terra natal!!!
Foi o que aconteceu com Antonio Rodrigues, hoje com 43 anos. Ao chegar de suas andanças pelo interior do estado, Antonio Rodrigues recebeu uma noticia inusitada:
– Ué, o que você está fazendo aqui em pé? Você morreu. Nós enterramos seu caixão no cemitério da cidade ontem a tarde!!! – Disse a ex-mulher
Esta historia escabrosa aconteceu no mês de fevereiro de 2009 em Canindé na região central do Ceará. Um corpo sem identificação foi encontrado em Maranguape, na região metropolitana da capital e dado como sendo de Antonio Rodrigues. Levado para Canindé, sua ex-esposa reconheceu o corpo como sendo do ex-marido, caixeiro viajante. A policia civil então liberou o corpo, o cartório emitiu certidão de óbito, ele teve velório e foi sepultado no cemitério da cidade com todas as formalidades e honras que um filho de Deus tem direito.
Se a ex-mulher ficou pasmada com a aparição do caixeiro vivinho da silva, muito mais pasmadas ficam as pessoas que tomam conhecimento do fato.
– Como pode uma pessoa viver vinte anos com outra e não reconhecer o próprio marido ? – diz um.
– Ela disse que os parentes dele já haviam identificado o corpo…- Diz outro
– Mas num é pussíve que tu ta vivo, homi… Antonti mesmo eu enterrei seu corpo geladinho nesta cova… Ressuscitou, foi!!! – Pasma o coveiro que o desceu à terra.
Antonio Rodrigues visitando o tumulo onde ‘está enterrado’
A situação além de inusitada e hilária, é bastante complicada, pois até hoje, tres anos depois, o caixeiro Antonio Rodrigues não conseguiu provar para a burocracia que está vivo…
– Oxente, num agüento mais isso, não!! Aonde eu chego sou um morto-vivo…!!!
O presidente da OAB-CE aconselha Antonio a entrar com ação na Vara de Registros Públicos da capital ou mesmo de Canindé, pedindo a anulação da sua certidão de óbito e pode inclusive exigir indenização de quem o ‘matou’ formalmente para a sociedade.
Enquanto o caixeiro viajante luta para desfazer o engano – que não cometeu – e provar que está vivo, a policia cearense coça os cabelos para descobrir quem está enterrado no seu tumulo.
Outro dia recebi um daqueles chatos telefonemas de telemarketing querendo me vender alguma coisa. Quando a voz aveludada do outro lado da linha perguntou:
– Eu estou falando com Sr. Ailton Ferreira de Matos…? eu respondi na bucha;
– Não, é com ‘Airton’ Ferreira de Matos…
– Sr. Ailton… – e foi entrando na conversa. Eu repeti alto e bom som:
– Airrrrton…
– Como? Não entendi, Sr. Ailton
– Não. Meu nome é Airrrrton…
– Ah, desculpe, não estou entendendo… – E desligou o telefone.
Coloquei o aparelho no suporte e dei uma gostosa gargalhada. Primeiro pela ignorância e dificuldade da senhorita “voz aveludada” de pronunciar meu “r”. Depois de três vezes ouvindo claramente ‘Airton com r’, sem conseguir dobrar a língua, ela simplesmente desistiu de vender-me qualquer coisa. O motivo maior da gargalhada foi que eu descobri como me livrar de chatas e inconvenientes ‘vozes aveludadas’ que tentam nos vender até seguro de avião caindo. Agora quando alguém liga e pergunta;
– Eu gostaria de falar com o Sr. “Ailton” eu respondo calmo e sereno;
– Não tem ninguém aqui com este nome… – e desligo. Não tem mesmo. Eu não me chamo Ailton.
O fato é verídico e pode ter alguma utilidade pratica no dia-a-dia para quem tem nome que se modifica com uma letrinha, para se ver livre de chatos vendedores de maravilhas via telefone. Mas eu peguei o ‘gancho’ foi para falar do meu saudoso amigo Hailton Custodio, falecido precocemente em 2003.
Convivi desde o inicio dos anos 80 até a ultima sexta feira que antecedeu sua morte, com Hailton Custudio. Eu o chamava sempre de xará. Ele plagiava o nosso amigo comum Masaharu Sato, que só me chamava de “Sô Chips”.
Quando serviu o exercito, onde se engajou por alguns anos, Hailton foi um dos melhores atletas do 14º GAC e se tornou ‘peixinho’ do coronel, pela sua velocidade e habilidade com a pelota na ponta esquerda – como seu irmão Rieli. Ele era palmeirense de coração e chegou a jogar uma temporada no America-RJ. Foi um dos mais renomados e zelosos eletricistas de Pouso Alegre. Mas o que o projetou para o ‘estrelato’ de Pouso Alegre e região e em muitos dos grandes clubes de futebol do país, foi exatamente o futebol. Futebol de base, da garotada. Tinha faro para a descoberta de talentos e habilidade rara para lapidá-los. Hailton Custodio é da mesma geração dos boleiros que fizeram a historia do futebol de base da cidade. É do tempo do Agostinho, do Pingüim, do Tião Cueca, do Corinho, do João Cavalo, do arqui-rival Carpinetti, Salvador Lopes… Todos deixaram – alguns ainda estão em atividade – um imenso legado para o futebol amador. Pouso Alegre tem hoje o melhor ‘plantel de veteranos’ na faixa de 35 a 45 anos na regiao, graças às escolinhas de futebol destes professores.
Com todo respeito e admiração pelos demais, com certeza Hailton Custodio foi o mais apaixonado, mais organizado, mais polemico, mais brigador em defesa de seus pupilos. Era apaixonado também pelo Rubro Negro do qual era sócio e estava preparando o terreno para assumir sua direção no final de 2003. Tanto que mesmo depois de deixar a escolinha do clube, nos novos clubes CRAC e Manchester que criou e dirigiu,manteve as cores rubro-negras. Ganhou notoriedade nas preliminares dos jogos do ‘Pousão’ no campeonato da Segunda Divisão, na década de 80. Mas não hesitava em tirar seu time de campo se o adversário colocasse ‘gato’ – jogador mais velho – para jogar contra seus garotos. Ele não ensinava apenas futebol, ensinava também cidadania a seus pupilos de 9 a 19 anos. Fazia questão de levar autoridades aos locais de treino e jogos para mostrar o seu trabalho. No intervalo trazia os garotos em fila para cumprimentar respeitosamente o visitante. Quando meu pai faleceu, fui surpreendido pelo xará e seus alunos. Em pleno domingo à tarde ele levou dezenas de atletas do Manchester, devidamente uniformizados ao velório. Um a um os garotos vieram me cumprimentar. Não dá para esquecer! Fora de campo, em todas suas empreitadas, Hailton Custodio fazia um trabalho social com seus garotos, dando apoio e assistência material às suas famílias embora ele próprio não tivesse nada sobrando. Adorava rádios, tanto os aparelhos quanto “falar no radio”. Tinha rica coleção de rádios e vitrolas antigas em sua casa.
Certa noite de 1987 eu estava quieto no meu canto quando um Corcel II branco parou na porta de minha casa. Era Hailton Custodio.
– A Roberta Miranda vai cantar em Inconfidentes. Vamos lá… O prefeito vai colocar a gente no camarote – disse ele.
Fomos. Não tinha camarote. O show foi em cima de um caminhão Mercedes lonado. Ficamos atrás dela no caminhão, misturados com a parafernália de fios de microfones. Quando Roberta parou de cantar, nos distraímos com a platéia e quando nos viramos ela já havia desaparecido atrás do caminhão. Ah, quem nos colocou no palco com a cantora brega-romantica foi o vereador João Língua, amigo dele…
Em 88 fui jantar na casa do professor. Ele fazia questão de levar seus novos amigos à sua casa, servi-los bem e apresentar sua família. Depois do jantar ele nos levou ao terraço do singelo sobradinho em que morava, no alto do bairro da Saúde, olhou para a direção sul da cidade, esticou o braço e orgulhosamente falou;
– Olhe, aquele clarão vermelho é a cidade de São Paulo. Quanto mais escura estiver a noite, mais dá para ver as luzes da cidade. Vire um pouco de lado… dá para ouvir um pouco da balburdia da grande metropole!
Não consegui ouvir nada, mas a mancha rosada na direção de Estiva, bem poderia ser mesmo reflexos das luzes de São Paulo. Assim era Hailton Custodio. Se fazia eternamente lembrado pelos pequenos detalhes …
Hailton era uma pessoa simples, bondosa, caridosa, mas uma coisa que ele fazia questão – aliás como quase todas as pessoas de temperamento forte – da pronuncia e da grafia correta do seu nome. Certa vez ele recebeu uma homenagem do PAFC pelos relevantes prestados ao futebol de base do clube – coisa rara, pois o glorioso Rubro Negro do Mandu morreu justamente por não valorizar o futebol das categorias básicas. Ele ‘queria morrer’ quando pegou o diploma e lá estava com esmero desenhado à mão… “AYRTON” Custodio.
Na ultima vez que conduzi o programa “Direto do Esporte” na Radio Difusora, recebia quase toda tarde sua visita. Na época ele havia tido um revés financeiro – tivera furtada sua caminhonete carregada de fiação e material elétrico – estava com a escolinha inativa, mas ia sempre ao programa, querendo participar dele como comentarista. Ficava do outro lado do vidro, na sala de tecnica conversando com Luiz Gonzaga, esperando ser convidado. Numa semana de agosto o Flamengo estava treinando no CT do Oscar em Aguas de Lindoia. Eu e o parceiro Jose Henrique fomos lá entrevistar alguns jogadores para o programa. Hailton Custodio iria junto. Quando passei em sua casa de manhã ele estava deitado no terraço. Estava indisposto – coisa rara – era o prenuncio do aneurisma cerebral que o levaria na terça feira seguinte. Antes porém, um ultimo gesto, muito próprio do gentil Hailton Custodio! Quando chegamos para o programa na sexta feira, o estúdio estava aberto… sob a bancada, atrás dos microfones estavam duas viçosas laranjas pocãs… uma para cada um. Sem saber era sua discreta despedida.
Está acontecendo desde o dia 08 e vai até março a Copa “Airton Custodio” de Futsal, cujo responsável pela organização é o Sr. Jose Regis Catarino. Uma justa homenagem ao boleiro, ao cidadão Hailton Custodio que dedicou sua vida a ensinar futebol e cidadania aos garotos de Pouso Alegre e região. Meu amigo com certeza deve estar muito orgulhoso da homenagem. Mas, de lá da cabine de radio de São Pedro, ele deve estar com os braços cruzados olhando feio cá para baixo esperando que os organizadores e imprensa corrijam sua grafia. Se o homenageado for ele mesmo, seu nome é ““HAILTON Custodio””, por favor. Sua viúva Leonor e os filhos Danilo, Domenica, Douglas e Duílio – e este amigo – orgulhosamente agradecem.
Saudades, Hailton Custodio…
Muito se tem falado em maconha ultimamente. Principalmente no sentido de sua legalização ou descriminalização. E, querendo ou não a erva marvada pode recuperar seu antigo nome, como era conhecida há dois mil anos: erva santa. Até pouco tempo usar uma camiseta com foto da folha de cannabis estampada ou chaveiro, dava cana… era apologia ao crime. Agora as “marchas para a maconha” levam milhares de maconheiros e simpatizantes para a rua, ‘numa boa’.
Bem, sem entrar no mérito da questão, vejamos um pouco de sua – controversa – historia.
Até o século XX a maconha era mais famosa nas Américas como fibra têxtil e como planta medicinal. De meados do século XIX até os anos 40 a maconha constava na farmacopéia oficial de vários países. Remédios a base de maconha eram encontrados em qualquer farmácia. No ocidente a maconha começou a ser usada como psicotrópico por escritores e artistas no século XIX, como os poetas franceses Rimbaud e Baudelaire, mas sua utilização restringia-se a pequenos círculos boêmios das grandes cidades e as colônias de imigrantes asiáticos e africanos.
Em meados do século XX, porém, os cientistas identificaram os efeitos colaterais da maconha e seu uso acabou restringido ou excluído nas farmacopéias, sendo proibido por lei em vários países. O consumo da maconha, entretanto, passou a ser disseminado no mundo nos anos 60. A difusão do Rock e de Woodstock, bem como o avanço hippie em muito colaborou para que a maconha se espalhasse pelos Estados Unidos e desde este país fosse disseminada para o mundo todo.
Seu uso era freqüente entre as classes mais baixas e mais tarde foi difundido entre os jovens de todas as classes. Na década de 1960 a maconha era usada em shows de rock, juntamente com outras drogas e atingiu grande abrangência entre os jovens, sendo inclusive usada por soldados americanos na Guerra do Vietnã. No Brasil a droga é usada principalmente pela população jovem de classe baixa, média e alta. Nos últimos anos as estatísticas mostram que a maconha está sempre entre as drogas ilícitas mais consumidas pelos jovens estudantes colegiais e universitários.
Em todos os estudos feitos até agora, não se conseguiu provar se a maconha causa dependência psíquica ou não. Mas uma coisa é certa, certíssima, tão certa quanto você estar lendo esta matéria neste momento… a maconha causa dependência “social”. Quando o organismo do sujeito se ‘acostuma’ com a droga e não encontra nela mais o prazer do inicio, ele não para com as drogas. Ele não pode cometer a fraqueza, o vexame perante os amigos, de virar ‘careta’, por isso ele busca outra mais forte. O Crack, a cocaína, o haxixe…
O assunto é vasto e só peguei na pena, quero dizer, no mouse, para falar da parte hilária da droga… na qualidade da famigerada erva santa…
São mais de 60 substâncias que se encontram presentes na maconha, chamadas pelo nome genérico de canabióides. O tetrahidrocanabiol é a substância preponderante e o principal princípio ativo da maconha. Também é conhecido o delta 9 tetrahidrocanabiol. Sua concentração varia de 1% a 5% na maconha comum e de até 33% na supermaconha conhecida ultimamente como skunk, produzida no Marrocos, Afeganistão e Egito.
Além do cheiro característico, parecido com queima de qualquer capim verde, que identifica tanto a própria quanto seus usuários, a maconha, por ser proibida por lei, não sofre qualquer tipo de controle de qualidade. Não existe qualquer fiscalização pública ou privada. O risco é inerente ao negócio. O que vale é o lucro.
Ano passado, durante busca e apreensão de armas e drogas num muquifo em Juruaia, a capital da Lingerie, a policia militar encontrou 300 gramas de estrume de vaca, bem guardadinha no guarda roupa. A bosta desidratada seria misturada na maconha e vendida aos nóias da cidade…
Em 1997 a Polícia Federal de Santa Catarina apreendeu um traficante na Grande Florianópolis, com dois mil quilos de maconha.
O procedimento policial, neste caso, é levar o indivíduo para a delegacia e a droga para o laboratório. Somente após o laboratório confirmar que se trata de droga, o que se faz pela análise da presença do princípio ativo, o delegado registra a ocorrência policial.
Procedido o exame do material, não constatou-se o princípio ativo. Feito novo exame, com outra amostra, não apareceu o THC. Levada uma amostra, com urgência para o laboratório central da Polícia Federal, que tem mais recursos de investigação, confirmou-se que não era maconha.
Instado a se pronunciar, o detido informou que “realmente havia iniciado vendendo maconha pura, mas como a polícia tornava as coisas muito difíceis, havia começado a misturar bosta de cavalo. Tendo havido aceitação e elogios dos consumidores, que não sabiam da mistura, foi aumentando a parte de bosta e, para surpresa geral, informou que hoje vende bosta pura.
Se alguém que você conhece, usa maconha há algum tempo e diz que não sente nenhum prejuízo com o uso, pergunte-se: o que será que ele está fumando realmente… Maconha ou bosta de cavalo… ?!?!?
Desde que ouvi o primeiro tiro contra a fiel Valentina na frente do suntuoso banco da Adolfo Olinto, tenho acompanhado os demais disparos. Além da cadela do Rogério Narciso, que gosta de ser chamado de “Rogerinho Roth” os tiros acertaram outras pessoas. Acertou o vereador Helio da Van, acertou o próprio PM que disparou o gatilho, acertou toda a corporação militar, acertou o gerente do banco que chamou a policia para retirar o mendigo e sua companheira de estimação, acertou comerciantes que defenderam a docilidade do animal ferido, acertou um monte de aficionados em Facebook e agora que eu abri a boca, vai me acertar também.
Eu poderia ter abordado o assunto aqui no blog, com modesto conhecimento de causa, pois estive por quase trinta anos atrás de um trabuco e dezenas de vezes diante de um cão que defendia com bravura e fidelidade seu dono, ainda que ele fosse um infrator da lei. Durante anos tive mais de uma dúzia de cães de todas as raças e tamanhos, atualmente tenho cinco… Qualquer coisa que eu dissesse, no entanto, não aplacaria a polemica que o caso gerou!!! Por isso preferi deixar o assunto esfriar.
Agora que o caso de Valentina – que aliás, foi batizada graças ao tiro na bochecha – começa assentar a poeira, resolvi falar do Rogerinho Roth, o moço que dividia seu maltrapilho cobertor com a cachorra sob a marquise do banco.
Rogério Narciso é fruto de um desses romances “tapas & beijos” com final precoce. Ele nasceu na cidade do Rei Pelé em 1986, mas não chegou a conhecer seu pai. Sua mãe não suportou as agressões e o abandonou quando Rogério ainda estava nos cueiros. Antes que ele terminasse a infância, foi também abandonado pela mãe. Até o fim da menoridade ele foi criado por parentes;
– Depois que eu fiquei homem passei viver ‘por conta’. Na rua… não tinha motivo para ficar em casa – conta ele. Nasci no dia 14 de janeiro. Fiz 26 anos a semana passada, não ganhei presente – acrescenta Rogerinho com frustração.
– Anos atrás fui preso por 157… Depois matei um cara numa briga. Peguei nove anos e seis meses. Paguei três ‘de ponta’ e saí no semi-aberto. Quando sai da cadeia, com ulcera gástrica, não tinha para onde ir. Desde esse dia eu ando pro mundo… Faz um mês e pouco que estou em Pouso Alegre. Vivo na rua. Mas no Aterrado eu não vou, não, lá só tem nóia…
– De onde veio a cachorra Valentina?
– Ganhei de uma amiga… minha namorada – É verdade. Rogerinho Roth tem uma namorada surda–muda. É ela que lava suas roupas…
– O que você fazia antes de ser preso?
– Eu era operador de maquinas numa fabrica de tornos, jaquetas e peças para carro…
– O que você quer da vida?
– Eu quero um emprego… comida é fácil, todo mundo dá. Quero trabalhar. Quando eu peço alguma coisa as pessoas falam: “vá trabalhar”, mas ninguém dá emprego…
No inicio da nossa conversa ele estava entre ressabiado, agitado e desconfiado. Sentamos na escada do banco, ao lado do palco que lançou Valentina ao estrelato. Enquanto falávamos, Rogerinho olhava agitado o tempo todo para os lados. Embora nossa entrevista tivesse sido ‘agendada’ pelo Randolfo (Piula) de Paiva, pessoa com a qual ele já se acostumou ali nas imediações, Rogerinho parecia temer alguma coisa de ruim. Mas fazia questão de mostrar e até chamar a atenção das pessoas conhecidas que passavam por ali, como quem diz; “ eu tenho amigos, quem me conhece me respeita”. Nossa conversa durou cerca de meia hora. Não conversamos mais porque ele tinha que levar dinheiro para a namorada e estava muito ansioso para me apresentar seus amigos, numa loja ali perto. Na loja, onde já é ‘velho conhecido’, Rogerinho Roth ficou à vontade. Conversou de igual para igual com os funcionários como se fossem amigos de longa data.
Esqueci de perguntar se ele mantêm relações com a namorada com ou sem preservativos, mas não tem importância, a resposta seria obvia. O que quer dizer que daqui algum tempo, mais um “Rogerinho Rothinho” estará dividindo o surrado cobertor com Valentina.
Da conversa com o mendigo, transeuntes e comerciantes próximos ao local do tiro que espalhou estilhaços para todo lado, ouvi coisas, opiniões e comentários que – desculpem o ‘egoísmo’, tenho que guardar para mim – não ouso contar aqui. Vou plagiar uma frase que li no único jornal da cidade em 1984 sobre uma carta-resposta que escrevi: “este jornal não se presta a fomentar polemica”!!!
Este Blog também não quer fomentar polemica, mas agora que as luzes da gloria de Valentina começam apagar, seria bom voltar os holofotes para o mendigo, egresso da prisão, cidadão Rogerio Narciso… Ele também é filho de Deus. Se ele receber metade da atenção que recebeu a faceira Valentina nas redes sociais, a vida dele e de tantos semelhantes poderá se tornar tão digna e confortável quanto a da fiel amiga que ele cuidava.
Pelo que ouvi sentado ao seu lado na escada do banco e vi na loja ali perto, se Rogerinho Roth tomasse uma boa ducha e um ‘banho de loja’, colocasse um Rexona e fizesse umas trancinhas no cabelo que há meses não vê escova, ficaria irreconhecível e daria um excelente e tagarela vendedor em qualquer loja do centro da cidade…
Alguém aí quer curar as feridas do Rogerinho Roth e adotá-lo…???
Eram nove da noite quando ela entrou no hospital. Os olhos negros e assustados brilhavam muito e tentavam identificar as pessoas à sua volta. Entrou muda como uma pedra. E mesmo que tivesse assunto e quisesse não poderia falar. Tinha uma mascara de oxigênio na boca. Mas tinha quem falasse por ela… e como falava!! Nilvane, com uma bolsa à tiracolo foi logo explicando:
– O tamborzinho de ar quebrou… A sorte que cheguei até estes filhos de Deus aqui – funcionários da empreiteira que administra a Fernão Dias – para socorrer a gente. Estamos vindo de Taiobeiras para consultar em São Paulo…
A medica desviou o olhar da paciente para a acompanhante para perguntar;
– Como é que é…?
– Minha mãe tem muita falta de ar, doutora. Lá na minha cidade tem recurso, não. Estou levando ela para consultar na capital…
– … E onde fica Taiobeiras?
– Lá no Norte de Minas, pertinho da Bahia. Do coreto da pracinha da pra ver o brilho dos facão dos baianos do outro lado do rio…
– Mas porque vocês não foram para Montes Claros…?
– Nós passamos por lá, num sabe, mas também tem recurso, não…
– E vocês estão viajando de que?
– Estamos no meu Palio, doutora. A prefeitura emprestou dois tamborzinho de oxigênio, mas quando a gente tava chegando aqui perto… Como é que chama esta cidadezinha, moço?
– Camanducaia…
-… eu fui trocar o tamborzinho e sem querer quebrei o danado do botão… Maínha tava ficando roxinha!! A sorte que eu vi estes cabras e eles trouxe a gente pra cá na ambulância amarela…
– “… De Taiobeiras a São Paulo num Palio, com um tubo de oxigênio, para fazer uma consulta…” – pensou alto a medica plantonista enquanto examinava a paciente.
– Olha, Nilvane, não dispomos de nenhuma ‘pecinha’ que possamos emprestar para você seguir para São Paulo com seu oxigênio. Até que você consiga outro ‘tamborzinho’ para seguir viagem com sua mae, ela vai ficar aqui no hospital internada…
– De jeito nenhum, doutora… Já estamos pertinho dos parentes em São Paulo. Vamos chegar lá agorinha mesmo!!
-Sem oxigênio sua mãe não dobra nem a Serra da Cantareira… Sinto muito Nilvane, a responsabilidade é minha. Eu não posso liberá-la.
– Ó xente, doutora. Eu cuido de maínha, eu sou responsável por ela… Pode fazer um documento aí que eu assino agorinha…
As ponderações da medica foram inúteis. Nilvane estava resoluta em seguir viagem mesmo sem o tamborzinho de oxigênio. Saiu com o motorista para fazer um lanche e voltou meia hora depois para retomar a viagem. Mas…
– Estive pensando cá com meus santos, doutora. Acho que vamos seguir o conselho da senhora… Eu vou deixar maínha aqui e voltar para Taiobeiras pra buscar outro tamborzinho de ar… A senhora vai estar aqui quando eu voltar?
-Vou ficar até amanhã às sete da noite
– Vixe!!! A senhora não descansa!!! Não é filha de Deus, não?
É sim. E abençoada. Estava com câimbras nos dedos de tanto massagear o coraçãozinho de um recém nascido prematuro tentando mantê-lo vivo até a chegada de uma UTI móvel de Pouso Alegre e tinha os olhos ainda vermelhos de chorar, pois o esforço fora em vão. Mas esta é outra historia.
A taioberense Marinilza de 79 anos continuou calada, com os olhos brilhantes, atrelada ao oxigênio, enquanto a filha Nilvane tagarela refazia o trajeto de cerca de mil quilômetros até a divisa com a Bahia, para buscar um tamborzinho de ar emprestado. Quando saímos de Camanducaia no crepúsculo chuvoso de domingo, Nilvane ainda não havia chegado com o ar de sua mãe.