Santarritense a um empate da classificação

          Depois da vitoria magra sobre o Jacutinga na capital das malhas no ultimo domingo, o “Robozinho” do Vale agora joga em casa no proximo dia 02 contra o Araguari,  adversario direto na luta pela ultima vaga na proxima fase do campeonato mineiro da segunda divisão. Um empate contra o time do Triangulo lhe garante a classificção.

         Apesar de ter vencido apenas o Jacutinga – duas vezes – no certame e ter um aproveitamento inferior a 30% o time dirigido pelo experiente Zezito, coordenado  pelo apaixonado Bugalu, pode chegar ao titulo da Segundona, ou pelo menos ao acesso à primeira divisão. Afinal, na proxima fase todos os times começam com zero pontos e o time pode se reforçar e bater os adversarios.

                 A presença da torcida no estadio Erasmo Cabral, domingo às 10:30h da manha pode fazer a diferença.       

                Seja o 12º jogador do seu time.          

                Vá prestigiar o Robozinho do Vale. 

Foi matar o vizinho e levou testemunha

        Os moradores da pequenina Pouso Alto, na serra da Mantiqueira, caminho dos cariocas do Rio que descem para a carioca São Lourenço, poucas vezes viram um sujeito tão decidido. D.L.S.M. construiu uma casa de morada no terreno da familia de Jose Donizete, mas foi despejado pela justiça a pedido do vizinho e jurou matá-lo. No sabado de manhazinha ele resolveu acertar as contas. Sabendo que Jose Donizete iria buscar uma carga de areia, foi esperá-lo no porto. Na chegada topou com o vizinho P.S.L. e resolveu mantê-lo como testemunha do seu desatino. Mostrando-lhe uma pistola, obrigou-o a se esconder com ele no interior de um caminhão bau vazio no local do homizio. Quando J.D. chegou pilotando seu possante D.L. saltou do esconderijo, sacou a pistola e foi logo mandando bala no desafeto. Com a morte diante dos olhos, J.D. preferiu conversar de longe, correu, pulou nas aguas frias do Rio Verde e o atravessou em poucas braçadas. A cada vez que emergia para respirar ouvia o assobio tenebroso das azeitonas quentes passando rente à sua orelha. Uma delas acertou sua mão direita mas ele somente parou de nadar quando chegou à outra margem. De lá continuou ouvindo as ameaças do vizinho; “Se eu tiver que deixar a casa, volto na terça feira para matá-lo”. E para mostrar que estava realmente queimado com o despejo provocado pelo vizinho, ateou fogo em seu caminhão, montou sua motoca vermelha e dobrou a serra do cajuru.

      A atitude do lavrador tem certa logica… Ja que ele foi desalojado da casa que construiu no quintal do parente, tem que conseguir um outro teto. Se matar J.D., irá morar de graça no hotel do contribuinte…

Traficantes escondiam a droga no cemiterio

        Acompanhei a primeira “busca & apreensão” de drogas no carnaval de 1981, quando ainda fazia estagio na policia. Quando chegamos na porta da casa do Zetinho do Yara para revistá-la, bateu-me um desanimo. Fiquei tentando imaginar…. Como encontrar alguns baseados ou mesmo um tijolo da cheirosa cannabis ali dentro, ou no quintal? Reviramos cada palmo da velha e grande casa da Rua das Orquideas. Saimos de lá debaixo de xingamentos e ameaças dos familiares por causa da bagunça e o pior… nem cheiro da famigerada maconha encontramos. Nos ultimos trinta anos as tecnicas para localizar drogas em interior de residencias e quintais não evoluiram muito. O que prevalece é a experiencia e o faro policial. Ja os traficantes ficaram bem mais criativos no ‘mocosamento’ da prova do crime.

       É comum guardarem o ‘produto comercial’ em potes de açucar, de café, de arroz, em caixas d’agua, dentro de frutas – melão, melancia, mamão – em panelas de comida, recheio de bolo, em cestos de lixo de banheiro, envoltas em fraldas usadas, dentro de aparelhos eletroeletronicos. Se o meliante for mulher, terá uma opção a mais para esconder a droga. E dificil de revistar….Sabe como é, né, se na cadeia elas levam até celular no … “parque de diversoes”, que dirá então umas quarenta pedrinhas beges fedorentas!!! Aliás, duplamente fedorentas… No quintal a droga fica em montes de areia, na casinha do cachorro, no buraco do muro e naturalmente enterradas na horta ou no jardim. È preciso ter paciencia,  faro e sorte para achá-la. O ecstazy é facilmente transportado para todo lado debaixo da bateria dentro do celular. Na cadeia se esconde dentro do ‘boi’, amarradas por uma quase invisivel cordinha indiana.

       No velho Aterrado tem se tornado corriqueiro esconder a droga nos terrenos baldios, muquifos abandonados, debaixo de pedras, pés de arvore… Toda vizinhança sabe que a droga está ali a espera de um cliente mas nem o mais fissurado dos nóias coloca a mão seca nela sem antes molhar a mão do ‘formiguinha’.

       Para burlar a fiscalização dos homens da lei, traficantes de Campo Belo adotaram um novo esconderijo. Guardaram a droga no cemiterio da cidade. Ao chegar para o trabalho outro dia, o coveiro encontrou um estranho pacote escondidinho atras de um tumulo. A principio pensou que  fosse um ‘despacho’ ou oferenda de algum parente do morto, tentando sua ressureição ou quem sabe uma exigencia do morto para deixar de assombrar alguem. Na duvida, para evitar assombração, resolveu chamar a policia. Eram 89 pedras de crack, 95 bolas de haxixe, 3 tabletes de pasta base de cocaina e duas balanças de precisão. Os policiais procuraram nas imediações mas o dono da droga ja havia virado fantasma.

Casal levava cocaina para o Luan Santana

        No ultimo fim de semana teve show do megastar do sertanejo universitario, Luan Santana, em Pouso Alegre. Show para adolescentes, um prato cheio para distribuição de erva marvada e farinha do capeta.

       O jovem Michael P.S. queria assistir o show mas… sabe como é, fim de mes, grana curta. Então pensou em levar alguma coisa para vender lá dentro do estadio e descolar alguns trocados para o refrigerante. A melhor coisa para vender nestes locais sem pagar alvará é…? Pedra bege fedorenta, erva marvada, ‘chicletinho’, farinha do capeta…. O jovem baladeiro pegou em consignação com um conhecido fornecedor, 15 barangas de cocaina e convidou a amiguinha C.C.P. para ir com ele. Como ela é “dimenor”, se a droga fosse descoberta ele estaria acobertado. Colocaram as baranguinhas dentro de um maço de cigarros na bolsa da garotinha e lá foram com pintas de somongós para o show. Quando a segurança na portaria abriu a bolsa de C.C. e viu aquele monte de cigarros soltos e o maço meio fechado, abriu bem os olhos e convidou a garotinha para sair da fila. Michael que seguia logo atras, percebendo que a casa ia cair e que ficaria sem a farinha do ganha-pao, se adiantou e disse que a mercadoria era dele, ingenuamente acreditando que a segurança particular do evento fosse deixar o barato passar barato. Não deixou. Acionou os homens da lei e o casal de amiguinhos, fãs do Luan Santana, desceu no taxi do contribuinte para a delegacia. Percebendo a asneira que havia feito, Michael – nome de pop-roqueiro em show de sertanejo – tentou voltar atras, dizendo que nunca tinha visto C.C. mais gorda. Que azar!! A mae dela, chamada para acompanhar o desfecho do imbroglio foi logo afirmando que eles eram amigos de longa data. Não teve jeito. Ja na madrughada de domingo o casal 34 – ele tem 18, ela 16 anos – sentou-se ao piano do delegado de plantao e assinaram o 33. C.C. voltou para casa com a mae e a bolsa 150 reais mais leve. Enquanto o galã Luan, que arrancou suspiros e gritos histericos das garotas e de alguns garotos marotos, alheio a tudo, embarcava no seu jatinho particular para  mais um dos seus trezentos milionarios shows anuais em outras paragens, Michael embarcava no taxi do contribuinte, para umas ferias forçadas no garboso Hotel do Juquinha.

 

Ladroes assaltam motel e deixam todo mundo ‘duro’

Casais que estavam curtindo o romance proibido num motel  do trevo de Vinhedo, levaram um tremendo susto. De repente, quando estavam no ‘bembom’, em trajes de Eva & Adão, sob a imensa cama redonda cercada de espelhos, se viram na mira de um trezoitão. Alguns, que naturalmente brox.. , chegaram a pensar que o guampudo armado na sua frente fosse o chifrudo, quero dizer, o marido da amante. Não, nada disso. Eram apenas ousados assaltantes pés-de-chinelos aproveitando que os amantes estavam com as calças na mão para fazer uma coleta.

O assalto aconteceu na madrugada desta segunda num motel na entrada da bela e florida Vinhedo, a capital paulista do vinho. Primeiro o trio rendeu o caixa do ‘estabelecimento de amor proibido’ e enquantro um deles ficou ali os outros dois sairam pelos quartos, ‘empatando’ a transa e recolhendo carteiras, relogios, celulares, cordoes de ouro. Mas como eram pés de couve, não perceberam que o recepcionista acionou o alarme. Guardas municipais e policia militar chegaram rapidamente e de imediado prenderam dois deles ainda de armas em punho. O terceiro conseguiu dobrar a serra do cajuru e foi se esconder no condominio Marambaia ali perto, mas também caiu nas malhas da lei.

A parte mais dificil da operação policial que prendeu os tres assaltantes do motel foi devolver os obejtos roubados ao seus legitimos donos… Ninguem queria  mostrar a cara e registrar o B.O….Afinal como explicar em casa porque foram parar na delegacia àquela hora!!! Além do mais, nestes tempos modernos, vai que a consorte também estava fazendo um programinha no quarto ao lado…

Aconteceu….. em Brasilia

       Politicos corruptos impunes é o que não faltam em Brasilia e nalguns rincões do Brasil varonil. Nos ultimos meses ao menos uma tenue luzinha tem se acendido bruxuleaaante no fim do tunel. Longe ainda de levar ladroes do dinheiro do contribuinte para os ‘hoteis do contribuinte’, mas acende uma vaga esperança. A queda recente dos ministros Antonio Polocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais, longe está de obrigá-los a devolver o que desviaram aos seus legitimos donos e muito menos de mandá-los para o calabouço dos mortais comuns. No entanto, deixa alerta tantos outros meliantes de colarinho branco; a casa poderá cair.

      A de Sarney não caiu. O homem é forte demais, sô…!!! Investigada desde 2007 por negocios escusos com o dinheiro publico, o clã dos Sarnei, dono de metade do Maranhão e quase todo o Amapá, estado que representa como Senador, conseguiu se safar. Ano passado o respeitável senhor, ex-presidente da Republica – pela porta dos fundos – mais de 50 anos de vida publica, pela quarta vez no comando do Senado, esteve na beira do abismo. Mas suportou os empurrões e as tempestades de acusações. Fincou o pé e disse em alto e bom tom; “Daqui não saio, daqui ninguem me tira”. Não saiu e ninguem tirou mesmo. Semana passada o STJ pulverizou a mais extensa investigação ja feita sobre os negocios obscuros da familia do senador. Remessas milionarias para o exterior, dinheiro do povo desviados para contas e empresas da familia controladas por ‘laranjas’. Eram tantas maracutaias que a investigação se desdobrou em cinco inqueritos. Antes que tres deles se transformasse em processos judiciais, o STJ pediu o arquivamento. Baseado em que? A alegação da turma do tribunal considerou que juizes de primeira instancia não poderiam  ter autorizado a quebra do sigilo fiscal, bancario e telefonico de Fernando – o primogenito – Sarney e de outros investigados apenas com base em informaçoes do Coaf, o orgao encarregado de monitorar operações financeiras suspeitas!!!! Lembra qualquer coisa do caso do presidente da camara de Campanha, pilhado pelo Fantastico, vendendo anfetaminas no cartão de credito, no seu posto de combutiveis na Fernão Dias. Seus pares colocaram o processo no ‘freezer’ e trinta dias depois anunciaram com a maior cara lavada que não poderiam processar o colega porque haviam perdido o prazo. Lembra sim um pouquinho o descaramento, só que no caso do superSaney que não larga o osso nem com o vendaval de denuncias da imprensa, alguns milhõezinhos de reais foram desviados para o bolso do seu clã, enquanto a saude no país, notadamente no Maranhão da ‘sua’ familia, anda de maca e a educação de cavalo de pau.

      Estou indeciso… não sei se posto esta materia na pagina de politica ou de policia…

Aconteceu em ….Araxá

        Sepulveda Pertence. Lembram dele? Ele ja foi ministro e presidente do STF. Aposentado, para nao perder a boquinha, conseguiu o emprego de presidente da Comissão de Etica Publica da Republica. Semana passada casou um filho na terra de Dona Beija, no Triangulo mineiro – ele deve ser conterraneo da diva. A festa provocou um movimento nunca antes visto no aeroporto da bela estancia hidrominal de Araxá. Só gente graúda do meio politico da capital federal. Dentre os convivas ‘selecionados’ estavam o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado do clã dos Sarney, o ministro do STF Jose Dias Toffoli, o ex-senador Luis Estevão e o empresario Mauro Dutra, processado por desvio de dinheiro publico. Coincidentemente Dias Toffoli é relator em um dos processos contra o ex-senador brasiliense.

      O enlace do moço, filho do presidente da Comissão de Ética da Republica, uma especie de vigilante do comportamento das autoridades do Executivo, reuniu num só luxuoso hotel de Araxá, juizes, réus e advogados que atuam em processos comuns. Legal né?

      Ah, o bonitão Luis Estevão, apeado do poder via judicial anos atras, está condenado a 31 anos de cadeia. Porque será que ele não está preso??????

Aconteceu … num hotel de Araxá

        Voce acha que na festa do vigilante da ética teve apenas discrepancias éticas e morais? Teve mais. A festança pós-enlace avançou madrugada adentro no luxuoso hotel e o melhor estava por vir. Lá pelas tantas, os empertigados garçons passaram a distribuir em bandejas, frascos de Lança-perfume!!!! Quem quisesse poderia se servir e dar um “cheirinho na loló”. “Teve figurão que passou mal no banheiro, mas foi tudo de boa”, contou um dos convidados. Ué, mas o lanca-perfume foi retirado da lista de produtos entorpecentes da lei antidrogas? Não, mas qual o problema? As leis foram feitas para os mortais comuns..!! Ahhh, então táááá…  ´

        Terminada a festança, no dia seguinte, os convivas retornaram a Brasilia em seus jatinhos particulares que esperaram candidamente no estacionamento do aeroporto. Segunda feira é dia de retornar ao trabalho onde são chamados de excelências. Afinal, ali são juizes, advogados e… réus.

 

 

Perfeito, a pistola e o panetone

      Cheguei a Pouso Alegre há 40 anos, quando a população mal somava 40 mil habitantes. Não cresci ainda o suficiente para retribuir as possibilidades que Deus me deu, mas cresci e vi a cidade crescer e quadruplicar. Sempre me alegrei com o crescimento das pessoas à minha volta, especialmente aquelas do meu convívio que se tornaram social e profissionalmente homens bem sucedidos, alguns com os quais tive a felicidade de compartilhar parte de minha infância, adolescência e juventude.

        Se me alegro com o sucesso, me entristeço com a decadência de meninos, que do meu convívio estreito ou não, vi crescer à minha volta. Não sei dizer quantos, mas vi crescer muitos garotos certamente com sonhos iguais aos meus ou de meus amigos, mas que nas encruzilhadas da vida fizeram a opção errada. Muitos na verdade não fizeram opção alguma. Apenas não ouviram uma palavra amiga, não tiveram um afago paterno ou um braço firme e generoso no ombro para mostrar o caminho certo e seguiram sem rumo. Desviaram-se para o que parecia mais fácil, mas que se tornou doloroso, lamacento e quase sem volta caminho do crime.

     C.A. da Silva era um desses garotos. Esperto, sonhador, franzino, criado numa rua estreita do bairro São João com vários outros irmãos. Tinha medo dos outros garotos de sua idade, pois era menor e mais fraco que eles, mas logo descobriu que se batesse primeiro poderia amedrontar os outros. Ainda impúbere C.A. ganhou um apelido que o acompanharia pela –  curta – vida toda; Perfeito.

     Conheci Perfeito por acaso numa situação totalmente inusitada. Certa manha de meados de dezembro descia eu lentamente uma rua do bairro São João, conduzindo a 6252 juntamente com meu parceiro e futuro afilhado Fernando, quando avistamos à nossa frente um garotinho de cerca de doze ou treze anos, entre outros da mesma faixa etária, exibindo uma pistola oxidada, como se estivesse prestes a disparar azeitonas quentes. Exibindo mesmo, tanto que me aproximei com cautela e com a mão esquerda, de dentro da viatura tomei-lhe a reluzente pistola… de plástico. Assustado, não tanto pelo fato de ser surpreendido pela policia, muito mais por ter perdido seu brinquedo, Perfeito mostrou-nos sua casa, alguns metros rua abaixo. Instantes depois sua mãe, sem muito constrangimento, explicou que dera ao filho dois reais para comprar um brinquedo e não sabia que ele queria comprar uma arma – E certamente não se importaria se ele tivesse dito.

         Depois do ameno sermão seguimos nossa rotina pelo bairro. Uma semana depois passamos novamente pela mesma rua, na ágil 6252 e lá estava Perfeito sentado na sombra da própria casa ladeado pelos amigos e irmãos. Como da vez anterior, de dentro da viatura fizemos o inverso. Entregamos ao franzino garoto uma bola de futebol e um panetone. Não disséramos nada quando tomamos a pistola, mas parece que Perfeito estivera ali todos os dias esperando por ‘aquela compensação’. Um dos garotos correu para dentro da casa para entregar à mãe o panetone e os outros imediatamente fizeram a bola rolar e quicar na rua poeirenta defronte sua casa como se fossem crianças!!! Não precisávamos de palavras, o gesto já dissera tudo mas, ao nos afastarmos, Perfeito desviou por um instante os olhos da bola que já estava manchada de poeira, levantou um dos braços e… acho que ele disse “obrigado”. Foi o melhor presente de Natal que já dei a alguem.

      Anos depois, ao folhear os BOs na Delegacia de Policia a procura de assuntos para meu programa “Direto da Policia”, encontrei um BO da noite anterior que narrava uma tentativa frustrada de assalto a um supermercado do bairro Santa Luzia. Segundo o relato dos policiais, o comerciante percebera a presença de um sujeitinho com pinta de somongó, espreitando sorrateiramente o estabelecimento e chamara os homens da lei. Na abordagem fora encontrado com o ‘futuro’ gatuno um trezoitão meia-vida, porém devidamente municiado, pronto para ameaçar e vomitar azeitonas quentes se fosse necessário. O frustrado assaltante era C.A.da Silva, o Perfeito, agora com 15 anos e… uma arma de verdade.

         Embora Perfeito já fosse conhecido por outros delitos mais leves, este foi meu primeiro contato com ele depois do presente de Natal. Muitos outros ainda aconteceriam. Furtos, uso e trafico de drogas, roubos, tentativas de homicídio ainda engrossariam a ficha criminal deste menino que vi crescer. Certa manha ao chegar para trabalhar no CPD, lá estava no banco da velha delegacia, o garotinho Perfeito, esperando uma formalidade para ser liberado, pois caíra nos braços da PM, fazendo um “aviãozinho” na madrugada e como ainda era inimputável, depois de enquadrado em ‘procedimento especial de menor’ voltaria para as ruas. Ao ver-me puxou prosa e com sorriso infantil e maroto de gato que acabou de comer o toucinho, desfiou a velha ladainha; “…parei com a nóia”. Vou arrumar um ´trampo´ e mudar de vida”. Eu ainda conversava com ele no corredor quando Teobaldo veio apagar seu sorriso, já um pouco sacana de quem diz: “fica na tua mané, daqui a meia hora ´tô´ na rua e já vou fazer outra parada”, “vocês nunca vão me pegar”. Neste momento ele foi pego. O detetive estendeu-lhe pulseiras de prata ao mesmo tempo que informava a mim e a ele; “ Você completou 18 anos ante-ontem ”. Agora você é “dimaior”. Vai ser fritado no 12 e ´subir´. E Perfeito que naturalmente já conhecia o velho hotel da Silvestre Ferraz por temporadas de custodia de 45 e  90 dias, perdeu completamente a vontade de exibir os alvos dentes. Subiu uma hora depois para o ‘lar, doce lar’ para uma temporada de 4 anos.

         Na verdade não ficou tudo isso não. Dias depois na calada da noite fez um ´tatu´ no teto, subiu ao telhado, desceu pela ´tereza´ na frente do velho hotel e dobrou a serra do cajuru. Entre outras coisas, Perfeito foi pra rua acertar uma treta com Zezinho Fernandes, um velho desafeto do bairro… mas não foi perfeito. Na briga recebeu um golpe de lapiana na região abdominal e teve que adiar o acerto de contas. Levado para o PS, ele não morreu, mas voltou para o velho hotel e durante muitos meses carregou uma bolsa de colostomia presa à cintura. Mas nem isso tirou-lhe a mobilidade e nem abrandou seu coração insensível e sedento de poder. Jogava futebol daquele jeito mesmo no pateo da cadeia nos dias de banho de sol e certa vez quase matou um preso ´pé-de-couve´ que assistia a pelada da ´ventana´ do xadrez, apenas para mostrar que podia faze-lo. O homicídio por asfixia junto às barras de ferro da janela só não se perpetrou porque ouvimos os gritos abafados da vitima e de seu irmão que tentava puxar o homicida pelas pernas de volta para o pátio.

         Aos vinte e dois anos, um metro e sessenta, 52 quilos, ágil como um gato preto que era, Perfeito era um dos meliantes mais conhecidos da Policia e um dos mais temidos e respeitados do velho hotel. Mas ele não podia parar, pois a lógica é simples: quem para é ultrapassado e como liderança na prisão se conquista com força, violência e maldades, quem perde a liderança se torna um mortal comum e poderá ser a próxima vitima de quem busca o poder. Para manter-se em evidencia, na crista da onda, o pequeno meliante agitava diariamente o velho hotel, arrumando confusão com outros presos e a com a carceragem. A solução encontrada pela administração para baixar-lhe o facho foi transferi-lo para outra cadeia. Em Bueno Brandão Perfeito não tardou a colocar as manguinhas de fora… e superou-se, exagerou… colocou fogo na cadeia. Foi transferido para Cambuí. Local perfeito para a aprendizagem de Perfeito. Com meliantes paulistanos que todo dia descem a Fernão Dias com grandes cargas de drogas e acabam caindo nas malhas da séria e eficiente policia mineira, o garotão do panetone faria pós-graduação no crime. Na terra dos Lambert, Perfeito naturalmente quis mostrar que era um perfeito líder… um perfeito homem mau. Ao ouvir o comentário de um colega de hospedagem de que não gostava de tatuagem, embora tivesse varias pelo corpo, Perfeito tratou de ajuda-lo a desfaze-las e para isso usou uma lamina de gilete… sem anestesia. A ‘cirurgia’ pegou mal e causou agitação e revolta no velho hotel de Cambuí. Perfeito tornou-se ‘persona non grata’ e sua permanência ali perigava explodir o caldeirão. Com a superlotação reinante na região e a fama de agitador de cadeia, Camanducaia, Santa Rita, Albertina, Extrema, Ouro Fino, Borda ou São Gonçalo não o queriam nem pintado de ouro. O jeito foi devolve-lo à origem. E o pequeno grande meliante recebeu seu ultimo ‘bonde’; retornou a Pouso Alegre. Chegou numa sexta feira no final da tarde para sua ultima viagem. Seu destino já estava traçado.  Quem vai ao vento, perde o assento… Ele havia perdido seu posto de lider. A noite transcorreu aparentemente normal na cadeia. Apenas um som de ‘rap’ ou de tv mais alto numa ou noutra cela mas nada que fugisse à rotina. E ainda que a guarda fosse alertada, o que fazer quando vinte homens embrutecidos e fedidos num cubículo que cabem seis colchões estendidos no chão, decidem acertar suas contas? Na manha de sábado ao entrar na cadeia para a inspeção de rotina, o carcereiro foi informado que havia um “probleminha” no X 08. Enrolado em ‘cotonete’ – um lençol imitando uma camisa de força – Perfeito agora parecia perfeito; calado, inexpressivo e frio jazia pendurado por uma ´tereza´ na ventana.

      Uma bola de futebol e um panetone às vésperas do Natal, não foram suficientes para mostrar a C.A. da Silva, o Perfeito o caminho perfeito a seguir. No ‘torto’ ele não foi longe…

Colono plantava maconha no acampamento do MST

      A velha e estonteante Cannabis Sativa de Lineu, popularmente conhecida por maconha, erva marvada ou maldita, fumacinha do diabo… há muito perdeu seu trono para a pedra bege fedorenta entre as drogas mais baratas. Para se manter no mercado teve que sujeitar-se a ser vendida a R$ 1 real a baranga, um enroladinho que dá para passar de mao em mao numa pracinha ou quebrada qualquer da noite e espalhar seu adocicado cheiro de erva verde queimada denotando sua presença. Apesar do baixo preço, cultivá-la no quintal ou em terrenos baldios ainda é mais barato e menos arriscado do que ir buscá-la nas ‘bocas de fumo’. No entanto, mesmo cultivando como planta ornamental…é crime, previsto no artigo 33 da Lei Antidrogas.

      Semana passada policiais militares passavam pela Alameda Coelho Neto em São Lourenço, quando viram dois guampudos saindo de um terreno baldio com pintas de somongós e resolveram abordá-los. Eles estavam ‘limpos’ mas no terreno do qual sairam, os policiais encontraram dois vasos plasticos com dois pés da erva marvada ainda tenra, crescendo com agua que os dois moços, um de 16 e outro de 29 anos, levavam todo dia.

       Feiúra maior vinha fazendo o cidadão sem terra B.N.S., 35 anos, em Agudos, interior paulista. Ele aproveitava o acampamento do MST em que morava para plantar maconha. A erva era cultivada em vasos de bambu, como se fossem objetos de decoração e distribuida para os noias da região. No acampamento do Movimento dos Sem Terra, a policia apreendeu 2 quilos da erva maldita, dez pedras beges fedorentas, um revolver, duas motos e peças de veiculos. Apesar de ganhar uma grana extra com o trafico de drogas, o ‘sem terra e sem lei’, recebia alimentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria.

     Bem, para quem acompanha a trajetoria do MST nos ultimos anos, o comportamento do sem terra, defensor da bandeira vermelha mas sem cara vermelha,  não é nenhuma novidade…