Assim era Bogê…

Terminou na semana passada a Copa Bogê de futebol amador, realizada no campo do Bangu, no velho Aterrado. O evento organizadado pelos boleiros Luiz, Braizinho e Bofinho, contou com a participação de 16 equipes da cidade. O caneco ficou com Bangu A.C. um dos mais antigos e tradicionais clubes de futebol amador de Pouso Alegre. A copa homenageou o boleiro Jesus Bento de Souza, o Bogê, morto aos setenta anos e um dia, em 2010.

Mas quem foi Bogê???

Conheci Bogê numa manha fresca de agosto de 1982. Quando cheguei para trabalhar na velha delegacia da Silvestrre Ferraz, o saudoso Inspetor Ângelo – impossível mencionar o nome do policial Ângelo Augusto de Freitas, falecido na manha do dia 05 de outubro de 2004, sem mencionar saudade. O velho Angelo fez do serviço publico sua religião. O trato com as pessoas, com seus superiores, com seus subordinados, sua simplicidade e seriedade na busca da solução para o problemas dos outros tornaram o Inspetor Ângelo numa pessoa impar na policia – conversava com Bogê. Quando terminei de assinar o “ponto” ele olhou para mim e disse:

– Chips, vá com o Bogê ao bairro dos Vitorinos… Ele achou a canoa dele lá e precisa de apoio policial para trazê-la de volta. Não se preocupe em apurar o furto. Basta recuperar a canoa…

Bogê olhou para mim com os olhos vivos e curiosos e deve ter pensado: “Será que este moleque dá conta de trazer esta canoa, do bairro dos Vitorinos!?”.

Durante décadas o bairro dos Vitorinos, município de Silvianopolis, divisa com S.S. da Bela Vista, margeando todo Rio Sapucaí, entre os bairros do Sitio e Água Quente, ostentou a fama de ser o mais violento da região. Povo de sangue quente e língua curta. De pouca prosa. Treleu não deu, quem fala é a lapiana numero 9 ou o trinta e dois.

A canoa do Bogê fora furtada nos fundos de sua casa no Rio Sapucaí, no bairro de Fátima. Um oleiro conhecido seu havia reconhecido a canoa amarrada na beira do rio, lá no bairro dos valentões, 30 quilometros rio abaixo.

Fomos num caminhão basculante que traria areia e a canoa. Atravessamos o rio e saímos numa pequena fazenda no bairro dos ‘perigosos’. Contrariando a orientação do Inspetor Ângelo, chegamos até o curral onde um velhote de sessenta e poucos ordenhava uma malhada holandeza, escoltado por um grande cão mestiço passtor alemão. Ele só nos deu atenção quando eu afastei a jaqueta jeans deixando aparecer o cabo do velho HO enferrujado na cinta. Mesmo assim respondeu resmungando que não possuía canoa e nem conhecia ninguém por ali que tivesse uma. Era um autentico “Vitorino”…  O velho Ângelo, que em 82 ainda não era velho, mas tinha muita experiência de vida, estava certo. O que importava era trazer a res furtiva do Bogê de volta. Cortamos a corrente que a prendia ao pé de um ingazeiro, colocamos na caçamba basculante e voltamos para casa. Naquele resto de ano nunca mais faltaria peixe na mesa do Ângelo e na minha. Bogê, pescador nas horas vagas ficou eternamente grato. Ele mesmo relembraria e recontaria esta historia dezenas de vezes.

Apesar da aventura perigosa da canoa no bairro dos valentes Vitorinos, nossos passos se estreitaram  a partir de 85, através da verdadeira paixão do Bogê: o futebol.

Quando ressucitamos a Liga Esportiva de Pouso Alegre, Bogê reapareceu com sua verdadeira roupagem; técnico de futebol. Montou, ao lado do Herondi Chagas, a A.A. de Fátima, clube que se rivalizaria com o tradicional Juventus do Zé Maria. Com vários jogos de uniformes na cores Vermelho e Branco, o time do Bogê era o mais vistoso da cidade. Foi o pioneiro em torcida feminina organizada. O barranco do Estádio Minduinzão, na beira da linha, no Fátima, nunca mais seria o mesmo depois do time do Bogê. A galera era tão animada que virou time de futebol feminino!!

Apesar de toda animação, de todo colorido e da experiência futebolística do Bogê, a A.A. de Fátima não chegou a colecionar canecos. Teve vida efêmera, durou poucos anos.

Mas o boleiro apaixonado não pendurou as chuteiras. Aliou-se ao rival Juventus e foi mais feliz com a camisa grená. No entanto, a marca do extrovertido ponta direita e sempre alegre e sonhador treinador de futebol, ficaria gravada para sempre nos anais da historia do futebol amador de Pouso Alegre, com outras cores, em outro clube… o São Geraldo.

Bogê mudou-se com a família para o velho Aterrado nos idos de 90. Apesar de o futebol da cidade na ocasião caminhar cambaleante pelas sombras, Bogê foi ousado e inteligente. Criou um novo clube no velho Aterrado e deu-lhe um nome que homenageia o bairro… São Geraldo F.C.. Conseguiu levar para o clube boa parte da nata do futebol amador da cidade tais como Bedeu, Helinho do Sebo de Gato, Teobaldo, o goleiro Batavo, Gelo, Kalu, Aguinaldinho, Kiki, Pelota, Porção, Clovis Bento, Deley… Conquistou vários títulos. O mais importante caneco levantado pela equipe alvi-negra do São Geraldo, ‘cover’ do Santos, time do coração de manteiga do extrovertido Bogê, foi o de campeão da Copa Sesquicentenário de Pouso Alegre, evento disputado no Estádio do Mandu com mais de 200 clubes participantes. Este só o São Geraldo tem…!!

Tendo nascido em Pouso Alegre, mas morado em São Paulo até ’75, onde se casou e enviuvou, Bogê chegou a dirigir o Monte Negro de Osasco, time da terceira divisão, na época. Em um jogo de campeonato contra o Aparecida, seu time perdeu por 3×1. Mas não perdeu a pose. Sacoalhou e orientou sua equipe até o ultimo minuto. Ao ver o treinador na beira do campo, tentando incentivar seus jogadores, um repórter se aproximou e perguntou:

– Jogando aqui na ‘terra santa’, perdendo de 3 x1 aos 44 do segundo tempo… o senhor acha mesmo que dá para virar o placar???

Bogê respondeu no estalo, apontando para o placar manual no fundo do estádio:

-Dá… É só subir naquela escada e virar o placar…!!!

Numa outra tirada, já dirigindo seu orgulhoso São Geraldo, seu fiel escudeiro e co-fundador do time, o atacante Deley, perdendo o jogo, de dentro do campo insistia;

– Mexe no time, Bogê, mexe no time…!

-Só se eu tirar você, que é o mais fraco do time!!! Respondeu Bogê. E o jogo continuou.

Assim era Bogê… Simples, humilde, corajoso, responsável e extramamente bem humorado. Nada o fazia perder as estribeiras. Nem uma sonora goleada sofrida pelo seu time. Na véspera dos jogos mais importantes saia de casa em casa dos jogadores, à pé ou de bicicleta, relembrando seus atletas do compromisso e da importância do jogo.

– A cachaça do meu pai era o futebol – diz o filho Clovis Bento –  que no auge da juventude foi um craque no meio campo – com os olhos nadando de saudade do velho boleiro.

Tiriça, seu apelido de jovem ponta direita ou Bogê, pode não ter ganho todos os jogos que disputou, mas… Ganhou de goleada da vida!

Saudades, velho pescador…

 

Estádio da Lema: Nunca mais…!?

Muito pior do que a saudade de um lugar que não existe mais é ver este mesmo lugar abandonado, sujo, sem vida, sem poder tocá-lo…

Esta é a situação do velho Estádio da Lema, “Alto da Comendador”, como bradava Ideisio Dantas, “Ninho do Dragão”, “Casa do Rubro Negro do Mandu” e outros epítetos carinhosos e garbosos das décadas de 60 – que não vivi – e de 80 que acompanhei e vibrei com outros milhares de apaixonados pelo futebol profissional da terra.

Equipe junior de 1986 que o Pouso Alegre Futebol Clube não aproveitou

O estadinho tem historias que antecedem até o “arco da velha”. Suas paginas mais marcantes, no entanto, remontam às ultimas décadas. De 87 a 92, quando a LEMA – Liga Esportiva Municipal de Amadores mostrou do que era capaz e realizou cerca de 80 campeonatos, em todas categorias,  gerou mais uma polemica: Afinal, o estadio da Lema pertencia à liga ou ao PAFC?

Pertencia, sempre pertenceu ao Pouso Alegre Futebol Clube. O terreno foi doado pela família do Pinto Cobra nos idos de 30, muito antes da criação da Liga Esportiva, em 1948. O que ocorre é que em diversos períodos de ostracismo do PAFC, quem cuidou, manteve funcionando e até pagou dividas de financiamento de ampliação de arquibancadas junto ao extinto Banco Nacional, foi a Liga Esportiva.

Em alguns momentos de sua existência, a historia da liga esportiva, entidade-mãe, se confunde com a do glorioso PAFC, seu mais ilustre filiado. Daí a confusão… mas o Estádio da Lema sempre pertenceu ao Dragão.

É pena que este esclarecimento, no momento não tenha importância, pois tanto a LEMA – que em novembro de 87 virou LEPA – quanto o PAFC num perigoso sono profundo!!! O clube que se orgulha de ter encarado de frente grandes equipes do futebol brasileiro e ter colocado água no chop do Galo em pleno Mineirão no dia do seu aniversario, morreu há quase vinte anos. Até parece maldição do Galo.

Depois daquele convincente e glorioso 2×1 de 1990, o Dragão só desceu ladeira abaixo. Vendeu craques como Paulo da Pinta, Nonato, PC Gusmão, Edevaldo, Cezar, Zigomar, Waltinho, Carlão e tantos outros e nunca mais montou um time à altura de suas tradições. O dinheiro da venda destes jogadores? Deve ter engordado a conta bancaria de alguém, ou quem sabe se transformado em carrões envenenados de alguns ‘boys’ na epoca!!! Nos anos seguintes aventurou-se em bingos, afundou-se em dividas, caiu nas divisões e desapareceu!

Desde os últimos anos do século passado, tentou duas ou três vezes se levantar. A ultima foi em 2009. O então presidente, cuja eleição ninguem sabe quando foi a ultima vez que se deu, aliás eterno presidente Jose Chaves, com toda sua fala mansa e postura de grande cartola, andou dizendo por aí que montaria um time para levar 20 mil torcedores ao estádio… Levou menos de duzentas pessoas nos quatro jogos que fez. Não passou da segunda fase do certame da Terceira Divisão. E sumiu de cena de novo.

Desde que o proeminente empresário e promissor político Jair Siqueira, que havia ressuscitado o Dragão em 82, entregou o clube ao empresário Jose Chaves, este nunca mais o deixaria. Ou daria as cartas como Presidente do Clube ou como Presidente do Conselho. De lá para cá a historia do tão cantado Rubro Negro do Mandu tem apenas três capítulos; dividas, dividas e… dividas.

Embora o clube esteja endividado e no completo ostracismo há quase duas décadas o aludido presidente não realiza mas não larga o osso… Não entrega o clube para ninguém.

E o Estadio  que vale uma pequena fortuna. Algo em torno de R$ 15 milhoes, está assim: arquibancadas destruídas, alguns postes podres caídos, outros postes de iluminação ameaçando cair sobre o hospital, vestiários sendo invadidos pelo mato, gramado tomado pelo mato, criando cobras, aranhas, escorpiões e ratos, bem no centro da cidade. A situação quanto aos bichos só não é pior porque o zelador Jorge Galo, morando no canto do estádio desde 1960, mantem uma criaçao de galinhas no local  para afugentá-los.

As ultimas informações sobre a diretoria do clube dão conta de que o eterno presidente está adoentado e a exemplo do que aconteceu em Cuba, passou o bastão para um dos filhos.

Pouso Alegre, cidade bela, hospitaleira e promissora, que cresce igual abobrinha verde – só para ficar nos adjetivos simplistas –  mais um ano

ficará fora da disputa de um campeonato profissional.

Encerremos com tres perguntas;

– Porque o presidente Jose Chaves não entrega o clube a quem queira administrá-lo e tentar recolocá-lo no lugar que merece, dando um pouco de alegria à sua torcida?

– Se ele não ‘entregar’, poderá o Ministério publico intervir?

– Se ele quiser entregar, haverá alguém ou um grupo disposto a ressuscitar o glorioso PAFC???

Enquanto as respostas não vem, é conveniente que se faça alguma coisa quanto aos bichos peçonhentos e postes que ameaçam cair sobre os vizinhos….!!!

 

Casal 20 da sargeta e as barras de chocolate

Policiais militares que passavam pelas imediações da Praça Jorge Beltrão, no crepúsculo frio e sombrio desta terça, 19, avistaram um casalzinho saboreando uma deliciosa barra de chocolate e resolveram abordá-lo. Além da deliciosa guloseima que degustavam como crianças, Adrielly Louise Souza, 21 e Frederico Ramos Ferreira, 23, levavam numa sacolinha com emblema do supermercado Alvorada, outras 5 barras do mesmo produto.

Não havia queixa de furto. Mesmo assim os zelosos policiais resolveram checar: fotografaram o ‘casal 20’ com a câmera do celular pessoal e levaram a foto e os chocolates para o gerente do supermercado conferir!

… E não é que os chocolates haviam sido furtados no Alvoradinha da Silviano Brandão!?!?!?…

O gerente Leonardo Silva contou que estava atendendo um vendedor e percebeu quando um garotão acenou da calçada do supermercado e uma garotinha saiu correndo rua afora com uma sacolinha sob a blusa. Como ele estava ocupado, deixou o feito pelo não feito… mas reconheceu que o produto fora furtado em sua loja!

Já a jovem Adrielly Louise – lembram das aventureiras Telma & Louise, que saltaram no abismo no final do filme? – contou historia ainda mais interessante, de cortar o coração. Diz ela que vive maritalmente com Fred … pelas ruas e por isso passa muita fome. Pela manhã encontrou um conhecido seu, um rapaz de estatura mediana, branco, cabelo castanho claro, que saiu do hotel do Juquinha dia destes e atualmente trabalha como segurança no aludido supermercado e o mesmo disse a ela:

– Se você quiser furtar alguma coisa no supermercado, pode ir lá que eu dou ‘cobertura’…!!!

E ela foi com o ‘marido’ Fred no final da tarde. Saiu diboinha do supermercado comendo a guloseima sem ser incomodada…

Pelo furto dos chocolates avaliados pelo perito em R$15 reais, Telma & Louise, digo, Fred & Adrielly Louise foram se hospedar no Hotel do Juquinha.

Pelo menos lá não vão passar fome…!!!

Maria da Penha leva nóia para o Hotel do Juquinha

Alguém aí se lembra do famoso artigo 16 da extinta e charmosa Lei 6368/76?

Refresque a memória: Dizia o seguinte: “Adquirir, guardar ou trazer consigo para uso proprio, substancia entorpecente ou que cause dependência fisica ou psiquica”… etc, etc. “Detenção de 6 meses a 2 anos”.

A famigerada lei mandou muito jovem cidadão promissor na vida para o velho hotel da Silvestre Ferraz, no tempo em que superlotação prisional era coisa de cidade grande…

Em agosto de 2006 ela foi substituida pela Lei 11.343. Seu artigo correspondente agora é o 28, que diz: “Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:

I – advertência sobre os efeitos das drogas;

II – prestação de serviços à comunidade;

III – medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

…………

§ 7o  O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado” – Mentira deslavada!!! O poder publico não atende direito nem velhinhos hipertensos e diabéticos e os pacientes portadores de outras doenças do cotidiano, muito menos os que buscam a doença da droga com as próprias mãos…!!!

… E por aí vai. Ou seja, o caboclinho que consome a droga e, entre outras reações, entra em paraNóia, sofre as sanções acima descritas… Que não dá mais cadeia!!!

A menos que… Sob efeito da droga ele cometa outros crimes, inclusive o de tentar arrancar o pescoço da irmã e espezinhar o pai para conseguir dinheiro para aplacar a fissura!!!

Este foi o caso do cidadão Lincon Roberto Brandão, morador do velho Aterrado. Ele tem 34 anos e a mais de dez  caiu no mundo das drogas. Desde a madrugada desta terça ele vinha infernizando a família para que lhe dessem dinheiro para saciar o vicio. De manhã foi pra rua. Pediu, implorou, mendigou, mas… necas de catibiribas! Sem dim-dim ou um celular, um radio, uma bicicleta, uma moto ou  outro objeto de troca… não há drogas!

Às dez da manhã Lincon voltou a atormentar a família. Foi ao boteco do pai, pegou a irmã Daniele Rodrigues pelo pescoço e jurou que separaria sua cabeça do corpo se ela não lhe desse dinheiro para drogas.

– Me dê o dinheiro, eu quero pedra… – dizia desesperado!

O pai, Luiz Roberto de Lima Brandão, naturalmente tentou salvar a filha das garras do filho fissurado mas acabou estatelado ao chão após um violento empurrão.

Os homens da lei foram chamados e o nóia desceu com pulseiras de prata no taxi do contribuinte para a DP. Tanto a irmã com o pescoço ardendo quanto o pai, meio esfolado, manifestaram expressamente o desejo de processar Lincon pelo crime de lesões corporais, de acordo com a Lei Maria da Penha. Ele até que poderia se livrar solto para responder o processo em liberdade, mas quem não tem 5 pratas para comprar uma pedra bege fedorenta, não tem R$622 reais para pagar a fiança. O que a nova lei antidrogas não fez, Maria da Penha fez… Mandou o nóia para o Hotel do Juquinha.

Esta é a triste rotina de famílias, cujo jovem filho ou filha, numa curva qualquer da vida conheceu, experimentou e abraçou a droga… E tem incautos que ainda acha que deveria ser liberada!!!

 

Camelôs dançam na Fernão Dias…

O comerciante que nunca foi à Maria Marcolina no Brás, na 1º de Maio ou na famosa 25 de Março comprar bugigangas sem nota fiscal para revender de porta em porta ou em bancas singelas ou mesmo em lojas luxuosas, “que atire a primeira pedra”…!!!

Acho que ouvi o barulho de alguma vidraça se quebrando…!

Isso é crime de contrabando previsto no artigo 334 do CP… Muita gente faz isso impune a vida toda, não é mesmo?! Um dia a casa cai.

A dos camelôs Juberto dos Santos, 46 e  Jose Catão dos Santos, 60 anos, caiu nesta terça, 19 à noite, no posto da PRF, no Cruz Alta. Eles foram abordados pelos patrulheiros conduzindo um Xterra de Divinópolis, abarrotado de muamba da capital paulista, burlando o fisco, sem pagar a merenda do leão…

Cigarros paraguaios, anzóis, molinetes, relógios, linha de pesca, bijuterias em geral, pilhas de qualidade duvidosa, enfim, uma ‘muntueira de coisas’ para vender nas Minas Geraes, sem garantias e sem pagar impostos!

Desta vez não passaram batidos. Foram parar no plantão da DP de Pouso Alegre, sentaram ao piano, assinaram o 334 e ficaram sem a mercadoria fria e ainda podem ficar de 1 a 4 anos fora de circulação … atras das grades.

“Minutos de sabedoria”

a-agonia-de-jesus

“Quem é corajoso não foge da batalha da vida.

Todos nós temos nossas lutas, mas só quem sabe suportá-las pode ser classificado de herói, de Homem em toda extensão do termo.

Saiba merecer o titulo de Homem, saiba ser herói, não desanime diante das dificuldades.

Enfrente a vida, tal qual se apresenta, com suas alegrias e dores, e jamais pense em fugir covardemente”.

Escorregou no 28 … caiu no 33!

Silvio Firmino da Silva, 25 anos, diz que é dependente da erva marvada desde os 18. Para sustentar o vicio ele costuma colaborar com os fornecedores, servindo-se  de ‘mula’, levando a droga de um lugar a outro.

Ontem à noite ele passava por uma rua sombria e deserta de Cambuí levando uma ‘encomenda’ de erva, quando os homens da lei mandaram encostar na parede. Silvio dispensou o bagulho e passou sebo nas canelas. Depois de alguns quarteirões, com a língua de fora… Perdeu. Mesmo assim, somente entregou os pontos depois de rolar na poeira com os homens da lei e receber as pulseiras de prata.

Esfolado do nariz ao dedão, ele alegou que apenas a baranga de erva que estava na algibeira era dele… acabara de comprar para fazer um baseado. Não teve choro e nem vela e nem fita amarela. Sentou ao piano, assinou o 33 e foi se hospedar no velho Hotel da Cel. Lambert.

Presos por causa da balança…!!!

Amigos ocultos da lei levaram a policia militar à residência de Marcelo Nunes Pereira no final da tarde desta segunda, 19. Segundo os informantes, Marcelo e o amigo Rodrigo de Lima Martins, mesma idade, costumam distribuir a ‘farinha do capeta’ aos nóias do bairro Jardim São João e adjacências.

Durante as buscas, previamente autorizadas pelo homem da capa preta, os policiais encontraram na gaveta de uma cômoda, 15 barangas de cocaína, prontinhas para vender aos usuários à 10 merreis cada uma, dependendo da hora e da demanda, claro. Mocosada entre os eletrodomésticos da cozinha, havia também uma balancinha de precisão, afinal, um pozinho do ‘pó’, vale uma fortuna…!!

Sentado ao piano do zeloso delegado de combate ao trafico de drogas, Gilson Baldassari, Marcelo Nunes assumiu a paternidade da prova do crime, alegando que é viciado na ‘farinha’. Rodrigo de Lima disse que estava na casa do amigo para ‘cheirar’, pois também é viciado no pó.

E quanto à balancinha?

Será que era para pesar chuchu? Não. Não era. Era mesmo para separar o pó precioso!!! Rodrigo, na mais cara lavada, disse que havia achado a balancinha na rua e levado para casa. Que azar! Se fosse apenas a droga com a desculpa de uso, talvez até pudesse se enquadrar no 28. Mas ‘farinha do capeta’ e balança de precisão é igual a trafico de drogas!!

A balancinha suja de ‘pó’… sujou. Os dois amigos foram sentir o peso do artigo 33 da Lei 11.343 – a antiga 6368 era mais charmosa! – no Hotel do Juquinha…

Mamado, armado e ‘perigoso’ em Heliodora

… Ele desmanchou foguetes para ‘fabricar’ munição  e atirar na esposa

Juliano Gonçalves, 44 anos, morador do bairro Vista Alegre na cidade de “Barbara bela do norte estrela, que o meu caminho sabes guiar…”, é um sujeito bom e trabalhador… Só não pode abraçar a Kátia…ça. Principalmente se tiver tomado o ansiolítico Diazepan. Aí sim, de gato ele vira leão…!

No sabado à noite ele foi a uma festa na cidade – É dificil ir à uma festa e não dar uns amassos na loira gelada, não é mesmo? – Pois, é. Juliano não resistiu aos encantos da loira e chegou em casa pisando alto. Para desentender-se com a esposa Rita de Cássia, 41 anos e descer-lhe o borralho, foi uma gotinha!!! Em meio ao trololó, ele disse que iria matá-la! Pacientemente desmanchou três foguetes, retirou a pólvora, juntou bucha vegetal, minusculas esferas de metal e fez a munição da espingarda –  esta perigosíssima arma aí da fotografia – saiu em busca da esposa.

Apesar da pontaria do marido não ser das melhores, especialmente naquelas condições e da provável ineficiência da ‘winchester’ caseira, dona Rita preferiu não ficar na frente… O tiro se perdeu no espaço e ninguém se feriu. Nem mesmo o incauto atirador, que tomou apenas um coice no braço. Doeu mesmo foi no bolso, pois ao ser levado para a Delegacia Regional de Pouso Alegre Juliano sentou-se ao piano, assinou um 15 da Lei 10.826 e precisou desembolsar R$ 622 reais, mais honorarios advocaticios, para poder voltar para casa…

Estupro na capital das malhas

Por falar em ‘moda antiga’, na sexta à tarde aconteceu um estupro nestes moldes nos arrebaldes de Monte Sião.

Rodrigo Pereira da Silva, 27 anos, estava indo para o trabalho quando resolveu parar num boteco na beira da estrada no bairro Mococa, onde alguns amigos e amigas amassavam uma loiras geladas. Depois de contribuir com alguns copos e desfiar seu charme de Dom Juam para cima da amiga C.C.C.G. 19 anos, Rodrigo ofereceu-se para levá-la para casa, na garupa de sua motoca. No meio do caminho resolveu mudar o itinerário e levar a garotta para o mato, literalmente!!!

Ao receber o convite direto e indiscreto C. se sentiu vexada e ameçou saltar da moto em movimento. Ele acelerou e pararam num local ermo, numa estrada vicinal. Quando a moto parou a garota saltou primeiro e saiu correndo. Com a libido à flor da pele, Rodrigo correu atrás, agarrou a mocinha pelo pescoço, arrastou-a para um matagal ali perto e fez o que os amantes fazem entre quatro paredes, só que… contra a vontade dela.

Depois de satisfazer seus instintos bestiais o estuprador foi gentil… ofereceu carona. C. preferiu voltar para casa à pé e sozinha do que mal acompanhada. Acabou recebendo outra carona e quando chegou em casa comunicou o crime aos homens da lei e pediu providencias.

Rodrigo recebeu as pulseiras de prata no seu local de trabalho, algumas horas depois. Ao piano  do delegado de plantão de Pouso Alegre ele admitiu ter feito o bem-bom com a garota, mas…

– Eu conheço ela. Nós transamos de comum acordo. Ela me pediu R$ 50 reais para comprar pedra. Eu não quis dar, por isso ela chamou a policia para mim… – disse ele.

Será???

Inocente ou culpado, Rodrigo – o tarado? – assinou o 213 e foi se hospedar no Hotel Menino da Porteira.