Adeus ao ‘boleiro’ “Gustinho”…

Gustinho - o primeiro da esquerda p-ara direita e - e seus pupilos no PAFC...

Gustinho – o primeiro da esquerda para a direita – e seus pupilos no PAFC…

Em meados de 2009 sentei no banco do taxi do Gustinho na rodoviária de Pouso Alegre… Mas não foi para fazer uma corrida pela cidade… Foi pra fazer uma viagem saudosa pelas estórias da bola! Pra falar de futebol.

Apaixonado por futebol – como eu – e saudosista, passamos horas contando historias da bola. Eu não cheguei a jogar com ele, mas tinha vagas lembranças dos seus tempos de Cometa, até chegar a auxiliar tecnico do Pouso Alegre F.C.

Augusto Godoi Balbino, o Gustinho começou a treinar garotos em 1969. Na época, logo após o período áureo do futebol amador da cidade, com os grandes times do Facit, Bangu, Manchester, Rodoviários, e ascensão do PAFC à Primeira Divisão de Profissionais, – vaga que perdeu no tapetão – o futebol deu uma ‘esfriada’!. Entrou em recesso! Foi então que surgiram os clubes de base. O cruzeiro do Corinho, o Real do Pinguim, o Estrela do Tião Cueca, Academicos do Betinho e o Cometa do Gustinho…

 

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Mais tarde, inspirados na boa fase do Galo das Geraes, o Galo mais forte e vitorioso do Brasil, o primeiro clube a levantar o primeiro troféu do mais importante campeonato do país, Gustinho e Pinguim uniram seu Cometa ao Real e criaram o Atletico, o Galo Manduano!

Apesar dos campeonatos semiprofissionais da década de 70, que reuniram Yuracan de Itajuba, Adejota de Jacutinga, Botafogo do Rogerinho da  Borda, entre outros, os ‘boleiros’ Pinguim, Tião Cueca, Corinho, Betinho, Helinho e Gustinho viraram a década fazendo  bola rolar com a garotada dos 12 a 17 anos. Até que em 1982 o PAFC renasceu pelas mãos do empresário Jair Siqueira, para ser campeão amador do Estado em 83 e voltar ao profissional em 1984.

Formada a nova diretoria do PAFC em 83, Pinguim deixou o Atlético amador e foi auxiliar a Comissão Técnica do Dragão do Sul de Minas. No ano seguinte Gustinho também foi somar sua experiência e competência ao Pousão como supervisor, desfazendo assim o Galo manduano e levando quase todos seus atletas para o Rubro Negro.

 

Um dos grandes escretes formados por Gustinho com o Pinguim...

Um dos grandes escretes formados por Gustinho com o Pinguim…

Grandes nomes do futebol da geração de 60 tais como Mirandinha, Paula da Pinta, Espoleta, Vanio Malaquias, Pedrão Jaiminho, Firminho, Betão, Miguelão, Flor, Jorginho, Amarildo, Chiquinho, Cavadeira, Porvinha, Marco Antonio, Nana, Herminio, Ze Antonio Professor, Elmo, Nei, Liso Guedes, Milton Cachaço, Rinaldo, Tiaca, Juninho Coldibelli, Chico Macaco, Edão, Lucio Patinho, Ferraz, Valtinho, cada um com sua estória, passaram pela orientação do técnico e supervisor Gustinho!

No final de 2007 alguns amigos da bola se reuniram para um jogo de confraternização na antiga Lema. Um time jogou de branco e outro de vermelho. O juiz da partida, especialmente convidado, foi o Alemão Ferreirinha. A certa altura o time vermelho vencia por 4×2… Foi aí que o arbitro da partida mostrou toda sua competência com o apito… Arranjou dois pênaltis para o time de branco! E o jogo terminou em 4×4…!

 

Jogo de confraternização entre boleiros sempre termina empatado...

Jogo de confraternização entre boleiros sempre termina empatado…

Depois de ser supervisor, auxiliar tecnico e tecnico interino em todas as vacâncias do titular do clube, com a nova diretoria em 86, Gustinho se afastou do futebol… Mas o futebol jamais se afastou dele. Apesar da simplicidade, falava sempre com paixão da maior paixão do brasileiro… O futebol! Futebol manduano ao qual Gustinho muito contribuiu, especialmente num momento de desanimo como foi aquele no finalzinho da década de 60 e inicio de 70!

A figura do ‘boleiro’ simples e educado… Do taxista que sentava quieto numa cadeira do “Bar do Minguinho” no Santa Luzia, e ficava horas solitário namorando sua loira gelada depois do expediente, ficarão marcadas na memoria das pessoas que conviveram com ele!

Vá com Deus, Gustinho… Vá resenhar com os amigos Hailton Custodio, Corinho, Tião Cueca, Betão, Lucio Patinho, Carpinetti e tantos outros boleiros que cativaram e cultivaram amigos através do futebol…!

* Gustinho teve a vida ceifada no meio da madrugada deste sábado, por dois delinquentes de 16 e 17 anos, com uma simples garruchinha 22, enquanto fazia o que sempre fez… Prestar serviços às pessoas!

 

Policia prende padre depois da missa

CatedralVocê já pensou em ser artista de teatro no cotidiano?

Já pensou em se apresentar numa delegacia de policia dizendo que é delegado e assumir suas funções?

Ou então no fórum da Comarca dizendo que é o novo promotor de justiça e ter acessos aos processos, acompanhar as audiências e até mesmo diligencias policiais?

E Padre?

Já pensou em ser padre de mentirinha, celebrar missas, ouvir confissões, ganhar presentes das beatas, dar a benção para fiéis, ser reverenciado na rua e morar de graça na casa Paroquial?

Este parece ser o melhor personagem não é?

Pois foi o que Fabrício Gomes de Morais, 35 anos escolheu. Ele se apresentou na igreja de São Pio, no bairro Quitandinha, na cidade de Araraquara como Padre Fabrício e passou a celebrar missas e outras cerimonias. Tratado pelos fiéis com o devido respeito e credito que convém a um emissário de Deus, ‘padre’ Fabrício foi até uma livraria católica e comprou cerca de R$ 2 mil em livros e artigos religiosos. E mandou ‘pendurar’ na conta da paróquia, naturalmente!

O falso padre estava ‘vivendo no céu’. Só tinha um problema; como ele nunca foi um assíduo frequentador de igreja e não fez nenhum ‘curso preparatório’, ele não estava sabendo celebrar direito as missas. Na verdade ele ‘não sabia da missa o terço’! E passou a misturar os ritos e santos, além de confundir Jesus com Genésio.

Alguns fiéis, percebendo que o novo padre ‘não era muito católico’, resolveram pedir ao padre da matriz de Araraquara para ajudá-lo… E o santo mostrou as solas dos pés sujos! Era um tremendo picareta infiel tentando levar uma boa vida dentro da batina.

Se Deus o perdoou pela farsa não sabemos, mas o delegado da cidade, não! Ele recebeu pulseiras de prata como qualquer mortal pecador e foi levado para o presídio de Jaboticabal.

Quando puxaram sua capivara soube-se que havia um mandado de prisão em seu desfavor, por furto na capital paulista. Ao interpretar mal o papel de padre, Fabrício mostrou que não é bom artista. Mas ele bem que tenta! Já foi ‘advogado’ e ‘delegado federal’ em outras cidades do estado de São Paulo. No bairro Quitandinha o falso padre conseguiu enganar os fiéis por apenas dez dias.

Em Pouso Alegre, no final dos anos 80, um cidadão serio e bem trajado se apresentou no Forum da Comarca dizendo que era Promotor de Justiça. Assumiu o cargo e durante quase três meses acompanhou audiências e falou em processos. Como ele gostava mesmo era do trabalho policial, acompanhou dezenas de blitz e rondas policiais pela cidade. Era tão Promotor de Justiça quanto o padre Fabricio. Só desistiu da “carreira’ quando percebeu que a ‘casa iria cair’. E conseguiu dobrar a serra do cajuru sem deixar o rabo para alguém pisar. Nunca se soube quem era o tal promotor de araque que durante três meses fez o que bem quis no Fórum da Comarca e ordenou e participou de rondas policiais!

Cidadão travestido de autoridade para auferir algum tipo de vantagem não é nenhuma novidade neste Brasil varonil. Em Brasília temos centenas deles há muito tempo ocupando o honroso cargo de “Representante do Povo”… enchendo os próprios bolsos. E pior… fazendo as leis que os protegem das pulseiras de prata…

* Publicado no dia 13 de setembro de 2011, primeiro mês de vida do Blog, a 1.487 dias…!

Cidadão revoltado baixa a calça e c… no processo

Forum de Pouso AlegreO ouvinte ou leitor que acompanha as crônicas “Direto da Policia” há mais de três décadas, naturalmente já se acostumou com meu linguajar simples e popular, recheado de termos do dia-a-dia, muitos deles usados exclusivamente no meio policial e pelos hospedes do hotel do Juquinha, tais como “bandeco”, “boi”, “ventana”, “pipa”, “dormir na praia” e tantos outros substantivos chulos e pobres que enriquecem minha narrativa.

Mas o dileto leitor jamais ouviu ou leu nesta pagina nenhum termo cacófono ou que “cheire mal”. Pois bem. Hoje vou pedir licença a você meu estimado leitor, para usar um destes termos que realmente soa e cheira mal a qualquer ouvido… E nariz! Pois, de outra forma não teria como contar a cagada que um cidadão fez no interior do fórum da cidade de Jaú, no interior paulista, em plena luz do dia!

Em 2004 Erre Esse foi preso e processado por manter dentro de casa arma de fogo. O processo, como de praxe, se arrastou por vários anos na justiça até que no final do ano passado o caçador de jau finalmente recebeu sua reprimenda. Leve na verdade; teria que comparecer mensalmente durante seis meses ao Fórum da Comarca para mostrar que estava vivo e colocar sua assinatura no correspondente processo.

Como todo cidadão que tem seus direitos restringidos, Erre Esse não concordou com a punição. Mas não fugiu. De cara enfunada ele compareceu durante cinco meses ao Fórum e assinou calado o processo. No sexto mês, quando finalmente ficaria livre da pena, Erre Esse entrou no Fórum, foi até o balcão de atendimento, pediu os autos como de habito, assinou-o e, ao invés de devolvê-lo ao serventuário da justiça, virou-se para as pessoas que ali aguardavam atendimento, teceu breve comentário sobre o fato, ressaltando seu protesto pelo tratamento recebido da justiça – o que considerava injustiça – e, como o cidadão que acaba de quitar uma promissória, pega-a, rasga em mil pedacinhos e joga no lixo, ele arriou as calças, agachou e sob o olhar estupefato das pessoas presentes… cagou sobre os autos do processo!!!

Antes de devolver o documento cagado e fedido ao escrivão, o caçador ainda acrescentou;

– Tenho vontade de esfregar os papeis na cara do juiz e do promotor…!

Quase teve chance, pois recebeu pulseiras de prata e voltou a sentar-se no banco dos réus para ouvir sua nova condenação! Agora bem longa e menos ‘glamourosa’… Como doente mental!

Por esta cagada literal, em protesto contra decisão judicial em seu desfavor, o pacato sisudo e ordeiro cidadão seria condenado de 2 a 5 anos de prisão. Ao ser submetido a exame de insanidade mental, os peritos consideraram que ele é portador de ‘esquizofrenia paranóide’! Ou ‘transtorno esquizotipico’…, portanto, semi-imputável! Por isso o homem da capa preta converteu a pena restritiva de liberdade em ‘tratamento ambulatorial’ por tempo indeterminado, devendo o cagão ser submetido a exames médicos periódicos nos próximos três anos, como mandam os artigos 98 e 337 do Código Penal. Que cagada longa…

Aquela espingardinha chumbeira de caçar jaú no arredores de Jaú, que ficava guardadinha atrás da porta do quarto do matuto Erre Esse, lá ao pé da grota funda, acabou atirando longe, hem?

Tia Silveria e o Mini Buggy

Min BuggyComo todo homem que nasce, cresce e amadurece, sempre guardei boas e saudosas lembranças da infância e dos tempos idos. Dentre elas, tem uma que certamente vai acompanhar-me até a despedida quando eu for chamado a prestar contas ao criador.

Ao criar a coluna Cotidiano neste Blog, vi a oportunidade de falar um pouquinho de uma pessoa bela e dadivosa que conheci desde que me percebi gente, a qual prestou contas há alguns anos, cuja lembrança estará sempre comigo. Ainda posso vê-la na janela da casa amarela, com seu sorriso despretensioso acenando com o braço e dizendo:

– Chega pra cá. Vem contar umas mentiras da cidade pra gente…

Na minha mais tenra infância morava eu com meus pais e minhas dez irmãs numa casa grande de pau-a-pique, um metro acima do chão, no local denominado ‘Vargem do Coqueiro’, cerca de quinhentos metros distante da estrada principal do bairro. A casa mais próxima era a da tia Silvéria, a cinqüenta metros da estrada. Caminho inevitável para se chegar ao centro do bairro. Até a casa dela se chegava pela estrada. A partir daí havia apenas um trilho batido. O acesso era somente à pé ou a cavalo. Carro só existia um mesmo no bairro… Logo, ir de minha casa para a dela era ir para a civilização. Da dela para a minha era voltar para o mato.

Mas não foi este divisor geográfico de sentimentos e comportamentos que isoladamente marcou minha infância, adolescência e maturidade. Se tia Silvéria não tivesse recebido do Pai os dons que recebeu e distribuiu, sua casa seria apenas um caminho por onde passar. O que ficou guardado e merece ser sempre retirado do baú da memória é o que a boa e obesa senhora levava no peito e expressava sempre no seu cotidiano; alegria, muita alegria! Contagiante alegria e bom humor. Era bom demais chegar à casa de tia Silvéria, vindo do mato ou da civilização. Afastar de lá, o fazíamos com aperto no peito e saudade precoce. E olhe que a casa dela era uma casinha de cangalha, paredes de pau-a-pique pintadas com tabatinga e fogão a lenha, composta de  quatro cômodos de dois metros e meio por dois.

Quando nos mudamos pra cidade e ficávamos às vezes  semanas sem nos ver, a efusão com que ela nos recebia era redobrada. Embora houvesse no bairro outros parentes do mesmo grau e afinidade e até minha querida avó, eu somente “chegava” realmente ao bairro depois de visitar tia Silveria! Ela também se mudou para outra casa perto dali. Para se chegar a casa de minha avó Ana, prédio conservado até hoje tal como foi construído, existe um atalho que leva direto a ela, bem mais curto. Mas eu ia primeiro ver tia Silveria, para depois visitar minha avó!

Toda vez que ali chegava, nosso diálogo se repetia. Quando eu empurrava a porteira do curral ela aparecia na janela da casa alta e simples como ela e perguntava;

– Porque não trouxe o resto da bagaceira?

Sem responder sobre o resto da bagaceira – minha família – eu perguntava como estavam as coisas por ali. E ela dava a resposta que carrego e uso até hoje;

– Aqui está tudo uma prata preta!

Não sei se existe prata preta. Talvez a prata escura seja mais pura e valiosa e ela usasse o termo para deixar claro que a vida era muito valiosa e, à sua volta estava tudo bem. Esta era a sua maneira de dar as boas vindas. Com descontração, alegria e otimismo. Jamais se queixava de qualquer incomodo. E depois do tradicional ‘entra pra dentro’, entre um gole de café, que jamais esfriava na chapa do fogão à lenha e umas mordidas no tradicional e delicioso bolo de fubá, em poucos minutos ela me punha a par de tudo que acontecera no bairro na minha ausência. E naturalmente ficava sabendo das novidades que eu levava da ‘praça’!

O tempo passou e a casa velha amarela que pertencera ao meu tio André foi demolida. Outra de alvenaria foi construída em seu lugar. Pouco depois de se casar, seu filho caçula pediu que ela se mudasse e ocupou a casa dela. Voltando a morar na casa em que nascera, com o filho mais velho e sua família, tendo como privados apenas o quarto de dormir e uma cozinha no quintal, tia Silveria mudou muito seu jeito de ser. Tornou-se doentia e amarga. Diante da costumeira pergunta…

– Como vai, tia?

Ela respondia sempre;

– Não estou boa hoje, não… – E enumerava seus males na mesma intensidade que anos antes jogava alegria pela janela da casa de assoalho alto.

Mas a chorumela era passageira. Depois de colocar para fora suas dores e anseios não revelados ela voltava a ser a Silveria dos meus sonhos, cuja presença e convivência queríamos que durasse para sempre.

Tia Silveria continuou sendo referencia para mim em minha terrinha amada até o fim de sua caminhada terrena. Em 1996 tive a benção de morar na mesma casa que foi dela, há menos de cinquenta metros de sua cozinha e pude desfrutar, ao menos nos finais de semanas, de sua alegre companhia.

Naquele ano aconteceu um fato inusitado que fez reviver tia Silveria dos meus tempos de criança. No inicio de uma ensolarada tarde de sábado, meus filhos e o amigo Marquinhos estavam aprendendo dirigir um mini- bug cor de rosa em volta da casa, quando tia Silveria chegou e pediu-me para leva-la à casa da tia Rosina,  um quilometro distante dali. Naturalmente me dispus a fazê-lo, mas antes, de brincadeira, sugeri que ela fosse no carrinho com os meninos. Para minha surpresa, tia Silveria simplesmente empurrou o Diego do assento do passageiro com um porretinho que levava para se apoiar, dizendo;

– Chega pra lá menino… – e sentou-se espremida no único banco do buguinho, ao lado do Marcelo! E seguiram estrada afora até a localidade do Mourão Furado!

Para ilustrar um pouquinho mais a cena, o buguinho era tão minúsculo que eu o havia levado de Silvianópolis para o sitio, montado, no porta malas do meu Escort!

Quem passou pela estrada alegre e poeirenta do bairro dos Coutinhos naquela tarde, com certeza viu uma cena inesquecível; uma velhinha beirando os 80 anos, espremida entre três garotos de treze e catorze anos num buguinho barulhento cor de rosa, com o vento espatifando o coque dos longos cabelos cinzas!

Uma foto desta cena hoje certamente correria o mundo pelo You Tube.

Assim era tia Silveria. Não fazia graça. Era a graça. Não ria. Fazia-nos rir. Era generosidade, otimismo e alegria em pessoa. Viveu 79 eternas primaveras com Deus e para ele se foi. E a saudade…

 

* Post publicado no dia 03 de setembro de 2011.

Cimentinho fugiu de casa…!

DSC05614Apesar do tamanho ele ainda é um bebê. Nem foi batizado! Atende pelo nome provisório de “Cimentinho”.

Ele está fazendo tratamento para combater carrapatos e adora fazer buracos no jardim!

Quem encontra-lo e devolvê-lo ganhará um presente surpresa! Cimentinho deve estar nas imediações dos bairros ‘Fatima’ em Pouso Alegre

Contatos com os ‘pais’ do Cimentinho:

9982-3013, 9802-3113, ( Vivo) 9202-7281, (Tim) ou através do Blog do Airton Chips, ‘[email protected]’.

Aguardamos seu contato!

 

O encontro com meu pai

Minha mãe Eva, minha irma Ivone e meu pai Daniel em meados de 1953...!

Minha mãe Eva, minha irma Ivone e meu pai Daniel em meados de 1953…!

Cinco horas da tarde quente de verão.

Ar num tom pastel, parado.

Ruas desertas.

Sem saber por que levantei-me da banqueta do barzinho de três portas na esquina da rua São Jose com Adalberto Ferraz.

Dei três passos para trás e olhei para a direita.

Na baixada, perto da Travessa Pedro Adão, ele vinha a passos lentos e firmes!

Não acreditei nos meus olhos… Era meu pai!

Comecei tremer e fiquei ali estático na calçada, sem mover um passo, sem piscar, com medo de perdê-lo de vista!

Só quando ele chegou bem perto estendi os braços, com a voz embargada e o abracei…

Senti seu corpo quente, forte, seus ossos duros! Tal como eu sentia toda vez que o abraçava anos antes.

Correspondeu o abraço com alegria, porém com menos efusão que eu. Ele sempre foi contido!

Meu pai estava com a aparência de cinquenta e poucos anos.

Vestia calça bege e camisa no mesmo tom. Estava barbeado, penteado, semblante sereno como sempre.

Fiquei quase um minuto abraçando e apalpando meu pai enquanto repetia perguntas sem esperar respostas…

– É você mesmo?

– Há quanto tempo!

– O senhor está muito bem…

– Quanta saudade…!

Voltei a abraça-lo e sentir seus ossos duros no meu peito, nos meus braços… Queria ter certeza de que era ele!

Demorou um pouco para meu coração voltar aos batimentos – quase – normais…!

E saímos caminhando lado a lado, conversando amenidades… – Tinha tanta coisa pra conversar!

Viramos na esquina e subimos a Dr. Lisboa.

Eu não cabia em mim de alegria… Há anos eu não abraçava meu pai! Há anos eu não ouvia sua voz suave e tranquila!

Ele pouco falava… Eu não deixava!

A praça Senador Jose Bento tinha mais movimento. As lojas, prédios, pessoas… Tudo tinha um tom pastel! Parecia que estávamos nos anos 1960!

Entramos na pastelaria Chinesa…

De repente meu pai se levantou da banqueta, disse que havia esquecido alguma coisa e saiu para buscar…!

Eu estava tão absorto, tão inebriado com sua presença depois de tantos anos, que nem me dei conta de perguntar o quê, ou pedir pra me esperar, ou ir junto com ele buscar o que quer que fosse, onde fosse!

Quando me dei conta de que não havia necessidade de ele se afastar para buscar qualquer coisa, já era tarde…!

Saí à rua à sua procura e não mais o vi! Aos poucos fui me dando conta de que o perdera de novo!

Comecei chorar, de desespero…!

Aos poucos fui compreendendo que meu viera apenas me abraçar, matar minha imensa saudade, mostrar que também tinha saudade e que estava muito bem, mas não poderia ficar… Por isso dera uma desculpa qualquer para partir sem se despedir!

Eu ainda podia sentir seus músculos rijos, seus ossos duros no meu abraço…

Parei de soluçar…

Mas as lagrimas continuaram caindo!

Agora eram de alegria, de prazer, de agradecimento… Meu saudoso pai viera me abraçar, se deixar abraçar e mostrar que estava muito bem!

Ainda dei alguns passos na calçada, sem ver ninguém, olhando longe, saboreando o prazer de ter abraçado meu pai depois de tanto tempo…

De repente senti o travesseiro molhado…!

Abri os olhos…

Não me vi no espelho, mas senti que minha boca, meu rosto tinha um sorriso de orelha a orelha…!

Acho que até meus braços ainda estavam abertos…!

Sorrindo entre lagrimas levantei, atravessei o quarto, a sala e fui direto ao quarto do meu filho Daniel como que levado por alguém! Todo espatifado no seu bercinho, ele tinha a expressão serena de toda criança enquanto dorme!

Fiz-lhe um cafuné com o dorso dos dedos dobrados… “Fica com Deus, filho. Fica com Deus, pai”, e voltei sorrindo para o meu quarto…

Virei o travesseiro molhado e voltei a dormir… Com um largo sorriso no rosto!

Depois de tantos anos, eu havia abraçado meu pai! Eu tive o privilegio de abraçar meu pai novamente! Ainda podia sentir seu corpo, seu cheiro, seu olhar sempre manso, sereno e alegre…

Se meu pai não tivesse desencarnado em julho de 1997, neste domingo, 23 de agosto de 2015, ele estaria comemorando – com seus 11 filhos, 35 netos e 30 bisnetos – 87 anos!

Fica com Deus, pai!

Vinte e um de julho… Dia “dele”

Diego Matos é o mais bonito da foto... Ao lado do irmão dele!

Diego Matos é o mais bonito da foto… Ao lado do irmão dele!

Dia de menino bom,

Dia de menino forte,

Dia de menino bonito

Dia de menino sensível,

Dia de menino obstinado,

Dia de menino responsável,

Dia de menino corajoso,

Dia de menino sereno nas turbulências,

Dia de menino simples nas vitorias – e são tantas!

Dia de menino vencedor!

Mais que isso…

Dia de menino abençoado por Deus!

Hoje é seu dia Diego de Almeida Matos…

Foi numa madrugada de um longínquo 21 de julho que você nasceu!

E parece que foi ontem… Pois continua o meu menino… Agora o do meio!

Que Deus Pai continue a iluminar seu caminho, guiar seus passos e iluminar seu coração, como sempre fez, desde que você chegou há 33 anos..!

Te amo filhão!

 

18 anos sem Nonô Basilio

Noso olhos abertosAlfaiate por profissão… Cantor e compositor por opção. Nasceu Alcides Felisbino Basilio no dia 22 de novembro de 1922, em Formiga. Foi rebatizado “Nonô” aos 12 anos quando começou a cantar em parceria com o irmão. Tornou-se afilhado da dupla Cascatinha & Inhana em 1953, quando casou-se com a parceira Naná. Em 1996, com a esposa e parceira, gravou seu ultimo disco, com o titulo: “Nossa Ultima Lembrança”! Morreu em 1997 aos 74 anos de muita musica sertaneja raiz.

Em parceria com a esposa Naná e os padrinhos Cascatinha & Inhana e outras dezenas de cantores e compositores sertanejos, Nonô compôs centenas de musicas sertanejas raiz. E cantaram em vários ritmos musicais.

Seu maior sucesso, “Magoa de Boiadeiro”, composto em parceria com Índio Vago, foi gravado por dezenas de cantores sertanejos entre eles Ouro & Pinguinho e Pedro Bento & Zé da Estrada. Mas se eternizou na voz de Sergio Reis.

Nonô e Naná

– Ô de casa…?

– Ô de fora…!

– ‘Tarde…

– Vâmo chegá…!

Foi com este curto e simplório dialogo caipira que conheci Nonô Basilio em seu sitio no bairro Canta Galo em Pouso Alegre em 1995. No minuto seguinte eu e o Mario estávamos sentados na sala simples e aconchegante de sua casa. Uma legitima ‘casa de caboclo’! Mobiliada e ornada com coisas da roça, inclusive as ‘tralhas’ do seu ‘boiadeiro magoado’!

Duas semanas depois o recebi em minha no bairro dos Coutinhos. Casa também simples, porém com menos bom gosto! Aliás, gosto foi o que meu novo amigo Nonô Basilio sentiu… Gosto de feijoada! Pena que errei no tempero… A feijoada ficou ligeiramente salgada!  Mas o suco de gerereba trazido do alambique dos Fernandes, que ele adorava, amenizou. Gostou tanto da cachacinha artesanal que pediu para levar a garrafa para o palco. Naquela sexta feira, no sábado e no domingo Nonô Basilio deu-nos o prazer de sua presença como jurado no 1º Festival de Musica Sertaneja do Bairro dos Coutinhos!

N.N & OdilonMeses depois voltei ao sitio de Nonô no Canta galo. Fui levar meu saudoso tio Antônio, que tinha negócios com ele. Nonô lhe deu um frango carijó e como pagamento pelo ‘carreto’, meu tio me deu o frango.

-… Fica com esse frango pra você almoçar amanha! – Disse ele.

Era um frango carijó dourado, mestiço índio, robusto e garboso… Nem pensar em coloca-lo na panela. Virou galo! cuidou de um seleto harém de galinhas caipiras, cantou quase tão afinado quanto Nonô e reinou durante mais de três anos no meu terreiro!

A passagem mais marcante do velho cantor,  compositor e diretor artístico foi justamente sua ‘passagem’… Nonô morreu no dia 1º de julho! Recebi a noticia no dia seguinte através do radialista e amigo comum Hilário Coutinho… Tres dias depois meu pai foi se encontrar com ele…!

Vocês deixaram muitos amigos… E muitas saudades!