Mauritania Furtado… O anjo de Borda da Mata

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Passava poucos minutos da uma da tarde ensolarada quando os dois amigos se encontraram na Praça Dom Otavio, defronte o Palácio do Bispo em Pouso Alegre.
– Está tendo festa na Borda… Vamos vender pipoca lá…? – Instigou o mais velho.
– Vamos! Mas como a gente vai? – indagou o mais novo.
– Vamos a pé, ué… Empurrando o carrinho!
E saíram os dois garotos de calça curta estrada afora empurrando o carrinho de pipocas coloridas e amendoim com chocolate! Às sete da noite noite entraram na cidade de Borda da Mata! Era dia de festa da padroeira N.S.do Carmo. As ruas estavam apinhocadas de gente. Atendendo os pedidos de alguns garotinhos curiosos os dois pequenos aventureiros viraram a primeira esquina saindo da rua principal. Pararam casualmente diante da terceira casa da rua. Ainda atendendo a criançada que nunca tinha visto pipocas coloridas e o delicioso amendoim envolto em chocolate, o mais novo pediu um copo d’água a uma bela e simpática senhora ali defronte. Antes de adentrar a casa ela fez algumas perguntas. Voltou dois minutos depois trazendo o copo d’água. E trouxe também algo muito melhor, que não havia sido pedido… Dois pratos alombados de arroz branco com feijão de caldo grosso e bife de alcatra…! Sentados ali na calçada na frente da casa, os dois garotos comeram a refeição mais saborosa de suas vidas!
A bela senhora morena de meia idade não tinha asas, mas foi o anjo daqueles dois garotos que haviam acabado de caminhar 27 quilômetros empurrando um carrinho de pipocas. Seu nome era Mauritana. Mauritana Furtado!
O garoto mais velho, 14 anos, chamava-se Rui de Paula. O mais novo, 12 anos, vendedor de pipocas, chamava-se Airton Ferreira de Matos. Dez anos depois ganharia o apelido de “Airton Chips”! Era 16 de julho de 1971…
Na manhã desta quarta, 17, voltei à Borda da Mata… – desta vez de carro! – Fui visitar meu “Anjo da Borda…” e levar-lhe um exemplar autografado do livro “MENINOS QUE VI CRESCER”! Aos 87 anos a viúva Mauritana conserva a mesma simpatia e bondade de 1971. Não me deixou sair de lá sem tomar ao menos um guaraná gelado! Concordou até em posar para fotografia comigo! Coisa rara, pois é avessa a fotos. – Também, não é todo dia que se pode posar ao lado de um garoto a quem serviu carinhosamente um prato de arroz com feijão e bife há 43 anos!
Vida longa Mauritana, meu “Anjo da Borda”, vida longa com saúde e alegria!

O desfecho deste fato acontecido há 43 anos está no livro www.meninosquevicrescer.com.br. A historia completa está na pagina 239 com o titulo: “O mistério do Coisa Ruim da Borda”.

• O livro pode ser encontrado na “ARTEC PAPELARIA, na Praça N.S.do Carmo em Borda da Mata.

 

Mariana Valentina foi pra casa…

Imagem ilustrativa

Imagem ilustrativa

Mariana Valentina, a fujona que sacudiu a imprensa e a opinião publica há duas semanas depois de sair pela janela do banheiro onde nascera para dar um rolê pelo telhado do prédio contíguo em trajes de Eva, ainda com a placenta da mãe atrelada ao umbigo, deixou a UTI Neonatal do Hospital Regional Samuel Libânio em Pouso Alegre. O pomposo nome de Mariana Valentina – e foi de fato valente! – ela ganhou ainda no hospital, onde se hospedou durante 12 dias, desde o momento seguinte ao resgate até o completo restabelecimento do susto!
No inicio da tarde deste sábado, 13, a bebezinha aventureira recebeu alta hospitalar e foi morar com vovó Maria Gorete Carlos, 50, em Itajubá. A guarda provisória foi conseguida pela avó materna na justiça.
Taynara Priscila da Silva, 22, a mãe de primeira viagem, que continua jurando de pés juntos que desconhecia a gravidez até ver a filhinha escorrendo para seus braços no banheiro, esteve presa no hospital regional desde a noite do imbróglio, vigiada por uma agente prisional. Na quinta, 04, ela subiu no Taxi do Magaiver para o Hotel do Juquinha. Mas, como autoriza a lei processual penal brasileira, retomou a liberdade antes mesmo do apagar das luzes da quinta. Não chegou a esquentar a ‘jega’ do famoso hotel. Sequer saboreou o ‘bandeco’ da noite; uma das tres refeições diárias bancadas pelo contribuinte.
De acordo com o Inquérito Policial já concluído e enviado à justiça pelo delegado Renato Gavião, Taynara, a mãe que quase matou a filhinha durante o estado puerperal, aliás surto que pode acometer, como dissemos até a mais prendada das mães, responderá por tentativa de infanticídio, cuja pena varia de 2 a 6 anos de cana. Como já dissemos anteriormente em nossa única abordagem do caso, Taynara não chegará a ver o sol nascer quadrado. No máximo será condenada a prestar serviços comunitários por dois ou três anos! Quem sabe numa creche!?
Tudo de acordo com o andar da carruagem da lei…!
Ainda bem que Mariana Valentina foi valente…!

 

Peixinho… E eu!

Peixinho atravessou o Mandu a nado... Algemado!

Peixinho atravessou o Mandu a nado… Algemado!

Em meados de 82, o médico Celso Lucas se preparou para mudar-se da Rua Dom Nery – onde funciona hoje uma lanchonete – por isso, como todo ‘mudante’, encheu sua casa de caixas de papelão para embalar seus pertences. Antes da mudança, foi passar o fim de semana em um sitio. Quando chegou à casa pela manhã na segunda feira, percebeu que parte de sua mudança – televisão, aparelho de som, radio relógio, jóias e pequenos objetos de transporte manual – haviam ‘mudado’ antes da hora… Sem ele! O médico que até então tinha horror à delegacia de Policia – entrava ali apenas até o setor de registro de veículos e dava graças a Deus quando saia – viu-se obrigado a procurar a Inspetoria de Detetives para comunicar o furto e pedir providencias. Afinal, televisão colorida há trinta anos custava bem mais do que hoje. Contava-se no dedo as casas de Pouso Alegre que tinham mais de uma. Aparelho de som 3×1 era coisa rara. Com salário de policial não se comprava. Jóias eram usadas somente em festas e olhe lá… Seu prejuízo passava de dez mil reais em valores atuais.
Éramos poucos policiais trabalhando. O furto do medico era apenas mais um entre dezenas que aconteciam todos os meses. Seria difícil designar uma equipe para cuidar só daquele caso. O registro do furto, no entanto, veio acompanhado de um pedido pessoal do vereador Firmo da Mota Paes – cunhado de Celso Lucas – um dos advogados mais atuantes na área criminal, amigo pessoal do nosso saudoso Inspetor Ângelo. Por isso entrou na lista de prioridades.
Da leva de detetives da ‘turma de 80’, que marcaria o inicio daquela década com brilhantes atuações, desvendando os principais crimes da cidade e região, eu era o menos experiente… Mas ‘na falta de tu, vai tu mesmo’. Ângelo me apresentou o medico barbudo – ele continua com a mesma barba de sempre! Só mudou a cor – e me passou o caso.
Como toda investigação criminal começa pelo mordomo, comecei investigando a empregada de Celso… Soube então que ela tinha uma irmã, daquelas que gostam de enxada de cabo longo… para ficar longe do trabalho! Ela por sua vez, namorava um sujeitinho baixote, forte, troncudo que morava pelas bandas da Tijuca, o qual às vezes passava com a namorada para visitar a cunhada. Trocando figurinhas com o próprio Ângelo, concluímos que o baixinho forte, cara de mau e coração duplamente mau, era “Peixinho”, dono de uma extensa ‘capivara’ na delegacia, por brigas, furtos e uso de drogas.
Filho do meio entre dez irmãs, cresci nas ruas de Pouso Alegre, trabalhando desde os dez anos para ajudar em casa. Fui office-boy, entregador, flanelinha, vendedor ambulante. – Você leitor que tem cerca de cinqüenta anos e boa memória, lembra-se dos carrinhos de pipoca, amendoim com chocolate, pipoca colorida, Raspadinha? Lembra-se daquele moleque franzino que passava na sua rua ou estacionava o carrinho com quatro garrafas de melado colorido e uma pedra de gelo na esquina da Praça Sen. Jose Bento, perto da Casa Morato? Era eu!!! Vendendo Raspadinha. Foi nessas minhas andanças pelos quatro cantos de Pouso Alegre que conheci o “Peixinho”.
Quase três anos mais velho que eu, o garoto que somente em 82 eu viria saber que se chamava J.B.P. me causava verdadeiro pavor. Hoje quem usa drogas é apenas ‘nóia’. Naquele tempo era “maconheiro”. E maconheiro era “bandido”, “marginal”. Todo maconheiro daquela época era conhecido à distancia… Deixava um rastro de medo por onde passava!
O primeiro maconheiro que conheci foi o “Chibit”, morador do bairro da Saúde. Andava sempre com Zé Pretinho, Jesus Muquirana, seu tio Lazinho e outros que se emendaram, menos ele. Chibit também era um baixote troncudo, debochado cara de pau e de mau. Forte e bom de briga, embora tivesse família ali mesmo no bairro, ele parecia não ter eira e nem beira e vez por outra extorquia os flanelinhas defronte a Faculdade de Direito. Naquela época o curso de Direito era “vago”! A maioria dos estudantes era das cidades e Estados vizinhos. Aulas apenas nos finais de semana. Somente ao ver sua ficha policial anos mais tarde, eu saberia que “Chibit” era corruptela de “Alcebíades”. Ele morreu totalmente inofensivo nos anos 90, nos braços de Severina do Popote, depois de anos vendo o sol nascer quadrado.
Peixinho foi o segundo “maconheiro” que conheci. Também encrenqueiro e amedrontador. Morava nas ‘escarpas’ da famosa Davi Campista, perto da “Zona”, o que aumentava ainda mais o meu temor, pois zona boemia naquele tempo era antro de pecado, corrupção e violência. Toda vez que nos encontrávamos, Peixinho pegava o que queria no meu carrinho, comia na minha presença, lentamente, talvez zombando do meu medo e ia embora sem pagar…! E eu dando graças a Deus por ele não levar minhas moedas e esquentar minha orelha! Agora ali estava eu investigando um crime possivelmente cometido pelo meu velho algoz, terror da minha infância. Jovem policial sonhando prender todos os facínoras da cidade e consertar o mundo eu estava prestes a me defrontar com meu maior inimigo. Como seria?
Através do “mordomo” que indiretamente abriu a porta para o cunhado gatuno entrar, soubemos que o suspeito passava a maior parte do tempo na companhia da namorada em uma pensão da qual era sócio, na área central de Campinas-SP. Tínhamos o fio da meada, precisávamos agora desembaraçá-lo. Telefonar para a congênere de Campinas e pedir para os colegas prende-lo e encaminhá-lo para nós? Sem chance! Mandar uma carta para ele intimando-o a devolver a rés furtiva!!! Insano, hilário e inútil. Esperar que ele voltasse a Pouso Alegre para dar-lhe o pulão, também não adiantaria, pois ele certamente esperaria muito tempo a poeira baixar. Apesar de ser apenas uma suspeita, contundente e provável, a única maneira de confirmá-la seria interrogando o suspeito. Por isso fomos procurá-lo na cidade de Orestes Quércia.
Saímos de manhazinha. Antes das dez chegamos a Campinas. Eu, o detetive Mairinques e a vitima Celso Lucas, no fusca azul escuro dele. Com as informações fornecidas pela cunhada de Peixinho…

Para continuar lendo a historia de Peixinho, meu algoz de infância, acesse www.meninosquevicrescer.com.br

 

Agentes descobrem chinelo falante no Hotel do Juquinha

Um chinelo muito especial...!

Um chinelo muito especial…!

Há alguns meses os agentes que fazem a segurança interna do Hotel do Juquinha perceberam à distancia que um preso, vez por outra, usava um chinelo tipo havaianas colado ao rosto!

Estaria o preso usufruindo do próprio chulé?

Estaria ele curtindo uma paixão doentia pelo chinelo?

Ou o chinelo guardaria algum segredo irrevelável…!

Para descobrir o misterio, a direção de segurança do presido armou a arapuca… Fez uma visita surpresa no apartamento 45 e pegou no pé – nos sentidos figurado e literal – do hospede Wellington Martins de Souza, o Zinho. Ao vistoriar o pé do chinelão 44, percebeu logo que a coisa não cheirava bem – também nos dois sentidos – e descobriu o mistério… Zinho usava o pisante para falar ao celular!!! Ele havia feito um buraco no pé-de-chinelo e assim bastava descolar uma sola falsa e se comunicar com o mundo que ele abandonou aqui no dia em que resolveu vender cocaína…!

Portar ou usar aparelho celular no interior do presidio – ainda – não é crime. Mas é considerado infração grave de acordo com o regulamento interno do Hotel do Juquinha. Por isso Wellington Zinho Martins sentou no banco dos réus, quero dizer no banco do Conselho Disciplinar do Presidio. Interpelado pelos conselheiros ele contou que certo dia, estando no banho de sol, de repente um OVNI sobrevoou o pátio e pousou abruptamente no chão duro de cimento… Todos ficaram com medo de tocar no OVNI! Ele, que, apesar de apenas vinte e um anos já conhece varias penitenciarias do Estado, já se hospedou na APAC, já participou de motim em presido, já participou de quadrilha, já destruiu bens públicos e já vendeu drogas com “Dimenor” e portanto é mais experto que os outros, pegou o OVNI e levou para o seu apartamento. Depois de constatar que se tratava de um celular passou a usá-lo às escondidas. Inclusive, para evitar que algum agente resolvesse confisca-lo, fez o fundo falso no seu chinelo para camufla-lo…

Zinho... Apesar da pouca idade já bem rodado!

Zinho… Apesar da pouca idade já bem rodado!

Zinho está hospedado no Hotel do Juquinha desde  dia 30 de julho de 2013, quando foi preso na companhia do ‘dimenor” “Leu” – Zinho & Leu, os formiguinhas da João Sabino – com 16 barangas de cocaína escondidas debaixo de uma pedra no velho Aterrado!

Como era de se esperar, o Conselho Disciplinar do Hotel do Juquinha considerou Zinho culpado por mocosar o celular no chinelão chulezento. A pena foi cumprida imediatamente: 30 dias de isolamento no interior do apartamento 45, sem direito à visitas e sem banho de sol! … E sem direito de se comunicar com os ‘parças’ cá de fora…!

 

Menino que vi nascer é preso desenterrando cocaína…

Ramon Fonseca... Menino que aprendeu engatinhar e deu os primeiros passos na minha casa!

Ramon Fonseca… Menino que aprendeu engatinhar e deu os primeiros passos na minha casa!

O fato aconteceu às três e meia da tarde desta quarta quente, 09 de setembro, numa mata a oeste da Lagoa da Banana no velho Aterrado.
Ao fazer patrulhamento pelas imediações o sargento Henrique e seus soldados Adenisio e Everton perceberam dois jovens com pinta de somongó entrando na mata. Desconfiados das pretensões da dupla, o trio encostou a Arca de Noé, entrou cada um numa direção e armaram a arapuca. Quinze minutos depois depararam com um deles ajoelhado ao chão cavoucando igual tatu… Com as mãos!
O tesouro que o garoto desenterrava eram 400 barangas de farinha do capeta embaladas nas tais capsulas ‘ependorf’, pouco mais de meio quilo de cocaína, prontinha para ser vendida a dez reais cada uma. Além das capsulas cheias, no buraco do tatu havia mais um saco com cerca de duas mil capsulas vazias.
Ao ver o cano frio da .40 dos policiais apontando para sua cabeça, o jovem Ramon Fonseca Machado não reagiu e nem tentou tapar o sol com a peneira. No momento da prisão o celular de Ramon recebeu mensagens do tipo:
“E aê Diou, você já pegou… Tá demorando muito”. “E aê, mano, vai rapidão, pega pa nóis”,
o que faze crer que ele era apenas o “mula” que fora buscar a droga no mato. No entanto, Ramon assumiu a paternidade da farinha e não entregou o ‘patrão’.
Já ao piano do delegado de plantão, depois de alguns minutos no confessionário com seu advogado, Ramon jurou de pés juntos que a farinha não lhe pertence e disse ainda que nem estava perto da droga quando ele foi encontrada pelos policiais.
– Eu fui lá pegar o cavalo para o meu tio – disse ele tropeçando nas palavras.
Só não conseguiu explicar muito bem porque estava com as mãos sujas de terra parecendo um tatu!

Com a prisão do mulinha Ramon, "Tom" ou quem quer que seja o patrão dono da farinha, perdeu no varejo cerca de 4 mil reais...

Com a prisão do mulinha Ramon, “Tom” ou quem quer que seja o patrão, dono da farinha, perdeu no varejo cerca de R$ 4 mil …

Ramon Fonseca Machado não é um “Menino que vi crescer”… Ele é mais do que isso! Ramon foi gestado na minha casa no bairro das Saude há 20 anos. Foi lá que ele engatinhou, fez xixi no chão, fez as primeiras birras, deu os primeiros passos e aprendeu falar ‘mamã’ e ‘titio’… – o pai era ausente. Eu fui a primeira figura, digamos paterna, que lhe fez bilu-tetéia, deu carrinhos e bolas de presente além das que ele usava dos meu filhos pre-adolescentes! Fui eu quem puxou suas orelhinhas e o colocou para pensar no banquinho atrás da porta quando fazia suas birras próprias da idade! Sua mãe W, que eu conhecia desde mocinha, tinha duas garotinhas em fraldas quando começou trabalhar na minha casa. Logo Ramon surgiu em seu ventre. Depois que nasceu continuar a atravessar a cidade nos seus braços a caminho do trabalho. Cresceu miúdo, mas firme e forte na companhia da mãe e do padrasto A., também meu amigo do futebol. Apesar da vida humilde e sem conforto numa casinha sempre em construção no velho Aterrado, até ontem à tarde Ramon nunca tinha feito W. chorar! – E olhe que ela chorou bastante! Desde o final da tarde de ontem até às sete e meia da manhã de hoje, quando me ligou pedindo orientação!
Ramon, 19 anos, subiu no final da noite para o Hotel do Juquinha. É seu primeiro 33. Como é primário, tem residência fixa, trabalho, ainda que de servente, e menos de 21 anos, deve pegar pena mínima reduzida de um terço. Dependendo do seu comportamento prisional poderá progredir para ao Regime semiaberto depois de cumprir um terço da pena. Ou seja; poderá voltar para casa em menos de dois anos.
Eis aí um “Menino que vi – nascer e – crescer”, cuja historia espero escrever um capitulo só!

 

Palmeirense é condenado a 5 anos e dez meses de cana

A batata do Palmeirense assou...!

A batata do Palmeirense assou…!

Na verdade o Ewerton da Silva Marques, o “Palmeirense”, um dos traficantes mais citados pelos amigos ocultos da lei do bairro do padroeiro dos motoristas, caiu no apagar das luzes do dia 07 de novembro do ano passado na porta da Padaria Pão de Mel! Na ocasião ele levava na algibeira três baseados e amarelou… Disse que não era nóia! E se não era nóia portando drogas só podia ser traficante formiguinha! De fato o grosso da erva marvada estava mocosada no quarto de sua casa… Um tijolão de maconha, além de algumas barangas pronta para comercio.
Naquela ocasião o Palmeiras já havia subido para a Serie A. Agora que o time periga cair novamente, o que subiu foi a sentença do Palmeirense… Cinco anos e dez meses de permanência gratuita na segunda divisão, quero dizer, no Hotel do Juquinha!
Esses garotos precisam acreditar no velho ditado: “O crime não compensa”!
Demorou mas a batata do Palmeirense do Chapadão assou…!

Arbitrariedade na Delegacia de Policia…

Doralice eo netinho Kristoffer...: Ai meu Deus... Pensei que eu estava sendo enterrada viva!

Doralice eo netinho Kristoffer…: Ai meu Deus… Pensei que eu estava sendo enterrada viva!

O fato aconteceu por volta de três e meia da tarde desta terça, 09, justamente no período mais quente do dia. Doralice e o netinho Kristoffer William, além dos cidadãos Nivaldo que acompanhava o amigo Aristeu usando muleta, sentiram na pele e no pulmão o que é a falta de ar e de liberdade. Eles haviam ido à delegacia prestar depoimentos como testemunhas e acabaram ficando presos. Eles desciam do terceiro andar do prédio quando o Sr. Atlas Schindler sem nenhuma explicação resolveu prende-los.
E não é a primeira vez que isso acontece. Situações inusitadas como esta vem acontecendo na nova Delegacia de Policia desde 2007, quando foi inaugurada. Treleu não deu, lá estão duas, três ou mais pessoas presas no cubículo escuro e sem ventilação.
A arbitrariedade desta tarde de terça foi presenciada por diversas pessoas, inclusive este blogueiro! Tão logo constatamos a situação de cárcere privado dos cidadãos inocentes no cubículo abafado, comunicamos o fato à Inspetoria de Detetives e exigimos providencias. A situação abusiva e desconfortante, especialmente para a Sra. Doralice de 49 anos que tem claustrofobia e o netinho de 2 anos de idade, foi solucionada em tempo recorde com relação às outras vezes. Em exatos cinco minutos o Sr. Consertildo da Silva Junior chegou à Delegacia devidamente uniformizado e armado com ferramentas apropriadas e libertou o quarteto.
Dona Doralice e o netinho foram os primeiros a sair pela janela.
– Eu não aguentava ficar nem mais um minuto naquele buraco… Tenho horror a lugares fechados – disse ela achando graça do constrangimento pelo qual passara. E acrescentou:
– Ainda bem que o ‘Kris’ não chorou!
Ainda bem mesmo. Já pensou se o garoto desanda a chorar num cubículo sem ar com mais três adultos!?

Para piorar o quadro, Aristeu se movia com ajuda do amigo e de muletas...!

Para piorar o quadro, Aristeu se movia com ajuda do amigo e de muletas…!

Nivaldo e o amigo Aristeu que usava muletas tiveram que esperar mais alguns minutos até posicionar o cubículo na posição certa, mas pelo menos já podiam respirar aliviados diante das piadas de mau gosto das pessoas que assistiam o resgate!
O Sr. Atlas Schindler, responsável por manter quatro pessoas em cárcere privado no interior da DP, ainda que não de forma dolosa, usou seu direito pétreo de permanecer calado… Não disse uma só palavra em sua defesa!
Mesmo sendo alvo de piadas de mau gosto e brincadeiras das pessoas que aguardavam na porta do cubículo, nenhum dos presos inocentes registrou queixa por abuso de autoridade. Na verdade não querem processar ninguém. Tudo que queriam mesmo era retomar a liberdade, respirar ar fresco e desfrutar da claridade azul da terça feira. Tão logo a porta do cubículo foi aberta desandaram a rir, aliviados, do próprio desconforto…
Nenhum dos delegados presentes na Delegacia Regional quis se manifestar sobre a arbitrariedade do Sr. Atlas Schindler. Mas, à boca pequena, soubemos que diversas reclamações já foram feitas à empresa que cuida da manutenção dos elevadores que volta e meia param de funcionar no meio do trajeto entre um andar e outro, deixando pessoas inocentes presas em seus cubículos…!!!

O elevador da Atlas Schindler vive parando para descansar no meio do caminho...!

O elevador da Atlas Schindler vive parando para descansar no meio do caminho…!

Comerciante prende ladra itinerante em Pouso Alegre

Jessica...: Chorando lagrimas de crocodilo depois de ser presa com relógio na calcinha!

Jessica…: Chorando lagrimas de crocodilo depois de ser presa com relógio na calcinha!

Jessica Alves Wenceslau, 21, residente na vizinha Cambui, é figurinha fácil no álbum da policia desde os 18. Sua especialidade é a tradicional mão leve. Ela entra nas lojas, espia daqui, espia dali, se lhe oferecem ajuda ela agradece e despista e, depois de namorar as mercadorias vai embora sem se despedir. E com ela vão também alguns objetos da loja… sem passar pelo caixa!
Na maioria das vezes os comerciantes nem percebem que foram furtados. Jessica já passou a mão leve desde Extrema até Cambui onde mora. Agora foi a vez de Pouso Alegre. Ela só caiu nas malhas da lei, porque, cumulo do azar, furtou em duas lojas da mesma rede.
Depois de perceber pelas câmera do Big Brother que havia sido vitima de furto, uma funcionária da Jamil Modas da Dom Nery ligou para o colega Breno, da mesma rede, na Com. Jose Garcia e deu o alerta…
– A pirralha acabou de furtar aqui na loja um relógio! Fique atento…
Quando acabou de receber o telefonema da colega Breno saiu à porta da loja para ver se, quem sabe avistava a ladra… Eis que neste momento a garota entra na sua loja!!! Ele nem pensou duas vezes… Foi logo interpelando Jessica antes que ela passasse a mão leve também na sua loja…
– Ei… Voce acabou de roubar a minha amiga! Cadê o relógio que furtou lá…!
Ao perceber que o jovem comerciante sabia o que ela havia feito no verão passado, Jessica passou sebo nas canelas e dobrou a serra do cajuru. Foi alcançada já no jardim, debaixo das barbas da policia militar. Detida pelo destemido comerciário, Jessica foi entregue aos policiais militares e desceu no taxi do contribuinte para delegacia de Policia. Sua bolsa estava recheada de bijuterias furtadas na loja Pink Biju da Dr. Lisboa pouco antes. A proprietária da loja de bijuterias nem havia percebido que fora vitima de furto! O relógio cabritado na loja Jamil Modas da Dom Nery estava difícil de ser encontrado. Foi necessário um ‘streep tease’ forçado na jovem par encontra o relógio na sua calcinha…!
B.O. encerrado, meliante presa, res furtiva recuperada e devolvida aos donos, tudo resolvido? Não! Foi difícil fazer a jovem ladra parar de chorar para sentar ao piano do delegado Erasmo. Chegou-se a pensar que ela ficaria desidratada de tanto chorar no “corró” enquanto aguardava para assinar o 155 em serie! Já no final da tarde desta segunda, depois de secar as lagrimas de crocodilo até alagar o ‘corro’ e ficar sem palavras, Jessica disse apenas…
– Só vou falar em juízo!
Nem precisava falar! Sua bolsa – sua calcinha – e o Big Brother das lojas já haviam dito tudo que o paladino da lei precisava para mandá-la para do Hotel do Juquinha.
Com a morosidade da justiça, é bem provável que Jessica não seja julgada pelos furtos no comercio de Pouso Alegre nos próximos 89 dias e retorne à liberdade. Resta saber se ao deixar a prisão ela vai recomeçar a vida de crimes em Cambui ou se vai continuar seu itinerário pelas cidades que margeiam a Fernão Dias na direção de Careaçu, São Gonçalo…
Leia também: Schinder prende 4 inocentes na delegacia de policia

 

Renanzinho… O psicopata da cabeleireira

salão da ester

Nove e quarenta de uma quinta feira abafada de agosto, véspera de aniversario do padroeiro da cidade. O jovem alto, forte, cabelos curtinhos subiu a Dr. Lisboa lentamente, sem destino, olhando para todo lado sem olhar para ninguém. Não tinha nenhum compromisso definido. Quando cruzou o semáforo da Rua Marechal de Teodoro e pisou no passeio defronte o prédio do 17º Departamento de Policia Militar, institivamente olhou para a avenida e seus olhos pararam na rua em frente a Vieira de Carvalho… Mais precisamente num sobradinho onde funcionava um salão de beleza. Uma lembrança o atraiu. Encostou-se ao poste em frente o quartel e ficou ali por alguns instantes, olhando para a plaquinha do sobradinho da estreita rua. Suas lembranças o levaram há alguns anos atrás. Havia cometido um furto na galeria em frente e acabara sendo preso pela PM algumas horas mais tarde. Não tinha mais a res furtiva e a policia não tinha prova da sua culpa… A menos que alguém o apontasse como autor do furto. E não é que alguém apontou! A policia parara a viatura ali perto e chamara algumas pessoas para ver se alguém o reconhecia…

– Foi ele mesmo que eu vi saindo da loja… – Disse a bonita senhora de meia idade.
Graças a esta afirmação a policia ‘tirou-lhe o serviço’. Ele assinou mais um Afai, o trigésimo oitavo da carreira, talvez, desde os dez anos de idade! E mais uma vez foi se hospedar na ‘cela de menores’, no pátio do velho Hotel da Silvestre Ferraz. Mais 45 dias dividindo aquele espaço de 3×3 – incluindo o banheiro – com outros 5 ou seis delinquentes. Ele nunca mais voltara naquela rua desde então, mas soubera que a ‘coroa’ que dissera “foi ele mesmo” era uma cabeleireira que tinha um salão ali em frente a Galeria Portal. No começo tivera muita raiva dela e pensara em vingança, mas sua vida já era amarga demais para cultivar mais um sentimento negativo. Acabou esquecendo a cabeleireira cujo nome nem sabia. Agora ali na esquina, olhando para a placa pendurada no velho sobradinho tomara conhecimento do seu nome.

“Ester: Cabeleireira”!

Renanzinho ouve atentamente o Homem da Capa Preta ler a sua pena...!

Renanzinho ouve atentamente o Homem da Capa Preta ler a sua pena…!

De repente o ‘perreio’ que passara naquele cubículo na ‘esquina’ do pátio interno do presidio, olhando através das grades da janelinha para a cela das mulheres e das grades da porta remendada de solda para as celas do presos menos afortunados ou em triagem, veio à tona. Ficou alguns minutos ali encostado no poste pensando na vida, sentindo uma certa angustia. Apesar de, depois daquela bronca ter assinado outras, já ter atingido a maioridade penal e estar a mais de ano morando no novo Hotel do Juquinha, aquela fita na galeria foi marcante. Na verdade não se lembrava mais o que havia furtado, mas se lembrava nitidamente porque fora preso;
-“foi ele mesmo” – dissera a cabelereira.
Ele só tinha 19 anos, mas já estava na ‘caminhada’ há quase dez! Morando uma hora com o pai, outra hora com a mãe, outra com uma tia, outra na rua, outra por conta do Conselho Tutelar internado em clinicas…! Apanhou do pai, da mãe, ouviu as chorumelas da tia, apanhou dos moleques da rua, tomou puxões de orelha dos conselheiros, do juiz da infância, do promotor da infância! Passou diversas temporadas de 45 dias atrás das grades, apanhou de traficantes… Dormiu debaixo da ponte, foi amarrado em casa com correntes para não ir pra rua…!
– É, a cabeleireira não tem nada a ver com minha vida tão dura… Mas também não tinha que se intrometer! – pensou ele incógnito encostado no poste ali há poucos metros da porta do quartel, olhando para a placa do salão de beleza: “Ester Cabeleireira”…
Já ia se ‘despedir’ do poste e seguir seu caminho sem rumo tentando esquecer os pensamentos ruins, quando uma mocinha saiu do salão com uma bolsa à tiracolo. Esperou mais uns minutos quando então viu a bonita senhora que o identificara aparecer na janela do sobradinho…

Para continuar lendo “Renanzinho… O psicopata da cabeleireira”, acesse: www.meninosquevicrescer.com.br

Presos com farinha no banheiro da rodoviária

Raspava seis da tarde desta quinta, 04, quando o trio de policiais que fazia o policiamento ostensivo no terminal rodoviário de Pouso Alegre, resolveu fazer uma visita ao banheiro publico. Afinal ninguém é de ferro! Como de praxe, entrou um de cada vez. Quando o cabo Azevedo já estava lavando as mãos para sair, eis que entra um trio de adolescente no banheiro levando uma mochila cor de rosa. Ao vê-lo todos ficaram ressabiados e um deles passou a mochila cor de rosa para o companheiro que perecia ser menor de idade. Entraram cada um num box, mas nenhum deles conseguiu fazer suas necessidades. A presença do policial ‘travou’ tudo! Ficaram lá por quase cinco minutos… Enquanto o cabo Azevedo, que já havia lavado e enxugado as mãos continuava no banheiro atento ao comportamento dos garotos. Quando finalmente saíram dos boxes, foram convidados pelo policial a mostrar o que levavam na mochila…
– Tem nada de ilegal não, ‘seu puliça’! Nós somos de Santa Rita do Sapucaí. Só estamos de passagem… – disse um deles.
A um chamado do policial os outros dois que estavam do lado de fora entraram e deram a geral no trio de Santa Rita. Um deles levava dois tabletes de erva marvada na algibeira. A mochila cor-de-rosa estava mais recheada… Continha trinta barangas de farinha do capeta prontinhas para serem vendidas a dez “real” cada uma!
Levados para DP no taxi do contribuinte sentaram todos ao piano do paladino da lei. A dificuldade maior foi saber de quem era a droga! Hemerson Gonçalves do Reis, morador do bairro Pedreira, na entrada da cidade, único imputável do grupo, tentou tirar o corpo fora. Inicialmente A.E. Desiderio assumiu a paternidade da droga. Mas, pressionado pelos pais, tentou empurrá-la para o parceiro M.M.. Considerando o relato dos policiais militares e levando em conta que os três estavam juntos, foram todos fritados no 33!

Hotel do Juquinha, o novo endereço de jovem Hemerson da mochila cor-de-rosa preso no banheiro da rodoviaria!

Hotel do Juquinha, o novo endereço de jovem Hemerson G.Reis, da mochila cor-de-rosa, preso no banheiro da rodoviária!

Os garotinhos M.M.O. Guimarães, 15 anos, morador da Rua da Pedra, e A.E. Desiderio, 14 anos, morador da Rua Nova, voltaram para Santa Rita na companhia dos pais, como manda o ECA. Hemerson que em junho ultimo completou 18 aninhos, arrependido da cagad… no banheiro da rodoviária, foi conhecer o Hotel do Juquinha.

 

 

 

 

 

 

 

Sábado 06 de setembro:  Meu ultimo dia de trabalho…