E continua cativante!

Vô Zé Bernardo em 2025, ao completar 107 anos.
As pernas não permitem mais andar atrás do carro de boi, andar a cavalo, jogar futebol, ir à missa… mas não o impedem de andar sozinho pela casa, sentar-se no quintal da frente e ficar sentindo o burburinho da rua, da vida!
– Ele não escuta quase nada. Mas entende o que a gente fala. A gente comunica mais por sinais. Ele gosta de ficar sentado tomando sol na frente da casa. Quando é hora de tomar café, de almoçar, a gente vai lá fora e faz o sinal com a mão… ele levanta e vem comer. Quando é hora do banho, a gente põe a roupa limpa na beira da cama, ele entende, pega e vai para o banheiro – conta a filha Benedita, 85 anos.

Benedita Aristides tinha mais de 80 anos quando passou a cuidar do pai, depois que ele parou de trabalhar, aos 105 anos.
Como a audição não ajuda, ele não consegue ouvir bem, mas quando entende as perguntas, responde com clareza e lembra de quase tudo de antigamente – diz ela.
– Às vezes, quando está sentado na mesa, sem a gente perguntar, ele começa contar histórias de quando era moço, do tempo que lidava com gado, de quando ia pra Pouso Alegre tocando carro de boi… Eu fico só escutando. Ele vai longe… – conta a filha que cuida dele a pouco mais de três anos.

Aos 108 anos, mesmo não ouvindo bem, dentro de casa e no quintal Jose Bernardo tem autonomia.
Jose Bernardo da Silva nasceu em Cachoeira de Minas no fim da Primeira Guerra Mundial, no ano da Gripe Espanhola, no dia 14 de junho de 1918. Trabalhou com carteira registrada até os 105 anos, em 2023… E parou contra a vontade!
Embora receba diariamente o carinho da filha Benedita e de netos, bisnetos, trisnetos, José Bernardo tem suas tristezas. Quando consegue entender nossa pergunta, ele fala delas…
– É uma tristeza não poder mais andar pra rua sozinho, não poder ir na missa, passear no jardim da praça… não poder mais trabalhar com os amigos no mercado!
Vô Zé Bernardo é uma daquelas pessoas que vão deixar saudades… vão deixar “rastros na minha terra”!