Maconha e cocaína para o “Chiquinho da Borda”

No meio da tarde quente de sábado os patrulheiros estaduais resolveram dar uma geral nos passageiros do ônibus da Gardênia que seguia de Pouso Alegre para Borda da Mata. Quanto entraram no coletivo, perceberam que o garotão Wagner Monte Barbosa – não confundir com o policial, repórter, apresentador de TV e galã carioca Wagner Montes – dispensou um embrulho no chão e mudou de poltrona. A manobra não passou batida aos olhos atentos dos patrulheiros. Eram duas barangas de farinha do capeta e vários tabletes de erva marvada, suficiente para deixar o Chiquinho da Borda doidão.

Wagner, de 19 anos, disse que havia comprado a droga de um desconhecido – é claro – no velho Aterrado para revender na capital do pijama a R$ 10 reais a baranga. Perdeu a viagem. Mas ganhou carona no taxi do contribuinte e depois de assinar o 33 ganhou também hospedagem gratuita no Hotel do Juquinha.

Gaúcha cai com evidencias do trafico

A jovem foi presa ao cair da tarde de ontem, no Jardim Olímpico, no momento em que negociava uma ‘paradinha’ com um suposto cliente de Borda da Mata.
Amigos ocultos da lei levaram uma dupla de policiais à residência de Vanessa de Moura ontem à tarde. Segundo o informante anônimo – esse valoroso colaborador da lei – a traficante costuma distribuir Maconha, Crack e Cocaína em sua própria casa, na larga e extensa avenida Prefeito Olavo Gomes de Oliveira, na altura do Bairro Jardim Olímpico. Os policiais foram para as imediações e ficaram na ‘filmagem’. Quando bordiano se aproximou, provavelmente para adquirir uma baranguinha – ou quem sabe mais – eles deram o bote. A negociação estava ainda no começo, a droga nem havia aparecido e por isso Gaucha não se importou em franquear sua casa aos homens da lei. Lá foram encontradas 34 cápsulas para acondicionamento de ‘farinha’, resquícios de ‘brita’, um estojo com restos de ‘erva’, fita adesiva e R$ 614 reais em dinheiro de boteco – mas ali não é boteco – indícios suficientes para enquadrar a moradora do muquifo no artigo 33 da Lei 11.343 – A antiga Lei 6368 era mais charmosa.
Gaucha, ao contrario de toda gaucha que costuma ser falante e arrastar o facão no chão, disse apenas;
– Bah, tchê, só vou falar na justiça…
Mesmo muda ela assinou o 33 e foi se hospedar no Hotel do Juquinha.
Ah, o jovem Carlos Cícero da Silva, conterrâneo do “Chiquinho da Borda”, o qual acompanhou a busca na casa da ‘prenda’, disse que estava apenas conversando com ela na porta de sua casa, pedindo informações sobre uns parentes que moram por ali!!! E não ficou vermelho…

Morfeu e barranco complicam vida do viajante

Apesar de saber que a combinação de  álcool e volante pode dar cana, pouca gente se deixa intimidar. Juliano Gonçalves do Prado, 30 anos, morador de Mogi Guaçu que o diga. Ele estava em Borda da Mata e tinha que voltar para casa, mas não ligou para o sábio conselho. Se amarrou no pé-de-cana, entrou no carro e pegou a estrada. Perto de Jacutinga o sono bateu, a estrada ficou reta e o carro foi se espatifar no barranco. Mas Juliano teve sorte… Além do susto, apenas alguns arranhões.
Quando os patrulheiros chegaram para socorrê-lo e registrar o B.O. ele se dispôs a soprar o bafômetro. Como era de se esperar, 9.08 dlg de suco de gerereba no sangue. E Juliano refez o caminho de volta, passou por Ouro Fino, inconfidentes, Borda e veio parar no piano da delegada de plantão de Pouso Alegre. Sem os 1.240 reais para pagar a fiança… Deu cana!!!

Estupro mal contado em Borda da Mata

A garotinha J.S.Silveira, 17 anos, procurou a policia militar no final da tarde de ontem, 23, alegando ter sido estuprada pelo cidadão Orlei Costa dos Santos. Em prantos a adolescente contou que estava na casa de amigos no bairro Buracão, quando o rapaz a levou para o quarto e disse:
– Quando eu estava preso seu namorado ficou com minha mulher… agora eu vou ficar com você. E a possuiu contra sua vontade.
Os policiais saíram em rastreamento e meia hora depois localizaram o suposto tarado nas imediações e lhe ofereceram as pulseiras de prata e o taxi do contribuinte.
Ao sentar-se ao piano do delegado de plantão em Pouso Alegre, Orlei jurou de pés juntos que era inocente. Contou que ele, a garotinha e um casal de amigos estavam na quadra do referido bairro quando resolveram ir para a casa deles ali perto e passaram a degustar um garrafa de vinho. No embalo de ‘Baco’ foram para o quarto e… se entregaram ao bem-bom. Logo depois do ato sexual consentido, passaram a discutir a relação, aí sim se desentenderam, discutiram e a garotinha saiu chorando e foi chamar a policia.
A versão do acusado de estupro foi confirmada pelo casal que a – quase – tudo presenciou. Segundo J.P. e J., o doce ‘afair’ entre Orlei e a adolescente começou na quadra, com um beijo compartilhado e somente ‘azedou’ porque o namorado dela que está preso é uma ‘pedra’ no caminho deles.
Diante de tal conjuntura, a sensata delegada de plantão, Lucila Vasconcelos, embora defensora das mulheres indefesas, deixou de ratificar o flagrante e voltaram todos para a terra do pijama.
… E a garotinha que arrume outra historia para contar ao namorado quando ele sair da prisão.

Detetive Sidraque é assassinado em Monte Sião – 22 de fevereiro

Olá meus estimados leitores.

     Já estava com saudades de vocês. Espero que tenham se divertido ou descansado muito no carnaval. O meu foi um pouco corrido. No sábado Festa da Uva em Vinhedo, domingo churrasco em família, segunda anfitrionando familiares e à noite o falecimento de uma pessoa querida me levou para o Rio de Janeiro. No final da quarta quando abri o computador recebi um convite irrecusável dos meus filhos para ver o São Paulo fazer um papelão diante do Bragantino… Só agora pude finalmente trazer alguma coisa de novo para vocês. Comecemos com o singelo tributo ao companheiro Sidraque…   

Em 1996 o capixaba Sidraque Correia da Rocha, 36 anos, veio para Minas em busca de sonhos e ingressou na policia civil. Alguns de seus colegas ouviram-no perguntar ainda na Acadepol;
– O que eu estou fazendo aqui? Por que será que entrei para a policia?
E ele mesmo responder…
– Acho que é por causa do meu senso de justiça, de heroísmo…
Esta conjectura introspectiva do jovem policial mostrou em pouco tempo a muita gente quem era Sidraque. Ele foi designado inicialmente para trabalhar em Pouso Alegre. Daqui seguiu para Extrema, de lá voltou para perto da família em Teófilo Otoni e, a pedido, voltou para o Sul de Minas… Para São Gonçalo do Sapucai, depois Careaçu, Silvianópolis e novamente Pouso Alegre.
Apesar de ter trabalhado em poucas cidades em 7 anos, ele se tornou conhecido e lembrado em todo o Estado, através do curso de formação policial que fez com outros 400 detetives de todos os rincões das Minas Gerais, na academia de policia civil. Conhecido justamente por este jeito às vezes introspectivo, outras expansivo, outras espeloteado sem dizer coisa com coisa, mas sempre com autenticidade, generosidade e bom humor.
Contam alguns colegas que, numa de suas tiradas, uma senhora chegou à recepção da delegacia de policia e disse que havia sido roubada, tendo o meliante levado todo seu dinheiro e seus documentos. Sidraque, olhando muito atentamente para ela exclamou;
– Nossa!!! E agora. O que a senhora vai fazer???
No segundo seguinte ele se deu conta de que ela estava ali em busca de respostas e atitudes e não de perguntas e tratou de registrar o B.O. para ela.
O policial de origem libanesa era na verdade um grande artista. Era musico, poliglota – falava razoavelmente sete idiomas – e nas horas de folga trabalhava de pintor de parede, cabeleireiro, dedetizador e dava aulas de grego, aramaico e latim.  Quando chegou a Pouso Alegre em l996, pintou todo prédio da delegacia regional… e não recebeu um centavo por isso!!

O domingo de carnaval, 22 de fevereiro de 2004, amanheceu chovendo em toda região. Durante uma pequena aragem por volta de dez da manha, Sidraque encontrou casualmente com seu destino. Ele voltava da feira trazendo frutas e verduras para a esposa e o casal de filhos imberbes que amava com fervor, quando surgiu à sua frente um cidadão que fora vitima de furto no dia anterior, informando que o suspeito estava num boteco ali perto e pediu providencias.
O policial que estava sempre à disposição de quem quer que o procurasse, se propôs abordar o suspeito sozinho, pois além de não dispor de tempo para buscar reforço, ele era o único investigador da cidade. O mocinho – mocinho mesmo, recém completados 18 anos, franzino – que realmente tinha culpa no cartório, passou sebo nas canelas e dobrou a serra do cajuru. Sidraque saiu nos seus calcanhares. Enfurnaram-se numa extensa área onde se começava um loteamento, em direção ao ribeirão e sumiram da vista da vitima e de dezenas de curiosos que acorreram para a porta do bar. Minutos depois ouviram três tiros vindos lá do ribeirão. Estremeceram tentando imaginar o que estava se passando. Um dos curiosos exclamou;
– Nossa… O Sidraque matou fulano…
Continuaram olhando estupefatos e no minuto seguinte avistaram o larapio – agora assassino – subindo o pasto do outro lado do ribeirão, até sumir de vista, levando a arma do policial. Quando a vitima e curiosos chegaram à beira do ribeirão, lá estava o detetive Sidraque com três tiros no peito, inerte
A chuva que ao que parece dera uma pequena trégua suficiente apenas para o sempre resoluto policial cumprir seu destino, voltou a cair torrencialmente sob o seu corpo e os de dezenas de policiais que varreram cada palmo de Monte Sião naquele domingo de carnaval, à procura do ladrãozinho pé-de-couve. Ele não foi encontrado. Oito meses depois, quando cheguei à bucólica e rica Monte Sião, tentei desenterrar o assassino do policial. Mas, sozinho, como os demais colegas, não obtive êxito.
Nunca soubemos o que aconteceu entre o policial e o meliante naquela beira de ribeirão. Só o que se sabe é que o policial tinha uma pistola carregada na cinta e seguiu a lei ao pé da letra enquanto o meliante, na primeira chance que teve … preferiu matá-lo com sua própria arma. Morreu o policial… morreu um artista, um cidadão admirável. E deixou como herança uma pensão de – descontados assistência medica, contribuição de aposentadoria, intermináveis descontos de empréstimos bancários – R$ 480 reais na época. E deixou também um colchão de casal, dois de solteiro, um fogão, um guarda roupa, um teclado, seus tesouros Mirna de 9 e Misaque de 11 anos… e sonhos, melancolia e saudade.

Vagalume quer apagar caloteiro em Borda da Mata

Numa abordagem de rotina no posto fiscal de Borda da Mata, a Policia Rodoviária Estadual flagrou o cidadão Fabio Augusto Casparino armado até os dentes. Ele levava na mochila um lustroso Taurus calibre 38 com cinco azeitonas no tambor e uma cartela extra com cinco balas da CBC. O técnico em eletrônica mora em Inconfidentes e trabalha numa empresa da capital do pijama. Como perdera o ônibus, viajava de carona com seu supervisor Raimundo Carlos Marcelino de Lima, em uma Parati.
Fabio alegou que comprou a arma há dois meses, de um desconhecido – claro – na cidade São Gonçalo do Sapucaí para se defender de ameaças de morte. Diz ele que saiu fugido de Casa Branca-SP, por causa de uma divida de R$ 30 mil reais e desde então tem recebido ameaças de um matador de aluguel conhecido por Vagalume.
Ainda que fosse ‘Dom Corleone’ que estivesse tentando ‘apagá-lo’, Fabio precisaria ter porte de arma para andar armado. Como não tem, o delegado de plantão providenciou 40 agentes armados de pistolas, escopetas e sub-metralhadoras para cuidar de sua segurança – depois que ele assinou o 14 e 16 da 10.826 – no Hotel do Juquinha…

Criança causa barraco em hotel de Borda da Mata

A jovenzinha Barbara Verônica de Paiva Sena, 18 anos, tem um afair com o cidadão Andre Luiz Lucas, de 35… e também um tenro bebezinho de 1 ano. No final de semana estavam dormindo num quarto do hotel Minas em Borda das Mata, quando Karciane acordou e colocou a boca no trombone. Irritada com a birra da criancinha – ou seria fome, frio, dor de barriga, de ouvido, garganta, fralda cheia? – Barbara Verônica perdeu as estribeiras e começou maltratar o baby. Como bom e sisudo pai, André Luiz chamou a atenção da cara-metade… e aumentou o trololó. Para acalmar os ânimos, André Luiz saiu para a rua madrugada afora. Para esfriar a cabeça ele resolveu dar uns amassos na loira gelada. Quando voltou para o quarto do hotel a briga recomeçou. E desta vez mais intensa. Destra vez não ficou um hospede acordado. André tentou matar a jovem mãe com uma faca de cozinha, mas ela se quebrou. Ele então tentou furar o pescoço de Barbara com um garfo – barbaridade. Só não conseguiu porque Barbara Verônica lutou bravamente e recebeu ajuda dos hospedes vizinhos.
Na DP de Pouso Alegre Andre  Luis sentou-se ao piano e assinou o 129 com tempero de Maria da Penha. A fiança arbitrada pelo delegado foi proporcional ao barraco armado no hotel da terra do Chiquinho… Dois mil reais. Foi dormir de graça no Hotel do Juquinha.
E pensar que tudo começou com um simples choro de um bebê de um ano num quarto de hotel…!!! Daqui a quinze anos quando as drogas baterem à porta, os pais vão perguntar… O que eu fiz de errado…???

Abraçou a Kátia… ça e foi desfilar com o trabuco na cinta

O cidadão Jorge Amâncio do Espírito Santo, 42 anos, morador de Jacutinga anda meio desacorçoado da vida, com o espírito pouco santo… No domingo à tarde ele colocou um trabuco calibre 32 com cinco balas na cinta e saiu para a rua querendo se matar. Para criar coragem, foi até um bar da estação rodoviária e abraçou a Kátia… Um pouco mais relaxado Jorge dispensou ou esqueceu que havia marcado encontro com dona morte e saiu pela rua levando o 32 na cinta. Um amigo oculto da lei, que ouviu a prosa e viu o cabo do reluzente trabuco no boteco da rodoviária, preocupado com o futuro do cidadão desacorçoado, resolveu comunicar o fato à policia. Jorge Amâncio foi abordado a duas quadras dali e acabou fazendo uma viagem forçada até a Delegacia Regional de Pouso Alegre. Ao sentar-se ao piano do delegado de plantão ele explicou que havia achado o trinta e dois num deposito de reciclável em Jacutinga, mas não queria machucar ninguém. Que bom!!!
Depois de assinar o 16 de lei 10.826, Jorge ‘de bem com a vida’ foi se hospedar no Hotel do Juquinha.

Ousadia…!!! Levou meio quilo de maconha para dentro do batalhão e tentou levar para o presidio….

        Semana passada escrevi aqui nesta coluna matéria intitulada: “Liberdade para delinqüir”, abordando a questão do “recuperando” que sai da cadeia para passar datas festivas com a família, visando se ressocializar e aproveita para fazer uma “boquinha” no crime. Pois bem, a dupla “Bruno & Osmar” não me deixa mentir sozinho.

        Na sexta à tarde uma dupla de motoqueiros parou próximo a um latão de lixo na rua Nanuque, atrás do 20ºBPM. Uma mulher saltou da garupa e despretensiosamente depositou seu lixo na lata, falou ao celular por alguns minutos e foi embora. Meia hora depois um cidadão saiu do batalhão pela porta do fundo, recolheu o “lixo” e voltou para o interior do quartel da PM. Nada de mais, afinal tem tanta gente catando reciclável hoje em dia por aí, não é mesmo?

         Não teria nada de mais se o cidadão que foi lá fora não estivesse usando um conjunto vermelho escrito SUAPI nas costas e o lixo dispensado no latão fosse mesmo lixo, mas… eram 400 gramas de maconha, cinco aparelhos celular, quatro carregadores e dois chip’s!!! O mocinho do uniforme vermelho, que cumpre pena por trafico no Hotel do Juquinha e estava prestando serviços numa obra no batalhão, se ressocializando e reduzindo sua pena, voltou para o pátio do quartel, guardou o “lixo” na bolsa e continuou belo e formoso por ali até o fim do expediente.

       Um amigo oculto da lei percebeu o “recolhimento do lixo” e avisou os homens da lei. A esta altura a dupla de “reeducandos” já havia entrado na viatura policial – sem receber revista – e voltava para o Hotel do Juquinha, depois de um proveitoso dia de trabalho. A viatura que conduzia os dois presos e o “Kit presídio” foi alcançada na BR 459 perto do Baronesa, três quilômetros antes de chegar ao seu destino. Pilhado com a mochila recheada de “lixo”, Bruno “pé-de-couve” Oliveira, disse na maior cara dura:

– Eu achei a maconha com os celulares perto do lixo e ia vender no presídio…

         Por causa do pacote de lixo, Bruno Oliveira, que estava quase terminando sua pena, fez uma parada na DP para sentar ao piano e assinar mais um 33 e voltou para trás das grades do hotel do Juquinha, para mais uma temporada de 5 anos e quatro meses.

         A parte hilária desta historia é …??? A testemunha arrolada no flagrante da apreensão da droga, Osmar Plínio Pereira!!! Osmar é o que podemos chamar de ‘p… velha’ no crime. Ele tem 51 anos de idade e foi um dos meus primeiros ‘clientes’ quando ingressei na policia em 1980. Naquela época ele já era figurinha carimbada no ‘fichário’ manual do Inspetor Ângelo, por furtos e desmanches de motos e veículos. Anos atrás, numa busca e apreensão em sua casa no Cidade jardim onde possui vários imoveis, foi necessário fretar um caminhão para transportar tanto “cabrito”… Ele era o parceiro de Bruno no trabalho de ressocialização no 20º BPM. Ao piano do delegado ele alegou que;

– … Eu estava tomando banho, não vi nada…

        Claro que acreditamos que o ‘kit presídio’ pertencia à Bruno Pé-de-couve de 25 anos. Acreditamos também em coelhinho da páscoa… em…

       A propósito de celular, um ‘beija flor’ me disse que o passatempo predileto dos hospedes do Hotel do Juquinha no momento é a disputa para saber quem tem o aparelho celular mais moderno…

         Voltando à parte séria da historia, o embrulho de maconha e celular que entrou no batalhão e seguiu belo e formoso para o presídio, onde entraria sem problemas, pois subentende-se que os presos foram revistados para entrar na viatura policial… Poderia ser um embrulho de 38, .40, ou mesmo uma AK47…

 

“Meninos que vi crescer” – Renê Cabinho… Perdido na curva do rio

Quando o plantonista abriu a porta da delegacia de policia naquela manha gelada de julho de 2001, uma senhora cafuza, de meia idade, ligeiramente obesa entrou levando pelo braço uma adolescente, que a julgar pela cor dos olhos e expressão do rosto, havia passado a noite em claro. Timidamente ela disse que queria registrar queixa de desaparecimento. Julio, seu filho de 17 anos havia saido de casa no domingo à tarde para andar de bicicleta com amigos, segundo ele, e até então não voltara para casa e nem dera noticias.

Ao receber a copia do B.O. com uma fotografia do garoto moreno, robusto e sorridente levei a senhora chorosa para a Inspetoria de Detetives e em poucos minutos eu sabia quase tanto quanto sua mae sobre sua vida. Era bom filho, bom estudante, bom funcionario da bicicletaria do Laercio Amaral no Aterrado, não sofria de nenhum disturbio mental, não era sequestrável, não tinha inimigos, tinha poucos amigos e nenhum deles tinha envolvimento com drogas. Onde estaria Julio?

A mae e a irma do desaparecido foram embora  deixando para tras um completo dossiê, desconsoladas, pois acreditavam que a policia sabia de tudo que acontecia de errado na cidade. Tinham ao menos um alento; Julio não estava preso e nem num leito de hospital ou gaveta fria do IML.

Ligaram no final da tarde, querendo noticias do filho ou sobre o andamento das investigações. No dia seguinte abriram a delegacia novamente. Traziam à tiracolo uma senhora mulata também de meia idade que dizia ser vidente. Mãe e irmã estavam ainda mais chorosas e tristes… por causa das visões e pressagios da vidente. Segundo ela, Julio havia sido assassinado e seu corpo jazia com certeza numa baixada, na beira de um rio, provavelmente atras de uma construção que parecia ser um tosco rancho de pescador.

Aqueles dias, nossa prancheta de O.S. sobre furtos praticados por menores, brigas de marido e mulher, brigas de pés-de-cana, estelionatos e outros crimes sem status, todos pertinentes à nossa ‘equipe de dois’, eu e Fernando Jardim, chefiados pela Delegada Ines Xavier e pelo delegado Edson Vieira, não saiu do armario. Todo nosso tempo de manhã à noite era dedicado ao “Caso Julio”.  Juntou-se a nós o detetive Roberto, que tinha estreita amizade com um amigo da familia do sumido. Se o corpo do jovem adolescente estava na beira de um rio, ribeirão ou corrego, nós os achariamos. Vasculhamos varios trechos das margens do velho Mandu, descemos o Sapucaí da Faisqueira ao Vitorinos, rumanos para o Cervo. Parecíamos Fernão Dias Paes Leme e seus Bandeirantes chapeludos desbravando e mapeando rios… e nada de encontrar Julio. Quanto mais procurávamos sem sucesso, mais a mulata vidente garantia que o bicicleteiro estava morto na beira do rio. Na quinta feira avançamos o horario de almoço checando pistas, informações e visões mediúnicas nas quais nem sempre acreditávamos mas que não podiam ser descartadas e só paramos por volta de quatro da tarde para fazer o relatorio. Cansados, sujos, rasgados, esfomeados, desacorçoados, estavamos desistindo de encontrar o corpo do jovem.

Eram cinco e vinte e cinco da tarde quando o radio da viatura chiou e ouvimos a central chamar;

– Atenção perito de plantão, está em QAP? Encontro de cadaver no aterrado…

Não era preciso ouvir mais nada. Tinhamos certeza… era o nosso morto!!! Chegamos ao local em poucos minutos. Apesar disso, como o dia mais curto do ano se dera como de praxe, no dia 24 de junho, ha menos de duas semanas, tão logo o sol se punha às cinco e doze da tarde, a penumbra começava cair. Seis da tarde no inverno é noite fechada. Muito antes das seis estavamos na margem do velho Mandu, numa faixa de terra de tres ou quatro metros entre o rio o muro do predio do Sesi. Entre os galhos finos e duros de uma daquelas espevitadas arvores ribeirinhas, curvado e com a cara inchada enfiada na mistura de terra com areia de rio, começando juntar formiga, sob a luz tenue da lanterna, estava o corpo do adolescente que tanto procuramos naqueles quatro dias. A vidente estava certa. Ele estava mesmo na beira…

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