Assaltada pelo soldado no final da tarde

O sol acabara de se deitar atrás da serra, quando a dona de casa Maria Gorete da Silva passava pena avenida Joao Beraldo, levando no braço sua tradicional bolsa feminina. De repente dois guampudos pararam na sua frente, um deles colocou a mão por baixo da blusa e fez o classico anuncio…

– Aê, dona, perdeu… Passa a bolsa ou leva uma facada!

Dona Gorete nem pechinchou… entregou logo a bolsa…! Mas tão logo os dois assaltantes se afastaram em direçao ao sul da cidade, ela correu para o leste, ao encontro da policia. Sua bolsa com os documentos e toda parafernália que toda mulher vaidosa carrega, foi encontrada por um policial debaixo de um carro minutos depois. O relógio e o celular, só o pó…

Seguindo a descrição dos meliantes, os policiais desceram ao velho Aterrado e toparam com Adriano Gomes de Sena e Giovani de Souza Pontes da Cruz com pinta de somongós… Com eles estavam o aparelho  celular e  o relógio de dona Gorete.

Mesmo pilhados com a prova do crime a dupla de ladrões pés-de-couve não deu o braço a torcer…

– Achamos o relógio e o celular na rua – disseram os dois.

Depois de assinar o 157 ‘paia’, Giovani foi se hospedar no hotel do Juquinha. Adriano Candido de Sena, 19 anos, morador do Morumbi, ora prestando o serviço militar no 14º GAC, foi se hospedar no velho Hotel “Fernão Dias”. Tão logo seja expulso das fileiras do Exercito Brasileiro, deverá se juntar ao parceiro Giovani…

 

Pedroso finalmente cai nas malhas da lei

O traficante tem mais de vinte anos de ‘estrada’, mas é bagre ensaboado e sempre conseguiu escorregar…

 

Amigos ocultos da lei levaram a policia militar ao final da travessa Jose Antonio Dantas, no velho Aterrado, no final da tarde desta segunda, 23. Em um terreno baldio, um conhecido traficante havia desenterrado e estava picotando, pesando e embalado maconha para distribuir à vasta clientela dos arrebaldes.

Supreendido pelos homens da lei, Antonio Carlos Pedroso, conseguiu se desvenciliar do sargento que o abordou e tentou dobrar a serra do cajuru. Ele pulou muros e quintais, mas finalmente foi detido debaixo da cama de um muquifo a alguns quarteirões dali.

Voltando ao local da frustrada abordagedm os policiais encontraram meio quilo de erva do capeta picotada e em tablete, uma balança de precisão, plástico para embalagem e um facão que ele usava  para cortar a droga.

Antonio Carlos Pedroso, 42 anos, foi preso pela primeira vez por envolvimento com drogas em 1990. Há tempos ele está na agenda da policia civil, mas como guarda a droga em locais inusitados, tem conseguido escorregar pela grades da lei. Ontem, mesmo sendo pilhado com a mão na massa, Pedroso jurou de pés juntos que não tem nada a ver com a droga apreendida pelos policiais.

Inocente ou culpado?

A.C. Pedroso agora mora no Hotel do Juquinha…

Alquimia no Aterrado!!! Pedra vira cana …

Jose Maria da Silva, 26 anos, já vivei maritalmente com Lucimara da Rocha. Mas separaram os cobertores porque brigavam muito. Madrugada de domingo no velho Aterrado, ele esta numa tremenda fissura. Sabendo que a ex-amasia não está em casa, na Rua Antonio Paulino, Zé Maria resolve fazer-lhe uma visita. Quem sabe ela esqueceu alguns trocados de bobeira por lá… Entra por uma janela que está apenas encostada, revira suas coisas. Não encontra dimdim para comprar a droga. Passa a mão leve no aparelho DVD e no celular e vai embora.

Na rua Nova mora Elem Cristina Delgado, a Baiana, 40 anos. Ela costuma ter umas pedras de reserva em casa. A madrugada continua escura e gelada… e a fissura aumentando. Jose Maria bate na porta e a muito custo Baiana põe a cara dormida e mau humorada para fora…

– Alivia aí, Baiana! Preciso de uma pedra… – diz ele

– Aqui não é asilo não, Zé… Você tem dinheiro?

– Tenho um DVD…

Ao notar a janela da casa aberta e notar a ausência do dvd e,  Lucimara deduziu logo quem o autor do furto. Chamou a policia e deu logo o nome do ratão. Ele foi preso minutos depois e deu o serviço. Quando os homens da lei bateram na porta da casa da Baiana ela não se fez de rogada…

– Eu não sabia que o DVD era roubado.!

Ao delegado de plantão Baiana explicou que não é traficante…

– Eu sou usuária. Comprei uma pedra para usar, mas como o nóia estava insistindo muito, eu quebrei no meio e dei metade para ele… em troca do DVD!

Jose Maria o fissurado que furtou a casa da ex, assinou um 155, cuja pena varia entre 1 e 4 anos e só foi morar no Hotel do Juquinha porque não tinha R$ 700 para pagar a fiança. Elem “Baiana” Cristina, por uma pedrinha dividida ao meio, assinou o 33 e por receber produto de furto assinou o 180. Somando as penas, ela poderá ficar de 6 a 19 anos no Hotel do Juquinha.

Ah, o celular?  Só o chip ficou no bolso do Zé. O aparelhinho foi trocado por outra pedra com um desconhecido!

O ultimo charreteiro

Ele tem 77 anos de idade. Estabeleceu-se como condutor de veiculo de tração animal em 1958 e apesar de há muito ter criado os seis filhos e conquistado a justa aposentadoria, continua conduzindo sua charrete, atualmente puxada pela dócil e pacata eguinha branca com nome de Rainha. Há mais de cinquanta anos transportando comerciantes do mercado municipal, donas de casas com suas sacolas de verduras e legumes e turistas saudosistas, João Barreiro tem muita historia de ‘taxista’ para contar.

– Meu pai era charreteiro… Eu já nasci charreteiro. Ainda moloque comecei trabalhar com charrete. Tive ponto aqui perto do mercado, na Dr. Lisboa, depois voltei para cá. Na época a cidade tinha cerca de 3o mil habitantes e mais de 60 charretes – conta com saudade o velho charreteiro.

– O que você viu que mais te chamou a atenção nestes 50 anos?

– Conversei até com assombração… Certa vez eu estava voltando para casa, era umas onze horas da noite, quando  dobrei a Remonta para chegar na Vendinha, um homem de branco emparelhou com o varal da charrete e continuou correndo ao lado do cavalo, a galope. Ele estava vestido de branco, de chapéu… Eu conhecia ele. Era o Helio, gente boa… tinha morrido há vários anos. Como ele não saia de perto da charrete eu perguntei:  “ Ô Helio, você está precisando de reza? Ele não respondeu mas largou o varal da charrete e subiu num barranco na beira da estrada. Eu rezei o Pai Nosso e o Salve Rainha… De repente ele foi evaporando, virou uma pomba branca e saiu voando… Nunca mais vi! – Conta João, como se tivesse ‘vendo’ o vulto branco ao lado da charrete, naquele longínquo inicio de anos 60.

– Outra vez eu estava levando uma senhora para casa, no São João, com uma menina de uns seis anos no colo. Elas estavam voltando do medico… De repente a menina deu um suspiro e amoleceu no colo da mãe. Parou de respirar. Morreu na minha charrete!

Alguns anos depois ele se viu envolvido em mais uma historia tétrica… de charreteiro!

– Eu tava aqui no ponto, perto da oficina do Toquinha, quando o oleiro Pedro Olegário chegou e pediu para levar ele no Aterrado para socorrer um empregado dele, que trabalhava no olaria. Ali só havia a avenida principal, sem calçamento e uma meia dúzia de beco que acabava de repente na vargem. Antes nós paramos na funeraria Ferraciolli e ele comprou um caixão!!! Depois nós paramos num barzinho perto da ponte, ele pediu duas pingas, bebeu uma e ofereceu pra mim beber também. “Eu não costumo beber em serviço, falei pra ele. Mas ele insistiu… Beba, você vai precisar”!!  O Aterrado estava todo alagado. A enchente estava começando baixar. No olaria chegamos com a água pela cintura… Com muito jeito colocamos o morto no caixão. Fazia 8 dias que ele tinha morrido, mas a água gelada conservou seu corpo… Nãoa tinha cheiro – ruim – nenhum. O difícil foi trocar a roupa e lavar ele… Estava todo duro. Aí eu lembrei de uma coisa que meu pai me contava… Se você precisar mexer com um morto, converse com ele, peça licença… Eu comecei conversar, ele foi amolecendo, ficou mole… Eu e o ‘seu’ Pedro demos banho e levamos ele para o necrotério, na charrete.

João Barreiro passou mais de cinqüenta anos conduzindo a trote lento seu veiculo… Poderia passar mais cinqüenta, com os olhos brilhantes e marejados contando suas  historias na esquina do centenário mercado na Duque de Caxias!

– Hoje eu trabalho poucas horas por dia. Um carreto custa entre 7 e 10 reais. Chego aqui onze horas da manha e cinco, cinco meia vou embora tratar da Rainha. Se ela faz necessidade aqui no ponto, na mesma hora eu recolho o estrume. Nem dá cheiro. Ainda tem fregueses que pede para levar em casa, para passear pela cidade. O Paulinho Toureiro  – morto há vários anos – foi meu freguês muitos anos. Mas o bom mesmo era quando a zona – boemia – era ali na David Campista! As madames – prostitutas – toda tarde vinha no mercado e depois nós íamos levar elas para casa. As vezes a gente saia passeando pela cidade. Elas gostavam de andar de charrete e pagavam bem…

– Qual a maior alegria?

– Tudo era alegria… Acho que a maior foi criar meus filhos tudo honesto, com meu trabalho e ter tanta amizade…

– … E a maior tristeza?

– Não tem. A vida é muito boa… – Ele responde sem pensar mas desvia os olhos de mim, olha para o vazio e acrescenta:

– Acho que a maior tristeza é que isso está acabando. Já tentaram acabar de uma vez com as charretes. Mudaram nós de lugar muitas vezes, fizeram pressão… Eles acham que nós estamos enfeiando e sujando a cidade! Nas cidades turísticas como São Lourenço, Poços de Caldas, ainda tem um tanto de charrete. As crianças de hoje não sabem o que é isso… – E com uma pitada de revolta acrescenta:

– Charrete faz parte da historia de Pouso Alegre, é tradição… não pode acabar!

Mas está acabando!

Nos ultimos dez anos apenas João Barreiro de 75 e Tião de Melo, de 62 anos, estão em atividade, preservando a tradição. Ele conviveu com o pai também charreteiro Chico Barreiro, Dito Poteiro,  Sebastião Daniel, Pé-de-Vento, o charreteiro das madames, todo arrumadinho, perfumado e de óculos escuros, o Guarda Louças, aquele que levou o corpo de Jacira, quando seu namorado Jesus Damasceno a matou, dando origem ao Beco do Crime e tantos outros. A maioria já foi se encontrar com o “Helio da Remonta” a muito tempo!

A tradição das charretes de Pouso Alegre está por um fio… ou dois. Há mais de dez anos nenhum novo charreteiro se estabeleceu na praça…

Recentemente o prédio do antigo fórum na Praça Senador Jose Bento foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural. O centenário Mercado Municipal também acaba de ser tombado pelo mesmo instituto, como Patrimônio Imaterial do Município.

Este é um bom momento para que a Secretaria Municipal de Cultura valorize e incentive os dois últimos charreteiros do municipio, João Barreiro e Tião de Melo e incentive novos charreteiros à continuar a centenária tradição das cherretes.

Se nada for feito agora para preservar a tradição, em poucos anos charretes e charreteiros só vão existir na memória e  aqui… no blog do Airton Chips.

PM intervem em assalto e mata ladrão em Pouso Alegre

Atendendo solicitação do promotor da Infância e Juventude de Pouso Alegre, “guardião do ECA”, estamos protegendo a identidade do assaltante morto em ação na terça feira,03.

 Fazemo-lo muito a contra gosto, não com a solicitação do zeloso Representante do Ministério Publico, mas com a lei falha, que protege a identidade do meliante, quando deveria ao contrario, mostrá-lo à sociedade, para que possamos nos precaver e nos proteger de suas ações malignas e criminosas. Até porque o assaltante em questão tinha escola em casa – dois irmãos presos por trafico e outros delitos – e estava na ‘caminhada criminosa’ já a um bom tempo, embora em tenra idade.

Mas… lei, ruim, inócua, insipiente, absurda ou não…é lei! Devemos cumpri-la.

Zezinho morreu no terceiro assalto…

Hora errada, lugar errado… Ao anunciar o assalto ao frentista do posto, os assaltantes não perceberam que do outro lado da bomba havia um policial, pronto para intervir… Pior, ao ver o trabuco apontado para suas caras, tentaram atirar e fugir…

Ao deixar sua casinha simples no bairo Vista Alegre ontem à tarde, F.J.S. N., o franzino Zezinho não imaginou que nunca mais voltaria para lá. Meia hora depois ele encontrou o amigo e parceiro de crimes J.M.S. de Freitas, residente no vizinho bairro Jardim Amazonas e foram para o centro da cidade, escolher uma vitima. De preferência alguém longe de casa, para dificultar o reconhecimento, embora pretendessem esconder o rosto na hora de mostrar a arma.

Planejaram tudo nos mínimos detalhes. Tinha que ser um local onde houvesse bastante dinheiro. Tinha que ser local de pouco movimento, para evitar complicações. Tinha que ser no momento em que os homens da lei trocam de turno e as ruas ficam ‘limpas’, assim o risco seria menor. Escolheram o Posto do Agenor, na Perimetral, do outro lado da cidade, às sete da noite, uma hora antes de fechar. O local tinha ainda mais um fator favorável… Um tia de J.M.S. mora ali perto, assim poderiam realizar o roubo e correr para lá, onde poderiam ficar até a manhã seguinte esperando a poeira baixar. Plano perfeito. Era só apontar o Rossinho 22  lustroso e exigir o dim-dim. Só esqueceram de combinar o plano com os policiais que estão saindo do serviço…

No momento em que estavam passando a sacolinha pelo caixa, o imprevisto apareceu… Um veiculo particular com dois policiais, que acabavam de deixar o turno de serviço, encostou para abastecer.

Ao perceber a movimentação e os gritos de “perdeu, perdeu…” o policial A.A. 35 anos, não teve duvida; era um assalto. Teve calma para seguir o procedimento padrão; protegeu-se, sacou o trezoitão, apontou e deu a ordem:

– Pare… é a policia!

Os dois garotos de 16 anos não haviam planejado esta parte… Pegos de surpresa viraram-se para o policial com a arma na mão…

Dois tiros foram disparados pelo policial. Um acertou o braço, o outro atingiu o peito frágil do franzino Zezinho. Enquanto ele caia mortalmente ferido, J.M.S. tentou fugir numa moto de uma funcionaria – que escondeu a chave – dobrou a serra do cajuru enfurnando-se na penumbra da noite no bairro São Jose.

F.J. S. N., morador da Beija Flor, não viveu nem o suficiente para saber que o inseparavel parceiro seria preso minutos depois debaixo das cobertas na casa da tia, há poucos metros dali, depois esconder o revolver usado no assalto sob o telhado da casa vizinha.

O dinâmico, atento e comedido cabo A.A., que alvejou letalmente o assaltante juvenil e evitou o roubo ao posto, foi indiciado em Inquérito Policial Militar, pelo 20º BPM e responderá por homicídio, com as excludentes de criminalidade previstas em lei. Ele já retornou às suas atividades normais

Segundo J.M.S. de Freitas, este foi o terceiro assalto praticado pela dupla. Quando foram ‘apreendidos’ no dia 17 de janeiro do ano passado, no segundo assalto, foram condenados a 13 meses de internação em Casa de Tratamento e Custodia do Estado. Inicialmente ficaram seis meses no Hotel do Juquinha. Depois Zezinho foi transferido para Divinópolis, onde cumpriu ‘de ponta’ sua ‘condenação’. Ele, J.M.S., depois de cinco meses, foi transferido para a antiga Febem de Sete Lagoas. Seis meses depois ganhou a famosa “saidinha” de sete dias e não voltou mais para a prisão. Foi preso mediante mandado no mês passado. No entanto ficou apenas uma semana em cana e ganhou o alvará para retornar à liberdade… e ao crime.

Com o inseparável parceiro Zezinho, cairam no terceiro assalto.

O dinâmico, atento e comedido cabo A.A., que alvejou letalmente o assaltante juvenil e evitou o roubo ao posto, foi indiciado em Inquérito Policial Militar, pelo 20º BPM e responderá por homicídio, com as excludentes de criminalidade previstas em lei. Ele já retornou às suas atividades normais.

Tia ameaça matar adolescente…

Um pequena discussao por causa do sumiço da memoria de um celular, será lembrada por muito tempo pela jovem Ana Paula da Silva Oliveira.

Ela entrou em atrito com o sobrinho W.V.S.S. de 14 anos no final da tarde de ontem, na rua Padre Natalino, no velho Aterrado. O garotão chamou a policia e disse que estava sendo ameaçado pela tia com facas e um revolver.

Quando os homens da lei chegaram, Ana Paula confirmou a discussão, mas negou as ameaças…

– Pode revistar minha casa. Se tiver alguma arma aqui dentro vocês podem me levar presa… – Disse ela.

… Desde o pé da noite de segunda, 25, a jovem de 23 anos está morando no Hotel do Juquinha…

Na beira da cama do seu quarto estavam duas faconas grandes, de cozinha e envolto em um cobertor o revolver Taurus 32 enferrujado, com seis azeitonas prontinhas para vomitar. Ao sentar-se ao piano e assinar o 16 da 10.826, Ana Paula se limitou a dizer:

– Não sei como esta arma veio parar aqui…!!  

Assim era Bogê…

Terminou na semana passada a Copa Bogê de futebol amador, realizada no campo do Bangu, no velho Aterrado. O evento organizadado pelos boleiros Luiz, Braizinho e Bofinho, contou com a participação de 16 equipes da cidade. O caneco ficou com Bangu A.C. um dos mais antigos e tradicionais clubes de futebol amador de Pouso Alegre. A copa homenageou o boleiro Jesus Bento de Souza, o Bogê, morto aos setenta anos e um dia, em 2010.

Mas quem foi Bogê???

Conheci Bogê numa manha fresca de agosto de 1982. Quando cheguei para trabalhar na velha delegacia da Silvestrre Ferraz, o saudoso Inspetor Ângelo – impossível mencionar o nome do policial Ângelo Augusto de Freitas, falecido na manha do dia 05 de outubro de 2004, sem mencionar saudade. O velho Angelo fez do serviço publico sua religião. O trato com as pessoas, com seus superiores, com seus subordinados, sua simplicidade e seriedade na busca da solução para o problemas dos outros tornaram o Inspetor Ângelo numa pessoa impar na policia – conversava com Bogê. Quando terminei de assinar o “ponto” ele olhou para mim e disse:

– Chips, vá com o Bogê ao bairro dos Vitorinos… Ele achou a canoa dele lá e precisa de apoio policial para trazê-la de volta. Não se preocupe em apurar o furto. Basta recuperar a canoa…

Bogê olhou para mim com os olhos vivos e curiosos e deve ter pensado: “Será que este moleque dá conta de trazer esta canoa, do bairro dos Vitorinos!?”.

Durante décadas o bairro dos Vitorinos, município de Silvianopolis, divisa com S.S. da Bela Vista, margeando todo Rio Sapucaí, entre os bairros do Sitio e Água Quente, ostentou a fama de ser o mais violento da região. Povo de sangue quente e língua curta. De pouca prosa. Treleu não deu, quem fala é a lapiana numero 9 ou o trinta e dois.

A canoa do Bogê fora furtada nos fundos de sua casa no Rio Sapucaí, no bairro de Fátima. Um oleiro conhecido seu havia reconhecido a canoa amarrada na beira do rio, lá no bairro dos valentões, 30 quilometros rio abaixo.

Fomos num caminhão basculante que traria areia e a canoa. Atravessamos o rio e saímos numa pequena fazenda no bairro dos ‘perigosos’. Contrariando a orientação do Inspetor Ângelo, chegamos até o curral onde um velhote de sessenta e poucos ordenhava uma malhada holandeza, escoltado por um grande cão mestiço passtor alemão. Ele só nos deu atenção quando eu afastei a jaqueta jeans deixando aparecer o cabo do velho HO enferrujado na cinta. Mesmo assim respondeu resmungando que não possuía canoa e nem conhecia ninguém por ali que tivesse uma. Era um autentico “Vitorino”…  O velho Ângelo, que em 82 ainda não era velho, mas tinha muita experiência de vida, estava certo. O que importava era trazer a res furtiva do Bogê de volta. Cortamos a corrente que a prendia ao pé de um ingazeiro, colocamos na caçamba basculante e voltamos para casa. Naquele resto de ano nunca mais faltaria peixe na mesa do Ângelo e na minha. Bogê, pescador nas horas vagas ficou eternamente grato. Ele mesmo relembraria e recontaria esta historia dezenas de vezes.

Apesar da aventura perigosa da canoa no bairro dos valentes Vitorinos, nossos passos se estreitaram  a partir de 85, através da verdadeira paixão do Bogê: o futebol.

Quando ressucitamos a Liga Esportiva de Pouso Alegre, Bogê reapareceu com sua verdadeira roupagem; técnico de futebol. Montou, ao lado do Herondi Chagas, a A.A. de Fátima, clube que se rivalizaria com o tradicional Juventus do Zé Maria. Com vários jogos de uniformes na cores Vermelho e Branco, o time do Bogê era o mais vistoso da cidade. Foi o pioneiro em torcida feminina organizada. O barranco do Estádio Minduinzão, na beira da linha, no Fátima, nunca mais seria o mesmo depois do time do Bogê. A galera era tão animada que virou time de futebol feminino!!

Apesar de toda animação, de todo colorido e da experiência futebolística do Bogê, a A.A. de Fátima não chegou a colecionar canecos. Teve vida efêmera, durou poucos anos.

Mas o boleiro apaixonado não pendurou as chuteiras. Aliou-se ao rival Juventus e foi mais feliz com a camisa grená. No entanto, a marca do extrovertido ponta direita e sempre alegre e sonhador treinador de futebol, ficaria gravada para sempre nos anais da historia do futebol amador de Pouso Alegre, com outras cores, em outro clube… o São Geraldo.

Bogê mudou-se com a família para o velho Aterrado nos idos de 90. Apesar de o futebol da cidade na ocasião caminhar cambaleante pelas sombras, Bogê foi ousado e inteligente. Criou um novo clube no velho Aterrado e deu-lhe um nome que homenageia o bairro… São Geraldo F.C.. Conseguiu levar para o clube boa parte da nata do futebol amador da cidade tais como Bedeu, Helinho do Sebo de Gato, Teobaldo, o goleiro Batavo, Gelo, Kalu, Aguinaldinho, Kiki, Pelota, Porção, Clovis Bento, Deley… Conquistou vários títulos. O mais importante caneco levantado pela equipe alvi-negra do São Geraldo, ‘cover’ do Santos, time do coração de manteiga do extrovertido Bogê, foi o de campeão da Copa Sesquicentenário de Pouso Alegre, evento disputado no Estádio do Mandu com mais de 200 clubes participantes. Este só o São Geraldo tem…!!

Tendo nascido em Pouso Alegre, mas morado em São Paulo até ’75, onde se casou e enviuvou, Bogê chegou a dirigir o Monte Negro de Osasco, time da terceira divisão, na época. Em um jogo de campeonato contra o Aparecida, seu time perdeu por 3×1. Mas não perdeu a pose. Sacoalhou e orientou sua equipe até o ultimo minuto. Ao ver o treinador na beira do campo, tentando incentivar seus jogadores, um repórter se aproximou e perguntou:

– Jogando aqui na ‘terra santa’, perdendo de 3 x1 aos 44 do segundo tempo… o senhor acha mesmo que dá para virar o placar???

Bogê respondeu no estalo, apontando para o placar manual no fundo do estádio:

-Dá… É só subir naquela escada e virar o placar…!!!

Numa outra tirada, já dirigindo seu orgulhoso São Geraldo, seu fiel escudeiro e co-fundador do time, o atacante Deley, perdendo o jogo, de dentro do campo insistia;

– Mexe no time, Bogê, mexe no time…!

-Só se eu tirar você, que é o mais fraco do time!!! Respondeu Bogê. E o jogo continuou.

Assim era Bogê… Simples, humilde, corajoso, responsável e extramamente bem humorado. Nada o fazia perder as estribeiras. Nem uma sonora goleada sofrida pelo seu time. Na véspera dos jogos mais importantes saia de casa em casa dos jogadores, à pé ou de bicicleta, relembrando seus atletas do compromisso e da importância do jogo.

– A cachaça do meu pai era o futebol – diz o filho Clovis Bento –  que no auge da juventude foi um craque no meio campo – com os olhos nadando de saudade do velho boleiro.

Tiriça, seu apelido de jovem ponta direita ou Bogê, pode não ter ganho todos os jogos que disputou, mas… Ganhou de goleada da vida!

Saudades, velho pescador…

 

Maria da Penha leva nóia para o Hotel do Juquinha

Alguém aí se lembra do famoso artigo 16 da extinta e charmosa Lei 6368/76?

Refresque a memória: Dizia o seguinte: “Adquirir, guardar ou trazer consigo para uso proprio, substancia entorpecente ou que cause dependência fisica ou psiquica”… etc, etc. “Detenção de 6 meses a 2 anos”.

A famigerada lei mandou muito jovem cidadão promissor na vida para o velho hotel da Silvestre Ferraz, no tempo em que superlotação prisional era coisa de cidade grande…

Em agosto de 2006 ela foi substituida pela Lei 11.343. Seu artigo correspondente agora é o 28, que diz: “Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:

I – advertência sobre os efeitos das drogas;

II – prestação de serviços à comunidade;

III – medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

…………

§ 7o  O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado” – Mentira deslavada!!! O poder publico não atende direito nem velhinhos hipertensos e diabéticos e os pacientes portadores de outras doenças do cotidiano, muito menos os que buscam a doença da droga com as próprias mãos…!!!

… E por aí vai. Ou seja, o caboclinho que consome a droga e, entre outras reações, entra em paraNóia, sofre as sanções acima descritas… Que não dá mais cadeia!!!

A menos que… Sob efeito da droga ele cometa outros crimes, inclusive o de tentar arrancar o pescoço da irmã e espezinhar o pai para conseguir dinheiro para aplacar a fissura!!!

Este foi o caso do cidadão Lincon Roberto Brandão, morador do velho Aterrado. Ele tem 34 anos e a mais de dez  caiu no mundo das drogas. Desde a madrugada desta terça ele vinha infernizando a família para que lhe dessem dinheiro para saciar o vicio. De manhã foi pra rua. Pediu, implorou, mendigou, mas… necas de catibiribas! Sem dim-dim ou um celular, um radio, uma bicicleta, uma moto ou  outro objeto de troca… não há drogas!

Às dez da manhã Lincon voltou a atormentar a família. Foi ao boteco do pai, pegou a irmã Daniele Rodrigues pelo pescoço e jurou que separaria sua cabeça do corpo se ela não lhe desse dinheiro para drogas.

– Me dê o dinheiro, eu quero pedra… – dizia desesperado!

O pai, Luiz Roberto de Lima Brandão, naturalmente tentou salvar a filha das garras do filho fissurado mas acabou estatelado ao chão após um violento empurrão.

Os homens da lei foram chamados e o nóia desceu com pulseiras de prata no taxi do contribuinte para a DP. Tanto a irmã com o pescoço ardendo quanto o pai, meio esfolado, manifestaram expressamente o desejo de processar Lincon pelo crime de lesões corporais, de acordo com a Lei Maria da Penha. Ele até que poderia se livrar solto para responder o processo em liberdade, mas quem não tem 5 pratas para comprar uma pedra bege fedorenta, não tem R$622 reais para pagar a fiança. O que a nova lei antidrogas não fez, Maria da Penha fez… Mandou o nóia para o Hotel do Juquinha.

Esta é a triste rotina de famílias, cujo jovem filho ou filha, numa curva qualquer da vida conheceu, experimentou e abraçou a droga… E tem incautos que ainda acha que deveria ser liberada!!!

 

Pouso Alegre chega ao 5º homicídio em 2012

Com a criminalidade em baixa nas cidades que circundam Pouso Alegre, apenas roubos de celular,  embriagues ao volante, distribuição de suco de gerereba para ‘dimenor’ e outros delitos pequenos marcaram o fim de semana com feriadão de Corpus Cristi, exceto….!!!

A Delegacia de Crimes Contra a Vida assumiu na manha desta segunda, 11, as investigações sobre o homicídio ocorrido no bairro Colinas dos Bandeirantes, na madrugada de sábado.

Homem de 22 anos é morto com 5 tiros (Reprodução EPTV)

Jorge, o jovem que recebeu os três tiros sem chance de defesa, dentro de sua propria casa, pode ter sido o mesmo que na madrugada de quinta invadiu uma casa no bairro e apos roubar 700 reais e um DVD, tentou estuprar a dona da casa. Não conseguiu executar o hediondo crime, porque foi surpreendido por um tio da vitima que chegou casualmente ao local buzinando seu carro.

Caso se confirme a autoria do crime, a motivação estará explicada, ou vice-versa: justiça pelas próprias mãos.

A qualquer momento estaremos divulgando os detalhes das investigações encetadas pelos pupilos do zeloso delegado Gilson Baldassari.

Empresario de Pouso Alegre é assassinado a tiro e esquartejado pela esposa

O empresário Marcos Kitano Matsunaga, 42 anos, gerente proprietário da empresa alimenticia Yoki, com filial no Distrito Industrial de Pouso Alegre, foi assassinado pela esposa Elize Araujo Matsunaga, no interior do apartamento do casal em São Paulo. Depois de matar o marido com um tiro de pistola 765 na nuca, Elize arrastou o corpo para o quarto da empregada – que dispensara – e o esquartejou. As partes serradas do corpo, Elize colocou em sacos plásticos previamente comprados para este fim, colocou em malas e pela manhã deixou o apartamento para jogar os pedaços do corpo no mato. Abandonou os sacos nos arredores de Cotia, há 40 km de São Paulo, onde foram encontrados no dia 27 de maio.

O mega-empresario, cuja empresa do ramo de alimentos acaba de ser vendida para uma empresa americana por R$2,2bilhoes de reais, estava desaparecido desde o dia 20 de maio. Ele fora visto pela ultima vez na véspera, às sete da noite do dia 19, quando desceu do apartamento para pegar uma pizza. Seu desaparecimento foi registrado na policia, pelos seus parentes, no dia 22.

No dia seguinte ao sumiço do empresário, sua esposa Elize, 38 anos, foi vista saindo do predio de manhã, com três malas com rodinhas. Ela só voltou para casa no final da noite.

Mulher do executivo, presa desde a noite de segunda-feira (Foto: Carlos Pessuto/Futura Press/AE)

Elize, que tinha formação de enfermeira, curso de direito e fazia cursos de tiros com o marido, teve a prisão temporária decretada e foi presa na segunda feira. No soturno apartamento onde matou e esquartejou o marido, enquanto a filhinha de um ano dormia, a policia encontrou evidencias do crime tais como sacos plásticos com tarja vermelha, semelhante aos que continham os pedaços do empresario, encontrados na beira da estrada de Cotia.

Se declarando desde o inicio, inocente, ao sentar-se ao piano do manjura no final da manhã desta quarta, 06, a assassina confessou e contou com detalhes o macabro crime. A motivação teria sido o ciúme exacerbado que sentia do marido. Elise achava que Marcos, com quem estava casada há dois anos, a estava traindo e chegou a contratar um detetive particular para investigá-lo.

O que chama a atenção neste crime brutal, não é tanto a frieza,  mas a estupidez em achar que ficará impune, que não seria descoberta….

Na tentativa de cometer um crime perfeito, dando sumiço no corpo do marido, a jovem, bonita, milionária e… burra, cometeu três falhas grosseiras.

Primeiro: sumiu com o corpo dentro do prédio, vigiado 24 horas por câmeras;

Segundo: saiu do prédio de manha carregando três malas grandes e voltou horas depois sem as malas…

Terceiro: Na segunda feira, antes de ser presa, fez entrega espontanea das armas do marido à Guarda Municipal. Uma delas, a mesma que disparou a bala assassina, que deverá ser periciada pela balística. Sem contar que dispensou a empregada e a babá na noite do crime! Só faltou doar as roupas do morto para um bazar…!!!

Podia ao menos ter “pintado o cabelo de preto” antes de aparecer para todo o Brasil diante das cameras. As loiras agradeceriam…!