Os ladrões estão formando – quase – quadrilhas para furtá-las na madrugada! Mas não lucram nada com isso…

O trio de gatunos estava determinado a furtar as bikes…
Nos anos 80, 90, o alvo predileto do meliantes pés-de-couve eram toca-fitas – TKR cara preta – e bicicletas. O destino da rês furtiva eram as lojas de fachada dos intrujões, que pagavam pelos produtos um terço do preço, e vendiam pelo dobro do valor pago. Era um bom negócio. Quando eram descobertos, juravam de pés juntos, até choravam – lágrimas de crocodilo – que não sabiam que o produto era roubado.
No início do século XXI as bicicletas saíram de cena. Os toca-fitas saíram até do mercado. Já na segunda década do século, com a modernização dos celulares, eles se tornaram a menina dos olhos dos meliantes de plantão. Mais recentemente as bicicletas voltaram a despertar o interesse dos meliantes.
Os celulares têm duas utilidades básicas para os bandidos: alimentar os presídios e, serem trocados por drogas nas biqueiras!
As magrelas seguem na mesma esteira… servem para trocar por drogas ou então para fazer ‘correria’ nas bocas de fumo, principalmente na ‘baixada do Mandú’.
Hoje tem bicicletas de todo preço; desde R$550 a R$55 mil reais. Ou até mais. Um amigo meu tem uma que custou vinte mil. Meu funileiro pagou R$ 49 mil na dele.
“Pior que no Brasil não tem seguro para bicicleta. E a minha nem número gravado tem, pois é de fibra de carbono. Por segurança ela dorme comigo no meu quarto…”, diz o funileiro apaixonado por bike.
A minha, uma Baccini, custou um mil e duzentos reais, 3x no cartão… com 20 anos de uso! Pertenceu a um professor de educação física…
Mas se você possui uma bicicleta abaixo de mil reais, fique tranquilo… Os meliantes estão interessados nas que custam mais do que isso. Não tanto pelo valor de troca por drogas na ‘baixada’, pois tanto a de quinhentos reais quando a de três mil reais, não passam de meia dúzia de pedras ou quatro ou cinco barangas de farinha! O objetivo maior é pedalar uma bike cara, ainda que seja apenas para fazer o ‘corre’ na vargem, ainda que o larápio tenha que raspar a pintura nova, até então mantida com flanela pelo antigo dono ou, trocar peças para dificultar a identificação. Andar numa bicicleta de cinco, seis mil reais, mesmo que suja, empoeirada e toda f… dá status no meio da bandidagem.
O último furto significativo de bicicleta em Pouso Alegre aconteceu no dia 24 de junho, no bairro Fátima III. Os larápios furtaram três bicicletas num mesmo prédio. Essas até que eram baratas: Uma custou R$ 1 mil, outra R$1,6 e a outra R$ 2 mil reais.

Bike marca Oxer cinza: R$ 2 mil
Para entrar no prédio onde estavam as magrelas, devidamente presas com cadeados, os três ratões da madrugada agiram como profissionais: retiraram o pino do portão eletrônico, entraram na garagem, cortaram as correntes que prendiam as bicicletas e dobraram a serra do cajuru pedalando as magrelas. O alicate usado para cortar o cabo de aço que prendia as bicicletas foi encontrado numa caçamba de lixo na manhã seguinte.

Bike preta e vermelha marca Oggi: R$1,6 mil
Segundo a dona de duas das bikes roubadas, dias depois a polícia militar chegou a abordar um ‘cracudo’ pedalando uma das bikes roubadas, na baixada do Mandu. A bicicleta era a da vizinha, mas estava com a seleta da bicicleta do seu marido. A numeração raspada não conferiu com a Nota Fiscal dela, por isso a ‘magrela’ já toda magrela mesmo nem chegou a ser apreendida…

Bike marca Mormaii, azul: R$ 1 mil.
O furto cometido pelo trio no Fátima III foi triplamente qualificado – cometido às três horas na madrugada, portanto durante o repouso noturno; com rompimento de obstáculo – retirada do pino do portão e corte das correntes que prendiam a res furtiva; e, com o concurso de três pessoas, crime que contempla os meliantes com penas que podem chegar a 8 anos de estadia gratuita no Hotel do Juquinha! Tudo isso para furtar bicicletas! Que não rende mais do que meia dúzia de pedras beges fedorentas numa boca de fumo qualquer! Ou, para pedalar pelas ruas poeirentas ou vielas da baixada do Mandú até serem jogadas num canto qualquer como um brinquedo que perdeu a graça ou, como se fosse um bagaço de laranja…!
…As vítimas, no entanto, terão que desembolsar mil e seiscentos, três mil, cinco mil, sete mil reais se quiserem ter outra bike semelhante!



















