Cão de guarda latindo no meio da madrugada, só pode ser duas coisas… – pensou o caseiro Paulo Henrique Dias – Ou está vendo assombração ou está vendo ladrão! Antes fosse assombração! Bastaria acender uma vela, rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e um “cremdeuspai”, fazer o ‘sinal da cruz’, virar para o canto e dormir…! Mas era Ladrão!!! E não era a primeira vez!

Quando o caseiro Paulo Henrique foi arrancado dos braços de Morfeu pelos insistentes latidos do inquieto e inteligente Border Collie às duas da madrugada desta segunda, na fazenda Mãe-Vó, no bairro Anil, próximo de Careaçu, ele pensou logo no pior!
– Estão roubando as ovelhas… de novo!
E estavam mesmo. O lobo mau já havia separado 30 ovelhas no corredor e se preparava para cortar o arame farpado quando o inteligente cão avisou o pecuarista. Paulo Henrique, que já estava alerta por causa dos últimos furtos, chamou o vizinho Ronaldo Cesar Fernandes e colocaram o lobo para correr. Não se contentaram em evitar o furto. Pegaram o carro e saíram em perseguição ao ladrão de ovelhas enquanto ligavam para a policia.
A perseguição terminou no bairro Belo Horizonte, na entrada de Pouso Alegre, quando a saveiro branca do ladrão, com os dois pneus furados e rasgados, não conseguiu mais rodar. Ao descer da caminhonete para entrar na floresta, à pé, lobo mau teria mostrado os dentes para o pecuarista e seu vizinho…

– Eu achei que ele estava armado e ia atirar, por isso de um tiro na traseira da saveiro, mesmo assim ele fugiu – Contou Ronaldo Cesar.
Quando a policia militar chegou ao local para tentar localizar o ladrão de ovelhas e viu a caminhonete baleada, quis saber a respeito do tiro e da arma. Não teve como tapar o sol com a peneira! Ronaldo acabou entregando o revolver Taurus 38 com o qual havia atirado na direção do ladrão.

Desta vez as ovelhinhas escaparam da faca…
Como estamos no Sul de Minas e dona lei – ainda que nem sempre eficiente – não permite que os fazendeiros defendam suas propriedades e suas ovelhinhas à bala, Ronaldo Cesar foi sentar-se ao piano do delegado Bruno Lopes na delegacia de Pouso Alegre.
– Desde que começamos a criação de ovelhas na fazenda, já fomos roubados diversas vezes. Sumia sempre quatro ou cinco cabeças… No começo pensamos que talvez algum cachorro estivesse matando, mas aí começamos achar couro, cabeça e pés na propriedade! Percebemos que os ladrões abatiam as ovelhas no local, por isso ficamos atentos. Com a fuga de hoje, o ladrão deixou para trás as ferramentas que usaria para abatê-las… – Contou desolado o empregado da fazenda Mae-Vó, Paulo Henrique Dias.

A ”azeitona” continua incrustada na traseira da Saveiro de Mogi Guaçu…
– O que vai acontecer com o pecuarista que evitou o furto das ovelhas e atirou na direção do ladrão, doutor Bruno?
– Por mais estranho que possa parecer ao leigo, temos que enquadrá-lo na Lei 10.826. Ele infringiu os artigos 14 (porte de arma), 15 (disparo de arma) e pior… o 16! A arma, além de não ter registro está com a numeração raspada! Só este artigo prevê pena de 3 a 6 anos de prisão, portanto não comporta fiança! Ele ficará preso. – Esclareceu o meticuloso delegado.
É… O tiro no ladrão de ovelhas saiu pela culatra! O lobo mau levou a melhor… De novo!