Sexta feira negra em Pouso Alegre

O roubo aconteceu piuco depois deste crepúsculo e o assaltante enfurnou-se debaixo desta ponte!

O roubo aconteceu pouco depois deste crepúsculo e o assaltante desceu por esta estradinha e enfurnou-se debaixo desta ponte!

O final de semana que começou às 18h00 de quarta, 03, e terminou à 00h00 de segunda, teve seis roubos à mão armada em Pouso Alegre. Quatro deles na sexta feira, 05. Dois deles chamam a atenção, pela ousadia da dupla de assaltantes. Entre um roubo no norte e outro no sul da cidade, havia se passado menos de meia hora…!!!

O roubo que mais chamou a atenção aconteceu ao pé da noite. A situação que propiciou o roubo nos remete ao inicio dos anos 80! Naquela época, Rodrigo e Cristina compravam um refrigerante, estacionavam a Brasilia verde do pai dele numa rua deserta do bairro Santa Doroteia e ali ficavam horas namorando…! Ricardo e Amelinha faziam a mesma coisa no interior do fusca que ela acabara de comprar, porém no bairro Fatima I – não existia o II e o III- A avenida Aeroporto também era ponto de namorar… às vezes juntava meia dúzia de carros um a cada cinquenta metros. Parecia um ‘drive-in’ onde o casal de namorados eram os protagonistas do filme! E era para namorar mesmo! Tipo ouvir musica internacional, beijar, acariciar, amassar, bolinar! Quando muito desabotoar o sutiã! Ver a cor da calcinha da Patricia, só depois de noivos! Alisar os pelinhos pubianos? Só depois de casados…!

Mas os tempos românticos, lúdicos, ficaram no passado. Nos anos oitenta os nóias eram apenas maconheiros e eram conhecidos da sociedade. Os filhinhos de papai usavam cocaína, dez vezes mais caro. Aí, nos anos 90, os produtores de drogas resolveram ampliar suas empresas… Pegaram as sobras do refino da cocaína, misturaram um monte de merda e criaram uma droga ainda mais forte e nociva do que a farinha do capeta… O Crack! Por um terço do preço! Nos últimos vinte anos a pedra bege fedorenta chegou aos quatro cantos do país! O preço médio para facilitar o troco é R$ 5.  E uma pedra só não satisfaz. E, para conseguir a segunda, a terceira, a quarta e muitas vezes passar a noite na verdadeira ‘noia’ nos lugares mais imundos, o dependente quimico ou psíquico topa qualquer parada! Penhora documentos, motos, carros, a cesta básica das crianças e até a própria mulher! E quando não tem o que penhorar apela para os roubos! Às vezes o trabuco nem tem balas, às vezes é de plástico, às vezes é apenas um isqueiro por baixo do moleton… mas vai saber!

Por isso, hoje, estacionar o carro numa quebrada qualquer dos incontáveis bairros que surgiram na periferia de Pouso Alegre, triplicando a população da cidade e quadruplicando seus problemas sociais, para namorar, corre-se o risco de receber companhia pouco agradável. Na melhor das hipóteses o assaltante vai levar apenas a carteira, o celular, o relógio, os cordões… Mas pode levar também a namorada para comer numa outra quebrada! Isso se não fizer o serviço ali mesmo, na frente do namorado e depois mata-lo!

Na noite ainda criança e fresca da quarta, 03, os irmãos Valmir e Valdir estavam no interior de um Fox parado na beira da rodovia BR 459 no bairro Belo Horizonte – não, não, não… Não estavam namorando, não! –  esperando a esposa de Valdir que chegaria de viagem…! De repente um vulto soturno usando bermuda e capuz de moletom se aproximou do carro em que estavam, encostou uma espingarda na janela e prometeu mandar bala nos dois se alguma coisa fugisse ao seu controle. Com a espingardona de quase um metro de cano encostada na cabeça de Valdir, o assaltante pegou o celular que estava sobre o painel e exigiu o conteúdo da carteira. Antes de sair levando cerca de R$300, o assaltante da espingardona fez mais estragos… Amassou a coluna, quebrou calha e vidro traseiro do Fox com a coronha da espingarda. Em seguida desceu a rodovia e enfurnou-se debaixo da ponte do Rio Sapucaí Mirim e misturou-se à escuridão da noite!

Com diria minha leitora Melissa, do velho Aterrado…

– A cada dia somos mais reféns da bandidada!!!

 

Leia daqui a pouco: Dois assaltos em meia hora

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *