Uma caminhada para ficar na historia…

DSC03188

      Eram oito e quarenta e cinco da noite de quarta, 18, quando vinte oito pés começaram se mover para a longa viagem! Seriam milhares, milhões de passos até chegar ao destino a cento e cinquenta quilômetros dali. Catorze corações batendo forte, emocionados! A maioria já antevendo a chegada três dias depois… Outros, sem saber até onde suas pernas os levariam…… E la fomos nós. Caminhando, cantando, rezando, brincando, contando historias… Contando estrelas. Flertando com o sorriso da lua que veio nos espiar de madrugada. Quando os primeiros clarões gelados do novo dia começaram iluminar o céu, estávamos chegando a Paraisópolis. Já não eram mais catorze pares de pés levantando a poeira da estrada: Bruno havia ‘pedido água’. Cristiano também.

– Não tô aguentando… Dói tudo! Meus pés estão cheios de bolhas – disse ele, para fazer quase toda a viagem no conforto do Montana!

Cristiano também:

– Vou dar só uma ‘descansadinha’… É já que eu desço do carro – Dissera ele antes do Itaim. E não desceu mais!

DSC03196

Foi a aurora mais gelada que vi surgir desde 1977, quando vi tantas surgirem nas guaritas do exercito. Depois de uma parada de meia hora no rancho da igrejinha na baixada foi preciso usar todo o estoque de luvas, toucas ninjas e cachecóis para não gelar as mãos, nariz e orelhas…

Este ano não precisamos desencalhar carros na estrada. Não choveu, embora a chuva tenha rondado a serra na chegada de Sapucaí Mirim. A neblina foi tão densa em Santo Antônio do Pinhal que fez lama na chegada da estação Lefreve e espantou os turistas. A estação quase perdida no ‘fog’ ficou só pra nós. Na “Pousada Champetre” em Piracuama demos boas gargalhadas. Mas nem todos chegaram lá com as próprias pernas. Japão e Tiago Cobra foram se juntar à Bruno e Cristiano no conforto das caminhonetes. As bolhas e tendinites não permitiam que eles colocassem os pés no chão. Na reta final da caminhada, parcialmente refeitos dos calos, tendinites e dores musculares, todos puseram os pés na estrada, literalmente, até Bruninho! Em Moreira Cesar, com a orelha ardendo por causa do ‘aluguel’ dos companheiros saiu do casulo e resolveu caminhar. A única baixa total este ano foi a desistência do silencioso Anderson, em Paraisópolis, segundo ele, por causa da filha. Ao ouvir sua voz da menina entre lagrimas:

DSC03203

– Volta logo papai…! – ele não resistiu, fechou a mala e embarcou no Gardenia, de volta para casa.

A cada ano a romaria tem uma característica marcante. Em 2012 a chuva fina nos durante quase toda a viagem, criando um clima surreal, quase magico durante as madrugadas. Indescritível a sensação de sair do conforto de uma aconchegante pousada no meio da noite e iniciar uma caminhada debaixo de chuva fina! No ano passado o que mais marcou foi a solidariedade… Se não passássemos pela Serra do Itaim no meio da madrugada, aquele casal teria passado a noite atolado na lama e no gelo ali! Este ano, além de pequenos detalhes, ninguém vai esquecer a performance do Cristiano. Depois de receber no ano passado a placa pela 10ª caminhada, ele resolveu ir ‘passear’ de carro com os amigos este ano. Antes do Itaim ele se acomodou no conforto da Hilux e foi dormir. Toda vez que o alcançávamos na estrada ele reclamava para o Nilton…

– Se você não trocar essa caminhonete por uma mais nova e mais confortável, eu não venho mais! – Dizia ele serio. Nos últimos quilômetros desceu e caminhou até a Basílica.

– Minha esposa está me esperando lá… Se eu estiver limpinho e perfumado, ela vai duvidar que eu fui andando!

Antes porém, ao falar com a mãe ao telefone…

– Não mãe, este ano a caminhada está muito boa! Não tive calo e nem dor nas pernas…

Pousada Champetre: Um dos momentos mais alegres da caminhada...

Pousada Champetre: Um dos momentos mais alegres da caminhada…

O bom humor e a superação foram marcantes em 2014! Eram cinco marinheiros de primeira viagem: Luciano Reis, Diego Matos, Tiago Cobra, Bruno e Japão. Os três últimos, apesar de uma pequena carona, fizeram quase toda a viagem à pé. Diego precisou trocar sete pares de tênis, mas não pediu agua. Luciano “Ruivo” usou ‘microporos’ como meias mas não tirou os pés do chão…!

Se tivéssemos que eleger o momento mais alegre da viagem, eu escolheria aquele no trevo de Roseira, a nove quilômetros do destino; 15 romeiros espalhados no chão na beira da estrada, contando piadas e comendo o ‘rei dos lanches’: “pão com mortadela” e guaraná Tubaina! Foi o momento oportuno para conferir alguns títulos aos colegas de peregrinação!

Alguns destes títulos foram facilmente atribuídos aos ‘agraciados’:

*O mais “zuado”: Este foi para o Bruno, que mal aqueceu os músculos pulou para dentro da Montana e só desceu perto de Roseira, no fim da caminhada, mas teve que aguentar a gozação dos companheiros.

*O “turista”: Cristiano. Desta vez ele foi passear de carro e divertir os amigos!

*Troféu “superação”: Este tem que ser dividido em partes iguais entre Luciano, Tiago Cobra e Japão. O veterano Tiago Antônio merece ao menos a base deste troféu!

* Pior café: Todos os feitos pela dupla “Guilherme & João Gustavo”!

Faltam 25 quilômetros: É assim que dorme...!

Faltam 25 quilômetros: É assim que se dorme…!

E tem ainda o troféu “ranzinza” para ‘premiar’ o peregrino que cria caso e reclama de tudo;

O troféu “apressadinho” ou “bem disposto”; que mal recomeça a caminhada já assume a dianteira e some na primeira curva!

O troféu “solidariedade” certamente seria do Rick! Embora seja um dos mais bem preparados fisicamente, ele sempre fica para trás… Para apoiar o peregrino que precisa de ajuda!

Toda privação, todo sacrifício, toda brincadeira, todo bom humor; toda amizade que se estreita nestas noites e dias de convívio; toda beleza que vemos ao longo da jornada, enriquecem o peregrino, o homem… Mas nada se compara à emoção de pousar os olhos marejados na Imagem Santa na Basílica e dizer:

– Eu cheguei, Mãe…!

… E ouvir a resposta silenciosa entre sorrisos:

– Eu sabia que você chegaria, filho…! Eu te levantei varias vezes pelo caminho…

E deixar as lagrimas correrem!

 

Acabamos de chegar...

Acabamos de chegar…

Esta foi a 4ª “Romaria Santo Antônio Maria Claret & Amigos”, organizada por Tiago Antonio Batista e Marcelo Matos. Quiçá possamos participar de outras quarenta “Caminhadas com fé”!

Os motivos mais comuns que levam milhares de pessoas a deixar o conforto de casa para andar dias e noites enfrentando intempéries, com destino à Aparecida ou outros Santuários são: agradecer ou pedir uma graça! Mas tem também os curiosos que querem descobrir a sensação de uma longa caminhada ou simplesmente testar a capacidade física; tem aqueles que querem ter alguma historia pra contar; tem os “maria-vai-com-as-outras” que tentam ir porque o vizinho vai…! Mas não são todos que chegam! Alguns ficam pelo caminho. Alguns ‘pedem agua’! Romaria à pé de algumas dezenas de quilômetros não é coisa para aventureiros… É preciso ter um proposito!

DSC03238

 

Para comemorar o exito da caminhada, uma lauta feijoada na casa - nova e aconchegante - do Marquinhos/Sabrina.

Para comemorar o exito da caminhada, uma lauta feijoada na casa – nova e aconchegante – do Marquinhos/Sabrina com as “patroas”…!

Caminhando e cantando e seguindo…

DSC06725

Vou pegar a estrada… As trilhas, os trilhos…

Vou caminhar muitos dias. Na verdade muitas noites! Só vou parar para descansar quando os raios do sol cegarem meus olhos.

Vou sentir o sereno da noite umedecendo meus cabelos…

Vou ouvir os grilos e todas as sinfonias da madrugada, ao vivo, no que restar da luz da lua minguante!

Vou me despedir com saudade do negrume das noites e saldar a fria aurora…

Não estarei só neste momento. Além dos companheiros de caminhada, os passarinhos descerão dos ninhos para nos saldar…

Vou admirar o orvalho fino e tímido das manhãs…

Vou saldar com a alegria os primeiros raios do novo sol…

… E vou vê-lo secar suavemente o orvalho das plantinhas na beira da estrada.

A fome, a sede e o frio estarão por perto… Mas vou sentir o coração saciado e aquecido!

DSC06738

Vou longe…

E vou porque quero! Vou porque gosto. Vou porque posso…

Só vou parar diante da imagem santa da minha mãe!

E minhas lagrimas lavarão todo meu cansaço… Apagarão todas minhas dores!

… E voltarei mais puro. Mais leve. Mais jovem. Mais amigo…!

 

Sua empresa precisa de um Assistente Administrativo?

LUIZ ALFREDO GONÇALVES TEIXEIRA

DADOS PESSOAIS

 

Brasileiro, Casado

Data de nascimento: 02/07/1973

End: Rua José Rosa, nº 346

Bairro: Foch II, Pouso Alegre – MG

Tel: (35) 9138-3761 / 9883-5509

Carteira de Habilitação: Categoria “B

Email: [email protected]

(PNE) Portador de Necessidades Especiais (Deficiente Físico)Não preciso de adaptação

ESCOLARIDADE

 

Ensino médio completo

 

CURSOS

 

  • Informática
  • Curso de Qualificação Auxiliar Administrativo (SENAI / MG)
  • Inglês (básico)

 

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

 

EMPRESA: SEST/SENAT SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM TRANSPORTE

CARGO: Assistente Administrativo I

Contato: 3422-7313 (Juliana Campos)

EMPRESA: SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM / (SENAI/MG)

CARGO: Assistente administrativo

Contato: 3423-7330 (Shirlene)

 

EMPRESA: DEVA VEÍCULOS LTDA

CARGO: Auxiliar de vendas / Vendedor

 

EMPRESA: CASAS BAHIA COMERCIAL LTDA

CARGO: Vendedor

 

OBJETIVO

 

Coloco-me a disposição para uma entrevista pessoal, onde poderei expor minhas habilidades, ideias e objetivos, podendo ser integrada dentro desta empresa, contribuindo para seu crescimento e desenvolvimento interno e externo.

Desde já agradeço.

Para refletir no fim de semana…

   DSC03109

     “Conta-se que seis homens ficaram presos numa caverna por causa de uma avalanche de neve. Teriam que esperar até o amanhecer para receber socorro. Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam. Eles sabiam que se o fogo apagasse todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.

     Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a unica maneira de poderem sobreviver.

     O primeiro homem era racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha pele escura. Então raciocinou consigo mesmo:

– Aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro! –

E guardou-a protegendo-a dos olhares dos demais.

    O segundo homem era um rico avarento. Estava ali porque esperava receber os juros de uma divida. Olhou ao seu redor e viu um homem da montanha que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele calculava o valor de sua lenha e, enquanto sonhava com seu lucro, pensou:

– Eu dar minha lenha para aquecer um preguiçoso? Nem pensar!

     O terceiro homem era um negro. Seus olhos faiscavam de ressentimento. Não havia em seus olhos qualquer sinal de perdão ou de resignação que o sofrimento ensina. Seu pensamento era mais pratico;

– É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem! – E guardou sua lenha com cuidado.

     O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve. Este pensou:

– Esta nevasca pode durar dias! Vou guardar minha lenha.

     O quinto homem parecei alheio a tudo. Era um sonhador. Olhava  fixamente para as brasas. Nem lhe passava pela cabeça oferecer a lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com suas próprias visões – ou alucinações!? – pra pensar em ser útil.

    O ultimo homem trazia nos vincos da testa a nas palmas calosas das mãos os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido:

– Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem o menor dos gravetos!

     Com este pensamentos os seis homens permaneceram imóveis. A ultima brasa da fogueira se cobriu de cinzas e finalmente apagou!

     No alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados. Cada qual segurando um feixe de lenha!

     Olhando para aquele triste quadro o chefe da equipe de socorro disse:

 – O frio que os matou não foi o frio de fora… Foi o frio de dentro!

 

     Não deixe que a friagem que vem de dentro mate você!

     Abra seu coração e ajude a aquecer aqueles que o rodeiam…

     Não permita que as brasa da esperança se apague e nem que a fogueira do otimismo vire cinzas.

     Contribua com seus gravetos de amor e aumente a chama da vida onde quer que você esteja.

     E não nos cansemos de fazer o bem… Porque a seu tempo, ceifaremos, se não desfalecermos.”

 

Tenham todos um caloroso final de semana!

 

Cavucada ‘forever’ está “soprando velinhas”…

Alexandre Cavucada na porta de sua casa no Belo Horizonte hoje de manhã...

Alexandre Cavucada na porta de sua casa no Belo Horizonte hoje de manhã…

Alexandre Reis Assunção, o nosso ‘forever’ CAVUCADA, está soprando velinhas nesta quarta, 28. Desde que ele se conhece por gente as pessoas o chamam assim… E recebem um caloroso sorriso e ao menos um centavo de prosa!

Assim é o palmeirense Cavucada que só tem uma tristeza na vida… Quando vê uma maldade!

Alexandre Reis Assunção chega ao 45 anos de vida biológica mas o alegre e eterno Cavucada continua na tenra e inocente infância… na casa dos 9 ou 10 anos de idade psicologica! Não faz mal a ninguém. Pelo contrario, faz bem! Receber um “Oi fulano” e um aceno dele na rua com sua inseparável camisa do Palmeiras nos faz lembrar que existe pessoas simples, puras, despidas de formalidades, que se lembram de nós!

Ao contrario do quadragésimo quarto aniversario que coincidiu com um dia frio e chuvoso em 2013, o quadragésimo quinto está acontecendo num dia claro de sol. Pena que o nosso amigo Alexandre nem saiba que está fazendo aniversario. Ele estava sozinho em casa e quando perguntei quantos anos estava completando, ele respondeu de chofre… 50! E fez questão de posar comigo para o ‘selfie’…

Cavucada não sido mais visto pelas ruas da cidade como de habito. Estaria ele ficando velho? Estaria doente? Ou apenas mais caseiro!

– Não tenho te visto mais pela cidade, Cavú…! Voce não tem saído de casa?

– É o frio, né Chips… Agora eu fico em casa!… De noite eu faço bagunça com a criançada aqui na rua…

Parabens Cavucada… Que Deus o conserve assim, alegre como os ‘lírios do campo’ que não tecem nem fiam, espalhando alegria e pureza!

 

Leia mais sobre o ‘nosso’ eterno Cavucada aqui no blog…

Átila, o ‘gigante bocó’ e o festival de foguetes

CACHORROS & CACHORRADAS

Os Pais de Atila, Nick e Bob

Os Pais de Atila, Nick e Bob

Era o filho mais velho de uma ‘ninhada’ de três. Foi o ultimo a deixar o útero materno! O pai era um legitimo Pointer Inglês malhado cara de pidoncho. A mãe era uma gigantesca São Bernardo tricolor babona. E ele, para não deixar nenhum enciumado, nasceu com pelagem e cor do pai Bob e o porte gigantesco e dócil da mãe babona, Nick! Com quarenta e cinco dias já pesava dez quilos! Dormia na garagem com outros seis, sete ou até mais de dez da sua espécie. Logo depois da adolescência se tornou o rei do ‘quintalzinho’ de seis mil metros quadrados da Fazenda Nosso Paraizzo. O pai Bob era o primeiro que murchava a orelha para ele. Até mesmo o garboso pastor Belga Jack e o atlético Dog Alemão Rock Boy tinham que bater continência p’ra ele e pedir licença para circular pelo seu território! O Fila Tigrão, mais novo e ligeiramente menor, não falava um ‘au’ na sua presença.

Atila, com cerca de  quarenta e cinco dias, e dez quilos.

Atila, com cerca de quarenta e cinco dias, e dez quilos.

 

Mas não era somente a desenvoltura, o porte gigantesco, a voz ensurdecedora que lhe chamava a atenção! Na intimidade do lar sua docilidade era impar. Tatiana que fez seu parto fazia o que queria com ele. Desde monta-lo até fazê-lo rolar no chão. Quando era necessário dar-lhe algum medicamento ou vitamina, ela abria sua bocarra e enfiava as capsulas lá no fundo da sua garganta com seu meigo bracinho branco roçando as fileiras de dentes alvos! Certa vez Atila pulou um alambrado de um metro e meio para ir caçar lebres e lagartos no brejo próximo e acabou cortando o bilau… Eu e a Tatiana o seguramos na maca e a Cris fez a sutura no pênis do gigante… sem anestesia. Era dócil demais…!

Porém como tudo nesta vida muda, nós também mudamos… de casa. Fomos morar no velho e assombrado casarão construído em 1936 pelo ‘bisa’ da Tatiana, Sanico Telles, há poucos metros do Inatel. Apesar de a casa ser imensa e um quintal também, não foi possível levar todos os cães. Só foram os ‘xodós’ Atila, o Tigrão e a Dominique. Ainda assim eles só podiam ficar na parte dos fundos do quintal. Acostumados com tanto espaço na fazenda, logo começaram ficar estressados. De vez em quando Atila e Tigrão se estranhavam e se pegavam! Era uma luta de gigantes. Literalmente. Invariavelmente Tigrão afinava e se deixava ficar estendido num canto qualquer esperando o perigo passar e Atila em cima dele. Seus rugidos eram ouvidos lá na Rua do Queima. Parecia um leão lutando e matando um búfalo com a imensa bocarra no pescoço do Tigrão. E eu pensando;

DSC04013

Momento de Atila tranquilo com Tigrão em seu canto

– Meu Deus, hoje o Tigrão não escapa! Vai ser impossível costurar o seu pescoço!

Eu ralhava, batia com chicote, cabo de vassoura, jogava baldes de agua fria, jogava com a mangueira e nada…! Atila só largava o pescoço e saia de cima do Tigrão quando ele amolecia o corpo parecendo morto ou quando o stress finalmente passava. E eu pensando;

– Deixe ver se ainda dá para salvar o pobre coitado!

E aí constatava o inacreditável! Não havia sequer um arranhão no corpo e nem mesmo no pescoço do Tigrão, apenas baba, muita baba do Atila! Ele não feria nem mesmo o macho na hora da luta!

DSC01956

Um dos milhares momentos de Tatiana amassando o gigante

No começo de 2012 mudamos para Pouso Alegre. Casa pequena, quintal pequeno, mas era mais fácil a Tatiana separar-se de mim do que do gigante Atila! Mas eu não ligava. Aliás, há muito eu havia me juntado ao inimigo… Eu não podia com ele, mesmo! Afinal tinhas suas vantagens… Caminhar com Atila pelas ruas do bairro Fatima – bairro mor em caminhadas – era uma festa. Era algo para se levantar o astral. Quem estivesse ao seu lado se tornava alvo das atenções. Era impossível as pessoas passarem por nós sem se manifestar. Os homens viravam o pescoço de longe e nada diziam, mas não deixavam, de olhar. O jeitão do gigante bocó realmente chamava a atenção. As mulheres inevitavelmente paravam para conversar, admiradas! Às vezes não era apenas com o cachorro, mas ele era o pretexto…! Certa vez uma loira me perguntou se eu podia dar-lhe o telefone… Do cão, claro!

– Nossa… Como ele é bonito!-… imenso! Quanto ele pesa?

– Oitenta e pouco…

– Que raça é essa?

– O pai é perdigueiro, a mãe é São Bernardo!

– Perdigueiro?

– É. É o Pointer inglês…

– Como é mesmo a raça São Bernardo…?

-… É aquele grandão peludo, que leva um corote no pescoço!

Atila e sua parceira Lobinha, uma cão-do-mato

Atila e sua parceira Lobinha, uma cão-do-mato

– Ah, o Bethovem…?

– Isso mesmo!

– Que idade ele tem…?

– Está com 7 anos…

– Nossa, mas ele parece tão cansado… O bigode já está branco…

-… É que cães desse porte vivem pouco… Por volta de nove anos somente!

– Ele é bravo?

– Só no quintal…

Atila e a pequena Domenick

Atila e a pequena Domenick

Quando alguma criança fazia cara de medo, eu pegava nas bochechas do Atila, fazia uns cafunés e chacoalhava pra lá e pra cá para mostrar que ele era bonzinho! Numa caminhadas de três ou quatro quilômetros, a ida não era fácil! Tinha que fazer força para segurar o gigante malhado querendo cheirar tudo, marcar território, encarar outros cães na grade das casas! A volta era moleza. Podia até soltar a guia que ele vinha caminhando lentamente, lado a lado, arfante, com a língua de fora, dando um banho de baba na rua… Se eu apertasse o passo ele ficaria pra trás. Também, quase noventa quilos…!

Como fora criado na fazenda adorava espaço. Não podia ver o portão da garagem aberto que logo saia pra rua, mijando aqui e acola, marcando território como todo cão. E tinha um serio defeito: Era desobediente! Se falássemos com ele de perto ele murchava a orelha e voltava de medo, balançando a cabeça com a boca aberta como quem diz;

– Eu só ia dar uma voltinha…! – Mas se falássemos um pouco mais de longe ele se fingia de surdo! Levantava a cabeça e saia num galope, que nem moleque, fazendo balançar o passeio do vizinho com seus oitenta quilos de pintas pretas e brancas! Lá ia eu pelo bairro correndo atrás com uma guia na mão! Um dia eu o perdi de vista e desisti de procura-lo. Fiquei sentado no portão esperando… Meia hora mais tarde ele surgiu arfante na esquina e voltou pra casa. Aos poucos fomos acostumando a deixar que ele desse um volta sozinho no quarteirão. Quinze ou vinte minutos depois ele estava arranhando o portão da garagem. Entrava, bebia alguns litros d’agua e se estirava numa sombra qualquer pra cochilar. O único perigo era matar alguém ao virar numa esquina… De susto.

Como todo cão, Atila tinha os ouvidos supersensíveis. Podia estar no fundo do quintal que latia e corria para o portão da frente se chegasse alguém estranho. Se isso é bom nos cães, tem também o lado ruim, naturalmente… Os cães tem pavor de foguetes, tiros e trovões! Quando ele ouvia estalos de foguetes corria desesperado em volta da casa procurando um buraco para esconder. Se achasse alguma porta aberta se enfiava murcho, cabeça colada ao chão dentro de casa. Se persistissem os estrondos era capaz de se enfiar no quarto até em cima da cama onde ficava tremendo igual vara verde! Quando estava naquele estado era quase impossível tirá-lo de dent

Cachorro

O esconderijo de um cão desesperado

ro de casa. Ordenar que saísse era o mesmo que falar com um poste. Eu torcia para ele se deitar num tapete… Assim facilitava sua retirada puxando seu tapete! Certa noite em meados daquele ano, ao ouvir um foguetório qualquer ele correu desesperado em volta da casa procurando um esconderijo, como de habito, até que sossegou. Na manhã seguinte nós o encontramos ainda ressabiado dentro da churrasqueira!
Alguém se lembra qual time ganhou a Copa do Brasil de 2012? Eu lembro. Em 2042 ainda lembrarei daquela quarta feira de julho! Quando eu cheguei da minha pelada, tão logo abri a garagem com o controle, Atila saiu para dar uma volta. Deixei que ele fosse, até porque eu não conseguira mesmo alcança-lo. Depois de tomar meu banho, abri uma loira gelada e fui lá fora abrir o portão… Mas Atila não estava lá como de costume. Fui até a esquina esperando ver o gigante malhado surgir lentamente com a língua de fora, mas… Nada. Comecei ficar preocupado. Voltei pra casa peguei o carro e sai à sua procura! Revirei o bairro…  Nem sombra do gigante Atila. Comecei ficar realmente preocupado, pois àquela altura eu já ouvira alguns foguetes que precediam a final da Copa do Brasil. Se ele estivesse por perto, ele voltaria desesperado para casa. Mas se estivesse longe, ficaria desesperado, poderia desguaritar…! Quando a Tatiana chegou da academia contei o fato e saímos em dois carros, cada um para um lado – o foguetório aumentando! Rodamos o bairro e adjacências até perto da meia noite e não vimos mais nosso xodó malhado, nosso ‘gigante bocó’ como carinhosamente o chamávamos! Falamos com vizinhos, ligamos para o ‘passiento’ de cachorro que o conhecia, para os vigilantes noturnos do bairro, deixamos todos em alerta para avisar se o vissem! Aquela noite em que o Palmeiras ganhou a Copa do Brasil de futebol será inesquecível… Não que eu seja palmeirense, não pelo titulo do Verdão, mas pelo foguetório que afugentara nosso ‘filho’ Atila! Imaginávamos mil coisas!

Atila dentro de casa assustado

Atila dentro de casa assustado

– Talvez ele tenha se escondido nalgum lote vago ao ouvir os foguetes – dizia eu tentando animar a Tatiana.

– Vai ver ele se assustou se perdeu a direção de casa. Deve estar andando pelo centro da cidade… Se ele não voltar a gente anuncia no Blog, no face… Ele não vai passar despercebido. – eu tentava acreditar.

– Alguem deve tê-lo raptado – dizia a Rayanne.

– É. Muita gente gostaria de tê-lo. Lembra que uma pessoa queria compra-lo?

– Lembro. O moço ofereceu três mil por ele…!

– Muitas pessoas já nos viram com ele, sabe quem somos… Não teriam coragem de ficar ele. Lembra que já devolveram a Dominique três vezes? – Se ele for arranhar o portão de uma casa por engano e o dono da casa não morrer de susto ao vê-lo passar por entre suas pernas e correr para dentro de casa para se esconder, fatalmente vai notar nosso telefone na coleira e vai ligar…! – Eu não queria acreditar que tínhamos perdido nosso ‘gigante bocó’. Quem iria notar minha presença caminhando pelo bairro sem ele?

Quando o telefone tocou às seis e meia da manha daquela quinta feira, Tatiana foi pegar o aparelho, a base dele, um ursinho de pelúcia e meia dúzia de bibelôs que estavam sobre o criado mudo, todos no chão! Tínhamos absoluta certeza que o telefonema àquela hora da manhã trazia informações sobre o nosso Atila. Só não sabíamos quais eram! Mas precisei de apenas alguns segundos para saber. Sem ter que perguntar … Bastou escutar o silencio da Tatiana e olhar para seu rosto mudando de cor e banhando em lagrimas sentada sobre a cama, o aparelho escorregando pela mão…! A voz fúnebre do outro lado do aparelho era do “passiento” de cachorro. Às perguntas atropeladas de Tatiana do tipo.

– Achou ele? Ele está bem? Onde ele está:

Ele respondera apenas…

– Acho que é ele… Na rodovia…

Olhando para o vazio Tatiana disse-me com a voz sumindo, vendo há quilômetros dali o gigante bocó correndo à galope atrás do seu carro, em meio a uma matilha de viralatas, pelo gramado verde e aparado do jardim da Fazenda Nosso Paraizzo, quando ela passava pelo portão eletrônico…

-… Na saída do Pontilhão do Baronesa, sentido Congonhal!

Em menos de dois minutos eu estava no local. Antes de vê-lo tinha certeza que era ele e era mesmo! Atila estava lá. Frio, inerte, silencioso, sem baba e sem aquele seu sorriso molecão! Não poderia ter o sorriso na cara, pois não tinha cara…! Não tinha cabeça! Não tinha nem a coleira! Do pescoço para trás estava intacto, sem um arranhão! Do pescoço para frente havia apenas uma mancha de sangue e de sebo espalhados na pista… Parte certamente seguira viagem entre as rodas da carreta que o atropelara. Ainda bem que fora uma carreta, pois se fosse um carro de passeio não seria apenas Atila que teria morrido ali naquela barulhenta e abafada madrugada! A única coisa a fazer era arrastar os quase oitenta quilos para o acostamento da via… Para evitar futuros acidentes! Tudo por causa dos foguetes…

Daqui a duas semanas começa a polemica “Cup FIFA of world” no continente chamado Brasil, num tapete ainda bagunçado que custou cerca de vinte e oito bilhões de reais!

atila (11)Milhões de brasileiros vão comemorar as vitorias do Brasil…

Milhões de brasileiros vão comemorar as derrotas do Brasil…

Milhões de brasileiros vão comemorar as derrotas da Argentina!

Milhões de foguetes explodirão no espaço…

Milhões de cachorros ‘xodós’ de crianças e adultos procurarão desesperados um esconderijo…!

Quantos Átilas desguaritarão…!!!

 

 

Minutos de Sabedoria…

DSC00410

Guardar magoa é como ficar dormindo na esquina esperando ser acordado pelos ruídos do inimigo que vai passar, para o acerto de contas.

Mas ele nem sabe que você está ali… Vai passar tão silencioso que você continuará dormindo!

E quando você acordar, o inimigo já estará a quilômetros de distancia! E você continuará parado na esquina…!

 

Tenham todos uma iluminada semana…!

Atropelamento fatal no Fatima I

DSC03067

Se você mora no Fatima I e ficou temporariamente sem energia elétrica nesta tarde, não se apavore! As chuvas que não caíram nos últimos meses – e não cairão nos próximos! – nas escarpas da Mantiqueira já causaram a maior seca da historia do Lago de Furnas, mas ainda não afetaram o fornecimento de energia elétrica no Sul de Minas! A culpa do ‘apagão’ repentino foi de um velho poste e de um jovem motorista que passava pelo bairro!

O acidente aconteceu por volta de duas e meia tarde desta segunda feira de céu azul de outono… Ao fazer a curva logo após o Ciem de Fatima, o Ford Fusion prata foi direto ao poste que margeia a via. O choque foi seco e duro… O velho poste já com o concreto carcomido pelo tempo não resistiu e deitou mortalmente ferido sobre a rua levando com ele alguns galhos da arvore vizinha… Por pouco teria esmagado o jovem motorista!

DSC03069

As causas do acidente ainda não foram apuradas. Os policiais que estiveram no local para registrar o sinistro e administrar o pouco transito, acreditam em três hipóteses: imprudência do jovem motorista que talvez estivesse dirigindo em velocidade incompatível com a via – mais propriamente com a curva; imperícia do mesmo motorista, que, embora em velocidade compatível tenha se distraído e esquecido de virar o volante; ou imprudência do próprio poste que, devida a avançada idade, tentou atravessar a rua sem olhar para os lados! Ah, não se pode descartar uma falha mecânica do Fusion prata, uma vez que nenhuma peça de veiculo, mesmo as de carrões de R$ 88 mil, é eterna!

DSC03070

Bem, entre mortos e feridos salvaram-se – quase – todos! Parece que o prejuízo maior foi da velha arvore da pracinha, que perdeu alguns dos seus galhos. – Mas isso não vai “dar galho” para o motorista!

Apesar da interdição inesperada da via para o transito, este blogueiro conseguiu chegar à tempo ao consultório do doutor Enilson, seu dentista!

DSC03074

A empreiteira da Cemig chegou rapidamente ao local do sinistro e ja está restabelecendo a substituição do defunto, quero dizer… do velho poste!

 

Leia daqui a pouco:  “Policia sacode Silvianópolis”

 

 

 

Minutos de Sabedoria…

DSC02864

“Não acumule desejos de vingança, detritos do mal em seu coração.

Jogue-os fora, revelando e esquecendo o que lhe fizeram de mal em palavras, atos e maledicências, calunias e injustiças!

Uma única pessoa lucrará com o seu perdão: você mesmo, que libertará seu coração do peso da magoa e do ódio.

Seja inteligente: perdoe e esqueça, para ser feliz!”

 

Tenham todos uma iluminada semana…!

Caldos da Festa N.S. de Fatima

DSC03212

Desta vez não pude saborear ‘in loco’ as delicias das barracas da tradicional Festa de N.S. de Fatima… Mas o famoso caldinho de feijão, levei pra casa… Uma delicia! Caldo forte, encorpado, bem temperado, cheiro verde e torresminho bem sequinho com gosto de bacon… Bom demais! Melhor que isso só mesmo o atendimento sorridente das voluntarias Angela, Celeste, Regina, Candinha, Inês e Carla na barraca de Caldo de Feijão do Jairo!

A festa vai até o dia 13…